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 Harry Potter eo Perfeito e Proibido

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Leonardo Winchester
Arcanjo Raphael
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MensagemAssunto: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 18:35

Nome Da Historia: Harry Potter e o Perfeito e Proibido

Autor: Eu Smile

Criada Em: 02/04/2010

P.S. Qualquer Semelhança Com o Livro é Uma Mera Coicidencia


1° Capitulo - A Casa Dos Granger

Harry seguia pelo velho corredor do Departamento de Mistérios até a porta sem fechadura que se abriu. ENTÃO ele estava em um lugar estranho já que não era, aquela, a mesma sala que deveria estar ali, e sim um quarto onde um rapaz de rabo de cavalo ruivo debruçava-se em uma janela. Harry, sem conseguir se controlar, seguiu até ele; o rapaz ia se virar quando Harry deu uma cotovelada em sua nuca e ele desmaiou.

- Métodos trouxas.- ouviu sua boca dizer em tom frio. Virou-se e assistiu dois homens encapuzados se aproximarem.. Um deles juntou as mãos do rapaz ruivo para trás e ali elas permaneceram, como se cordas invisíveis as tivessem prendido uma na outra. - Mais simples que tirar doce de criança.- riu Harry.

Ouviu o rapaz gemer no chão, estava acordando. Os dois Comensais o levantaram pelos braços, ainda presos às costas. O rapaz começou efetivamente a acordar e levantar o rosto de forma que Harry pode reconhecê-lo, era Gui Weasley.

- Tampem o seu rosto, vamos levá-lo daqui.- disse Harry. Sem se conter olhou novamente para Gui. De repente o rosto do rapaz, que agora estava sob um saco preto, transformou-se no de Hermione; ela olhou para Harry com aquela cara de “você está errado” e disse: “Você deveria praticar oclumência!”, a cicatriz de Harry doeu obrigando-o a espremer os olhos, quando os abriu novamente viu o teto de seu quarto na Rua dos Alfeneiros, nº 4.

Harry levantou-se e colocou os óculos, a cicatriz ainda doía. Dirigiu-se à janela, por onde entrava uma brisa fresca. Já estava ali fazia um mês, praticara religiosamente oclumência durante a primeira semana,nas seguintes nada sonhou, e agora aquela visão. “Voldemort pegou Gui” pensou, mas logo se convenceu de que era apenas mais uma armadilha, se ele não tivesse acreditado na visão sobre Sirius, este não estaria morto agora. Lembrava-se tristemente de Sirius quando ouviu um ruído. Uma coruja castanha pousara no parapeito da janela. Harry retirou um pequeno embrulho e um envelope. Abriu o último.


Harry,


Um feliz aniversário para você! Estou lhe mandando uma lembrança, acho que lhe será útil.


Abraços,


Luna Lovegod


Harry sentiu-se surpreso. Só agora se deu conta de que era seu aniversário, não que fosse esse o motivo da surpresa. Não esperava receber uma coruja de Luna Lovegod, tampouco que ela fosse a primeira a lhe escrever desejando-lhe parabéns.

Apanhou o embrulho e o abriu encontrando o que parecia um relógio de bolso prateado. Não havia ponteiro de segundos, tampouco de minutos. Lembrava muito uma miniatura do relógio da Sra. Weasley, porém estranhamente morto, parado. Era composto por seis ponteiros dos quais apenas um parecia vivo. Via-se nele o rosto de Harry em uma minúscula estampa e encontrava-se parado na única casa intitulada. Lia-se algo escrito em alfabeto rúnico que Harry, sem entender como, interpretou como lar. Ao virar o objeto podia-se identificar uma meia lua gravada em suas costas. Junto ao embrulho havia uma pergaminho puído repleto de mais runas constituindo o que parecia um manual de instruções. Sem entender, Harry jogou o objeto com os papéis sobre a escrivaninha, agradeceria ao amanhecer quando Edwiges voltasse. Deitou-se novamente e ficou quieto, a cabeça vazia, não conseguia dormir.


*


Muitos quilômetros longe dali, uma garota de cabelos cheios lia, deitada numa poltrona, um grosso livro denominado Transfiguração Avançada e Animagos. Já passava da meia noite, como indicava um relógio digital ligado à tomada. Parecia extremamente imersa em sua leitura, às vezes mordia o canto do lábio inferior, quase não piscava. Nem o barulho que, de quando em quando, um gato amarelo fazia ao derrubar alguma coisa tirava sua atenção.

Reinava o mais absoluto silêncio quando, de repente, ouviu-se um estalo alto no andar debaixo. Bichento, o gato, saltou de cima da cama, no canto oposto do quarto, e saiu veloz pela porta. A garota pousou o livro aberto no chão e se levantou, caminhava para porta quando outro som interrompeu o, ainda perseverante, silêncio. O pio de um pássaro encheu a madrugada e em seguida uma coruja parda entrou pela janela, deixando cair um envelope aos pés da garota que calmamente apanhou-o e abriu. Enquanto lia mantinha a testa franzida, e as sobrancelhas finas levemente erguidas.


Cara Hermione,


Gui foi levado por comensais da morte. Não sabemos, ainda, o que eles querem, mas temos informações seguras de que Gui está vivo e ainda não sofreu nenhum tipo de tortura.

Rony chegará à sua casa nas próximas horas e pela manha Harry também se juntará a vocês. Seguirão com seus pais para uma pequena cidade trouxa ao sul, que já está devidamente protegida, onde ficarão até o fim do verão.

Gina está bem, seguiu há uma semana para a Suécia, com Luna Lovegood, e ainda não sabe do ocorrido. Peço sua colaboração para que ela não saiba de nada até que possamos buscá-la. Cuide do Rony e não deixe que ele ou Harry tentem ir atrás de Gui; mantenham a calma e tudo acabará bem.

Carinhosamente,

Molly Weasley


Hermione guardou a carta no bolso e preparava-se para descer as escadas quando bichento apareceu veloz, balançando o rabo de escovinha. Vinha miando. Hermione sorriu, levou o gato ao colo e voltou para seu quarto.


*


Harry Potter acordou pouco depois das seis da manhã, prestes a presenciar a cena mais inesperada na casa dos Dursley. Na verdade foi acordado por um grito do Tio Válter.

-...O que? Com quem você quer falar?

Harry assentou-se e tateou a escrivaninha à procura dos óculos.

- Era só o que me faltava!- escutou a voz de Tio Válter dizer, parecia subir as escadas.- Aquele moleque agora recebendo visitas. Ainda por cima de gente da laia dele!

Harry finalmente alcançou os óculos, colocou-os e levantou-se. Visitas? Teria ouvido direito? Quem o estaria visitando àquela hora da manhã? Antes que tivesse tempo de tentar adivinhar seus pensamentos foram interrompidos por uma violenta batida na porta. Apressou-se em abri-la. Era o tio Válter.

- Se troque depressa, garoto!- disse em tom ameaçador.- Tem “visita” pra você lá embaixo.

Mal seu bigode parou de mexer-se, quando mais passos se aproximaram.

- Não é necessário, eu mesma vou até ele!- disse uma voz feminina que Harry conhecia, mas não se lembrava quem era a dona.

-Eu disse pra ela não subir, Válter!- disse Tia Petúnia que surgiu no alto da escada. Em seguida Harry viu Tonks aparecer também. Ela se estreitou entre os Dursley e entrou no quarto de Harry.

- Com licença Sr. Dursley.- disse ela, que agora tinha os cabelos brancos espetados, e antes que o tio Válter pudesse fazer qualquer objeção, fechou a porta na cara dele.

- Tonks?- foi tudo que Harry conseguiu dizer.

- Apresse-se garoto!- disse a bruxa afoita. - Junte todas as suas coisas. E, a propósito, feliz aniversário!

- Aonde vamos?- perguntou Harry.

- A Greelin.- disse Tonks.

- An?

- Não há tempo para explicações, houve um problema envolvendo comensais. – informou Tonks enquanto abria o malão de Harry e tacava os livros lá dentro. - Nada muito grave, não se preocupe, mas Dumbledore achou melhor mandá-los para a cidade dos pais de Hermione. Você saberá de todos os detalhes mais tarde, agora temos pressa.

Ela abriu o armário de Harry e tirou uma mochila de lá, abriu-a e virou-a de cabeça para baixo. Penas, tinteiros e pergaminhos caíram. Sacou a varinha e a sacudiu, as coisas do chão imediatamente voaram para o malão. Sacudindo a varinha novamente, jogou a mochila para Harry.

- Coloque aí todas as roupas de Trouxa que puder e troque-se, estou lhe esperando lá em baixo. - disse Tonks e com mais um aceno de varinha, saiu do quarto, com o malão de Hogwarts já pronto, flutuando atrás dela.

Ainda confuso, Harry abriu novamente o armário e começou a pegar as roupas restantes e jogá-las na mochila, que agora parecia muito maior por dentro. Logo ele estava pronto, vestia uma camiseta velha e desbotada, uma Jeans surrada e um tênis cuja sola estava se soltando. Ele olhou por todo o quarto a fim de confirmar se não esquecera nada. Viu o relógio de Luna, jogou-o na mochila também e, segurando a gaiola vazia de Edwiges, desceu as escadas. Na sala de estar, encontrou um tio Válter púrpura e bufante em pé atrás de um Duda ainda de pijamas que observava com os olhos arregalados o malão flutuando ao lado de Tonks. Ao ver Harry descer as escadas com a mochila nas costas Tonks sorriu.

- Bom, Sr. Dursley.- disse ela desencostando da parede e tirando do bolso uma carteira surrada e dando um toque com a varinha nela.- Foi um prazer conhecê-lo, vamos Harry?- completou.

Harry fez que sim com a cabeça e, jogando a mochila nas costas, atravessou a sala. Ouviu-se então uma tia Petúnia apressada que descia as escadas.

- Espere garoto!- disse ela quando alcançou a sala, carregava um embrulho pardo nas mãos. O telefone tocou e Tio Válter, praguejando, foi atender. Duda recuou alguns passos até trombar com a parede.- isso é para você.- completou Tia Petúnia num sussurro, parecia não querer que tio Válter ouvisse.- Feliz aniversário.- disse ela para um Harry estupefato que desajeitado apanhou o embrulho.

- Vamos, Harry.- insistiu Tonks, que segurava a carteira agora envolta por uma luz azulada, era uma chave de portal. Harry colocou a mão sobre a carteira e lançou um lançar confuso para Tia Petúnia. Os olhos dela pareciam úmidos, Harry nunca tinha visto aquela expressão de preocupação no rosto dela em nenhuma das vezes em que deixou a casa dos tios nos anos anteriores. Mas, antes que pudesse ver algo mais, seus pés saíram do chão e tudo começou a rodar. Quando sentiu o chão novamente Harry estava na sala de uma luxuosa casa de trouxas. Logo a sua frente, em uma poltrona, estava um homem de cabelos castanhos caprichosamente penteados que o encarava, ligeiramente surpreso com o jornal, que anteriormente lia, caído no colo. Harry logo o reconheceu, era o Sr. Granger.

Harry olhou ao redor enquanto Tonks guardava a carteira no bolso. Estavam em uma espaçosa sala de estar. Ele viu um Rony doentio que cochilava em um dos sofás com bichento no colo. Passos ecoaram e a Sra. Granger entrou na sala seguida da própria Hermione, que parecia bem mais bonita que da última vez que Harry a vira.

- Está entregue.- cantarolou Tonks e, com um estalo, desapareceu.

Harry olhou à sua volta, todos o observavam.

- Er...Oi!- disse.

- Oh Harry!- disse Hermione se jogando nos braços dele.- Que bom que está tudo bom com você. Feliz aniversário!

- Olá Mione.- disse Harry abraçando a amiga.- O que aconteceu ao Rony?

Hermione soltou-se do abraço e olhou para Harry, calada. Ele então viu a Sra. Granger os observando.

- Hum... Olá Sr. e Sra. Granger.- disse sem jeito.

- Venha!- disse Hermione puxando-o pela mão. O Sr. Granger levantou o jornal e continuou sua leitura.

- Vou mandar servir um café para vocês. - disse a Sra. Granger quando eles chegaram à espaçosa cozinha da casa. - Nilda!- chamou ela assoprando um apito. - sirva as crianças.- e em seguida virou-se para Harry.- Deixe que eu leve isto para o carro.- Pegou a mochila e a gaiola que Harry ainda segurava e saiu da cozinha.

Uma mulher robusta surgiu do fundo da cozinha vestida com um avental sobre a roupa azulada.

- Ela é surda. - explicou Hermione.- Escuta apenas alguns tipos de assobios.

- Ah!- fez Harry enquanto se assentava defronte a amiga. - Mas o que aconteceu?

Hermione deu um suspiro antes de começar a narração.

- Gui Weasley aparentemente foi levado por comensais da morte.- disse Hermione.- Ele estava hospedado em um...

- Em um quarto do caldeirão furado.- disse Harry sem perceber.

- Como você sabe?- perguntou Hermione.

- Eu...- Harry hesitou, sabia que Hermione o repreenderia.- Eu sonhei.

- Harry!- disse estridente. - Você deveria praticar oclumência!

- Eu pratiquei Mione, eu juro, eu pratiquei. - disse Harry.

- Mas... o que aconteceu? Ninguém sabe ao certo...

- Não sei bem. - disse Harry lembrando-se do sonho. - Acho que... Acho que era Voldemort, ele... Ele deu um golpe na nuca de Gui, que estava apoiado na janela e caiu desmaiado. Então apareceram dois comensais, um deles amarrou as mãos de Gui, o ergueram e ele começou a acordar. Eles o encapuzaram e...

- E?- perguntou Hermione.

- Apareceu você dizendo que eu devia praticar oclumência.- disse Harry desapontado.

- Porque você não avisou ninguém sobre o sonho?- perguntou Hermione.

- Por que... - Harry baixou a cabeça. - lembrei-me do sonho com o Sirius.

- Oh! Harry, me desculpe.

- Tudo bem.- disse Harry.- O que aconteceu depois que ele foi levado?

- Um hóspede passou pelo corredor, viu a marca da morte pirando no ar e imediatamente procurou Tonks e Moody, que estavam no bar conversando. Eles correram para o quarto e encontraram somente um bilhete dizendo algo como: Levamos Weasley, por enquanto ele está bem, não o torturaremos antes de novo contato. O bilhete estava assinado com a marca da morte. - despejou Hermione.

- E o Rony?- perguntou Harry.

- Ah Harry!- disse Hermione com a voz embargada. - Ele está um caco. Sabe, é o irmão mais velho dele, chegou aqui trazido à força pelo pai, estava semi-histérico. Passou a madrugada toda acordado, cochilou há pouco. Papai esteve com ele durante toda noite, disse que foi buscar o jornal na porta e quando voltou ele estava dormindo.

Harry ficou em silêncio e encheu a boca com um pedaço da torrada recém trazida pela serviçal surda.

- Vamos para Greelin assim que Rony acordar. - disse Hermione.- É a cidade onde meus pais nasceram. O Sr. Weasley disse que Dumbledore mandou um guardião para lá. Não é possível usar magia, tampouco outros bruxos podem chegar lá sem conhecer o segredo.- explicou Hermione.- Estaremos seguros lá, eu acho.

Ela se levantou.

- Vou ver como está o Rony, devemos estar para partir. - disse e saiu.

Pouco tempo depois Hermione voltou, vinha servindo de apoio para um Rony meio sonâmbulo que ao assentar caiu com o rosto sobre os braços e continuou dormindo.

- Acho que você deixou cair isso.- disse Hermione entregando a Harry o embrulho pardo.- o que é?

- Não sei!- disse Harry enquanto rasgava o embrulho.- Minha tia Petúnia me entregou antes de eu partir.- E então seus olhos se arregalaram ao ver uma camiseta de um tom de vermelho forte, novinha.

- Presente de aniversário?- Arriscou Hermione.

- Estranho.- Disse Harry abrindo a camiseta e erguendo-a no ar.- Ela nunca me deu presente de aniversário.- então um envelope caiu.- Ela nunca me deu roupa alguma que não fosse algum trapo largo do Duda.- completou apanhando o envelope. Harry abriu-o e para a sua surpresa, lá havia uma fotografia bruxa.

- Ah! Harry, é você. - disse Rony levantando o rosto, tinha os olhos inchados.- Imaginei que trariam você para cá também. E espero que esse dia seja feliz, ao menos pra você, parabéns! Pra mim não será.

- O que é isso, Harry?- perguntou Hermione, Rony deixou a cabeça cair de novo sobre um braço estendido. Harry estendeu a fotografia pra ela.- Quem são essas?.

Havia, na fotografia, duas garotas: a da esquerda beirava os quinze anos, a da direita parecia ainda mais nova. Estavam, no que parecia o jardim de Hogwarts, sentadas à beira do lago. A mais novas era corpulenta, porém não gorda, e ossuda, tinha os cabelos castanhos, os olhos claros úmidos e grandes e uma expressão facial de quem comeu e não gostou apesar de parecer feliz já que sorria e às vezes brincava com uma borboleta que passava. A outra, por sua vez, era muito bonita; Hermione achou que alguma coisa em seus traços lembrava Gina; o cabelo era de um tom avermelhado – acaju, talvez - tinha o rosto fino, bem desenhado, a boca muito vermelha, mas o que chamava mais atenção eram os olhos da garota, extremamente verdes. Eram os olhos de Harry. Antes que Hermione pudesse concluir quem era, Harry o fez.

- È a minha mãe.

- Ela...- hesitou Hermione.- Ela era muito bonita.

Harry forçou um sorriso amarelo e pousou os olhos sobre a fotografia que Hermione depositara sobre a mesa. Hermione o observou por um momento, parecia a mais infeliz das criaturas.
- Quem é a outra?
- Não sei.- respondeu Harry deixando os ombros caírem.- Não entendo porque minha tia me deu isso. E muito menos aquela camisa.

- Parece óbvio que ela te deu a camisa para poder entregar a foto.- disse Hermione como se aquilo fosse a coisa mais imbecil do mundo, e era.- Se ela te entregasse a foto, seu tio iria perguntar de onde ela tirou aquilo e, ao que aparenta, ficaria encrencada.

- Eu só queria saber por que ela guarda essa foto. - disse Harry olhando para Rony, desmontado sobre a mesa. - Acho que o Rony dormiu de novo.

- Deixa ele, passou a noite em claro. - Hermione olhava para Rony com um brilho nos olhos que a deixava com um ar estranhamente maternal. - Pelo que você conta...- ela fez uma pausa e olhou para a foto, Lílian Potter rodava a varinha entre os dedos sorrindo. Harry olhou também. - Sua tia não convivia bem com sua mãe, não é mesmo?

- Sim.- disse Harry.- Quero dizer, ela nunca disse nada sobre a relação das duas, a única coisa que sei é que ela tinha inveja de minha mãe, bem, por ela ser bruxa, entende?

- Hum.- fez Hermione.- Então uma coisa a gente já sabe.

- O que?- perguntou Harry sem entender.

- Sua tia gostava de sua mãe e, a propósito, elas eram irmãs não é mesmo? E se uma é bruxa, é praticamente impossível a outra não ter contato algum com o mundo mágico, logo não é tão estranho que sua tia tenha essa foto.

Harry abriu a boca para contradizer Hermione em qualquer ponto, mas foram interrompidos por Rony.

- Gina? Onde você está? Vem pra cá, o Gui se foi Gina, o Percy também. Vem me fazer companhia. - resmungava ele ainda dormindo.

- Um tendo sonhos malucos já é muito! Quem dirá dois.- Disse Hermione dando a volta novamente na mesa e olhando sem saber o que fazer para Rony.

-Deve ser apenas um pesadelo, Hermione, o irmão dele sumiu, oras bolas!- disse Harry.- Onde está Gina?

- Hermione! Porque não deixou o rapaz dormindo na sala? Ele deve estar cansado. - disse a Sra. Granger entrando na cozinha. – Vamos nos atrasar. Seu pai acaba de receber um telefonema: a filha de uma paciente caiu de bicicleta e quebrou dois dentes. Mas não se preocupem, o Sr. Dumbledore disse que estão seguros aqui.- ela se virou e já ia saindo quando completou.- Leve o garoto para o quarto e aproveite para mostrar ao Harry onde ele dormirá.

Hermione suspirou.

-Rony.- chamou docemente enquanto sacudia os ombros do amigo.- Harry, me ajuda a levá-lo daqui, ele não vai acordar.

Harry obedeceu. Eles passaram os braços de Rony sobre seus ombros e deixaram a cozinha. Como ele é pesado, pensou Hermione quando chegaram ao pé da escada.

- Dumbledore esteve aqui?- perguntou Harry enquanto subiam, com dificuldade, as escadas.

- Sim, ontem à noite, eu não o vi, apenas ouvi. Papai disse que Tonks e outros três membros da Ordem vieram com ele, lançaram alguns feitiços por aí e se foram, mais tarde Carlinhos trouxe Rony... à direita.- completou Hermione

Harry dobrou à direita e eles entraram em um grande quarto, de papel de parede listrado de azul marinho, com duas camas. As coisas de Harry estavam lá. Soltaram Rony em uma das camas e ali ele permaneceu. Ambos se deixaram cair na segunda cama, bufando pelo esforço que tinham feito para carregar Rony até ali. Hermione ia dizer alguma coisa sobre o assunto interrompido lá em baixo, mas Harry foi mais rápido.

- Onde está Gina?

- Viajando com Luna. Sra. Weasley achou melhor não informá-la sobre o ocorrido até retornarem.- informou Hermione.

- Mas não é perigoso deixá-la por aí, longe de algum membro capacitado da Ordem?

- Perigoso é...

- O que acha que eu posso fazer pra trazer a Gina pra cá?- interrompeu Harry.

- Porque EU posso fazer?- perguntou Hermione.- Não vou deixar você fazer nada sozinho.

- Então você vai comigo?- perguntou Harry.

- Pra onde? Nem decidimos o que fazer sobre o assunto... - Disse ela pensando no assunto. “A Sra. Weasley vai me matar”.

- Podemos ir busca-la, sei lá, por Flu.- sugeriu Harry.

- Harry! Ela está na Suécia!

- Então o que vamos fazer? Buscá-la de ônibus é que não dá.- disse Harry impaciente.

- Pra começo de conversa a temos que contar a ela o que está acontecendo.- sugeriu Hermione calmamente enquanto se deixava cair para trás na cama, deitada nas costas das mãos.

- Mandamos uma coruja. - disse Harry.- E depois?

- Ela pegari uma lareira até o Beco Diagonal, li em um livro que em alguns lugares da Suécia têm lareiras que levam até Gringotes.- disse Hermione.

- E daí ela pega uma lareira até aqui?- arriscou Harry acompanhando o raciocínio da amiga.

- Não! Até a coruja chegar lá nós estaremos longe, além disso a lareira daqui não está ligada à rede de Flu, meus pais são trouxas, Harry.

- Então o que faremos? Greelin fica longe de Londres?- perguntou Harry.

- Umas duas horas de trem.- disse Hermione.

- Então ela vai de trem?- perguntou Harry.

- Não! Pelo que Tonks me explicou, não é qualquer bruxo que vai conseguir entrar em Greelin, ela teria que estar com um de nós três.- disse Hermione e de repete se levantou e olhou para Rony.- Façamos o seguinte.- disse ela pensativa.- Vou escrever para Gina, e arrumar tudo. Deixa comigo, ela chegara a Gringotes segura. E, quando chegar, nós dois pegamos o primeiro trem de Greelin para Londres, vamos até o Beco Diagonal e voltamos.

- Nós dois?- perguntou o Harry.- E o Rony? É a irmã dele, Hermione.

- Não podemos levá-lo, ele está com a cabeça cheia demais para conseguir fazer isso tudo dar certo, e outra, eu prometi à Sra. Weasley que não o deixaria sair daqui.- disse Hermione.

- Acho que deveríamos levá-lo. É chato deixá-lo para trás, pode não dar certo, ele vai sentir a nossa falta.- disse Harry.

- Nós não vamos levá-lo Harry. Estamos indo pra Greelin para estarmos protegidos, seria irresponsabilidade levá-lo. Ele não tem condições psicológicas para encontrar a Gina, principalmente no Beco Diagonal.

- Condições psicológicas.- emendou Harry irritado.

- È verdade Harry! Você ainda não conversou com ele acordado. Sabe por que ele está dormindo como uma pedra? Porque deram uma poção do sono para acalmá-lo!- disse Hermione irritando-se também.- Você não conseguiria imaginar o desespero que o Rony está em fazer alguma coisa, em ir atrás dos Comensais e em trazer o irmão dele a salvo.

- Você fala como se eu nunca tivesse sofrido nenhuma perda!- disse Harry com a voz embargada.

- Não foi o que eu disse Harry.- disse Hermione virando o rosto de Rony, que babava, para cima.

- Foi. Você pensa que eu nunca perdi ninguém?- disse Harry se levantando e andando pelo quarto.- Pois está se esquecendo dos meus pais?

- Harry! Você definitivamente está me interpretando mal. Veja bem, eu sei que você perdeu seus pais, que foi criado pelos seus tios hiper-horríveis, mas pensa na revolta que você sentiria se os perdesse aos dezesseis anos de idade!- disse Hermione tentando manter o tom calmo de quem não quer briga.

- É simples falar não é? Nunca perdeu ninguém! Você tem seus pais, e é filha única, não tem irmãos para perder. Você não sabe o que é sentir a falta de alguém e saber que nunca mais o verá.- disse Harry em um tom estridente, uma veia alta pulsava em seu pescoço.

- Harry! Você está sendo injusto comigo!- disse Hermione deixando-se parecer bravo.- Não é preciso necessariamente viver uma coisa para saber como é.

- É sim!- disse Harry.- Você acha que sabe demais.

- Espera aí, você está querendo dizer que sou mimada e penso que sei tudo?- perguntou Hermione.

Harry não respondeu, ficou calado, observava um porta-retratos com uma foto trouxa onde estavam várias pessoas, ao que parecia toda a família de Hermione.

- Acho que você está um pouco enganando sobre quem é mimado e se acha importante aqui, Harry!- bradou Hermione.

- O que? Quer dizer que você concorda com aqueles que dizem que sou apenas um adolescente imaturo, metido a herói, que faz tudo para manter sua fama??- gritou Harry.

- Se eu não te conhecesse diria isso, Harry.- disse Hermione já mais calma.- Afinal você está adindo impulsivamente em querer ir atrás da Gina, e ainda levar o Rony...

- Não me venha com lições, Hermione!- gritou Harry.- Eu não estou agindo impulsivamente. Eu me importo com a Gina!- ele fez uma pausa e encarou Hermione, ela viu os olhos verdes dele arregalados, ele tinha o porta retrato na mão.- Achava que você se importava também.

- Harry! Você já está passando dos limites!- gritou Hermione achando um absurdo ter que ouvir tudo aquilo.- Você se lembra o que aconteceu na última vez em que quis salvar alguém com quem se importava?!

Harry pareceu ser atingido por um punhal no meio do estômago. Sem perceber, ele apertou tanto o porta-retratos que este se partiu, espalhando cacos por todos os lados. Em seguida a Sra. Granger entrou correndo no quarto.

- O que aconteceu?- perguntou ela enquanto Harry caminhava de volta para a sua cama e se assentava ali, cabisbaixo, de costas pra Hermione, segurando uma mão que sangrava.

- Harry deixou o quadro cair, mamãe.- disse ela parecendo o mais natural possível.- Não foi nada grave.- Ela olhou para Harry, mirou sua nuca e os cabelos rebeldes da mesma. Tinham ido longe demais. Desde o incidente no Departamento de Mistérios Harry nunca mais falara em Sirius. Ela sabia que isso ainda era uma ferida aberta nele e que não fecharia tão cedo, e arrependeu-se de trazer à tona o fato.- Vou ao meu quarto.- Disse antes de deixar o quarto de visitas.


*


Hermione seguiu à esquerda até o fim do corredor e entrou na ultima porta. O quarto era grande e repleto de prateleiras com livros. Era um misto de uma sala de estudos, escritório e um quarto de garota trouxa. Sobre a comprida escrivaninha estava pousada a coruja que sempre trazia o profeta diário. A garota abriu a gaveta, tirou um nuque e colocou na bolsinha da coruja que saiu voando pela janela. Tentando esvaziar a cabeça, assentou-se na poltrona ao lado de bichento (que dormia) e abriu o jornal. Logo na primeira página, em uma pequena matéria, viu o que mais temia.


Weasley seqüestrado?


Um dos bruxos mais prestigiados de Gringotes desapareceu ontem, de seu quarto no Caldeirão furado. Phil Jhonson, um hóspede que passava no corredor onde Guilherme Weasley estava hospedado, viu a “marca negra” - símbolo dos comensais da morte - flutuando e correu ao bar para chamar dois aurores que estavam hospedados junto a Gui Weasley (como é conhecido popularmente). Foi encontrado, no quarto, um bilhete avisando do seqüestro.

Pouco se sabe sobre os motivos do incidente e Gringotes está oferecendo uma gorda recompensa para quem dispor de informações que possam levar ao paradeiro do rapaz.

A família já foi informada sobre o ocorrido e Percy Weasley, irmão de Gui Weasley, prestou uma pequena entrevista ao Profeta em que disse: “Não sabemos o que eles querem, mas não se preocupem, logo tudo estará resolvido.”

Se algum leitor tiver quaisquer informação que escreva à Gringotes.


Logo abaixo havia uma foto de Gui, que sorria feliz. Hermione franziu a testa, Gina logo saberia do ocorrido, seria inevitável.

Mais do que depressa se levantou e foi até as prateleiras, tirando de lá uma espécie de caderno totalmente em branco. Assentou-se defronte a escrivaninha e abriu o caderno. No meio do mesmo, havia uma pena de aparência muito velha e amassada, Hermione molhou a pena no tinteiro e escreveu.


Gina?


O caderno tremeu e ao poucos a tinta foi se apagando até que sumiu totalmente. Hermione suspirou. Levantou-se da cadeira e olhou para Bichento que, já acordado, a observava do sofá. Ela emitiu um ruído áspero e o gato, assustado, saiu velozmente do quarto. Ouviu-se um barulho, o caderno tremia sobre a escrivaninha. A garota assentou-se de volta em sua cadeira e pôde ler.


Hermione? Você leu o Profeta Diário dessa manhã? O Sr. Lovegood tentou impedir, mas eu li. Quero ir embora, escrevi para papai, mas acho que ele quer que eu volte para casa agora. Como está o Rony? Tem notícias dele?


Hermione mal terminou de ler e as letras se apagaram. Imediatamente molhou a pena mais uma vez e escreveu:


Gina, o Rony está bem. Ele e Harry estão aqui, partiremos amanhã para a cidade onde mora minha avó. O Harry acha que você não deve ficar por aí, estávamos inclusive armando um jeito de levá-la pra Greelin conosco. A idéia que nos pareceu melhor foi a de você pegar uma lareira internacional até Gringotes. Convença o pai de Luna a lhe ajudar e, assim que tiver uma resposta, me escreva. Se conseguir, darei um jeito de lhe encontrar, ok? Lembre-se de manter a calma,


Mione.


Hermione pousou a pena e observou as palavras sumirem novamente. “Mantenha a calma.” Sempre dizia isso às pessoas e à ela própria. Tinha se esquecido disso por alguns momentos.


*


- Aconteceu alguma coisa?- perguntou a Sra. Granger enquanto Nilda terminava de limpar os cacos.

- Não.- respondeu Harry sem se virar.- Está tudo bem.

- Vou buscar alguma coisa para fazer um curativo em sua mão, volto em alguns minutos. Fique onde está Harry.- disse a Sra. Granger parecendo preocupada com o pequeno acidente e saiu do quarto acompanhada de Nilda.

“Porque tinha que dizer aquilo?” pensava Harry. “Porque tinha que lembrar de que Sirius havia morrido por sua culpa?!”

A Sra. Granger voltou, trazendo uma maletinha de primeiros socorros. Ela se abaixou defronte a Harry e o garoto observou o quanto Hermione parecia com a mãe.

- Não vai doer nada, vou apenas desinfetar e colocar bandagens. - disse enquanto passava um algodão com algo ardido sobre o corte. - Você deixou isso na cozinha.- completou indicando a camiseta e a foto que Nilda havia deixado sobre a cama ao lado dele.

Ela olhou para Harry cuja expressão era quase inteligível.

- Conheci uma daquelas garotas da foto.- disse a Sra. Granger enquanto desenrolava algumas bandagens. Harry ergueu o rosto para ela e arregalou os olhos. - A da direita. Estudou comigo no internato para garotas. Era conhecida como Pet Evans. Você as conhece?

- Talvez.- disse Harry sem querer falar qualquer coisa sobre seus pais, mas curioso em saber algo mais sobre a outra garota. Evans era o nome de solteira de sua mãe. Eram parentes as duas? Ele não sabia que outra pessoa da família tinha passado por Hogwarts. - O que mais você sabe sobre elas?

- Evans entrou para a escola no terceiro ano. Vinha de outro internato cujo nome nunca foi citado. Quando chegou parecia muito infeliz. Nunca conversei com ela, apesar de dividirmos o mesmo dormitório.

- E a outra, a ruiva, você a conheceu?- perguntou Harry.

- Não foi bem conhecer, eu a vi, uma ou duas vezes. Era a irmã mais velha de Evans, não lembro o seu nome. - disse a Sra. Granger concentrada no curativo.

Harry arregalou ainda mais os olhos, aquela era tia Petúnia?

- Era estranha, a irmã, e morreu nova. Dizem que em um acidente de carro. Mas quanto a Evans: se casou com o filho do dono de uma empresa que vende porcas. Soube que teve um filho, mas nunca mais a vi.

- Qual era o sobrenome desse pessoal, você sabe?- perguntou Harry tentando parecer desinteressado.

- Acho que era Dursley.- disse a Sra. Granger se levantando e observando Rony que estava muito suado e se remexia.- Vou ver onde Hermione se meteu, acho que seu amigo não está muito bem.

Dizendo isto, saiu. Harry olhou para a foto ao seu lado e pôde identificar na garota os traços de tia Petúnia. Ela era uma bruxa? Porque saiu de Hogwarts no terceiro ano? Isso ao menos explicava por que ela tinha aquela foto. Harry observou o curativo em sua mão pensativo. Viu encolhido a um canto do quarto o gato ruivo, Bichento. Foi quando notou que sua raiva repentina por Hermione tinha passado pelo. Aquelas informações pareciam incrivelmente fantásticas.


Hermione entrou correndo no quarto listrado de azul marinho e olhou para Rony. Harry, que estava deitado com as costas na cabeceira da cama observando a foto, acompanhou-a com os olhos, mas não disse nada. A garota parecia fingir que ele não estava ali enquanto tirava um frasco com um líquido rosado de dentro do criado da cama e levantando a cabeça de Rony virava o liquido na boca dele.

- Oh Rony! Não é tão grave assim. Você tem que ser forte. Estarei por aqui, ok?- disse ela como se conversasse com alguém que estava acordado, mas Rony, que agora dormia calmamente, nem se mexeu. Hermione devolveu o frasco no criado e fechou a gaveta. Levantou-se, deu um beijo na testa de Rony e, após lançar um olhar lasso para Harry, saiu do quarto. Bichento foi atrás.


*


O Almoço foi extremamente chato. A Sra. Granger não estava em casa e Nilda serviu a comida para dois na cozinha. Rony ainda dormia. Harry suspeitou que teria achado a comida muito saborosa se não estivesse concentrado em conseguir ignorar Hermione. A garota também fingia não ligar. O almoço seguiu silencioso. Ao término, Harry voltou para o seu quarto e Hermione para o seu respectivo.

No meio da tarde Hermione foi até o quarto dos garotos para ver como Rony estava. Harry, para sua surpresa, estava estudando e sequer olhou quando ela entrou no quarto.
Já passavam de cinco horas da tarde quando o caderno tremeu novamente. Hermione lia o Transfiguração Avançada e Animagos, ela deixou o livro caído ao lado de bichento e foi até a escrivaninha.


Mione,

Não obtive muito sucesso com o Sr. Lovegood. Parece que mamãe o advertiu para que não me deixasse partir. Sinto-me infeliz por ter que ludibriá-lo, mas dei o meu jeito. O pai de um garoto sueco que conheci trabalha no ministério daqui (é o mesmo roto do qual eu lhe falei há alguns dias), ele prometeu arrumar uma chave de portal dentro de um ou dois dias.

Estou mantendo a calma. Não se preocupe. Mande notícias de mamãe e papai, o Rony está mesmo bem? E os gêmeos? Papai deve ter ficado muito bravo quando leu a declaração do Percy no jornal. Mamãe deve ter se entristecido. Por favor, me dê notícias de todos, eu preciso saber como estão.

Um abraço da Gina.


*


Quando Rony acordou, três horas mais tarde, todos estavam jantando. Bichento, que estava cochilando no canto do quarto dos garotos, foi correndo até a sala.

- Está acontecendo alguma coisa?- perguntou o Sr. Granger sentado à cabeceira.

- Não.- responderam Harry e Hermione juntos sem se olharem.

- Vocês estão calados.- Comentou quando o gato entrou na sala miando e subiu no colo de Hermione.

- Hermione, quantas vezes já lhe disse que não quero esse gato na sala de jantar!?- ralhou a Sra. Granger.

- Rony acordou.- disse Hermione com um sorriso enquanto se levantava, fazendo bichento cair no chão.- Vou ver como ele está.- Saiu em direção às escadas, Harry, a seguiu.

- Hermione?- disse Rony quando ela entrou no quarto, ele parecia dopado.- Onde estamos?

- Na minha casa, você deve se lembrar.- disse ela calmamente sorrindo.- Está se sentindo bem?

- Ah sim! Parece que eu estou dormindo há um mês.- disse ele.- Lembro-me de conversar com seu pai, mas não sei porque estou aqui.

- Você realmente não se lembra?- disse Hermione quando Harry, calado, entrou no quarto e se assentou em sua própria cama.

- Olá Harry, não sabia que você estava aqui.- disse Rony.

- Cheguei hoje pela manhã, você estava dormindo. - disse Harry evitando desesperadamente os olhos de Hermione.

- Ah! Porque eu estamos todos aqui, mesmo?- insistiu Rony.

- Você se lembra o que aconteceu com o Gui?- perguntou Hermione. A feição alegre de quem acorda bem-humorado sumiu rapidamente do rosto de Rony, que ficou pálido.

- Eu me lembro.- disse baixando a cabeça.- Vocês têm alguma notícia?

- Não.- respondeu Hermione.

Os três ficaram calados. Harry admirava os tênis gastos que usava. Hermione olhou para Harry, que tinha a cabeça baixa; então ela se assentou no pé da cama de Rony que começou a achar muito divertido brincar com as pontas dos cabelos cheios da garota.

- Aconteceu alguma coisa com vocês dois?- Perguntou Rony olhando de um para o outro.

Continuaram em silêncio. Harry esperava que Hermione respondesse e ela idem.

- ...ou vocês estão me escondendo algo?- Ele se ajeitou inquieto na cama.- Aconteceu algo de grave com o Gui ou com mais alguém da minha família?

- Não.- Disse Harry que agora olhava para o teto.

- Não aconteceu nada, Rony.- Completou Hermione olhando para Rony tentando parecer sincera.

- Então porque vocês estão assim?- Perguntou ele.

- Nós não estamos assim.- Disse Hermione.

- Estamos normais. - Completou Harry ainda admirando como era bonito o teto.

- Não estão normais, não.- disse Rony.- Não estão nem olhando um pra cara do outro. Vocês brigaram?

Nenhum dos dois responderam. Hermione agora mirava bichento no chão.

- Não precisam nem responder né?- Disse Rony.- Porque vocês estão brigados?

Harry deu um suspiro alto.

- Porque Hermione é incapaz de entender as verdadeiras necessidades das pessoas.- Disse Harry, Hermione olhou para ele surpresa, não esperava que ele fosse dizer alguma coisa.

- Então sou eu a errada aqui?- Perguntou ela.- Ou será que é você? Acho que impulsividade é um erro pior.

- Espera aí!- disse Rony.- Porque vocês brigaram?

- Porque Gina está na Suécia.- Disse Harry.

- E daí?- Perguntou Rony.- Talvez seja melhor pra ela. Mamãe me convenceu disso antes de me trazer para cá. Ela gosta muito do Gui. É melhor ficar longe desses problemas.

Harry finalmente olhou para Hermione, ela baixou a cabeça.

- Ela já sabe.- disse Hermione.

- O que? A Srta. Sabe tudo critica da impulsividade resolveu fazer tudo sozinha e, pra começar, contou pra Gina sobre o Gui?- Gritou Harry.

- Ah! Cala a boca Harry!- Disse Hermione. - Já estou farta de você ficando todo esquentadinho, por qualquer motivo começa a gritar. Isso tudo é muito irritante sabia?

Harry olhou para Hermione do outro lado da cama de Rony, tinha os olhos fulminantes. Para susto de todos, um vazo de flores atrás de Hermione de repente bateu contra a parede e se espatifou.

- E outra coisa.- Disse Hermione se levantando também.- Mamãe vai começar a encrencar se toda vez que você ficar nervoso sair quebrando as coisas dela por aí.

Rony olhava de um para o outro parecendo confuso.

- A Srta. Gênio ainda não me explicou com que finalidade contou pra Gina.- Disse Harry tentando manter a voz baixa.- Não foi você quem disse que a Sra. Weasley havia pedido para ninguém comentar nada com a Gina?

- Não fui eu quem contou!- gritou Hermione.- Saiu uma matéria no Profeta Diário e, se você ao menos se preocupasse em ler o Profeta Diário teria visto!

- Ei! Vocês podem parar de brigar?- Disse Rony.- Vocês nunca foram de brigar assim! O que está acontecendo afinal?

- Escute, Harry.- Disse Hermione inspirando profundamente e procurando olhar diretamente nos olhos do amigo.- Eu sei entendo a sua fragilidade nos últimos tempo, e sei também o motivo, ok? Então, pra começar, não venha falar que eu penso que sei tudo, porque nesse caso eu sei sim!

Rony que antes olhava para Harry procurando uma resposta virou-se para Hermione.

- Todos sabem que você se culpa pelo que aconteceu com Sirius!- Harry ia dizer qualquer coisa, levantou a cabeça e encontrou os olhos da amiga, eles pareciam úmidos.- Se você não quiser dividir com ninguém o que está sentindo, ótimo! Todo mundo tem direito a escolhas, agora, ninguém é obrigado a ficar te aturando, não!

O lábio inferior de Hermione tremia.

- Eu sei muito bem que essa sua instabilidade...- Ela fez uma pausa e olhou para os cacos de vidro atrás de si mesma.- E essa necessidade de brigar por tudo tem haver com o Sirius.

Bichento miou alto. Hermione olhou para ele com uma cara de quem diz “cala a boca e sai daqui.”
- Mas saiba que toda paciência um dia finda. - Disse voltando a olhar para Harry que estava imóvel. - Inclusive a paciência das pessoas que mais gostam de você.

Rony estava boquiaberto. Harry atônito, Hermione parecia preste a desatar a chorar, ela se virou para Rony.

- Boa noite Rony, qualquer coisa é só chamar. Lembre-se: seu irmão estará bem se você também estiver. Se sentir fome vá até a cozinha, Nilda estará por lá.- E lançando um olhar maternal para o garoto ela saiu seguida por bichento que miava.


Hermione seguiu ligeira pelo corredor, não queria encontrar seus pais. Tinha vontade de chorar, de chorar muito. Algumas lágrimas desobedientes insistiam em saltar de seus olhos. Ela entrou em seu quarto e o trancou. Bichento veio atrás, ela se jogou em sua cama, escondeu a cara em uma almofada e finalmente desabou. Um bichento insistente ainda miava perto dela, balançando o enorme rabo de escovinha. Ela levantou o rosto prestes a tocar o gato dali quando viu o caderno tremer sobre a escrivaninha. Enxugando as lágrimas, ela se levantou e foi até lá.


*


- Harry, não acredito no que você está contando!- Disse Rony ao ouvir a narração sobre como ele, Harry, e Hermione começaram a brigar.

- Eu também não.- Disse Harry deitado com as mãos na nuca mirando tristemente o teto. A raiva por Hermione agora havia voltado com toda a força.- Não imaginava que ela falaria daquele jeito comigo.

- Mas você também, Harry, é verdade que a Hermione é metida a sabe-tudo, mas geralmente ela realmente sabe. - Disse Rony que comia um prato de sopa levado por Nilda até o quarto. - Não precisava chamá-la de mimada ou dizer que ela se acha a sabe-tudo.

- Vai defendê-la, Rony?- Perguntou Harry irritado se arrependendo em seguida, já brigara com Hermione, não queria brigar com Rony também.

- Não estou a defendê-la!- Disse Rony com a boca cheia. - Mas também não vou lhe defender.

Harry deu ombros.

- Faça o que quiser.- disse apenas.


*


Mione,

Não sei o que provocou isso, mas eu consegui!

O último livro que você me enviou, de aniversário, é bárbaro. Leia-o depois. Tenho certeza que você também conseguirá.

Abraços,

Gina.


Hermione sorriu, ao menos uma boa notícia em um dia tão carregado. Logo que as palavras desapareceram - e que ela enxugou as últimas lágrimas - molhou a pena e escreveu.


Gina,

È sério? Que ótimo! E o que você é? Eu também tive progressos, bem, não tão espetaculares quanto o seu, mas já consigo ouvir Bichento.

Não vá dar uma de Sirius Black e atravessar o país, ok?

Hermione.


Hermione fechou o caderno, se levantou, apanhou o livro que deixara mais cedo ao lado do sofá e voltou a ler, não demorou muito a adormecer.


*


- Está dizendo que a Sra. Granger estudou com a sua tia?- Perguntou Rony ao ouvir o relato sobre as ocorrências do dia. - Falando nessa camiseta, eu lhe mandei um presente, você recebeu?

- É isso mesmo Rony, e você sabe o que significa saber que a outra garota é a minha tia, não sabe?- Disse Harry que tinha a fotografia segura pela mão com as bandagens.- Eu não recebi.

- O que significa?- perguntou Rony.

- Eu desconfiava que ela escondesse alguma coisa, sabe, ela sabia sobre Dementadores, recebeu uma coruja de Dumbledore no verão passado e, outra, não conseguia compreender porque ela me deu essa foto, e nem porque ela tinha essa foto.- disse Harry.- Mas o que a mãe de Hermione me contou esclareceu tudo. Bom, se essa é minha tia, isso quer dizer que ela também foi para Hogwarts e que é uma bruxa. Só não entendo duas coisas: Porque ela nunca me contou e porque deixou Hogwarts antes de se formar.

- É estranho mesmo. Você contou a Hermione?- Perguntou Rony que observava bichento brincando com uma meia de Harry no chão.

- Não, a mãe dela me contou sobre a Tia Petúnia enquanto estava fazendo o curativo em minha mão.- Disse Harry mostrando a mão.- Já tinhamos brigado.

- Você devia contar.- Disse Rony

- Não! Não tão cedo, Rony!- Disse Harry.

*****continua*****


Última edição por Arcanjo Rafael em Qui Abr 15 2010, 20:02, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:02

2° Capitulo - O Bosque

O dia seguinte amanheceu ensolarado. Harry e Rony foram acordados pelo Sr. Granger.

- Bom dia, garotos! Acordem, vou levá-lo até Greelin e lá permanecerão até o final das férias.

Harry levantou-se sonolento e começou a se trocar, tinha dormido bem, a briga com Hermione o fizera praticar oclumência antes de adormecer.

Hermione não apareceu durante o café, somente na hora de partir é que Harry a viu. Ela viajou no banco da frente, provavelmente para não ter de olhar para Harry, que estava sentado atrás dela. Mesmo assim os olhos dos dois se encontraram algumas vezes no retrovisor.

Rony seguia satisfeitíssimo. Tirando os carros do ministério, nunca tinha viajado em carros trouxas antes.

Depois de três tediosas horas de viagem chegaram a tal cidade, se é que poderia ser chamada assim. Na entrada foram obrigados a parar em um posto de fiscalização.

- Bom dia doutor!- disse um homem jovem de macacão e boné azuis e aparência sonolenta e suja. - A fiscalização por aqui agora é apertada, sabe? Por causa daqueles fugitivos perigosos lá... passou no noticiário.

O Sr. Granger tirou um papel amarrotado do bolso e o estendeu pela janela. O homem apanhou-o e leu atentamente enquanto coçava a barba à fazer. Uma sombra de seriedade cobriu seu rosto quando ele meteu a cara dentro do carro.

- Vocês são o pessoal de Dumbledore, certo?- disse após um pigarro enquanto examinava a todos. - Esperem um minuto.

Ele deu as costas ao carro e, num passo expedito, sumiu por trás da casinha da fiscalização. Voltou, menos de minuto depois, montado em uma lambreta.

- Sousa!- chamou, reassumindo o perfil rústico inicial. - Marca aí.- e, virando-se para o Sr. Granger.- Estarei seguindo vocês.

O Sr. Granger arrancou o carro, muito compenetrado. Seguiram devagar, o bizarro homem da lambreta ia logo atrás.

Greelin era realmente uma cidade pequena com sua praça principal, onde instalava-se uma igreja e uma prefeitura trouxa. As casas eram antigas, mas caprichosamente cuidadas. Após menos de duas esquinas estavam seguindo pela Rua Principal.

Harry observava preguiçosamente os enormes jardins tipicamente suburbanos quando o Sr. Granger parou o carro defronte uma das casas mais belas da rua. Como todas as outras, contava com seu enorme jardim frontal, cercado por graves grades negras. Havia toda a espécie de plantas no jardim. A casa era grande e imponente com paredes brancas e janelas pintadas de azul, estas escancaradas.

- Chegamos, garotos. - disse o Sr. Granger saindo do carro.

Hermione e os garotos fizeram o mesmo. O homem da lambreta parou logo atrás.

- Bom doutor, pode ficar tranqüilo quanto às crianças, eu me garanto.- disse ele batendo a mão sobre um dos bolsos do macacão.- Mas vamos entrar.

O grupo entrou na casa seguido por Bichento. Uma senhora setuagenária de cabelos brancos desgrenhados veio correndo da cozinha para dar boas vindas.

- Olá vovó.- disse Hermione abraçando a velha.

- Como vai meu querido genro?- perguntou a velha sorrindo para o Sr. Granger.

- Bem, obrigado.- disse o homem com um tímido sorriso no rosto.

- Estes são Rony e...- disse Hermione indicando os garotos.

- Harry. - completou Harry.

- Oh! Sejam bem vindos, queridos.- disse ela sorrindo para os garotos.- Venha à cozinha, vamos comer alguma coisa.

O grupo a seguiu e logo estavam em uma enorme cozinha - que lembrava um pouco a dos Weasley - havia nela uma enorme mesa com cumpridos bancos de ambos os lados. Todos se assentaram por ali. Hermione, Rony e Harry de um lado, o Sr. Granger e o homem da lambreta do outro. O último parecia íntimo da casa.

A avó de Hermione serviu suco de maçãs - cultivadas no terreiro daquela mesma casa - e um delicioso bolo. Só então o homem da lambreta começou a falar.

- Devo informar a vocês três sobre as ordens de Dumbledore.- disse ele.- O que ele me pediu foi muito simples, resumido e claro: Vão chegar os três jovens, as varinhas deles ficarão bem guardadas, de preferência no cofre da casa de D. Meg; objetos bruxos não serão exibidos por aí, e ninguém sai ou entra até que Ninfadora vá buscá-los para as aulas. Qualquer problema devem, antes de mais nada, procurar Tobias.- disse o homem come se já soubesse aquilo de cor há muitos anos.

- O Cofre fica no sótão.- informou D. Meg servindo doce de abóbora.

- E quem é Tobias?- perguntou Rony com a sobrancelha erguida.

- Eu, obviamente. - disse o homem da lambreta. - Tobias Bones.- completou sorrindo.

- E onde nós o encontraremos?- perguntou Harry tirando a varinha do bolso interno da jaqueta e depositando-a sobre a mesa, Rony e Hermione fizeram o mesmo.

- Na casinha de fiscalização. - respondeu enquanto recolhia as três varinhas e tirando a sua própria do bolso conjurou uma caixa fina e guardou-as ali. -Alguma pergunta?

- Sim.- Disse Hermione curiosa.- Quem é você? O que faz?

- Na verdade sou especializado em disfarces.- disse ele sorrindo.- Sou auror.- completou - Fui colega de Tonks. Se isso lhe servir como referência positiva.

- E... Você tem alguma notícia de meu irmão?- perguntou Rony.

- Hum.- fez ele olhando interessado para Rony.- Não, não... Mas, caso sirva de consolo, aquele interessante relógio de sua mãe ainda não marca perigo mortal.- sorriu.

Harry instantaneamente lembrou-se do presente de Luna, esquecido em sua mochila. Ainda não aprendera a usá-lo, talvez Hermione soubesse, mas sua birra ainda perdurava.

- Você é Harry Potter, não?- disse ele olhando a cicatriz na testa de Harry, que se sentiu incomodado.- Você realmente se parece com seu pai.

- Você conheceu meu pai?- perguntou Harry.

- Sim, eu devia ter a sua idade quando Voldemort caiu, não precisa fazer essa cara Weasley.- disse ele para Rony.- Sou o único sobrevivente dos Bones que faziam parte da ordem.

- Pensava que todos estavam mortos.- disse Hermione.

- Não, eu estava em Hogwarts, estudando. - disse ele sem demonstrar a mínima infelicidade.- Fiquei morando com meus tios. Os outros Bones, vocês devem conhecer minha prima, Susana Bones.- Os três fizeram que sim com a cabeça.- Dois anos depois me formei e entrei para a escola de aurores.

A conversa seguiu por um bom período. Tobias contou sobre como conseguiu um emprego no Ministério, como Tonks o levou até a ordem.

Mais tarde o Sr. Granger se despediu e partiu, Tobias não tardou a fazer o mesmo. “Voltar para o seu posto”, como disse. Vó Meg, depois de levar os garotos para seus quartos, voltou-se para o almoço. Hermione ficou em um quarto de duas camas. Rony em Harry em outro, ao lado, um pouco maior, com beliches. Cada qual assumiu o seu e trataram de ajeitar suas coisas nos respectivos quartos espaçosos.

- Aquele cara é legal!- disse Rony parecendo mais animado enquanto ele e Harry trocavam de roupa, fazia um enorme calor.

- Realmente... Prometeu-me que vai arrumar mais uma foto de meus pais.- comentou Harry quando ouviram uma batida na porta. Era Hermione. Quando acabaram de se vestir ela entrou, usava um vestido trouxa florido.

- Rony! Você vai assustar as garotas trouxa trajando essa camiseta roxa com a bermuda laranja. - disse ela rindo. - coloca alguma coisa... branca talvez.

Rony ficou meio sem jeito e Harry teve que segurar para não rir, não queria rir, é claro, queria ignorar Hermione.

Rony trocou a camiseta por uma branca surrada. Desceram para almoçar. Rony lembrou-se de que Gui conhecia Tobias e contava qualquer coisa sobre ele. Mas nem Hermione nem Harry prestavam atenção. Ambos olhavam para seus respectivos pratos. Pensavam naquele agastamento mútuo entre os dois.

- Porque vocês não dormem um pouco?- perguntou Vó Meg após a sobremesa.- Para poder sair mais tarde.

Rony, que havia almoçado como alguém que não come há séculos, gostou da idéia. Para evitar Hermione, Harry seguiu o amigo, ao chegar no alto da escada ainda pôde vê-la logo atrás.

Rony entrou no quarto e logo apagou na cama debaixo de seu beliche. Harry não dormiu, não tinha sono. Queria alguém para conversar. Não queria procurar Hermione, tinha medo de que ela não aceitasse desculpas e um súbito arrependimento surgiu dentro dele, que sentado no parapeito da janela admirava o enorme terreiro da casa. Repleto de árvores e um riacho.

No quarto ao lado, Hermione também pensava em Harry. Talvez ela tivesse sido dura demais com ele. Apesar da animação geral na casa, ele parecia triste. Ainda pensava nisso quando ouviu alguma coisa vibrar em sua mochila.


Meus planos deram certo, acabei de pegar um trem em Londres indo para Greelin. Estarei aí no final da tarde. Em que rua vocês estão?

Gina.


Hermione sorriu. Teriam uma surpresa em breve. Principalmente o Harry.

- Bichento?- Chamou ela após escrever no caderno: “Bichento lhe encontrara, de preferência, avise quando estiver chegando.”

Ela foi até a janela e viu o gato no meio do terreiro lá em baixo. Guardou o caderno e saiu do quarto em direção às escadas. Harry estava assentado na porta de seu quarto. O estômago de Hermione despencou.


*


Rony roncava muito alto. Provavelmente porque comera muito. Harry olhou para a porta. A casa de Vó Meg era uma grande a antiga casa, muito arejada. Por todo o corredor havia janelas e poltronas. E também muitos quadros trouxas. Harry sentiu vontade de se sentar em uma poltrona qualquer e pensar um pouco. Entre seu quarto e o de Hermione havia uma que parecia perfeita. Assentou-se e permaneceu ali por algum tempo, por mais que tentasse Hermione não saía de sua cabeça.

Oras Harry, você ouviu o que o Rony disse, ambos estão errados! Você conhece Hermione, ela não vai lhe pedir desculpas.

Tomou uma decisão, iria escrever uma carta e colocá-la na cabeceira de Hermione durante a noite. Por mais que parecesse uma atitude feminina e infantil, não tinha idéia melhor.

Entrou em seu quarto e apanhou pergaminho, pena e tinta. Depositou-os sobre a mesinha do corredor e começou a pensar no que escrever. Ouviu passos, Hermione cruzava o corredor. Harry afundou na poltrona, baixou os olhos para o pergaminho em branco e fingiu escrever.

Então ela passou direto, sequer olhou pra ele.


*


Hermione virou a dobra da escada e sorriu. Harry era um péssimo ator, pensou. Venceu os últimos degraus e seguiu para o terreiro, Bichento estava por ali. Ela se assentou ao pé de uma árvore, o gato foi até ela e deitou-se em seu colo.

- Você conhece a Gina.- disse Hermione em um tom baixo para o gato ouvir.- Ela vai chegar na estação, você sabe onde é. Lembra-se? Estivemos aqui no início do verão passado e chegamos de trem. Fique lá até que ela apareça.

O gato miou, baixo também, Hermione sorriu. Bichento levantou-se preguiçoso e sumiu pelo terreiro.


Devia ser cinco da tarde quando Hermione entrou no quarto dos garotos.

- Vamos andar um pouco?- convidou olhando diretamente para Rony. Ela parecia feliz.

- Sim.- disse Rony defronte o espelho da penteadeira. Tinha os cabelos molhados, pois a pouco saíra do banho. Usava agora a camiseta laranjada com uma Jeans. Passava a mão rapidamente pelo cabelo espirrando água por todos os lados.- Aonde vamos?

- Talvez visitar Tobias.- sugeriu Hermione.- O que pretende Rony?

Harry que antes estava concentrado no pergaminho onde agora estava a carta que mandaria a Hermione mais tarde, olhou para o amigo que ainda mexia no cabelo.

Repentinamente ele lembrou-se de seu pai que também fazia aquilo com os cabelos como Harry viu na penseira de Snape.

- Estou arrumando meu cabelo.- disse Rony sério.- Acho que ele fica legal assim.

Harry não pode deixar de sorrir.

Hermione olhou para ele, usava a camiseta vermelha que ganhara de sua tia. Estranhamente emanava vulnerabilidade. Achou que ele ficava muito bem de vermelho.

- Vamos.- disse Rony, finalmente. Harry, concordou calado, levantou-se e guardou o pergaminho no bolso.

Os três desceram calados. Uma vez fora de casa, seguiram reto.

- Nunca andei, assim, em uma cidade trouxa antes.- disse Rony mais uma vez passando a mão pelo cabelo.- o que é aquilo?- perguntou ele apontando para uma pequena casa de jogos.

- Fliperama. - respondeu Harry que tinha as mãos nos bolsos. Um grupo de quatro meninas se aproximou.

- Hermione!- disse uma delas que era morena e tinha os cabelos negros e lisos.- Você por aqui.

- Esteve sumida. - disse uma outra garota baixinha e loira.

- Estudando. - respondeu Hermione dando um sorriso que Harry julgou ser nem um pouco agradável.

- Quem são?- perguntou a primeira.

- Dois amigos de escola. - disse Hermione e indicando Rony com a cabeça.- Rony Weasley.- e indicando Harry.- Harry Potter.

Rony, vermelho, estendeu a mão para uma terceira menina que lembrava muito Hermione em versão alta e magra.

- Prazer.- disse Rony estendendo a mão para todas as outras. Harry limitou-se a dar um oizinho de longe.

A menina morena apresentou as garotas. Ela própria se chamava Arminda Bá, a loira pequenina era Ann Partier, a alta, parecida com Hermione era Helena Granger, e a quarta, uma garota de cabelos negros e olhos azuis, pele meio rosada, era Elisabeth Crow.

- Como vão tio Josh e tia Márcia?- perguntou Hermione para Helena.

- Muito bem.- respondeu ela.- Papai está na a França a trabalho, e mamãe ficou em Londres.

- Ah!- disse Hermione, não parecia exatamente feliz com o encontro.- Bom, a gente se vê por aí.

- Apareçam no pub mais tarde.- disse Arminda quando já se distanciavam.

- Meninas chatas.- resmungou Hermione.

- Me pareceram simpáticas.- Respondeu Rony passando a mão sobre o cabelo, mais uma vez.

Uns vinte minutos depois chegaram à casinha de fiscalização, ficava bem longe da casa de Vó Meg. Tobias abriu a porta e os convidou a entrar. Antes que o fizessem bichento apareceu, vinha correndo, miava alto. Hermione não pode esconder um sorriso. Os três entraram e assentaram-se, aceitaram o suco que Tobias ofereceu e não tardiamente engataram uma animada conversa.

Hermione claramente não prestava atenção. Escolhia cuidadosamente uma desculpa, meia hora depois levantou-se.

- Estou me sentindo indisposta. Vou pra casa, vocês sabem o caminho, certo?- disse ela.

Rony concordou com a cabeça e ela saiu rapidamente seguida por Bichento. Hermione seguiu veloz o caminho de volta ao centro, Bichento ia à frente, logo estavam entrando na casa de Vó Meg.

- Aconteceu alguma coisa, querida?- perguntou a velha assentada na varanda.

- Hum.- Fez Hermione.- É só uma indisposição.

Dizendo isso subiu as escadas correndo até seu quarto, ao entrar deparou-se com um gato muito parecido com bichento. Tinha um belíssimo rabo escovinha e o pelo de um tom muito, muito vermelho. Hermione fechou a porta e sorriu fascinada. O gato miou e com um quase-estalido transformou-se em uma menina ruiva de brilhosos olhos castanhos.

- Gina!- disse Hermione.

- Oh Mione!- disse a garota se levantando e abraçando a amiga calorosamente.- Onde estão os garotos?

- Estão na rua.- disse Hermione.- Não sabem que você está aqui.

- Como não?- perguntou Gina.

- Eu e o Harry temos nos desentendido. - disse Hermione levemente infeliz. - Vamos até a cozinha: você come algo e eu lhe conto tudo.

- Despachei uma carta pra mamãe, de Londres, avisando que eu estou aqui.- disse Gina enquanto desciam as escadas.

- Eu lhe diria que o fizesse, assim que chegasse.- disse Hermione.- Vó.- disse à Vó Meg, que ao ouvir vozes havia entrado.- Essa é Gina, irmã de Rony.

Vó Meg olhou Gina de cima a baixo, e então sorriu.

- Que tal um lanche?- sugeriu a velha.

As três seguiram para a cozinha, Hermione contou à Gina sobre os desentendimentos com Harry.

- Ah! Hermione, vocês não deviam ter brigado.- disse Gina.- Logo você, que sempre me diz que devo ter calma.

- O Harry estava me tirando do sério, Gina.- disse Hermione.


*


Harry e Rony agora caminhavam de volta para casa, passava das sete da noite. Passavam pela pracinha quando alguém gritou.

- Rony! Ei! Rony.

Os dois olharam à volta, e viram numa, lanchonete lotada, as quatro meninas que haviam conhecido mais cedo.

- Vamos lá Harry.- disse Rony, Harry queria ir pra casa, a carta de Hermione agora queimava em seu bolso.

-São garotas trouxas, Rony!- disse Harry.

- Quem se importa?- disse Rony mais uma vez bagunçando o cabelo.- São garotas.

Harry realmente não queria ir, mas Rony esta se distraindo, esquecendo um pouco do irmão, optou por fazer sua vontade.

Se juntaram às garotas.

- E aí, querem beber alguma coisa?- Perguntou Ann.

- Não obrigado. - disse Harry apressadamente.

- Vocês são de onde?- Perguntou Arminda.

- Grande Londres.- Respondeu Harry.

- A gente também.- disse Helena. - Onde vocês estudam? Fica em Londres?

- Não.- disse Rony, Harry gelou.- è a mesma escola de Hermione.

- Ah!- fez Helena franzindo a testa.

A conversa seguiu como uma espécie de entrevista, Harry deixou Rony ser o protagonista, as meninas estavam de cima dele. Em algumas perguntas Harry precisava intervir, como quando Helena perguntou se Rony praticava algum esporte.

- Futebol!- disse Harry

- Sou goleiro.- sorriu Rony

Já passava das nove quando Harry deu-se por vencido e foi embora.

- Pode deixar o Rony aqui.- disse Helena dando um sorriso brejeiro.- Se ele não souber o caminho a gente leva ele em casa.

Harry olhou para Rony, que conversava animadamente com Ann enquanto passava a mão pelos cabelos.

- Pode ir Harry.- insistiu Helena.

Ele se despediu e foi embora.

Ao atravessar o jardim da casa encontrou Vó Meg.

- Boa noite.- disse ele à velha, que retribuiu com um aceno de cabeça.

Por incrível que pareça, a noite era morna e sem vento. Fazia realmente muito calor. Harry subiu as escadas e parou encostado na parede do alto da mesma. Tirou o pergaminho do bolso. Qual seria a reação de Hermione? E se ela não aceitasse suas desculpas. Então Harry lembrou-se das inúmeras brigas da amiga com Rony, eles sempre faziam as pazes afinal. E ele, Harry, não podia ficar muito tempo brigado com ela, só agora ele via o quanto ela era importante para ele. Muitas informações acumulavam-se em sua cabeça e ele precisava dividir com alguém que pudesse lhe dar alguma resposta. Não que menosprezasse Rony, mas esse alguém era Hermione e só Hermione. Não compreendia, porém, que não simplesmente por isso que ele sentia, agora, aquela ânsia de ter a amiga sempre ao seu lado.

Ele caminhou lentamente ate a porta do quarto de Hermione a abriu lentamente afim de não acordá-la. Uma luz estava acesa. Hermione estava deitada na primeira cama, tinha o rosto coberto, ele estranhou que a luz estivesse acesa. Harry entrou tentando não fazer barulho, mas quando ia colocar o pergaminho no criado da cama da garota bichento miou. Hermione mexeu em sua cama. Harry virou para trás e só então percebeu que aquela que dormia não era Hermione, pois a verdadeira Hermione encontrava-se assentada em uma poltrona ao lado da janela, atrás dele. Exaltado, Harry olhou novamente para a pessoa que dormia. Bichento miou novamente enquanto dava voltas em torno dos pés de Harry. O garoto quis chutá-lo, mas se conteve. A pessoa que dormia mexeu mais uma vez e então descobriu o rosto e assentou-se na cama, confusa.

Era uma garota ruiva de traços bonitinho e olhos castanhos, que se arregalaram ao vê-lo. Parecia cansada, como se a muito tempo não deitasse em uma cama para uma noite inteira de sono, era Gina.

Harry olhou de volta para Hermione, que tinha o meio rosto visível por trás de um livro, seus olhos o observavam atentamente, mas Harry sentiu-se incapaz de decifrar a expressão em seu rosto.

- O que significa isso?- Foi o que conseguiu dizer.

- Isso o que?- perguntou Hermione calmamente levantando novamente o livro como se não quisesse interromper a leitura.

- Não era você quem brigava comigo, pois achava loucura trazer Gina para cá?

- Colocarei dessa forma: você não quis me ajudar e eu fiz sozinha.- disse Hermione ainda com o livro tampando seu rosto.- Achei que ficaria feliz ao vê-la.

- Vejo que a Srta. Sabe-tudo resolveu me dar uma lição.- disse Harry dando o sorriso de quem acaba de descobrir a resposta de uma charada sozinho e ficou indignado com a resposta.

- Não sou alguém que dá esse tipo de lição, Harry.- disse Hermione.

- Então que tipo de pessoa você é?- disse Harry.- Não é o tipo de pessoa que costumava ser.

- Não começa!- cortou Hermione, finalmente baixando o livro sobre as pernas.

Bichento miou alto, ele agora estava no colo de Gina, que encostada na cabeceira da cama observava a cena.

- Não foi Hermione que me trouxe até aqui.- disse ela em um tom de voz quase inaudível.

- Foi sim Gina!- disse Hermione se levantando calmamente.

- Não foi não, fui eu quem arrumou a chave de portal até Londres e quem pediu a ajuda da Luna para distrair seu pai, e também quem pegou o trem de Londres até aqui.- disse Gina.

- A idéia ainda foi minha.- disse Hermione ainda calma enquanto se levantava.- Não existe outro culpado além de mim, isso se você considera trazer a Gina para perto de nós um erro tão grave.- Ela sorriu, havia um quê de triunfo em seu sorriso ao dizer tudo aquilo. Harry a encarou e percebeu que ela lhe lembrava muito a Dumbledore. Este sempre assumia aquela mesma calma para com Harry.

Harry estava confuso, não sabia o que dizer, olhou para Gina e depois para Hermione, esta se assentou novamente.

- Talvez eu deva ser mandada para Azkaban por isso, o que não seria tão ruim já que não resta Dementador algum lá. - disse Hermione examinando a reação de Harry. A calma é a maior das virtudes. Pensou olhando para Gina.- Que eu mal lhe pergunte, o que está fazendo aqui? Ao que me parece você queria entrar sem ser percebido...

Harry estava mudo, não conseguia pronunciar ruído algum. Hermione trouxe Gina por baixo de seu nariz e ele não desconfiou de nada, mas como? Queria muito saber, mas obviamente não perguntaria, não queria daria aquele gosto a Hermione. Sempre se surpreendera com a amiga, inúmeras vezes, desde o primeiro ano deles em Hogwarts. Aliás - eles: ele, Rony e Hermione - ficaram amigos após serem surpreendidos por ela. Pensava já ter se acostumado com aquilo, mas definitivamente estava enganado. Porque ela não parava de olhar para ele com aquela cara de Dumbledore?

- Ficou mudo?- perguntou Hermione.- O que é isto em sua mão?

Harry olhou para sua própria mão, aquela ainda enfaixada, com a qual segurava a carta para Hermione. Resolveu falar, sua boca tremia.

- Eu?- disse ele pretendendo que aquilo soasse em um tom agressivo, mas a sua voz saiu fraca e trêmula.- Vim trazer isso para você.- Ele ergueu a carta.- Mas ao que vejo não vai adiantar muito, não é Srta. Gênio? Em todo caso, se quiser ler, tome.- ele jogou a carta para Hermione.- Eu não perdi a minha tarde escrevendo esta porcaria à toa!- Ele apertou os olhos em triunfo ao ver que Hermione se curvara pra frente para pegar a carta.- E a propósito Gina, seja bem vinda.- E dando um beijo na testa da garota saiu do quarto, trombando com Rony na porta.

- Gina?- disse Rony boquiaberto ao entrar no quarto.- Você aqui?!

- Oh Rony!- disse a garota se levantando abraçando o irmão.- Que bom que você está bem!

- Quem te trouxe? A Hermione?- perguntou ele olhando para Hermione que se encontrava vidrada olhando a carta de Harry.

- Ela me ensinou como chegar aqui, Rony. Mas não importa como eu vim, e sim que eu estou aqui com você, agora.- disse Gina sorrindo para Rony.

Logo os dois estavam assentados conversando animadamente, Gina contava sobre a viagem na Suécia, mas Hermione não prestava atenção, ela abriu a carta de Harry e começou a ler.


Não estou feliz com essa briga. Me lembrava de certa briga séria entre você e o Rony durante nosso terceiro ano, você se lembra? Nunca pensei ser tão ruim.

Desculpe-me por toda a grosseria, eu ando mesmo sem estribeiras nos últimos tempos, você sabe. Sempre me descontrolo ao ouvir falar sobre Sirius. Então me chateei por me acusar de impulsivo. Talvez por isso ele tenha morrido.

Não podemos continuar assim. Lembra-se? A Gina ainda está lá fora. Mesmo que tenha prometido qualquer coisa à Sra. Weasley, não estamos em Hogwarts, não existe regulamento algum pelo qual você deva zelar.

Penso que Voldemort saiba o suficiente pra concluir que sem você eu não sou nada. Não posso ficar sem a sua “proteção”.

Desculpe-me por qualquer coisa.


Harry


Hermione dobrou a carta e, levantando-se, guardou-a no bolso do roupão. Respirou fundo como quem conta até dez para se acalmar. Girou nos calcanhares e deixou o quarto. Ainda pôde escutar um “Brigaram de novo...?” antes de alcançar o quarto seguinte. Ao adentrá-lo, obrigou-se a repetir o exercício da respiração somada a números. O quarto estava vazia e as coisas de Harry espalhadas por todos os lados. Sentiu-se feliz por Dumbledore ter sugerido guardar as varinhas.


*


Harry trombou com Rony na porta, mas o ignorou. Tropeliou até seu quarto ouvindo um vaso se quebrar no corredor. Abriu sua mochila para procurar a varinha, iria embora. Não sabia para onde, talvez para casa dos Black. Queria escrever para Sirius, mas este estava morto. Pensou em Hagrid, o qual não poderia ajudá-lo no momento. Só então se lembrou de que não estava mais com a sua varinha. Irritou-se ainda mais. Ouviu um barulho agudo, um dos vidros da janela trincou. Suas coisas, antes ajeitadas dentro de sua mochila, espalharam-se por todas as partes.

Porque sentia precisar tanto dela agora que se afastavam? Ele não era Rony, com quem ela sempre se desentendia. Ele não era Rony, o que talvez fizesse com que Hermione o entendesse. Ela sempre o entendeu. Ela sempre esteve por perto, pronta a explicar o que estava acontecendo ou apta a dizer qualquer coisa incrivelmente sábia e apropriada ao momento. Ela o ajudara com Cho. Mesmo que indiretamente. Mesmo que ele estragasse tudo.

Olhou ao redor e viu caída por ali a fotografia de sua mãe, apanhou-a e ficou a contemplá-la. Lílian se distraía com uma borboleta pousada na ponta de sua varinha, parecia feliz.

- Mulheres!- murmurou Harry mirando o rosto da mãe.- Será que você também era assim, mamãe?

Soltou um suspiro e então, do outro lado da cama beliche, viu o relógio de Luna. Apanhou-o e levou um susto ao ver que o seu rosto não era mais o único a orbirtar.

Um segundo ponteiro se movia e nele estava o rosto de Hermione. O ponteiro girava rapidamente sem parar em lugar algum. Harry envolveu-se, por alguns segundos, no movimento incessível do ponteiro. Sentiu-se ruborizar ao perceber que inconscientemente desejava que o ponteiro aquietasse. Junto ao seu.

- Coisa inútil.- murmurou deixando o relógio de lado.

Foi então que surgiu, dentro de Harry, a vontade de voltar no quarto, pegar a cabeça de Hermione e batê-la contra a parede. Como naquelas vezes em que ele olhava para Dumbledore e tinha vontade de feri-lo.

Harry levantou-se e desceu correndo as escadas até o quintal. Embrenhou-se no meio das árvores até que tropeçou em uma raiz e caiu no chão..Virou-se de barriga pra cima, arfando de raiva. Acabou por adormecer.


*


Hermione adentrou o quarto e viu os objetos de Harry jogados. A janela estava rachada e a foto de Lílian Potter jogada sobre a cama beliche. Assentou-se, as sobrancelhas arqueadas pensativamente. Deixou-se vagar entre pensamentos vazios até que reparou no relógio caído no chão. Apanhou-o e não pôde deixar de se sobressaltar ao ver seu próprio rosto estampado num ponteiro que girava sem parar. Ficou olhando, sentiu-se tonta, mas não parou de olhar, até que tudo no quarto começou a rodar junto. E rodava. Rodava... Rodav... Roda... Ro...

- Mione.- ouvia alguém chamar.

Abriu os olhos, o quarto estava claro. Já era manhã. As cabeças de Gina e Rony a observavam.

- O que?- fez se levantando, tinha dormido ali.

- Você dormiu aqui.- disse Gina.

- Onde está o Harry?- perguntou Rony.

- Eu não sei.- respondeu Hermione.

- Vocês brigaram de novo não foi?- disse Rony.- Gina me contou. Vocês têm que parar com isso... Tá certo que você sempre foi brigona e que eu tenha deixado de ser seu alvo predileto, mas...

- Cale-se, Ronald!

- Porque tem cacos no corredor?- insistiu Rony, mas foi surpreendido por um olhar de Gina. Um olhar digno da senhora Weasley. Deu-se por vencido. – Vou descobrir onde ele se meteu.- completou antes de deixar o quarto.

Seguiu-se um espaço de silêncio em que Hermione limitou-se a esfregar os olhos. Sabia que Gina a analisava com olhos clínicos. Odiava situações em que, além de não serem seus os olhos clínicos, era ela o alvo de análise.

- Fred e Jorge tiravam sarro da cara do Rony por sua causa. – disse Gina rompendo o silêncio. – Tanto quanto costumavam fazer com o Percy, quando este começou a namorar Penélope Clearwater.

- Gina...

- Eles tiravam muito sarro. Muito sarro mesmo.- Continuou Gina, ignorando a interrupção de Hermione. – Diziam que você olhava para o Rony da mesma forma que a mamãe olhava para o papai...

- Gina, eu não troquei o Ronald pelo Harry.,, - Começou Hermione acreditando, em seguida, ter escolhido as palavras erradas. – E nem o Ronald ocupava um lugar...

Hermione sentiu-se ruborizar violentamente.

- Eu nunca acreditei que você e o Rony dariam certo, mesmo. – disse Gina com um sorriso maroto, mas sincero.

- Não, Gina. O meu desentendimento com Harry é totalmente diferente de qualquer desentendimento com Rony e...

- Viu?

- Viu? Não. Não é nada disso! Pare de insinuar coisas e tentar fazer com que eu me contradiga.- disse Hermione se rendendo e deixando-se rir. – Escute, eu e o Harry: nunca. De jeito algum!

- Suponho, então, que você tenha uma explicação melhor para essa crise de verão em que se meteram.- sobrepôs Gina.

- Sim. – Disse Hermione veementemente. – É só que... Eu e Harry nunca brigamos dessa forma. Acho que me assustei um pouco ou coisa assim.


*


Harry acordou quando os primeiro raios de sol do dia atingiram seus olhos. Cada centímetro de seu corpo doía. Tratou de subir para seu quarto antes que alguém o encontrasse ali, feito um bêbado que acorda de uma noite desvairada. Pretendia deitar-se e dormir até mais tarde, com sorte Rony nem o escutaria entrando. Ao alcançar seu quarto, porém, não era Rony quem dormia por lá. Era Hermione.

Harry a observou por algum tempo. Hermione segurava o relógio de Luna em uma das mãos e a fotografia de Lílian na outra. Parecia inofensiva enquanto dormia, pensou. Como reagiria se acodesse e deparasse com ele ali?

Decidido a não pagar pra ver, Harry deu as costas e desceu as escadas. Podia-se ouvir barulhos de panelas, vindo da cozinha. Não foi até lá. Ganhou a rua, decidido a fazer uma caminhada, esticar os joelhos, coisa assim. O relógio da igreja mostrava pouco mais de cinco horas. Seguiu pela rua principal. Ouviu vozes vindas de uma casa tão grande quanto à de Vó Meg. Na varanda estavam as quatro garotas do dia anterior. Conversavam alto. Uma ou duas fumavam. Harry fingiu não vê-las. Atravessou a rua.

- Bom Dia Harry!- gritou Helena, a prima de Hermione.

Ele respondeu com um sorriso amarelo. Seguiu em frente, as mãos nos bolsos. O sol subia trazendo de volta aquele insuportável calor. Quando Harry encontrou a casinha da fiscalização encontrou a porta fechada. Bateu um ou duas vezes.

- Entra.- respondeu a voz de Tobias. Harry obedeceu. Tobias estava por detrás da pequena mesa redonda de madeira, acompanhado de um velho. O último era alto e magro, de ar rabugento, barba e cabelo grisalhos.

Harry não teve dificuldades em reconhecê-lo: Era o barman do Cabeça de Javali. O que estaria fazendo ali?

- Bom dia Harry!- disse Tobias.- Sente-se e coma alguma coisa.

Harry aceitou o convite para assentar-se, mas recusou a comida. Não tinha fome. O homem o olhava com um sorriso torto.

- Este é Aberforth Dumbledore.- disse Tobias.

- Nós já nos vimos uma vez.- disse o homem calmamente.- No meu pub, Tobias. Como tem andado, Harry?

- Bem, obrigado.- respondeu Harry meio boquiaberto.- Você é... Você é parente de Dumbledore?

O homem sorriu largamente.

- Irmão.

- Nossa!- disse Harry sinceramente.- Nunca imaginaria que você seria o irmão de Dumbledore.

- È! Eu não faço o tipo, mesmo.- disse Aberforth - Conheci seus pais. Eu era Professor de Poções de Hogwarts na época deles.

- Foi meu professor também.- disse Tobias, sorridente como sempre.

Aberforth fitava Harry com visível interesse.

- Lembro-me de cada aluno da época de seus pais.- disse ele.- Potter, os irmãos Black, Lupin, Malfoy, as irmãs Andrômeda, Narcisa e Belatriz Black, sua mãe, Lílian Evans, Longbotton...

- E a irmã dela?- interrompeu Harry se lembrando da fotografia.

- Irmã...- disse Aberforth olhando para Harry atentamente.- ...de quem?

- A irmã de Lílian.- disse Harry.- Minha tia.

- Petúnia Evans?- perguntou Aberforth, Harry fez que sim com a cabeça. Ele não parecia muito contente com o assunto.- Foi minha aluna também.

- Porque ela saiu de Hogwarts?- perguntou Harry antes que o assunto esvaísse.

Aberforth o encarou analiticamente. Parecia hesitar.

- Foi expulsa. – disse por fim.

- Porque?- perguntou Harry.

- Alvo nunca lhe falou sobre isso?- disse Aberforth parecendo preocupado.

- Não.- disse Harry.- mas eu gostaria muito de saber.

- Ele deve ter seus motivos para omitir uma história como esta...

- É só um caso. – disse Tobias sorrindo para Harry.

- Pois bem.- disse Aberforth pesaroso - Quando Lílian Evans entrou para Hogwarts muitos não esperavam muito dela. Claro, era nascida trouxa.

Ele fez uma pausa e olhou para Harry. Tobias também escutava atentamente.

- Foi escolhida para a Corvinal.- continuou Aberforth.- E logo nas primeiras semanas surpreendeu todos os professores com sua inteligência. Parecia ter decorado todos os livros antes de começar as aulas.

Harry se lembrou de Hermione e não pode deixar de sorrir.

“Tinha as melhores notas de seu ano, em todas as matérias, sem exceção alguma. Em seu segundo ano já era muito popular. Sempre absolutamente correta, dentro dos regulamentos. Em seu terceiro ano, escolheu quase todas as matérias extras. E conseguiu continuar sendo boa em todas. Quando retornou para cursar seu quarto ano, trouxe consigo sua única irmã. Petúnia Evans. Esperávamos que esta fosse tão boa quanto à outra. Foi escolhida para a Lufa-lufa e não tardou a descobrirmos que não era tão boa assim. Tinha dificuldade na maioria das matérias, era introvertida e vivia brigando com as outras garotas. Lílian sempre arrumava justificativas para livrá-la. Mas a situação acabou tornando-se insustentável.”

Ele fez uma pausa. Harry bebia cada palavra. Tobias também.

“Ela passou do primeiro ano apertada. E em seu segundo ano ia ficando cada vez pior. Matava aulas, era mal criada. E, Lílian, que agora era monitora, já não conseguia controlá-la. Após os testes de final de ano, Dumbledore concluiu que não poderia mantê-la ali. Chamou seus pais a Hogwarts. Petúnia foi expulsa, suas notas eram insuficientes para prosseguir. Não sei ao certo qual foi seu destino. Sei que mudou para uma escola trouxa e eu nunca mais a vi. Creio que o resto da história você deve saber.”

Harry fez que sim com a cabeça. Estava estupefato. Tia Petúnia era um aborto! Aberforth se levantou.

- Creio que já me demorei por demais, Tobias.- disse.- Entregue as cartas de Molly aos Weasley. O dever me chama.

- Até mais Aberforth.- Disse Tobias sorrindo.

- Até mais ver, Harry. - disse Aberforth e num girar de calcanhar, tão clássico quanto o de Dumbledore, ele desapareceu. Harry ia falar alguma coisa quando ouviu as vozes de Rony, Hermione e Gina se aproximando. Levantou-se num pulo.

- Diga que eu não estou mais aqui Tobias.- Pediu Harry.- Não quero encontrá-los aqui.

- Por...?- perguntou Tobias.

- Só faça isso, por favor. - disse Harry.

- Saia pelos fundos.- disse Tobias. Harry obedeceu quase pisando em bichento no caminho.

Instantes depois o trio entrou pela porta aberta.

- Bom dia Tobias.- disse Rony.- Esta é minha irmã Gina.

- Molly ficou uma fera com você, Gina Weasley.- disse Tobias.- Enviou cartas para vocês dois. Mas creio poder garantir a ela que estão felizes aqui. Querem comer algo?

- Não, obrigado.- Disse Hermione.- Você viu o Harry?

- Hum.- Fez Tobias examinando-a com os olhos.- Ele esteve por aqui mais cedo. Sentem-se.

Todos se sentaram quando bichento entrou na casinha miando. Gina e Hermione se entreolharam.

- Como foi a noite de vocês?- Perguntou Tobias observando atentamente as garotas.- E como foi sua viagem D. Gina?

Hermione se levantou, andou de um lado para o outro, fingiu-se desinteressada na conversa até que saiu pelos fundos enquanto Gina contava uma versão resumida de como chegara até ali. Hermione viu que Tobias a observava pelos cantos dos olhos, será que ele também ouvia os gatos?

Havia muitas árvores por ali. Ouvia-se barulho de passos. Hermione seguiu seus ouvidos através de uma trilha fraca até um pequeno bosque. Caminhava lentamente entre as árvores, olhando por todos os lados, não avistava ninguém, mas os passos ainda ecoavam. Então cessaram.

Hermione parou também. Havia alguém ali, pelo que ouvira de bichento era Harry, mas porque fugia? Respirou fundo e continuou andando, cada vez mais rápido quando duas mãos a agarraram pelas costas e puxaram-na para trás violentamente lançando-a contra o chão.

Hermione arregalou os olhos ao ver Harry com os punhos cerrados sobre ela.

- É você!- disse ele levantando-se e parecendo levemente decepcionado e impaciente talvez.

- Harry, o que você pretende com isso? Me bater?!- perguntou Hermione levantando-se e limpando as calças jeans sujas de terra.

- Ouvi alguém me seguindo, não tinha como adivinhar que era você.- Disse ele mal-humorado olhando à volta como que para desviar dos olhos de Hermione.

- Não era preciso me jogar no chão.- vociferou Hermione sentindo a latente vontade de xingar Harry até ficar rouca.

- E eu esperaria alguém me atacar primeiro, para depois jogá-lo no chão e me defender?- perguntou Harry irônico.

- Tudo bem, sem brigas por isso, ok?- disse Hermione tentando apaziguar o que poderia acabar em uma nova discussão.

- Como me achou aqui?- perguntou Harry.

- Bichento viu você.- disse Hermione.- Porque não dormiu em casa? Fiquei preocupada.

- Na hora de fazer as coisas sozinhas você não se preocupa comigo.- disse Harry entre dentes.

- Harry! Eu já disse que não VOU mais brigar com você.- disse Hermione.

Harry ajeitou os óculos.

- Mas é a verdade.- retrucou.

- Não é não!- disse Hermione.- E você sabe disso.

Harry ficou calado, olhava para o chão. Estava encostado em uma arvore, balançava o pé inquieto, as bandagens em sua mão estavam sujas.

Hermione apenas o observou por algum tempo.

- Por que não conversa comigo direito?- perguntou ela finalmente, Harry ainda tinha os olhos no chão.- A gente nunca foi de brigar.

- A gente costumava fazer as coisas em parceria também, eu você e o Rony!- despejou Harry.

- Quer parar de tentar me culpar por coisas que eu não fiz?!- gritou Hermione.- Você costumava ser mais calmo também.- completou em um tom ameno.

- Veio até aqui pra me encher a paciência ou o que?- perguntou Harry levantando o rosto para Hermione.- Porque se foi pode ir embora, pois eu não agüento mais você no meu pé!

- Quem não agüenta mais sou eu.- disse Hermione sem alterar o tom calmo de antes. Harry sentiu raiva por isso, como ela conseguia ficar calma?- Você sempre intocável, sempre irritável, sempre como um cristal prestes a se quebrar. E falando em quebrar, você tem que aprender a controlar isso de quebrar as coisas quando está nervoso!

- Não enche.- disse Harry mais uma vez olhando pro chão.

- Ainda não me respondeu por que não dormiu em casa.- insistiu Hermione.

- Deve ser porque a minha cama estava ocupada.- disse Harry e levantando novamente o rosto gritou.- TINHA UMA GAROTA INTROMETIDA LÁ, NÃO SÓ DORMINDO NA MINHA CAMA COMO SEGURANDO OBJETOS PESSOAIS MEUS!

- Harry, porque não pára de gritar e conversa feito gente civilizada?- pediu Hermione, toda a irritação que sentia antes se esvaiu, ela agora se sentia cansada.- Não precisa ficar nervoso desse jeito, não tem motivo algum.

- Não tem motivo.- repetiu Harry passando as costas da mão cheia de bandagens na testa suada.

Hermione caminhou de um lado para o outro, Harry se concentrava nas folhas secas no chão. Até que Hermione se assentou por ali de pernas cruzadas.

- Será que nós podemos simplesmente conversar calmamente?- perguntou ela.

- A única coisa que eu posso fazer nesse momento é ir para algum lugar e procurar algo para comer.- disse ele com um sorriso triunfante no rosto.- Estou faminto!

E dizendo isso foi caminhando por entre as árvores calmamente com as mãos nos bolsos, em direção à saída do bosque.

- Eu li a sua carta.- disse Hermione em tom alto o suficiente para Harry escutar. Este parou sem olhar pra trás.- Você parecia mais disposto a fazer as pazes do que agora.- completou.

Harry caminhou de volta até a árvore onde antes estava encostado. Ela tinha razão, ele queria fazer as pazes, mas tudo o que conseguia era gritar e falar bobagens. Parecia ser algo mais forte do que ele.

Hermione se levantou. Harry olhava para os próprios pés. Ela se aproximou de Harry parando a meio metro dele.

- Façamos o seguinte.- disse ela levantando seu rosto pelo queixo para que ele a olhasse nos olhos.- Vamos fazer as pazes e, se você quiser conversar, aliás, quando você quiser conversar, você me procura, eu estarei lhe esperando.

Ele levantou os olhos para ela, ela sustentou o olhar durante algum tempo, mas segundos depois ela o abraçou. Harry ficou imóvel, e então como que em um impulso ele a afastou segurando-a pelos ombros e a beijou.

Hermione sentiu, não sem imensa surpresa, os lábios quentes de Harry tocarem os seus. Ela já tinha feito aquilo antes, mas dessa vez foi diferente. Era como se flutuasse. Sem que percebesse, seus olhos estavam fechados e suas costas encostadas na árvore mais próxima. Foi então que viu Rony, em uma crise de ciúmes por uma carta de Krum. Krum! Hermione empurrou Harry.

- Não.- murmurou ela, Harry a olhava meio assustado, seus olhos verdes, antes cheios de raiva, agora pareciam incrivelmente doces.

- Por que?- perguntou Harry.

Hermione estava encostada em uma árvore, um dos braços de Harry estava apoiado na mesma, um pouco acima de seu ombro direito; ele estava perto demais e aquilo parecia perigoso. Ela rolou para o lado e desviou do garoto, ficando de costas para ele a fim de evitar seu olhar.

- Por que?- repetiu Harry.

- O Rony.- disse Hermione, ela tinha o dedo indicador encostado aos lábios, como que a fim de guardar aquele beijo.

- O que tem ele?- perguntou Harry.- Vocês não estão juntos, ou estão?

- Não, mas...- disse Hermione.

- Então não vejo problema algum.- disse Harry.

- Não.- repetiu Hermione.- Não, eu não posso.- e dizendo isso saiu veloz por entre as árvores. Seu coração parecia prestes a sair pela boca. Aquilo não deveria acontecer, repetia para si mesma. Logo ela estava novamente na casinha, Bichento vinha logo atrás. Gina acompanhou sua entrada com um olhar curioso. Hermione estava extremamente vermelha quando se assentou entre Rony e Tobias, defronte Gina. Procurou desesperadamente evitar o olhar de Gina já que sabia que a amiga a examinava atentamente com seus olhos castanhos. Para o seu alívio, Rony e Tobias estavam distraídos com uma conversa sobre quadribol. Passados dez minutos Harry entrou pela porta dos fundos, Bichento miou para ele, que vinha com as mãos nos bolsos, cabisbaixo com aparência amassada. Entrou calado e assentou-se ao lado de Gina e ficou ali, ainda cabisbaixo.

- Onde você estava, Harry?- perguntou Rony quando o assunto morreu por um instante.

- Andando por aí.- disse olhando para o amigo.- Descobri um bosque bacana ali para trás.- completou.

- Ah! Podemos ir lá depois.- disse Rony e se virando para Tobias.- Você foi à Copa Mundial de Quadribol não é mesmo?

- Fui sim, foi excelente.- disse Tobias.- Vitor Krum joga muito bem.

Rony fechou a cara.

- Nem tanto.- ele respondeu olhando para Hermione que ainda tinha a cabeça baixa.

- Rony não vai muito com a cara dele.- explicou Gina.

A conversa se prolongou por um bom tempo. No meio da manhã voltaram para a casa da avó de Hermione.


- O que aconteceu, Hermione?- perguntou Gina assim que elas entraram no quarto.

- Nada.- mentiu Hermione que procurava uma calça para trocar.

- Nada fez sua calça ficar suja de terra?

- O Harry me empurrou e eu cai.- disse Hermione.

- O QUE?- perguntou Gina.

- Calma, ele não tinha visto quem estava o seguia. Não sabia que era eu.- explicou Hermione. – E foi só isso. – Mentiu. – Conversamos e fizemos as pazes.


*


- O que vão fazer durante a tarde?- perguntou Vó Meg após servir a sobremesa.

- Eu e Rony vamos à casa de Tobias.- Disse Gina - Ele nos prometeu despachar cartas para mamãe.- disse Gina.

- Vocês dois?- perguntou ela a Harry e Hermione.

- Acho que vou dormir um pouco.- disse Harry.

- Vou estudar, vó.- disse Hermione.

E assim fizeram. Gina e Rony saíram logo após o término do almoço. Hermione se deixou ficar na varanda. Quando finalmente subiu, parou na porta do quarto de Harry, este estava deitado de costas para a porta, provavelmente dormia.

Hermione foi para o seu quarto, apanhou o livro Transfiguração Avançada e Animagos e pôs-se a lê-lo. Estava quase terminando este. Gostava de ler, já que enquanto lia sua cabeça se esvaziava do mundo. Meia hora se passou, quando sua atenção foi tomada por passos, virou-se para a porta e assistiu Harry entrar pela mesma, estava descalço. Assentou-se na cama de Gina, defronte a Hermione e permaneceu calado por um bom tempo.

- Você quer alguma coisa?- perguntou Hermione sem olhar para ele.

- Sim, quero lhe contar uma coisa.- disse Harry, não gostava quando Hermione ficava daquele jeito, conversando, porém pregada em um livro.

- Sou toda ouvidos.- disse Hermione.

- Tia Petúnia estudou em Hogwarts.- disse Harry. Hermione baixou o livro.

- Como?- perguntou ela.

E então Harry lhe narrou toda história, desde a parte em que a Sra. Granger reconhecera a garota da fotografia até aquela recente, em que o irmão de Dumbledore lhe contara.

- Então isso explica a fotografia, e a coruja no verão.- concluiu Hermione que agora estava assentada com os cotovelos apoiados nos joelhos e ouvia Harry atentamente.

- Sim, ela era uma espécie de trouxa aborto.- disse Harry por fim.- Isso explica muita coisa, como, por exemplo, porque minha tia não gostava de minha mãe.

- Ela gostava, Harry, tanto que lhe aceitou; talvez ela só sentisse inveja.- considerou Hermione.

- É, que seja!- disse Harry.- Mas não é motivo para ela desgostar de meu pai.

- Hum!- fez Hermione.

- Se...- Harry olhou para o chão.- Se Sirius ainda estivesse aqui eu perguntaria a ele.

- Oh Harry!- disse Hermione abraçando o amigo maternalmente.- O Sirius não está, mas você pode perguntar ao Lupin.

- É.- concordou Harry infeliz, Hermione agora estava assentada ao seu lado.

Os dois ficaram calados. Uma enorme vontade de beijá-la novamente começou a crescer. Ele aproximou seu rosto do dela, mas quando estava quase lá ela desviou e se levantou.

- Harry!- disse ela enquanto se assentava novamente em sua cama.

- Eu não entendo por que!- disse Harry observando a amiga, nunca a havia achado tão bonita quanto agora.

- Já disse...- hesitou Hermione - É o Rony.

- O que tem ele?- perguntou Harry.- Você gosta dele?

- Não!- disse Hermione.- Quer dizer... eu não sei.- ela se sentia muito confusa agora, tanto quanto nunca estivera. Rony não era, nem de longe, o seu real problema.

- Ele gosta de você?- arriscou Harry lembrando-se do enorme ciúme que Rony sentia dela.

- Todos já perceberam. - disse Hermione.

- Mas e quanto a você?- perguntou Harry.

- Eu não sei.- disse.- Eu achava que sim, mas...

- Mas?- perguntou Harry.

- Com essas coisas todas, que aconteceram conosco.- disse ela.- As brigas e depois a gente fez as pazes...

- E a gente se beijou.- terminou Harry.

Hermione fez que sim com a cabeça. Harry observou seu semblante, parecia angustiada.

- Olha, se você estiver confusa...- disse Harry se lembrando de como as coisas aconteceram com Cho e das palavras sábias que várias vezes Hermione disse a ele.- Eu entendo! Eu espero! Se você quiser pensar...

- Não! Não precisa.- disse Hermione.- Eu... eu provavelmente gosto de você, Harry.- concluiu depois de algum raciocínio. Sempre achara que gostava de Rony. Foi ao baile do quarto ano com Krum a fim de fazer o amigo notá-la, é claro que as coisas foram mais além do que deveriam, mas isso em nada mudou o que sentia por Rony. Mas então Harry arrumou uma namorada. Se ao menos Rony já tivesse acordado naquela época. Mas não, ele ainda estava morto, como sempre esteve. E ela, apesar de ajudar o amigo com Cho, não pode negar para si mesma que sentira uma ponta de ciúmes. E então, aconteceram todas aquelas coisas no verão e...- Eu não tenho dúvida de coisa alguma!- concluiu.

- Mas, então!- disse ele.

- Nós não podemos fazer isso com o Rony, Harry!- disse ela.- Você não pode fazer isso com ele.

Harry baixou a cabeça, ela tinha uma ponta de razão.

- Tudo bem, ele é lento, não sabe lidar com essas coisas. Você foi mais esperto, mas... você nem sabe o que sente de verdade.- disse Hermione.- Tudo bem! Aconteceu, mas e se não for bem isso o que você quer?!

- É, você tem razão.- disse Harry olhando para ela novamente.- Talvez eu não saiba se é realmente isso que eu quero, talvez eu tenha certeza.- ele se levantou e se aproximando dela novamente, ela recuou.

- Como você tem certeza?- disse ela.- E a Cho? Desde quando você tem certeza?

- Desde quando vi você caída no departamento de mistérios, atingida por um comensal, desacordada.- disse Harry, ele próprio se assustou com o que dissera.

Hermione o olhava docemente. Parecia encantada. Estava levemente corada.

- Eu gosto de você, e tenho certeza disso desde o dia em que ouve a possibilidade de perder você para sempre. Só que somente agora eu descobri isso.- disse Harry.- Você gosta de mim, o Rony vai ter que entender.

- O Rony não vai conseguir entender.- disse Hermione.

Harry deixou-se cair sentado na cama de Gina novamente.

-E você quer que eu me segure, que eu controle o que estou sentindo? Quer que eu me olhe no espelho e diga “Olá Harry! Como vai?” “Ah! Eu não vou muito bem, eu gosto da Hermione e ela gosta de mim, só que eu não posso fazer nada, por isso tenho que ficar aqui conversando com você!”- disse Harry.- Sabe o que eu senti quando vi você aí deitada lendo? Vontade de correr até você e beijá-la. Na hora do almoço eu senti a mesma coisa. E não é como acontecia com a Cho. Já que eu não tinha coragem suficiente para fazê-lo. O problema é que agora eu tenho coragem e não sei se posso controlar isso.

- Por favor, Harry!- Disse Hermione se assentando também.- Controle isso, pelo menos até estarmos em Hogwarts.

- E ter que aprender controlar isso lá também?- perguntou Harry.- Porque o Rony vai estar lá.

- Lá é tudo mais fácil, Harry.- disse Hermione. Ela segurou o queixo de Harry e lhe deu um selinho suave.- Faça isso por mim.- ela sorriu docemente.- Faça isso por nós.

Ele também sorriu. Bichento miou.

- È Gina!- disse Hermione se levantando rapidamente.

- Vou me segurar!- disse Harry se levantando também e indo em direção à porta do quarto, mal a alcançara quando Gina entrou.

- Onde está o Rony?- perguntou Harry.

- Encontrou com umas garotas, ficou na rua.- disse Gina.

- Ah!- fez Harry e em seguida saiu do quarto.

Gina acompanhou Harry saindo do quarto com os olhos, em seguida virou-se para Hermione.

- Aconteceu alguma coisa?- perguntou ela.

- Não.- Respondeu Hermione se assentando e pegando o livro novamente.

- Tem certeza?- perguntou Gina.

- Sim, porque? Tem alguma coisa estranha?- perguntou Hermione concentrando-se em seu livro.

- Não!- disse Gina se assentando em sua cama.- Só que tem alguma coisa me dizendo que você está me escondendo algo.

- Impressão sua.- disse Hermione fazendo a cara séria que costumava ter, pensou não estar se saindo muito convincente, mas não podia fazer nada. Talvez Gina devesse saber, mas achava que esse não era o melhor momento para contar isso à amiga.

As férias seguiram. Os dias deixaram de ser tão quentes. O vento do outono começou a soprar. Rony passava a maior parte do tempo andando por Greelin, com aquelas quatro garotas trouxas. Gina contou a Hermione em certa noite que o vira beijando uma delas, a tal Helena, e até estranhou por Hermione não ter demonstrado nada.

- Você não se importa?- perguntou Gina.

- Não.- respondeu Hermione, andava muito calma nos últimos dias, muitas vezes Gina a pegara meio vidrada em alguma coisa, com sorrisos bobos. Algumas vezes até a surpreendera trocando olhares significativos com Harry à mesa, durante as refeições. Este também não passava muito tempo de seu dia na casa de Vó Meg, ficava andando por aí, sozinho, pensando; às vezes visitava Tobias, mas, diferente de Rony, sempre chegava em casa cedo; ia para o quarto estudava ou até mesmo dormia.

Gina algumas vezes saía um pouco à noite com Rony, no começo; mas pelo que Hermione notou, a garota sentia um pouco de ciúmes do irmão. A partir daí, ela e Hermione às vezes passeavam de bicicleta no fim da tarde. Quase em todas as manhãs ela levava ou buscava correspondências na casa de Tobias, no restante do tempo conversava com Hermione, que estava sempre em seu quarto lendo - principalmente quando Harry estava em casa -, ou ficava observando vó Meg no em seu trabalho diário.

Faltavam quatro dias para o regresso a Hogwarts, quando às nove e meia da noite Tonks apareceu. Parecia apressada, vestia um Jeans surrado e uma camiseta alaranjada das Esquisitonas.

- Vim buscá-los!- informou sorrindo ao encontrar Gina e Harry que conversavam sobre quadribol na varanda.

- Já não era sem tempo.- disse Hermione quando todos seguiram para seu quarto.- Faltam quatro dias para o retorno a Hogwarts, e ainda temos muito o que fazer.

- O que você quer dizer com “ainda temos muito o que fazer”?- perguntou Harry.

- Bom, tenho que encomendar alguns livros, ou você acha que eu vou reler todos os meus em Hogwarts? Preciso de informações novas, não agüento mais essa monotonia de cidade trouxa.- Harry sorriu, aquela era a velha Hermione de sempre; podia até vê-la com outros olhos, mas ela ainda era a Srta. Sabe tudo.

- Onde está o Rony?- perguntou Tonks.

- Quem vai saber...- disse Gina fechando a cara.- Deve estar com uma das namoradas trouxas maconheiras dele.

Tonks riu.

- Tobias nos deu notícias de Rony, disse que ele agora era a sensação das garotas de Greelin.

- E o Gui?- perguntou Hermione olhando para Gina.

- O que tem?- perguntou Tonks, ela não parecia muito contente em falar sobre isso.

- Notícias?- perguntou Gina com a voz baixa.

- Talvez.- disse Tonks.- Ele conseguiu nos escrever.

- Sério? Como?- perguntou Gina parecendo um pouco mais feliz.

- Gui é um bruxo muito habilidoso sabe, e aprendeu muito com os Duendes.- disse Tonks.- Hipnotizou um elfo doméstico e o convenceu a levar a carta até um dos nossos.

- Um Elfo? Onde ele está?- perguntou Hermione.

- Ao que tudo indica na mansão dos Malfoy.- disse Tonks.- Mas é muito arriscado ir até lá, dizem que é a sede dos bruxos das trevas dessa vez.

- E o que ele disse na carta?- perguntou Gina.

- Disse que estava no subterrâneo da casa, que os comensais queriam saber o segredo de Gringotes, disse que tentaram lançar a maldição Imperio sobre ele, mas não foram bem sucedidos.- disse Tonks.

- Gui foi promovido a bruxo supremo em Gringotes uma semana antes de ser seqüestrado.- informou Gina.- Ele recebeu uma proteção dos duendes.

- Isso mesmo.- disse Tonks.- Talvez por isso eles o tenham pegado, querem Gringotes ao lado deles e o fato de os Duendes terem dado tal cargo a Gui, mostra, indiretamente, que eles estão do lado da Ordem.

- O que mais dizia a carta?- interrompeu Hermione.

- Dizia que o haviam torturado também, só que ele havia resistido, para ira dos Comensais.- disse Tonks.- Mas estava bem. Contou que a cela era fria e sombria, e que havia dementadores lá, mas ele estava sendo alimentado. E disse à Sra. Weasley que não se afligisse, ele tinha um plano, e logo sairia de lá.

- Caracas.- disse Gina.

- Mas...- fez Tonks.- O que estão esperando? Temos que partir logo, todos nos esperam na sede da ordem. Quem é que vai buscar Rony?

- Eu vou!- disse Harry.

- Então corra.- disse Tonks.- enquanto isso as meninas vão juntando suas coisas.


Harry não teve dificuldades para encontrar Rony. Pra variar ele estava assentado no pub de todas as noites. Beijava Helena quando Harry chegou. Tinha uma garrafa de vinho trouxa em uma mão, um cigarro na outra. Ele sorriu ao se virar e ver Harry.

- E aí Harry!- disse ele.- Vai um vinhozinho aí?

- Não obrigado.- disse Harry.

- Senta aí.- disse Arminda.

- Não obrigado.- repetiu Harry.

- O que veio fazer aqui então?- perguntou Rony enquanto soltava uma nuvem de fumaça.

- Vim te buscar.- disse Harry olhando com desprezo para tudo aquilo.

- Pra que? Ainda é cedo!- disse Rony.

- Seu irmão lhe mandou uma co...- Harry parou, sua boca estava seca.- Ele está no telefone, quer falar contigo.- mentiu.

- Quem? Qual deles?- perguntou Rony espremendo os olhos enquanto se levantava.

- Gui.- disse Harry.

- Gui ligou?- perguntou Rony, parecia confuso.

- Sim, está lhe esperando.- disse Harry.

- Ah!- disse ele e se virando para as garotas.- Vou lá atender, me esperem gatinhas.- completou, e cambaleando, seguiu com Harry de volta pra casa de Vó Meg.

Ao chegar lá, as coisas dos dois também estavam prontas. Tonks havia arrumado todas com o feitiço de sua mãe. As três estavam agora na cozinha, junto a Vó Meg, tomavam um chá.

- Rony?- fez Gina ao ver o irmão, bêbado, entrando.- O que aconteceu com você?

Rony se deixou cair em um dos bancos.

- Minha cabeça.- disse ele dementemente.- Tá doendo!

- Achei ele naquele pub onde a sua prima e aquelas outras garotas sempre estão.- disse Harry a Hermione.

- Tinha que ser...- resmungou Hermione se levantando para olhar Rony de perto.

- Ele estava bebendo, uma bebida trouxa.- disse Harry.- Vinho, trouxa.- completou.

- Não é a primeira vez.- disse Vó Meg.- Ele já chegou várias outras vezes aqui assim ou pior.

- Essas bebidas trouxas não são fáceis!- disse Tonks.- mas não podemos esperar ele melhorar, quando chegarmos à ordem a Sra. Weasley cuidará dele.

Ouviram-se passos e em seguida Tobias apareceu na cozinha.

- Estão prontos?- perguntou.

- Mais ou menos.- disse Tonks examinando atentamente Rony.- Não posso fazer nada mesmo!- completou.- er...Vocês sabem, sou meio desastrada.

- O que aconteceu com ele?- perguntou Tobias.- Caraca que ressaca!- completou ao sentir o bafo de Rony.- Alguém segura nele enquanto pegamos a chave. É a única solução!

- Mais vinho!- gritou Rony.

Depois de apanharem as mochilas, Tonks sacou a velha carteira e em algum tempo estavam todos batendo os pés no chão da cozinha da casa dos Black. Rony caiu desmontado no chão.

*****continua*****
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:09

3° Capitulo - As lembranças de Sirius Black

Harry abriu os olhos, sua vista estava embaçada. A Casa dos Black, sede da Ordem da Fênix, era sombria e mal iluminada, muito diferente da casa de Vó Meg, que era muito clara e arejada.

Harry ajeitou os óculos e olhou à volta, havia uma única pessoa ali além dos recém chegados. Um homem de cabelos desgrenhados, vestido com roupas rotas e surradas, deu uma largo sorriso ao vê-los. Era Remo Lupin, assentado no meio da cumprida mesa que havia na cozinha, aparentemente os esperando.

- Molly!- gritou.- Eles chegaram!

Enquanto Tonks e Gina levantavam um Rony desacordado do chão, a Sra. Weasley surgiu correndo pela porta da cozinha.

- Oh! Finalmente vocês chegaram.- disse ela.- Como vai Tobias?- completou.

Então a Sra. Weasley viu Rony.

- Por Merlim!- disse correndo um tanto quanto sobressaltada até o garoto e erguendo seu rosto.- O que aconteceu com o meu Roniquinho?

- Acalme-se Molly, não foi nada de grave. - disse Tobias.

- É!- disse Tonks.- Gina, deixe que Tobias ajude-nos a levá-lo para o quarto. Eu lhe explicarei tudo, Molly.

A sra. Weasley lançou um olhar contrariado à Tonks, mas aceitou a sugestão calada.

- Olá, querida.- disse dando um beijo na testa da filha caçula antes de sair da cozinha atrás de Rony.

Harry, Gina e Hermione permaneceram calados olhando um para a cara do outro, até que Lupin interrompeu o silêncio.

- Sentem-se garotos.

Eles obedeceram.

- E como foram de férias?- perguntou ele.

- Boa.- respondeu Gina.

- Pra você, não é mesmo? Pois a Srta. deu muita dor de cabeça à Molly, onde já se viu? Ir sozinha para Greelin.- ralhou Lupin sem abdicar do tom brincalhão.

Gina outorgou um maroto e lançou um olhar significativo à Hermione que baixou a cabeça para não rir. Harry não pôde deixar de perceber algum traço dos gêmeos em Gina.

- Como conseguiu chegar até lá?- perguntou Lupin sem perceber o olhar entre Gina e Hermione.

- Não foi tão difícil.- disse Gina com ar de triunfo.- Peguei carona em uma chave de portal que ia para Gringotes, já em Londres peguei um trem trouxa até Greelin.

- Tem certeza que foi isso?- perguntou uma voz vinda da porta da cozinha. Todos se viraram Harry viu um homem ruivo, não tão alto quanto Gui, mas forte. Era Carlinhos Weasley.

- Carlinhos!- disse Gina correndo para abraçá-lo.- Não sabia que você estava aqui.

- Venho semana sim e outra não, a ordem não tem mais tanta necessidade de mim na Romênia.- disse.- Converti pessoas suficientes por lá, e com os problemas que estamos tendo por aqui, mamãe tem precisado muito de mim.

- Ah!- fez Gina. Aparecia sempre uma sombra em seu rosto quando falavam sobre o seqüestro de Gui.

- Mas você tem certeza que foi daquela forma que você chegou a Greelin, Gina?- perguntou ele procurando olhar nos olhos da irmã.

- Daquele jeito como?- perguntou Gina hesitante, Harry viu que ela olhava para Hermione.- De Trem?

- Isso.- disse Carlinhos.

- Foi sim, fui de trem.- disse Gina.

- Achei um tanto quanto estranho quando Tobias nos contou. - explicou Lupin.

- Temos controlado boa parte das linhas de trem que saem de King Kross.- disse Carlinhos.- Trouxas e bruxas. E é estranho que você tenha passado por essa fiscalização.

- Tivemos que intensificá-la, após o incidente.- disse Lupin.

- È! Realmente era preciso.- disse Gina, as maçãs do rosto ligeiramente avermelhadas.- Já que não foi difícil despistar a fiscalização.

- Que notícias temos sobre o mundo pós retorno oficial de Voldemort?- cortou Hermione.

- Muita coisa tem acontecido ao mesmo tempo.- informou Lupin.- Após pegarem o Gui, Lúcio Malfoy fugiu de Azkaban com metade dos comensais que lá estavam. É bem complicado manter bruxo das trevas presos com uns poucos aurores vigiando.

- Cornélio Fudge está sofrendo um inquérito.- disse Carlinhos.- A corte suprema de Bruxos investiga focos de corrupção no ministério britânico. Também, depois daquela festa de início de verão...

- Festa?- perguntou Harry.

- È! É o carinhoso apelido dado ao incidente ocorrido no Departamento de Mistérios.- explicou Carlinhos.- Não é comum quatorze comensais entrarem no Ministério sem serem percebidos, invadirem o departamento de mistérios, serem seguidos por seis estudantes, e ainda provocarem toda aquela quebradeira.

- Realmente.- concordou Hermione que bebia cada palavra.- E... descobriram alguma coisa?

- Sim!- disse Carlinhos.- Bastante coisa. Muita lama inútil é claro. Mas alguma coisa salva. Descobriram, por exemplo, que Lúcio Malfoy havia conseguido, no verão passado, uma autorização para o uso da maldição Imperius. Não se sabe que assinou a autorização, só encontraram o registro dela. Dessa forma, quando ele usava o feitiço, o ministério não ficava sabendo. Supomos que foi com isso que eles invadiram o ministério.

- É um bom palpite.- concordou Hermione.

- A casa de Lúcio Malfoy não tardará a se tornar o novo alvo da Corte Suprema. Mas ele sabe esconder uma lugar quase tão bem quanto Dumbledore. Há inclusive quem diga que a sede dos comensais é lá.- comentou Lupin.

- Outro alvo de comentários é a estadia de Umbridge em Hogwarts.- prosseguiu Carlinhos.- A escola careceu de reforma durante as férias. Dizem que a revolta dos alunos contra a ditadura de Umbridge foi degradando aos poucos o castelo.

O Trio sorriu.

- Você tem sido muito elogiado.- completou virando-se para Harry.- “O menino que sobreviveu novamente”, dizem as manchetes. Qualquer coisa a seu respeito tem feito o maior estardalhaço e não raramente sua foto é vista na primeira página de algum jornal ou revista.

- Até o Sr. Lovegood ganhou a crítica junto com você.- riu Lupin.- O único que acreditou em Potter, dizem.

Carlinhos riu também.

- Tem-se falado sobre animagos ilegais também.- disse ele.

- Pedro resolveu dar as caras.- rosnou Lupin.- Foi visto na Travessa Trancoso.

- E o que será feito a respeito disso?- indagou Hermione.- Quero dizer, Sirius também era um animago ilegal...

- Para Pedro ou Sirius isso não causará danos.- explicou Lupin.- Pedro forjou a própria morte e se for capturado responderá a um processo por conta disso. Então, como ele está vivo, ficaria provada a versão que Sirius apresentou sobre a morte dos Potter.

- A morte de Sirius tem sido comentada também. - disse Carlinhos. Harry ajeitou-se em sua cadeira.

- Como souberam disso?- perguntou Hermione.

- Belatriz Lestrange não foi pra Azkaban, foi o único comensal que escapou do ministério naquele dia.- explicou Lupin, observando Harry pelo canto do olhos.- Aparentemente ela achou que seria divertido contar ao mundo que dessa vez Black não escapou!

- Mas, e sobre ele ser animago ilegal?- perguntou Hermione.

- Isso não era novidade pra ninguém, não é mesmo?- disse Lupin.- E além do mais, os ventos estão a favor dele agora.

- Como assim?- perguntou Hermione, ela ainda olhava Harry.

- Dumbledore me deu uma espécie de missão.- disse Carlinhos.- Que é, talvez, o que me trouxe de volta a Londres.

- Que tipo de missão?- perguntou Gina que até agora prestava atenção na conversa calada.

- Após vazar a história sobre Petgrew, Dumbledore me procurou.- disse Carlinhos.- Sabe, durante a minha estada na Romênia eu estive fazendo alguns cursos lá. Direito para bruxos foi um deles.- ele fez uma pausa. Lupin olhava para Harry. Hermione notou que ele também se sentia incomodado com a morte do amigo.- Procurei a Suprema Corte e consegui reabrir o caso Sirius Black.

- Pra quê?- perguntou Harry de repente, seu tom de voz era levemente agressivo. “Porque eles insistem em falar sobre Sirius na minha frente?” pensava, “Será que ninguém consegue perceber que eu não posso agüentar isso?”

Todos olharam para ele.

- Foi o que eu perguntei a Dumbledore quando ele me pediu que o fizesse.- disse Carlinhos.- Ele disse que Sirius foi um grande bruxo e que sua morte não deveria ser lembrada como a derrota de um assassino, mas como a despedida de um herói.

- E isso por acaso vai trazê-lo de volta?- perguntou Harry.

- Não.- disse Carlinhos parecendo muito incomodado com a situação.

- Então pra quê?- perguntou Harry se levantando.- PORQUE VOCÊS NÃO O DEIXAM DESCANÇAR EM PAZ, SIMPLESMENTE?!

Hermione ouviu a Sra. Black gritando lá fora. Provavelmente não era pelo grito de Harry, alguém devia ter chegado.

- Não precisa gritar, Harry.- foi o que Carlinhos disse.

- Sente-se novamente, Harry.- pediu Lupin

- EU NÃO QUERO ME ASSENTAR!- gritou Harry.- PORQUE TODO MUNDO AGE COMO SE FOSSE SIMPLES EU ME CONFORMAR?

- O que está acontecendo aqui?- perguntou uma voz seca vinda, mais uma vez, da porta da cozinha.

- Boa noite, Snape.- cumprimentou Carlinhos.

- FOI ELE!- gritou Harry.

- Do que está falando, moleque?- perguntou Snape.

- FOI POR CAUSA DELE QUE SIRIUS MORREU!- Gritou Harry que resistia aos esforços de Lupin em fazê-lo sentar. Ele tinha um dedo apontado para Snape.

- Não diga tolices, garoto. - disse Snape mantendo o rosto impecavelmente sério.

- FOI CULPA DELE!- insistiu Harry.- SE ELE TIVESSE NOS LIVRADO DE UMBRIDGE... SE ELE TIVESSE ME ESCUTADO QUANDO EU FALEI DE SIRIUS... NÓS NÃO TERÍAMOS IDO AO MINISTÉRIO!

- Harry, acalme-se.- disse Lupin mais uma vez, puxando Harry pelos ombros para que ele se assentasse.

- CALMA?! VOCÊ DEVIA SABER DISSO TAMBÉM, LUPIN! FOI POR CULPA DELE QUE SIRIUS MORREU! DELE! SOMENTE DELE! DE MAIS NINGUÉM! - ele ainda apontava para Snape.

- Cale-se, garoto! Você não sabe o que diz.- disse Snape.- Se você ao menos tivesse levado a sério as aulas de oclumência que ministrei...

- CALE A BOCA VOCÊ!- disse Harry.- SE VOCÊ NÃO TIVESSE SE ACOVARDADO E TIVESSE CONTINUADO ME DANDO AULAS TALVEZ EU APRENDESSE ALGUMA COISA.

- Tss!- fez Snape.- Igualzinho ao pai. Impetuoso e irritante.

- É, COVARDE SIM! SÓ PORQUE VOCÊ FOI HUMILHADO POR MEU PAI E POR SIRIUS NA FRENTE DE TODO MUNDO, UM DIA!-

Harry parecia infreavel. Gina olhava pra ele boquiaberta. Hermione não sabia o que fazer.

- Pára com isso, Harry!- disse Lupin.

O lábio inferior de Snape tremia, seus olhos subitamente brilhavam de ódio.

- CONTE PRA TODO MUNDO PORQUE VOCÊ DEIXOU SIRIUS MORRER! CONTE: PORQUE VOCÊ O ODEIA!- gritou Harry.

- CHEGA HARRY.- gritou Hermione ficando em pé e dando a volta para segurar Harry.- Pára com isso!

- Cale a boca garoto, você não sabe o que está dizendo.- disse Snape, sua boca tremia muito agora.- Igual a seu pai e ao amiguinho dele, impulsivos, não pensam no que fazem ou falam. Idiotas!

- CALA A BOCA! EU NÃO TE DEI LIBERDADE PRA FALAR DO MEU PAI!- disse Harry.

- Pára Harry.- disse Hermione segurando os ombros dele.- Vamos, vamos lá pra fora, vamos ver como está o Rony.

Harry tremia, mas, relutante, seguiu com Hermione. Gina hesitou em ir atrás, já ia se levantando.

- Fica aqui.- disse Carlinhos.

Ela se assentou novamente.

- Está vendo, Lupin!- disse Snape.- Ninguém me dá ouvidos quando digo que o garoto pensa estar acima de todas as leis.

- Não vejo nenhuma lei aqui, Snape.- disse Lupin.

- Tsc.- fez Snape.- Me refiro às leis da ética.

- Ética?- perguntou Lupin

- Sim.- disse Snape.- Vai me dizer que não sabes a que Potter se referia.

- Talvez.- disse Lupin.

- Imaginei que soubesse por que parei de ministrar as aulas de Oclumência. - disse Snape.

- Sim, ele nos contou.- disse Lupin.

- Nos contou?- perguntou Snape.

- Sim. A mim...- disse ele.- E a Sirius.

- Você deve se lembrar daquilo tão bem quanto eu, não é mesmo?- disse Snape.- De que valia o seu distintivo naquela época se nem em seus amigos era capaz de por freios.

- Ao menos eu tinha um distintivo.- disse Lupin.- Mesmo sendo mestiço, lobisomem e apesar de ser tudo o que você odeia... eu tinha um distintivo. E você, tão obviamente nobre, não.

Snape mais uma vez crispou a boca.

- Não foi pra prosseguir com essa discussão que você veio aqui, Severo.- Disse Carlinhos Weasley se levantando.

-Realmente.- concordou Snape.- Onde está Minerva?- completou.

- Está no escritório.- disse Carlinhos.- Você conhece o caminho.

Snape concordou com a cabeça e em seguida saiu. Lupin soltou um suspiro.

-Sujeitinho irritante.- comentou se assentando novamente.

- Harry tem que aprender a se controlar.- disse Carlinhos.- Ele não pode sair gritando desse jeito em qualquer lugar.

- Ele ainda está inconformado, Carlos.- disse Lupin.

- Mesmo assim.- disse Carlinhos.- Espero que ele e Snape não se encontrem novamente no corredor.

- Dumbledore não contou a ele o que é aquele véu.- disse Lupin, ele parecia ter esquecido que Gina ainda estava ali.

- Talvez ele devesse saber.- disse Carlinhos.- Vou precisar dele calmo no processo.


*


- Harry, porque você fez aquilo?- perguntou Hermione no corredor do segundo andar.

- A culpa foi dele, Mione, foi dele.- choramingou Harry.

- Acalme-se.- disse Hermione.- A culpa ser ou não dele... nada vai adiantar, Harry. Ele não vai voltar. Ele se foi e você tem que se conformar com isso.

- Ele não podia morrer, Mione.- disse Harry, Hermione via as lágrimas enchendo seus olhos.- Vê? Sua inocência será provada, eu finalmente poderia morar com ele. Eu nunca mais precisaria ver os Dursley.

- Oh Harry!- disse Hermione abraçando o garoto.

- Eu ia ter uma família de verdade.- disse Harry.- Ele não podia ter feito isso comigo. Não podia!

- Não há nada que você possa fazer, Harry.- disse Hermione.- Ele morreu.

- Por que?- perguntou Harry.- Porque todas as pessoas importantes pra mim têm de morrer?

- Não diga isso, Harry!- disse Hermione comovida.- Você ainda tem o Rony, você ainda tem a mim.

- Mas por que?- disse Harry.- Eu só queria um motivo.

- Talvez algumas pessoas precisem ser sacrificadas para dar sentido à vida dos que ficam, Harry.- disse Hermione no momento em que uma porta se abriu um pouco à frente. Dela saiu Tonks.

- O que está acontecendo aqui?- perguntou ela. Gina vinha subindo as escadas.

- Harry se descontrolou enquanto conversavam sobre Sirius.- explicou Gina.- E discutiu...- ela olhou para Harry e Hermione assentados no chão no meio do corredor.- ...com o professor Snape.

- Oh, por Merlim !- Disse Tonks.- Harry! É melhor você descansar um pouco, Hermione e Gina, Molly quer falar com vocês.

Hermione e Harry se levantaram. Os três seguiram até o quarto. Tobias não estavam mais lá. Rony, de pijama, dormia e roncava alto. A Sra. Weasley estava assentada ao pé da cama do garoto, parecia brava. Harry entrou primeiro e se jogou em sua cama, não queria que ninguém visse que ele havia chorado. Tampou o rosto nos braços e ficou ali, imóvel. Hermione ficou em pé, ao lado da porta. Gina se assentou aos pés da cama de Harry.

A Sra. Weasley olhou para cada um deles.

- Como foi que vocês deixaram o Rony ficar nesse estado?- disse ela.

- Sinto muito Sra. Weasley.- disse Hermione.

- Nós não sabíamos que ele andava bebendo, mamãe.- disse Gina.

- Não sabiam? Como não sabiam?- perguntou ela.- E você? Gina Weasley? Como é que me viaja quilômetros, sozinha e sem avisar, ein?

- Desculpe, mamãe.- murmurou Gina em tom baixo.

- Desculpe? Se você tivesse pedido, teríamos mandado lhe buscar.- disse a Sra. Weasley.- E era o que iríamos fazer. Mas quando Tonks chegou lá, o Sr. Lovegood não sabia dizer onde você estava! Ficamos preocupadíssimos, eu e seu pai.

- Sinto muito Sra. Weasley. Mas sobre o Rony, talvez a culpa tenha sido minha.- disse Hermione. Harry levantou o rosto e olhou para ela.

- Como querida?- perguntou a Sra. Weasley.

- Você me pediu para que eu não deixasse os garotos irem atrás de Gui, então achei que seria melhor deixar o Rony enturmado com as garotas trouxas. Eu tinha ciência de que elas não eram as melhores companhias, mas foi a única maneira, que encontrei, de tirar as preocupações do Rony. Me desculpe.

- Não se culpe querida.- disse a Sra. Weasley sorrindo para ela.- Você não é responsável por ninguém, se existe um verdadeiro culpado este se chama Rony Weasley! Espere só até ele acordar.

Harry tinha a cabeça novamente enfiada no travesseiro. Escutava o sermão que a Sra. Weasley passava em Gina. Sentia-se exausto. Já devia ser tarde. Gina agora narrava para a mãe como chegara a Greelin, e repetia várias vezes que o importante é que estava bem. Então Harry sentiu uma fisgada na testa, seguida de uma segunda e uma terceira, até que a fisgada se transformou em dor permanente. Ele afundou mais o rosto no travesseiro, mas a dor só aumentou.

Ele se levantou ligeiro, já não ouvia o que dizia a Sra. Weasley. Hermione estava calada assentada no canto do quarto, apenas observando tudo. Ela o examinou atentamente, com o canto dos olhos, quando ele levantou. A dor crescia e ele começava a achar o quarto abafado, resolveu sair e procurar um lugar mais fresco.

Deixou o quarto. Ainda sentia os olhos de Hermione pregados nele. Assim que fechou a porta escutou mais um urro da Sra. Weasley.

- Bom dia Sr. Ronald Weasley!- dizia ela.- Pode começar as suas explicações...

Harry atravessou o corredor e subiu dois lances de escada até o quarto andar. A cicatriz ainda doía. Caminhou até uma grande porta no final do corredor. Ao se aproximar pensou em onde estaria Monstro. “Espero que tenha morrido” disse para si mesmo, “aquele traidor”.

Harry abriu a porta. Ele já sabia o que havia por trás dela. Já estivera ali, uma vez antes. Era o antigo quarto de Sirius. Era um quarto largo com uma larga cama de colunas ao centro. Na parede atrás da mesma havia um quadro de um garoto de sete ou oito anos, os cabelos muito negros, o rosto bonito. Havia ainda um comprido armário em uma das paredes. Na parede oposta ao armário havia uma janela, que agora estava aberta. Harry estranhou que o quarto estivesse perfeitamente limpo. Talvez a Sra. Weasley ou Lupin o mantivesse assim, por puro capricho.

Sentiu uma enorme vontade de abrir os armários, hesitou por um momento. Queria encontrar qualquer coisa que pudesse trazer boas lembranças do padrinho. Caminhou até a cama de colunas e se assentou ali, ponderando abrir ou não o armário. Estava tão compenetrado em sua questão que nem ouviu a porta do quarto de abrir novamente e Lupin entrar por ela.

- Está pensando se deve ou não mexer nas coisas de Sirius?- perguntou Lupin após observar Harry por alguns minutos.

Harry olhou num misto de surpresa e vergonha pra ele. Só agora notou que a cicatriz parara de doer.

- Na verdade- disse Harry.- Sim.

- Vá em frente. - disse Lupin se assentando ao lado de Harry.- Não tenha medo.

- Eu só fico pensando, se ele não acharia ruim se ainda estivesse aqui.- disse Harry.

- Lhe garanto que não.- disse Lupin.

Harry olhou para ele e sorriu. Então se levantou e caminhou até o meio do armário e abriu uma das portas do mesmo. O armário era estranho por dentro, apesar de cumprido era raso. Harry olhou para trás como se esperasse que Lupin dissesse “Vá em frente”, mas ao invés disso ele balançou a varinha e todas as outras portas do armário se abriram. Harry recuou. Havia uma infinidade de coisas por ali. Uma número significativo de livros, alguns deles - Harry pode identificar – usados em Hogwarts. Havia também o que parecia uma pilha de porta-retratos. Alguns frascos com poções e muitos e muitos pergaminhos enrolados, caprichosamente organizados. Nas portas restantes havia algumas poucas roupas, em sua maioria velha e esfarrapada.

- Como você pode ver, Sirius foi o maior sucateiro que já existiu.- disse Lupin.

- Ele guardava as coisas de Hogwarts?- perguntou Harry olhando para Lupin.

- Sabe, durante o verão eu estive dando uma olhada nisso aí. Lógico que coloquei tudo como estava novamente, mas examinei item por item.- disse Lupin.- E há muito mais coisa aí do que se possa imaginar.- Ele sorriu.

Ouviu-se um tac e Fred apareceu no quarto.

- E aí Harry, como vai?- disse ele.- Mamãe mandou chamar vocês dois pro jantar.

- Já vamos.- disse Lupin.

- Se eu fosse vocês não demoraria muito. - Completou.- Ela está uma pilha por causa da ressaca do Rony.

Tac

Harry não queria jantar, sentia uma enorme vontade de, como Lupin, examinar item por item daquele armário. Na verdade não se sentia à-vontade com Lupin ali. Resolveu almoçar e voltar mais tarde.

O jantar foi animado. Fred, Jorge e Carlinhos ficaram para jantar. Rony já estava de pé, e, a todo o momento a Sra. Weasley olhava de cara feia pra ele. Para o alívio de Harry, Snape já havia partido. Tonks e Tobias também se juntaram ao grupo. O Sr. Weasley chegou apenas no final, junto com a Professora McGonagall.

- Parto depois de amanhã.- disse ela.- Dumbledore pediu que eu estivesse lá pelo menos dois dias antes das aulas começarem.

- Espero que aquele nosso esquema dê certo.- disse o Sr. Weasley.

Harry tinha os ouvidos em pé. Ele estava assentado defronte a Gina e Hermione, pelo que ele notou que elas também escutavam.

- Hogwarts é segura, Arthur.- disse a professora.- E com as novas medidas que tomamos, será praticamente impossível alguém que não seja convidado conseguir chegar até lá.

- Eu realmente espero que assim seja.- disse o Sr. Weasley, ele parecia levemente preocupado.

- Ei Crianças!- chamou a Sra. Weasley.- Está na hora de irem para a cama. Não podemos deixá-los aqui por mais tempo, temos que arrumar as coisas para a reunião.

- Reunião?- perguntou Harry assim que os três alcançaram o primeiro andar. Rony, Fred e Jorge foram os primeiros a se retirar da cozinha.

- Pelo que escutei mais cedo é a última reunião da ordem antes do regresso a Hogwarts.- explicou Gina.

- Ah!- Fez Harry assim que chegaram à porta do quarto dos garotos.

- Boa noite, Harry.- disse Gina.

- Boa noite.- respondeu Harry.

- Espero que você durma bem.- disse Hermione, Harry olhou para ela que sorria. Sorriu também, imediatamente uma sensação de enorme conforto tomou conta dele. Gina pigarreou.

- Boa noite.- completou Harry e entrou para seu quarto.

- E aí Harry!- disse Jorge. Ele, Fred e Rony estavam a um canto do quarto junto a uma enorme caixa.

- Noite.- disse Harry.

- Mamãe te xingou também?- perguntou Rony.

- Não!- respondeu Harry. Ele se assentou em sua cama, e abraçado aos joelhos ficou observando os três irmãos. Rony ainda comentou qualquer coisa, mas estava bem mais interessado nas coisas que não paravam de tirar da caixa. Harry lembrou-se do quarto de Sirius. Silenciosamente saiu do quarto e subiu as escadas.


*


- Mione, eu sei que você vai negar, mas...- começou Gina. As duas garotas estavam no quarto que dividiam na Casa dos Black. Gina estava assentada em sua cama, já de camisola, Hermione penteava os cabelos volumosos diante de uma penteadeira.- Está acontecendo alguma coisa entre você e o Harry.

Hermione olhou Gina através do espelho, mas não respondeu nada.

- Desde que vocês fizeram as pazes estão assim.- disse Gina.

- Assim como?- perguntou Hermione.

-É!- fez Gina.- Assim! Trocando olhares comprometedores, sorrisinhos discretos.

- Não tem nada disso.- disse Hermione virando-se para trás para ver Gina melhor.- é impressão sua, já disse.

Gina franziu a sobrancelha, deu ombros e puxou as cobertas.

Ouviram-se passos. Bichento miou. Alguém atravessava o corredor. Hermione olhou novamente para Gina. Ela já parecia adormecida. Levantou-se e saiu do quarto.

Harry finalmente chegou à porta do quarto de Sirius. Sem hesitar, entrou. A janela estava fechada agora, mas as portas do armário permaneciam arreganhadas. Harry se assentou na cama, no mesmo lugar onde anteriormente estivera Lupin. Olhou atentamente por todas as portas do armário até que algo parecido com uma bacia de pedra lhe chamou a atenção. Os olhos de Harry brilharam, era uma penseira.

Ele caminhou até lá, mas quando ia tocá-la a porta do quarto se abriu. Harry olhou exaltado para a mesma. Hermione estava parada ali.

- Ah! Era você!- disse ela.

Harry concordou com a cabeça.

- O que faz aqui?- perguntou, se arrependendo em seguida.

- Me lembrando...- disse Harry baixando a cabeça, recuando e se jogando na cama em seguida.

- Hum!- fez Hermione. Ela olhou Harry ali, jogado na cama. Parecia infeliz. Sem que pudesse conter, um arrepio lhe subiu a espinha, seguido de um calafrio de mau pressentimento. Harry pareceu reparar.

- O que foi?- perguntou ele.

Ela estava séria. Caminhou até a cama e se assentou ao lado de Harry.

- Não sei.- ela respondeu finalmente.- Não acredito muito nessas mas acho que acabei de ter um presságio.

- Um o que?- perguntou Harry meio sem entender.

- Não sei bem.- explicou Hermione.- Quando olhei você tive um arrepio, um pressentimento, como se algo estivesse me dizendo pra tomar cuidado, que algo de ruim vai acontecer.

Harry deu um sorriso doce e com uma das mãos, aonde agora - já sem as bandagens - restava uma fina cicatriz, acariciou os cabelos volumosos de Hermione.

- Nada vai acontecer.- disse Harry.- Nada vai me acontecer.- Completou ele que passeava os olhos pelo rosto da garota. Era tão belo, pensou.- Nada vai nos acontecer.

- Mas quem pode garantir, Harry?- perguntou ela. Sua testa estava franzida e Harry pode ver que havia muito mais medo naqueles olhos castanhos do que ele esperava encontrar. - Estamos em meio a uma guerra. Existem inúmeras pessoas por aí que querem matá-lo. - ela fez uma pausa e engoliu em seco.- Que querem matar todas as pessoas importantes a você.

- Acredita em mim?- perguntou ele ainda acariciando o rosto da garota. Ela fez que sim com a cabeça.- Não vou deixar que nada nos aconteça. E sabe por que posso garantir isso? Pois eu tenho a você!- ele sorriu.- Porque o simples fato de ter você ao meu lado, de saber que você gosta de mim o mesmo tanto que gosto de você. Ah! Isso me fortifica.

- Harry...- fez Hermione, mas o garoto a interrompeu.

- Shhh.- fez ele levando o indicador junto aos lábios macios da garota.- Eu me sinto maior, mais forte, mais poderoso ao seu lado. E eu sei que isso não é utopia, pois sim, eu fico mais forte ao seu lado, eu sou mais forte ao seu lado.

- Ah, Harry!- disse Hermione. Ela nunca imaginara que algum dia ouviria tais palavras vindas de Harry. Hesitou. Era difícil dizer. Era difícil ter que admitir aquilo a si mesma. - Eu te amo.

- Não é utopia.- continuou Harry.- Pois qualquer pessoa se tornaria mais forte ao ouvir um simples “Te Amo” vindo da garota mais inteligente e mais brilhante que eu conheço. E meu coração se aquece por poder te olhar assim e pensar como eu amo essa garota.- Ele sorriu novamente.- Eu lhe amo Hermione Granger.

Hermione havia perdido a fala. Olhava para Harry, no fundo daqueles olhos verdes, com um destemor que ela nuca sentira antes. E mais uma vez aquele momento mágico aconteceu. Os rostos se aproximaram e os lábios quentes de Harry tocaram os seus fazendo com que ela instantaneamente sentisse viajar. Como aquilo tudo era bom. E como era imprevisível essa coisa de amor. Pensava ela, ainda submersa naquele beijo. Amor, aquilo tão simples e tão complicado, que conseguia transformar uma garota séria, discreta, sábia e tão valorosa como ela em uma adolescentezinha romântica que sofre por temer que triste destino o mundo lhe reserva.

Ficaram ali, se beijando, por um bom tempo, até que a porta do quarto bateu. Harry olhou na direção da mesma, exaltado. Hermione então voltou à razão.

- É melhor a gente ir dormir.- murmurou

- È.- disse Harry olhando para a porta. A janela estava fechada, não ventava. Como a porta podia bater sozinha?

- Boa noite, então.- disse ela se levantando.- Não durma muito tarde, vamos ao Beco Diagonal amanhã.

- Beco Diagonal é?- disse Harry sorrindo para ela, esquecendo-se da porta por um momento.- E será que a Srta. Granger toparia um encontro comigo?

- Lá?- perguntou ela, Harry confirmou com a cabeça. Hermione lhe lançou um olhar maternal e, com o tom de voz de quem explica a uma criança pequena o porquê de ir ao dentista, ela disse: - Vamos comprar os materiais, Harry. Todos estarão lá. Inclusive o Rony. O que diria a Sra. Weasley ao nos encontrar em um encontro romântico?

Harry concordou silenciosamente.

- Boa noite.- disse ela sorrindo para ele.

- Não está esquecendo nada?- perguntou o garoto.

- Acho que não.- disse Hermione.

- Está sim.- disse Harry se levantando.- Isso.- e lhe deu um beijo suave.- agora pode ir.

- Seu bobo!- disse Hermione.- Até a manhã.- e dizendo o último ela saiu. Harry se jogou na cama de Sirius novamente. Ficou ali olhando o teto por algum tempo. Sentia uma felicidade tão grande naquele momento. Felicidade como há muito tempo não sentia. Acabou adormecendo.


*


Hermione seguiu até seu quarto. Sentia que algo tinha dado errado. Bichento surgiu de um canto e a seguiu. Ela entrou silenciosamente no quarto e respirou aliviada ao ver que Gina estava em sua cama, ao que parecia dormindo. Porém, seu alívio durou pouco. A respiração de Gina estava rápida como se tivesse corrido. Pessoa alguma respira daquele jeito enquanto dorme. Então Bichento miou. Hermione virou-se para ele. O gato tentava arrancar alguns pelos muito vermelhos agarrados à dobradiça da porta.

Hermione gelou. Gina tinha acordado e, em sua forma animaga, seguido até o quarto de Sirius; chegando lá a flagrou junto a Harry e, ao sair correndo, bateu a porta acidentalmente.

Caminhou lentamente até a porta, abaixou-se e apanhou os pelos vermelhos. Apertando-os na mão como numa tentativa de fazê-los desaparecer para pudesse acreditar que era uma ilusão ou um sonho, Hermione seguiu até a penteadeira e soltou-os ali. Jogou então numa poltrona ao canto do quarto e ficou ali com a cabeça baixa, pensava no que diria a Gina. Ouviu a garota se levantar e recostar-se na cabeceira da cama.

Seguiu-se um longo silêncio. Hermione mantinha a cabeça baixa, porém sabia que os olhos castanhos de Gina a examinavam. Finalmente Gina falou.

- Você está se sentindo bem?- perguntou ela.

Hermione levantou o rosto sem entender.

- Você está pálida. - completou.- Está se sentindo bem?

- Sim.- respondeu Hermione se sentindo extremamente aliviada.

- Ah! Fiquei preocupada. Fui até o quarto de mamãe e você não estava aqui.- disse Gina e sorrindo apanhou algo na mesinha de cabeceira.- Veja o que Hogwarts mandou.- era um distintivo.- Agora sou monitora também.

- Oh Gina!- disse Hermione.- Meus parabéns.


*


- Harry, Harry querido!

Harry abriu os olhos. Era a Sra. Weasley. Tinha adormecido na cama de Sirius.

- Venha tomar o café, querido.- disse ela docemente.- Vamos ao Beco Diagonal.

Harry apanhou os óculos caídos ao seu lado e os colocou. Pouco atrás da Sra. Weasley estava parado Lupin.

- Eu disse que o encontraria aqui Molly.- foi o que ele disse. Parecia sério.

- Eu lhe disse que era melhor manter este quarto fechado.- retrucou a Sra. Weasley secamente. Harry logo supôs que ela devia ter trovejado pra cima de todos ao chegar ao quarto dos garotos e não encontrá-lo.

- Não há problema algum em Harry ter acesso às coisas do padrinho.- disse Lupin enquanto os três seguiam pelo corredor em fila indiana.

- O Padrinho de Harry morreu!- disse Molly.- Ter acesso às coisas dele só trarão recordações e lembranças que poderão ser dolorosas a Harry.- Harry se esforçava para fingir que não ouvia a discussão. Era incrível o tanto que aquele assunto o irritava.

- Acho que Harry teria ficado feliz se pudesse ter acesso às coisas dos pais dele também.- disse Lupin.

- Ah Remo. Se Dumbledore pensasse assim isso já teria ocorrido.- disse Molly Weasley.

Harry seguia na frente. Após a última frase da Sra. Weasley ele não escutava mais o que os dois discutiam. Algo havia chamado sua atenção. “Se Dumbledore pensasse assim isso já teria ocorrido.” Mas acesso ao que? Será que havia algum lugar onde estavam guardadas coisas pertencentes à seus pais ou ela se referia às coisas de Sirius? Sua cabeça latejava um pouco quando entrou na cozinha e encontrou Gina, Hermione e Ronyi.

- Bom dia, Harry!- disse Rony com a boca cheia de bolo quando Harry entrou.- Aonde você dormiu?

- Estive no quarto de Sirius.- disse Harry.- Acabei adormecendo por lá.

Dizendo isto ele se assentou ao lado de Rony. Sentia-se mau-humorado. Se concentrou tanto na torrada que lhe fora servida, que nem observou os olhos castanhos de Hermione o observando enquanto Gina olhava de um para o outro.

- Estou ansioso para irmos ao Beco Diagonal.- disse Rony sorridente.- Antes de partir para a casa de Mione, Jorge me prometeu uma vassoura nova.

- Uma vassoura nova só serve pra alguma coisa se você continuar tão bom quanto no último jogo da temporada passada.- riu Gina. Rony ficou muito vermelho.

- Estive treinando bastante no começo das férias.- respondeu entredentes.- Mas e você, Gina?

- O que tem?- perguntou a garota.

- Nem tem vaga no time...- riu Rony.- Agora que o Harry vai voltar a jogar.

- Ah! Lógico.- respondeu ela ainda sorridente.- Vou me candidatar a Artilheira.

- Falando nisso, quem será o novo capitão?- perguntou Rony olhando para Harry.

- Não sei, mas acho que dessa vez vão nomear o Harry.- disse Gina.

- Eu?- perguntou Harry engasgando. Estivera com a cabeça tão cheia durante as férias que nem se lembrara disso.

- È mesmo! Não seria uma má idéia.- concordou Rony.

- Ei, Crianças!- interrompeu a Sra. Weasley.- Já estamos atrasados.

- Ainda tenho que me trocar.- respondeu Harry e rapidamente se retirou da mesa.

Quando estavam todos prontos, partiram para o beco Diagonal. Foram de Flu. A Sra. Weasley na frente, seguida por Tonks, Gina, Hermione, Rony, Lupin, Harry e finalmente Carlinhos, fechando “comboio”.

O Caldeirão Furado parecia mais cheio e movimentado do que o normal. Estava abusivamente enfumaçado graças a um grupo de bruxos forasteiros que fumavam enormes cachimbos. Havia uma confusão de vozes e línguas.

- Venham aqui! Venham.- Chamou a Sra. Weasley reunindo todos a um canto.- Escutem! Não quero nenhum de vocês falando com estranhos e muito menos andando pelos lados da Travessa Trancoso, escutaram?- e dizendo o último ela olhou para Harry e Rony.- E se alguém se sentir perdido vá direto para a loja dos gêmeos.

Todos concordaram com a cabeça e logo os quatro garotos saíram para o beco. Os adultos ficaram no caldeirão furado. Tinham qualquer coisa da Ordem para fazer.

- Este lugar está esquisito.- Comentou Hermione.

- Cheio como nunca esteve.- completou Rony.

- É a guerra.- cantarolou Gina enquanto olhava uma faixa sobre a placa de uma loja “Prepare-se para o pior! Compre um kit Phill´s e proteja a sua casa!”

- Aonde vamos primeiro?- perguntou Harry consultando sua lista.

- Eu vou até a Floreiros e Borrões.- disse Hermione.

- Vou com você!- disse Gina.

- Não é melhor irmos todos?- ponderou Harry.

- Não! Eu vou ir até a loja de Fred e Jorge.- disse Rony.

- Nos veremos mais tarde.- disse Gina.- E não dê sopa por aí.- completou.

Rony se separou do grupo e os demais seguiram para a Floreiros e Borrões.

- Vou ao andar superior procurar alguns livros, Mione.- disse Gina antes de a subir velozmente, as escadas da livraria.

- O que foi Harry?- perguntou Hermione ao ver que o garoto a olhava com cara de dúvida.

- Que tipo de livro a Gina foi procurar lá em cima?- perguntou. - Pelo que sei lá só ficam os livros de magia avançada.

- E daí?- perguntou Hermione como se uma aluna do quinto ano estudar magia avançada fosse normal.- Depois achar toda minha lista também vou lá escolher alguma diversão para este ano.

- Diversão?- perguntou Harry.- Tenho medo de pensar no que você está transformando a Gina.

Hermione não respondeu, apenas deu um sorriso maroto.

- Desde o primeiro verão que você passou na casa dos Weasley, Gina não é mais a mesma.- concluiu Harry.

- Você se refere ao fato de ela ter amadurecido, de ter crescido fisicamente ou de ter aprendido a usar a inteligência que tem?- perguntou Hermione enquanto apanhava um livro de poções para o 6o ano em uma prateleira.

- Os três, provavelmente.- disse Harry.

- Eu não precisei fazer muita coisa, Harry.- explicou Hermione com simplicidade.- Foi como libertar um pássaro. Foi só abrir a gaiola que ela voou.

- Pode até ser, mas não é o que parece. - disse Harry.

- Sabe qual é a verdade?- perguntou Hermione.- As pessoas sempre fizeram pouco da Gina. Ela é a caçula de sete. A única garota. Todos os seus irmãos já fizeram grandes coisas. Carlinhos e Gui seguiram uma boa carreira. Fred e Jorge sempre foram únicos, antes mesmo da loja que é um verdadeiro sucesso. Rony é o seu melhor amigo e ela sempre foi apenas a Gina. O que ela fez foi se mostrar.

- Pode até ser, mas ainda acho que você passou a sua doença para ela.- disse Harry.

- Gina retém muito mais poder do que se imagina.- concluiu Hermione depositando uma pilha de livros sob o balcão.- Vou lá em cima, você vem comigo?


*


- Veja quem está aqui.- disse uma voz maliciosa.

Gina, que lia atentamente a introdução de um livro sobre bruxaria metamorfa, virou-se para trás levemente sobressaltada.

Estava ali, parada, a figura de um garoto pálido, os cabelos louros platinados jogados para trás e olhos cinza cintilantes e maliciosos. Ele não devia ter muito mais que a altura dela própria e apesar de todas as outras características, tinha o rosto fino e delicado - como o de um bebê - o que o tornava incrivelmente atraente. Era Draco Malfoy, e para surpresa de Gina, estava sozinho.

- Se não é a Srta. Weasley pobretona!?- completou e sua boca fina se contorceu em um sorriso.

- Muito me admira que você ainda tenha coragem de sair, sozinho, depois de tudo o que se sabe sobre a sua família. - retrucou Gina.

- Ao menos o meu irmãozinho não foi seqüestrado. - respondeu Draco.

- Ao menos o meu pai não se deixou ser atingido por um feitiço de uma garota de quarto ano.- disse Gina enquanto virava as costas para o garoto e ia em direção à uma pilha de livros sobre animagos.

Draco deu a volta na pilha de livros e parou defronte a ela.

- Não consigo entender como uma garota tão “poderosa”, tão “inteligente”, tão... ”ah!” Possa pertencer a uma linhagem de bruxos tão indignos.- disse Draco sério.

- O que? Eu pertenço à sua família?!- Perguntou Gina concentrada em um livro de animagia. Draco tomou o livro da mão dela e leu o título.

- Transfiguração avançada.- disse.- Está pensando em virar um animago, é?

- Acho...- disse Gina tomando o livro da mão de Draco.- ...que isso não te interessa!

- Você não precisa ser uma animaga para ser uma gata.- disse sarcasticamente Draco que caminhava atrás de Gina, que por sua vez ia em direção às escadas segurando alguns livros. Ao ouvir a frase ela parou, e depois de fazer um barulho muito parecido com um chiado de um gato se virou e sorriu.

- È impressão minha ou eu estou sendo “cantada” por um Malfoy nojento?- perguntou.

- Entenda como quiser.- disse Draco estreitando os olhos mas sem romper com os olhos de Gina.

“Como ele é ousado!” pensou Gina. “Como conseguia olhá-la daquela forma?”

- Ficou muda Weasley?- perguntou Draco. Ouviram-se passos e Hermione e Harry surgiram, em seguida, pelas escadas.

- Ei! O que está acontecendo aqui?- perguntou Hermione assim que avistou a cena.

- Ah! Estava demorando!- disse Draco finalmente desviando o olhar de Gina.- A Sangue Ruim e o nosso heróizinho estavam mesmo demorando a aparecer!

- O que você quer com a Gina, ein Malfoy?- perguntou Harry entrando entre Gina e Hermione, e Draco.

- Ora essa Potter!- disse Draco rispidamente.- Pensei que você ainda estava de luto.

Harry serrou os punhos.

- Apesar de que eu, sinceramente, teria vergonha se meu padrinho fosse morto por uma mulher.- caçoou Draco.

- Eu lavaria a minha boca com sabão antes de falar sobre Sirius, se fosse você.- sibilou Harry.

- Além de sórdido você ficou machista também?- perguntou Hermione.

- Machista por que? Essa não é a verdade?- perguntou Draco.- Sabe, eu não gostava muito de minha tia Belatriz antes. A achava meio “incompetente” se é que vocês me entendem. Mas depois do ocorrido no ministério... - Ele deu um sorriso.

- Você começou a achar o seu pai um Cerda... - completou Gina. - Era sobre isso que estávamos conversando amigavelmente há pouco.

O sorriso de Draco desapareceu.

- O Malfoy me contaca sobre o quão ele achava o próprio pai desprezível, agorinha mesmo. Doze comensais no ministério contra seis estudantes e ainda assim não deram conta do recado. - Completou Gina.

- Você contou ao Malfoy sobre o feitiço que você lançou no pai dele?- perguntou Hermione.

- Ah! Sim!- disse Gina.- Creio que é esse o motivo dessa cara de quem comeu e não gostou.- completou ela, lançando um último olhar desprezível para Draco e saiu puxando Hermione.

- Venha Harry!- chamou Hermione.

- Babaca!- sibilou Harry antes de sair dando uma ombreada em Draco.


- Não sei se vou me segurar por muito tempo se continuar recebendo provocações como a do Malfoy em Hogwarts.- disse Harry uma hora mais tarde, quando os três saboreavam um delicioso sorvete assentados em uma das mesinhas da sorveteria do Beco Diagonal.

- Você só vai levar esse tipo de provocação à sério se realmente acreditar que o que eles dizem é verdade.- disse Hermione

- Mas essa é a verdade!- disse Harry.

- E qual é o problema existente em Belatriz Lestrange, uma mulher, ter matado Sirius?- interrompeu Gina. Harry olhou para ela.- Poderia ser qualquer outro comensal.

- Mas... - começou Harry.

- Eu disse ao Malfoy que ele estava sendo machista, porém você não está se saindo muito atrás. - disse Hermione séria.

- Mas não foi Lestrange quem matou Sirius Black!- disse uma voz vinda por trás de Gina. Todos olharam e com igual surpresa viram Neville.- Posso me assentar?

- Lógico, Neville, sente-se. - disse Hermione.

O garoto obedeceu. Parecia bem maior do que da última vez que o grupo o vira. Sua voz era mais firme, tinha emagrecido um pouco e seu olhar parecia bem mais desafiador do que costumava ser.

- O que foi que você disse?- perguntou Harry antes de qualquer coisa.

- Vocês estavam falando sobre a morte de Sirius Black, não foi?- perguntou Neville.- Pois então. Eu estava lá, eu assisti à cena. E você também Harry! Você deveria saber.

- Saber do que?- perguntou Harry.- Não estou entendendo o que você quer dizer.

- Belatriz Lestrange estuporou Sirius e só então ele atravessou aquele véu.- concluiu Neville.

- E daí?- despejou Harry.- Ele atravessou o véu não foi? Ele está morto agora não está? Então nada mais me interessa! Se ela simplesmente o machucasse, o ferisse... Tudo bem! Mas não, ela o estuporou e assim ele morreu!

- Se você crescesse assistindo seus pais internados em um hospital, considerados irrecuperáveis, preferia que eles tivessem morrido de uma vez.- disse Neville.

Harry se calou e baixou a cabeça. Todos ficaram calados. Neville pediu um sorvete. E então mais alguém se reuniu ao grupo. Harry levantou o rosto para ver. Era Luna Lovegood. Ela sorriu para o garoto. Ao contrário de Neville, continuava a mesma: tinha os mesmo olhos úmidos e arregalados, a mesma expressão lunática, o mesmo ar sonhador e os mesmos brincos de nabos nas orelhas. O silêncio prosseguiu até que Hermione o interrompeu.

- Aquela ali não é a Cho?- perguntou ela. Harry olhou para trás e foi com um leve susto que percebeu que a garota vinha em sua direção.

- Er... Olá!- disse ela.- humm. Harry! Bom te ver! Será que a gente podia conversar?

Harry, como que num impulso, olhou para Hermione. Ela sorriu amavelmente.

- Acho que sim.- respondeu Harry se levantando. Os dois saíram e se assentaram em uma mesa um pouco distante. Hermione acompanhou os dois com os olhos e quando voltou à atmosfera da mesa seus olhos se encontravam com os de Gina e notou que já estava sendo observada a mais tempo.

- O Harry ainda não se conformou, não é mesmo?- perguntou Luna finalmente.

- Parece que não.- respondeu Neville.

- Sabe, eu entendo o que ele está sentindo. - disse Gina.- Deve ser mais ou menos o que eu sinto quando lembro do Gui.

- Acho que todos aqui devemos saber qual é a sensação.- concluiu Neville.

- A questão toda não é essa!- interrompeu Hermione.

- O que quer dizer?- perguntou Gina.

- O que eu quero dizer é que todos viraram para o Harry e disseram, sim! Sirius Morreu! Mas eu me pergunto como ele morreu?- disse Hermione serenamente. - O Harry nunca quis narrar isso a ninguém!- concluiu.

- Eu estava lá! Eu vi! Mas não há nada de intrigante na morte dele.- disse Neville.

- Nos narre, então.- pediu ela mantendo o tom de voz.

Gina a observava atentamente. Uma das coisas que aprendera com a amiga era observar as outras pessoas. Hermione parecia imersas em pensamentos. Tinha o olhar discretamente vidrado em algum ponto à sua frente, que somente depois Gina notou ser a mesa onde estavam Harry e Cho.

- Bom, ocorriam vários duelos. Eram umas dez pessoas no total, comigo e com o Harry somavam doze.- disse Neville.- Era cinco comensais para cinco pessoas da tal Ordem. Então Dumbledore chegou, todos ficaram paralisaram exceto uma dupla que continuou duelando. Sirius Black e Belatriz Lestrange. Em um minuto Dumbledore começou a vencer todos os demais comensais e juntá-los no centro da sala. Então Belatriz atingiu Sirius com um feitiço estuporante, no impacto ele caiu e atravessou o arco.

Fez-se silêncio. Hermione continuava vidrada. Até que então ela piscou e voltou a olhar para o grupo.

- Eu só me pergunto o que exatamente é aquele arco.- disse ela.

Os olhos de Luna se arregalaram ainda mais e ela sorriu.

- Eu já estive lá uma vez.- ela disse.

Gina soltou um suspiro como se dissesse lá vem ela. Hermione parecia imersa no meio de um raciocínio.

- Onde? No véu?- perguntou Neville.

- Não! Na sala.- disse Luna.- Quando mamãe morreu. Eles empurrarão o caixão através do véu.

- Porque não a enterraram?- perguntou Gina.

- Não sei. Eu tinha nove anos. Não perguntei.

- Não seria legal trouxas acharem o corpo de alguém magicamente deformado.- disse Hermione.

- Como assim?- perguntaram Gina e Neville em uníssono.

- Acidentes mágicos.- disse Hermione.- Um bruxo morre após perder o coração por um feitiço. Porém, não há indícios de que o coração tenha sido extraído. Logo, trouxas ficarão encabulados ao estudar o seu corpo, caso o encontrassem por algum motivo.

- E pra que eles fariam isso?- perguntou Gina.- Abrir um corpo?!

- È a ciência dos trouxas. - disse Hermione.- Houve um cemitério em um determinado lugar, centenas de anos depois, quando a história já se modificou, eles escavam os lugares em busca de detritos, corpos e ossadas que possam traduzir alguns dos mistérios da espécie humana.

- Não seria mais fácil as pessoas escreverem sobre sua história enquanto estão vivas?- perguntou Gina levemente impressionada.

- Eu vi algo sobre isso em estudos dos trouxas.- disse Luna.- É como buscar provas de que os escritos estão certos.

- Exato.- disse Hermione.

- Faz sentido!- murmurou Luna.- Seria estranho encontrar um corpo adulterado.

- Isso não explica muita coisa.- disse Gina.

- O Harry está voltando.- Disse Hermione.

Harry parou diante da mesa, parecia levemente irritado. Assentou-se e ao ver que todos o observavam mudou de idéia e levantou-se novamente.

- Vou visitar os gêmeos, alguém vem comigo?- perguntou ele olhando para Gina e Hermione.

- Eu vou contigo.- ofereceu-se Neville se levantando.

- Eu vou até a floreiro e borrões.- disse Luna.

- E vocês?- perguntou Harry.

- Vamos resolver uma coisa e mais tarde aparecemos.- disse Gina.

Hermione não quis retrucar. Assim que todos se distanciaram Gina se virou para ela.

- Eu estive pensando em uma coisa, que talvez possa nos ajudar a descobrir alguma coisa.- disse Gina aos sussurros como se temesse que alguém a escutasse.

- O que?- perguntou Hermione.

- Eu pensei que você tivesse notado também, mas parece que não.- disse Gina.

- Notado o que? Não estou entendendo aonde você quer chegar.- disse Hermione.

- No verão passado, certa vez, mamãe pediu que eu levasse algumas roupas limpas até o quarto de Sirius Black.- começou Gina.- Quando lá cheguei, ele estava assentado defronte a uma penseira. Então eu disse: “puxa, pensava que só as pessoas praticantes de oclumência usam penseiras.” Ele sorriu para mim e disse: “Eu não a uso para simplesmente esvaziar a minha mente. Ela se tornou um meio de esquecer toda a amargura que eu já vivi.” Então eu perguntei: “Para criar uma felicidade ilusória? Como apagar os problemas e as lembranças ruins e viver apenas de boas recordações?”.

“Ele então, mantendo o sorriso, respondeu: “Ao depositar os pensamentos em uma penseira, a gente não os apaga da cabeça. É como se eles fossem guardados para serem usados depois. ””

- Não estou entendendo bem aonde você quer chegar.- disse Hermione francamente.- Sirius possuía uma penseira. Ok. Ela deve estar em algum lugar daquela casa. Mas isso não ajuda em muita coisa, não sabemos onde ela está nem o que há nela.

- Eu sei onde ela está. E pensei foi isso que pensei que você também soubesse. - disse Gina levemente decepcionada.- Eu a vi ontem à noite. As portas do armário de Sirius estavam escancaradas e, se você olhasse na direção dele, do mesmo do lugar onde estava também a veria.

Hermione sentiu como se tivesse atravessado um fantasma. Engoliu em seco.

- Você esteve no quarto de Sirius ontem à noite?- perguntou Hermione com a voz fraca.

- Sim.- respondeu Gina.- Ei. Não se preocupe. Eu não vou te culpar por ter mentido para mim. Eu entendo. Em seu lugar eu teria feito o mesmo.

- Porque você não me disse quando voltei ao quarto?- perguntou Hermione.

- Eu senti a sua aflição ao entrar no quarto e encontrar os pelos vermelhos. Então menti que tinha ido buscar o distintivo, o qual me foi entregue por Fred assim que você deixou o quarto.

- Gina, eu não quero que você fique pensando qualquer coisa de ruim de mim.- disse Hermione levemente aflita.- Por favor.

- Ah! Mione!- disse Gina.- Me poupe! Eu nunca pensarei qualquer coisa de ruim de você nem que você cometesse o maior dos crimes. E se quer saber, não me surpreendi nem um pouco ao ver vocês dois juntos. Eu sabia antes. Desde o meu primeiro dia em Greelin eu já sabia. E o que eu mais quero é que você e o Harry sejam felizes.

- Obrigado Gina.- disse Hermione pegando na mão da amiga.

- Só me faça um favor.- disse Gina.

- Qual?

- Não deixe que o Rony perceba isso também. - disse Gina.- Ele gosta de você, Hermione. Mesmo sendo uma lesma! Um tapado! E ele não entende bem dessas coisas de amor! Ele não os aceitaria.

- Eu sei. Eu sei.- disse Hermione e de repente ficou séria novamente.- Mas não posso me aprofundar muito nisso agora. Sobre a penseira, continue.

- Ouvi mamãe discutindo com Lupin ontem, pois ele deixou o quarto de Sirius destrancado para que Harry entrasse lá. Provavelmente ele deixou a penseira a vista também.

- Só que o Harry não a encontrou.- concluiu Hermione.- Ou ele teria comentado. Mas como vamos saber o que há lá?

- Simples!- disse Gina.- Você vai lá ver! Eu te ajudo.

- Eu?- perguntou Hermione.- Eu sei que não podemos dizer ao Harry vá até lá e tente descobrir alguma coisa, mas eu não posso fazer isso.

- Porque não?- perguntou Gina.

- É Harry o afilhado de Sirius. Não seria ético eu cuidar disso.- disse Hermione.

- Mione, você agora é a namorada de Harry. Ele não ficaria chateado se você fizesse isso.- disse Gina.


*


- Ei Rony!- chamou Harry ao ver Rony por trás do balcão da loja. Era uma enorme loja. Provavelmente uma das mais pomposas do beco. Havia uma infinidade de diversos artigos por ali. Todo o tipo de coisa que se possa imaginar, desde simples doces até a mais geniosa invenção dos gêmeos.

A Loja estava bastante cheia.

- Ah! Oi Harry!- respondeu Rony.- Venha aqui.

- O que aconteceu? Você está com uma cara...- disse Harry ao dar a volta no balcão.

- A loja de vassouras fechou.- disse Rony

- O que?- perguntou Harry.

- Vocês não viram no jornal?- perguntou Neville.- Dizem que a última vez que o dono dela foi visto, estava sendo ameaçado por dois homens vestidos de negro.

- Na manhã seguinte entregou a licença da loja no caldeirão furado e desapareceu.- completou Fred surgindo pelo fundo da loja.

- Faz um mês.- completou Neville.

Então, como um flash, a imagem de dois homens encapuzados levando Gui Weasley passou diante os olhos de Harry.

- Foram os mesmo que levaram Gui.- ele disse.

- O que?- perguntaram os três em uníssono.

- É!- disse Harry.- Faz um mês que levaram Gui, não é mesmo?

- Realmente.- disse Rony.- Parece ter lógica!

- Mas porque o dono da loja de vassouras?- perguntou Fred.- Se era pra levar dono de algum lugar que nos levassem. Somos Weasleys também não é mesmo?

*****continua*****
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:12

4° Capitulo - O Funeral Dos Potter

- O que temos a fazer é muito simples.- disse Gina aos sussurros. Eu vou até o quarto dos garotos, contar sobre o seu resultado dos N.O.N.s, enquanto isso você vai até o quarto de Sirius e faz o que tem que ser feito.

- Parece fácil.- disse Hermione. As duas estavam em seu quarto. Fazia duas horas que eles haviam chegado de Londres. Todos já haviam jantado.- Tudo bem, então vamos lá.

As duas saíram do quarto. Cada uma seguiu para um lado do corredor. Hermione foi o mais veloz que pode. Logo estava abrindo o quarto de Sirius. Gina dissera que a Penseira estava defronte a ela no lugar em que estivera ao se encontrar com Harry. Não foi difícil encontrá-la.

- Bom, aqui estamos Hermione Granger!- disse ela. Ela sabia bem como usá-la. Harry já havia narrado a experiência uma vez. Ela tocou o líquido prateado com a ponta de sua varinha e este começou a girar. Ela respirou fundo e mergulhou o rosto na penseira se concentrando no que queria ver. A sensação era exatamente como Harry descrevera. Como se você estivesse entrando por uma janela no teto do local onde ela estava. Mas onde estava? Ela piscou e então reconheceu: Era a câmara dos Mortos.

- Isso!- ela disse.

Hermione foi olhando por toda a câmara. Estava tudo ali como quando ela esteve lá no começo do verão. Os degraus, o palanque, o arco, o véu. A única diferença era duas mesas que havia ali. Ela desceu alguns degraus até próximo ao arco. Podia ouvir as vozes do outro lado. Sentia uma coisa estranha. Uma atração. Uma vontade de atravessá-lo. Ela foi se aproximando dele e então ouviu um som de porta se abrindo. Ela olhou pra cima. Por uma das portas entravam um grupo de pessoas. Parecia uma espécie de cortejo. Uma música triste começou a tocar. Era um homenzarrão barbudo que vinha à frente do grupo que a tocava por uma flauta rústica.

- Hagrid!- sussurrou Hermione.

Rúbeo Hagrid, ao menos quinze anos mais jovem veio descendo os degraus. Lentamente. Atrás dele vieram outras pessoas em fila dupla. Pareciam carregar alguma coisa. Quando se aproximavam do fundo da sala Hermione identificou o que carregavam. Era um caixão. Ele foi depositado sobre uma das mesas. Aos poucos Hermione foi reconhecendo as quatro pessoas que carregavam o caixão. À direita, na frente estava uma mulher alta e magra. Aparentava ter os seus cinqüenta anos. Usava óculos de meia lua e um chapéu pontudo. Era Minerva McGonagall que vinha ladeada por um homem que sem dúvida era Alvo Dumbledore. Atrás de Dumbledore estava uma velha de ar rabugento que usava um vestido de bolinhas e um chapéu com um urubu empalhado.

- Sra. Longbotton.- sussurrou Hermione.

E ao lado dela estava Moody Olho-Tonto. Inconfundível por seu olho que girava freneticamente e sua perna de pau.

Após largarem o caixão sobre a mesa todos se viraram para a direção da porta por onde agora surgia mais um grupo de quatro pessoas que trazia um segundo caixão. Eles não precisaram se aproximar muito para que Hermione reconhecesse os recém chegados. Na direita estava Remo Lupin, mais jovem e bem vestido, seguido por uma mulher corpulenta a quem Hermione não conseguiu identificar mas que lhe lembrava estranhamente Luna Lovegood por seus olhos cor de mel arregalados e seus cabelos alourados compridíssimos. Na esquerda estavam Molly Weasley bem mais jovem e magra e um homem negro que Hermione reconheceu como o Sr. Quim.

Eles desceram os degraus lentamente e depositaram o segundo caixão sobre a segunda mesa.

- E o garoto, Dumbledore?- perguntou Lupin.- O que será feito dele?

Dumbledore estudou Lupin por cima dos óculos.

- Ele já está seguro.- murmurou Dumbledore.

- Ainda não acho que deixá-lo com os tios seja uma boa idéia.- disse Minerva.

- O garoto ficará bem.- disse Dumbledore.

- Crescendo com um trouxa?- perguntou Molly.

- Sim! Não seria saudável ele crescer entre nós com o nome que agora ele carrega.- disse Dumbledore.

- E se os tios não o aceitarem?- perguntou Molly.

- Eles vão aceitá-lo.- disse Dumbledore.

- E como teremos certeza?- perguntou Minerva em tom levemente desafiador.

- Petúnia virá.- concluiu Dumbledore. Mal terminara de dizer isso quando ouviu-se a porta se abrir mais uma vez. Por ela entrou um homem bonito, esbelto, os cabelos mui negros caídos sobre os olho. Ele desceu os degraus pulando de dois em dois. Parecia levemente desesperado.

- Sirius Black!- exclamou Dumbledore ainda calmo.

- Onde eles estão Dumbledore? Onde?- perguntou Sirius. Parecia, agora, realmente desesperado. Só então ele viu os caixões.- Deixe que eu o veja. Por favor, deixe que eu o veja!

- Não seria muito correto...- começou Quim.

- Abra o caixão de Thiago.- disse Dumbledore calmamente. Seus olhos examinavam atentamente a Sirius.

Lupin e Quim obedeceram e retiraram a tampa do caixão. E lá estava, como se estivesse adormecido, Thiago Potter.

- Não!- disse Sirius enquanto se curvava sobre o caixão e tocava o rosto do amigo como se quisesse acordá-lo.- NÃO! COMO FUI DEIXAR ISSO ACONTECER CONTIGO?! ME DIGA?! COMO?

- Acalme-se Sirius.- Pediu Lupin puxando Sirius pelos ombros.

- Acalme-se mesmo! Deixe para se desesperar quando for julgado!- disse Quim entredentes.

- Julgado?- perguntou Sirius se virando para Quim. Hermione viu que grossas lágrimas escorriam por seu rosto.- Eu não fiz isso Quim! Você realmente acredita que...?

- Não temos indícios que possam dizer que não foi você.- afirmou Lupin.- Me desculpe.- completou ainda o segurando.

- Espera aí!- disse Sirius se soltando de Lupin.- Nós mudamos de idéia! Na última hora! Foi um erro, eu sei! Mas mudamos de idéia!

Hermione viu dois homens corpulentos entrando pela porta.

- Achamos que Voldemort me procuraria. Logicamente! Então Thiago revelou o segredo a Pedro e....

- Podem levá-lo.- disse Quim, e os dois homens agarraram Sirius.

- NÃO! DUMBLEDORE VOCÊ TEM QUE ACREDITAR EM MIM! DUMBLEDORE!- urrou Sirius se debatendo.- EU NÃO FIZ ISSO! EU NÃO FARIA ISSO! NÃO COM THIAGO.

Dumbledore nada disse. Apenas observou uma mulher ossuda de pescoço cumprido que descia os degraus apressada.

- Onde está ela?- perguntou ela no meio do caminho. Hermione então a reconheceu. Era Petúnia Dursley, Tia de Harry.- Ela não pode ter morrido! Ela não pode, ela não pode deixar o garoto comigo!

- Ela se foi, Petúnia!- informou Lupin que tinha expressão de imensa dor ao olhar mais uma vez para Thiago.

- Não pode ser.- disse Petúnia.- Ela não pode ter ido! Não pode!

- Acho que podemos terminar o funeral por aqui.- disse Lupin empurrando a tampa do caixão.

- Não!- disse Petúnia.- Eu preciso vê-la!- completou.- Para ter certeza.
Antes que ela repetisse o pedido Dumbledore girou a varinha e o caixão se abriu. Lá dentro estava uma mulher ruiva, que lembrava estranhamente a Gina. A expressão em seu rosto parecia desesperada e assustada. Hermione sentiu um calafrio ao olha-la Era como se já tivesse visto aquela cena antes. Ela recuou alguns passos para trás e tropeçou em um degrau caindo. Quando se levantou o caixão já havia sido tampado e era agora empurrado contra o véu. Hermione levou a mão à garganta. Ouvia uma outra música agora, era a voz de uma mulher, uma voz bonita, que cantava uma espécie de canto grego ou coisa assim, Hermione não podia destinguir muito bem as palavras. Sentia falta de ar. Sentiu um desespero imenso. Sentia que se não saísse dali rapidamente morreria sufocada. As coisas começaram a embaçar. Ela ouviu um miado. E então a voz da Sra. Weasley perguntando:

- O que faremos com o gato?

- Leve-o para alguma loja de animais. Algo me diz que a vida deste gato ainda não acaba aqui.- respondeu Dumbledore. E então tudo girou e para o alívio de Hermione ela estava de volta no quarto de Sirius. Rapidamente ela fechou a porta do armário e encostou-se nela. Com as mãos na garganta, respirava rapidamente como se estivesse quase se afogando e conseguira finalmente voltar à superfície. Ela ouviu um novo miado. Um gato pomposo vinha caminhando em sua direção. Inexplicavelmente ela foi tomada de pânico. Ela recuou alguns passos até que trombou com a cama. O gato continuava em sua direção e ela ainda sentia falta de ar. Então, para aumentar o seu pânico o gato se transformou em uma garota. E na penumbra do quarto Hermione viu Lílian Potter se aproximar.

- Não! Não!- gritou Hermione.- Fique longe de mim! Fique longe de mim! Não me toque! Não me toque!

Então a garota estava próxima de mais, e Hermione se encolheu protegendo o rosto com os braços.

- Ei! Mione, sou eu! A Gina!- disse a voz da garota.

Hermione tirou os braços do rosto e olhou novamente para a garota. Sim! Era realmente Gina. Agora que alguém acendera a luz ela podia ver.

- Acalme-se.- disse Gina. Hermione ainda tremia. Ela então se deixou cair no colo da amiga.

- O que está acontecendo aqui?- perguntou a voz de Lupin.- Hermione? O que aconteceu com você?

Hermione tentou responder mas não conseguia. Ela tremia incontrolavelmente. E sentia frio, muito frio. E sua cabeça doía. E tudo ficou escuro.

- O que aconteceu?- perguntou Rony assim que entrou no quarto seguido por Harry e Fred.

- Eu não sei!- respondeu Gina com simplicidade.

- Dêem licença!- disse Lupin carregando uma Hermione desmaiada no colo.- Vamos levá-la daqui.

Os garotos abriram caminho.

- Rony! Chame sua mãe. Diga que Hermione está inconsciente.- disse Lupin.- E Fred, vá até o escritório e veja se Minerva ainda está lá.

E todos saíram restando apenas Harry e Gina.

- O que aconteceu?- perguntou Harry.

- Eu, eu não sei.- disse Gina.

- Espera aí!- disse Harry caminhando até a porta do armário onde estava a penseira e abrindo-a. A luz prateada iluminou ainda mais o quarto.- Você estava nos distraindo Gina?

Gina baixou a cabeça.

- Na verdade sim.- respondeu ela.

- Mas porque? Porque não nos falaram que a Mione iria usar a penseira. E, Porque? O que ela queria saber?- perguntou Harry.

- Seria melhor que Mione lhe contasse sobre isso.- disse Gina.


Duas horas mais tarde a calma foi restabelecida na casa. Hermione foi colocada em sua cama. Ela ardia em febre. A Sra. Weasley ordenou que todos fossem dormir. Restaram no quarto apenas Lupin, Molly, Minerva e Gina.

- Eu disse! Eu lhe avisei Remo!- dizia a Sra. Weasley.- O quarto de Sirius deveria ter sido trancado.

- Mas nós sequer sabemos o que aconteceu ao certo, Molly.- argumentou Lupin.

- Não consigo imaginar o que possa ter causado isso.- admitiu a Profª. Minerva.

- Foi a penseira.- disse Gina.

- Remo, você deixou aquela penseira a vista?- perguntou Molly furiosa.

- Não mamãe!- interrompeu Gina.- Não foi culpa dele. Fui eu quem contou para Mione que havia uma penseira lá.

- Uma penseira não causa algo como isso.- disse Minerva.

- Não importa!- disse Molly.- Remo Lupin! Se estivesse em seu lugar eu iria agora mesmo trancar aquele quarto.

Remo olhou para Minerva.

- È o melhor Remo.- disse Minerva.- E não se demore. Eu estarei lhe esperando no escritório. Já estamos atrasados para embarcar rumo a Hogwarts.

Logo os dois saíram do quarto.

-Vou preparar uma poção para baixar esta febre.- disse a Sra. Weasley e também saiu do quarto. Gina ainda ouviu mais alguns berros pela casa. Mas somente quarenta minutos mais tarde foi que Lupin voltou ao quarto.

- Ela ainda está inconsciente.- informou Gina.

- Harry! Harry.- eles ouviram Hermione murmurar.

- Vá chamar Harry, Gina!- disse Lupin. Gina correu até o quarto de Harry. O encontrou jogado na poltrona ao canto do quarto, abraçado aos joelhos.

Tinha os olhos perdidos e a expressão preocupada.

- Ela acordou?- ele perguntou.

- Ela está chamando por você.- informou Gina. Os dois seguiram velozes ao quarto de Hermione.

- Aí estão eles.- disse Lupin assim que os dois entraram.

- Oh Mione!- disse Harry puxando a poltrona e se assentando ao lado da cama de Hermione.- Estive preocupado contigo. O que aconteceu?

- È isso o que todos nós queremos saber.- completou Lupin.

- Eu não sei direito.- disse Hermione.- Eu, eu estava na câmara dos mortos.

- O Funeral dos Potter.- exclamou Lupin.

- Isso.- disse Hermione com a voz fraca.- Foi como Luna narrou, Gina. Eles atravessaram o caixão pelo véu.

- Luna?- perguntou Harry.

- Você não estava lá. Estavam conversando com Cho.- disparou Hermione.- Estávamos falando sobre aquele arco, e Luna nos contou que sua mãe não foi enterrada, e que seu caixão foi lançado pelo véu.

- E o que mais você viu?- interrompeu Gina.

- Mas antes, aconteceram coisas: Sirius chegou, parecia desesperado. Ele abriu o caixão de Thiago Potter, tentou acordá-lo. Então dois homenzarrões o levaram de lá. E depois veio sua tia.- disse Hermione tão rápido que parecia que o mundo estava prestes a acabar.

- Então ela nos obrigou a abrir o caixão de Lílian. E ela também tentou acordá-la.- disse Lupin.- E depois os caixões foram lançados contra o véu.

- Isso! Só que não foi só isso.- disse Hermione.- Quando, quando abriram o caixão de Lílian aconteceram coisas estranhas.

- Remo!- chamou uma voz do lado de fora do quarto. Era Molly.- Está atrasado.

Ele se levantou.

- Vou entrar em contato com vocês pela lareira.- disse, e saiu do quarto.

- E o que mais aconteceu?- perguntou Harry. Ele estava muito sério.

- Então eu olhei para o rosto de sua mãe, mas era como se não fosse ela, ela parecia, ela parecia muito com a Gina.- disse Hermione.

- Comigo?- perguntou Gina impressionada.

- Sim! Em seguida eu senti um arrepio tropecei e caí, e o rosto de Lílian se destorceu, era uma sensação de já ter visto aquela cena antes. E então quando olhei novamente os caixões já estavam sendo empurrados através do véu.- disse Hermione.

- Mas porque você ficou daquele jeito?- perguntou Gina.

- Calma, não terminei.- disse Hermione.- então eu comecei a ficar sem ar, como se estivesse me afogando. E essa sensação veio acompanhada de um miado, e então eu me vi no quarto de Sirius e vi o gato.

- Era bichento.- interrompeu Gina sobressaltada.

- E o gato virou Lílian Potter, e ela veio pra cima de mim, e então eu descobri que o rosto destorcido que eu vi por último no caixão era o meu próprio rosto.- ela pareceu apavorada a dizer isso.- E ela tinha vindo me buscar. E eu comecei a gritar e então a luz se acendeu e eu vi que era a Gina e então não lembro de mais nada.

Todos ficaram em silêncio. Gina e Harry se olharam. Então eles olharam novamente para Hermione. A garota agora chorava descontroladamente.

- Foi como um aviso.- disse ela.- Um aviso! Eu serei a próxima, eu sinto.

Harry, surpreso com a ultima frase que ouvira, se assentou na cama ao lado da garota e a abraçou acariciando seus cabelos.

- Não vai ser não, Mione.- disse ele.- Eu não vou deixar. Nada vai lhe acontecer!

- Como você pode garantir? Você não esperava que Sirius fosse o próximo.- disse Hermione.

- Shhh.- fez Harry.- Nada vai lhe acontecer, sabe porque? Porque eu lhe amo.- completou se esquecendo da presença de Gina ali.

- Mamãe está chegando.- disse Gina alguns minutos depois. Harry soltou Hermione e esta se deitou em sua cama.

- Como está se sentindo querida?- perguntou a Sra. Weasley assim que entrou no quarto.

- Um pouco melhor.- disse Hermione com a voz fraca.

- Beba isso.- disse a Sra. Weasley entregando uma xícara à garota.- Lhe fará dormir.

A garota bebeu tudo, depois virou para o canto e adormeceu em seguida.

- Ah! Harry!- disse a Sra. Weasley já de saída.- Os resultados do N.O.M.s chegaram. Na verdade eles já haviam chegado faz um mês, mas Mundongo esquecera de avisar. Venha comigo e eu lhe entregarei o seu.

Harry obedeceu.

- Vou com vocês!- disse Gina.- Preciso comer alguma coisa.

Os três desceram as escadas até a cozinha. Harry e Gina se assentaram um defronte ao outro na mesa. A Sra. Weasley entregou a Harry o envelope com os seus resultados e foi preparar alguns sanduíches.

Harry respirou fundo e abriu o envelope de aparência oficial tirando de lá um pequeno pergaminho com uma espécie de tabela, onde estavam suas notas.


Adivinhação - Aceitável

Astronomia - Aceitável

Defesa contra as Artes das Trevas - Impressionante

Feitiços - Impressionante

Herbologia - Excede expectativas

História da Magia - Lamentável

Poções - Excede expectativas

Transfiguração - Excede expectativas

Trato das Criaturas Mágicas - Impressionante


- E então Harry?- perguntou Gina parecendo ansiosa.

- Qual foi mesmo a carreira que você escolheu, querido?- perguntou a Sra. Weasley que voltava com os sanduíches já prontos.

- Auror.- Harry sorriu satisfeito. Estivera, durante suas férias, esperando algo bem pior.- Bom, a Profª. Minerva disse que eu precisaria de boas notas em Defesa Contra as Artes das Trevas, Transfiguração, Poções e Feitiços.

- E como você foi?- perguntou Gina.

- A menor dessas quatro foi Excede expectativas.- disse Harry sorridente.

- Parece muito bem.- disse a Sra. Weasley.- Espero que o meu Ronyquinho também tenha ido bem.

- Tirei lamentável em História da Magia.- disse Harry.

- Foi quando...?- perguntou Gina.

- Sim!- disse Harry.

- Bom garotos, vou me deitar também. Não demorem muito.- disse a Sra. Weasley tirando o avental.

- Boa noite mamãe.- disse Gina.

- Boa noite Sra. Weasley.- disse Harry.

Ela mal havia saído da cozinha quando Gina se virou para Harry.

- Estou preocupada com Hermione.- disse.

Harry olhou para ela.

- A culpa não foi sua.- disse ele.

- Você não entendeu o que eu quis dizer.- disse Gina.- Não por ela estar doente. Ela já esteve pior antes. È que Hermione sempre foi a melhor de todos nós.

- Não estou entendendo.- disse Harry.

- È! Ela sempre foi a melhor, talvez não a mais poderosa, não posso dizer, mas a mais inteligente, a mais atenta...- disse Gina.

- A mais experta.- concluiu Harry.

- Isso!

- Mas o que tem?- perguntou Harry.

- Já tem um tempo, mas...- Gina olhou para a porta novamente.- Acho que tem alguma coisa desviando essa “esperteza” da Hermione.

- Como assim?- perguntou Harry.

- Harry, eu preciso te contar uma coisa.- disse Gina.

- Pois diga.- disse Harry sem entender bem aonde Gina queria chegar.

- Vou lhe contar a história desde o começo.- disse ela.- Tudo começou quando chegamos aqui, na Ordem.

- Há dois dias?- perguntou Harry.

- Não.- disse Gina.- No verão passado. Hermione estava procurando alguma coisa para ler. Ela tem essa ânsia por leitura, você sabe.

“Então Sirius disse que possuía alguns livros, se ela quisesse algum ele emprestaria, mas que não deixasse Mamãe ver. Ela logo aceitou. Então ele foi buscar os livros. Eram livros sobre transfiguração, na maioria sobre transfiguração avançada. Ele nos contou que havia adquirido aqueles livros em seu terceiro ano. Quando eles haviam decidido se transformar em animagos.”

- Você está querendo me dizer que Hermione é uma animaga ilegal?- interrompeu Harry.

- Deixe-me terminar.- pediu Gina.- Hermione leu os cinco livros de Sirius durante as férias. Ela às vezes me contava coisas sobre o assunto como que fascinada. Então nos voltamos para Hogwarts e ela não mais tocou no assunto. Então, um mês depois do regresso ela foi até o meu dormitório durante a noite e me contou sobre uma idéia que ela tivera. Tinha decidido se transformar em uma animaga e queria saber se eu toparia entrar nessa com ela.

“Sabe, eu sempre fui uma espécie de Fã da Mione, talvez por isso eu não hesitei em topar. Ela então me emprestou os livros de Sirius, e muitas vezes ela aparecia com outros sobre o assunto. E ela própria não raramente me explicava mais coisas sobre a técnica. Geralmente se gasta de oito a doze meses até obter sucesso. E Hermione sempre obteve maior sucesso do que eu. Ela conseguiu começar a ouvir os gatos com seis meses de treinamento. E eu apenas dois depois. Mas então, durante este verão, sabe, quando eu soube sobre o Gui, e vocês queriam me levar até Greelin...”

- Você conseguiu virar uma animaga.- adivinhou Harry fascinado. Gina confirmou com a cabeça.- Foi assim que você chegou tão rápido em Greelin.

- Foi! Só que o estranho é que o normal seria que Mione virasse uma animaga antes de mim.- disse Gina.- Pode concordar. Todos nós sabemos que é sim!

- Mas, mas porque ela ainda não conseguiu?- perguntou Harry.

- Eu gostaria de saber Harry.- disse Gina.

- Mas isso não tem nada a ver com o que aconteceu hoje.- disse Harry.

- Não sei.- disse Gina.

- Acho que não tem não.- disse Harry.

- Se tem uma coisa que Mione me ensinou foi sempre aceitar todas as possibilidades.- disse Gina.

- Gina.- disse Harry se lembrando do dia em que a porta do quarto de Sirius bateu sozinha.- Você sabe...?

- De vocês dois?- perguntou Gina.- Sim.- respondeu ela sorrindo.

- Mas, você não...

- Não, só eu sei.- disse Gina.- E não se preocupe, não vou dizer nada ao Rony ou a mais ninguém.

- Obrigado.- disse Harry. Saber a essa altura que Gina sabia de tudo, podia ser uma preocupação, quem garantia que mais ninguém sabia? Porém era uma espécie de alívio saber que mais alguém era “cúmplice”.

TAC

- Vocês dois ainda acordados?- perguntou Fred com um sorriso maroto no rosto.

- Estávamos nos perguntando o que realmente aconteceu com Hermione.- explicou Gina.

- Sei.- disse Fred.

- E eu já estava indo me deitar.- disse Harry se levantando.
***continua***
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:16

5° Capitulo - Aliado Suspeito

- Bom dia Harry!- disse Rony animado assim que Harry abriu os olhos.

- Bom dia.- respondeu Harry colocando os óculos.

- Mamãe me contou sobre o resultado do seu N.O.N.s- disse Rony.

- E você como foi?- perguntou Harry

- Até bem.- disse Rony esticando o pergaminho com as notas para Harry.


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- Nada mal.- disse Harry.

- Perto de Hermione está muito mal.- disse Rony desanimado.- A menor nota dela foi um Excede Expectativas em Poções.

- Onde está ela?- perguntou Harry se levantando rapidamente.

- Calma. Ela acordou melhor.- disse Rony.- Quer dizer, ela ficou cem por cento melhor depois de ver as notas do N.O.N.s. Ela e Gina foram para o Beco Diagonal.

- De novo?- estranhou Harry.

- Parece que tinham um encontro com Luna Lovegood.- disse Rony.- Mamãe não me deixou ir. Ela ainda está brava, sabe, por eu ter bebido muito em Greelin.

- E eu?- perguntou Harry se sentindo esquecido.

- Acho que elas ficaram com pena de acordá-lo.- disse Rony.- Mas sabe, acho que elas estão nos escondendo alguma coisa.

Harry não disse nada. Se assentou novamente em sua cama. Será que havia mais algo a esconder do que Gina havia contado a ele na noite anterior? Não podia ao certo imaginar.


****


- Você contou a ele?- perguntou Hermione.- Com que propósito?

Ela e Gina estavam agora assentadas em uma mesinha da sorveteria onde estiveram no dia anterior.

- Sei lá.- disse Gina.- Achei que ele precisava saber. Mas porque você resolveu marcar com a Luna assim, tão urgentemente?

- Não sei, mas, eu nunca levei a Luna muito a sério sabe.- disse Hermione.- Acho que é por ela ter aquele jeito lunático dela, mas estou começando a suspeitar que há muito mais coisa nela do que se imagina.

- Luna não é uma otária estúpida!- exclamou Gina.- Eu sempre disse isso a vocês.

- Tudo bem Gina, eu digo, digo pela aparência.- disse Hermione.- Mas, aí ela chegou aqui, ontem, e falou sobre o véu.

- Eu me lembro.- disse Gina.

- Mas nós não terminamos a conversa.- Disse Hermione.- E ela parecia saber mais do que disse. Aliás, ela quase sempre me parece ser mais do que aparenta.

- Não entendo aonde você quer chegar.- disse Gina.

- Acho que a mãe de Luna também estava na penseira.- disse Hermione em tom baixo.

- O que?- perguntou Gina.

- Não tenho certeza, mas se parecia muito com ela.- disse Hermione.- Sabe os olhos arregalados, o ar sonhador. E ela já devia estar aqui.

- E se a coruja não tiver chegado a tempo?- perguntou Gina.- Se tiver sido interceptada. Sei lá! O correio- coruja não é seguro em época de Guerra.

- Vou comprar um sorvete, você quer?- perguntou Hermione.

- Sim.

Ela se levantou, foi até dentro da sorveteria e voltou trazendo dois sorvetes gigantescos de morango. Elas tomaram os sorvetes, ansiosas, aguardando a chegada de Luna, mas se passaram quarenta minutos e a garota não apareceu.

- Talvez a coruja não tenha mesmo chegado.- disse Hermione.

- Devia ter falado com ela pela lareira.- disse Gina.

- Boa Gina!- disse Hermione.- Na loja dos gêmeos tem uma lareira não é mesmo? Façamos o seguinte, você fica aqui para o caso de ela aparecer, e eu vou até lá.

- Por mim tudo bem.- disse Gina.

- Não vou demorar.- Disse Hermione se levantando e em seguida saiu veloz em direção a Gemialidades Weasley.

Gina, levemente impaciente, apoiou o queixo sobre a mão e ficou observando Hermione ir sumindo. Mal isso aconteceu e ela viu surgindo Draco Malfoy. Ele vinha como sempre com o nariz empinado e aquele ar de gostosão.

Gina soltou um muxoxo parecido com o ruído de um gato e fingiu não notar que ele se aproximava.

- Não vai me dizer olá, Gina Weasley?- perguntou ele se assentando defronte a ela, onde anteriormente estivera Hermione.

- Ficaria mais contente se você me chamasse apenas pelo sobrenome.- disse Gina secamente.

- Seu desejo é uma ordem, WEASLEY.- disse Draco.- Mas por mim você pode me chamar de Draco, ok?

- Pra que eu iria te chamar de qualquer coisa?- perguntou Gina.- Eu raramente dirijo a palavra a você mesmo.

- Infelizmente.- disse Draco.- Mas isso pode mudar.- Ele fez a voz ficar mais suave na última frase e deu um sorriso.- È só você querer.

- Eca!- fez Gina.- Nem em um pesadelo.

O sorriso desapareceu do rosto de Draco rapidamente. Ele pigarreou e se levantou. Gina sequer olhou para ele. Então ele se dirigiu para dentro da sorveteria.

- Garotinho inconveniente!- disse Gina olhando novamente em frente como se esperasse que Hermione reaparecesse, ou quem sabe Luna.- Será que ele não se enxerga?

- Falando sozinha?- perguntou Draco se assentando novamente onde estava antes. Ele segurava agora dois sorvetes de morango.- Pra você.

Gina fingiu que ele não estava ali.

- Que coisa feia WEASLEY.- disse Draco.- Recusar um agrado. Sua mãe não ensinou que é educado aceitar um presente?

- Claro!- disse Gina dando um sorriso maldoso.- Ela também me ensinou que a não se deve aceitar coisa alguma de gente da sua laia.

- Oh! Não finja que não está tentada a aceitar o sorvete.- disse Draco.- Eu sei que esse é o seu sabor predileto! Eu vi você tomando um desses hoje. Ah! E ontem também.

- Você esteve me espionando?- perguntou Gina irritada.

- Eu tenho estado te espionando a muito mais tempo do que você imagina.- disse Draco.

- Oh!- disse Gina apanhando o sorvete da mão de Draco com cara de nojo.- Como você é ousado!- Completou jogando o sorvete na cara dele.

- Porque você não me dá uma chance, ein garota?- perguntou Draco como se nada tivesse acontecido após passar um guardanapo no rosto.- Porque não confia em mim?

Gina se levantou tão rapidamente que a cadeira tombou para trás causando um estampido alto. Algumas pessoas que passavam olharam assustadas.

- Deve ser porque eu sinto nojo de você.- disse Gina e começou a sair veloz da sorveteria.

Draco levantou-se, abandonou o seu próprio sorvete na mesa, e saiu atrás de Gina.

- Eu não sou tão ruim quanto você imagina.- disse ele.

- Não! Lógico que não!- disse Gina em um tom de voz alto e agudo, sem parar ou sequer olhar pra trás.- Porque você consegue ser pior do que eu imagino!

- O que você quer que eu faça pra te provar o contrário?- perguntou ele.

- Quem sabe se você parar de andar atrás de mim eu sinta um pouquinho menos de ódio e nojo por você?!- perguntou Gina.

Draco parou por um instante, então apertou o passo e ao alcançar Gina novamente ele a puxou pelo braço tão rapidamente que ela girou nos calcanhares.

- E se eu der uma ajuda pra seu irmão fugir?!- perguntou ele. Gina ficou paralisada.- Você vai ao menos conversar comigo uns dez minutos sem me agredir com essa sua língua afiada?

Gina não conseguiu pronunciar qualquer palavra. Estava em choque.

- Gina!- gritou uma voz. Era Hermione, ela vinha correndo em direção aos dois.- Malfoy? Você por aqui de novo?- Ela olhou para Gina procurando entender o que estava acontecendo. Era a segunda vez em vinte e quatro horas que ela encontrava Draco com Gina, aquilo parecia estranho.- O que você quer com a Gina ein?! Dá o fora daqui antes que eu resolva sofrer um processo por usar magia fora da escola!

- Tudo bem Sangue Imundo! Eu vou embora!- disse Draco e limpando o sorvete que escorria do lado direito de seu rosto ele saiu veloz por onde viera.

- Gina, o que aconteceu?- perguntou Hermione.

- Calma.- disse Gina finalmente.- Já te conto, vamos até a loja.

As duas deram meia volta e foram na direção da loja.

- E Luna?- perguntou Gina.

- Não está em casa.- disse Hermione.- Parece que foi para a editora do Pasquim.- completou assim que elas entraram na loja. Como era cedo da manhã esta ainda estava vazia.

- O que aconteceu, Gina?- perguntou Fred.- Você está pálida.

Gina se assentou a um canto e então narrou o encontro com Draco para Hermione e os dois irmãos.

- Caraca!- disse Jorge.- Então quer dizer que Gui realmente está na casa daquele traste?

- Aquele verme do Malfoy dando de cima da minha irmã.- disse Fred cerrando os pulsos.

- E o que vamos fazer?- perguntou Jorge.

- Eu topo ir atrás do Malfoy e darmos uma lição nele.- disse Fred.

- Vamos voltar pra Ordem.- disse Hermione.- E contar a quem estiver lá sobre o que acabamos de descobrir.

- Mas a gente não pode fechar a loja agora.- disse Jorge.- Lino Jordam deve chegar a qualquer momento.

- Lino Jordam?- Perguntou Hermione.

- È!- disse Jorge.- Ele cuida da publicidade das Gemialidades Weasley. Ele estava viajando pela América desde o começo do verão.

- Então a gente espera-o chegar e vai.- disse Gina.

- È Mesmo. Não sabemos bem a intenção do Malfoy.- disse Hermione.- Se pegaram Gui no Caldeirão furado podem muito bem pegar algum de vocês por aqui.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:18

6° Capitulo - O Retorno De Gui

Após o café, Harry voltou para o quarto a fim de checar as suas coisas. Não estavam muito desorganizadas pois não fazia muito tempo que ele havia chegado ali. Dentro da mochila que levara para Greelin, ainda estavam o relógio de Luna e a fotografia de Tia Petúnia. Harry olhava para a última quando ouviu um grito lá em baixo. Rony, que cochilava em sua cama, acordou assustado.

- O que foi isso?- perguntou ele a Harry.

- Não sei.- disse Harry sobressaltado.

- Vamos lá ver.- disse Rony se levantando e “caprichosamente despenteando” seu cabelo.

Enquanto desciam as escadas passou pela cabeça de Harry que os Comensais da morte houvessem invadido a ordem. Por esse motivo ele desembainhou a varinha e a manteve erguida até alcançar a porta da cozinha e ver que não havia acontecido nada de tão grave.

- O que foi?- perguntou Rony.- O que está acontecendo?

Na cozinha a Sra. Weasley chorava abraçada a Gina que tinha um brilho exagerado nos olhos. Fred estava com a cabeça pra dentro da lareira. Jorge girava a varinha entre os dedos e Hermione, que parecia estar bem melhor do que no dia anterior, estava assentada na mesa e toma um copo de suco de abóbora pensativa.

- Oh! Rony!- disse a Sra. Weasley.- Conte! Conte a eles Jorge, o que aconteceu!

Jorge prontamente obedeceu e quando ele terminou de contar a história para Harry e Rony a campainha tocou.

- Vou atender!- disse a Sra. Weasley saindo correndo da cozinha assim que Fred tirou a cabeça do fogo.

- Consegui avisar Carlinhos e ele aparatou no Ministério para avisar papai.- informou ele.

- E ele já avisou?- perguntou Jorge.

- Lógico né? Carlinhos não é tão lerdo quanto parece.- Disse Fred.- Ele mandou dizer a mamãe que arrumasse a cozinha, pois haverá aqui ao entardecer uma reunião com toda a ordem.

A última tarde de férias foi agitada. Tonks, que havia chegado logo após Fred dar o alarme. Se juntou ao grupo eles deram uma arrumada na grande cozinha. A Sra. Weasley nem fez o almoço. Eles comeram alguns sanduíches. E no meio da tarde todos ajudaram a deixar o jantar já mais ou menos pronto.

Às cinco da tarde a campainha tocou pela segunda vez. Tonks foi atender e voltou seguida por Mundungo. A partir daí ela tocou diversas vezes. Os próximos a chegar foram Lupin, Snape e a Profª. Minerva.

- Eu até agora não entendi direito o que está acontecendo.- sussurrou Rony para Harry e Hermione assim que os três recém chegados assentaram-se mais a frente na mesa.- O Malfoy disse aquilo à Gina, o que prova que Gui está realmente na mansão do pai dele, mas e daí? Parece que isto é uma festa para comemorar isso.

A campainha tocou novamente no momento em que Lupin se assentou junto aos garotos.

- Isso não é uma festa Rony.- disse Lupin.- Ouve uma grande reunião como essa cerca de uns sete meses antes do fim da Primeira Grande Guerra. Na verdade houve muitas antes, mas essa foi uma das únicas aonde estavam todos os membros presentes.

- Mas, para que?- perguntou Rony

- Havia uma reunião como essa marcada para três dias após o seqüestro de seu irmão.- explicou Lupin.- Conseguir o apoio dos Duendes foi muito importante, e nessa reunião seria discutido o rumo que a ordem tomaria a partir de então. Só que...

- Só que seqüestraram o Gui e então todas as certezas foram deixadas de lado.- concluiu Hermione a campainha tocou mais uma vez.

- É!- disse Lupin.

- Mesmo assim.- insistiu Rony.- Ele ainda não voltou.

- Antes não tínhamos certeza sobre o paradeiro dele. Só a carta, mas ela podia ser falsa.- disse Lupin.- Mas agora, com o que o filho do Malfoy deixou escapar, parece que ficou mais seguro montar uma operação de resgate.

A campainha tocou novamente.

- Uma operação de resgate!- repetiu Rony parecendo levemente fascinado.
A cozinha ia se enchendo. A Ordem da Fênix era muito maior do que Harry imaginava. Pessoas como o Professor Flitwick, Tobias Bones e até o Sr. e a Sra. Diggory apareceram.

- Os pais de Cedrico.- disse Harry ao vê-los entrar.

- Eles procuraram Arthur, no ministério logo depois que você deu aquela entrevista ao Pasquim. Dizem que vão vingar a morte do filho.- explicou Lupin.

E mais uma vez a campainha tocou.

- E o Monstro?- perguntou Hermione de repente.

- Ah, o maldito Monstro!- disse Lupin.

- Vocês não decapitaram ele, ou...?- perguntou Hermione parecendo aterrorizada com a idéia.

- Ah! Não.- disse Lupin dando um sorriso maldoso. Ele merecia algo pior.

- E o que fizeram?- perguntou Hermione.

- Vocês devem se lembrar do velho malão do Moody.- disse Lupin.- Ele foi deixado lá, ao lado de inúmeras fotografias do seu querido Sirius.

- Ele merecia morrer.- disse Harry entredentes.

- Ele não durará muito, Harry.- disse Lupin.- Não há meio dele sair de lá.

- Seria melhor matá-lo de uma vez do que deixá-lo definhar durante um longo tempo, ou até enlouquecer. Que crueldade!- disse Hermione.- Como a cabeça das pessoas mudam rapidamente, Lupin! Lembro-me perfeitamente de estar discutindo sobre o modo como são tratados os elfos, e lembro-me também que você concordava comigo na maioria dos pontos que ressaltei. E agora me conta que foi a favor de trancar o pobre coitado do Monstro naquele malão!

- Foi por culpa do coitado do monstro que Sirius morreu Hermione!- trovejou Harry vendo com certo fascínio Fleur Delacour entrar.
Hermione abriu a boca para falar mas então seus olhos se arregalaram.

- Sra. Longbotton!- foi o que ela disse.

Harry, Remo e Lupin olharam imediatamente para a direção onde Hermione estivera olhando.

- O que ela está fazendo aqui?- perguntou Rony.

- Com licença.- pediu Lupin se levantando.

- Ei! Crianças.- Chamou a Sra. Weasley. O trio olhou para ela, e só então notaram que Gina havia se separado de Fred e Tonks e estava parada ao lado da mãe parecendo indignada.- Acho que está na hora de vocês irem para a cama.

- Aff!- fez Rony.- “Uma reunião da Ordem não é lugar para vocês!” Até quando vou ter que escutar isso?

- Andem! Dumbledore já deve estar chegando.- disse a Sra. Weasley ignorando a pergunta de Rony.

- Mas mamãe, porque Fred e Jorge vão poder assistir a reunião?- retrucou Gina.

- Porque eles já tem idade suficiente.- disse a Sra. Weasley enquanto os empurrava para fora da cozinha.

Ao chegar na porta eles passaram por Lupin, Moody e a Sra. Longbotton que conversavam sérios.

- Neville!- disse Rony assim que eles alcançaram a escada.

O garoto estava assentada no terceiro degrau da escada e olhava, parecendo desanimado, para um pedaço de pergaminho.

- Ah! Oi!- disse ele.- Como estão? Então é aqui que vocês têm se escondido durante as férias, não?

A campainha tocou novamente.

- Vamos subir, vamos.- disse Hermione começando a subir as escadas.

Logo eles estavam acomodados no quarto de Harry e Rony.

- Você parece desanimado, Neville, o que foi?- perguntou Gina olhando para o garoto que estava muito diferente desde o dia anterior.

- Veja.- disse ele esticando o pergaminho.- É o resultado dos meus N.O.N.s.

Gina olhou o papel e tentou não deixar escapar nada. E ele foi passando de mão em mão até chegar em Harry.


Adivinhação - Aceitável

Astronomia - Aceitável

Defesa contra as Artes das Trevas - Excede expectativas

Feitiços - Aceitável

Herbologia - Impressionante

História da Magia - Aceitável

Poções - Aceitável

Transfiguração - Aceitável

Trato das Criaturas Mágicas - Aceitável

Runas antigas- Aceitável


- Bom, ao menos você não tirou nenhum lamentável.- tentou consolar Harry.

- Hmm. Que carreira você pretende seguir?- perguntou Hermione.

- Acho que nada combina muito comigo, mas eu acabei me decidindo por me tornar um curandeiro.- disse o garoto ainda infeliz.

- Você precisaria de excede expectativas em Herbologia, Poções, Tranfigurações, Feitiços e Defesa contra as artes das trevas.- despejou Hermione.

- Você por acaso decorou os livretos de orientação vocacional?- perguntou Rony olhando pra ela com uma das sobrancelhas erguidas.

- Bom, quase.- respondeu Hermione.

- Parece meio impossível, não?- perguntou Neville olhando pra ela.

- Bom nada chega a ser impossível.- disse Gina.- Pense, você já tem trinta e trinta porcento da nota total que precisa.

- Mas você ainda tem dois anos pra recuperar.- disse Hermione.- Se fizer um bom N.I.E.N.s você irá longe.

- É!- concordou Neville.

- Mas porque você foi escolher logo Medicina bruxa?- perguntou Hermione.

- Vovó me perguntou a mesma coisa.- disse Neville.- Acho que ela não acredita que eu vá muito longe. Ela sempre diz que eu acabaria me dando bem como professor de Herbologia. Mas, quem sabe eu não conseguiria me dar bem como um curandeiro...

Ele fez uma pausa e olhou para o chão. Harry então se lembrou de quando eles encontraram Neville em uma visita aos seus pais. Hermione pareceu ter se lembrado disso também pois mudou de assunto rapidamente.

- Mas, eu não sabia que a sua avó fazia parte da Ordem.- disse ela.

- Ela não fazia.- disse Neville.- Ela sempre disse que o maior erro dela foi ter deixado papai se tornar auror e entrar pra ordem.

- Mas então...?- perguntou Gina.

- Ela decidiu procurar Dumbledore ontem à noite.- interrompeu Neville.- Depois que partimos do Beco Diagonal fomos a St. Mungus, para que eu pudesse ver meus pais antes de voltar a Hogwarts. Sabe, sempre que os visito eu conto uma história a eles. Às vezes histórias de livros trouxas. Às vezes histórias que eu ouvi de outra pessoa. Às vezes as histórias sobre o Harry, só que dessa vez foi diferente.- Neville sorriu todos o ouviam atentamente.- Dessa vez eu tinha A MINHA história pra contar, mesmo que eu não fosse um herói, mas eu contei a eles sobre a nossa ida ao ministério.

Ouviu-se mais uma vez a campainha tocar.

- Estranho!- disse Gina.- Achei que a reunião já tinha começado.

- Continue Neville.- disse Hermione que estava séria.

- Sabe.- recomeçou o garoto.- Eles nunca prestam atenção nas histórias que conto. Quer dizer. Papai às vezes presta, principalmente quando falo de você, Harry, mas dessa vez foi diferente. Mamãe parou de brincar com a cortina ou com qualquer outra coisa e ficou me olhando, como se prestasse atenção em cada palavra minha. Aconteceram várias coisas estranhas, desde quando cheguei lá.- informou ele.- Comecei contando a eles como andava o mundo, como eu sempre fiz, contei que a Segunda guerra havia sido declarada. Quando disse isso vovó colocou a mão em meu ombro como se fosse um sinal para que eu não entrasse no assunto, e então papai tirou a mão dela dali, como se pedisse que eu prosseguisse.

“Assim eu comecei a contar a história, fiquei lá por algumas horas. O curandeiro já estava lá fazendo a sua visita vespertina quando eu terminei. E até ele se assustou quando mamãe falou.- ele sorriu novamente.- Há sete anos eles não faziam progresso.- completou.

- E o que ela falou?- perguntou Rony.

- Foram coisas sem muito nexo. Mas ela falou alguma coisa.- disse Neville.- Hm. Ela disse “Hogwarts, Ordem, Alvo Percival, varinha, Potter.”

- Que estranho.- exclamou Harry ao ouvir o próprio sobrenome.

- Vovó então procurou Dumbledore através do flu, e ele aconselhou que ela comparecesse a essa reunião.

TAC.

Todos se viraram para a direção de onde tinha vindo o barulho. Era Fred.

- Vocês não vão acreditar.- Disse ele parecendo exageradamente feliz.

- No que?- perguntou Rony.

Fred atravessou o quarto e abriu a porta. Encostado nela, do lado de fora estava um rapaz de rabo de cavalo ruivo e sardas no nariz.

- GUI!- gritou Gina que pulando por cima da cama de Rony correu até a porta e dependurou no pescoço do irmão.

- Oh! Gina!- disse ele, sua voz estava rouca e grave.- Que saudade eu estava de você!

- Como, como?- perguntou a garota.- Eles te libertaram? Como foi que você saiu de lá.

- Espere-o ao menos se assentar.- disse a voz da Sra. Weasley que vinha trazendo uma bandeja com uma sopa e um enorme copo de suco de abóbora.

Os dois entraram no quarto. Gui estava com uma aparência péssima. Estava bem mais magro do que na última vez que Harry o vira, os cabelos pareciam sujos, a barba estava grande e a roupa em farrapos.

TAC

Jorge também apareceu.

- Estão esperando você para recomeçar a reunião, Mamãe.- informou ele.

- Se precisar de alguma coisa, querido.- disse a Sra. Weasley beijando a testa do filho mais velho, e em seguida saiu fechando a porta do quarto.

- Senta aqui, Gui.- ofereceu Neville, se levantando da poltrona onde estava.

Gui assentou-se ali e ajeitou a bandeja no colo. Deu uma grande golada no suco de abóbora. Parecia muito cansado.

- Pensei que vocês logo me perguntaria como escapei.- disse ele.

- Não seja por isso maninho.- disse Fred sorrindo.- Como você escapou?

- Vou contar exatamente como foi para vocês ok?- disse ele. E então depois de tomar mais um pouco do suco ele começou sua narração.


Era um lugar sombrio. Parecia uma imensa masmorra. Não havia janela ou entrada de luz por ali. Talvez fosse simplesmente um imenso corredor subterrâneo que passava entre inúmeras celas. No começo do corredor havia uma escada que dava para um alçapão. Por este, naquele momento entrou um garoto de uns dezesseis anos. Muito parecido com o pai, o dono daquele lugar. Era alto, magro, pálido e louro, um ar imponente e impotente. Ele já havia se acostumado com aquilo. Às vezes era aquele garoto que lhe levava algo de comer.

Normalmente o insultava, falava mal de seus irmãos. Mas geralmente, depois das visitas do garoto, ele recebia visita de comensais da morte que o torturavam esperando extrair qualquer informação, mas estas, raramente saíam.

O garoto seguiu pelo corredor escuro segurando um prato com um pão e um copo de leite. Ele geralmente deixava o prato e o copo próximo à grade para que o prisioneiro, um Weasley, pegasse, mas dessa vez ele enfiou o braço pra dentro da sela e ficou esperando que Gui Weasley fosse apanhar. Este não se mexeu. Estava jogado a um canto e observava o recém chegado com os olhos cheio de ódio.

- Não vai pegar o seu jantar?- perguntou Draco Malfoy entredentes.

- Pode deixar ele aí.- respondeu Gui no mesmo tom de voz do garoto.

- Como você é otário!- disse Draco.- Ande! Pegue o prato na minha mão.

- Já disse pra você deixar aí.- insistiu Gui.

- Por Merlin! Como você é tapado!- disse Draco.- Antes eu achava que o seu irmão Rony Weasley era o campeão, mas vejo que você é pior!

- O que você tá querendo garoto?- perguntou Gui estranhando.

- Eu ainda estou na esperança de que você note que a minha varinha está quase caindo para fora da manga da minha roupa!- disse Draco.

Gui olhou para o braço dele ainda esticado com o prato, era verdade, a varinha dele estava visível ali.

- Porque você não a pega logo e me deixa dar o fora daqui antes que papai perceba o que estou fazendo?!- disse Draco.- Como você é lerdo!

Gui se levantou rapidamente. Era verdade, aquela era uma excelente oportunidade de fuga, mas e se fosse uma cilada?

- Como vou saber que não há comensais lá em cima me esperando?- perguntou Gui.

- Estão todos trancados no escritório!- disse Draco finalmente repousando o prato e o copo no chão.- Em reunião! Só mamãe está lá em cima.

- E se você der o alarme? Eu posso ser morto pela tentativa de fuga.- disse Gui.

- Eu se fosse você pegava a varinha logo antes que mamãe dê por minha falta.- disse Draco agora esticando a varinha para Gui.

Ele hesitou por um momento e então apanhou a mesma.

- Mas eu não sei como sair daqui.- disse Gui com sinceridade enquanto girava a varinha e murmurava Alorromora.

- Eu sei!- disse Draco.- Você vai me levar como refém.

- Então vamos logo.- disse Gui.

- Calma aí!- disse Draco, ele deu um passo pra trás e então deu um soco no nariz de Gui.

- AU!- fez Gui levando a mão ao nariz.

- Se eles nos pegarem tem de achar que ao menos eu tentei me defender.- disse Draco.- Agora vamos.

Depois de esfregar o nariz mais uma vez Gui entrou no espírito da coisa. Deu uma chave de braço em Draco, colocando a varinha em sua cabeça e os dois seguiram pelo corredor sombrio até a escada.

- Draco!- gritou uma mulher loura que estava assentada em um dos sofás da grande sala onde dava as escadas do alçapão. Parecia uma sala de visitas.

- Não se mecha ou o seu filinho vai sofres as conseqüências.- disse Gui apertando mais o pescoço de Draco.

- O que você quer?- perguntou ela meio que imóvel.- Deixe-o em paz.

- Estupefaça!- gritou Gui e Narcisa Malfoy caiu imóvel no chão.

- Não precisa apertar tanto!- gemeu Draco.

- Por onde a gente vai?- perguntou Gui.

- Atrás daquela tapeçaria tem uma passagem que dá no jardim!- disse Draco.

Gui prontamente caminhou até lá, assim que levantou a tapeçaria uma porta de pedra se abriu revelando um comprido corredor. Ele seguiu arrastando Malfoy por este até que algum tempo depois eles estavam em um enorme jardim.

- Me estupore aqui!- disse Draco.

- E como eu vou sair daqui?- perguntou Gui.

- Minha vassoura está atrás daquela árvore.- disse o garoto indicando uma figueira pouco a frente.- Vou dizer que você me arrastou até o quarto das vassouras e apanhou essa daí. Então me estuporou e fugiu.- completou.

Gui afrouxou a gravata, Draco ficou novamente ereto de pé.

- Estupefaça!- gritou Gui e Draco voou até colidir com a parede da casa e cair no chão, um filete de sangue escorria de sua cabeça.

- Conte à sua irmã sobre isso.- gemeu ele antes de desmaiar.

Gui mais do que rapidamente correu até a árvore, apanhou a Nimbus 2001 de Draco e ganhou os ares.


- E foi isso.- concluiu Gui.

- Caraca!- disse Jorge.- Então o babaca do Malfoy estava falando a verdade quando propôs pra Gina soltar você, Gui!

- Aquele otário!- concordou Rony.

- O Malfoy disse a você que faria isso, Gina?- perguntou Gui enchendo a boca de sopa em seguida.

- Sim.- disse Gina. E contou resumidamente o encontro que tivera com o garoto no mesmo dia.

- Garanto a vocês que ele está encrencado com o pai.- disse Gui depois.- Lucius Malfoy não vai aceitar facilmente que o filho dele deixou o prisioneiro fugir.

Gui ainda contou sobre o que passara na mansão dos Malfoy. Mais tarde um pouco, porém, a Sra. Weasley foi chamá-lo para a reunião, que acabou apenas duas horas mais tarde.

- Hora de jantar!- disse Fred pouco antes de aparatar.

A maioria dos bruxos que tinham participado da reunião já haviam partido. Restaram apenas Quim, Pordome (ele havia se safado de Azkaban assim que os dementadores deixaram a mesma.), Tonks e Moody, além dos Weasley, é claro, e de Fleur que agora estava a um canto conversando com Gui.

Harry jantou calado enquanto escutava a discussão de Hermione e Rony sobre o que é ser um bom monitor e quando finalmente Rony desistiu da briga Hermione voltou a explicar para Gina o que ela devia e o que não devia fazer. Algum tempo depois Harry pediu licença e foi para seu quarto.

Sentia muita falta de Sirius agora. Todos estavam alegres pela volta de Gui mas não parecia ter sentido ficar naquela casa sem Sirius. Começou a se lembrar de vários momentos ao lado do padrinho. De quando o conheceu, na casa dos gritos. Das conversas que eles tiveram durante o verão passado. Quando Sirius foi encontrá-los em uma caverna em Hogsmead. Das vezes em que Harry se arriscara para falar com o padrinho pela lareira de Umbridge. Do natal. Lembrou-se então do espelho que Sirius lhe dera na partida para se ele tivesse algum problema com Snape. “Se eu tivesse aberto aquilo antes.” Pensou. “Eu poderia tê-lo usado antes de ir para o ministério.” E então ele começou a se lembrar dos fatos mais recentes também. Do quarto de Sirius. Da notícia de Carlinhos sobre a possível inocentização de Sirius. E lembrou-se de Hermione e da noite anterior. Se ela tivera coragem de mexer nas coisas de Sirius porque ele também não teria?

Ele se levantou e se dirigiu para o quarto de Sirius, mas a porta estava trancada.

- Droga!- disse Harry. Não podia usar magia e sua varinha estava no quarto, resolveu tentar derrubá-la. Se jogou contra a mesma duas ou três vezes. Mas não obteve sucesso.


- Que barulho é este lá em cima?- perguntou a Carlinhos ao ouvir um baque.

Moody girou o olho mágico e viu Harry no corredor mais a cima.

- Harry parece estar querendo arrombar a porta do quarto de Sirius.- Respondeu Moody. Os dois estavam assentados em uma das pontas da mesa.

- Remo não a tinha destrancado?- perguntou Carlinhos.

- Sim.- disse Moody.- Mas ao que parece a penseira de Sirius andou trazendo problemas.

- Ah! Mamãe me contou, sobre Hermione não foi?- disse Carlinhos.- Sabe, eu tenho pena de Harry.

- Ele vai se conformar.- disse Moody fixando o olho mágico novamente para cima após ouvir um novo baque.

- Eu sei.- disse Carlinhos.- Mas não é só por isso. Sabe, eu nunca convivi muito com ele. Por estar sempre na Romênia. Mas ele não parece ser muito feliz. Acho que talvez pelo fato de ele ser órfão.

- O problema atual de Potter é Sirius.- disse Moody.- Sobre Tiago e Lílian ele já se conformou a muito.

Houve outro baque.

- Acho melhor alguém ir lá em cima ver o que está acontecendo.- disse Moody.

- Eu vou.- disse Carlinhos se levantando.

- Entrega isso a ele.- disse Moody tirando do bolso um envelope.- Diga que é uma coisa que Sirius me entregou pouco antes de morrer.

- Pode deixar.


Harry se jogou pela porta uma quarta vez e então viu Carlinhos aparecer pelo corredor.

- Você já está chamando a atenção das pessoas lá em baixo.- disse ele.

- Ah! Oi Carlinhos.- disse Harry.- Será que você poderia abrir essa porta pra mim?

- Bom, eu até poderia.- disse ele sorrindo.- Mas acho que mamãe não me deixaria vivo se eu fizesse isso

- Ela não precisa saber.- disse Harry.

- Prefiro não arriscar.- Disse Carlinhos.- Mas o que você quer aí?

- Nada.- disse Harry.

- Ah! Alguma coisa você quer.- disse Carlinhos.- Ou não estaria tentando entrar atoa.

- Tá! Tudo bem! Eu queria...- Harry hesitou, não sabia exatamente o que queria. Talvez quisesse levar algo dali, para lembrar de Sirius quando sentisse saudades.- Qualquer coisa...

- Qualquer coisa?- perguntou Carlinhos.

- È! Uma foto.- disse Harry.- é isso! Uma foto. Agora você pode abrir pra mim?

- Ainda não, pois se é uma foto o que você que acho que Moody leu seus pensamentos.- disse Carlinhos esticando o envelope para Harry.

- Ah! Hmm. Obrigado.- disse Harry.- Bom, eu acho que eu já vou indo ok? Boa noite. Sabe, tenho que terminar de arrumar as minhas coisas.- completou dando um jeito de sumir de vista rapidamente. Quando chegou em seu quarto, Rony ainda não estava lá.

- Droga!- disse Harry dando um soco na porta ao fechá-la. Depois jogou o envelope na cama de Rony e foi conferir se suas coisas estavam, realmente, todas prontas.


****


Hermione ouviu mais um baque vindo lá de cima. O que estaria acontecendo? Acompanhou então Carlinhos entrar novamente na cozinha e se juntar a Moody. Este girou o olho mágico para cima e Hermione pode ler em seus lábios a frase que ele disse em seguida. “Harry ainda tem muito o que aprender!” O que Harry teria dessa vez? Ela se levantou e já ia sair quando Gina a chamou.

- Já vai dormir Mione?- perguntou Gina.

- Hmm. Sim.- disse ela.

- Ah! Acho que vou com você.- disse Gina.

Hermione então deu um chiado parecido com o que Gina dava as vezes. Um chiado de gato.

- Ah!- disse Gina de repente.- Desisti. Rony, mas me dê agora a sua versão sobre o que é ser um monitor.

- Ah lógico.- disse Rony olhando para Hermione e sorrindo.- Garanto que é bem mais fácil do que a Mione disse.

Esta por sua vez seguiu veloz até o quarto de Harry. Encontrando o ultimo polindo o cabo de sua Firebolt.

- Não vi você saindo do jantar.- disse Hermione se assentando na cama de Rony.

- Eu quis sair sem ser notado.- disse ele.

- Era você quem estava fazendo aqueles barulhos?- perguntou ela apanhando o envelope e o examinando.

- Hmm.- disse Harry.- O monstro não devia ser.

- Não precisa ficar irritado.- disse Hermione.

- Eu não estou irritado com você.- respondeu Harry.

- Com o que então?- perguntou a garota.

- Estou irritado com as pessoas que resolveram trancar o quarto de Sirius.- disse Harry.

- Aquilo era você tentando arrombar a porta?- perguntou Hermione abrindo o envelope.

- Oh! Como você descobriu?- perguntou Harry sem olhar pra ela esfregando o cabo da Firebolt com certa violência agora.

- Olha Harry, eu sei que você está se segurando para não soltar algo do tipo “ e a culpa foi sua!” mas...

- Parece que a viagem na penseira não afetou seu cérebro não é mesmo?- disse ele dando um sorriso amarelo.- Você continua inteligente como sempre!

- È!- disse Hermione.- Parece que eu não deixo que coisas tão frívolas afetem a minha cabeça.

- Você acha que é fútil sofrer com a falta de uma pessoa querida não é mesmo? Você nunca perdeu ninguém!- despejou Harry.

- Fico impressionada como nos últimos tempos você tem comprado brigas, Harry!- disse Hermione lendo atentamente o pergaminho que tirara de dentro do envelope.- Mas bem, você está certo, eu nunca perdi ninguém tão querido como o Sirius era pra você, mas eu não preciso passar pela experiência para poder lhe garantir que eu sei exatamente como você está se sentindo.

- Como você pode saber se nunca sentiu o que eu estou sentindo?- perguntou Harry.

- Eu observo as pessoas.- disse Hermione calmamente.- E acho que você está prolongando demais o seu estado de luto.

- Ah! Lógico.- disse Harry.- Bom, vamos lá. Eu sou um garoto órfão, moro com meus adoráveis tios trouxas. Até aí ainda está tudo bem. Tem um cara por aí montando um exército para me exterminar. A única pessoa que podia me tirar da casa dos meus tios era o meu padrinho e bom, ele foi morto por uma maldita mulher do exército do cara que quer me matar. Começou a piorar não é?

- Hm.- fez Hermione.- Continue, quem sabe você não me convence de que tem razão por sair atacando todos que chegam perto de você.

- Pois bem.- disse Harry largando a Firebolt e ficando em pé.- Vamos continuar. Já falei que estamos em guerra? Então, estamos em guerra. E as pessoas que não me olham com cara de quem diz “não acredito! Ele existe!” ou me odeiam ou sentem inveja de mim. Na verdade eu não sei como podem sentir inveja, pois minha vida é uma bosta.- Ele parou esperando um comentário de Hermione, como ela não se pronunciou ele continuou.- Ah! E tem o fato de que eu sem querer meti os meus amigos nessa fria também. E que eu tenho estado irritado com isso tudo a tal ponto que nesse momento estou brigando com minha namorada como se ela tivesse culpa de tudo isso.

Hermione não conseguiu deixar de escapar um pequeno sorriso. No final das crises de Harry sempre vinha alguma coisa como aquela última frase. Poderia talvez retribuir mas tinha outra coisa mais importante para dizer.

- Harry você leu isto daqui?- perguntou ela erguendo o envelope.

- Não.- disse ele se deixando cair em sua cama como que decepcionado por ela não ter correspondido.

- Escuta.- disse ela.- Parece uma carta de Sirius. Está datada em 28 de fevereiro. “Caro Alastor, ando preocupado com Harry, você sabe, ele é tão cabeça dura quanto ao pai, e não acho que ele vá levar essa coisa de oclumência a sério. Tenho medo de que Voldemort possa levá-lo a fazer qualquer coisa impulsivamente. Você e Dumbledore sempre disseram que eu e Tiago nos parecíamos até nos defeitos. E bom, Harry puxou este de seu pai.“

- Eu não sabia que isso era de Sirius.- disse Harry se curvando pra frente.- Continue.

- “Tenho me preocupado com o garoto ainda mais após a fuga em massa de Azkaban. Temo também pela ordem. Belatriz conhece os segredos desta casa tanto quanto eu. E mesmo ela estando protegida por um segredo nada podemos garantir. E tem também o elfo doméstico de mamãe. Eu sou o parente mais próximo de sua antiga dona mas ele era uma espécie de fã de Belatriz.”- Hermione fez uma pausa.- “E voltando ao Harry, tem aquela Umbridge em Hogwarts. Da última vez ela não era um comensal, mas era como meus pais. A favor da purificação, porém temerosa a respeito do que seria o mundo quando Voldemort assumisse o poder. Talvez seja uma grande bobagem minha, mas acho que com ela em Hogwarts, a vida de Harry estará muito mais complicada do que parece. Digo isto pois as coisas podem se fundir em uma hora indevida. Após a fuga dos Comensais a Guerra parece cada vez mais próxima e real. E temo por todos nós, principalmente por Harry. Anexei uma fotografia. Sei que você gosta de guardá-las. Fique com ela pra você mas na condição de que, se algo me acontecer, não um ferimento tolo qualquer. Eu digo, se algo de realmente grave me acontecer, eu sei que Harry não se conformará facilmente. Então lhe dê a foto, como um consolo. Sei que estou parecendo um adolescente idiota que teme o dia de amanhã, que teme a morte. Não! Eu não a temo. Temo apenas por Harry. E alguma coisa nos últimos dias tem me feito pensar que eu não duro muito mais. Sempre, Sirius Black.”

- Deixa eu dar uma olhada nisso.- disse Harry meio boquiaberto.- é a letra de Sirius, mas, bem, pode ser falsa.

- Porque Moody faria uma carta falsa de Sirius?- perguntou Hermione.

- Sei lá. Todos parecem querer me obrigar a encontrar a conformação.- disse Harry.

- Eles não chegariam a esse ponto.- disse Hermione.

- Mas se isso for verdade...- disse Harry

- Era como se Sirius soubesse que ia morrer.- disse Hermione.

- Eu ia dizer isso.- disse Harry com certa simplicidade.

- E parece que ele já sabia exatamente como ia acontecer.- disse Hermione.

- Nem tanto.- disse Harry.

- È sim!- disse Hermione.- Veja, ele fala sobre a prática da oclumência, sobre a Umbridge complicar as coisas. Sobre o monstro.

- E sobre a maldita da Belatriz!- disse Harry no instante em que a porta do quarto se abriu.

- Pensei que já estivesse dormindo.- Disse Rony ao ver Hermione ali.

- Estávamos conversando.- disse Hermione. Rony fez cara de impaciência.- Mas agora eu vou mesmo.- completou Hermione se levantando.

- Vá com Deus.- disse Rony mal-humorado.

- Posso ficar com isso?- perguntou ela mostrando a carta.

- Sim.- disse Harry.

- Mas fica com a foto.- completou Hermione entregando a foto a Harry e saindo em seguida.

- Sobre o que vocês estavam falando?- perguntou Rony.

- Sobre os fatos recentes.- disse Harry.

- E o que era aquele papel?- perguntou Rony.

- Ah! Uma carta.- disse Harry.

- De quem?- perguntou Rony.

- Luna Lovegood.- mentiu Harry.

- Você se corresponde com ela?- perguntou Rony.

- Hm. Às vezes.- disse Harry.- Sabe, ela é uma boa pessoa.

- Lógico.- disse Rony meio incrédulo.


****


- Caraca.- disse Gina após ler a carta.- È como você disse. Ele definitivamente sabia que ia morrer.

- Harry não quis acreditar.- disse Hermione.- Disse que podia ser falsa.

- Moody não é pseudografico.- disse Gina.

- Eu pensei nisso. Você tem certeza?- disse Hermione.

- Bom. No verão passado ele me ajudou fazer uma lição sobre isso. E ele disse que conhecia um Pseudográfico.- disse Gina.- Acho que se ele fosse um teria dito.

- E quem era?- perguntou Hermione.

- A mãe de Neville. Alice Longbotton.- disse Gina.

- È um dom raro.- disse Hermione.- Tão raro quanto falar com cobras.

- Dizem que a fundadora da Corvinal tinha esse dom.- disse Gina.

- Lendas.- disse Hermione.- Bom, isso quer dizer que existem pouquíssimas chances da carta ser falsa.

- Mas, se Sirius realmente sabia que ia morrer, porque não fez nada para mudar isso?- perguntou Gina.

- Não são muitas pessoas que acreditam nessas coisas de premonição.- disse Hermione.- E Sirius não era uma dessas. E como ele próprio disse na carta: Ele não temia a morte.

- Ele foi o primeiro.- disse Gina.

- De muitos.- completou Hermione.

- O que você quer dizer?- perguntou Gina.

- Oras Gina.- disse Hermione.- Você ainda não parou pra pensar que muitas pessoas ainda vão morrer?

- Já, quer dizer, mais ou menos.- disse Gina parecendo confusa.

- Praticamente metade da antiga ordem morreu.- disse Hermione.

- Mas dessa vez pode ser diferente. Quer dizer...- Gina fez uma pausa e engoliu em seco.- Você não está querendo dizer que...está?

- Talvez.- disse Hermione.

- Nada ruim vai acontecer Mione, deve-se sempre pensar positivo.

- Já aconteceu Gina.- disse Hermione séria.- E o Sirius?

- Foi uma coisa, uma acidente, apenas.- disse Gina.

- Não, não foi.- disse Hermione.- Sabe, eu tenho observado muito as pessoas nesses últimos quatro dias.

- Pessoas?

- Você, o Rony, os Gêmeos e o próprio Harry.- disse Hermione.- Acho que nem o Harry têm noção do que vai acontecer daqui pra frente.

- Do que você está falando?- perguntou Gina parecendo levemente apavorada.

- Eu vou lhe mostrar.- disse Hermione se levantando. Ela foi até o malão já arrumado e tirou um pequeno caderno de lá.- Eu estive colhendo alguns fatos. Desde o verão passado.

- Fatos?- perguntou Gina.

- Sobre a Ordem.- disse Hermione abrindo o caderno.- Moody me deu várias informações valiosas, e até algumas fotografias. Se eu organizar tudo isso terei um bom livro sobre o que é a Ordem da Fênix.

- Você...- disse Gina olhando o caderno.- Você está fazendo um livro?

- È! Mais ou menos.- disse Hermione.- Mas isso não importa agora, eu só queria te mostrar uma coisa.- e tirando a foto esfarrapada de Moody de dentro do caderno entregou-a a Gina.

- A Ordem possuía mais alguns integrantes, não eram muitos mais, mas era o que tinham, essa era como que a cabeça da Ordem. Como com Voldemort, ele tinha muitos seguidores mas havia um grupo restrito deles, os Comensais. Dizem que havia vinte comensais para cada membro da “cabeça” Ordem.- disse Hermione como se narrasse um documentário. Ela abriu o caderno.

- Papai e Mamãe não faziam parte da cabeça da ordem. Eram seguidores, porém já tinham seis filhos na época e esperavam o sétimo, Papai não quis arriscar a família.- disse Gina.

- Moody me contou isso também.- disse Hermione.- Vou ler os nomes das pessoas que estão na foto pra você, mas não está na ordem da foto, e sim em ordem alfabética.

- Hm. Ok.- disse Gina.

“Hm. Sirius Black, não foi morto durante a primeira guerra, mas não escapou dessa. Amélia Bones, ela ainda está viva, é a tia de Susana Bones, ela fazia parte da AD; O irmão dela, Edgar Bones, ele foi morto assim como toda sua família. Elphias Doge. Dédalo Diggle, Aberforth Dumbledore, Harry me contou que o encontrou em Greelin, e que ele era o barman do Cabeça de Javali. Alvo Dumbledore, Caradoc Deraborn, Benjy Febwick, foi morto e só encontraram alguns pedaços de seu corpo; Rúbeo Hagrid. Frank e Alice Longbotton, são os pais de Neville, você sabe o que aconteceu com eles...”

Hermione virou uma página.

- Remo Lupin, Marlene Mckinnon, foi morta junto de toda a sua família, Dorcas Meadowes que foi morta por Voldemort em pessoa. Alastor Moody, Pedro Petigrew, era um traidor. Estúrgio Podmore, Lílian e Tiago Potter, foram mortos também pessoalmente por Voldemort, Gideron Prewett, fora necessários sei comensais para matar ele e o irmão Fabian, morreram como heróis.- Hermione fez uma pausa.- Concluindo: metade da antiga ordem foi morta.

- Mas...- disse Gina.- Dessa vez é diferente, a ordem é bem mais numerosa!

- Não, Gina! Não é.- disse Hermione.

- Você viu quantas pessoas estiveram aqui hoje?- perguntou Gina.

- Aquelas são as pessoas que estão do lado da Ordem. Ou você realmente acha que a Sra. Longbotton vai arriscar a sua vida?- perguntou Hermione.

- Mas, você está tentando me dizer que os meus irmãos vão todos morrer?- perguntou Gina.

- Não sei.- disse Hermione.- Mas gostaria que você estivesse preparada. Não vai ser legal você ficar igual ao Harry.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:20

7° Capitulo - Confusão no Expresso Hogwarts

- Vamos! Vamos! Já estamos atrasados!- gritou a Sra. Weasley.

Harry se olhou no espelho do banheiro de seu quarto. Uma voz em sua cabeça muito parecida com a voz da tia Petúnia dizia Arrume este cabelo, garoto! Harry sorriu. Rony entrou no banheiro apressado e se olhando no espelho bagunçou os próprios cabelos.

- Vamos embora antes que mamãe engula nossos cérebros.- disse Rony saindo do quarto carregando o próprio malão. Harry fez o mesmo. Ao chegar no hall de entrada encontrou Moody e Hermione que conversavam aos murmúrios, ao verem Harry eles se calaram.

- Bom dia Harry.- sorriu Hermione e se virando para Moody.- Então fica assim! Você me envia a fotografia pelo correio coruja e eu cuido do resto.

- Ok! Você venceu, mas não deixe que Molly saiba disso!- alertou Moody.

- Que eu não saiba de que?- perguntou a voz da Sra. Weasley.

- Hum...- fez Moody.

- È que eu sem querer quebrei algumas louças com o meu malão.- disse Hermione.

- Ah! Era isso? Não tem importância querida!- disse Molly sorrindo para Hermione enquanto Fred, Jorge e Gina chegavam ao hall.

- Já está tudo pronto?- perguntou Moody.- Onde está Tonks?

- Aqui!- disse Tonks que vinha apressada vestindo uma jaqueta Jeans, ela tinha os cabelos vermelhos e arrepiados hoje.- Desculpe o atraso, estava tentando explicar a Gui porque ele não pode fazer parte da Guarda hoje.

- Mas Gui tinha de ir conosco!- disse Moody.- Já tínhamos um a menos por Lupin não estar aqui, não podemos partir com dois!

- Ele não vai!- disse a Sra. Weasley séria.

- Estão faltando duas pessoas nessa tal “guarda”?- perguntou Fred

- Pois este não é mais o problema!- disse Jorge.

- Não! Não mesmo!- disse a Sra. Weasley.- Já tenho dois filhos envolvidos nisso, não agüentaria mais dois. E vocês nem sabem o básico de magia ainda!

- Ei mamãe! Nós podemos não ter prestado o N.I.E.N.s mas já somos bruxos maiores de idade!- disse Jorge.

- E somos membros da AD, portanto já temos noção suficiente de Defesa Contra as Artes das Trevas para podermos entrar definitivamente pra essa Ordem!- completou Fred.

- Não! Não e não!- disse Molly.

- Molly! Deixe que os garotos façam parte da guarda até a estação.- disse Moody piscando para os dois.- E depois nós decidimos o que fazer com eles.

A Sra. Weasley concordou. Logo eles ganharam a rua trouxa. Fred e Jorge carregavam os malões de Gina e Hermione, que ladeavam a Sra. Weasley, e caminhavam lado a lado com Harry. Moody ia logo atrás e Tonks um pouco à frente.

- Sabe, nós daríamos bons guardas.- dizia Fred para quem quisesse ouvir.- Temos um comércio no Beco Diagonal, logo não seria suspeito estarmos sempre por lá.

Depois de vinte minutos eles estavam em King Cross. Eram dez pras onze.

- Vamos! Vamos lá! Entrem com a bagagem.- disse a Sra. Weasley. Com a ajuda de Fred e Jorge, Harry e Rony colocaram os malões para dentro do trem.

Quando Harry saiu da cabine novamente a Sra. Weasley abraçava Gina.

-...E estude bastante, querida, quero que você tire um N.O.N.s alto, sei que você consegue!- ela deu um beijo na testa da garota e esta entrou para o trem.

- E você Ronyquinho.- disse ela abraçando o filho.- Juízo, não quero mais saber de você com essas bebidas, an?

Rony, extremamente vermelho despediu-se de Moody e Tonks e entrou para o trem.

- Ei, Harry.- chamou Tonks.

- Sim.- disse Harry se aproximando.

- Toma, leva isso.- disse ela entregando a ele um envelope cor de rosa.

- O que é isto?- perguntou Harry.

- Não sei o que vai ser daqui pra frente.- disse Tonks ficando levemente vermelha.- Mas, se algo me acontecer, quando você olhar pra essa fotografia vai poder lembrar de mim.

Levemente emocionado Harry abraçou a bruxa.

- E você ainda pensa que eu esqueceria a bruxa que me ensinou o feitiço de organizar malas?- disse ele.

Ela sorriu, havia uma ruga de preocupação em seu rosto.

- Não mostra isso pra ninguém, ok?- pediu ela.- Não cai bem pra uma Aurora que as pessoas vejam que ela está, de alguma forma, temendo a morte.

Imediatamente Harry guardou o envelope dentro da jaqueta. Hermione era abraçada pela Sra. Weasley agora.

- Bom, Potter.- disse Moody estendendo a mão para o garoto, Harry a apertou.- Posso escrever para meu velho amigo Alvo Percival e dizer que a minha missão está cumprida.

O trem já apitava.

- Ei, Harry.- chamou a Sra. Weasley.- Venha cá, deixe eu lhe dar um abraço também.

Harry obedeceu.

- Juízo querido, espero que sem a Umbridge em Hogwarts você se comporte.- disse ela.

Harry ficou calado. O abraço da Sra. Weasley era um abraço maternal. Ficou imaginando, que, se seu pais ainda fossem vivos, o abraço de sua mãe na partida para Hogwarts seria daquela forma.

O Trem apitou. Harry entrou para a cabine e botou a cabeça para fora da janela. Fred e Jorge conversavam com Rony.

- Você deveria se candidatar a batedor, sabe, o seu tipo físico é melhor pra isso.- dizia Fred.

- Ah! Harry, por favor ein?! Não deixe que o Rony dê vexame esse ano.- disse Jorge quando o trem começou a se mexer lentamente.

- È isso aí! Weasley é o nosso rei!- gritou Fred.

- Faça com que a taça seja nossa novamente, Rony!- gritou Jorge. E então o grupo foi sumindo de vista.

Harry ficou quieto na poltrona onde estava. Ficou se lembrando da partida no verão anterior. Sirius se arriscara e fora levá-lo à estação. Ele sentiu uma indignação crescer dentro de seu peito, e um ódio repentino surgir. Ele apertou o braço da cadeira com a mão, e então sentiu uma outra mão tocar a sua, olhou pro lado. Viu Hermione que sorria pra ele.

- Rony e Gina foram procurar Luna ou Neville.- disse ela.- Para eles lhe fazerem companhia. È que temos que cumprir com nossos deveres de monitores.

Harry sorriu de volta pra ela. Mais por não deixar aquele lindo sorriso que ela lhe dera sem resposta do que por satisfação.

- Eu ficarei bem.- disse ele.

- Em que você estava pensando?- perguntou Hermione.

- Adivinhe.- disse Harry olhando pela janela.

- Hm. Em Sirius ou em seus pais?- perguntou ela.

- Como sabia?- perguntou Harry olhando de volta pra ela.

- Deve ser pelos cinco anos que já te conheço.- sorriu ela.

- Amo você.- disse Harry.

- Também.- respondeu se virando em seguida ao ouvir a porta da cabine se abrir com violência.

Por ela entrou Draco Malfoy. Já estava vestido, o distintivo brilhando e os cabelos caprichosamente penteados para trás.

- Ora bolas, quem eu acabo de encontrar?!- disse ele ao ver os dois assentados lado a lado.

- O que quer aqui?- perguntou Hermione.

- Oh! Não fale comigo Sangue Ruim!- disse ele fazendo cara de nojo.

- Dá pra falar logo o que quer e dar o fora daqui?- perguntou Harry impaciente.

- Vocês viram Gina Weasley?- perguntou ele.- È que eu sou o monitor encarregado de passar as devidas instruções a ela.

- Você é o que?- perguntou Hermione parecendo mais irada do que pelo insulto anterior.

- Bom, se você quiser procurá-la no meu bolso fique a vontade.- disse Harry.

- Vá para o inferno, Potter!- disse ele seguindo em frente pela cabine e saindo pela outra porta.

- Garoto irritante!- disse Hermione.

- Como assim ele é o instrutor de Gina?!- perguntou Harry.- Pensei que seria você ou o Rony, sei lá, mas o Malfoy?!

- Não sei como ele conseguiu, mas não parecia muito infeliz em ter de fazer isto.- disse Hermione.- Mas eu não estive reparando nisso.

- O que?- perguntou Harry.

- Você não viu?!- perguntou ela.- Ele estava todo machucado!

- Eu vi um corte perto do olho mas pelo o que o Gui disse foi de quando ele voou contra a parede!- disse Harry.

- Não!- disse Hermione.- Ele tinha um corte mais acima, aquele do olho, um no lábio e ele estava mancando.

- Você acha que...?- perguntou Harry.

- Ele não pode ter se machucado todo assim simplesmente por ter sido lançado contra a parede!- disse Hermione. Ouve um baque vindo da cabine de trás.- Essa não! Tenho que cumprir o meu dever, até mais Harry.

E rapidamente ela sumiu pela porta da cabine.


****


- Oh! Aí está você!- disse uma voz vinda do fundo da cabine. Gina, que já havia alcançado a porta oposta da cabine, cheia de novatos, olhou para trás. Era Draco Malfoy, que vinha veloz, apesar de estar mancando da perna direita.

- O que você quer?- perguntou ela.

- Sou seu instrutor.- sorriu ele.

- Não preciso de instruções, Mione já me passou todas.- disse Gina.

- Oras Weasley!- disse ele.- Você sabe muito bem que não é esse o meu assunto com você. O que está olhando, moleque?- completou olhando de cara feia para um garoto que o observava curioso.

- Eu não sei de nada!- disse Gina abrindo a porta e ganhando o pequeno espaço entre uma cabine e outra.

Draco foi atrás.

- Ah! Sabe sim!- disse ele.- Tenho certeza que o seu desprezível irmãozinho lhe deu o recado!

- Do que você tá falando?- perguntou Gina tentando fugir da conversa.

- Não finja de tola, Weasley!- disse Draco parecendo mal-humorado.- Eu sei que o seu irmão lhe contou quem o ajudou a fugir!

- Sim!- disse Gina.- Mas e daí?

- E daí?!- perguntou Draco.- Você sabe muito bem por que fiz isso!

- Hum..- disse Gina fingindo pensar.- Porque você é um idiota?- e dizendo isso se virou a fim de ganhar a cabine seguinte. Draco então a segurou pelo braço e a fez virar novamente pra ele.

- Eu sei!- disse ele.- Eu sei que você se lembra muito bem do que eu lhe disse no beco diagonal. Apesar de que a sua amiguinha sangue ruim chegou e nos interrompeu. Mas você não se esqueceu do episódio.

- Hum, ok!- disse Gina puxando a mão de Draco que ainda segurava seu braço a fim de escapar.- Eu me lembro perfeitamente! E é por isso que digo que você é um idiota, pois eu não lhe garanti nada em troca!- Ela parecia muito ciente de tudo o que acontecera agora.

- Eu não pedi nada em troca!- disse Draco.- Eu fiz isso apenas pra lhe mostrar que não sou tão estúpido quanto pareço.

- Pois fico muito grata pelo que você fez, Malfoy!- disse Gina fazendo ainda mais força agora.- Você até ganhou alguns pontos comigo pela sua boa ação, mesmo que eles tenham se anulado, pois seu saldo era mais negativo do que você imagina.- Ela respirou fundo e parou de fazer força.- Mas será que agora você poderia soltar o meu braço?

- Tudo bem!- disse ele soltando-a e levantando as duas mãos.- Eu não toco em você. Mas será que é tão difícil me ouvir por um minuto que seja?

- Aff.- fez Gina.- Então diga todas as baboseiras que você tem a dizer antes que eu perca o meu dia inteiro aqui.

Ele passou a mão pelo cabelo e Gina pode ver um corte em seu coro cabeludo.

- Você não imagina o que significou para mim ajudar seu irmão a escapar!- disse ele.- Não, não foi simplesmente levar um xingo de meu pai, ser lançado contra a parede e perder a minha vassoura não!

- Oh! Que comovente!- disse Gina fazendo pouco caso, mas estava curiosa em saber o que o tinha deixado tão acabado.- Mas o que aconteceu então?

- Depois que me acordaram, fizeram um curativo em mim, me fizeram contar o que aconteceu.- disse Draco apoiando as costas na parede da pequena saleta.- Eu contei que tinha ido levar comida ao Weasley e que esqueci de deixar a minha varinha lá em cima. E que então ele a apanhou sem que eu percebesse, que eu ainda tentei combatê-lo, que lhe acertei um soco, mas que ele me dominou e me arrastou até meu quarto, apanhou minha vassoura e depois de me lançar contra a parede fugiu na vassoura. Pois papai não só se negou a me dar outra vassoura no lugar da antiga como chamou aquele...- ele fez uma pausa e deixou escapar uma expressão de nojo.- Aquele rato! Aquele tal de Rabicho. E deixou que ele usasse aquela mão metálica em mim.

- Foi ele que fez isso?- perguntou Gina indicando os cortes no rosto do garoto.

- Ah não! Isso papai fez pessoalmente.- disse Draco.- Rabicho apenas me deixou manco.- mal ele acabara de falar e Neville surgiu por uma das portas.

- Malfoy?!- disse ele.- Você de novo atrás da Gina?

- Não te interessa Longbottom!- disse Draco em um tom arrogante.- sai daqui.

- Lave a boca com sabão antes de falar assim comigo.- disse Neville e erguendo um pulso cerrado acertou um soco na cara de Draco que caiu para trás.

- Neville!!- gritou Gina.- Não era pra tanto! Mas vamos, ande, vamos sair daqui.

Os dois voltaram por onde Gina viera, e seguiram até a cabine de Harry.

- Você devia ter visto Harry!- disse Neville.- Eu acertei o soco assim, bem no meio do nariz dele! E o melhor de tudo é que ele não esperava. Há! Já tenho mais uma história para contar a papai!

- Eu realmente queria ter visto a cena!- disse Harry sorrindo.- Deve ter sido engraçado.- mal ele dissera isso quando a porta da cabine se abriu e por ela entrou Draco Malfoy, Crabbe e Goyle. Draco vinha com um pedaço de pano no nariz.

- Hou hou!- fez Draco tirando o pano do nariz.- Vejo que o Longbottom já veio correr pra debaixo das asinhas do Potter. Ficou com medo de eu revidar é?!

- Lógico que não!- disse Neville erguendo os pulsos cerrados.- Eu já tive medo de você Malfoy, mas esse tempo passou!

- Oh! Que comovente.- disse Draco.- Quer dizer que agora você se tornou o Sr. Coragem é?- Harry se levantou.

- Cala a boca Malfoy!- disse Harry.

- Oh! Vai defender o seu amigo Potter?- disse Draco.- Sinto lhe dizer mas nós estamos em vantagem, somos três contra dois!

- Vejo que você faz pouco das mulheres mesmo, não é Malfoy?!- disse Gina.

- Fica fora disso Gina!- disse a voz de Rony que vinha entrando na cabine.- Porque agora tá tudo igual! O rei chegou!- disse ele sorrindo enquanto parava do outro lado de Neville.- Isso tudo foi o Neville, Malfoy?- disse ele olhando o rosto surrado de Draco.

- Vejo que agora a coisa vai ficar boa!- disse Draco enquanto Crabbe e Goyle davam risadinhas.- Vamos quebrar a cara dos três caras mais idiotas de Hogwarts de uma só vez!

- Vão quebrar as nossas caras ou vão ter as suas quebradas?!- disse Rony.- Você acha que dois caras que tem como maior nota no N.O.N.s um Aceitável em poções me dão medo?! Oras! Eu tenho mais o que temer!

- Idiota!- urrou Crabbe e antes do que Rony esperava ele foi atingido com um soco no olho.

E então uma tremenda confusão de braços e pernas que se embolavam golpeando uns aos outros começou.

Sem saber bem o que fazer Gina subiu na poltrona do trem e começou a gritar.

- EI! PAREM COM ISSO! VOCÊS PENSAM QUE SÃO O QUE PARA BRIGAR DESSA MANEIRA? TORUXAS?

Não adiantou muita coisa. Até que ela sacou a varinha e apontando para o primeiro que viu gritou estupefaça. Goyle pousou com um baque no chão. Os demais ficaram paralisados. Mal Gina aquietara sua respiração quando pessoas entraram pelos dois lados da cabine. Pela direita veio Hermione e Colin Creevey, o novo monitor da Grifinória. Pela esquerda vieram Pansy Parkinson, Ernie Macmillan, Cho Chang e Josh Smith, monitor chefe da Corvinal.

- O que aconteceu aqui?- perguntou Ernie Macmillan. Crabbe, que segurava Harry pelo colarinho o soltou.

- Hum.- disse Gina corando de leve.- Acho que os garotos tiveram um pequeno desentendimento.

- Mas isso é um absurdo!- disse Hermione pulando um Goyle caído.-Façam o favor de se explicar!

- Bom, sangue ruim eu acho que não devo explicações a você!- disse Draco assim que Neville saiu de cima dele, o machucado na boca voltara a sagrar agora.

- Mas a mim você deve!- disse Josh.

- Hum, e posso saber quem é você?- perguntou Draco apanhando o pano branco novamente e o levando à boca.

- Monitor Chefe de Hogwarts.- disse o garoto indicando o distintivo.- E acho que se não se explicarem imediatamente estarão todos encrencados.

Uma confusão de vozes começou. Harry, Neville, Draco, Rony e Crabbe falavam ao mesmo tempo.

- Calem a boca!- gritou Gina descendo da poltrona.- Eu explico!

- Ela vai explicar tudo assim que o trem parar.- disse a voz de Cho que tinha a cabeça enfiada para o lado de fora do trem agora.- E isso não vai demorar muito.

Cerca de dez minutos depois o trem parou. Ao que tudo indicou, Josh Smith havia dado um jeito de avisar na escola sobre o ocorrido, pois a Profª. Minerva e Snape já esperavam o grupo na estação. E o mesmo seguiu direto para a sala de Minerva ao alcançar o castelo.

- Vejo que bela confusão vocês aprontaram não é mesmo?- disse Snape olhando principalmente para Harry, Rony e Neville.- A minha sugestão é dar uma bela detenção para todos!

- Você pode dar a detenção que quiser para os alunos da sua casa.- disse Minerva que ainda usava uma bengala.- Eu, portanto, prefiro escutar da Srta. Weasley exatamente o que aconteceu. Mas antes.- disse ela olhando Snape por cima dos óculos.- Eu gostaria de pedir ao Sr. Creevey que fosse até o salão principal buscar Madame Pronfey.

- Sim senhora.- disse o garoto louro saindo da sala.

- Eu acho que podemos dispensar os demais.- disse Snape.

- Acho que não.- disse Minerva.- Eu peço que eles fiquem e digam também o que viram. Mas comece a nos contar Gina.

Gina então começou a narrar. Contou que estava trocando insultos com Malfoy no corredor do trem e que este a segurou violentamente pelo braço, atraindo a atenção de Neville que lhe atingiu com um soco. Mais tarde então, Malfoy reapareceu com os dois companheiros de casa afim de se vingar. Harry e Rony então foram defender Neville e assim começou a briga.

- E quem foi que a separou, posso saber?- perguntou Snape.

- Eu mesma.- disse Gina.- Estuporei Goyle e todos entenderam que era pra parar no mesmo minuto.- completou no momento em que Madame Pronfey entrou na sala, muito cheia.

- Sugiro...- começou Snape.

- O que você sugere, Sr. Smith?- interrompeu Minerva.

O rapaz pigarreou.

- Bom, professora McGonagall. Na minha opinião não há culpados ou inocentes.- ele olhou para Harry, Rony e Neville, parados lado a lado atrás de Gina, e depois para Draco, assentado, e Crabbe e Goyle atrás dele.- Ambos os lados são culpados, e ambos são vítimas.

- Resumindo, garoto!- disse Snape.

- Se for para levarem detenções que todos levem, e se um não levar, que nenhum outro leve.- disse Josh Smith.

- Obrigado, Sr. Smith.- disse Minerva se levantando.- Normalmente vocês não deveriam levar detenções, pois afinal de contas, o ano letivo ainda não havia começado.

- Mas...- disse Snape.

- Espere professor Snape.- disse ela.- Mas como uma lição à ignorância de vocês em se meter em uma briga trouxa dessas, todos deverão cumprir detenções na próxima Quarta feira às cinco da tarde.- ela ergueu a mão pedindo que Snape, que já tinha a boca aberta, esperasse.- A detenção vale para os seis em respeito à opinião do Sr. Smith.

Snape fechou a cara. Draco resmungou qualquer coisa.

- Gina e os demais podem ir para o banquete de abertura do ano letivo.- disse Minerva.- exceto a Srta. Granger, por favor, preciso trocar uma palavrinha com você.

Um por um os demais foram saindo da sala. Até que só sobraram os seis garotos, os dois professores, a enfermeira e Hermione que olhava severamente de Harry para Rony.

- Você queria falar alguma coisa, professor?- perguntou Minerva.

- Sim!- disse Snape saindo de trás da mesa.- Achei injusta a sua decisão. Primeiramente gostaria de dizer que EU sou o responsável pelos alunos da Sonserina.

- Sobretudo os seus alunos da Sonserina estavam envolvidos na briga tanto quanto os meus alunos, Severo.- disse Minerva.

- Tudo bem, mas foi o seu aluno da Grifinória quem começou.- disse Snape.

- Mas brigaram não é mesmo?- disse Minerva- Então não existem desculpas.

Snape abriu a boca para falar mas a fechou novamente.

- O que estamos fazendo aqui?- perguntou Madame Pronfey.- Vamos pra enfermaria, temos muitos curativos a fazer!

- Pode voltar para a cerimônia e cuidar da seleção das casas por mim, Severo?!- Disse Minerva. Fazendo um ruído choco Snape saiu da sala.

- Andem! Vamos.- disse Madame Pronfey. O grupo seguiu até a enfermaria.

- Pra que foi arrumar essa confusão?- perguntou Hermione, em voz baixa, que seguia atrás de Harry.

- Desculpa, mas o Malfoy provocou!- disse Harry assim que eles entraram na enfermaria.

- Assente-se aí e aguarde um minuto.- disse Minerva para Hermione. A garota obedeceu e ficou observando. Draco parecia ainda mais “quebrado” agora. Madame Pronfey mandou que ele se deitasse em um dos leitos que daria uma olhada no joelho dele mais tarde e ainda perguntou se aquilo tudo tinha sido na briga.

- Não, bem, ouve um vento forte anteontem lá para os meus lados e eu...- ele fez uma cara de dor.- Caí da vassoura.

Neville parecia o mais são, tinha apenas um corte no queixo, mas também, Harry e Rony haviam enfrentado os dois ogros seguidores do Malfoy, o que parecia bem mais doloroso do que encarar um Malfoy todo machucado. O nariz de Rony sangrava e seu lábio inferior estava inchado, Madame Pronfey fez o curativo dele primeiro e ele logo foi mandado para o salão principal junto com Neville que teve o queixo apenas limpado com uma poção desinfetante.

Crabbe também não estava muito machucado, tinha um olho roxo apenas e também foi mandado para o jantar. Sobraram Harry, Draco e Goyle. Os dois últimos passaram a noite na enfermaria, Goyle havia quebrado uma costela ao cair depois de ser estuporado. E Draco, bem, ele havia adquirido mais um olho roxo e o corte em sua boca parecia muito pior agora. Mas o que mais preocupou Madame Pronfey foi a perna dele.

Ela deu-lhe um antídoto e depois de lhe levar uma sopa mandou que dormisse. Harry também ganhara um corte na boca, que sangrara tanto que manchara seu colarinho de sangue. Mas foi apenas isso e os óculos quebrados que Minerva logo consertou. Enquanto era atendido, a professora foi até Hermione.

- Sinto muito, professora.- disse ela.- por não estar perto quando isso aconteceu.

- Foi melhor.- disse a professora. Hermione ergueu a sobrancelha.- Quero que você se candidate a Monitora Chefe no final do ano, e não é bom que você se envolva nesse tipo de coisa.

Hermione não pode deixar de sorrir.

- Isso se anularmos o fato de você ter saído da escola e ter ido até o ministério da magia com mais cinco colegas não é mesmo?- disse Minerva sem esconder um sorriso.

- Se é sobre isso que queria me falar, pode ficar despreocupada, professora.- disse Hermione sorrindo.- Vou me comportar.

- Não é sobre isso.- disse a professora.- Sobre isso também, mas não só.

O sorriso de Hermione desapareceu.

- Remo me contou sobre tudo o que você viu na penseira de Sirius Black.- disse Minerva.- E sobre o que aconteceu depois.

- Hm.- fez Hermione.- O que, exatamente, ele lhe disse?

- Ele me disse que você assistiu o funeral dos Potter e que ao ver o caixão de Lílian aberto se desesperou por ter visto a si própria lá.- disse Minerva.

- Não foi exatamente isso!- disse Hermione engolindo em seco.- Eu não me confundi com Lílian Potter, eu a vi, mas quando olhei de novo era eu quem estava lá.

- Não era você, querida, era Lílian.- disse a professora.

- Eu tenho certeza, era eu quem estava lá.- disse Hermione falando com o máximo de eloqüência possível.

- Qualquer um que conhecesse Lílian Potter a confundiria com ela.- insistiu Minerva.

- Ela não se parecia comigo nem um pouco!- disse Hermione se sentindo irritada.- Ela era ruiva, tinha os olhos verdes!- explicou.- Com Gina sim ela poderia ser confundida.

- As suas notas na escola tem sido curiosamente iguais às de Lílian Potter.- disse Minerva.- Desde o seu primeiro ano. E eu não falo de aparência física, eu falo do jeito. Do brilho.

Hermione olhava pra ela com a sobrancelha ainda mais erguida. Será que havia se esquecido de que ela não era Harry? Que não havia perigo de alguém querer invadir a sua mente.

- Do jeito de pensar! De agir!- disse Minerva.

- Eu realmente não compreendo porque estamos tendo esta conversa, professora.- disse Hermione.

Minerva deu um suspiro.

- Olha, pensei que nesses cinco anos em que a Sra. esteve me acompanhando já tivesse notado uma coisa em mim.- completou Hermione.

- O que?- perguntou a professora.

- Eu não sou um tipo de garota como...- Hermione revirou os olhos com certo desprezo.- Como uma Lilá Brown, sei lá uma Parvati Patil ou coisa assim.- Ela ergueu os olhos novamente para a professora que a observava atentamente parecendo não entender em que ponto ela queria chegar.- Eu não acredito em nada que nada que me pareça excepcional demais.- tentou explicar Hermione.

- A magia é algo excepcional de mais!- disse Minerva.

- Eu sei! Mas não acredito em coisas além da magia como...- ela revirou os olhos novamente.- Como a adivinhação. A Sra. deve se lembrar sobre o que eu lhe disse no dia em que abandonei o curso, não?

- Sim, eu me lembro.- disse Minerva.

- Então se a sua preocupação é que eu me surpreenda com uma visão ou com um sonho qualquer pode relaxar. Eu não vou fugir de Hogwarts e ir até o ministério voando em cavalos alados levando mais cinco colegas só porque tive um sonho ruim!- disse Hermione.

- Sim, eu sei! Eu sei!- disse a professora.

- Então não compreendo porque tocou neste assunto?!- disse Hermione.- Sobre o que eu vi na penseira. Eu já me esqueci. Não que eu não tenha me surpreendido pelo que vi, mas eu simplesmente não vou deixar que isso atrapalhe a minha vida!- ela sorriu.- Harry! Espere vou com você.- disse para Harry que caminhava em direção à porta da enfermaria.- A senhora já terminou?

Minerva concordou com a cabeça.

- Com licença.- pediu Hermione e então saiu da enfermaria atrás de Harry. Eles seguiram calados até que viraram a primeira esquina.

- Ok! Pode começar a brigar comigo!- disse Harry.

- Pra que?- perguntou Hermione.- Pau que nasce torto morre torto!

- Espera!- disse Harry parando na frente de Hermione.- Você simplesmente não vai dizer nada?

- Não!- disse Hermione séria.

- Mas,- disse Harry.- Como assim? Você sempre brigou aliás, esse é o seu papel! Você se lembra? Você é Hermione Granger e como tal você deve ralhar comigo e com o Rony, porque nós devemos sempre nos comportar bem e não estamos fazendo isso!

- Eu estou faminta e não vou perder o meu tempo fazendo o discurso com você que vou fazer com o Rony mais tarde!- disse ela continuando a andar.

Eles estavam agora descendo as escadas que levavam ao saguão de entrada. Os alunos já seguiam para seus dormitórios de barriga cheia.

- Oh! Ótimo! Além daquela confusão inútil que vocês provocaram agora vou ir pra cama sem comer.- disse Hermione ao concluir que o jantar já fora encerrado.

Harry parou em frente a Hermione mais uma vez. Ele tinha um sorriso maroto no rosto.

- Você está se esquecendo que estamos em Hogwarts?- perguntou ele.

- Você fala como se isso fosse uma cidade fantástica, cheia de mistérios a serem desvendados e inúmeros segredos!- disse Hermione levemente mal-humorada fazendo pouco caso.

- Oras Mione!- disse Harry.- Até parece que você não “aprendeu” nada com Fred e Jorge!- completou.

- O que tá querendo dizer?- perguntou ela.

- Oh Mione, até parece que você se esqueceu dos seus amiguinhos elfos da cozinha.- disse Harry finalmente.

- Nossa! È mesmo! Como pude me esquecer disso.- disse ela dando um tapa na própria testa.- Vamos virar ali.- completou seguindo à direita.- Se tens fome vá até a cozinha de Hogwarts, obvio!

Os dois seguiram pelo corredor que levaram até a cozinha.

- Bem que a gente podia aproveitar a nossa vinda aqui pra outra coisa.- disse Harry parando.

- Que?- perguntou Hermione ainda com ar mal-humorado parando também.

- Oras.- disse Harry sorrindo e então se aproximou Hermione e a beijou.

Por um instante a garota se deixou levar, mas então ela sentiu um leve gosto de sangue na boca, rapidamente empurrou Harry pra longe.

- Hou hou!- disse ela não conseguindo esconder um sorriso de triunfo.- Você acha que eu já esqueci o que você aprontou hoje, garoto?

- Ah Mione! Garanto que não vai surgir oportunidades melhores da gente ficar junto do que essa!- disse Harry

- Pois eu garanto que vai sim!- disse Hermione

- Mesmo assim! Não vai aparecer ninguém aqui!- disse Harry.

- Você sabia que esse é o caminho para a torre da Lufa-lufa?- perguntou Hermione.


****


- Ai! Ai, Gina!- disse Rony.

- Oras maninho!- disse Gina que examinava o machucado do irmão que voltara a sangrar.- Não mandei você conseguir bater o livro aí!- ela olhou para o buraco do retrato por onde entravam Harry e Hermione que vinham comendo.- Muito menos entrar em brigas.

- E aí?!- perguntou Harry enquanto se assentava.- Alguém aceita? Bolinho de abóbora, tá uma delícia.

- Não, obrigada.- respondeu Gina.

- Ai!- fez Rony de novo, deitado no colo da irmã.

Gina fez um chiado de impaciência igual ao de um gato.

- Sabe Gina, você às vezes me lembra o Sirius.- disse Rony se levantando.- A diferença é que ele era um animago, e por isso fazia alguns ruídos de animais como esses seus.

- Eu não faço ruídos de animais.- Disse Gina olhando para Hermione que olhou para Harry.

- Faz sim. Igual ao Bichento!- disse Rony.

- Ah! Quem se importa.- disse Hermione se levantando.- Vou dormir. Boa noite!

- Já?- perguntou Harry.

- Quero dar uma lida em umas coisas.- justificou Hermione e em seguida subiu.

- Achei que ela ia nos dar uma baita torra!- disse Rony.- Ela falou algo com você?

- Não! Eu também achei.- disse Harry.

- Ela não vai xingar vocês.- disse Gina.- O que vocês fizeram foi tão estúpido que ela nem vai se dar o trabalho de ralhar com vocês.

- Ah! Harry!- lembrou Rony.- Você é o novo capitão do time!

- O que?- perguntou Harry que não esperava a notícia.

- È! O novo capitão!- confirmou Rony.

- E advinha que é o da Sonserina?- perguntou Gina.

- Malfoy.- disse Harry com desânimo.

- O da Lufa-lufa é Zacarias Smith e da Corvinal Cho Chang.- completou Rony.

- E você tem que marcar o treino para a seleção de novos jogadores.- disse Gina.

- Realmente!- disse Harry.- Precisamos de quais jogadores?- completou olhando para Rony.

- Temos você de apanhador e o Rony de goleiro.- disse Gina.

- E você de artilheira.- completou Rony.

- Mas tenho que fazer os testes primeiro!- disse Gina.

- Ah maninha, nem precisa, a gente já teve demonstração demais de que você voa muito bem.- disse Rony.- E que estava jogando de apanhadora por falta de opção. E eu também resolvi que vou me candidatar a artilheiro.

- Acho que você deveria ficar no gol.- disse Harry com sinceridade.

- Ah! Não sei!- disse Rony.

- È!- disse Harry.- Gina é artilheira, eu, apanhador, você no gol, precisamos de bons batedores e mais dois artilheiros!

- Eu não quero correr o risco de dar vexame de novo!- disse Rony.

- E desde quando você deu vexame, cara?- perguntou Harry.- A gente ganhou a taça do ano passado porque você catou A bola, cara. E agora o que você tem a fazer é se dedicar a sempre melhorar!

- Podia marcar pra quarta a noite, o treino.- disse Gina.

- Detenção.- informou Rony que tinha os braços cruzados.

- Quinta?- perguntou Gina.

- Por mim pode ser.- disse Harry.

- É!- concordou Gina.

- Então amanhã vou procurar a Profª. Minerva e marcar, e tem também que colocar um aviso.- concluiu Harry.

- Eu faço isso.- disse Gina.- é só você confirmar a data e o horário.


Gina abriu a porta do dormitório do 6o ano lentamente. Quando subiu, Lilá e Parvati ainda estavam lá em baixo, o que dizia que Hermione estava sozinha. Gina entrou lentamente no quarto. Hermione de tão concentrada sequer levantou o rosto. Havia vários livros por ali. Principalmente sobre animagia. Gina se assentou aos pés de uma das duas camas vazias.

- Sabe, eu estive pensando, deve haver algo que está impedindo você de obter sucesso.- Disse Gina.

- È! Eu já pensei nisso.- disse Hermione.

- Ah!- fez Gina.

Hermione levantou o rosto.

- Mas não é sobre isso que eu estou estudando.- disse Hermione.- Dê uma olhada.- disse ela enquanto se levantava e esticava um livro trouxa para Gina.

A garota examinou a gravura. Era uma dessas fotos trouxas do espaço.

- È um buraco negro.- disse Hermione.

- Mas que importância isso têm?- perguntou Gina se entender.

- Um enorme buraco negro tapado por um véu.- disse Hermione.

- Você está falando daquele arco?- perguntou Gina.

- Isso mesmo.- disse Hermione.

- Eu não acredito que seja algo como isso!- disse Gina devolvendo o livro a Hermione.

- Não achei nada mais semelhante até agora.- disse Hermione.

- Você realmente acredita que Sirius está vivo, não é?- perguntou Gina.

- Sinceramente.- disse Hermione se levantando e guardando o livro no malão.- Eu tenho certeza de que ele não morreu.

- Ele morreu Hermione!- disse Gina.

- Não acha estranho? Ele é estuporado, atravessa o véu por onde eles jogam o caixão, e some!- disse Hermione.

- Ele pode não estar morto quando atravessou o véu, mas quantos meses já se passaram?! Quase três!- disse Gina.- Se ele ainda estava vivo quando chegou do outro lado, a essa hora ele está morto. De fome!

- Você não conhece o Sirius, Gina?- perguntou Hermione.- Se fosse para ele morrer de fome ele teria morrido quando fugiu de Azkaban!

- È diferente, Hermione!- disse Gina.- Se quer tanto saber o que era aquele arco e aquele véu, pra que serve, porque não pergunta a Dumbledore?

- Se ele estivesse disposto a responder essa pergunta teria dito a resposta ao Harry!- disse Hermione.

- Acho perda de tempo, levar essa história adiante.- disse Gina.

- Pois não leve!- disse Hermione enquanto se acomodava em baixo de suas cobertas.- Não lhe pedi pra acreditar nisso também!

- Vou dormir!- interrompeu Gina.

- Boa noite.- respondeu Hermione fechando o cortinado.


- Desculpa por ontem, ok?- perguntou Gina logo que ela e Hermione saíram pelo buraco do retrato na manhã seguinte.

- Tudo bem!- disse Hermione.

- Os meninos estranharam que você não brigou com eles!- disse Gina.

- E nem vou brigar!- completou Hermione.- Mas porque, na verdade, aquela briga começou?

- Hum.- fez Gina.- O Malfoy estava me contando o que aconteceu depois que o meu irmão partiu, que ele levou uma surra...

- Por isso ele estava daquele jeito!- disse Hermione.

- È!- disse Gina.- No começo eu estava fugindo do assunto, só que aí ele me puxou pelo braço, acho que foi isso que o Neville viu, pois algum tempo depois ele entrou e acertou o Malfoy na cara.

- Nossa, o Neville está impossível!- disse Hermione com um sorriso no canto dos lábios.

- Eu e o Neville saímos e fomos até a cabine do Harry. Mais tarde chegou o Malfoy com aqueles capangas dele. Fingiu que eu não estava lá e começou a caçar briga. Aí chegou o Rony e você o conhece, se o Harry tá numa confusão pra ele entrar é um minuto. E o resto você já sabe.

- Sabe, você e o Malfoy.- disse Hermione pensativa.

- O que tem?- perguntou Gina com cara de dúvida.

- Não que eu ache que isso vá dar em alguma coisa, espero sinceramente que não.- disse Hermione.- Mas parece uma história trouxa chamada Romeu e Julieta.

- Bom dia!- disse Luna que acabara de se juntar às garotas, ela vinha com o mesmo ar sonhador de sempre.- Eu ouvi algo sobre Romeu e Julieta, é uma excelente história trouxa, vocês deveria ler se tiver oportunidade.

- Como eu ia dizendo, Luna.- interveio Hermione levemente irritada.- EU LI Romeu e Julieta.

- È um romance entre um rapaz e uma moça que pertenciam a famílias inimigas.- disse Luna.- Na verdade acho que uma das famílias deveria ser bruxa ou coisa assim pra existir tanto ódio entre elas mas...

- Mas depois eu tentarei conseguir um livro com essa história para você, Gina!- disse Hermione.- Ou lhe contarei a história.

- Posso ajudar, se quiser, Hermione.- disse Luna assim que elas entraram no salão principal.- Bom dia, vou para a minha mesa.

- Não leve os comentários dela a sério.- disse Hermione.- A história não tem nada a ver com bruxos.

- Tudo bem, achei que você já tivesse se acostumado com a Luna.- disse Gina em quanto se servia de ovos e bacon.

- È impressionante a capacidade dela para inventar coisas.- disse Hermione irritada.

- É só não levar a sério.- disse Gina.- Bom dia.- completou para Harry e Rony que se assentavam defronte a elas.

- Marcamos o treino para Quinta às seis.- disse Harry animado.- E vejam o que temos para começar o ano: DCAT dupla, Herbologia, Trato de Animais dupla, o último horário vago e à noite Astrologia.

- Finalmente uma boa aula de DCAT nessa escola!- disse Hermione.

- Já eu tenho poções dupla, Transfiguração e Feitiços duplo.- disse Gina.

- Boa sorte!- disse Harry rindo.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:23

8° Capitulo - Presente Estranho

- Ah! Aí está você!

Hermione levantou o rosto. Gina e Luna se sentavam agora junto a ela na biblioteca.

- E a história?- perguntou Gina.

- Que história?- respondeu Hermione voltando a se concentrar em um pergaminho.

-Minha e do...- Gina olhou pra Luna.- Do tal Romeu e da Juliana.

- Julieta!- corrigiu Luna.

- Eu já escrevi pra mamãe pedindo que me enviasse o livro.- disse Hermione.- Acho que é melhor ler a história do que ouvi-la modificada.- completou olhando para Luna, esta olhava distraída para o teto.

- Tudo bem então.- disse Gina.

- O que Crabbe está fazendo ali?- perguntou Hermione.

Gina se virou e o garoto percebendo que havia sido descoberto saiu veloz.

- Deve estar com medo da gente agora que está sozinho.- disse Hermione.

- É!- concordou Gina aérea, acabara de se lembrar que Malfoy ainda estava na enfermaria.

Hermione se concentrou novamente nos estudos. Algum tempo depois Luna saiu com uma garota do Terceiro ano da Corvinal. Gina se lembrou que tinha de fazer o aviso para o treino de quadribol e se foi também.

A tarde foi caindo e a biblioteca se esvaziando. Eram sete e meia quando Madame Pince foi até Hermione.

- Acho que já está na hora do jantar.- disse a Bibliotecária.

- Ah! Sim!- respondeu Hermione enquanto juntava suas coisas.

Quando chegou no salão principal este já ia se esvaziando. Harry, Rony e Gina já haviam jantado e não estavam mais ali. Hermione engoliu qualquer coisa e resolveu tomar o caminho de volta para a torre.

Ao atravessar o buraco do retrato encontrou Rony e Harry por ali.

- Ah! Aí está você!- disse Rony ao vê-la.- Estávamos esperando você para fazermos os deveres.

- Às vezes fico pensando o que seria de vocês dois sem mim!- disse ela.

- Teríamos sido reprovados antes do terceiro ano, pode ter certeza!- disse Rony.- Mas busque logo as anotações! O dever de Lupin é bem grande e ainda temos aula na torre de Astronomia hoje!

Hermione atendeu à urgência dos garotos e foi correndo buscar as anotações. Ao entrar em seu dormitório encontrou a coruja negra de Krum pousada na janela. Hermione retirou o envelope e o embrulho que a coruja trazia e pegou as anotações.

- Fique aí e eu trarei a resposta.- disse ela à coruja antes de descer para o salão comunal.

- Aqui estão!- disse Hermione entregando os pergaminhos aos dois garotos e se assentando em uma poltrona por ali em seguida.

- Carta de quem?- perguntou Rony observando a amiga muito concentrada na carta que lia.

- Do Vítor!- respondeu Hermione.

- Ah! Eu deveria ter adivinhado!- disse Rony secamente enquanto Harry limitou-se apenas a rir do amigo.

- Estranho.- disse Hermione assim que baixou a carta.

- Algum problema com o seu amiguinho?- perguntou Rony quando Gina sentou-se ao lado de Hermione.

- Não.- disse Hermione.- É que veio um embrulho junto e ele não falou nada sobre embrulhos ou qualquer coisa parecida na carta.

- Então abra para ver o que é.- sugeriu Gina.

Hermione apanhou o embrulho e cuidadosamente o abriu. Ela franziu a testa ao erguer no ar uma pequena seringa trouxa com um líquido arroxeado dentro.

- O que é isso?- perguntou Rony

- Uma seringa trouxa.- respondeu Harry.- Serve para aplicar remédios diretamente nas veias ou coisa assim.

- Por essa agulha?- perguntou Rony olhando para a cumprida agulha da seringa.

- Exatamente.- disse Harry.- Mas porque Krum lhe mandaria uma seringa?

- Não sei.- disse Hermione. Ele apertou os olhos enquanto rodava a seringa quando essa, num estalo, criou vida e se ergueu no ar. Foi tudo muito rápido. Gina se levantou e Rony deixou as anotações de Hermione caírem quando a seringa se voltou veloz contra a garota enterrando-se em seu braço.

- Ai!- fez Hermione tentando tirar a seringa dali.

-Puxa ela Gina!- disse Harry enquanto dava a volta na mesinha.

Gina mais que rapidamente obedeceu e com algum esforço quebrou a agulha da seringa. Hermione bufava no sofá. Parecia pálida.

- Você está bem?- perguntou Harry se abaixando ao lado dela.

- Acho que sim!- disse Hermione.- Me ajude a levantar.

Harry obedeceu mas assim que Hermione se ergueu ela se curvou para a frente e vomitou desmaiando em seguida.

- Ela tomou quase metade dessa coisa.- disse Gina.

- Anda Harry!- disse Rony passando um dos braços da garota, desfalecida nos braços de Harry, por trás de seu pescoço.- Vamos leva-la pra enfermaria.

Os dois garotos seguiram velozes até o buraco do retrato e sumiram por ali. Todos do salão comunal os observavam e se viraram para Gina assim que o retrato tapou novamente o buraco.

- Neville!- gritou Gina para o garoto que estava perto dali.- Chame McGonagall e a avise que Hermione está na enfermaria.- completou enquanto apanhava o embrulho já vazio e a carta de Krum no chão.


****


- O que aconteceu, garotos?- perguntou Madame Pronfey logo que Rony e Harry colocaram Hermione em um dos leitos.

- Ela recebeu um embrulho estranho, com uma seringa viva!- disse Rony ofegante.- A seringa voou no braço dela só que a Gina a quebrou, olha.- completou indicando o braço roxo de Hermione.

- Meu Deus!- disse Madame Pronfey examinando o lugar onde a agulha quebrada estava enfiada.- Onde está o resto da seringa e do líquido?

- Aqui!- disse Gina que entrava veloz na enfermaria.

A enfermeira pegou a seringa e a examinou. Metade do líquido roxo ainda estava ali.

- Mas isso é um veneno!- disse a enfermeira abrindo veloz um armário de poções que havia a um canto da enfermaria.- A seringa estava totalmente cheia?

- Sim!- responderam Harry e Rony juntos.

A enfermeira abriu um frasco com uma poção e o levou à boca de Hermione que estava extremamente pálida agora.

- Veneno?- Perguntou Gina engolindo em seco.

- O que aconteceu?- perguntou a Profª. McGonagall que vinha ladeada por Neville. Gina viu Malfoy observando a cena por uma cortina de sua cama.
Rony narrou o ocorrido para ela enquanto a enfermeira retirava os restos da agulha do braço de Hermione.

- Mas porque Vítor Krum mandaria uma seringa venenosa enfeitiçada para Hermione?- perguntou Gina.

- Eu sempre disse que aquele cara não era confiável!- disse Rony.

- Mas ela achou uma coisa estranha antes de abrir o embrulho.- lembrou Harry.

- È!- concordou Gina.- Ela disse que ele não citava o embrulho na carta, veja.- completou estendendo a carta para a professora.

- E o embrulho, onde está?- perguntou a professora.

- Aqui!- disse Gina entregando também o embrulho a ela.

Minerva sacou a varinha e a bateu três vezes contra o embrulho esticado. Lentamente uma marca com uma caveira ou coisa parecida foi surgindo.

- A marca negra!- disse Neville.

- Vá chamar o professor Snape, Longbottom.- ordenou a professora.- E você Potter, vá à sala de Dumbledore e o traga aqui.- disse ela virando-se para Harry.- Diga laranjeira para entrar e diga também...- ela olhou na direção da cama de Malfoy e então baixou a voz.- Que são assuntos da ordem.

Harry obedeceu e saiu logo atrás de Neville.

- Você conhece a coruja desse Vítor Krum?- perguntou Minerva para Gina.

- Sim. È uma coruja mui negra e obediente, sempre trás as cartas de Krum para Hermione e fica esperando a resposta.- disse Gina.

- Então vá até a torre da Grifinória procurá-la.- ordenou Minerva.- Se ela não estiver lá, vá ao corujal.

- Sim senhora!- disse Gina saindo veloz.

- E eu?- perguntou Rony.

- Vá chamar Lupin!- completou Minerva.

Rony saiu também.

- E você, garoto!- disse ela olhando para Malfoy que ainda tinha a cabeça para fora do cortinado.- Porque ainda está aqui?

- Porque a enfermeira insiste que eu devo permanecer em repouso.- disse Draco secamente.

- Isso mesmo!- concordou Madame Pronfey que preparava mais uma poção para dar a Hermione.- Ele está com um problema em um dos joelhos.

- Mas isso o impede de estudar?- perguntou Minerva.

- Não.- disse a enfermeira.

- Então vista-se Sr. Malfoy.- disse Minerva.- Assim que um dos monitores da Grifinória chegar ele o levará até a torre de Astronomia para a sua aula.

Draco crispou a boca e fez qualquer muxoxo mas, fechando a cortina foi se trocar.

- Qual é o estado da garota, Papoula?- perguntou Minerva observando uma Hermione de aparência doentia que estava ali.

- Mais alguns mililitros desse veneno e ela teria morrido na hora, Minerva.- informou a enfermeira enquanto enfaixava o braço de Hermione no lugar onde a agulha havia se quebrado.- Eu guardei a seringa.

- Certo.- disse Minerva.- Lupin vai dar uma olhada. Mas que veneno era?

- Violeta.- informou a enfermeira.

- O veneno dos comensais.- completou Minerva.- Como eles são baixos!- completou no momento em que Snape e Neville entraram de volta na enfermaria.

- Esse garoto me contou a história mas eu não queria acreditar!- disse o professor assim quem viu Hermione em seu leito.

- Foram eles Severo.- disse Minerva erguendo o embrulho com a marca da morte agora muito nítida.

Snape se virou e encarou Malfoy de pé, já vestido a alguns leitos dali.

- Pensei que já estivesse de volta, Malfoy.- disse ele.

- A enfermeira acabou de me dar alta, professor Snape!- respondeu o garoto sorrindo.

- Ótimo!- respondeu Snape e se virou de volta para Minerva e, falando em voz baixa completou:- Ele não devia estar aqui.

- Eu sei.- respondeu Minerva no mesmo tom sussurrado.- Ele já vai!- completou já alto ao ver Gina entrar trazendo a coruja negra.

- Ela está ferida.- informou Gina.- Manchou a cama de Hermione de sangue.- completou enquanto deixava a coruja na cabeceira do leito vazio ao lado.

- Muito obrigada, Srta. Weasley.- disse a professora.- Agora faça o favor de acompanhar o Sr. Malfoy até a torre de Astronomia.

- Sim senhora.- respondeu Gina.

Ela e Draco saíram passando por Lupin e Rony na porta.

- Meu deus!- disse Lupin correndo até o leito de Hermione.

- Veneno violeta, Remo.- informou Minerva e em seguida narrou todos os fatos para os dois professores.

- Já informou Dumbledore?- perguntou Lupin.

- Mandei Harry buscá-lo.- disse Minerva.

Rony mal prestava atenção na conversa. Estava encostado no outro lado do leito e observava a amiga, paralisado e levemente apavorado.


****


- Eu nunca imaginei que veria aquela Sangue Ruim naquele estado!- riu Draco enquanto ele e Gina subiam as escadas que levavam até o andar superior à enfermaria.

- E você ainda ri. Como é idiota!- disse Gina com desprezo.- Foi seu pai e os amiguinhos dele que fizeram aquilo, sabia?

- Sim!- disse Draco ficando sério.

- Você sabia que eles iriam tentar matar Hermione?- perguntou Gina incrédulo.

- Sim!- disse Draco.- Quer dizer, mais ou menos.

- Como assim?- perguntou Gina.

- Olha, eu não devia lhe contar isso.- disse Draco.- Mas se for somar pontos a meu favor...

- Dá pra falar logo?- perguntou Gina impaciente.

- Tá bom!- disse Draco.- O Lord das Trevas decidiu tirar a sangue-ruim do caminho depois que Rabicho viu ela e o Potter se beijando em um bosque próximo a uma cidade trouxa chamada Greelin.

- O que?- perguntou Gina parando.

- È isso mesmo!- disse Draco sem parar de andar.

Gina correu para alcançá-lo.

- Só que ele escolheu logo Macnair pra cuidar da sangue-ruim.- disse Draco.

- Cuidar da Hermione?- perguntou Gina.

- È! Dar um sumiço.- disse Draco e olhando para Gina.- Matar, pra ser direto.

- Ah!- fez Gina.

- E Macnair só não é pior que Rabicho.- disse Draco.- Me poupe! Uma seringa enfeitiçada! Aff! Tem tanta maneira mais cruel de matar uma sangue-ruim!

- Só que você não vai escrever pro seu papai amanhã contando o que aconteceu.- disse Gina com firmeza.

- Porque não?- perguntou Draco.

- Você não quer me conquistar?- perguntou Gina.

- Ok, ok. E como você vai ter certeza de que eu não contei?- perguntou Draco.

- Eu acabei de te azarar.- disse Gina.

- Hou hou!- fez ele parando.- Você é mais espertinha do que eu pensava.

- Muito mais!- concordou Gina.- E você entendeu bem! Finja que não estava na enfermaria quando Hermione foi levada para lá.- completou enquanto os dois subiam pela escada em espiral que levava ao alto da torre.

- Seu desejo é uma ordem!- disse Draco secamente.

A professora Sinistra já esperava seus alunos no alto da torre.

- A profª. Minerva pediu para avisar que quatro alunos da Grifinória não vão comparecer à sua aula hoje.- disse Gina.

- Ok. Conversarei com ela mais tarde.- respondeu a professora.- Boa Noite Sr. Malfoy.- completou.

- Com licença.- disse Gina começando a descer as escadas novamente.


- Aì estão eles!- disse Minerva ao ver Harry e Dumbledore entrando na enfermaria.

Lupin examinava atento a seringa. Rony ainda estava paralisado em seu canto.

- A coruja foi interceptada.- dizia Snape enquanto Neville esticava a asa machucada da coruja negra.- E então eles acrescentaram o embrulho.

- Mas qual dos comensais teria feito um trabalho tão mau feito?- perguntou Lupin.

- Provavelmente Voldemort achou que o serviço seria fácil e incumbiu qualquer um do mesmo.- disse Dumbledore calmamente.

- Veneno violeta, Alvo.- disse Minerva.

- Só me pergunto porque Hermione.- disse Lupin.

Harry escutava calado. Sabia porque Voldemort poderia querer matar Hermione, mas os comensais provavelmente não sabiam do namoro dos dois. E ele também não falaria disso com Rony ali por perto, e também, não tinha como eles saberem.

- Tudo bem, eles não deixam de matar se tem chance, principalmente nascidos trouxas, mas a ponto de planejar um atentado!- disse Lupin. Ele parecia indignado com o ocorrido.- Não consigo entender o porque de tal “cuidado especial”!

- Eu sei!- disse Gina que acabara de entrar correndo na enfermaria.

- Aconteceu mais alguma coisa Srta. Weasley?- perguntou Snape.

Harry olhou levemente desesperado para Gina. Ela não podia contar aquilo ali.

- Sim!- disse Gina.- O Malfoy. Ele acabou de me contar aos risos quem foi o autor do atentado e o porque!

- Então era por isso que ele estava tão interessado no que estava acontecendo aqui.- disse Minerva.

- Foi Macnair.- disse Gina.

- Não interessa quem foi!- disse Lupin.- Me interessa o porque.

Harry engoliu em seco e Gina finalmente olhou para ele como se buscasse autorização para contar.

- Ande! Diga logo.- disse Snape impaciente.

Harry baixou a cabeça sem resposta. Parecia não ter mais jeito. Ele notou que Dumbledore o observava erguido em seu canto. Ele olhou para Rony que agora parecia interessado na conversa apesar de ter a cabeça baixa e então, abaixo do garoto ele viu Hermione. Parecia um cadáver, ao olhar para ela ele sentiu uma fincada na testa. Se virou rapidamente para o grupo de professores que esperavam que Gina falasse.

- Eu também sei o motivo!- interrompeu Harry. Ele sentiu o rosto ferver.- Só não sei como eles souberam.

- Eles viram vocês próximo a Greelin.- informou Gina.

Rony ergueu a cabeça.

Lupin sorriu.

- Vocês estão querendo dizer que os dois...?- perguntou Rony que estava vermelho.

Harry respirou fundo.

Sim.- disse se virando para o amigo e observando a fúria tomar os olhos do mesmo.- Eu e Hermione estamos juntos.

Rony recuou dois passos pra trás cambaleando. Seu rosto parecia um tomate. Ele olhou mais uma vez para Hermione e então saiu veloz da enfermaria.

- Rony!- disse Neville indo atrás.

- O Rony gosta dela.- explicou Gina.- Era escondido.

Harry tinha a cabeça baixa, sentia estar muito vermelho. Sabia que Snape o observava assim como Dumbledore.

- Vamos até a minha sala.- disse Dumbledore.- Gina e Harry ficarão aqui como companhia a Hermione.

E dizendo isso ele saiu lentamente em direção à porta da enfermaria.

- Traga essa seringa e o tal embrulho para que eu dê uma olhada.- completou.

Snape seguiu veloz atrás dele com sua capa negra esvoaçante que o deixava parecido com um morcego. Minerva apanhou a carta e o embrulho e seguiu atrás de Snape. Lupin também foi logo atrás levando a seringa consigo.
Harry continuou cabisbaixo. Sabia que agora Gina olhava pra ele. Madame Pronfey estava por perto. Então ouviu-se um gemido vindo do fundo da enfermaria.

- Ah! Finalmente o garoto da briga acordou!- disse ela pouco antes de correr até lá.

Harry se assentou aos pés da cama de Hermione.

- Sinto muito, Harry.- disse Gina.- Eu não queria te fazer contar.

- Você fez certo.- disse Harry sem olhar pra ela.- Eles tinham que saber que Hermione corre risco de vida. E sobre o Rony, uma hora ele teria que saber.

- È!- concordou Gina.

- Só espero que ele entenda.- disse Harry.

- Não queria te desanimar...- disse Gina se assentando no leito ao lado.- Mas acho que ele vai demorar um pouco até entender.

- Eu sei.- disse Harry.

- E se eu conheço bem meu irmão, ele não vai querer te ver tão cedo.- disse Gina.

- Eu também sei disso.- disse Harry.

Gina não disse mais nada. Ouvia-se apenas as vozes da enfermeira e de

Goyle ao longe, mas não se podia destinguir as palavras. Harry sentia um frio na barriga e um vazio por dentro. Ele arrepiava toda vez que olhava para Hermione. Sorte Gina ter sido mais rápida que a seringa. Talvez ela não estivesse mais aqui agora se a agulha não tivesse sido quebrada com tanta violência. Se metade do líquido era suficiente para matar, imagine ele todo.

Esperava que Hermione ficasse bem logo. Agora que Rony sabia da verdade, Harry sentia que ficaria sozinho. Submerso em pensamentos ele nem escutou Madame Pronfey passando com Goyle até a porta.

- Porque vocês não vão dormir?- perguntou a enfermeira quando voltou.

- È! Temos aulas amanhã.- disse Gina.

- Eu não vou.- disse Harry.

- Mas...- fez a enfermeira.

- Deixa o garoto ficar por aqui, Papoula.- disse uma voz grave. Dumbledore estava de volta.

- Tudo bem.- concordou a enfermeira.- Mas assim que acordar, Srta. Weasley, traga uma camisola da Srta. Granger, não é bom ela ficar com essas roupas apertadas.

Gina concordou e saiu da enfermaria.

- Pode ir, Papoula.- disse Dumbledore se assentando onde antes estivera Gina.- Como está se sentindo, Harry?- perguntou assim que a enfermeira sumiu.

- Um caco!- disse Harry.

- Sua namorada ficará bem, não se preocupe.- disse Dumbledore tão calmamente como costumava ser.- Talvez durma por mais uns dois ou três dias, e depois leve mais uma semana ou dez dias para eliminar todo o veneno do corpo, nunca se sabe ao certo, mas ela ficará bem.

- Não é só isso que me preocupa.- disse Harry.

- O que é então?- perguntou Dumbledore.- Me diga e eu verei se posso ajudá-lo.

Harry pensou por um momento. E então levantou o rosto para Dumbledore.

- È que todas as pessoas a quem eu amo morrem, parece uma maldição ou coisa assim.- disse Harry.- E pode não ter sido dessa vez, mas eles não vão desistir de matá-la tão facilmente.

- È verdade!- disse Dumbledore.- Eles não vão desistir. Mas não há nenhuma maldição sobre você, Harry.

- Então me dê outra explicação para o esse fato.- disse Harry.

- Seu pai morreu pois quis proteger sua família. Sua mãe morreu para protegê-lo e a morte dela até hoje o protege.- disse Dumbledore.

- E Sirius?- perguntou Harry.- Porque ele morreu? Não me diga que foi porque fui imprudente e impulsivo. Me diga porque foi ele e não qualquer outro ali! Belatriz sim merecia morrer, Sirius não!

- Muitos que estão vivos mereciam morrer, Harry.- disse Dumbledore.- E muitos que morreram mereciam viver. È a vida, ou se você preferir, é o que as pessoas chamam de destino. Não podemos controlá-lo. Logo não podemos escolher quem morre e quem vive.

- Mas, eu fico pensando.- disse Harry.- Quando o senhor chegou, quando chegou na câmara, todos que duelavam pararam e se viraram para você, só eles que não! Porque?! Porque todos perceberam a sua chegada e eles não?

- Harry, você se lembra de quando duelou com Voldemort naquele cemitério?- perguntou Dumbledore.

- Sim.- disse Harry baixando a cabeça.

- Havia uma ligação entre vocês dois a qual causou uma ligação entre as varinhas, certo?- perguntou Dumbledore.

- Sim, mas...- disse Harry.

- Há, ou houve, muito mais entre Sirius e Belatriz do que muitos de nós imaginamos.- disse Dumbledore.

- Eles eram primos de primeiro grau, mas e daí?- perguntou Harry.

- Sinto que esse não seja o momento certo para lhe contar toda a história.- disse Dumbledore.- Mas posso me resumir a dizer que Sirius e Belatriz se amaram um dia.

- Eles o que?- perguntou Harry incrédulo.

- Eles se amaram. Sirius deveria ter seus quinze anos. Ela já estava em seu último ano em Hogwarts. Mas então Sirius saiu de casa e talvez por isso perdeu a namorada para Rodolfo Lestrange.- disse Dumbledore.

- Eles namoraram?- perguntou Harry.

- Exatamente.- disse Dumbledore.- Houve muito mais que isso, e um dia você saberá de tudo. Mas nada disso importa agora.

Harry deixou os ombros caírem.

- E o que interessa agora?- perguntou.- Hm. Aposto em como você veio até aqui me prevenir para que eu tome cuidado, que não seja impulsivo, e todas aquelas coisas que eu já estou cansado de ouvir, acertei?

- Todos concordaram que seria bom te lembrar de todas essas coisas, mas vejo que não precisarei.- Dumbledore sorriu.

Harry deu ombros e olhou novamente para os tênis. Estava cansado, já devia ser bem tarde. E ele perdera a aula de astronomia.

- Você gosta mesmo dessa garota, Harry?- perguntou Dumbledore.

Harry se sentiu incomodado. Era estranho falar desse tipo de coisa com alguém como Dumbledore.

- Sim.- disse Harry sério.

- E a outra garota?- perguntou Dumbledore.

Harry sentiu-se corar muito rapidamente. Como Dumbledore sabia de Cho?

- A Cho?- ele se viu perguntar.

- Isso mesmo. Aquela japonesinha da Corvinal.- riu Dumbledore.

- Mas o que tem ela?- perguntou Harry sentindo-se mais vermelho do que se era possível.

- Pensei que você ainda tivesse alguma coisa com ela.- disse Dumbledore.- Fiquei surpreso quando você e Gina Weasley contaram sobre Hermione Granger e você.

- Não foi nada sério.- disse Harry.- Acabou rápido. Ela sentia ciúmes de Hermione.- sorriu Harry.

Dumbledore se levantou.

- Proteja a sua amada, Harry.- disse ele.- E se eu fosse você iria dormir, ou não vai agüentar nada amanhã.- e dizendo isso saiu saltitante da enfermaria.

Harry ficou parado por um momento. Se o seu pai estivesse vivo talvez conversaria com ele sobre as garotas. Será que seria assim? Nunca na vida saberia. Ouviu passos. Madame Pronfey vinha na direção do leito de Hermione. Harry se levantou a fim de esticar as pernas. Saiu da enfermaria.

Ficou observando o corredor vazio por um tempo. Quando voltou Madame Pronfey já havia sumido novamente. Hermione estava menos pálida agora. Ainda tinha a aparência horrivelmente doentia, mas não estava mais parecendo um cadáver.

Harry acariciou seu rosto. Estava fria. Ele pegou a mão do braço que não estava enfaixado e a beijou. Ficou ali por um longo tempo olhando Hermione até que Madame Pronfey voltou trazendo uma xícara que soltava fumaça.

- Ainda está aqui, garoto?- perguntou.- Pensei que tivesse ido dormir.

- Não conseguiria dormir.- disse Harry se afastando para que a enfermeira tomasse seu lugar.

A enfermeira levantou levemente a cabeça de Hermione e deu o conteúdo da xícara em sua boca. Depois conjurou algumas gases e, dando a volta na cama, desenfaixou o braço de Hermione. Harry pode ver que um enorme machucado estava ali agora. Parecia estranhamente arroxeado.

- Aonde vamos parar!- dizia Madame Pronfey quando começou a se afastar.- Seringas vivas com Veneno Violeta!

Harry voltou para o lugar onde estava antes. Quantas horas seriam? Havia perdido a noção do tempo. Não demorou muito e ele percebeu que o dia já clareava. Ele se assentou em uma poltrona que havia ali. Sentia-se extremamente cansado. Não demorou muito e Gina apareceu.

- Aqui está.- disse a garota entregando um monte de panos à Madame Pronfey.- Ainda aqui, Harry!- disse ela virando-se para ele.

- Acho que está na hora de você ir, Sr. Potter.- disse a enfermeira.- Você tem muitas aulas hoje. Volte mais tarde.

Harry acabou concordando e seguiu com Gina para a torre da Grifinória. Deixou-se cair na primeira poltrona que viu. Gina se sentou na poltrona ao lado.

- Onde está o Rony?- perguntou ele.

- Ele foi para o banheiro masculino que fica perto da enfermaria ontem à noite.- disse Gina.- Quebrou algumas pias. Mas o Neville conseguiu trazer ele pra cá. Hoje, na hora que eu acordei ele estava saindo. Acho que ainda não voltou.

- Eu estou morto!- disse Harry.

- Acho que você deveria tomar um banho, trocar a roupa e descer para o café.

- E eu ainda tenho detenção hoje.- disse Harry.

- O Rony também.- disse Gina.

Harry deu um suspiro.

- E os pais da Mione?- perguntou Harry.- Já sabem?

- A profª. Minerva escreveu para eles.- disse Gina.

- Ah!- disse Harry se levantando.- Bom, eu te encontro no salão principal.

E dizendo isso ele subiu para seu dormitório. Simas ainda dormia. Dino saiu e chamou Gina no momento em que Harry entrava. Neville estava jogando alguns pergaminhos na mochila.

- Eu sinto muito, Harry.- disse Neville.- Por tudo o que aconteceu ontem.

Harry limitou-se a dar um sorriso pra ele.

- Temos detenção hoje a noite, não é?- disse Neville como que para puxar assunto.

- È!- concordou Harry.

- E amanhã treino de quadribol.- disse Neville.- Sabe, ainda tenho um pouco de medo de altura, mas vou me candidatar a batedor.

- Legal.- concordou Harry. Tinha se esquecido do quadribol. Será que Rony, agora, desistiria do time?


O dia não foi fácil. No café da manhã Harry não viu Rony. Não conseguiu comer muita coisa. Logo de cara teve poções dupla seguida de Transfiguração.

Rony esteve presente nas aulas. Mas fez questão de se assentar distante, sozinho. Sequer olhou para Harry.

- Sr. Potter.- disse Minerva ao fim da aula quando Harry ia saindo.
Ele foi até a mesa da professora.

- Guarde isso, e entregue a Hermione quando ela estiver boa.- disse a professora entregando um pergaminho a ele.

- Ok.- disse Harry guardando o mesmo, que reconheceu como a carta de Krum, na mochila.

Harry não foi almoçar. Seguiu para a enfermaria. Hermione, agora vestida de camisola, continuava na mesma.

- Não adianta ficar vindo aqui a toda chance, garoto.- disse Madame Pronfey.- Ela acordará daqui no mínimo mais um dia.

- Eu sei, Madame Pronfey.- disse Harry.- Eu só queria vê-la.

À tarde teve aula dupla de história da magia e depois uma aula de feitiços. A cabeça de Harry doía de cansaço e ele não tinha idéia de como daria conta dos deveres sem Hermione. Mesmo assim, às cinco em ponto Harry seguiu para a sala da Profª. McGonagall.

Draco e Rony já estavam lá. Cada um em um canto e de cara fechada. A Profª. estava concentrada em uma pilha de deveres que corrigia.
Harry entrou calado e se encostou ao lado da porta.

Draco olhou para ele. Os olhos cinzas, agora enfeitados com um hematoma, brilhavam de malícia. Ele crispou a boca e se virou para Rony.

- Vejo que o pobretão e o heróizinho estão brigados por causa da Sangue ruim.- disse ele.

- Silêncio Sr. Malfoy!- disse Minerva sem levantar o rosto para ele.

Draco obedeceu. Em seguida entraram Crabbe e Goyle na sala. E alguns instantes depois Neville.

Minerva finalmente largou a pena e se ergueu apoiada em sua bengala muito lustrosa.

- Vejo que já estão todos aqui.- disse ela.- Todos sabem porque estão aqui, certo?

- Talvez o Longbottom tenha se esquecido.- disse Draco.

Minerva o ignorou.

- Bom, como vocês são muitos vou dividi-os em grupos.- disse ela.- os Srs. Crabbe, Goyle e Longbottom irão à sala de troféus, o Sr. Filch os espera lá.

Os garotos se levantaram e saíram.

- Potter, Weasley e Malfoy irão ao campo de quadribol. Rúbeo os aguarda lá.- disse ela finalmente.- E comportem-se.

Completou enquanto Harry abria a porta. Os três seguiram calados até o campo de quadribol. Hagrid realmente os esperava lá.

- Olá garotos.- disse ele ao vê-los.- Soube que se meteram em encrenca ein?

Harry observava calado um machucado no rosto de Hagrid. Growp, pensou.

- Mas a detenção de vocês não é muito difícil.- continuou ele.- Os treinos de quadribol vão começar, então temos que dar uma geral nisso daqui.- disse ele sorrindo.- Bom, eu tenho que dar uma concertada em algumas partes da arquibancada. Enquanto isso vocês vão limpar os vestiários.

- Isso não é serviço para mim!- retrucou Draco.

- Deveria ter pensado nisso antes de caçar briga, garoto.- disse Hagrid.- Agora vão. Têm aventais no vestiário da direita.

Os três seguiram para lá. Draco parecia indignado. Rony foi o primeiro a vestir o avental e, pegando um escovão começou a lavar um dos chuveiros.

- O Weasley já deve ter a manha, não é mesmo?- disse Draco.- Seus pais não têm dinheiro para elfos. Deve ter que ajudar em casa.

Rony ignorou.

- Depois que você descobriu que estava sendo enganado por seus amiguinhos você ficou mudo?- perguntou Draco enquanto amarrava seu avental.

Rony continuou a ignorá-lo. Harry também tomou o seu escovão e rumou para as pias.

- E vocês ainda tem mal-gosto.- dizia Draco enquanto enchia um balde para jogar água no chão.- logo aquela Sangue-ruim da Hermione Granger. Tem tanta coisa melhor pra fazer dois amigos brigarem.

Não houve resposta.

- E você Potter, trocar a Chang pela Granger.- disse Draco enquanto esfregava o chão já molhado com um pano em baixo do pé.- Tá certo que ela é uma galinha e que até eu já catei ela, mas mesmo assim.

Rony trocou de chuveiro.

- E mesmo assim. Se vocês tivessem brigado por causa da Weasley gostosinha tudo bem. Mas a Granger?!- insistiu Draco.- E outra, eu imaginei que depois de vocês brigarem você ia parar de despentear o cabelo pra ficar igual ao Potter, Weasley.- completou.

Rony abriu a porta do chuveiro com violência e saiu de lá com varinha em punho.

- Rony!- disse Harry.- Não faz nada, ignora.

- Que comovente, mesmo brigados um defende o outro.- disse Draco.

- Seu eu fosse você, Malfoy.- disse Rony baixando a varinha.- Aliás, se eu estivesse todo machucado como você, eu calaria a boca.

- Mas você não é.- disse Draco continuando a esfregar o chão com o pé.- Acho um absurdo, obrigarem os alunos fazerem esse tipo de serviço.

Algum tempo depois Draco já havia terminado seu serviço. Ele olhou para a outra fileira de box que haviam ali. E então sorriu e se assentou.

- O que tá fazendo aí?- perguntou Harry.- Não acabou ainda.

- Haha!- riu Draco.- Vocês estão brincando que eu vou lavar as privadas.

- Acho que você não tem escolha.- disse Rony sorrindo.

- Me obriguem! Quero ver!- disse Draco.

Harry e Rony sacaram as varinhas. Draco procurou a sua pelos bolsos.

- Tá procurando isso?- perguntou Rony mostrando a varinha do garoto.- Você deixou cair. Que pena.

Draco se levantou e depois de chutar um balde apanhou o esfregão e foi para as privadas.

Eram quase nove horas quando Hagrid os dispensou. Harry e Rony não se falaram em momento algum. E Draco repetia a todo momento que seu pai saberia daquela detenção. O jantar já havia acabado a muito. Rony seguiu para a torre enquanto Harry foi para a enfermaria que parecia deserta. Ele abriu o cortinado da cama e se assustou ao ver Hermione. As bandagens no braço dela estavam roxas. E as veias de seu rosto estavam altas deixando-a igualmente roxa.

Harry ouviu os passos leves de Madame Pronfey se aproximarem.

- O que aconteceu a ela?- perguntou Harry engolindo em seco.

- Não precisa se assustar, garoto.- disse ela sorrindo.- As poções estão começando a fazer efeito. Ela está tendo uma melhora rápida. Creio que até amanhã à tarde ela já tenha acordado.

- E quando ela acordar?- perguntou Harry que observava a enfermeira trocar as bandagens. O machucado estava ainda maior agora.

- Quando ela acordar começará o processo para eliminar esse veneno do corpo.- explicou ela.- Terá que continuar em repouso e beber bastante líquidos. Uma semana no mínimo.

- Ela vai pirar quando acordar e souber que vai ter que ficar de molho aqui.- riu Harry.

- Minerva e Lupin disseram que não se importavam em repassar toda a matéria com ela.- informou a enfermeira.

- E esse machucado?- perguntou Harry.

- Ainda deve crescer mais.- disse ela.

- Porque?- perguntou Harry.

- Aquela agulha era feita de um metal raro, que é chamado de Metal das trevas.- disse a enfermeira.- Era muito usado para fazer as armaduras de grandes bruxo negros. Ele faz isso quando perfura a pele.

- Nossa!- disse o Harry.

- Mas aconselho que você durma essa noite.- disse a enfermeira enquanto terminava de colocar as novas bandagens.- Ou quem vai acabar aqui na enfermaria é você.

- E se ela acordar?- perguntou Harry.

- Vamos fazer um acordo.- disse ela.- Assim que ela acordar mando lhe chamar.

- Ok então.- disse Harry.- Boa noite.

Quando chegou ao salão comunal encontrou Gina.

- Suponho que foi à enfermaria.- disse ela.

- È!- concordou Harry.- E o Rony?

- Acabou de subir.- disse Gina.- Esteve tentando fazer alguns deveres mas desistiu e foi dormir.

- Eu também tinha que fazer os meus, mas estou quebrado.- disse Harry.

- Eu não queria lhe falar isso agora, mas dê uma olhada no aviso que tínhamos afixado.- disse Gina.

Harry foi até o quadro de aviso e leu.


Seleção para os novos jogadores do time de quadribol.
Quinta feira às 5 horas. Seleção para artilheiros e batedores. e goleiros.


O “e goleiros” estava visivelmente escrito com a letra de Rony.

- Eu disse a ele que não fizesse isso, mas ele está irredutível.- disse Gina.

- Eu já esperava.- disse Harry.

- O Rony às vezes é extremamente infantil!- disse Gina.- Mas espero que ele mude de idéia.

- Ele vai mudar.- disse Harry mais para si mesmo do que para Gina.- Mas agora vou dormir, boa noite.

E após dar um beijo na testa da garota ele subiu para o dormitório. O cortinado de Rony já estava fechado.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:24

9° Capitulo - Promessas Cumpridas

Harry se trocou e logo adormeceu. Teve alguns sonhos agitados. Ele seguia pelo velho corredor mas dessa vez ele não tinha fim. E então ele via Hermione em seu leito adormecida. Ele tentava se aproximar mas havia uma barreira invisível e então ele acordou.

Estava suado. Já era manhã e a cama de Rony já estava vazia.

Ele levantou e se trocou.

- Bom dia, Harry!- disse Gina quando ele se assentou para o café.- Rony me contou sobre o que vocês fizeram com o Malfoy.- riu ela.

- È!- disse Harry sorrindo.- Ele é um fresco!- completou dando uma mordida em uma torrada em seguida.

- Vejo que a fome voltou!- disse Gina.

- Não.- disse Harry.- mas eu não como nada direito a quase um dia. E hoje têm treino. Se não comer vou acabar doente.

- Lá vem o Rony.- disse Gina.- Ele tinha ido até a biblioteca.

- Vou falar com ele.- disse Harry se levantando.

Ele caminhou ao encontro de Rony e parou na frente dele.

- Dá pra dar licença?!- perguntou ele impaciente.

- Não!- disse Harry.

- O que você quer?- perguntou Rony.

- Sabe, eu sou o capitão do time e eu só aceito a demissão de um jogador se este for pessoalmente me pedir em um treino.- disse Harry.- Agora pode passar.- e então deu licença.

Pela manhã teve aula de Adivinhação e uma dupla de feitiços. Na hora do almoço engoliu qualquer coisa e foi para a biblioteca. Tinha aula de transfiguração na manhã do dia seguinte e um dever gigantesco a fazer. Já estava quase terminando quando viu Cho entrar e se assentar em sua mesa.

- Oi Harry!- disse ela.

- Oi!- disse Harry.

- Estudando? Nunca o vejo estudando na biblioteca esse horário....- disse Cho.

- È!- concordou Harry.- È que eu estou tendo que me virar com os estudos agora.

- Eu soube o que aconteceu com a sua amiga, sinto muito.- disse Cho.

- Mas não foi para me dizer isso que você veio até aqui, certo?- perguntou Harry com certa pressa.

- Eu estava passando aqui e lhe vi. Por que? Está com pressa?- perguntou Cho.

- È que eu tenho que terminar alguns deveres e ainda tenho História da magia e herbologia à tarde.- disse Harry.

- Ah!- fez Cho parecendo descontente.- Tudo bem. Eu ia perguntar sobre a AD mas com a sua amiga doente acho que não vão recomeçar as aulas tão cedo, certo?

- Certo.- disse Harry se levantando e juntando suas coisas.- Com licença.

Harry terminou o dever de Transfiguração de qualquer jeito mais tarde e foi para as aulas. Teve que segurar para não dormir durante a aula de História da Magia. E na aula de herbologia não conseguiu absorver muita coisa sobre os arbustos carnívoros. Após a aula Harry foi para o campo de quadribol. Gina já estava lá com uma quartanista japonezinha. Não demorou muito e outros alunos foram chegando. Collin e Dênis Creevey foram os próximos. Depois chegou um secundista chamado Euan Abercrombie e um pouco depois os três quintanistas: Dino, Simas e Neville.

- Vou me candidatar a artilheiro!- disse Simas.

- E você Dino?- perguntou Harry.

- Vou me candidatar à torcida.- sorriu o garoto enquanto acenava para a namorada mais atrás.- Prefiro manter os pés no chão.- completou.

- Bom, acho que a gente pode começar.- disse Harry se sentindo extremamente desajeitado. Queria que Rony talvez estivesse ali para ajudá-lo.

Começou separando os jogadores em suas posições. Algum tempo depois começaram a voar. Collin, Dênis e Neville eram os candidatos a batedor. Collin havia ficado realmente bom (ele substituíra Fred e Jorge no ano anterior) parecia Ter se aperfeiçoado durante as férias. Entre Denis e Neville Harry acabou escolhendo Neville. Ele tinha mais força física. Dênis era pequenino e magricela, e meio desajeitado, havia ao que parecia quebrado um dedo durante aquele treino. Era impressionante como Neville havia mudado em todos os sentidos de um ano para cá. Gina era realmente muito boa como artilheira. E para seus companheiros Harry selecionou Simas e a japonezinha chamada Ann Mishaky.

Após o treino Harry seguiu para o vestiário com o time.

- Harry, e o goleiro?- perguntou Ann Mishaky depois de ouvir Harry fazer aquele mesmo discurso de início de ano que ele próprio escutara durante 5 anos.

- Ele está aqui!- disse Rony que vinha entrando no vestiário.

- Atrasado.- disse Harry impaciente.

- È que o goleiro veio se demitir.- disse Rony.- Pessoalmente como o ilustre capitão do time deseja que seja.

- Isso quer dizer que estamos, agora, sem goleiro?- perguntou Collin.

- Não!- disse Harry.- Isso quer dizer que o nosso goleiro estava muito indisposto para treinar hoje. Mas que assim que a “indigestão” com a qual ele está, passar, ele se juntará a nós durante os treinos.- completou olhando para Rony. Gina também fazia o mesmo e tinha um olhar de sensura.
Rony não respondeu, ficou vermelho, mas calado. Encarava Harry com os olhos cheios de fúria.

- Bom, acho que já disse o que tinha que dizer, podem ir.- disse Harry.

O novo time foi saindo aos poucos do vestiário. Restaram Gina, Rony e Harry.

- Acho que esse ano finalmente vamos Ter uma “vitória brilhante”!- disse Gina.

- È!- respondeu Harry.

- Você viu o Neville jogando?- perguntou Gina.- Ele é realmente bom! È fantástico!

Rony tossiu.

- Porque ainda está aqui?- perguntou Harry extremamente mau humorado com o amigo.- Deveria Ter vindo na hora do treino não agora!

Rony caminhou até Harry, como se precisasse dizer algo importante, mas ao invés disso lhe acertou um soco no nariz. Harry caiu para trás, no banco do vestiário. Gina puxou Rony pelo braço.

- Porque tinha que me dar aquela resposta na frente de todo mundo?- perguntou ele.

- Para com isso Rony!- disse Gina o empurrando para trás.

- Eu só quero que ele me responda porque!- disse Rony.

- Eu mesma posso responder Rony!- disse Gina.- Porque você tem que ser tão infantil, ein?

Rony se deixou cair encostado na parede. Harry se levantou e levou a mão ao nariz que sangrava.

- Será que você não consegue sequer separar as coisas?- perguntou Gina olhando para o irmão de um jeito que lembrou a Harry a Sra. Weasley.- Você não joga quadribol por fazer um favor ao Harry! Você joga quadribol porque gosta! E porque é um aluno da Grifinória! Para com essa coisa de querer se vingar de qualquer forma!

- Agora eu não tenho escolha, Gina!- disse Rony.- Vou Ter que continuar no time.

- Você não tem que continuar no time!- disse Harry que tinha agora uma toalha no nariz.- Como amigo eu lhe digo isso! Porém como Capitão do time eu lhe digo que você é fundamental a ele. Você é um bom goleiro, Rony! Pode Ter os seus defeitos, mas é um bom goleiro! E não existe outro melhor do que você na Grifinória!

- Você sabe muito bem o porque do soco que eu lhe dei, Potter!- disse Rony se levantando.

- Porque?- perguntou Harry.- Pela Mione? Imagine o que ela diria se assistisse a uma cena dessa, Rony?

Harry ia falar mais alguma coisa mas Dênis, com o dedo enfaixado, entrou correndo no vestiário.

- Harry! Harry!- disse ele.- A sua amiga monitora acordou!

Rony olhou para Dênis e em seguida voltou a encarar Harry.

- Vocês vêm comigo?- perguntou.

Rony deu uma risada falsa.

- Depois eu vou.- disse Gina.

Harry mais do que veloz seguiu com Dênis até a enfermaria. Ao entrar viu Hermione meio sentada em sua cama. Encostada na cabeceira.

- Mione!- disse ele que correu até ela e a abraçou.

- Potter!- gritou Madame Pronfey.- Eu prometi que iria avisá-lo mas não era pra sair do treino e vir para cá sem sequer se trocar.

- Desculpe.- disse Harry sorrindo se afastando de Hermione.- Como está se sentindo?

- Mole.- disse Hermione que ainda estava muito pálida porém não mais com aquela aparência arroxeada.- Onde estão os outros? Rony, Gina?

O sorriso de Harry desapareceu.

- O Rony está com raiva de mim, e acho que de você também.- disse Harry.

- Porque?- perguntou Hermione sem entender.

- Descobriram que a seringa foi mandada por comensais.- disse Harry.

- Nossa!- disse Hermione.- Mas mandaram para a pessoa errada, não?

- Não!- disse Harry.- Gina descobriu com o Malfoy que os comensais nos viram juntos naquele bosque em Greelin.

Hermione arregalou os olhos levemente.

- Tivemos que contar.- justificou Harry.

Hermione ficou calada olhando pro nada.

- Você ficou chateada?- perguntou Harry.

- Com você?- perguntou.- Não.

- Com a Gina?- perguntou Harry.

- Também não.- disse ela.

- Então o que foi?- perguntou ele.

- Nada.- disse ela.- è que eu não queria que as coisas acontecessem dessa maneira. Gina!

Harry se virou. Gina vinha entrando na enfermaria ainda com o uniforme de quadribol, também.

- E o Rony?- perguntou Harry.

- Disse que vai continuar no time mas que depois vai acertas as contas contigo.- disse Gina. Harry suspirou.- Como está, amiga?

- Como disse ao Harry, mole.- disse Hermione.- Não me lembro bem do que aconteceu. A enfermeira disse que eu recebi uma carta de Krum que havia sido interceptada por comensais e que eles colocaram um embrulho com uma seringa enfeitiçada com veneno Violeta.

- È!- disse Gina.- Aí a seringa voou em você e eu a quebrei. Aí você vomitou e os garotos a trouxeram para cá.

- Lembro-me apenas que peguei as anotações em meu quarto e desci.- disse Hermione.- Eu sonhei com Belatriz Lestrange.

- Ainda bem que desceu.- disse Harry.- Se tivesse lido a carta em seu quarto talvez não estivesse aqui agora.

- Ela estava bonita.- completou Hermione que parecia levemente dopada.

- Mais visitas?!- disse Madame Pronfey que voltava agora trazendo uma poção fulmegante.- Aqui querida. Beba isso para poder descansar.

Hermione logo obedeceu e mal acabara de beber a poção quando caiu em sono profundo.

- Porque ela não se lembra?- perguntou Gina.

- Não se lembra?- perguntou a enfermeira.

- È! Ela disse que não se lembra de quando leu a carta ou abriu o embrulho.- disse Gina.

- Ela não se lembra de muita coisa ainda.- disse a enfermeira.- mal fazem 48 horas que tudo aconteceu. Ela ainda está sob o efeito do veneno.

- E até quando vai ficar assim?- perguntou Harry.

- Por mais uns dois dias.- disse Madame Pronfey.- depois deve começar a melhorar.

- Mas ela parecia ciente do que falava enquanto conversamos.- disse Harry.

- Ela se lembra de bastante coisa.- disse Madame Pronfey.- Eu conversei com ela antes de vocês chegarem. Ela sabe aonde está apesar de não se lembrar bem o que faz aqui. Ela se lembra de vocês, do outro Weasley. De alguns professores. Mas essa perda de memória não é definitiva, não se preocupem.

- E quando ela acorda?- perguntou Harry.

- Não deve dormir muito. Creio que amanhã pela manhã ela já estará acesa.- disse a enfermeira.- Mas aconselho que você não fique aqui esperando como fez na primeira noite. Vá descansar.

Harry obedeceu. Seguiu com Gina para a torre da Grifinória.

- È deprimente ver a Mione naquele estado.- disse Harry.

- Eu me lembrei dos pais do Neville.- disse Gina desanimada.

- Eu me lembrei da pilha de deveres que vou Ter que fazer sem ela.- disse Harry.- Mas e o Rony? Para onde ele foi?

- Disse que iria estudar. E tem reunião de monitores agora à noite. Eu vou me trocar e ir.- disse Gina.

- Ah!- Fez Harry.

O resto da noite foi chato. Harry se juntou a um Neville empolgado para tentar fazer um dever de feitiços. No final, a redação sobre feitiços convocatórios não ficou tão boa quanto teria ficado se tivesse um toque de Hermione mas dava para o gasto. Harry viu quando Rony chegou. Gina não veio com ele que parecia extremamente estressado e subiu direto para o dormitório. Meia hora depois Harry foi dormir também.


****


- E como vai a sua amiguinha Sangue Ruim?

Gina olhou para trás, era Malfoy.

- Melhorando.- disse Gina- Obrigado.

- Pelo que?- perguntou Draco.

- Você não Ter mandado a notícia de que Hermione sobreviveu aos comensais.- disse Gina.

- Como você tem certeza de que eu não mandei?- perguntou Draco.

- Você não teria vindo atrás de mim e se fosse cara de pau a ponto de vir a sua cara estaria marcada.- disse Gina.

- Bom, ela está.- disse Draco.- como pode ver esses malditos hematomas ainda não sumiram.

- Não é disso que estou falando.- Disse Gina.
- Fiquei sabendo que agora você é artilheira.- disse Draco

- E eu fiquei sabendo do que aconteceu na detenção.- disse Gina rindo.

- Não tem graça.- disse Draco.

- Queria estar lá para assistir você lavando as privadas.- disse Gina.

- Queria Ter visto o seu irmão quebrar pias por dor de cotovelo.- disse Draco.

- Cala a boca.- disse Gina.

- Tudo bem.- disse Draco.- Mas diga que ele não está com dor de cotovelo, ele gostava da sangue ruim só que como é um merdão não soube nem chegar nela direito. Acabou perdendo pro Potterzinho!

- Eu falei pra você calar a boca!- disse Gina.

- Tudo bem!- disse Draco.- Mas e aquele seu namorado?

- O que tem?- perguntou Gina impaciente.

- Porque não termina com ele?- perguntou Draco.

- E porque eu faria isso?- perguntou Gina.

- Pra ficar comigo.- disse ele.

- Há! E você acha que eu ia terminar com o Dino pra ficar com você?- perguntou ela.

- Sim!- disse Draco.- Eu te mereço mais que ele.

- Ah é? Porque?- perguntou ela.

- Porque ele é um otário e porque já faz um tempo que eu estou apaixonado por você.- disse Draco.

Gina riu mas não conseguiu deixar de corar.

- E você diz isso pra todas?- perguntou Gina.- Porque eu sei muito bem o galinha que você é.

- Que eu era.- disse Draco.- E sim, eu já disse isso pra outras garotas antes mas pra você eu digo de verdade, não é lábia minha!

- Você fala como se eu acreditasse em qualquer coisa que me digam.- disse Gina.

- Não! Eu sei que você não acredita! Sabe, de todas as meninas que eu já quis ficar até hoje você foi a mais difícil, e acho que foi isso que fez-me apaixonar por você.- disse Draco.

- Ah! Que poético você!- disse Gina.- Está apaixonado!

- Eu já lhe dei inúmeras provas disso.- disse Draco.- Eu levei uma surra por ajudar seu irmão a fugir. Caraca eu meio que salvei a vida dele! E com a sua amiga sangue ruim! Eu lhe dei uma informação importante a respeito dela.

- Certo, você tem sido até bonzinho ultimamente, tem feito coisas bonitinhas.- disse Gina.- Mas agora vamos ver o que mais você fez: Você foi caçar briga com os meus amigos e tem mais, você xinga qualquer um deles a toda oportunidade.

- Gina, esse é o meu jeito!- disse Draco.- Eu sei, você me proibiu de lhe chamar pelo nome, mas como eu vou deixar de chamar uma garota tão bela pelo nome tão belo que ela tem?

Gina ruborizou.

- Olha, eu sou Draco Malfoy. Meu pai é um dos maiores comensais da morte e você sabe bem disso. A minha mãe vem da família Black, que também não sai perdendo em ser uma família tosca como você deve achar. Ser mau foi a minha criação! Eu não consigo simplesmente mudar isso de uma hora pra outra.

- E é exatamente por isso que eu não dou bola pra você.- disse Gina.

- Porque você não consegue me aceitar como sou?- perguntou Draco.

- Porque você é Draco Malfoy e por todas essas coisas que você acabou de dizer.- disse Gina.

- E se eu te provar, que sim! Que pode dar tudo certo entre a gente?- perguntou Draco.

- Eu não quero lhe garantir nada.- disse Gina.

Eu vou conseguir! Eu vou lhe conquistar. Escreve isso.- E depois de dar um desajeitado beijo na bochecha de Gina, pra surpresa da mesma, ele saiu correndo pelo corredor.


- Ela não acordou?- perguntou Harry. Eram pouco mais de seis da manhã. Ele havia madrugado para visitar Hermione.

- Ela acordou durante a madrugada mas eu dei a ela uma poção mais forte de sono.- disse a enfermeira.

Harry olhou, impaciente, a namorada que dormia imóvel.

- Ela tem que descansar Potter!- disse a enfermeira ao ver a aflição do garoto.- E agora ela deve dormir por muitas horas.

Harry deu ombros.

- Eu preciso ao menos vê-la um pouco, Madame Pronfey.- disse Harry.

- Você está se saindo um belo Percival Weasley!- disse a enfermeira impaciente.

- Porque?- perguntou Harry sem entender.

- Aquele rapaz quase morou na enfermaria enquanto a namorada esteve petrificada.- disse a enfermeira.

- Não seria má idéia.- disse Harry dando um sorriso maroto.- Mas seria melhor se ela estivesse ao menos acordada.

- De que adiantaria?- perguntou a enfermeira.- Ela ainda não está conseguindo processar muito bem as informações. Agora me dê licença, eu tenho de ir.- completou fechando o cortinado da cama.

Harry se assentou ao lado da cama e abriu um pedaço do cortinado para ver Hermione novamente. Ficou ali observando-a dormir por uns vinte minutos. E então começou a ter idéias. Percival Weasley, não é mesmo?

Ele desceu correndo os corredores ainda vazias do castelo até o saguão principal. Logo ele ganhou os gramados secos pelo outono e então avistou quem procurava.

- Hagrid! Hagrid!- gritou Harry.

- Oh, Harry! Bom dia!- disse o gigante que aguava sua horta.- Que pressa é essa? Aconteceu alguma coisa? Com Hermione?

- Não! Não! Ela está na mesma.- disse Harry recuperando o fôlego.- Aonde eu consigo algumas flores?

- Flores? No outono?!- disse Hagrid.- Se fosse primavera ou verão eu lhe diria para se servir do jardim, mas...Pra que?

- Sei lá.- disse Harry.- Acho que Hermione iria ficar feliz em ter flores em sua cabeceira.

- È difícil arrumar flores em pleno outono, mas hoje à noite vou visitar o Growp, posso ver se na floresta encontro alguma.- disse Hagrid sorrindo.

- Obrigado.- disse Harry.- Agora eu tenho que ir! Tenho alguns deveres. Até mais!

- Até Harry! Quando puder venha tomar um chá.- disse Hagrid.

Harry voltou correndo para o castelo e ia subindo para a torre da Grifinória quando passou na porta da sala de Lupin uma coisa lhe veio à cabeça. O que a Sra. Weasley teria dito ao saber do ocorrido? Será que ela ainda gostava de Harry como dizia?


- Entre!- disse a voz de Lupin.

- Com licença professor Lupin.- disse Harry entrando.

- Harry! Você tão cedo aqui, aconteceu alguma coisa?- perguntou Lupin.- Sente-se.- completou indicando uma cadeira.- O que deseja?

- Sabe, eu estava me perguntando, vocês mandaram as notícias para a Ordem?- perguntou Harry assim que se sentou.

- Notícias de Hermione e do ocorrido?- perguntou Lupin.- Lógico.

- Ah! E o que eles disseram?- perguntou Harry.

- Como assim? Todos ficaram preocupados oras!- disse Lupin.

- Tá certo, mas e sobre...- ele engoliu em seco.- sabe...

- Sobre o seu namoro?- perguntou Lupin sorrindo.

- È!- disse Harry sem graça.

- Você está com medo de que, Harry?- perguntou Lupin.- De que Molly ou algum dos Weasley não gostem mais de você?

- Na verdade...- disse Harry.- é isso mesmo!

- Ah Harry!- disse Lupin.- Tome como exemplo a Gina, ela mudou o comportamento dela com você?

- Não!- disse Harry.- Mas a Gina é diferente. Ela é meio que a melhor amiga da Mione, e ela já sabia de tudo!

- È lógico que ninguém vai sacrificá-lo por isso!- disse Lupin.- Molly adorou a notícia, é lógico que ela ficou preocupada com o Rony, mas o tempo cuidará dele, Harry. O que é isso no seu nariz? Andou brigando de novo?

- Foi o Rony.- disse o Harry sem jeito.

- Um dia ele vai acordar, Harry, e ele vai ver que não adianta ele ficar emburrado por aí, porque a vida continua!- disse Lupin.

- E como vão as pessoas? E o Gui?- perguntou Harry.

- Vão bem. Gui partiu ontem.- disse Lupin.- Ele já se recuperou do susto do seqüestro. Foi pra Amazônia.

- Amazônia?- perguntou Harry.- Mas e Gringotes?

- Er...- fez Lupin como se tivesse falado demais.- Contatos com o banco americano.

- Ah!- fez Harry.

- Acho que o café já está servido.- disse Lupin consultando o relógio.- Vamos descer.

- Ok.- disse Harry.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:26

10° Capitulo - A decisão do Sr. Granger

As aulas do dia seguiram na mesma monotonia que vinham desde o ocorrido com Hermione. À noite Harry voltou à enfermaria junto a Gina, Hermione ainda dormia. O Sábado logo chegou. No café Harry encontrou Hagrid.

- Consegui as flores.- disse o gigante.- Vá a minha casa depois do café.

E Harry foi. Hagrid havia conseguido um buquê de flores amarelas. E logo ele foi à enfermaria.

- O que é isso, garoto?- perguntou a enfermeira.

- Flores oras!- disse Harry enquanto as ajeitava em um vaso no criado da cama de Hermione.- E ela não vai mais acordar?

- Talvez amanhã pela manhã.- disse a enfermeira.


****


- Gina!

Gina se virou. Acabara de sair da enfermaria e tinha recebido a notícia de que Hermione estava pior. Ela viu Draco que vinha correndo.

- O joelho melhorou?- perguntou.

- È!- disse ele sorrindo.- Trouxe um presente pra você!

- Ah Malfoy!- disse Gina impaciente.- Não pense que é com presentes que você vai...

- Ei! Deixe eu explicar o porque do presente!- disse ele erguendo um livro.- Crabbe escutou você e suas amigas falando qualquer coisa sobre este livro. Eu encomendei um e dei uma lida.

Gina pode ler o título Os mais fantásticos contos trouxas - Romeu e Julieta - Shakespeare. E então se lembrou do episódio na biblioteca em que Luna e Hermione discutiam por causa daquele tal livro.

- Conta a história de dois jovens de famílias inimigas que vivem um romance proibido.- disse Draco.- Parece com a gente não?

- A gente não vive um romance proibido!- disse Gina.

- Mas se tudo der certo vai viver!- disse Draco colocando o livro nas mãos de Gina.

- Você com essa história de novo!- disse Gina.- Não quero o livro.- completou tentando devolve-lo para Draco.

- Não recuse um presente, Gina!- disse ele.- Agora tenho que ir, tenho treino.

E deixando um beijo no ar ele saiu correndo de novo.


****


Harry passou o dia submerso em seus deveres. Quando a noite caía Gina apareceu por lá.

- E aí?- perguntou ele.

- Tinha ido ver Hermione.- ela não parecia muito contente.

- Eu fui lá pela manhã.- disse Harry.- Mas que cara é essa?

- Sabe...- disse Gina.- Me pediram pra não lhe falar mas...

- Falar o que?- perguntou Harry largando os deveres.

- Acho que você tem que saber.- disse Gina.- O braço de Hermione infeccionou e eles acharam melhor mantê-la desacordada até ele apresentar melhora.

- Por isso ela nunca acorda!- disse Harry.

- È!- disse Gina.- Mas Madame Pronfey me garantiu que ela ficará boa.


A semana que seguiu não foi das melhores. Harry agora andava meio solitário. Rony sequer olhava pra ele. Gina estava ocupada, era o ano de N.O.N.s. dela e ainda tinha de cumprir com as obrigações de monitora, que com a ausência de Hermione havia triplicado. Harry também estava dando o seu jeito de estudar. Conseguiu marcar treinos para Quinta e Sexta à noite. Rony compareceu a esses. Chegava sempre mudo e saía calado. O time estava ficando bom e a única coisa que animava Harry era a possibilidade de ganhar o jogo contra o time de Zacarias Smith daí a duas semanas. Será que Hermione já estaria boa? Será que o veria jogar?

No Fim de semana seguinte ao jogo seria a primeira visita à Hogwarts.


Era o segundo Domingo de Harry em Hogwarts. Harry agora voltava ao castelo com as flores para o vaso de Hermione.

- E tem também o namorado dela.- dizia Madame Pronfey quando Harry entrou.- Ele vem aqui a toda chance. E não deixa as flores do criado ficarem velhas de maneira alguma.

- Não sabia que você estava namorando, querida.- disse o Sr. Granger sério.

- Não deu tempo de contar.- disse Hermione. A voz dela estava fraca.

- Aí está ele.- disse a enfermeira.- Bom dia Sr. Potter.

Harry sentiu-se corar ao mesmo tempo que a felicidade de ver Hermione finalmente acordada tomou conta dele.

- Bom dia Madame Pronfey.- disse ele.- Trouxe mias flores. Bom dia Sr. e Sra. Granger.

- Harry!- disse Hermione.

- Que bom que você acordou!- disse o garoto sorrindo enquanto substituía as flores antigas pelas novas.

- Eu nem me lembro de muita coisa. A última coisa que lembro foi quando me levantei do sofá.- disse Hermione franzindo a testa.- Há quanto tempo estou aqui?

- Há mais de dez dias.- informou Madame Pronfey que parecia bem feliz por Hermione ter acordado.

- Nossa! E as aulas?- perguntou ela parecendo assustada.- Como vou fazer? Não podia ter perdido todo esse tempo de aula.

- Não se preocupe querida.- disse a Sra. Granger.- a Professora McGonagall disse que a maioria dos professores está disposta a repassar toda a matéria com você.

- E eu estive fazendo algumas anotações.- disse Harry sorrindo.

- Você?- perguntou Hermione.- Difícil de acreditar! Você fazendo anotações?!

- Gina já sabe que você acordou?- perguntou Harry.

- Mandei um garoto chamá-la.- disse a enfermeira.

- Ela vai ficar feliz.- disse Harry.

- Acho que devemos ir.- disse o Sr. Granger.- O Sr. Dumbledore disse que falaria conosco às dez. E já são quase.

- Eu os levo até a sala dele.- disse Madame Pronfey.

- Mais tarde nós voltaremos, querida.- disse a Sra. Granger e depois de dar um beijo na testa da filha ela saiu da enfermaria com o marido e a enfermeira.

- E então Harry!- disse Hermione assim que o trio sumiu.- Pelo que entendi todos já sabem da gente.

- Inclusive o Rony.- disse Harry se assentando na beirada da cama de Hermione.

- Como aconteceu? Ele ficou bravo?- perguntou ela.

- A seringa.- disse Harry.- Foi colocada junto à carta de Krum por comensais.

- È mesmo.- disse Hermione.- Tinha me esquecido que achei estranho o embrulho.

- Malfoy acabou contando para Gina.- disse Harry.

- Contando sobre quem colocou a seringa?- perguntou Hermione.

- Ele contou que rabicho nos viu naquele bosque em Greelin.- disse Harry.

- E eles resolveram tentar me matar.- completou Hermione apertando a mão de Harry.

- Sim!- disse Harry.- Eu e Gina achamos que seria mais seguro contar tudo.

- E o Rony?- perguntou Hermione.

- Ele ainda não fala comigo.- disse Harry infeliz.- Gina disse que às vezes ele pergunta por você. Ele sempre chega no dormitório antes ou depois de mim. Há um tempo atrás me acertou com um soco no nariz. Queria inclusive sair do time. Mas a Gina o convenceu a ficar. E então ele tem ido aos treinos. Sempre calado. Tem jogado muito bem, mas finge que não ouve quando falo com ele.

- Eu temia que ele reagisse assim.- disse Hermione também infeliz.

- Lupin me disse que uma hora ele vai se conformar.- disse Harry.

- Mas vai demorar.- disse Hermione.

- Olha, eu não vou ficar feliz com isso, mas se você quiser.- disse Harry enquanto ajudava Hermione a se sentar.- A gente pode acabar tudo.

Hermione arregalou os olhos.

- Sabe, pro Rony poder nos perdoar.

- Harry!- disse Hermione séria.- O Rony pode ser o tapado que é, mas você acha que adiantaria?

- Não sei.- disse Harry com simplicidade.

- Nós terminaríamos e ficaríamos tristes.- disse Hermione.- Eu lhe amo, você me ama e não é uma criancice do Rony que vai nos separar. Só se...

- Só se o que?- perguntou Harry.

- Se nesse tempo que eu fiquei dormindo aqui você tiver mudado de idéia.- disse Hermione.

- Lógico que não Mione!- disse Harry abraçando Hermione.- Esse tempo só fez o meu amor por você mais forte!- e após dizer isso os dois se beijaram.- Você não sabe a saudade que eu estava sentindo disso.- disse Harry assim que eles se soltaram.

- Gostaria de ter algo assim todas as vezes que eu acordasse.- disse ela rindo.

- Exagerada!- disse Harry.- Por um momento eu pensei que eu nunca mais lhe beijaria.

- Bobo.- disse ela antes de beijá-lo novamente.

- Hem hem!

Os dois pararam e se viraram.

- Desculpa atrapalhar o casal.- disse Gina.

Os dois riram.

- Como está se sentindo, amiga?- perguntou ela enquanto se assentava na cama ao lado.

- Cansada.- disse Hermione.- E o meu braço dói. Mas o que você tem feito além de treinar quadribol, é claro!?

- Tem tentado manter o seu gato quieto, ele parece estar sentindo a sua falta.- disse Gina.- E tenho lido também.

- Isso mesmo, não se deve deixar de estudar.- disse Hermione.

- Você viu as flores?- perguntou Harry.

- Sim, eu vi as que estavam aí antes também.- disse Hermione sorrindo.

- Tenho feito Hagrid arrumar flores novas todos os dias.- disse Harry.

- Acho que papai levou um susto quando Madame Pronfey falou do meu namorado.- disse Hermione.

- Seus pais estão aqui?- perguntou Gina.

- Sim! Dumbledore mandou chamá-los assim que o machucado no braço desinfeccionou e eles puderam me acordar.- disse Hermione.

- A essas horas Dumbledore deve estar explicando a eles os riscos que você corre como minha namorada.- disse Harry.

- Nam!- fez Hermione.- Eu já corria riscos bem antes disso. A diferença é que agora eles vão viver preocupados comigo.

- Olá Sra. Granger.- disse Gina ao ver os pais de Hermione entrarem de volta na enfermaria. A enfermeira que vinha atrás parecia aflita.

- Olá Gina.- respondeu a mulher.

- E aí? O que vocês conversaram?- perguntou Hermione ansiosa.

- Você vai embora daqui assim que estiver boa.- disse o Sr. Granger.

Harry sentiu o estômago despencar.

- Vocês não podem fazer isso.- disse Harry num impulso.

- Podemos sim!- disse o Sr. Granger pra ele.- Hermione mal fez 16 anos, ainda somos responsáveis por ela.

- Mas e os meus estudos? Eu me formo em dois anos!- disse Hermione.

- Você se formará bem em uma escola normal!- disse a Sra. Weasley.

- Eu não vou!- disse Hermione parecendo prestes a chorar.

- Vai sim, Hermione!- disse o Sr. Granger severamente.

- Me dêem motivos para me tirarem daqui.- disse Hermione.

- Este mundo de vocês está em guerra! Você está namorando o garoto que um psicopata maluco quer matar!- disse o Sr. Granger.- Você quase foi morta Hermione! E não foi a primeira vez!

- E vocês pensam que ela estará segura fora daqui?- perguntou Gina.

- Sim!- disse o Sr. Granger.- Na verdade foi um grande erro permitirmos que ela viesse estudar aqui há cinco anos atrás.

- Vocês não enxergam?- perguntou Gina.- Levá-la daqui vai ser suicídio!

- E deixá-la aqui vai ser assinar a sentença de morte da minha única filha, garota!- retrucou o Sr. Granger.

- Vocês não podem levá-la daqui!- disse uma outra voz vinda de um canto da enfermaria. Todos se viraram, era Rony que estava escondido a um canto e acabara de sair.

- Rony!- disse Gina.

- Vocês falaram certo! Harry é um dos motivos dessa maldita guerra.- disse Rony.- Mas o que seriam de nós todos se não fosse a Mione ao lado do Harry?

- Não sei de vocês, mas nós estaríamos seguros em nossa casa, e a nossa filha não teria quase morrido nenhuma vez até hoje!- disse o Sr. Weasley.

- Sabe, em nosso primeiro ano.- disse Rony.- Aquele psicopata a quem você se referiu teria voltado se Hermione não tivesse atuado brilhantemente e ajudado o Harry a detê-lo.

- E no segundo ano ela ajudou os garotos a descobrir o mistério do basilisco e a salvar minha vida!- disse Gina.

- Ela foi petrificada e passou um longo tempo nessa enfermaria!- disse a Sra. Granger.

- E no terceiro ano, se não fosse o gato da Mione eu não teria descoberto a verdade sobre o meu padrinho!- lembrou Harry.

- E no ano passado você a arrastou para aquele ministério de num sei o que, Harry!- disse o Sr. Granger.- E ela quase morreu, novamente!

- O que está acontecendo aqui?- Era a Profª. Minerva que a pedido de Dumbledore tinha ido até a enfermaria. Logo atrás dela entrou uma distraída Luna que parecia perdida.

- Professora Minerva!- exclamou Hermione com a voz embargada.- Pa-papai e mamãe querem me levar embora.

- Vocês não podem fazer isso!- disse Minerva.

- Podemos sim!- disse o Sr. Granger.

- Vocês não podem levar a mais brilhante aluna do 6º ano daqui.- repetiu Minerva.- Por favor, venham à minha sala. Vamos conversar.

Sr. Granger concordou e, ele e a esposa deixaram a enfermaria. Madame Pronfey foi atrás.

- Eles não podem fazer isso!- disse Hermione com os olhos úmidos.

- O que estava fazendo ali?- perguntou Gina a Rony.

O garoto corou.

- Eu tinha vindo ver como a Mione estava, mas não havia ninguém aqui, e então eu ouvi Madame Pronfey chegando com mais pessoas e me escondi. Não queria que me vissem aqui.- disse ele.

- Isso quer dizer que você não está chateado comigo?- perguntou Hermione.

- Sim.- respondeu o garoto.- Você não tem culpa de nada.- completou olhando para Harry.

- Ninguém tem culpa de nada Rony!- disse Gina.

- Escuta Gina!- disse Rony.- Não adianta você começar com aquele discurso de fã do Harry não! Você já tentou algumas vezes e não conseguiu. Agora se me dá licença, tenho deveres para fazer, sozinho, melhoras para você Mione, e espero que você fique.- e dizendo isto ele saiu.

- O que são discursos de fã do Harry?- perguntou Harry.

- Qualquer frase que diga que não tem nada de errado em você namorar a Mione.- disse Gina.- Olha, ele fala assim mas ele já deu uma amolecida. Até três dias atrás ele dava escândalo só de tocar no assunto. E a Mione ele já perdoou.

- Está na hora do almoço.- disse Luna observando as flores brancas no vaso ao lado da cama de Hermione.

- Eu tenho que ir.- disse Gina.- tem reunião de monitores depois do almoço. Vamos Luna.

- Vou ficar aqui.- disse Harry e as duas garotas deixaram a enfermaria.

Harry e Hermione ficaram se olhando calados.

- Eu estou com medo.- disse Harry depois de um longo silêncio. Ele se assentou novamente na beira da cama de Hermione.

- De que?- perguntou Hermione.

- De seu pai lhe levar daqui.- disse Harry.

- Ele não vai fazer isso.- disse Hermione.

- Como tem certeza?- perguntou Harry.

- Sei lá.- disse Hermione.- Conheço meu pai, esse não é o tipo de atitude sensata dele.

- Porque ele disse isso então? Parecia tão calmo quando eu cheguei aqui na enfermaria.- disse Harry.

- As palavras enigmáticas de Dumbledore deve tê-lo desorientado.- disse Hermione.


- Sabe, espero que esse período sem mim tenha ensinado alguma coisa a você e ao Rony.- disse Hermione.

- Tipo o que?- perguntou Harry.

- Que vocês têm que aprender alguma coisa sozinhos, que não vai ter alguém que lhes arrume anotações pro resto da vida.- disse Hermione.

- Vejo que a Srta. está se recuperando rapidamente.- disse Harry.- Já está até me torrando por estudos!

- E essa minha melhora não merece um beijinho?- perguntou Hermione sorrindo.

- Lógico.- completou Harry se debruçando por cima de Hermione e lhe dando um demorado beijo.

- Hm. Com licença.- Harry rapidamente se levantou. A profª. Minerva, a mãe de Hermione e Madame Pronfey estavam de volta.- Harry, o Sr. Granger quer falar contigo. Ele o espera em minha sala.

- Com licença.- pediu Harry sem jeito e saiu.

- E então?- perguntou Hermione também ruborizada.

- Você realmente acha que eu deixaria levarem minha melhor aluna embora?- perguntou Minerva.


****


- Você quer falar comigo, Sr. Granger?- perguntou Harry entrando na sala da professora Minerva.

- Sim, Harry.- disse ele. Parecia bem mais amável agora.

- A Mione vai ficar?- perguntou Harry com urgência.

- Sim.- disse ele.- Mas não é sobre isso que quero lhe falar.

- Pois então diga o que é.- disse Harry.

- Bom, pelo que eu entendi nós agora somos genro e sogro.- começou ele.


****


- Então você estará totalmente curada em no máximo três dias.- disse a Sra. Granger que acabar de ouvir instruções de Madame Pronfey.

- Ela estará curada do veneno.- disse a enfermeira.- E terá alta, porém como eu estava explicando para a sua mãe, Hermione, você terá que voltar aqui todo fim de tarde e toda manhã para trocar essas bandagens no braço. E nada de arrumar desculpas do tipo "eu estava estudando".

- Pode deixar que eu vou cuidar dela, Sra. Granger.- disse a Profª. Minerva no momento em que Harry entrou na enfermaria seguido pelo Sr. Granger.

- Bom, acho que podemos ir.- disse o Sr. Granger.- Temos a agenda cheia amanhã.

- Adeus querida.- disse a Sra. Granger dando um abraço em Hermione.

- Até a vista.- disse o Sr. Granger dando um beijo na testa da filha.- E você, Harry, juízo.- completou estendendo a mão para Harry.

- Fique tranqüilo, Sr. Granger.- disse Harry apertando a mão dele.

- Vou acompanhá-los até a estação e, Papoula, avise a Alvo que a garota fica.- disse Minerva.

- Não lhe disse que ele mudaria de idéia?!- disse Hermione assim que todos saíram.- O que vocês conversaram?

- Conversa de homem.- disse Harry sério.

- Ah Harry!- disse Hermione rindo.- Como se você não me contasse alguma coisa!

- Ah! Ele só fez aquelas recomendações que eu acho que todo pai deve fazer.- disse Harry.

- Ele deve ter tomado um susto quando Madame Pronfey disse que o meu namorado vinha aqui todos os dias. Acho até que eu já disse isso. - disse Hermione.- E você? Não vai ir almoçar?

- Prefiro ficar aqui com você.- disse Harry sorrindo.

Harry passou o restante do dia na enfermaria. No final da tarde Gina reapareceu por lá. Quando a noite caiu os dois foram para o jantar.


****


- E como vão os deveres?- perguntou Hermione.

- Eu tenho estudado sozinho, não se preocupe.- disse Rony.

- Se precisar das minhas anotações.- disse Hermione.- Só agora eu estou conseguindo voltar ao meu ritmo.- completou.

- Rony!- era Gina que vinha entrando no salão comunal.- Porque você não jantou?

- Estou arrumando alguns deveres.- disse Rony.

- Você tem que comer.- disse Gina.- Ou não vai agüentar o jogo amanhã.

- Foi o seu amigo Harry que mandou você conferir se eu estou bem?- perguntou Rony.

- Não!- disse Gina.

- Ah! Porque ele ultimamente tem falado comigo nos treinos como se eu fosse simplesmente um jogador sob o controle dele.- disse Rony.

- Sabe...- disse Gina.- Vocês já estão brigados há um mês, não tá na hora de parar com essa frescura e fazer as pazes não?

- Eu não vou pedir desculpas para ninguém.- disse Rony.

- Ah! E é o Harry quem deveria lhe pedir desculpas, não é?- disse Gina impaciente.- O que ele fez pra você? Por que pelo que eu sei foi você quem partiu pra ignorância.

- Você ainda pergunta o que ele me fez?!- disse Rony olhando pelo canto dos olhos para Hermione.

- Oras Rony! Cresça um pouco!- disse Gina.- Você nunca teve nada com a Mione!- completou como se Hermione não estivesse ali.- E o Harry não escolheu gostar dela! Aconteceu!

- Sabe, Rony!- interrompeu Hermione. Gina olhou para ela que estava levemente corada.- O Harry queria terminar comigo.

- Oras, terminar? Não era ele quem gostava tanto de você?!- perguntou Rony.

- Ele queria terminar comigo pois achava que isso traria a sua amizade de volta!- disse Hermione se levantando.- E eu não deixei que ele me largasse, então se você tem que brigar com alguém que brigue comigo!- dizendo isso começou subir as escadas para o dormitório feminino.- Vou estudar qualquer coisa.

- Se ele quisesse mesmo fazer isso ele teria feito com mais convicção.- disse Rony assim que Hermione sumiu.

- E você quer o que?- perguntou Gina.- Que eles terminem? Que finjam que não se gostam? Que atendam ao seu luxo?

- Pode ser!- disse Rony.

- Não sei para quê?!- disse Gina.- A Hermione não vai ser sua do mesmo jeito. E ela nunca vai estar feliz longe do Harry. E o Harry também! Você já viu o tanto que ele anda feliz?

- Eu prefiro nem olhar pro lado do Harry!- disse Rony secamente.

- Pois devia! E devia também tomar vergonha na cara, Rony!- disse Gina.- Porque não parte pra outra? Tem tanta garota em Hogwarts! E a visita à Hogsmead está chegando. Porque não arruma uma garota pra te acompanhar?!

- E você vai com quem?- perguntou Rony fugindo do assunto.

- Não lhe interessa.- disse Gina.

- Ah! Eu me esqueci! Deve ser com o seu namorado, o Dino!- disse Rony fazendo cara de nojo.

- Eu terminei com ele hoje pouco antes do jantar.- disse Gina.

- Ah! Então é por isso que está irritada ralhando comigo por qualquer bobagem!- disse Rony.

- Eu estou ralhando com você porque você está sendo idiota, Rony!- disse Gina.- E quer saber? Também vou procurar o que fazer!

Ela subiu as escadas correndo.

Rony voltou para os seus deveres quando Gina desceu as escadas correndo.

- O que foi?- ele perguntou.- Aonde você vai?

- Er...- fez ela.- Acabei de me lembrar de uma coisa.- e dizendo isso saiu pelo buraco do retrato.


****


- Pensei que você não viria.- disse Draco.

- Nem eu sei porque vim.- disse Gina.- E se alguém me vir aqui com você?

- Não vai haver treino hoje.- disse Draco, eles estavam na arquibancada do campo de quadribol.- Por causa do jogo de amanhã. Eu chequei tudo direito.

- Mesmo assim.- disse Gina.- O que você quer?

- Queria lhe ver.- disse ele.

- Você acabou de me ver no jantar.- retrucou Gina.

- Eu queria lhe ver de perto. Ouvir a sua voz impaciente comigo.- disse ele.

- Devia ter trazido seu livro de uma vez.- disse Gina.

- Pra que? Ele é um motivo pra gente se encontrar de novo!- disse Draco.

- Você fala como se a coisa que eu mais quisesse fosse encontrar contigo às escondidas.- disse Gina.

- Você pode não querer, mas é a coisa que eu mais quero.- disse Draco.- Estar ao seu lado.

Gina deu um suspiro. Como ele era meloso.

- Sai comigo, no fim de semana em Hogsmead.- disse ele.

- Ah! Era o que me faltava. O que as pessoas irão dizer ao ver Gina Weasley saindo com Draco Malfoy?- perguntou Gina.

- A gente dá um jeito.- disse Draco.- Eu vou pensar, e depois marco outro encontro. E se você quiser leva o livro pra mim.

Gina deu outro suspiro. Draco desceu uma fileira de bancos da arquibancada, e depois de beijar as costas da mão de Gina saiu com as mãos nos bolsos sem olhar para trás. Algum tempo depois Gina tomou o mesmo caminho. Como ela era tola, pensou. Porque ela ainda conversava com ele? Porque ela ia aos encontros que ele marcava? Porque dava bola? Talvez fosse algo como gratidão. Mas gratidão porque? Por ele ter ajudado Gui a fugir, por ele ter revelado o plano dos comensais ou por ele ter lhe contado o que Dino Thomas andava fazendo enquanto ela treinava quadribol? Talvez ela precisasse contar sobre essas coisas pra alguém. Sentia-se confusa. Não podia estar gostando de Draco Malfoy?!


****


Hermione acordou assustada. Tinha a impressão de ter acabado de ouvir um barulho. Olhou à volta. Lilá e Parvati dormiam como anjos. Ouviu o barulho novamente, ele vinha de uma gaveta de seu criado. Lembrou-se do caderno Mágico. Abriu a gaveta rapidamente e tirou o caderno de lá.


Hermione, você está acordada? Pode ir ao salão comunal?


Hermione procurou uma pena e respondeu com um sim. Em seguida se levantou, vestiu o roupão e calçou os chinelos. Seu braço, ainda enfaixado, doía um pouco, talvez pela urgência com a qual ela abrira a gaveta. Ela desceu as escadas. Gina estava assentada próxima à lareira.

- O que foi?- perguntou Hermione se assentando também.- Aconteceu alguma coisa? Você parece angustiada.

- Mione, lembra do que você me disse no dia em que falou daquele livro trouxa?- perguntou Gina.

- Sim. Quer dizer, depende do que, sobre o Malfoy ou sobre a Luna?- perguntou Hermione.

- O primeiro.- disse Gina.

- Espera aí, Gina.- disse Hermione.- Você tem dado papo pro Malfoy? Porque eu achei meio estranha essa história de que ele simplesmente lhe contou que Voldemort tinha mandado me matar.

- Mais ou menos, Mione.- disse Gina.- Sei, depois da confusão no trem, eu tinha decidido que não daria mais papo para ele, só que aí...

- Só que aí o que??- perguntou Hermione.

- No dia que aconteceu aquilo com você a Profª. Minerva mandou que eu o acompanhasse até a torre de astronomia. Eu não iria dizer que não. Então eu o acompanhei. E ele estava rindo de você.- disse Gina.- Então eu desconfiei que ele sabia de algo e ele acabou me contando.

- Tá, mas e aí?- perguntou Hermione.

- Ele voltou com aquele papo, como quando ele disse no beco diagonal que iria ajudar Gui a fugir e em troca eu conversaria com ele.- disse Gina.- Ele disse que mais tarde ia se arrepender por ter me contado só que se aquilo servisse pra contar pontos a favor dele comigo que teria valido a pena.

- E então você foi conversar com ele de novo.- disse Hermione.

- Não.- disse Gina.- Foi depois de uma reunião de Monitores. Ele foi atrás de mim. Ele se declarou pra mim.

- E você não levou a sério o que ele falou, ou levou?- perguntou Hermione.

- Não, quer dizer, mais ou menos.- disse Gina.

- E o que ele te disse?- perguntou Hermione.

- Disse que estava apaixonado por mim. Que no começo ele só queria ficar comigo porque eu sou bonitinha mas que eu sou tão difícil que ele acabou se apaixonando de verdade.- disse Gina.- E que ele sabia que eu ia dizer que ele não presta mas que ele estava tentando mudar. Que tinha salvado a vida do meu irmão, tinha me contado sobre você.

- E você não o lembrou de todas as outras coisas?- perguntou Hermione.

- Sim!- disse Gina.

- E o que ele disse?- perguntou Hermione.

- Que ele é Draco Malfoy. Que o pai e a mãe dele são bruxos de famílias "más" e que ele foi criado pra ser mau. Que ele está tentando mudar por mim só que ele não consegue mudar tudo ao mesmo tempo.- disse Gina.

- Esse garoto não tem vergonha na cara!- disse Hermione.- Será que é com essa mesma conversa que ele conquista a todas? E você Gina!? Ficar balançada com meia dúzia de palavras desse tipo!

- Calma. Eu não contei a história toda.- disse Gina.

- Tem mais?- perguntou Hermione.

- Sim! No dia seguinte ele veio atrás de mim e me entregou um livro.- disse Gina.- Aquele que você falou.

- Romeu e Julieta? Como ele conhece?- perguntou Hermione.

- Aquele dia na biblioteca, Crabbe estava me espionando.- disse Gina.- Eu recusei o livro, mas ele insistiu tanto que eu acabei aceitando.

- E você o leu?- perguntou Hermione.

- Sim! A história é linda!- disse Gina.- E desde que terminei o livro eu não sei mais o que fazer!

- Como assim?- perguntou Hermione.

- Ele tem me mandado corujas quase todas as tardes. Ele escreve palavras tão bonitas, Hermione!- disse Gina.- E ele me fez outro "favor".

- Qual?- perguntou Hermione.

- Ele veio com um papo de que o Dino estava tendo alguma coisa com a Lilá.- disse Gina.

- Com a Lilá?- perguntou Hermione.

- È!- disse Gina.- Falou que via os dois se encontrando todos os dias em que eu tinha treino. E era verdade, eu vi os dois juntos, eu segui o Dino um dia em minha forma animaga e os encontrei.

- Ah Gina! Desculpa, mas isso não dá pra engolir.- disse Hermione.- Você é mil vezes melhor que a Lilá! O Dino não iria lhe trocar por ela.

- Ele disse que já estava com ela fazia um tempo e que não tinha encontrado jeito para terminar.- disse Gina meio triste.

- Aí sim!- disse Hermione.

- E eu não sei mais o que eu estou sentindo!- disse Gina.- Sei lá, eu posso gostar de qualquer pessoa, mas logo do Malfoy?

- È! Não acho que ele seria uma pessoa legal pra você.- disse Hermione.

- Mas é como eu falei pro Rony há pouco. A gente não escolhe de quem gosta.- disse Gina.

- Isso é verdade.- disse Hermione.- Mas Gina, toma muito cuidado com esse garoto. Você sabe quem é o pai dele. Você sabe muito bem o tipo de gente que ele é. O tipo de coisa que ele é capaz de fazer. Agora, se você estiver mesmo gostando dele, o que pode fazer contra isso?

- Eu sei muito bem quem ele é.- disse Gina.- Eu não queria que essa história tivesse chegado a esse ponto.

- E é bom lembrar também que esse possível "romance" entre vocês dois pode vir a afetar muita mais gente do que se possa imaginar.- disse Hermione.

- Eu sei. Mas, por favor, esse assunto não sai daqui, ok?- pediu Gina.

- Tudo bem.- disse Hermione.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:29

11° Capitulo - Triste Notícia

- Cara, nós arrasamos!- disse Rony feliz para Simas.

- Trezentos e vinte à cento e dez!- disse Simas.

- Acho que aquele Zecarias Smith perdeu até o caminho da torre.- disse Neville.

- Aí vem o Harry.- disse Collin.

Harry vinha entrando no vestiário seguindo por Gina e por Ann Mishaky.

- E então, Harry?- perguntou Collin.

- Fantástico.- disse o garoto sorrindo.- Agora temos de espera que a Corvinal ganhe da Sonserina. Nosso próximo jogo será contra o time de Draco Malfoy e não podemos esperar a moleza de hoje contra o time dele.

- Se continuarmos bons como fomos hoje no jogo não vai ter pra mais ninguém!- disse Simas dando um soco no ar.

- Calma Simas!- disse Harry.- Os batedores foram realmente bons, porém eu não daria nota maior que 8. Neville, você tem que aprender a mergulhar melhor e o Collin precisa de um pouco mais de força nos balaços. A artilharia ganha 9. Simas está excelente no meio, e Gina fantástica na direita, só que Ann, estive pensando, talvez você acerte mais bolas se trocar de lugar com o Simas.

- Por mim tudo bem!- disse Simas.

- E Rony, você foi bárbaro, cara!- disse Harry tentando olhar Rony nos olhos.- Você já está quase tão bom quanto Olívio era.

Rony deu ombros.

- Essa vitória merecia uma comemoração!- disse Simas.

- Mas não temos mais Fred e Jorge para tirarem cerveja amanteigada do nada!- disse Neville.

- Mas conhecemos o caminho da cozinha!- disse Gina.- E se não temos cervejas amanteigadas vamos de suco de Abóbora.

- Demorou!- disse Collin.

- Vou me trocar e passar na cozinha.- disse Gina.

- Vou com você!- disse Harry enquanto entrava em um boxe para se trocar.

- Eu também.- disse Collin.

- Então vamos o time todo de uma vez!- disse Simas.

- Eu vou ir direto para o salão comunal. Aliás, vou me trocar no dormitório. Até mais.- disse Rony.

Vinte minutos depois o restante do grupo estava saindo do vestiário. Hermione os esperava lá fora. Harry correu até ela e a abraçou.

- Não mereço parabéns?- perguntou ele.

- Lógico!- disse ela dando um selinho nele.- Parabéns. Vocês jogaram muito bem, vocês todos.- completou se virando para o restante do time.- Onde está o Rony?

- Não quis se juntar ao Harry para ir até a cozinha providenciar suco de abóbora para uma comemoração.- disse Gina.

- Ah! Não vai ser preciso.- disse Hermione.- Quando Harry pegou o pomo eu mandei que Euan Abercrombie, Dênis Creevey e mais dois amigos calouros deles providenciassem cervejas amanteigadas para nós.

- Providenciassem?- perguntou Harry.

- È!- Disse Hermione sorrindo.- Eu apenas ensinei como pegar a passagem mais curta. A essa hora eles já devem estar voltando.

- E isso lá é coisa que uma boa monitora faça?- perguntou Gina em tom de brincadeira.

- Ah! È por uma boa causa.- justificou Hermione enquanto eles atravessavam o saguão principal.

Algum tempo depois o grupo atravessou o buraco do retrato que levou a um salão comunal lotado.

Muitos ali vieram cumprimentar o time e algum tempo depois os dois garotos apareceram trazendo uma enorme quantidade de garrafinhas de cerveja amanteigada que Harry logo distribuiu entre todos.

Harry estava se sentindo extremamente feliz. Sempre se sentia contente após uma vitória no quadribol mas agora que ele próprio comandava o time a sensação era ainda melhor.

- Ei Rony!- o garoto piscou e olhou para o lado. Era Gina.- Não vai participar da comemoração? Toma uma cerveja amanteigada.

- Não quero obrigado.- disse ele secamente.

- Você não está feliz? Maninho você foi fantástico no jogo, deveria estar feliz!- disse Gina.

- Eu quero ficar quieto no meu canto, ok?- disse Rony emburrado.

- Tá bom ué!?- disse Gina se levantando e saindo. No outro canto do salão comunal estavam Harry e Hermione.

- Não se empolgue com a festa e esqueça de ir à enfermaria cuidar do braço ein?- disse Harry.

- Quando você fala assim fica parecendo que é meu pai, um irmão mais velho ou coisa assim.- disse Hermione sorrindo.

- È que eu me preocupo contigo.- disse Harry.

- E com o Rony, você se preocupa?- perguntou Hermione olhando para alguma coisa às costas de Harry que se virou e viu Rony encostado a um canto.

- Sim.- disse Harry, o sorriso desaparecendo de seu rosto.

- Então vai lá e resolve essa coisa de vocês de uma vez.- disse Hermione.

- Eu não vou pedir desculpas pra ele.- disse Harry.

- Só puxa papo.- disse Hermione.

- Ah! Não vou lá não. Ele provavelmente vai me acertar outro soco ou ser extremamente grosso.- disse Harry.

- Eu e a Gina conversamos com ele sobre vocês ontem.- disse Hermione.- Na verdade foi a Gina quem aprofundou no assunto.

- E o que vocês falaram com ele?- perguntou Harry.

- Eu nem prestei muita atenção no que a Gina falou com ele.- disse Hermione.

- Mas o que você disse?- perguntou Harry.

- Eu contei a ele a solução que você tinha me apresentado. Aquela baboseira que você disse de terminar por causa dele.- disse Hermione.

- Você contou isso a ele?- perguntou Harry se ajeitando na poltrona.- E o que ele disse?

- Calma. Eu contei a ele que você tinha feito a proposta e que eu recusei. E falei que se ele quisesse brigar com alguém por minha causa que brigasse comigo mesma.- despejou Hermione.- O que ele disse eu não sei porque em seguida eu subi.

- Aposto que ele nem ouviu!- disse Harry.

- Ouviu sim.- disse Hermione.- Até parece que você não conhece o Rony. Ele está agindo dessa maneira porque está com o orgulho ferido. Mas ele ouviu, eu sei que ouviu. Porque desde ontem ele esta abaixando a cabeça quando passa por mim como se estivesse com vergonha por algo que ele fez.

- Outro dia eu estava pensando se o Rony não tem razão.- disse Harry sério.

- Como assim?- perguntou Hermione.

- Sei lá, ele sempre deu indícios que gostava de você, você notou, a Gina notou, fico pensando se não foi uma falha minha começar a gostar de você.- disse Harry.

- E você por acaso consegue escolher de quem vai gostar?- perguntou Hermione.

- Não mas seu eu soubesse talvez tivesse ficado longe de você, como que em respeito ao Rony.- disse Harry com simplicidade.

- Não fica falando do que poderia ter sido e não foi.- disse Hermione.- Sabe, eu vou lhe contar uma coisa. Venha aqui.- E ela saiu puxando Harry até um canto do salão. Eles se assentaram no sofá que havia por ali.

- Diga.- disse Harry.

- Sabe a carta do Krum, que você me entregou quando eu saí da enfermaria?- perguntou Hermione.

- Sim.- disse Harry.

- Você a leu?- perguntou Hermione.

- Não.- disse Harry.

- Ah! Foi por isso, estranhei que você não comentou nada.- disse Hermione.

- Por que? O que estava escrito lá?- perguntou Harry.

- O Krum achava que nós iríamos nos casar quando eu me formasse.- disse Hermione.

- Como assim?- perguntou Harry.

- Eu tinha uma espécie de caso com o Vítor desde o nosso quarto ano.- disse Hermione meio desajeitada.

- Mas...- fez Harry sem querer acreditar.- Como?

- Tudo começou naquele baile no quarto ano.- disse Hermione.

- Eu me lembro. Você apareceu no baile com ele, você estava linda!- disse Harry.

- E no verão, antes de ir para a casa dos Black nós nos encontramos no beco diagonal.- disse Hermione.- E depois no passeio à Hogsmead. Você se lembra, quando eu arrumei a entrevista pro Pasquim? Você tinha saído com a Cho, e antes de ir me encontrar com Rita eu me encontrei com o Victor. E depois, no começo do ultimo verão também.

- Vocês namoravam?- perguntou Harry.

- È!- disse Hermione.- Sabe, o Vítor é uma grande pessoa. Ele tem todo aquele jeitão atrapalhado e aquela cara carrancuda mas ele é uma ótima pessoa.

- Mas como acabou? Quando?- perguntou Harry.

- No dia em que a gente se beijou naquele bosque, na mesma noite eu escrevi uma carta para ele. E aquela carta era a resposta dele.- disse Hermione.

- E ele não ficou bravo? Não quis me bater como o Rony?- perguntou Harry.- E você... não gostava dele?

- O Victor é bem mais maduro do que o Rony. E nós éramos, antes de sermos namorados, bons amigos. Ele sabia que eu não gostava dele muito mais do que como amigo.- disse Hermione.- Sabe, o Vítor foi o primeiro garoto que me disse coisas bonitas. Acho que era por isso que, mesmo eu não estando apaixonada por ele, eu deixei a coisa ir pra frente.

- E comigo?- perguntou Harry franzindo a testa.- Eu também sou só um carinha bacana e amigo?

- Sabe, beijar o Victor era legal.- disse Hermione.- Mas quando você me beijou foi totalmente diferente.

- Porque, diferente? Você não gostou? Você não gosta?- perguntou Harry, sua expressão era de preocupação.

- Porque quando você me beijou meu coração disparou e eu me senti como dizem: apaixonada!- disse Hermione.- E eu não pensei duas vezes antes de terminar tudo com o Vítor.

- Mas você disse que o problema era o Rony! E não era o Rony, era o Vítor!- disse Harry.

- Eram os dois. Eu já sabia que o Rony gostava de mim, pois já fazia um tempo que eu estava fugindo dele toda vez que parecia que ele ia tentar alguma coisa. Eu já imaginava que ele reagiria mal.- explicou ela.

- Mas então, porque você está me dizendo isso tudo?- perguntou Harry.

- Pra que você não se sinta culpado.- disse Hermione.- Pois mesmo que o Rony fosse mais prático, não teria acontecido nada entre a gente.

- Ah!- disse Harry mas permaneceu sério e deu uma golada em sua garrafinha de cerveja amanteigada.

- Que foi?- perguntou Hermione.

- Nada!- disse Harry.

- Você ficou grilado?- perguntou ela.

- Não.- disse Harry.

- Então porque está com essa cara?- perguntou Hermione.

- Estou pensando no que vou dizer ao Rony.- disse ele olhando para o mesmo do outro lado do salão.

- Ah!- Fez Hermione virando-se para o outro lado. Harry sorriu e a virou de volta pra ele e a beijou.

- Bobinha!- disse ele ainda sorrindo.- Vou lá falar com ele.- mas quando olhou de volta para onde estava Rony este tinha sumido.- Gina, aonde foi o seu irmão?

- Foi dormir! Acabou de subir.- disse Gina.- Ele está mal-humorado sabe.

- Eu vou atrás dele.- disse Harry indo na direção da escada que levava ao dormitório masculino.

Gina se assentou no lugar de Harry.

- Eu contei ao Harry sobre o Vítor.- disse Hermione que estava vidrada em qualquer coisa.

- Você o que?- perguntou Gina engasgando com a cerveja amanteigada.

- Contei ao Harry sobre tudo o que houve entre eu e o Vítor!- disse Hermione.

- Mas, e o que ele disse?- perguntou Gina.

- Na verdade nada.- disse Hermione.- Parece que ele ficou surpreso. Mas não comentou nada de excepcional.


****


Harry entrou no quarto e encontrou o cortinado de Rony fechado.

- Rony?!- chamou ele.

- O que você quer?- perguntou Rony.

- Eu estou querendo falar contigo, dá pra sair aqui?- disse Harry.

Como que de má vontade Rony abriu o cortinado.

- O que foi?- ele rosnou.

- Será que dá pra você parar com essa sua criancice e fazer as pazes comigo?- perguntou Harry sério.

- E porque eu deveria fazer as pazes com você?- rosnou Rony de mal-humor.

- Hm..- fez Harry se sentando em sua cama.- Primeiro porque eu estou precisando de alguém para ir comigo espionar o treino da Sonserina amanhã. Sabe, é que o nosso próximo jogo é contra eles e eu sou um excelente apanhador porém sou péssimo em montar táticas e eu estava precisando de alguém como você pra me ajudar. Depois porque você é igual a um irmão pra mim e eu não acho que o fato de eu agora estar namorando a Mione seja um motivo pra lhe tirar esse cargo. E outra, daqui a pouco o natal está chegando e a Sra. Weasley não iria ficar contente em nos ver brigados.

- Cala a boca Harry!- interrompeu Rony.

Harry que ia contando nos dedos os motivos ergueu o rosto. Rony estava de pé.

- Para de falar esse monte de Cerda e dá cá um abraço no seu irmão!- disse Rony finalmente.

Harry levantou sorrindo e obedeceu à ordem do amigo.

- Amigos de novo, cara?- perguntou Harry depois de abraçar Rony.

- Lógico.- disse Rony.

- Então vamos voltar lá pra baixo.- disse Harry.

- Harry, me desculpa por qualquer coisa, cara.- disse Rony.

- Me desculpa também.- disse Harry.- Mas ande, vamos.

Mas mal Harry chegara à porta e ele deu meia volta.

- Ih! Sujou!- disse Harry.

- O que?- perguntou Rony.

- McGonagall está lá em baixo mandando o pessoal ir dormir.- disse Harry.

Algum tempo depois Neville e Simas entraram no dormitório.

- Que droga!- dizia Simas.- Tava tudo perfeito, cara. A Ann Mishaky já estava caindo na minha quando a profª. Minerva apareceu.

- Você já pensou em oferecer treinos extras de quadribol pra ela, Simas?- perguntou Rony.

- Nossa! Boa idéia, cara!- disse Simas.- Mas por enquanto eu vou me limitar a chamá-la para sair no fim de semana em Hogsmead.


O café da manhã de Domingo foi agitado, principalmente para os alunos da Grifinória. Todos ainda comentavam sobre a grande vitória da casa sobre a Lufa-lufa. Harry, Rony, Simas e Neville desceram juntos para o café e logo foram cercados por muitos alunos.


****


- Porque não veio trocar o curativo ontem Srta. Granger?- perguntou Madame Pronfey.

- Desculpe.- disse Hermione.- É que com essa confusão de jogo eu acabei me esquecendo.

- Pois o seu esquecimento fez esse machucado aumentar em três centímetros.- disse a enfermeira enquanto limpava o ferimento no braço de Hermione.

- Ele está doendo.- disse Hermione.

- È!- disse Madame Pronfey.- Talvez ele volte a inflamar.- completou enquanto enfaixava o braço da garota novamente.- E você, Srta. Weasley, não deixe que ela esqueça novamente.

- Sim senhora.- disse Gina.


****


- Bom dia.- disse Gina quando ela e Hermione se assentaram junto aos quatro garotos. O correio chegou em seguida. Harry cresceu o olho na correspondência de Hermione.

- Calma Harry.- disse ela observando o namorado.- É só o jornal.- completou enquanto abria o mesmo com um pouco de dificuldade por causa do braço.

- E o que tem de interessante aí?- perguntou Harry.

- Hum.- fez Hermione examinando a primeira página do jornal.- "Chuva de meteoritos nas Américas" é a matéria principal.

- Gui foi para as Américas.- disse Rony.- O que mais diz aí?

- "A previsão para uma chuva de meteoritos que deve acontecer nas próximas vinte e quatro horas tem assustado todo o mundo. Apesar de bruxos especialistas terem afirmado que o fenômeno não afetará nem a população trouxa, nem a bruxa, uma organização trouxa, denominada NASA, diz que vai impedir os meteoritos de alcançarem a terra. Se eles falharem, a única região que poderá ser atingida pela chuva é a região Amazônica principalmente na divisa da Colômbia com o Brasil. Mesma região onde fica a Escola de Magia e Bruxaria Amazônica mas os membros do Ministério da Magia Americano, garante que a chuva não será prejudicial à escola."- leu Hermione.

- Me lembrei!- disse Harry.- Lupin havia me contado que Gui partiu para a Amazônia à serviço de Gringotes, mas em seguida o professor fugiu do assunto.

- Aqui diz também que "Bruxos estudiosos de todo o mundo estão migrando para a região e buscam uma explicação para o fenômeno. Chuvas de meteoritos acontecem raramente. Uma vez a cada dez mil anos. E a próxima estava prevista para daqui a três mil anos."- disse Hermione.- Mas se Gui foi à serviço de Gringotes... O que os duendes querem com meteoritos?

- Parece suspeito.- disse Rony.

- Acho mais provável que A Ordem queira algo com esses meteoritos.- disse Gina.

- Mas se for...- disse Hermione.- O que tem de tão importante nesses meteoritos?

- È você quem é a sabe tudo aqui!- disse Rony.

Hermione ia responder mas seus olhos captaram algo mais interessante antes que ela pudesse pronunciar a primeira palavra. Draco Malfoy estava alguns metros adiante acenando para Gina que concentrada na conversa nem reparou.

- Eu vou pesquisar sobre isso mais tarde.- disse Hermione enquanto cutucava Gina por baixo da mesa.

- Sabia que você diria isso.- disse Rony.

- Com licença.- pediu Gina se levantando.

- O que mais tem aí?- perguntou Harry para Hermione.

- Especulações sobre a guerra.- disse Hermione.- E uma matéria dizendo que a corte suprema dos bruxos já marcou o julgamento de Umbridge e que pretende logo marcar o de Fudge também.

- Mamãe disse que Dumbledore indicou Carlinhos como advogado de acusação de Umbridge.- disse Rony.

- E sobre o caso do Sirius?- perguntou Harry com estranha calma.

- Não sei muita coisa, mas parece que como ele morreu eles decidiram passar outros casos na frente.- disse Rony.

- Um absurdo!- disse Hermione.

- Ah! Quem se importa. Em nada vai mudar ele ser inocentado mesmo.- disse Harry com desânimo.

- Bom, do pouco que eu já li sobre direito bruxo se ele for inocentado os bens dele serão liberados.- disse Hermione.

- Como assim?- perguntou Harry.

- Sirius não tinha filhos nem esposas, não tem herdeiros.- disse Rony.

- A herança provavelmente seria dividida entre os parentes mais próximos, no caso as três primas de Sirius. As antigas Narcisa, Belatriz e a outra prima cujo nome eu não consegui ver na tapeçaria.- disse Hermione.

- Você andou vendo aquela tapeçaria também?- perguntou Harry.

- Sim.- disse Hermione.

- È a mãe de Tonks.- disse Harry.

- Ah! Eu imaginava.- disse Hermione.- Só que Belatriz não pode herdar nada pois está em dívida com a corte suprema.

- Pra que Narcisa Malfoy iria receber uma herança?- perguntou Rony indignado.

- Vocês podem para de me interromper?- pediu Hermione.- Só que no caso o parente herdeiro de Sirius é o Harry.

- Eu?- perguntou Harry.

- Sim.- disse Hermione.- Ele é seu padrinho e como seus pais já faleceram...ah! nem importa o porque.

- Isso quer dizer então que se ele for inocentado eu vou poder sair da casa dos Dursley e me mudar pra casa dos Black definitivamente?- perguntou Harry fascinado.

- Mais ou menos. Você herdaria todos os bens dos Black. Quer dizer, pelo que Carlinhos me disse antes da Sra. Black morrer ela dividiu o ouro que eles possuíam entre a sobrinha Narcisa e uma outra pessoa cujo nome é sigilo.- disse Hermione.- Só que a casa não foi citada no inventário. Logo ficou pro herdeiro mais próximo, no caso Sirius que era o filho vivo dela. O dinheiro que Sirius tem no banco também fica pra você. Só que você só pode tomar posse dos bens depois que for maior de idade.

- Mas isso não vai mais demorar.- disse Harry sorrindo.

- Legal.- disse Rony.


****


- Você é louco, Draco!- disse Gina assim que alcançou Draco debaixo das escadas do saguão principal.

- Você está cedendo!- disse ele sorrindo.

- O que?- perguntou Gina.

- Você me chamou de Draco.- disse ele.

- Não chamei não. Mas ah! Quem se importa?- disse Gina.

- Eu me importo. E ganhei o meu dia por ter sido chamado de Draco. E sim, eu sou louco! Louco por você.- disse ele.

- Mas diz logo o que você quer.- disse Gina.

- Você jogou muito bem ontem.- disse Draco.

- Não foi pra falar de quadribol que você me trouxe aqui.- disse Gina impaciente.

- È!- disse ele.- Você tem razão. Eu bolei o plano para Sábado que vem.

E então ele começou a explicar para Gina o que ela teria de fazer.

- Não sei se vou.- disse Gina.

- Por favor.- disse Draco.


****


E o Domingo foi seguindo. Hermione deu uma grande ajuda à Harry e Rony nos deveres. À tarde voltou à enfermaria. E logo o Domingo caiu, a Segunda feira nasceu novamente. Mal fazia um mês que eles estavam ali e para Harry tinha sido como uma eternidade. Mas a semana foi passando. Começando com aulas de poções, onde os alunos do 6º ano estavam começando a estudar a poção polissuco e terminando com a aula dupla de Lupin na Sexta feira sobre Dementadores e os seus poderes.

- ...O feitiço capaz de afugentá-los é o patrono.- dizia Lupin.- Cada pessoa produz um patrono com uma forma animal própria. Não é difícil, para alunos como vocês, que já enfrentaram o N.O.N.s, produzir um patrono.- Ele sacou a varinha.- Expecto Patrounum!- disse girando a varinha e um lobo prateado e enfumaçado saltou da ponta da mesma.

Muitos dos alunos fizeram "oooh!".

- Expecto Patronum são as palavras usadas no feitiço. E para que este dê certo você deve se concentrar em coisas boas, momentos felizes.- disse ele e então seus olhos alcançaram Hermione que estava concentradíssima em um livro sobre astronomia.- Srta. Granger, será que poderia guardar este livro e prestar atenção na minha aula?!- pediu ele. Hermione fechou o livro e com um sorriso amarelo ela se posicionou para assistir a aula.- Como eu ia dizendo vocês devem se concentrar em momentos e coisas felizes para ser bem sucedido no feitiço, o que na hora em que você se encontra com um Dementador não é uma coisa fácil. Agora vamos praticar o feitiço.

Ouve um burburinho na sala.

- Como fizemos com o bicho papão, no terceiro ano.- completou Lupin sorrindo e girando a varinha fez aparecer uma caixa de madeira que sacudia fazendo barulho.- Falando nisso, esse é um bicho papão que nó usaremos para praticar, mas isso acontecerá somente na próxima aula. Quero que venham aqui na frente para vermos o que vocês podem fazer.

Ouve novamente um burburinho na sala.

- Algum voluntário para começar?- perguntou Lupin.

- Eu.- disse Harry erguendo a mão.

- Então venha aqui na frente e mostre aos seus colegas o que pode fazer, Harry.- disse Lupin sorrindo com satisfação.

Harry obedeceu. Ele nem precisou se concentrar demais pois logo o rosto de Hermione lhe veio à cabeça e o seu patrono atravessou a sala veloz.

- Muito bom!- disse Lupin.- Pode se sentar agora.

Ouve mais um burburinho na sala.

- Hermione!- chamou Lupin.

Hermione levantou o rosto assustada e corou. Estava novamente submersa no livro de astronomia.

- Será que a Srta. Poderia vir aqui na frente tentar realizar o feitiço do Patrono e aproveitar para deixar esse livro sobre a minha mesa?- disse Lupin sério.

Levemente corada Hermione obedeceu. Sem nenhuma dificuldade ela também realizou o feitiço e surgindo da ponta da varinha a sua lontra prateada atravessou o aposento.

- Muito bom.- disse Lupin.- Quem quer ser o próximo? Pode ser você Neville.

A sala que estava levemente inquieta parou para ver Neville. O garoto caminhou até a frente da sala. A caixa se debatia sobre a mesa. Neville sacou a varinha. Parecia nervoso. Limpou o suor do rosto redondo com as costas da mão.

- Vamos lá Neville, tente.- disse Lupin.

Neville ergueu a varinha e espremeu os olhos como se tentasse lembrar de algo feliz.

- Expecto Patrounum!- disse ele girando a varinha e para a surpresa de muitos um pássaro, que parecia uma gaivota prateada, saiu da ponta da varinha de Neville.

Depois disso a sala se calou. E lentamente, um por um foi tentando realizar o feitiço.

- Excelente!- disse Lupin sorridente ao final da aula.- Muito bom mesmo! Todos realizaram sem muitos problemas o feitiço. Mas eu devo lembrar que quando você está frente a frente com um Dementador não é tão fácil assim. E é isso que nós vamos tentar na próxima aula. E para ela quero também que vocês façam uma redação de trinta centímetros sobre o que são dementadores e quais são os poderes que eles possuem.


- O que era aquele livro que você lia, Hermione?- perguntou Rony durante o jantar.

- Um livro qualquer.- respondeu Hermione.- Mas a aula de Lupin me fez lembrar uma coisa.- e se virando para Harry.- As pessoas tem perguntado sobre as reuniões da AD.

- É mesmo, Harry.- disse Rony.- Eu acho que a gente deveria continuar com elas.

- Não sei.- disse Harry.

- E agora não temos mais Umbridge e a ditadura dela.- disse Hermione.- Não precisaríamos fazer nada escondido.

- É!- disse Rony.- E agora muitas pessoas mais acreditam em você.- disse Rony.

- É! E talvez mais delas queiram aprender contigo, Harry!- disse Hermione com um brilho nos olhos.

- Ei!- disse Harry.- Eu não acho que a AD deva se ampliar. Não sei nem se ela irá continuar. Agora temos um bom professor de DCAT.

- Mesmo assim, Harry.- disse Hermione.- Lupin é um bom professor, porém VOCÊ é Harry Potter! Você esteve lá, quando ele voltou! Você esteve no ministério lutando contra ele quando ele resolveu dar ao mundo o ar de sua graça.

- E para que a guerra acabe um de nós tem que morrer!- disse Harry.

- Ninguém nunca disse isso.- disse Rony.

- Eu realmente não me sinto bem contando isso a vocês.- disse Harry, a expressão em seu rosto era grave.- Mas acho que chegou a hora.

- Contar o que?- perguntou Hermione preocupada.

- A verdade sobre aquela profecia.- disse Harry.

- Como assim?- perguntou Hermione.- Ela se quebrou, foi isso que você nos disse, e ninguém na câmara escutou o que ela dizia.

- Dumbledore sabia.- disse Harry.- Ele me contou sobre a profecia assim que retornamos à Hogwarts.

- E porque você não nos contou?- perguntou Rony parecendo indignado.

- Por que o que eu não sentiria bem.- disse Harry.- Mas acho que vocês deveriam saber.

- E o que ela diz?- perguntou Hermione.

Harry engoliu em seco.

- Ela previa que um garoto nasceria e que ele seria o único capaz de vencê-lo.- disse Harry.- Foi essa a parte que Voldemort escutou.

- Por isso ele tentou te matar?- perguntou Rony.

- Sim.- disse Harry parecendo infeliz.- Só que ele só sabia do começo da profecia.

- E o que mais ela dizia?- perguntou Hermione.

- Ela dizia que Voldemort me marcaria como seu igual.- disse Harry lentamente, ficando pálido.- E também, que essa guerra só acabaria quando um de nós morresse pelas mãos do outro.

Quando ele terminou Rony e Hermione estavam, também, igualmente sérios e pálidos.

- Então isso quer dizer que um dos dois TEM que morrer?- perguntou Rony.

- É!- disse Harry.

- Então se...- Hermione engoliu em seco.- Se por acaso quem morrer for você, Voldemort se tornará invencível?

- É.- disse Harry.- Quero dizer, pode nascer depois de mim outro cara capaz de vencê-lo.- completou afundando na cadeira.

- Mas você tem tantas chances de vencê-lo quanto o contrário.- disse Rony.

Harry concordou com a cabeça. Mas ele estava observando atenciosamente Hermione. O brilho que estavam nos olhos dela há pouco havia se transformado em sombra. E ela parecia submersa em seus pensamentos.

- E você-sabe-quem já sabe o final da profecia?- perguntou Rony.

- Acho, e espero que não.- disse Harry.

- Você tem que voltar a praticar oclumência.- disse Hermione

- Eu tenho praticado antes de dormir.- disse Harry.

- Você tem que praticar com alguém experiente.- completou ela se levantando.

- Aonde você vai?- perguntou Rony.

- Tenho que fazer uma coisa.- completou se distanciando da mesa.

- Aposto que ela foi falar com Lupin ou McGonagall que você tem que praticar oclumência.- disse Rony.


****


Hermione caminhou veloz pelos corredores já escuros em direção à sala dos professores. A revelação de Harry havia deixado um enorme peso em suas costas e ela começava a sentir algo que ela não estava acostumada a sentir, desespero. O que aconteceria se Harry morresse? Voldemort seria o vitorioso e todo o mundo se renderia ao seu poder? Haveria, ainda, esperança? O que seria da ordem? O que seria de grandes bruxos como Dumbledore? Talvez muito mais poderosos que o próprio Voldemort incapazes de vencê-lo? O que seria dela? De Rony? Dos Weasley? De seus pais, pobres trouxas?

Ela tinha um nó na garganta que a incomodava profundamente. Ela não podia se sentir assim! Logo ela que sempre teve aquela enorme capacidade de encontrar uma última solução para tudo. Não! Ela não podia!


****


- Veja isso Minerva.- disse Lupin esticando para a professora o livro de Hermione.

- È um livro de Astronomia.- disse Minerva.- Você disse que o tomou de Hermione em uma aula, mas não vejo nada demais nele.

- Leia as anotações no alto da página.- disse Lupin.

Minerva ajeitou os óculos e fixou as coisas escritas na letra de Hermione no alto da página.

Aquilo não parecia muito mais do que um grande buraco negro atrás de um arco e coberto por um véu.

Minerva franziu a testa.

- Isso pode não ser nada.- disse ela.

- Talvez.- Disse Lupin.- Mas eu realmente havia estranhado que ela não tivesse desconfiado de nada.

- Hermione é muito esperta, Remo, mas não acho que ela tenha conseguido desconfiar de coisa alguma.- disse Minerva.

- Talvez. Mas algo me diz que ela sabe.- disse Lupin.- Talvez não de tudo, mas ela sabe mais do que devia.

- Com licença.

Lupin se virou, pálido, para a porta.

- Professor, eu vim pedir para que o Sr. devolva o meu livro.- disse Hermione.- Prometo que aquilo não irá se repetir.

Minerva fechou o livro e esticou para a garota.

- Já trocou os curativos hoje?- perguntou a professora.- Madame Pronfey me contou que você esqueceu deles no Sábado.

- Eu os troquei antes do jantar.- disse Hermione.- Com licença.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:31

12° Capitulo - Namoro no Mr. Jonks

- Bom, Harry disse que conhece um café legal em Hogsmead. Na verdade ele deve ter ido lá com a Cho.- disse Hermione rindo.

- Eu adverti o Rony sobre esse assunto.- disse Gina. Ela e Hermione agora estavam indo da enfermaria ao salão principal.- Ele disse que combinou com o Simas de fazer qualquer coisa.

- E você?- perguntou Hermione.

- Combinei de encontrar com Luna às duas da tarde no Três Vassouras.- disse Gina.

- E o que você fará antes?- perguntou Hermione.

Gina a principio não respondeu.

- Vou encontrar o Malfoy.- disse com a voz fraca.

Hermione ficou séria.

- Ah!- disse ela.

Gina não disse mais nada, as duas seguiram caladas até o salão principal.
Logo Rony e Harry apareceram também.

- E aí, Mione? Boas notícias?- perguntou Rony para Hermione que lia o profeta diário.

- Hum. Umbridge perdeu a primeira audiência e desde a mesma, há dois dias, ela está "desaparecida".- disse Hermione.- Ah! E a chuva de meteoritos deve acontecer essa tarde.

Meia hora mais tarde os quatro atravessavam o gramado em direção ao portão que levava a Hogsmead.

- Harry! Harry!- Harry se virou. Era Cho.- Será que posso falar com você?- ela perguntou e encarando Hermione.- Em particular.

Harry desajeitado olhou para Hermione.

- Nós lhe esperamos aqui.- disse ela séria.

Harry se distanciou um pouco com Cho.

- Suponho que você deve querer saber sobre a nossa conversa do Beco Diagonal.- Disse Harry.

- Er... na verdade...sim!- disse Cho.

- Sabe, você é uma garota legal.- disse Harry ainda mais sem jeito.- e bonita também.

- E...?- perguntou Cho sorrindo.

- Só que acho que tudo o que teria que existir entra a gente já se foi.- disse Harry.

- Ah!- disse Cho corada, o sorriso havia desaparecido completamente de seu rosto.- Bom, a gente se vê por aí.- completou e se distanciou.

- Pronto.- disse Harry dando um sorriso amarelo quando se reuniu aos outros. Algum tempo depois eles estavam chegando na rua principal de Hogsmead.

- Rony!- chamou Simas.- Vamos hm, resolver aquelas coisa?

- É!- Disse Rony.- Vamos lá.- e se virando para os três.- Nos encontramos mais tarde?

- É!- disse Gina.

- No Três Vassouras.- completou Hermione.- às três horas.

- Ok! Então até lá.- disse Rony e saiu com Simas.

Eles passavam agora em frente à Zonko´s.

- Bom, eu vou ficar por aqui.- disse Gina parecendo nervosa.

- Ok.- disse Hermione olhando estranhamente séria para ela.- Às três no Três Vassouras.

- Ok.- disse Gina.

Harry e Hermione então continuaram andando, Gina ficou parada defronte a loja de Logros onde um enorme cartaz dizia: "Conheças as últimas Gemialidades Weasley!".

Harry e Hermione continuaram a caminhar calados. Harry se sentia demasiadamente desajeitado. Parecia que sua mão queria se mexer sozinhas e tocar a de Hermione. Ele sentia que estava corado. Hermione caminhava quieta demais para o normal. Harry a olhou pelo canto dos olhos. Ela tinha um discreto sorriso no rosto.

Hermione se lembrou sem querer da época em que Harry estivera tendo um caso com Cho. O que será que a garota pensara dele desajeitado daquele jeito? Talvez ela pudesse ajudar.

- Hm. Você diz que conhecia um lugar legal pra gente ir.- disse Hermione.

- É!- disse Harry sentindo um misto de alívio e vergonha por Hermione ter dito alguma coisa.- é virando ali.- completou. E logo eles estavam parados defronte o Madame Puddifoot.- é aqui.

Hermione riu.

- O que foi?- perguntou Harry sério.

- Esse lugar é bem o tipo da Cho.- disse Hermione.

- Bom, pensei que você ia gostar.- disse Harry ficando vermelho.

- Eu já fui aí uma vez.- disse Hermione.- Mas acho "cheio" demais.

- Bom, se você sugerir outro lugar melhor.- disse Harry sentindo-se irritado.

- Não precisa ficar bravo, Harry.- disse Hermione dando um sorriso maternal.- O Mr. Jonks me parece mais agradável, é só seguir por essa rua.

Os dois seguiram pela rua e quase no final dela havia o que mais parecia uma lanchonete trouxa.

- Os freqüentadores são, geralmente, pessoas mais velhas, então acho que não corremos o risco de virar a notícia de amanhã.- disse Hermione enquanto eles entravam.

Era um pub em formato de L muito bem iluminado, com mesinhas redondas cercadas por espécies de poltronas de encostos altos que cercavam quase toda a mesa.

- Venha.- disse Hermione puxando Harry pela mão até a mesa mais no fundo à esquerda. Hermione se assentou e Harry ao lado. O barman veio atendê-los.

- Duas cervejas amanteigadas.- disse Harry.

- Não.- interrompeu Hermione.- Duas batidas de abóbora com frutas tropicais.

- Frutas tropicais?- perguntou Harry.

- Especialidade da casa, é uma delícia.- disse Hermione.

- Ah!- fez Harry.

Os dois ficaram calados por algum tempo.

- Bom, pra quem já saiu diversas vezes com Victor Krum você deve estar me achando péssimo, não é?- perguntou Harry com sinceridade.

- Ah Harry! Digamos que você é meio completamente sem jeito.- Harry corou.- Mas eu já sabia disso, então não vou reclamar de nada. Mas se precisar eu vou lhe dando alguns toques, e com o tempo você pega o jeito.

Hermione riu.

- Nunca pensei que você ficaria sem graça na minha frente.- completou ela.

- E eu nunca pensei que um dia eu sentiria tanta vontade de beijá-la.- disse Harry e dessa vez quem corou foi Hermione.

- Então porque você não faz isso?- perguntou ela.- Acho que dessa vez nada nos atrapalhará.

Harry sorriu. Ele estava defronte a Hermione e num impulso ele escorregou pela poltrona ficando do lado dela. Ele sentia um enorme frio na barriga. Seu coração incrivelmente disparado. Ele encostou a mão no rosto de Hermione. Ela sorriu e fechou os olhos. Ele então foi aproximando o rosto, mas quando seus lábios tocaram os dela eles ouviram o barulho de copos batendo na mesa. Eles afastaram os rostos. O Barman acabara de depositar os sucos sobre a mesa.

- Parece que sempre há algo para nos interromper.- riu ela.

- Não tem importância.- disse Harry.- Nós temos até as três horas juntos.

- È!- concordou Hermione antes de tomar um gole de seu suco.


****


Gina observou Draco sair de dentro da Zonko´s e depois de dar um discreto sorriso para ela seguir até uma loja de vestes que havia por ali e parar defronte a vitrine da mesma. Algum tempo depois Gina fez o mesmo parando ao lado dele. Ele então começou a andar novamente. Defronte ao Correio Coruja havia um rapazola alto distribuindo panfletos dos procurados pelo ministério. Gina apanhou um e fingindo-se concentrada no panfleto continuou a seguir Draco. Ele passou defronte ao Madame Puddifoo e seguiu pela mesma rua até um pub de aparência muito feliz (pintado de laranja forte com branco) chamado Mr. Jonks onde ele entrou.


****


- Aquele não é o Malfoy?- perguntou Harry. Hermione gelou.

- È.- disse ela. Para algum alívio Draco os viu ali e foi para o outro lado do pub. Tinha de fazer qualquer coisa, sabia que Gina entraria em seguida.- Harry.- disse ela. Harry se virou pra ela.- me beija agora.

Harry sorriu e obedeceu. Hermione apurou os ouvidos e por um olho semi-aberto viu Gina entrar e arregalar os olhos nervosamente ao vê-los ao fundo. Quando a garota seguiu na direção oposto ela acabou se entregando ao beijo.

- Eu te amo.- disse Harry quando eles finalmente pararam.

Hermione sorriu.

- Sabe,- disse Harry depois de algum silêncio.- você se lembra quando a gente se conheceu?

- Sim.- disse Hermione ainda sorrindo.- Você e o Rony estavam se entupindo de chocolates no Trem. Eu havia conhecido o Neville e estava o ajudando a procurar o sapo dele.

- Eu te achei metida quando você chegou e fez aquele feitiço.- disse Harry.

- Eu sei.- disse Hermione.- Eu estava nervosa. Tinha muito medo de não ser tão boa quanto os puros sangues.

- Eu e o Rony tomamos antipatia de você por causa daquilo.- disse Harry.

- Eu achava vocês umas más companhias.- disse Hermione.- Principalmente depois do Fofo.

Harry sorriu.

- O que você fazia no banheiro aquele dia?- perguntou Harry.- Além de chorar, é claro.

- Coisas de meninas.- disse Hermione, Harry não pode deixar de notar que as maçãs do rosto da garota haviam ficado vermelhas.- Mas eu chorava por não ter conseguido me enturmar na escola.

- Nós ficamos surpresos quando você mentiu pra livrar a nossa pele.- disse Harry.- A gente realmente te achava um saco, uma dedo duro.

- Eu tinha que fazer alguma coisa.- disse Hermione.- Vocês tinham salvo a minha vida. Mas parece que depois vocês pararam de me achar um saco, não é?- completou dando um sorriso maroto.

- Bom, a gente acabou se acostumando.- disse Harry.- Acho isso uma das coisas mais incríveis em você.

- O que?- perguntou Hermione.

- Eu te conheço faz mais de cinco anos e você ainda possui a enorme capacidade de me surpreender.- disse Harry.

- Eu nem lhe surpreendi tantas vezes assim.- disse Hermione.

- Surpreendeu sim.- disse Harry.- a começar por sua inteligência. Eu fiquei admirado quando você contou sobre o Lupin no terceiro ano, e também sobre o basilisco no segundo.

Hermione apenas sorriu.

- E quando você deu uma bofetada no Malfoy?!- disse Harry rindo.- Quando você apareceu com o Krum no baile. E quando levou a Gina até Greelin, então?

- Na época você não gostou nem um pouco.- disse Hermione.

- Na época eu estava surpreso demais pra aceitar aquilo.- disse Harry.

- Surpreso com o que?- perguntou Hermione.

- Eu me contestava se era possível.- disse Harry.

- Eu levar a Gina para junto de nós?- perguntou Hermione.

- Não.- disse Harry sorrindo.- Se era possível conhecer de novo uma pessoa a quem na verdade já conhecia há anos e descobrir nela alguém tão diferente do que você via antes.

- E o que você descobriu?- perguntou Hermione.

Harry sorriu docemente. Os copos já vazios estavam parados sobre a mesa.

- Que você não havia mudado tanto quanto eu imaginei a princípio.- ele disse.- Que eu estava apenas conhecendo o seu lado oculto.

Ele acariciou o rosto da garota.

- É que de repente eu olhei pra você e meu estômago caiu.- disse Harry.- Quando eu te vi, no dia em que cheguei à sua casa eu pensei: Meu Deus, será possível uma pessoa se tornar tão bela quanto você estava, de uma hora pra outra? Mas eu descobri que na verdade você sempre foi bela e especial tanto quanto é hoje. E que eu já não podia mais controlar a intensidade do que eu sentia por você.

Ele a beijou.


****


- Por um momento eu pensei que você não viria.- disse Draco se levantando assim que Gina chegou.

- Harry e Mione estão aqui.- disse ela.

- Por isso eu sentei nesse canto.- disse Draco e agindo como um cavalheiro:- Sente-se.

Ele se assentou defronte a ela em seguida.

- Por favor, duas batidas à moda da casa.- disse ele para o Barman.

Gina o observava enquanto fazia o pedido. Era estranho mas ele parecia mais bonito do que na última vez que ela o vira. Os olhos cinzas pareciam mais doces. Os cabelos mais bem penteados. O rosto mais amável.

- Eu trouxe o seu livro.- disse Gina.

- Quando estivermos indo embora você me entrega.- disse Draco com a voz suave.- Mas como você vez pra distrair o otário do seu irmão?

- Já disse que não gosto que você fale assim, agredindo as pessoas.- disse Gina séria.

- Ok.- disse Draco.- O que você fez para distrair o seu irmão?

- Ele tinha mais o que fazer. E ele nem desconfia de nada.- disse Gina.

- A Granger e o Potter me viram entrando. Provavelmente viram você também.- disse Draco.

- Eles estavam se beijando quando eu entrei.- respondeu Gina secamente.

- Ah!- fez Draco.- Eu não sabia que eles conheciam este lugar. Já vim aqui com mamãe uma vez, e só pessoas mais velhas e estrangeiros o freqüentam.

- Tudo bem.- disse Gina.- Não precisa justificar.

- O que achou do livro?- perguntou Draco.

- É bonita, a história.- disse Gina.

- Não parece com a gente?- perguntou Draco.

- Romeu não era filho de um Comensal da Morte.- disse Gina.

- Romeu matou primo de sua amada como para honrar a morte do companheiro.- retrucou Draco.- Eu honro o meu sangue! O meu nome!

- Ao que sei, se realmente honrasse não estaria saindo com uma Weasley.- disse Gina.

- Eu estou completamente apaixonado por essa Weasley e ela parece ser a única que não acredita nas minhas palavras!- disse Draco.

- Você está arriscando sua própria vida.- disse Gina.- Imagina se alguém que conhece sua família nos vê aqui. Você leva outra surra.

Draco ergueu o rosto de Gina pelo queixo para que ela olhasse em seus olhos. A mão dele era quente.

- "*Há mais perigo eu teus olhos do que em vinte espadas!"- disse ele.

Gina sentiu um estranho calor tomar seu corpo. Era como se tivesse de lutar contra todos os músculos de seu corpo para não deixar escapar um sorriso. Achava que se desviasse o olhar daqueles olhos cinzas aquela estranha coisa que sentia passaria mas era como se estivesse petrificada.

- Veja bem.- disse Draco quando o barman depositou os copos de suco sobre a mesinha redonda.- Você não me odeia tanto quanto diz. Você aceitou vir até aqui. Pra realmente me dar uma chance é só dizer sim. Dar um sorriso, ou sei lá! Qualquer outra demonstração.

Gina continuou imóvel. Ele, por sua vez, sorriu.

- A gente sai daqui.- disse Draco.- Vejo que o fato de seus amigos estarem próximos lhe incomodou profundamente. A gente vai pra outro lugar.

- Eu tenho medo.- disse Gina sinceramente enquanto finalmente desviava o olhar e tomava um gole do suco.

- A gente vai sair daqui então.- disse Draco enquanto tirava alguma prata de um bolso interno e depositava sobre a mesa. Em seguida ele virou seu suco de uma vez só.- O mesmo esquema.


****


- O que a Cho queria com você hoje?- perguntou Hermione em seguida ela viu Draco Malfoy saindo do pub.

- Está com ciúmes é?- perguntou Harry sorrindo.

- Também tenho direito.- disse Hermione.- depois da crise Krum que você deu enquanto a gente vinha para cá. Parecia o Rony!

- Lembra quando ela conversou comigo no Beco Diagonal?- perguntou Harry.- Tinha esperanças de reatar.

- E você só deu a resposta hoje?- perguntou Hermione em tom de brincadeira, ao ver Gina apontar, a fim de chamar a atenção de Harry.

- Fiquei sem graça de dar um fora nela antes.- disse Harry sem jeito.

Hermione riu da cara de preocupação dele.

- Eu estive pensando no que vou fazer no natal.- disse Harry mudando de assunto.

- A Sra. Weasley provavelmente vai chamá-lo para ir para a Ordem.- disse Hermione.

- E você?- perguntou ele.

- Minerva disse que papai e mamãe poderiam se reunir a nós este ano.- disse ela.


****


O Mr. Jonks era a ultima construção da rua. Atrás dele havia um antigo hotel e entre os dois uma espécie de beco. Draco entrou ali. Gina, receosa, foi atrás. Ele seguiu até metade do beco e então parou encostado na parede. Gina parou a uns três metros antes, tinha os braços cruzados. Draco fixava o chão com os olhos. O estômago de Gina parecia estar passeando em uma montanha Russa. Até que Draco finalmente se deixou escorregar pela parede e assentou no chão e virou-se para Gina.

- Sente-se.

Ela hesitou por um momento mas então caminhou alguns metros e se assentou ao lado de Draco com as pernas igualmente cruzadas. Gina sentia certo medo do que aconteceria a seguir. Encostou sua cabeça na parede do beco e começou a fitar os tijolos na parede do outro lado.

- Olha.- disse Draco.- Não precisa ficar tão nervosa. Você deve imaginar o preço que me custou conseguir chegar até aqui. Não se preocupe, eu não vou lhe fazer mal algum, eu não quero isso! E se depois daqui, você se arrepender eu vou entender pois você vai ter ao menos tentado.

Ele arredou um pouco mais pro lado de Gina. Ela sentiu o ombro dele perto do seu.

- Mas se...- disse ele enquanto virava o rosto de Gina para ele. Ela se mantinha séria apesar da respiração acelerada.- Se você não se arrepender.

Gina sentiu a mão dele em sua nuca.

- Eu lhe dou a minha palavra.- ele virou seu corpo para Gina.- Eu prometo!- ele foi aproximando seu rosto.- Eu vou fazer você muito, muito feliz.

Gina sentia como se o seu coração fosse explodir a qualquer momento. Porque estava sendo tudo diferente daquela vez? Quando beijara Michael Corner seu coração disparara. Talvez não tanto quanto dessa vez, mas disparara. E antes de beijar Dino Thomas sua respiração também havia ficado daquele jeito. Mas ela nunca havia sentido tudo aquilo, com toda aquela intensidade e ao mesmo tempo.

Gina sentiu os lábios de Draco tocarem os seus. Draco a puxou para mais perto dele. Ela acabou se entregando completamente ao momento.


****


- O jogo da Sonserina contra Corvinal será daqui a quinze dias.- disse Harry.

- E aposto que todos irão assistir.- disse Hermione.

- Talvez não todos.- disse Harry.- Mas Rony e Gina devem ir comigo. Eu sou não sou muito bom em táticas.

- E o que você acha melhor?- perguntou Hermione.

- Que Corvinal ganhe.- disse Harry.- Tenho que torcer para que Cho pegue o pomo antes de Malfoy. Assim ela enfraquecerá a Sonserina e nós teremos um rival não tão ofensivo na final. Se ganharmos a taça deste ano, eu a dedicarei a você.

- Harry, eu estive pensando.- disse Hermione.- Depois do que você nos contou ontem.

Harry se ajeitou na poltrona.

- Acho que aquela profecia é mais um motivo para continuar a AD.- disse Hermione.

- Shhh.- fez Harry.- Não é seguro falar sobre essas coisas em lugares como este.

Hermione consultou o relógio.

- Já está quase na hora de a gente ir.- disse ela.- E quando voltarmos ao castelo você e Rony farão o dever de feitiços.

- Estava demorando.- riu Harry.

- Parece que vocês estão me enrolando. O dever é para Segunda e desde Quinta vocês estão fugindo.- disse Hermione.- E temos de fazer aquele de DCAT muito bem feito também.

- Ele é para Quarta.- disse Harry.

- Quarta é lua cheia. Provavelmente será Snape quem vai nos dar aula.- disse Hermione.

- Eu não vou agüentar poções dupla e DCAT dupla com o Snape em um dia só.- disse Harry.


****


- O que faremos daqui para frente?- perguntou Draco que agora estava deitado no colo de Gina.

- Não sei.- respondeu ela.

- Eu não quero passar muito tempo longe de você.- disse Draco.

- Meu irmão não pode sonhar com isso.- disse Gina.

- NINGUÉM pode nem sonhar com isso.- disse Draco.

- A gente pode se encontrar nesse mesmo lugar no próximo fim de semana em Hogsmead.- disse Gina.

- Eu vou pensar em um lugar melhor.- disse Draco. Gina acariciava seus cabelos.- Pra gente não demorar tanto a se ver. E então entrarei em contato contigo.

- Tudo bem.- disse Gina.- Droga!- disse de repente.

- O que foi?- perguntou Draco se levantando.

- Eu havia me esquecido, tenho que encontrar com o resto do pessoal às três no Três Vassouras.- disse Gina.

- Ainda faltam vinte minutos.- disse Draco tocando o rosto de Gina.- Vamos aproveita-los até o último segundo.- e dizendo isso ele a beijou novamente.


****


- Bom, então vamos.- disse Harry, ele e Hermione já estavam do lado de fora do Mr. Jonks.

- Vejam quem está aqui!?- disse uma voz atrás deles. Era Draco Malfoy.- Se não é a Sangue Ruim e o meu herói predileto!?

- O que você quer, Malfoy?- perguntou Harry entredentes.

- Talvez me vingar de você!- disse ele enquanto se aproximava.- Ou pensa que eu já esqueci o que aconteceu na detenção?

- Você pode tentar se vingar!- disse Harry enfiando uma das mãos no bolso e apertando a varinha.- Mas garanto que vai ser mais uma vez uma tentativa frustrada.

- Ei! Parem!- disse Hermione entrando entre os dois tendo a própria varinha segura pela mão cujo braço não estava enfaixado.

- Ainda doentinha, Granger?- perguntou Draco observando o braço dela.

- Porque não cala a boca e sai daqui, Malfoy?- perguntou Hermione.

- Acha que tenho medo?- perguntou Draco.- Só porque estão aqui o Ilustre Potter e a Sangue Ruim e eu estou sozinho?

- Como você quer conquistar a Gina se continua o mesmo idiota de sempre?- disparou Hermione.

- Vocês acham que só porque aquele velho caduco do Dumbledore está do lado de vocês eu vou temê-los?- continuou ignorando o que Hermione dissera.- Sou Draco Malfoy! Tenho sangue nobre correndo em minhas veias. Não só o dos Malfoy como também o dos Black! E quando você for derrotado, Potter, eu vou estar lá para assistir!

- Locomotor Mortis!- gritou Harry por cima do ombro de Hermione e Draco caiu com as pernas juntas.- Vamos embora Mione!- completou enquanto chutava a varinha de Draco para longe.

Os dois seguiram calados por um tempo. Até que Harry tomou a mão de Hermione e eles seguiram, de mãos dadas, até o Três Vassouras.


****


- Finite Incantatem!- disse Gina e Draco finalmente conseguiu se levantar.

- Filhos duma mãe!- gritou ele enquanto limpava a terra das vestes.- Eles vão me pagar por isso. Aquela Sangue Ruim!

- Cala a boca! Você não vai fazer nada!- disse Gina.

- Você viu, Gina? Você viu? Não sou eu o malvado! Você viu o que eles fizeram?- perguntou Draco.

- Sim! Eu vi também que você provocou.- disse Gina.- E você escutou, tanto quanto Harry e eu o que Hermione disse.- completou.

- Como ela sabe?- perguntou Draco.

- Ela é a minha melhor amiga. È melhor você se acostumar, pois ela sempre vai saber.- disse Gina.- Agora me dá licença, eu já estou atrasada.

E antes que ele respondesse ela segui veloz pela ruela.


* Essa frase foi tirada do livro Romeu e Julieta de Shakespeare
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:33

13° Capitulo - Rita Skeeter e Marco Evans

- Até que enfim você chegou!- disse Rony quando Gina se juntou ao trio no Três Vassouras.

- Eu estava aqui contando ao Rony sobre o encontro desagradável que tivemos com o Malfoy.- disse Hermione olhando seriamente para Gina.

- Ah!- fez Gina se assentando.

- Eu me enojo só de pensar que ele era primo de Sirius.- disse Harry.- Como alguém pode ser tão ridículo?

- O que você esteve fazendo, Rony?- perguntou Gina fugindo do assunto.- Seus olhos estão vermelhos.

- É que ele e o Simas acharam que seria divertido experimentar Whisky de Fogo no Cabeça de Javali.- Disse Hermione em tom de desaprovação.

- É muito bom, Gina! Melhor que qualquer bebida trouxa.- disse Rony sorrindo demente.

- E você? Onde estava, Gina?- perguntou Rony.

- Por aí.- respondeu a garota.

- Ah! E Hermione que história era aquela que você gritou lá com o Malfoy, sobre a Gina?- perguntou Harry.

Hermione deu um pisão de pé em Harry;

- Que história?- perguntou Rony meio lerdo.

- Não tem história nenhuma.- disse Hermione séria.

- É!- concordou Harry.

- Olá!- disse uma voz em tom empolgado acima da cabeça deles. Era Luna Lovegood.- Posso me assentar aqui?

- Claro.- disse Gina sorrindo.

Ela assentou-se e tirou o último exemplar do Pasquim de um bolso interno e após abri-lo, ergueu-o à altura do rosto.

Todos olhavam para ela.

- Padma disse que você estava ridículo após tomar excessivas doses daquele Whisky de Fogo.- comentou ela sem baixar a revista.

- Rádio Lovegood informa a última fofoca...- disse Rony em tom de pouco caso.

Luna foi a única a rir.

- Você tem um ótimo humor!- disse ela ainda rindo.

Hermione porém tinha os olhos grudados na primeira página do Pasquim. Havia a fotografia de uma espécie de Meteoro que atravessava um céu muito azul. Em baixo letras grandes dizia: “Inomináveis na Amazônia, será o fim do mundo?”

Depois de algum tempo Luna parou de rir e ergueu novamente o Pasquim tapando, assim, o rosto.

- Luna.- disse Hermione então.- Será que depois você deixaria eu dar uma olhada nessa revista?

- Você?- perguntou Luna arregalando ainda mais os olhos.

- Sim, algum problema?- perguntou Hermione.

- Não.- disse Luna enquanto metia novamente a mão no bolso interno das vestes tirando de lá um relógio de bolso idêntico ao, já esquecido, relógio que ela dera a Harry de aniversário. Luna se levantou.- Pode ficar com esse.- disse ela.- Acabei de me lembrar, tenho de ir.

E deixando a revista sobre a mesa ela saiu saltitante. Rony esticou a mão para pegar a revista mas Hermione foi mais veloz.

- Vou dar uma olhada mais tarde.- disse ela.- Mas, Harry, aquele relógio dela é igual ao seu.

- Foi ela quem me deu.- disse Harry.- Eu já havia me esquecido dele.

- Aquele relógio de Luna é uma espécie de miniatura do relógio de mamãe.- disse Gina.

- Eu imaginei.- disse Hermione.

- Eu não sei usá-lo.- disse Harry.

- Se você quiser, posso dar uma olhada depois.- disse Hermione.

- Por mim tudo bem.- disse Harry e consultando o próprio relógio de pulso completou.- Mas, Mione! Já está na hora de ir trocar o curativo do braço.

- Podem aproveitar o fim da tarde.- disse Hermione sorrindo amavelmente.- Gina vai comigo.- completou se levantando e depois de dar um “tchauzinho” com a mão ela e Gina deixaram o Três Vassouras.

Alguns alunos já tomavam o caminho de volta ao castelo.

- O Malfoy esteve no Mr. Jonks.- disse Hermione.

Gina não respondeu.

- Porque você não marcou em outro lugar? Você sabia muito bem que eu gostava de ir lá.- disse Hermione.

- Eu não sabia que ele conhecia aquele lugar. Aliás, eu nem sabia que aquele era o tal Mr. Jonks.- disse Gina.- Você me viu lá?

- Bom, digamos que eu tive que dar um jeito de distrair o Harry.- disse ela dando um sorriso brejeiro.- Mas eu vi quando você entrou e quando saiu. Aonde vocês foram depois?

- Não fomos a lugar algum. Eu fui embora e acabei me distraindo com as vitrines.- mentiu Gina.

- Não tente me enganar Gina.- disse Hermione.- Pois você sabe que ninguém é capaz de me enganar por muito tempo. Eu vi você atrás de uma árvore pouco antes de eu e o Harry deixarmos o Malfoy caído ali. Você estava em sua forma animaga, mas eu lhe reconheci.

Gina permaneceu calada.

- Olha, se você não quer me contar sobre o que aconteceu tudo bem!- disse Hermione em um tom de voz extremamente severo.- Só gostaria de lembrar você de duas coisas. A primeira é que quem cala consente.

Gina pigarreou.

- E a Segunda é que você sabe bem o tipo de pessoa que o Malfoy é, e que se estiver escutado as coisas que ele disse vai descobrir que ele não é nem um pouco confiavel.- Após dizer isso Hermione se calou. E as duas seguiram caladas até que elas saíram da enfermaria.

- Mione.- disse Gina pensativa.

- Diga.- disse Hermione.

- Como você se sentiu quando foi beijada pelo Harry a primeira vez?- perguntou Gina.

- Eu pensei que não era certo fazer aquilo com o Victor.- disse Hermione.- E que o Rony me mataria.

- Não o que você pensou e sim o que sentiu.- disse Gina.

- Ah! Eu não conseguiria descrever.- disse Hermione ruborizando de leve.

- Mas, seu coração disparou?- perguntou Gina.- Seu estômago caiu? Sua respiração ficou rápida e você sentiu-se voar?

- Sim!- disse Hermione cujas bochechas estavam muito rosadas agora.

Gina não disse nada a princípio. Mas Hermione notou que ela havia ficado pálida depois do sim.

- Porque está me perguntando isso?- perguntou Hermione temendo já saber a resposta.

- Eu acho que estou apaixonada pelo Draco.- disse Gina assim que elas entraram no salão principal. Harry e Rony já estavam lá.

Hermione jantou alheia à conversa dos três amigos sobre os acontecimentos do dia. Sua cabeça estava cheia de coisas. A essa hora a tal chuva de Meteoritos já devia ter acontecido. E o que mudaria desde então? E o que será que a matéria do Pasquim dizia? E ainda tinha Gina. O que faria para tentar salvar a amiga?


****


Hermione observou a figura na capa do Pasquim. Lentamente ela abriu a revista. O índice dizia:


Pasquim edição especial:

Chuva de Meteoritos abala o mundo: * O que esperar do fenômeno?

* O que fazer para se prevenir?

* Pode ser o fim do mundo?

Não perca a próxima edição do Pasquim, que comemora no próximo mês seu décimo quinto aniversário. Na edição comemorativa você encontrará as mais de quarenta páginas com as duas reportagens mais bombásticas dos últimos anos.

Hermione abriu na página que falava sobre o que esperar do fenômeno. A princípio Hermione achou tudo um monte de bobagem reunida. Mas na última página do Pasquim ela encontrou uma coluna em letras miúdas. A foto de Rita Skeeter em cima. Ela agora era colunista do Pasquim.


“O que vai ser do mundo daqui para frente? Depois da longa Guerra que durou mais de onze anos, Aquele- Que- Não- Se- deve- Nomear teve uma brusca queda ao tentar matar o pequeno herdeiro dos ilustres Potter. O garoto sobreviveu com aquela bizarra cicatriz na testa e treze anos depois de perder os pais, tragicamente assassinados pelo cruel Lorde, o mesmo garoto, Harry Potter, que hoje é como o grande herói das criancinhas de todo o mundo bruxo, assistiu à ele, o seu maior e mais temido rival, ressurgir das trevas ajudado pelo seu fiel servo Rabicho.

Após o acontecimento, que foi brevemente narrado ao mundo pelo ilustre bruxo Alvo Dumbledore, ser desmentido por bruxos ministeriais, o próprio ministro, hoje sob inquérit,o Sr. Cornélio Fudge, assistiu Aquele- Não- Se- Deve- Ser- Nomeado fugir veloz após um violento duelo que destruiu boa parte do belíssimo Ministério da Magia da Grã- Betanha.

Pois essa manhã, após ler a notícia da chuva de Meteoros fora de época eu estive a me contestar: O que acontecerá conosco agora? Lembro-me perfeitamente do bravíssimo exército do bem, liderado por Dumbledore, que durante a última guerra resistiu bravamente ás tentativo dos bruxos Negros de dominar o mundo. Mas onde estarão esses bruxos agora? Pois ao que narrou o primeiro secretário de nosso idolatrado ministro, Percy Weasley, os bruxos negros, vulgos Comensais da Morte invadiram extraordinariamente o Ministério da Magia e atraíram até lá um grupo de seis jovens estudantes de Hogwarts, segundo a Sra. Umbrisge ex-inquiridora de Hogwarts os jovens formavam uma espécie de exército montado por Dumbledore, que foram bravamente salvos pelo que parece ser o atual Exercito da Luz e, é claro, por mais uma brava atuação do nosso querido Harry Potter. Mas um grupo formado por cinco bruxos, agora com a morte de Sirius Black, quatro pode ser chamado de Exército? O que seremos de nós, pobres bruxos mortais, tendo de depositar as nossas esperanças em um grupo de quatros bruxo e alguns jovens estudantes rebeldes? Será que este é o fim do mundo? Pois após ser revelada toda a corrupção existente no Ministério que era tido como exemplo para diversos outros, após o governo de Fudge ter ido pro espaço se mostrando tão falho - Enquanto ele concentrava todos os seus esforços em caçar Sirius Black o Lord das Trevas reuniu novamente o seu maléfico exército debaixo de nossos narizes - e agora com essa inexplicável chuva de meteoritos eu temo que a qualquer momento vai começar uma chuva de estrelas que fará o mundo acabar em chamas e todos nós morreremos.”


- Hermione?- chamou Gina.

- Desculpe, nem vi você chegar.- disse Hermione.

- Pensei que não viveria para ver você ler o Pasquim com tanta atenção.- riu Gina.

- Leia você mesma.- disse Hermione esticando a revista para Gina.

A garota se concentrou ali e depois de algum tempo se virou para Hermione.

- Cheio de nove horas como sempre foram as colunas de Rita Skeeter.- disse Gina.- Não vejo nada demais além do drama que ela fez.

- Não vê que ela tem razão, Gina?- perguntou Hermione.

- Em qual parte? Na que ela fala que o mundo está acabando, quando fala que a Ordem não pode muita coisa contra Voldemort, ou ainda quando fala do fiasco que tem sido o Ministério de Fudge?- perguntou Gina.

- Quando ela diz “Enquanto ele concentrava todos os seus esforços em caçar Sirius Black.”- disse Hermione.

- Como assim?- perguntou Gina.

- Pode ser loucura minha.- disse Hermione.- Mas quando fui buscar o livro que Lupin havia tomado eu escutei o final da conversa dele com a Profª McGonagall. Ele dizia: “Talvez. Mas algo me diz que ela sabe. Talvez não de tudo, mas ela sabe mais do que devia.”...

- Mas quem garante que falavam sobre você?- perguntou Gina

- O livro estava aberto sobre a mesa na página em que eu havia feito anotações.- disse Hermione.

- Mas o que você descobriu com essa coluna de Skeeter?- perguntou Gina.

- Talvez o pessoal da Ordem queriam que Sirius “morresse”.- disse Hermione.

- Você está louca?- perguntou Gina.

- Fala baixo.- disse Hermione ao ver Harry e Rony se aproximarem.

- Acho bom você ir para cama cedo, Rony.- dizia Harry.- Temos treino amanhã cedo.


****


Harry estava caminhando pelo velho corredor, mas agora ele não ia mais na direção da porta negra. Ele descia as escadas que havia antes e que levavam até o tribunal dez. A grande porta do tribunal abriu quando Harry chegou. Haviam muitos bruxos encapuzados lá. Harry sentiu um frio na barriga e o seu estômago despencou incrivelmente quando a cadeira ao centro girou e ele viu Hermione morta na mesma. E então ele via uma figura esguia que vinha caminhando em sua direção, quando a figura negra chegava sob a luz a fraca luz que havia ali ele via o rosto de Belatriz muito magro, os olhos vermelhos e fendas no lugar do nariz. A mão fina e fantasmagórica de Belatriz tocava o rosto de Hermione.

- Você desejou tanto ter o meu odiado priminho de volta que resolvemos fazer uma troca, Potterzinho.- disse Belatriz com a voz fria.

- Não!- gritou Harry.

- Mas foi uma péssima troca, pois creio que Sirius não vai agüentar muita coisa mais.- disse Belatriz.

Um alçapão se abria no teto da câmara e de lá caia um Sirius em trapos.

- NÃO! VOCÊ NÃO VAI LEVÁ-LA TAMBÉM!- Harry gritou mal podendo agüentar a dor na cicatriz. Ele sentiu os joelhos cederem batendo dolorosamente no chão frio. Ele espremeu os olhos e quando os abriu viu Hermione em sua frente.

- Harry?!- perguntou ela. Só então ele notou que estava em seu dormitório e que tudo não passara de mais um pesadelo.

Com a testa em chamas Harry não conseguiu fazer nada melhor do que beijar a namorada, ajoelhada ao lado de sua cama, a fim de ver se ela estava realmente bem.

Ela sustentou o beijo por um momento, porém em seguida ela afastou o rosto do garoto, levemente corada. Os companheiros do dormitório estavam todos à volta deles.

- Você esteve gritando durante o sonho.- disse Neville.- Novamente.

- O que foi dessa vez?- perguntou Rony ignorando o beijo.

- Não sei! Eu estava naquele tribunal onde fui julgado. Belatriz Lestrange estava lá.- disse Harry esfregando a testa.- E Hermione também. Só que estava morta. E então Sirius caía do teto. Morto também.

- Acalme-se Harry!- disse Hermione o abraçando.- Eu estou bem.

A dor foi suavizando e então o cérebro de Harry foi voltando ao normal.

- O treino!- disse ele.

- È! A gente já ia lhe acordar.- disse Simas.


****


- Você queria falar comigo?- perguntou Minerva assim que chegou à enfermaria. Hermione havia acabado de cuidar do ferimento.

- Sim.- disse Hermione olhando à volta.- Harry voltou a ter sonhos.

- Venha comigo.- disse Minerva. As duas seguiram pelo corredor ainda vazia naquela fria manhã de Domingo. Elas pararam defronte à gárgula que Hermione sabia que levava à sala de Dumbledore.- Laranjeira.

Hermione apreciou silenciosamente a sala do diretor, este estava assentado em seu lugar.

- Bom dia!- disse Dumbledore.

- Antes de mais nada, Alvo, a Srta. Granger tem algo a lhe contar.- disse Minerva.

- Diga!- disse Dumbledore.

Hermione pigarreou e então narrou o acontecimento daquela manhã.

- Eu realmente acho que Harry tem que voltar a praticar Oclumência.- disse finalmente.

- Eu entendo a sua preocupação.- disse Dumbledore calmo.- Mas não é esse o motivo que me fez chamar a Srta. aqui.

Ele abriu uma gaveta e retirou de lá três envelopes e abrindo um deles estendeu-o a Hermione.

Ela o apanhou e pode ler.

Cara Srta. Granger,


Como deve ser de seu conhecimento está em andamento um processo que visa inocentar o foragido de Azkaban, Sirius Fineus Black. O advogado de defesa do mesmo, Carlos Arthur Weasley, apresentou então o nome de Vossa Srta. Como uma das principais testemunhas a favor do réu.

Pedimos assim que compareça na primeira audiência, marcada para o vigésimo sétimo dia do próximo mês de dezembro às oito da manhã, para prestar o vosso depoimento a respeito do caso.


Atenciosamente,


Quim Shacklebolt

Auror responsável pelo caso Sirius Black em nome do ilustríssimo Ministro da Magia


- Eu vou ter que depor?- perguntou Hermione.

- Sim.- disse Dumbledore.

- E o que eu deverei falar?- perguntou Hermione.

- A verdade até o ponto em que você e Harry usaram aquele vira tempo.- disse Dumbledore.

- Mas quais das versões eu devo contar?- perguntou Hermione.

- Que vocês foram até a cabana de Hagrid pouco antes de Macnair e que ficaram escondidos na orla da floresta e afrouxaram as cordas de bicuço.- disse Dumbledore.- A partir daí você dirá o que aconteceu realmente.

- Certo.- disse Hermione respirando fundo.


****


- Hermione?- perguntou Harry assim que ele entrou seguido pelo time no vestiário após o treino de três horas de duração.- O que foi?

- Tenho uma notícia não muito agradável.- disse a garota.

- Bom, vamos andando gente!- disse Simas.

E os outros jogadores foram saindo até só restar Gina, Rony, Harry e Hermione ali.

- A audiência de Sirius foi marcada.- disse Hermione.- E nós três fomos chamado para depor.

- O que?- perguntou Harry se assentando com o impacto da notícia.

- Dumbledore me chamou em sua sala agora pela manhã.- disse Hermione.- Vejam as intimações vocês mesmos.

Os dois garotos apanharam seus respectivos envelopes.

- O que eu vou dizer?- perguntou Rony.

- Provavelmente sobre o tempo que passou na casa de Sirius durante o verão e sobre a noite em que o conhecemos, é claro.- disse Hermione.- E saiu no jornal.- completou abrindo o Profeta Diário.- Vejam: “Uma mega audiência foi marcada para a última semana deste Dezembro. A comissão de juizes da Corte Suprema dos Bruxos formada por célebres bruxos como o próprio Bruxo supremo da confederação internacional, Alvo Dumbledore, a ilustre Amélia Bones ....

- Se Dumbledore for o juiz Sirius já é inocente.- sorriu Rony.

- Do que vai adiantar?- perguntou Harry mal-humorado.

- Pelo que entendi seu pai e Rabicho também serão citados na Audiência.- Disse Hermione.

- Como assim?- perguntou Harry.

- Eles eram animagos ilegais, Harry!- disse ela.

- E o que vai acontecer se eles forem condenados?- perguntou Harry.

- É mesmo!- disse Rony rindo.- Será que os aurores vão caçar os fantasmas deles?

- Os herdeiros provavelmente terão que pagar uma multa.- disse Hermione.

- É bem o tipo de coisa que Fudge gostaria que acontecesse!- disse Gina tão indignada quanto Harry.- Afinal de contas agora que Malfoy é um foragido da lei ele precisa arrumar ouro em algum lugar!

Os quatro seguiram para o castelo. Depois do almoço Harry e Rony se concentraram no dever de Feitiços para a próxima Terça feira. Hermione já tinha feito todos os seus deveres. Depois de ajudar Gina, com o dever de runas antigas da garota, ela corrigiu as redações de Rony e Harry sobre Feitiços Modernos. E depois do jantar Harry foi se deitar. Ficara meio aéreo desde que Hermione entregara as intimações a eles depois do treino. Não estava gostando da idéia de participar do julgamento. Para a sua sorte, Hermione explicou que a principal testemunha sobre a noite na casa dos Gritos seria ela. Pois Snape alegara na mesma noite que eles haviam sido enfeitiçados e a comissão julgadora havia decidido que Harry não seria uma pessoa adequada para falar do assunto pois o assunto o atingia muito diretamente e, já Rony, estava ferido. Lupin provavelmente iria participar do julgamento. Mas o que mais lhe incomodava era a idéia de se julgar pessoas mortas. Do que adiantaria condenar seu pai por ser um animago ilegal? No meio desses pensamentos confusos Harry acabou adormecendo. Teve sonhos agitados, como nas muitas noites que se seguiram durante aquele fim de mês de outubro. Em seus sonhos ele estava sempre em tribunais. No sonho mais esquisito Harry estava novamente nas arquibancadas do Tribunal 10. Da porta até a cadeira com as correntes havia um tapete vermelho. E pela porta sempre entrava Sirius vestido como um rei e se assentava na cadeira que era como um trono. E então entrava uma garota de uns dezessete anos correndo e se jogava aos pés de Sirius. A princípio Harry a reconhecia como Belatriz quando jovem, porém depois de algum tempo a garota se levantava e se transformava em alguém muito parecido com Tonks e então ela se virava para Harry e se transformava na atual Belatriz. E quando Harry olhava de novo para Sirius este estava morto preso às correntes da cadeira.

Harry acordou assustado. Estava encharcado de suor. Havia tido aquele estranho sonho novamente. Mesmo praticando a tal oclumência toda noite antes de dormir o sonho sempre vinha. Religiosamente.

Novembro já ia acabando. O vento frio varria os campos secos do castelo. O inverno chegara e com ele não vinha se aproximando apenas o natal mas também a tal grande audiência. A Sonserina havia ganhado o jogo contra a Corvinal. Apesar de Cho ter apanhado o pomo a artilharia da Sonserina era quase que imbatível.

As aulas estavam ficando cada vez mais interessantes. Em história da magia o professor Binns vinha lhes aplicando doses excessivas de História Moderna. E Harry achou uma coisa extremamente estranha quando no início de Dezembro o professor anunciou que depois do Natal eles estudariam A primeira Grande Guerra e a família Potter.

- Não sei como vou me sentir durante uma aula sobre a minha família.- disse Harry durante o almoço daquele dia.

- Será interessante, Harry.- disse Hermione.- Você sempre gostou quando as pessoas lhe contavam histórias sobre o passado de seus pais...

- Mesmo assim.- disse Harry.

Naquela mesma tarde eles tiveram uma Segunda aula de DCAT com Snape. Era época de lua cheia. Snape falou durante toda a aula sobre primeiros socorros em caso de Magia Negra. Na aula de Transfiguração do dia seguinte Minerva anunciou, que depois do natal eles começariam a estudar em parceria com Poções a poção Polissuco e os seus usos. Naquela mesma aula ela aprofundou no assunto sobre Animagia e Rony não pode deixar de reparar no quão interessada Hermione ficou.

- Pra pessoas como você não deve ser tão difícil se tornar um animago.- disse ele a ela mais tarde e Harry notou que ela ficou um tanto quanto desconcertada.

Gina andava meio sumida ultimamente. Nas tardes em que não tinha treino desaparecia do mapa, segundo ela estava estudando para o N.O.N.s. junto a Luna.

No começo de dezembro A Profª Minerva recolheu a lista com os nomes dos alunos que permaneceriam em Hogwarts. Talvez pela guerra ou por outro motivo qualquer mas o número de alunos a permanecer foi muito maior do que nos anos anteriores. Harry se sentia um pouco mais feliz quando o natal foi chegando. Iria para a Casa dos Black.

- Você não vai voltar para Little Whinging?- perguntou uma voz esganiçada. Harry, que estava assentado em uma confortável poltrona próxima à lareira do Salão Comunal se virou e pode ver um calouro parado atrás dele. Era um garoto meio magricela, o cabelo em um tom entre o loiro e o ruivo. Os olhos cor de mel. Harry achou que já tinha visto o garoto em algum lugar, mas não se lembrava.

- Não.- respondeu.- Mas como sabe que moro em Little Whinging?

- Eu também moro lá.- disse o garoto.

- Como?- perguntou Harry e tirando uma pilha de livros de uma poltrona próxima completou.- Sente-se.

- Sou nascido trouxa.- disse o garoto.

- Ah!- fez Harry tentando se lembrar de onde conhecia o garoto.

- Nunca imaginei que o primo esquisito do Duda fosse tão famoso no mundo mágico.- disse o garoto.

Como se uma luz tivesse sido acesa Harry se lembrou de onde conhecia o garoto. No verão após o seu quarto ano ele vira Duda e sua turma surrando aquele garoto. Só não se lembrava o nome dele. Também, eram tantos os garotinhos de dez anos que eram vítimas da turma do Duda.

- Você conhece o meu primo não é?- perguntou Harry.- Acho que já lhe vi uma vez.

- Sou Marco Evans.- disse o garoto.- E fiquei surpreso quando li pela primeira vez um jornal bruxo e vi você na capa.

Harry tentou sorrir. Lembrava-se perfeitamente do garoto agora.

- A gente sempre se perguntava sobre o que era essa cicatriz em sua testa.- disse o garoto.

- A gente?- perguntou Harry.

- Meus pais.- disse Marco.- Papai e Petúnia são primos distantes. E ele sempre dizia ter conhecido sua mãe. Não sabia que ela era bruxa.

- Então você é um primo afastado meu?- perguntou Harry meio boquiaberto.- È mesmo!- disse se lembrando do que vira na penseira de Snape.- Lílian Evans... Evans!

- É!- disse o garoto.- Eu sempre quis falar com você, só nunca tive coragem. Imagine só se o Duda sabe que eu estive conversando com o primo dele em Hogwarts.

- Ele sairia correndo.- disse Harry e sorrindo abaixou o tom de voz.- Sabe, quando encontrar o Duda diga a ele que me conheceu em Hogwarts, ele morre de medo de mim por ser um bruxo.

E então Harry contou ao pequeno sobre a vez em que os gêmeos Weasley fizeram a língua do Duda crescer. E os dois seguiram conversando animadamente. O assunto principal era situações ridículas com o Duda. Já devia ser tarde quando Hermione apareceu na escada que levava ao dormitório feminino.

- Hora de alunos do primeiro ano estarem na cama.- disse ela.

- E se o Duda tentar alguma coisa, diga que vai chamar o Harry!- completou Harry antes do garoto subir as escadas empolgado.

- Você conhece Marco Evans?- perguntou Hermione.

- Acabei de descobrir que ele é meu primo.- disse Harry sorrindo quando Hermione sentou-se em seu colo.- Afastado, mas é meu primo.

- Parte de mãe?- perguntou Hermione.

- É!- disse Harry sorrindo.- Um dos sacos de pancadas do Duda, coitado!

Hermione sorriu de volta. Harry lhe deu um selinho e depois a olhando nos olhos percebeu algo de errado.

- Você parece preocupada.- disse ele.

- É que...- fez ela pensativa.- Umbridge está sendo caçada pelos aurores do Ministério.

- Mas ela já estava antes, não estava?- perguntou Harry.

- Um “espião” disse que ela se tornou uma comensal.- disse Hermione.

- E porque você está me dizendo isso?- perguntou Harry.

- Achei que deveria saber.- disse Hermione.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:35

14° Capitulo - Flagrante

- Bom, nós vamos andando.- disse Simas.- temos que terminar de arrumar as malas.

- Ok.- fez Harry.- E não se desgastem! Vamos treinar ainda mais quando voltarmos. Nós TEMOS que vencer a Sonserina.

- Sim senhor!- disse Simas rindo enquanto fazia uma reverência e em seguida saiu ladeado por Collin e Ann. Algum tempo depois o restante do time rumou para o castelo também.

- Digamos que estamos quase lá.- dizia Harry.- Acho que temos plenas condições de ganhar da Sonserina!- sorriu.

- O que foi Gina?- perguntou Rony olhando a irmã que tinha uma cara esquisita.

- Esqueci meu uniforme!- disse ela.- Encontro vocês mais tarde.

E dizendo isso saiu correndo de volta para o estádio de quadribol. Quando ela chegou na entrada do vestiário ouviu um barulho. Ele já estava lá. Ela entrou silenciosamente e deu uma tossida ao ver Draco. O garoto se virou. Estava sem camisa.

- Hum. Já estava me trocando. Tenho treino daqui à uma hora e meia.- ele disse.

- Ah!- fez Gina reparando no peitoral bem definido dele.

- Er...- fez Draco levemente sem graça.- Você vai pra casa no natal, não é?

- É!- disse Gina.- Você também né?

- É!- disse ele.

Os dois ficaram calados durante algum tempo então Draco foi até Gina e a abraçou.

- Estava com saudades.- disse ele ao pé do ouvido dela.

Aquele era o quarto encontro deles desde o fim de semana em Hogsmead. No primeiro tudo correu bem. No segundo quase foram flagrados por Zacarias Smith. No terceiro Gina passou a maior parte do tempo discutindo com Draco por ele ter azarado Neville na mesma tarde do encontro e dessa vez menos de cinco minutos se passaram e os dois já estavam se beijando ardentemente encostados a uma parede. Gina gostava daquele beijo. Achava que nunca nenhum outro garoto a faria se sentir daquela maneira ao beijá-la.


****


- Caraca!- disse Harry de repente. Ele, Rony e Hermione estavam assentados na mesa para o almoço de Sábado.- Esqueci o pergaminho com as nossas táticas no vestiário.

- E os Sonserinos tem treino depois do almoço.- disse Hermione.- Ouvi Malfoy comentando.

- Bom, então vamos nós três até lá buscar, aproveitamos e encontramos a Gina no caminho e almoçamos todos juntos!- disse Rony.

Os três seguiram calmamente até o campo de quadribol. Quando chegaram na entrada do vestiário Bichento surgiu miando por ali. Hermione parou por um momento. Ele dizia o nome de Gina, mas porque?


****


- Gina ouviu um gato miar, talvez fosse Bichento mas tão entretida que estava no beijo que nem prestou atenção. Ela passeava suas mãos pelas costas nuas de Draco.


****


- O que foi?- perguntou Harry parando também.

- Não sei.- disse ela se abaixando e apanhando Bichento.

- Vou lá dentro buscar os pergaminhos.- disse Rony e foi entrando no vestiário.

Havia uma espécie de corredor na entrada para o vestiário. Quando Harry, Hermione e Bichento começaram a atravessar este corredor eles avistaram Rony paralisado no meio do vestiário. Ele estava da cor de giz. Estava claro que havia mais alguém lá dentro. Harry olhou para Hermione esperando alguma resposta. Ao mesmo tempo bichento miou. Harry viu os olhos de Hermione se arregalarem e ela deixou o gato cair, este saiu miando ofendido. Então Harry terminou de entrar e viu o que estava espantando Rony.

- O QUE SIGNIFICA ISSO?- berrou Rony que agora já estava vermelho como um tomate. Harry viu Gina e Malfoy, o último sem camisa, parados na outra parede do vestiário.

- Calma aí, Weasley.- Disse Malfoy com a voz fraca.- Eu posso explicar.

- EXPLICAR?- urrou Rony.- EXPLICAR O QUE? EU SEI BEM O QUE OS MEUS OLHOS VIRAM!

Mal terminara de falar e Rony empurrou Draco longe e saiu puxando Gina violentamente pelo cotovelo. Quando viu Gina, Hermione pareceu ter voltado a funcionar normalmente.

- Solta Rony! Você está me machucando.- dizia Gina que também estava muito vermelha.

- ESPERE SÓ ATÉ MAMÃE SABER DISSO, GINA WEASLEY!- gritou Rony.

- Solta ela Rony!- disse Hermione indo atrás.

Harry não sabia o que dizer ou fazer. Não conseguia acreditar no que acabara de acontecer. Ele observou, imóvel, Malfoy apanhar o uniforme de quadribol e vesti-lo.

- Porque tá me olhando?- perguntou Malfoy encarando Harry. Quando Rony os surpreendeu, Harry viu o rosto de Draco muito vermelho. Ele agora parecia ter retomado o seu tom pálido normal mas os olhos cinzas do garoto pareciam confusos.

- Você?- foi o que Harry conseguiu dizer.- Vo- você e a Gina? Vocês.... juntos?

- Oh!- fez Draco.- descobriu sozinho? Porque? Bateu ciúmes é? Você não quis, mas tem gente que quer!- Completou enquanto passava por Harry em direção à saída.

- Você gosta dela?- perguntou Harry se sentindo estranho com a situação pela qual não esperava.

- Sim.- disse Draco se virando sério, Harry não esperava mas ele sorriu.- Eu a amo, Potter! E avise ao seu amigo que não é só porque ele é o irmãozinho pobretão mais velho da Gina que ele vai nos impedir de ficar juntos.

E dizendo isso Draco saiu. Harry não sabia o que fazer muito menos o que pensar. Ele apanhou as anotações do treino jogadas a um canto e seguiu lentamente para a torre da Grifinória.

- E VOCÊ ACHA QUE EU VOU COMPACTUAR COM ISSO???- gritava Rony ao que parecia para Hermione.

- Você não tem que compactuar com nada.- disse Hermione séria.- Você só tem que me prometer que não irá contar sobre isso ao pessoal da ordem.

- EU NÃO CONSIGO ACREDITAR QUE ALÉM DE VOCÊ SABER DE TUDO ESTÁ DO LADO DA GINA!- gritou Rony.- ISSO TUDO É UM ABSURDO!

- Primeiro você vai parar de gritar, Rony!- disse Hermione.- Segundo, eu não estou do lado da Gina! Mas sim! Eu sabia de tudo, apesar de não ser a favor ou apoiar nada, e ela sempre soube disso!

Harry viu Gina assentada em uma poltrona entre Rony e Hermione que, em pé, discutiam. Gina tinha os olhos inchados e vermelhos, provavelmente estivera chorando.

Rony se deixou cair assentado também.

- Eu não acredito que isso está acontecendo!- disse ele entredentes.

Hermione viu Harry chegar, e depois de fazer um sinal com a cabeça para ele subiu levando Gina consigo. Algumas pessoas olhavam curiosas.

- Não conte à sua família, Rony.- disse Harry. Ele não sabia se faria isso no lugar de Rony, sabia apenas que isso era a coisa sensata a se fazer.

- Eu não posso permitir que a minha irmã mais nova namore um MALFOY, HARRY!

Harry ficou calado.

- Como? Eu só me perguntou como a Gina foi gostar dum cara como aquele.

Hermione estava de volta.

- Não importa como, Rony!- disse ela.- O que importa nesse momento é que ela gosta dele.

- Ele gosta dela!- completou Harry.- Ele me disse, e vocês sabem, pro Malfoy admitir que gosta de alguém como a Gina ele não pode estar mentindo.

- Eu não vou conseguir olhar para ela sabendo que ela gosta daquele cara!- disse Rony.

- Você só tem que prometer que isso não vai sair daqui.- disse Hermione.

- Desculpe, Hermione!- disse Rony.- Eu sei que você sempre tem razão em tudo, mas dessa vez você está errada.

- E de que vai adiantar você contar isso a seus pais?- perguntou Hermione.- Todos vão ficar contra a Gina e ela vai continuar amando o Malfoy.

- Acho que o Sr. Weasley a expulsaria de casa.- arriscou Harry.

- ELA NÃO O AMA!- gritou Rony.- ELA FOI SEDUZIDA!

- Não grite!- disse Hermione.- Você está enganado! A Gina não foi seduzida! Ela realmente o ama. E ele ao que parece também a ama.

- É difícil de aceitar Rony, que alguém como o Malfoy possa amar. Mas todos nós podemos amar! E a gente nunca escolhe a quem a gente vai amar.- O próprio Harry ficou assustado com o que dissera.

Meia hora mais tarde Gina apareceu novamente, havia tomado um banho, mas ainda parecia acabada. Harry, Rony e Hermione discutiram o que fazer durante quase duas horas, até que no fim Rony cedeu.

- Ok!- disse ele.- Eu não vou contar nada.- disse com algum esforço.- Mas enquanto Gina estiver com aquele...- ele cerrou os pulsos.- Com aquele canalha! Pra mim ela vai estar morta!

E dizendo isso ele subiu para o dormitório.

Três dias tensos e longos se passaram. Rony ignorava Gina e esta andava triste pelos cantos. Harry sentia pena dela.

- Aqui está, Hermione.- disse Luna. Harry e Rony arregalaram os olhos quando Hermione recebeu, com um sorriso, a última edição do Pasquim.- Um feliz natal para vocês.- completou ela.- E as instruções do relógio estão dentro da revista.

Os três observaram Luna ir seguindo no corredor. Ela era uma figura ainda mais estranha de costas, talvez fossem pelos cabelos até a cintura que naquele dia estavam soltos. Não se é possível explicar.

- O que você quer com o Pasquim?- perguntou Rony.- E você agora está de amores com Di-Lua? Você sempre a achou idiota.

- Ela não é má pessoa, Rony!- disse Harry.- Só me admira você, Mione, lendo o Pasquim!

- Quando chegar a hora eu explicarei tudo a vocês.- disse Hermione enquanto eles caminhavam em direção à saída para Hogsmead, nevava muito.

Eles pegariam um Noitebus e iriam para o Largo Grimmauld. Lupin e Gina já os esperavam na entrada da cidade. Rony, Lupin e Harry sentaram-se mais à frente. Rony, emburrado, acabou dormindo a viagem quase toda. Gina, ao lado de Hermione, também dormia. Hermione por sua vez lia, vidrada, O Pasquim. Quando eles chegaram na casa dos Black, às sete da noite, a Sra. Weasley os recebeu, logo Carlinhos e Quim apareceram e cuidaram de levar as malas para o quarto. O grupo, faminto, seguiu para a cozinha.

- Deixe ver, querida!- disse ela para Hermione. Essa arregaçou as mangas da jaqueta que usava e mostrou o braço, onde antes estava o curativo, para a Sra. Weasley.

- É!- disse a Sra. Weasley examinando a cicatriz que sobrara. Era um circulo fino, parecia um anel.- Minerva me disse que restaria a cicatriz.

Carlinhos e Quim estavam de volta.

- Carlinhos.- disse Hermione algum tempo depois quando a conversa sobre as expectativas para o natal acabou.- A tal audiência, acontecerá toda no dia 27?

- Sim.- disse Carlinhos sorrindo.

- Vamos matar todos os coelhos de uma vez só!- disse Lupin sorrindo também.- Sobre a animagia, Quim, sabe se podemos ganhar?

- O caso será analisado por Ninfadora e Moody.- disse Quim sorrindo.- Ninfadora é a substituta de Moody no ministério, atua no setor que cuida desses casos de problemas com transfiguração.

- Eu não entendi o porque de julgar isso.- disse Gina.- Estão todos mortos, quer dizer, Rabicho não está, mas não fará diferença nenhuma ele ser condenado.

Lupin tossiu.

- Os bens de Sirius foram bloqueados por ele estar em divida com o ministério, e não adiantaria simplesmente inocentá-lo. E sobre Tiago, Percy Weasley está cuidando das acusações e disse que não teria sentido cuidar do caso de Sirius deixando os outros de lado.- disse Quim.

Harry viu a Sra. Weasley baixar a cabeça. Rony estava calado. Harry sabia que ele pensava em Gina e Malfoy. Mas sabia que o amigo iria cumprir o prometido.

- E sobre Rabicho!- interrompeu Carlinhos.- Suponhamos que a guerra acabe amanhã. Ele já estaria condenado à Azkaban por forjar a morte, ganharia mais um bom pedaço de pena por ter matado os trouxas e por ser um animago ilegal.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:36

15° Capitulo - A legítma herdeira dos Black

- Vocês tem algum exemplar do profeta diário de hoje?- perguntou Hermione depois que o assunto sobre a audiência quatro dias após o natal morreu.

- Sim, temos um no escritório.- disse Carlinhos.

- Pode ir até lá.- disse Quim.- Tonks deve estar por lá.

Hermione pediu licença e subiu algumas escadas até chegar ao segundo andar, onde ficava o escritório. Ela viu por baixo da porta que realmente havia pessoas lá. Havia uma luz acesa. Ela bateu na porta.

- Entre.- respondeu uma voz feminina.

Hermione abriu a porta e viu Tonks, que dessa vez usava os cabelos azuis, assentada atrás da escrivaninha concentrada em, ao que parecia, um porta retrato.

- Olá Tonks!- cumprimentou ela.

- Quem é você?- perguntou Tonks.

Hermione ergueu a sobrancelha e então viu o rosto de Tonks se transformar no seu próprio rosto.

- Não lembra de mim?- perguntou Hermione, não podia ser outra pessoa além de Tonks. Ela era a única bruxa metamorfa da casa.

- Nunca te vi na minha vida.- disse a outra pessoa com o rosto de Hermione. Então houve um tac e a verdadeira Tonks apareceu. Ao olhar as duas Hermiones ali ela riu.

- Já disse pra não assustar as pessoas, Isabel!- disse Tonks e se virando para Hermione.- Não vi vocês chegando, como vai?

- Bem.- disse Hermione sem entender.

- Quem é essa, Tonks?- perguntou a Hermione assentada.- Mais uma prima?

- Não. Essa é Hermione Granger.- disse Tonks.- Volte a forma normal, por favor, Isabel.

- Olá Hermione.- disse a tal Isabel. Ela depositou o porta retrato virado na escrivaninha e se levantou. Quando estava de pé já havia largado o rosto de Hermione.

Era uma garota alta e magra, o rosto também magro muito bonito, bem desenhado. Os cabelos longos muito negros. Os olhos, também negros cintilaram quando ela encarou Hermione e estendeu a mão.

- Sou Isabel Black.- disse a garota. Hermione teve um frio na barriga ao lembrar com quem ela se parecia, mas por educação apertou a mão da garota. Ela lhe lembrava estranhamente à Belatriz Lestrange. Mas não podia ser...- Bom! Vou conhecer os novos hóspedes.

E girando os calcanhares ela desapareceu.

- Ela é sua prima?- perguntou Hermione.

- Sim!- disse Tonks sorrindo.

- De onde?- perguntou Hermione.- Quero dizer, não havia nenhum homem na árvore que pudesse ter lhe dado o sobrenome Black.

- Ah! Você já esteve examinando a árvore.- disse Tonks.

- Sim.- disse Hermione.

- Vejo que você está confusa.- disse Tonks sorrindo.- Vou lhe explicar mais ou menos.

- Pois explique.- disse Hermione.

- Ela é filha de minha tia Belatriz.- disse Tonks com imensa naturalidade, como se aparecer uma filha de Belatriz Lestrange dentro da Ordem fosse algo normal.

- Mas então...- fez Hermione.- Ela deveria estar em Hogwarts! Ela não tem mais de dezessete anos, tem?

- Ela acabou de fazer dezessete.- disse Tonks.- Ela não esteve em Hogwarts pois até um mês atrás ela vivia na América.

- Mas se ela é filha de Belatriz Lestrange, porque não está na árvore?- perguntou Hermione.- E porque não tem o sobrenome Lestrange?

- Não está na árvore porque todos julgavam que ela estava morta.- disse Tonks calmamente.- E ela não é filha de Rodolfo Lestrange.

- Como assim? Ela é uma bastarda?- perguntou Hermione.

- Ela é filha de Régulo Black.- disse Tonks.- Mas o que está procurando aqui?


****


Harry deixou o queixo cair quando a garota aparatou na cozinha. Ela era exatamente igual à Belatriz Lestrange jovem que aparecia em seus sonhos. A mesma altura. O mesmo rosto magro. Os mesmos cabelos negros. Os mesmos olhos penetrantes.

- Ah! Olá Isabel.- disse a Sra. Weasley.- O jantar está quase pronto.

- Eu vim ver as visitas!- disse a garota que não devia ter mais de dezessete anos e parecia entusiasmada.

- Ah!- disse a Sra. Weasley.- Esse é o Professor Lupin.- disse ela indicando Lupin que conversava com Quim a um canto.- Você já ouviu falar dele.

- O lobisomem!- disse Isabel sorrindo.

- Isso.- disse a Sra. Weasley.- Aqueles são meus filhos mais novos, Rony e Gina. E este é Harry Potter. Afilhado de seu falecido tio.- acrescentou.
Harry não podia acreditar. Sirius tinha uma sobrinha?!

- Olá pessoal!- disse a garota sorrindo.- Eu iria chegar aqui como Hermione Granger, mas Tonks disse para eu não assustar as pessoas!- riu ela se assentando junto aos três garotos na ponta da mesa.

A Sra. Weasley sorriu e voltou para as panelas no fogo. Harry escutou Lupin sussurrar para Quim: "Então é essa a garota!" mas em seguida a garota começou a falar.

- Então vocês estudam em Hogwarts, não é?- disse ela.

- Sim.- respondeu Rony sem muito ânimo.

- Dizem que lá é fantástico.- disse Isabel.- Antes eu tinha esperanças de conseguir estudar lá, mas hoje eu já me formei.

- Você se formou onde?- perguntou Gina.

- Escola Amazônica de Bruxaria e Magia.- disse ela.- Mais conhecida como escola de Bruxaria Americana.

- Quantos anos você tem?- perguntou Rony.

- Dezessete!- disse a garota.

- Com quantos anos vocês entram na escola lá na América?- perguntou Harry impressionado.

- Depende. Eu entrei com dez.- disse ela.- E completei dezessete há um mês. Logo que me formei. As aulas lá terminam em dezembro!- explicou.

- Deve ser legal estudar na América.- disse Gina. E logo os quatro engataram em uma conversa sobre estudos. Hermione iria gostar da conversa, pensou Harry. Mas onde estava ela?


****


- Tonks, eu queria perguntar uma coisa para alguém.- disse Hermione depois de dar uma geral no Profeta Diário.- Posso lhe perguntar?

- Se estiver ao meu alcance responder.- disse Tonks.

- Existem muitas mulheres inomináveis?- perguntou Hermione.

- Não sei bem.- disse Tonks.- Quer dizer. São muito poucos os inomináveis.

- Existem ou não?- perguntou Hermione.

- São na maioria homens.- disse Tonks.- Mas porque está me perguntando isso? Está querendo se tornar uma? Fiquei sabendo de seus N.O.N.s., você vai longe desse jeito!

- Eu já pensei, mas ainda não sei o que vou fazer.- disse Hermione procurando alguma coisa no bolso da jaqueta.- Eu estive lendo isso no caminho.- disse colocando o Pasquim sobre a mesa.

Aquela era a edição de aniversário. Na capa estava escrito: CONFIRA AQUI AS REPORTAGENS QUE MARCARAM A VIDA DE O PASQUIM.

Havia uma foto de Harry com a legenda: HARRY POTTER CONTA TUDO! E em baixo havia uma foto de duas mulheres. Hermione as reconheceu imediatamente quando olhou a primeira vez. Uma das mulheres era muito, mas muito bonita mesmo, tinha os cabelos acaju, os olhos extremamente verdes, a outra tinha os olhos arregalados, os cabelos loiros, Hermione a tinha visto na penseira. A legenda dizia: DUAS INOMINÁVEIS EM DEZ ANOS!

- Você anda lendo esse tipo de revista?- perguntou Tonks apanhando o exemplar e examinando a capa.

- Porque vocês nunca disseram ao Harry que a mãe dele era uma inominável?- perguntou Hermione.

- Não sei.- disse Tonks com sinceridade.- Eu não me interfiro nessa parte dos assuntos da ordem. Talvez você devesse perguntar a Dumbledore ou a Lupin, quem sabe.

- Mas você sabia.- disse Hermione séria.

- Lógico que sabia.- disse Tonks.- Eu tinha onze anos quando os Potter morreram. Tinha acabado de entrar em Hogwarts. Os Potter eram como heróis para todos.

- Eu achava que o Harry merecia saber.- disse Hermione.

- Eu já lhe disse, Hermione.- disse Tonks.- Eu não posso simplesmente chegar a ele e dizer algo assim. Dumbledore escolheu esconder isso dele, e deve ter os seus motivos.

Hermione deu ombros.

- É sério.- disse Tonks.- Quando entrei para a Ordem, quando soube que viria a conhecer Harry eu tinha muita vontade de contá-lo sobre o quão fantástica era a mãe dele. Mas eu não podia.- Tonks deu um sorriso meio bobo.- Lílian era uma pessoa fantástica, eu era muito nova quando tive a oportunidade de conhecê-la mas posso lhe garantir que ela era genial! Queria que tivesse uma espécie de lei que proibisse a morte de pessoas tão promissoras quanto ela. É um desperdício matar gente assim.

Hermione calou-se por um momento.

- Está é a marca que restou?- perguntou Tonks indicando a forma de um anel no braço de Hermione.

- Sim.- disse ela estendendo o braço para frente para que Tonks pudesse ver.

- Ainda doi?- perguntou Tonks passando o dedo sobre a cicatriz.

- Não muito.- disse Hermione.


****


- Gui não voltou?- perguntou Hermione. Todos agora estavam reunidos à mesa, jantavam.

- Não.- disse o Sr. Weasley que a pouco havia chegado com Moody.- Ele estava fazendo serviços para Gringotes.

- Quando Tonks me contou sobre Isabel pensei que ele tivesse ido buscá-la.- disse Hermione tentando parecer distraída. Ela viu Tonks a examiná-la assim como Moody e Quim.

- Tonks também esteve na Amazônia.- disse o Sr. Weasley.

- Ah!- fez Hermione.

- É impressão minha ou vocês dois estão brigados?- perguntou Fred a Rony e Gina.

- Vou dormir.- respondeu Rony se levantando e lançando um olhar de desprezo para Gina.- Estou cansado.

- Estão.- concluiu Jorge.

- Rony não me perdoou por eu saber sobre Harry e Mione e não lhe contado.- mentiu Gina.

- Ah!- fez Jorge.

- A famosa dor de cotovelo.- riu Fred.


Após o jantar todos foram indo para suas camas. E nos dois dias que seguiram começaram os preparativos para o natal. Hermione assistia com certa curiosidade a tal Isabel ajudando nos serviços. Ela e a Sra. Weasley parecia se dar super bem. E todos os membros da ordem que entravam e saiam da casa parecia ter grande afeto pela garota. Hermione não tinha nada contra Isabel Black. Porém a achava "misteriosa" demais. Ela tinha aquele ar empolgado de uma garota que acaba de chegar a um lugar novo e encantador mas Hermione pode ver claramente nas poucas vezes em que os olhos das duas se encontraram que havia muito mais ali do que parecia. Sem contar, é claro, com o fato de que ela surgira do nada, e que ninguém nunca tinha comentado a existência dela.

Harry também pareceu ter um pé atrás com a garota. Na opinião de Harry ela se parecia demais com Belatriz Lestrange para ser verdade. Sempre que olhava a garota ele achava ter visto a Comensal e esta lhe lembrava a morte de Sirius.

Gina e Isabel estavam sempre aos risos, e não era difícil ver a garota se transformando em alguma coisa sob aplausos e vivas de Gina. Rony estava muito quieto. Harry o vira estudando, o que era praticamente um absurdo pois nem Hermione estava estudando durante o natal, quer dizer, ela estava sempre com livros a respeito de astronomia ou coisas assim mas não eram de matérias do colégio, Harry tinha certeza. Até que finalmente a manhã de natal chegou. Harry foi acordado por um Rony empolgadíssimo - ele havia ganhado uma Nimbus 2005 dos gêmeos - Harry abriu seus presentes também. A pilha de presentes desse ano fora a maior da vida de Harry. Além dos presentes do pessoal da ordem - Um detector de magia negra dado por Moody, um colar com um dente de dragão dado por Carlinhos, Um livro chamado Os mandamentos dos aurores de Tonks, um livro de DCAT avançada de Lupin e um outro livro chamado As grandes caçadas dos últimos séculos de Quim - e do suéter da Sra. Weasley Harry ganhou diversos doces de Gina e Rony, um quite mata aulas completo dos gêmeos e uma imensa quantidade de cartas de fãs desejando-lhe feliz natal. Quando Rony saiu para mostrar a nova jaqueta de Couro de Dragão para Carlinhos Harry tirou do malão um pequeno embrulho e seguiu até o quarto de Hermione. Assustou-se ao encontrar a namorada mergulhada em um livro de capa escura.

- Ah! Oi!- disse ela se levantando e dando um beijo em Harry.- Feliz natal, querido.

- Pra você!- disse Harry mostrando o embrulhinho. Hermione agradeceu e o abriu descobrindo assim uma caixinha dessas de anéis.

- Oh Harry!- disse ela abrindo a caixinha.- Obrigado!

- Posso colocar em você?- perguntou Harry.

- Sim!- disse Hermione.

Harry apanhou um pequeno anel prateado dentro da caixinha e depois de colocá-lo em Hermione sorriu.

- Mandei grava HH dentro.- disse ele.

- Você é perfeito!- disse Hermione antes de dar-lhe um beijo. Harry então virou-se para o livro aberto sobre a cama.

- Presente de Quim.- disse Hermione.

Harry fechou o livro e leu o título escrito em prata. Os Grandes Mistérios da Magia

- Este é para você!- disse entregando um grande caixa para Harry.

Harry abriu a caixa com curiosidade. Havia uma pesada capa verde esmeralda lá dentro.

- Como você está prestes a se tornar maior de idade...- começou Hermione.- Quero que você ande sempre elegante quando se mudar de vez do mundo dos trouxas.

Harry sorriu e experimentou a capa.

- E quando eu for maior...- disse Harry.- Quero dizer, quando eu sair da casa dos meus tios e nós nos formarmos em Hogwarts.- Ele sentiu as bochechas ficarem vermelhas. Há algum tempo ele decidira propor isso a Hermione, mas lhe faltava coragem.- Você quer vir morar comigo? Quero dizer, a gente poderia formalizar as coisas...

Hermione riu.

- Você está querendo me pedir em casamento, Harry?- perguntou ela.

- Na verdade sim!- disse Harry ainda mais vermelho.

Ela pulou no pescoço dele.

- E é lógico que eu aceito.- disse.- Nós nos casaremos depois de Hogwarts e teremos uma casa, só nossa!

- Quero ter dois filhos.- disse Harry quando os dois giraram e caíram assentados na cama vazia de Gina.

- Mas nada de filhos antes de terminarmos os estudos.- disse Hermione.- Na escola de Aurores são cinco anos. E mais algum tempo para se firmar na carreira e então podemos pensar em filhos.

- Só exijo que o moleque se chame Sirius.- disse Harry sorrindo docemente.

- E a nossa garotinha se chamará Laura.- disse Hermione.

- Imaginem quando Sirius e Laura Potter estiverem indo para Hogwarts!- disse Harry.

- Com licença.- disse Gina metendo a cabeça para dentro do quarto.- Seus pais chegaram, Mione.


O almoço de natal foi agitado. Além dos Weasley e dos demais habitantes da casa, o Sr. e a Sra. Granger apareceram também, assim como o Sr. Lovegood e Luna, para a surpresa dos garotos.

- Desde que Lílian Potter deixou Hogwarts e escola não tinha uma aluna tão exemplar quanto a sua filha, Sr. Granger.- dizia Lupin.

- Sabe Sra. Granger.- disse Harry que vinha desde o início do banquete conversando animadamente com a sogra.- Quero me casar com sua filha. Quando sairmos de Hogwarts, é claro.

- Ouvi falar em casamento?- perguntou o Sr. Granger de repente.

- Sim!- disse Harry e ele viu Hermione que antes conversava com Carlinhos virar o rosto para eles.- Estava dizendo à sua esposa que eu e Hermione nos casaremos assim que terminarmos a escola. Iremos formalizar a nossa situação a principio e mais tarde, quando já estivermos bem em nossas profissões lhe daremos alguns netos.

- Nós também planejamos a vida dessa forma quando tínhamos dezesseis anos, não é querida?- riu o Sr. Granger que pelo que Harry notou já havia tomado bem uns quatro cálices de vinho.

- Queríamos ter três filhos.- completou a Sra. Granger.

- Mas falando em empregos.- disse o Sr. Granger.- Hermione sempre diz querer seguir carreira de Aurora. Ela nos explicou mais ou menos o que é, mas gostaria muito de ouvir a opinião de alguém bruxo sobre isso.

- Ah! Hermione dará uma Aurora de talento.- disse Lupin.- Alastror, Quim e Tonks são Aurores. Você pode conversar com eles sobre isso se quiser.

- Há um curso especial para Metamorfos na Amazônia.- disse Tonks.- Eu mesma passei seis meses lá antes de vir trabalhar no Ministério.

- Não é muito freqüentado.- disse Isabel.- Pois são raros os casos de bruxos Metamorfos.

- E o que se aprende no curso?- perguntou Gina interessada.

- Transfiguração pesada.- disse Isabel com uma voz fúnebre.

- Exagero!- disse Tonks.- Pra mim o curso foi útil para a voz. Aprendi a imitar a voz das pessoas além de imitar somente a sua forma.

- Hermione disse que tomou um susto com você.- disse Gina.

- È! Eu notei.- disse Isabel rindo.- Você devia ver a cara de Tonks quando consegui imitá-la pela primeira vez.

- Você conseguiria se transformar em uma pessoa já morta?- perguntou Luna.

- Nunca tentei.- disse Isabel.

- Não é legal fazer isso.- disse Tonks em tom de reprovação.

- Vocês tinham de estar lá para ver.- disse Rony.- Nós demos o que se pode chamar de uma lavada na Lufa-lufa.

- É maninho.- disse Fred.- Parece que você começou realmente a pegar o jeito da coisa. Soubemos que Neville foi um dos nossos substitutos.

- Não consigo imaginá-lo como batedor.- disse Jorge abafando uma risada.

- Não consigo ver o time ganhando da Sonserina.- disse Fred.

- Após assistir o jogo deles eu também desanimei.- disse Rony.- As vassouras do time agora eram Nimbus 2004, o que deixava a artilharia muito veloz. Mas agora que eu e Gina temos nossas Nimbus 2005 não vai ser assim tão fácil pra eles!

- Vamos esperar agora o resultado do N.O.N.s.- disse o Sr. Lovegood.- Eu ficaria feliz se ela seguisse a carreira da mãe, mas se ela optar simplesmente em continuar a revista eu ficarei satisfeito.

- Sua esposa foi uma grande bruxa, Sr. Lovegood!- disse Quim- Se sua filha for metade do que a mãe era o Sr. poderá se sentir realizado.

- Lílian e Letícia! Duas grandes bruxas.- disse a Sra. Weasley.

- Tem certeza, Tonks?- perguntou Moody aos sussurros.

- Lupin disse que desconfiava da garota.- disse Tonks no mesmo tom.- E eu pude ter um flash de seu pensamento. Ela sabe Alastror, só não sabe onde, quando e como!

- E Harry?- perguntou Moody.

- A garota tem a mente estruturada.- disse Tonks.- Ela não tem certeza de muita coisa e enquanto não encontrar suas certezas creio que não dirá nada.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:38

16° Capitulo - Audiência

Quando a noite caiu o Sr. e a Sra. Granger voltaram para sua casa. O Sr. Lovegood ainda tardou um pouco.

- Você deve entender as runas melhor que eu.- disse Luna para Hermione.

- Sim, mas Sirius deveria estar aqui.- disse Hermione indicando a casa onde as runas diziam morte.

- Não sei.- disse Luna.- Todos nós estamos aqui, veja.- ela indicou uma outra casa onde estavam cinco ponteiros com os rostos de Harry, Hermione, Rony, Gina e Luna.

- È como se ele estivesse suspenso.- comentou Hermione.

- É!- concordou Luna.

Gina que lia atenta a tal edição do Pasquim de aniversário observou as duas por um momento.

- Vou procurar aquilo que você falou.- disse Luna séria sem desarregalar os olhos.- Vou perguntar a papai.

- Ok!- disse Hermione.- Mas aquela outra matéria é toda verdade mesmo?

- Tudo publicado na revista de papai é verdade!- disse Luna com veemência.

- Ah! Ok!- disse Hermione ficando impaciente.


Já era tarde quando os Lovegood partiram. No dia seguinte todos ajudaram na arrumação da casa o que não foi nada empolgante. As únicas duas coisas que aconteceram foi quando Isabel se transfigurou em um saco de lixo e quando Fred a apanhou, ela provocou uma pequena explosão e voltou ao normal dando uma baita susto no garoto. E este, para se vingar jogou pó de mico na cama da garota o que lhes rendeu um grande torra dado pela Sra. Weasley. Todos se deitaram cedo naquela noite. Havia um clima de expectativa no ar. Harry não conseguiu dormir muito. Antes de dormir praticou oclumência e deu certo pois não teve sonhos porém ele acordou antes mesmo das quatro horas e ficou assistindo a neve cair lá fora. Pouco mais de uma hora mais tarde a Sra. Weasley apareceu no quarto para acordá-los.

O café da manhã foi chato. Todos pareciam pensativos, estavam calados. Harry tentou engolir alguma coisa mas o cheiro do café lhe dava nojo. Meia hora mais tarde eles partiram. Dessa vez foram por flu. O ministério da magia estava novamente esplêndido como da primeira vez que Harry foi até lá. Só a fonte não estava mais lá.

- Bom, vamos descer em dois elevadores.- disse Carlinhos e assim se fez. Tonks, Moody, Lupin, Gina e Molly desceram em um elevador e os restantes no outro. Eles passaram pela entrada do corredor do departamento de Mistérios e desceram as escadas que levavam ao Tribunal dez.

E lá estava a imensa porta de madeira com o ferrolho de ferro. Carlinhos consultou o relógio. Harry percebeu que ele estava caprichosamente arrumado naquela manhã.

- Está na hora.- ele disse.

- Nós iremos entrar.- disse Quim.

- E vocês esperarão até ser chamados em uma sala ao lado.- disse Moody indicando uma estreita porta a um canto.


A masmorra estava iluminada por tochas. Os bancos que cercavam quase toda a masmorra estavam cheios dessa vez. Representantes de Ministérios, estudantes, jornalistas e aurores estavam ali para assistir à grande audiência. Nos bancos ao fundo estava o que parecia ser uma espécie de "comissão julgadora" No banco mais alto estava assentado Dumbledore ladeado por uma mulher de cabelos curtos em um tom de cinza, Amélia Bones e por Cornélio Fudge. Havia outros muitos bruxos que aparentavam ser tão importantes quanto aos três no alto. A grande porta se abriu mais uma vez e por ela entraram Tonks, Moody e Quim seguidos por Carlinhos. Houve um enorme burburinho. Os três se assentaram nos bancos ao fundo e na outra ponta do mesmo banco estava Percy Weasley. Dumbledore se levantou e imediatamente a masmorra se calou.

- Gostaria muito de apresentar aos senhores um nome pelo qual chamar a essa audiência, mas jamais na história houve algo como ela.- disse Dumbledore em seu tom de voz grave.- Nunca na história um bruxo passou doze anos preso por um crime que ele não havia cometido.

Alguns dos bruxos da "platéia" concordaram com a cabeça.

- Durante mais de cento e quarenta anos de estudos eu sempre admirei a justiça bruxa!- disse Dumbledore.- Pois, ao contrário da trouxa, ela era quase cem por cento realmente justa se é que posso falar assim.

- Com licença.- pediu Fudge.- Mas Dumbledore, você não é o advogado de defesa.

- Você está certo meu caro Cornélio.- disse Dumbledore sorrindo amavelmente.- Eu não sou o advogado de defesa. Porém sou o Bruxo Chefe Cacique Supremo da Confederação Internacional dos Bruxos e responsável pelo veredicto final desta audiência.

Houve novamente uma inquietação. Fudge se assentou novamente.

- Mas como eu ia dizendo.- disse Dumbledore.- Vou chamar essa audiência de Audiência do dia vinte e sete de Dezembro.

Uma mulher jovem de cabelos crespos e ruivos assentada a um canto começou a anotar tudo o que ele dizia.

- Passo a palavra a você, Amélia.- disse Dumbledore se assentando e a mulher de cabelo cinza ao seu lado se levantou.

- A Audiência do dia vinte e sete de dezembro irá condenar ou inocentar o já falecido Sirius Fineus Black dos crimes pelos quais ele foi preso quinze anos atrás.- disse Amélia.- Em nossa bancada interrogadora contamos com a presença de todos os vinte e três Aurores do Ministério da Magia Britânico e Irlandês; Cornélio Oswaldo Fudge, Ministro da Magia; Amélia Susan Bones, chefe do departamento da Imposição da Lei Mágica e Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore, Chefe Cacique Supremo da Confederação Internacional dos Bruxos, membro ilustre da mesma e diretor da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts.- Ela fez uma pausa e só o que se podia escutar era a pena da escrivã arranhando o pergaminho.- Escrivã da corte, Penelope Mariah Clearwater. Advogado de defesa Carlos Arthur Weasley e advogado de acusação Percy Inácio Weasley.- Ela se assentou.- Sr. Percy Weasley por favor.- completou.

Percy se levantou sorrindo. Também estava caprichosamente vestido naquele dia e os óculos de aros de tartaruga pareciam ter sido lustrados com algum produto mágico.

- Primeiramente bom dia senhores.- disse fazendo uma pequena reverência para o público antes de caminhar até o centro da masmorra onde ficava a cadeira com as correntes.- Há pouco mais de quinze anos atrás o Sr. Sirius Fineus Black foi julgado e condenado pelo já falecido Bartô Crouch.- Percy falava em um tom alto que lembrava um desses políticos trouxas em comícios.- Havia cinco dias a Grande Primeira Guerra havia terminado oficialmente. Os nossos ilustres Potter haviam sido assassinados e o principal culpado pela morte dos mesmos era ele, Sirius Black! Mas ele não foi condenado simplesmente por isso!- ele fez uma pausa como que para tomar fôlego.- Ele estava também sendo acusado de ter pertencido a um grupo de bruxos das trevas e de ter matado o Sr. Pedro Pettigrew junto com mais doze trouxas em uma rua Londrina, nessa audiência o acusaremos de tudo isso, além, é claro, do fato de ele ser um animago ilegal e de ter fugido da Fortaleza de Azkaban e invadido a Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts. Pois esta será a primeira acusação a ser avaliada nesta audiência!

E depois de dizer isso Percy se assentou novamente. Houve algum burburinho até que a pena de Penelope parou. Carlinhos se levantou.

- Por estas acusações Sirius Black foi condenado e passou em Azkaban doze anos de sua vida!- disse Carlinhos.- Até que há três anos ele fugiu de lá na forma de um cachorro. Chamo aqui a minha primeira testemunha. A Srta. Hermione Jane Granger, primeira aluna de Hogwarts e namorada do afilhado do acusado, o Sr. Harry James Potter.


****


- Você deve entrar agora.- disse o Sr. Weasley. Hermione se levantou. Seu coração estava veloz e ela sentia suas pernas como chumbo no caminho até a grande porta do tribunal. Estas rapidamente se abriram. A masmorra sombria estava repleta de bruxos e bruxas estranhos. Hermione caminhou até onde Carlinhos estava. Havia uma cadeira com correntes, exatamente do jeito que Harry descrevera, ali.

- Sente-se Srta. Granger.- disse Carlinhos com cerimônia. Hermione obedeceu. Mal se assentara e cadeira girou de modo que ela pode ver o conselho julgador. Os olhos cintilantes de Dumbledore fitavam-na com doçura.- Sr. Percivaldo Weasley passo a palavra a você.

Percy pigarreou e depois de examinar Hermione por algum tempo falou:

- Primeiramente, Srta. Granger, gostaria que você contasse ao nosso conselho exatamente o que aconteceu na noite em que vocês se encontraram com Black.- disse Percy rapidamente.

Por um momento Hermione achou que não teria voz. Mas em seguida despejou tudo.

- Naquela tarde eu e meus amigos, Harry e Rony fomos visitar Hagrid.- disse ela devagar.

- Rúbeo Hagrid é o Guardião das chaves de Hogwarts.- disse Carlinhos à escrivã que para surpresa de Hermione era Penelope Clearwater, namorada de Percy.

- Um dos animais que ele criava, o hipógrifo Bicuço seria executado naquela tarde, quando vimos os homens do ministério chegando, saímos correndo.- disse Hermione que agora observava os Aurores do Ministério que faziam suas anotações.- Demos então a volta na cabana e.... afrouxamos a corda que prendia o hipógrifo.- Hermione suspirou.- Estávamos então voltando para o castelo quando um enorme cão negro nos atacou.

- No relatório sobre o hipógrifo, o responsável pela execução não citou que vocês foram vistos saindo da cabana do guarda caças.- disse Percy revirando os olhos.

- Nós...- Hermione hesitou por um instante.- Nós estávamos usando a velha capa da invisibilidade do pai de Harry.

Houve um burburinho.

- Continue.- disse Percy.- O cão os atacou mesmo com a tal capa?

- Não.- disse Hermione.- Na verdade Rony havia se livrado da capa pois o seu rato, o Pereba, havia escapulido. Rony só conseguiu agarrar o rato próximo a um salgueiro lutador que fica próximo à floresta e foi lá que o cão nos atacou.

Houve um segundo em que só escutou o som da pena arranhando.

- O cão então arrastou Rony com Pereba por uma passagem nos deixando para trás.- continuou Hermione.

- Gostaria apenas de ressaltar que o meu irmão teve a perna cruelmente quebrada por Sirius Black ao ser arrastado!- disse interrompeu Percy.

- Acho que quem tem que prestar o depoimento sou eu.- recomeçou Hermione.- Pois como eu ia dizendo, nós não sabíamos como abrir novamente a passagem, porém o meu gato, Bichento, mostrou como fazer. Nós, eu e Harry, seguimos então por um túnel que nós levou à casa dos gritos, em Hogsmead. Quando chegamos na casa ouvimos barulhos no andar de cima mas quando encontramos Rony, que tinha fraturado uma das pernas ao tentar se livrar do cão, Sirius nos desarmou e disse a Harry que sabia que ele viria atrás de Rony. Nós dizemos a ele então que para matar Harry teria que nos matar também. Sirius então respondeu secamente que só haveria uma morte naquele dia.

Hermione observou os três rostos no alto que a observavam. O rosto cansado de Fudge que tinha os olhos atentos como se esperasse que ela dissesse algo que pudesse comprometer Sirius. Dumbledore que tinha a mesma aparência calma de antes e os olhos azuis brilhando e Amélia Bones que a examinava com imensa apreensão.

- Harry então partiu pra cima dele e perguntou se Azkaban havia estragado seu cérebro, pois da última vez ele não se preocupou em matar as outras pessoas também.- continuou Hermione.- Eu e Rony partimos pra cima dele também e conseguimos recuperar as varinhas, Harry estava furioso e tinha a varinha apontada para o coração de Sirius quando disse que ele havia matado seus pais. Sirius perguntou se Harry o mataria por isso e disse que não negava ter matado os Potter só que achava que Harry deveria saber a história toda.- Os olhos de Fudge brilharam, Hermione continuou a despejar as palavras, falava muito rápido.- Harry não quis nem ouvir e, ele e Sirius tiveram uma pequena discussão e quando esta morreu por um momento achei que Harry realmente o mataria.- Ela parou para recuperar o fôlego.- Então ouvimos ruídos no andar debaixo e eu gritei que estávamos no andar de cima. Era o professor Lupin, ele chegou e a primeira coisa que fez foi arrancar a varinha da mão de Harry.

Hermione prosseguiu com a narração até o ponto em que ela acordou na enfermaria. Fora advertida para não falar como Bicuço fora levado a Sirius. Quando ela terminou Percy voltou a falar.

- Alguma observação do advogado de defesa?- perguntou ele para o irmão que balançou a cabeça negativamente.- Pois lembro-me perfeitamente de ver o professor Severo Snape afirmar que Black os havia enfeitiçado.- prosseguiu Percy.

- Como eu disse aqui, e também na presença do Sr. Fudge no dia do ocorrido, o professor Snape não presenciou nada, pois foi nocauteado antes.- retrucou Hermione.

- Mas foi o professor Snape que os levou de volta para o castelo.- disse Percy.- Junto com Black.

Hermione se irritou.

- O Professor Snape é um idiota que não consegue esquecer seus traumas de infância!- disse ela.- Ele inventou aquela história para se vingar de Sirius por uma brincadeira que este pregou nele quando adolescentes!

- O Sr. Snape é uma das minhas testemunhas, portanto não permito que a Srta. o insulte!- disse Percy.

- Eu não estou o insultando!- disse Hermione.- Eu estou dizendo a verdade! Qualquer pessoa serena pode ver o que estou falando no professor Snape!

- Creio que o professor Snape não é o assunto do momento.- disse Percy.- Alguém mais deseja fazer alguma pergunta?

Uma das auroras, uma mulher de cabelo muito curto em um tom entre o ruivo e o castanho ergueu a mão.

- Diga.- disse Percy.

- Eu gostaria de perguntar a Srta. Granger se ela foi uma testemunha da morte de Black.- disse a Aurora.

- Não senhora.- disse Hermione séria.

- Creio que a Srta. pode se retirar.- disse Percy.


****


- E então?- perguntou Rony quando Hermione entrou, pálida, na saleta.

- Agora é com você, Lupin.- disse Hermione.


****


- Quando entrei no quarto desarmei Harry e perguntei a Sirius onde estava o outro.- disse Lupin.- Sirius indicou o pequeno Weasley na cama e eu então comecei a entender o que tinha acontecido. Pedro não podia estar vivo. Exceto se na última hora eles tivessem trocado. Sirius fez que sim com a cabeça e então eu o abracei. Quando a Srta. Granger viu aquilo ela ficou irada e tratou de contar o meu segredo aos dois garotos.

- Segredo?- indagou Percy.

- Sim.- disse Lupin com firmeza.- Eu sou um Lobisomem.

- E como a garota sabia disso?- perguntou Fudge lá do alto.- Pelo que sei alunos de terceiro ano não são capazes de identificar um lobisomem tão facilmente.

- Snape.- disse Lupin.- Severo Snape vinha me substituindo na época de lua cheia e em uma das substituições passou um trabalho sobre lobisomens para os alunos. E na aula em que trabalhamos com bichos papões todos viram ele se transformar em uma lua.

- Hum.- fez Fudge anotando algo.

- Eles não queriam me ouvir. Acharam que eu estivesse ajudado Sirius até ali.- continuou Lupin trocando olhares com Moody.- Então entreguei as varinhas a eles e comecei a narrar a verdadeira história.

- E qual era a verdadeira história?- perguntou Fudge.- Porque seja lá qual for Dumbledore acreditou nela, pois contratou o Sr. novamente.

- Eu estava na minha sala àquela tarde examinando o mapa que há alguns dias eu havia tomado de Harry. O velho mapa do maroto.

- Mapa do Maroto?- perguntou Fudge.

- Você está falando daquele mapa que meus irmãos usavam?- perguntou Percy.- Aquele de Hogwarts que mostra as pessoas que estão no castelo?

- Exatamente.- disse Lupin.

- O mapa estava com Harry?- perguntou Percy.- Como o Sr. sabia usá-lo?

- Eu ajudei a criá-lo jovem Weasley.- disse Lupin.

- O Sr. criou um mapa que ajuda os alunos a desobedecerem as regras da escola?- perguntou Fudge olhando Dumbledore pelo canto dos olhos.

- Eu tinha dezesseis anos, ministro.- disse Lupin.- Eu, Sirius, Thiago e Pedro o criamos. E o mapa esteve perdido por aí até cair nas mãos dos dois Weasley, que o passaram para Harry.

- E como o mapa foi para suas mãos?- perguntou Percy.

- O mapa era programado para agredir aos professores que tentassem usá-lo. Snape me chamou para examiná-lo ao descobrir Harry ilegalmente em Hogsmead. Eu achei que o mapa não deveria permanecer nas mãos de alunos.

- E mesmo assim o usou.- disse Percy de pouco caso.

- Eu estava em minha sala observando o mapa...- disse Lupin virando-se para Percy.- pois desconfiava que o trio iria visitar Hagrid. E eu não estava enganado.

- E o que aconteceu então?- perguntou Amélia Bones.

- Eu me assustei ao ver que ao sair da cabana de Rúbeo eles levavam consigo uma quarta pessoa.- disse Lupin.- Pedro Pettigrew estava com eles e quando Sirius atacou os garotos levou consigo não só o Rony, mas o Pedro também.

- O mapa poderia estar errado.- disse Percy.

- O mapa do maroto nunca mente!


****


- Acho que tem mais de duzentos bruxos lá dentro.- disse Hermione.

- Percy está lá?- perguntou a Sra. Weasley com a voz fraca.

- Ele e aquela Penelope.- disse Hermione.


****


- Então o senhor está dizendo que Thiago Potter, Sirius Black e Pedro Pettigrew se tornaram animagos ilegais no quinto ano de vocês em Hogwarts?- Perguntou Amélia Bones.

- Sim.- disse Lupin evitando o olhar de Dumbledore.- E nós andávamos por aí durante a noite uma vez por mês.

- E se esta história é realmente verdade, porque Severo Snape disse ao Ministro que Sirius Black havia enfeitiçado os garotos?- perguntou Percy com um olhar fuzilante sob Lupin.- Desculpe cara Amélia, mas preferiria acreditar em um ex comensal do que em um lobisomem!

Ao ouvir a última frase Lupin se levantou.

- Pra que está dizendo isso Percy?- perguntou ele.- Acha que vai conseguir uma promoção com isso?

- Sente-se por favor Sr. Lupin.- disse Percy com uma sombra de triunfo no rosto.

- Nós ainda vamos ouvir o depoimento do Sr. Snape não se preocupe.- disse Amélia Bones.

Ouve um burburinho na masmorra.

- Se quiserem usar a Poção da Verdade em mim.- Propôs Lupin.

- Não será preciso, Lupin.- disse Amélia Bones.- Se ninguém quiser perguntar mais nada o senhor pode se retirar.

- Eu quero!- disse um homem corpulento na "platéia".

- Diga Sr. Goyle.- disse Amélia Bones.

- Eu gostaria de perguntar ao Sr. Lupin,- disse ele.- Porque não contou às autoridades que Black era um animago, e, sendo o aluno exemplar que costumava ser em Hogwarts em nossa época, porque permitiu que os amigos burlassem a lei.

Lupin girou a cadeira e fuzilou Goyle com o olhar. Comensal maldito, pensou.

- Quando entrei para Hogwarts há quase quarenta anos, Dumbledore depositou muita confiança em mim, me aceitando, sendo eu como era.- disse Lupin.- Contar a ele que Black era um animago ilegal seria admitir que não tinha respondido à altura à confiança que ele tinha depositado em mim. E eu realmente precisava daquele emprego.- ele fez uma pausa.- E sobre a Segunda questão. Eu passei a minha infância isolado dos outros garotos, tanto trouxas quanto bruxos por representar perigo para eles. Nunca tive amigos até os onze anos de idade quando conheci Sirius, Tiago e Pedro. Eu sabia que seria errado, mas além de ser um adolescente inconseqüente na época eu sabia que eles queriam me ajudar, mesmo daquela forma, fora da lei. Sabia também que aquela seria a maior prova de amizade que eu receberia em toda a minha vida.- ele olhou para o alto da comissão julgadora.- Pois todos nós sabemos muito bem que no mundo em que vivemos as pessoas só fazem complicar a vida de um lobisomem.


****


Mais de uma hora havia passado quando Lupin voltou à saleta.

- Molly.- disse ele.- sua vez.

- O que disse a eles?- perguntou Hermione assim que a Sra. Weasley saiu.

- Percy trouxe Snape para depor.- disse Lupin.

- Ele vai apresentar a versão que ele contou a Fudge!- disse Rony dando um soco no ar.

- Ele não vai, Rony.- disse Lupin.- Nott e Goyle estão no tribunal. Ele não pode se arriscar sob uma poção da verdade.

- Eles usaram em você?- perguntou Harry.

- Não.- disse Lupin.- Mas há muitas pessoas da Ordem ali. E se Snpae mudar de idéia e não admitir que mentiu eles usarão nele. E ele não pode correr o risco de se expor sob uma poção dessas.


****


- Sirius era uma excelente pessoa.- dizia Molly.- Convivi com ele durante quase um ano e posso garantir isso a todos.

- A Sra. Pareceu indignada quando viu Sirius Black na enfermaria em Hogwarts, mamãe!- disse Percy.

- Eu não sabia da verdadeira história, Percivaldo!- disse Molly.- E até eu me entristeci quando soube que ele foi morto.- os olhos dela se encontraram com os de Tonks e a Sra. Weasley baixou o rosto.


****


A Sra. Weasley entrou na sala vinte minutos após sair. Rony era o próximo. Uma hora depois ele voltou.

- Harry.- disse ele que parecia meio pálido.- É a sua vez!

Harry saiu acompanhado de Lupin até a porta.

- Estou com medo, Lupin.- disse ele que esperava o sinal de dois jovens rapazes parados à porta.

- Não tenha medo, Harry.- disse Lupin.- Dumbledore está lá, Ninfadora, Alastror e Quim estão lá!

- E se eu não me sair como eles querem? E se tudo for perdido por minha causa?- perguntou Harry.

- Sabe quem são os juizes principais?- perguntou Lupin.- Dumbledore, Amélia Bones e Fudge. Dumbledore já teria absorvido Sirius há muito se pudesse, Fudge não tem muita moral mais e Amélia Bones é o que se pode chamar de uma pessoa justa! Não se preocupe, vai dar tudo certo.

As portas se abriram. Harry viu a luz fraca das tochas lá dentro. De repente a sua cicatriz ardeu loucamente e em um flash ele lembrou de seus sonhos com Sirius e aquele tribunal. Suas pernas pareciam grudadas no chão.

- É a sua vez, garoto!- disse um dos rapazes à porta.- Entre.

Harry não teve escolha. Depois de esfregar a cicatriz ele entrou como se caminhasse para um matadouro.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:40

17° Capitulo - Duelo Entre irmãos

- Sabe, Sr. Fudge!- disse Harry. Ele já estava ali fazia quarenta minutos e a tal comissão julgadora o estava bombardeando com perguntas.- Se vocês tivessem acreditado em nós quando falamos sobre Sirius e Rabicho... mas não! O Sr. preferiu me chamar de Adolescente Perturbado, não é mesmo? E o que disse sobre Dumbledore? Velho caduco?!

- Sr. Potter, quem está sendo interrogado aqui é o senhor.- disse Percy.

- Sirius poderia estar aqui hoje, ele contaria com prazer a todos vocês a verdadeira história!- disse Harry ignorando Percy.- E se todos tivessem acreditado quando eu disse que Voldemort havia voltado, garanto que ele não teria morrido!

Houve dessa vez um enorme burburinho. Harry olhou à volta, na arquibancada da esquerda um grupo de estudantes onde estava Fleur Delacour concordavam com ele. Logo atrás estava uma figura esquisita que usava um chapéu de abas grandes que sombreavam seu rosto. A pessoa ergueu o rosto e Harry pode ver os olhos negros e cintilantes de Isabel, ela sorriu para ele. Ele se virou então para Dumbledore. Havia um leve sorriso nos lábios deste também.

- Silêncio!- pediu Percy. A masmorra se calou.- A questão agora não é o que o Sr. Fudge fez de certo ou errado!

- Pela primeira vez em o que posso chamar de "toda a audiência" você está certo meu caro irmão Percivaldo!- disse Carlinhos se levantando.- Deixe que na hora certa as verdades sobre o seu querido chefe, o Sr. Fudge, virão à tona!

Harry viu Percy ficar talvez tão vermelho quanto Rony costumava ficar.

- Como nós todos estamos cientes.- continuou Carlinhos.- Após todos os acontecimentos que acabamos de ouvir, o réu, Sirius Black acabou falecendo.

- O Sr. Tem mais algo a dizer, Sr. Harry James Potter?!- disse Percy entre dentes.

Harry pensou por um tempo. Olhou a platéia, viu dois comensais lá. Nott e Goyle. A raiva que sentia do mundo aumentou e ele soube que era a hora de ele dizer aquilo que ele tanto queria dizer para o mundo. Aquilo que era o motivo de toda a sua angustia, de toda a sua tristeza.

- Sim.- disse Harry. Seu maxilar tremia.

- Diga.- disse Percy.

- Sabe, às vezes passamos onze anos sofrendo para conseguir achar nosso lugar, conquistar o nosso espaço e ser aceito em uma sociedade que acredita, confia e até nos venera...- sua voz estava embargada, ele lutava com todas as suas forças para impedir as lágrimas de raiva, rancor e dor de pularem para fora de seus olhos.- E então passamos a sentir falta de uma outra coisa...- ele não conseguiu. Uma lágrima solitária escorreu pelo seu rosto.- Algo mais paterno, algo familiar e ficamos longos treze anos para encontrar e descobrir todo o afeto e carinho com o qual podemos contar e...- pausa, ele engoliu o nada, sua boca estava com um gosto estranho, lágrimas lavavam seu rosto.- Então no nosso auge de felicidade...- ele viu Dumbledore o fitando por trás dos óculos de meia lua apoiando o queixo na mão.- Quando essa pessoa se torna mais que um pai e sim um amigo passam-se dois anos e vem um grupo de pessoas sem caráter e nem coração e nos leva tudo isso que demoramos tanto para encontrar...- ele fez uma pausa maior dessa vez, a pena de Pénelope Clearwater rangia, Percy parecia surpreso, Carlinhos olhava Harry como quem diz "é isso aí garoto" Moddy tinha ambos os olhos fixos em Harry, Tonks tateava o bolso a procura de alguma coisa.- Deixando-nos da penumbra...- Tonks abriu um lenço branco.- Arrancando toda a nossa capacidade de felicidade...- Tonks abafou um soluço com o lenço.- E nos deixando até com um pouco de remorso...- continuou Harry tirando os óculos e limpando os olhos com um pedaço das vestes.- Por pensar que não demos a atenção devida à essa pessoa que morreu lutando por nós.- Ele recolocou os óculos e se ajeitou na cadeira.- Era só isso o que queria dizer.

Seguiu-se um longo silêncio. Todos pareciam paralisados, estupefatos e chocados.

- A morte de Sirius só será discutida após o almoço, Srs.- disse Dumbledore interrompendo o silêncio.- Até lá.

A grande porta se abriu e por ela saiu primeiro o grupo de estudantes. Os aurores estavam todos de pé e conversavam entre si. Harry viu Dumbledore conversando com Amélia Bones lá em cima. Carlinhos foi até ele.

- Bárbaro, Harry!- disse ele.- Nós não só livramos a cara de Sirius diante todo o mundo mas também acabamos de complicar a vida de Fudge.

- Todos já prestaram depoimento?- perguntou Harry tentando voltar ao normal.

- Não. Percy provavelmente trará umas duas pessoas ainda.- disse Carlinhos.- Mas pude ver que Amélia já está decidida a finalmente acreditar em nós. Você ensaiou aquilo para dizer?

- Não.- disse Harry olhado o chão.- Não conte aos outros sobre o que eu disse, não quero comentários.

- Tudo bem!- disse Carlinhos meio sem entender.

Os dois se reuniram com Lupin, Rony, Gina, Hermione e a Sra. Weasley na porta da masmorra.

- Digamos que Harry complicou Fudge pelo resto da carreira dele.- disse Carlinhos sorrindo para Lupin.- Até Percy ficou entupido.

- Falando em Percy.- cochichou Hermione para os outros três.

Percy e Fudge estavam juntos na outra parte da grande porta. Podia-se escutar o que eles conversavam.

- O garoto não podia ter tocado no assunto, Percivaldo!- dizia Fudge.

- Eu sei, Sr. Fudge, mas eu não esperava que ele fosse faze-lo.- disse Percy.- Eu disse ao senhor que não viesse.

- Realmente!- disse Fudge.- Devia ter indicado Willian no seu lugar e mandado você como representante. Foi um grave erro, meu jovem. O que mais me irrita é aquela calma de Alvo Dumbledore! Aposto em como ele veio ensaiando os garotos desde que ele mandou seu irmão entrar com o caso! Viram só o discurso que o garoto fez no final! Até Você- Sabe- Quem ficaria comovido!

Ele viu o grupo de ouvidos apurados.

- Vamos almoçar, Percivaldo! Pois o dia é longo!- e em seguida os dois saíram em direção às escadas.

- Percy é um idiota!- disse Rony.

- Não, ele não é!- disse Gina.

- Além de namorar aquele traste você vai defender o Percy também, é?- perguntou Rony ao mesmo tempo que Hermione fazia sinais para ele calar a boca.

- Ele é só um rapaz ganancioso.- disse Gina.- E essa ganância o torna tão estúpido quanto um porco!- completou fazendo cara de nojo.

- Vamos comer, crianças!- disse a Sra. Weasley.

O grupo voltou ao átrio. Ao canto da parede dos elevadores havia um corredor que levava a um bar tão grande quanto o Caldeirão Furado.

- Harry!- disse uma voz. Harry se virou e viu Tobias.- Estive assistindo à audiência, você foi ótimo quando disse ao Fudge que a culpa da guerra era dele!

- Você disse isso na cara dele?- perguntou Rony.

- Com todas as letras, Rony!- disse Tobias.- E aí Carlinhos!- disse cumprimentando-o.- Você também foi ótimo, calou a boca daquele seu irmão idiota inúmeras vezes!- completou antes de sair com um grupo de estudantes.

- Tobias é do Partido Liberal.- disse Carlinhos para a mãe.- Eles odeiam Fudge e tudo à volta dele.

- Ah!- fizeram Rony e Harry se entreolhando.

Eles se assentaram em uma cumprida mesa a um canto. Algum tempo depois Isabel apareceu e se reuniu a eles.

- Eu diria que aquele ministro com cara de ovo está no mínimo encrencado.- disse ela sorrindo.

- Você tomou cuidado de se manter longe de Goyle e Nott?- perguntou a Sra. Weasley.

- É!- disse Isabel em um tom não muito convincente.- Mas o que eu quero mesmo é assistir à parte do veredicto final.

- Será que nós poderemos assistir também?- perguntou Hermione observando Isabel

- Não!- respondeu a Sra. Weasley rapidamente e antes que Hermione falasse mais alguma coisa se virou para Carlinhos.

- Eu posso te ajudar se realmente quiser ir.- disse Isabel em tom baixo para só Hermione ouvir. A principio Hermione ignorou mas depois de algum tempo virou-se para ela.

- Como?- perguntou.

- Poção Polissuco.- disse Isabel e tirou do bolso um pequeno frasco com uma poção escura.

- Inteligente. Cabelo de quem?- perguntou Hermione.

- Tinha duas estudantes ao meu lado que iriam embora. Consegui o cabelo de uma delas.- completou e mostrou alguns fios dentro de um outro frasco.

- E as roupas?- perguntou Hermione.

- Eu as transfiguro.- disse Isabel com simplicidade.

- Mas eles vão sentir a minha falta.- disse Hermione.

- Gina dirá que vai passar a tarde no escritório do pai, você diz que vai junto, só que na realidade não irá.- disse Isabel.

- E quando a poção acabar?- perguntou Hermione.

- Tenho uma coleção de frascos desses aqui nos bolsos.- disse Isabel que usava um sobretudo negro.


- Tudo bem.- disse a Sra. Weasley.- Isabel irá acompanhá-las até lá então. E não fiquem perambulando por aí! Qualquer problema eu estarei naquela mesma saleta.

- Vocês são loucas!- disse Gina assim que a Sra. Weasley sumiu de vista.

- Vamos lá, Hermione.- disse Isabel tocando as vestes de Hermione com a varinha e ela passou a trajar um sobretudo parecido com o de Isabel.- A sala do Sr. Weasley é logo ali.

Isabel e Gina seguiram até uma porta no fim do corredor. Hermione tratou de se ajeitar.

- Olá garotas!- disse o Sr. Weasley por trás de uma montanha de papéis.

- A Sra. Weasley pediu que eu trouxesse Gina aqui.- disse Isabel.

- Sempre quis passar um dia de trabalho com você, papai!- disse Gina fingindo empolgação.

- Oh Querida!- disse o Sr. Weasley orgulhoso.- Sente-se aqui.- disse indicando uma cadeira.

Isabel saiu e tirou o frasco do bolso.

- Tome.

Hermione hesitou por um segundo. Será que deveria confiar na filha de Belatriz Lestrange? Mas não tinha muitas opções. Tinha uma idéia se formando em sua cabeça e ela sentia que encontraria algumas respostas na audiência.

Tomou o conteúdo do frasco.

- Urght!- fez ela segundos antes de sentir o seu corpo crescer. Até ali tinha dado certo. Hermione agora era uma garota negra de cabelos curtos.

- Certo, agora guarde os frascos em seu bolso.- disse Isabel enquanto ia tirando frascos dos bolsos do sobretudo.- Entre logo atrás de mim e não fale com ninguém.

As duas desceram novamente ao tribunal dez. Ele estava novamente movimentado. Isabel entrou e foi direto para o alto de uma arquibancada à direita. Hermione fez o mesmo e se assentou ao lado dela. A audiência recomeçaria em dez minutos. Ela viu um dos rapazes que antes estava do lado de fora da porta do tribunal. Achava que tinha visto Carlinhos falar com ele e que seu nome era Willian. Ele acenou para ela que retribuiu timidamente. Ela viu Dumbledore entrar acompanhando de Amélia Bones. Algum tempo depois Cornélio Fudge e Percy também apareceram. Tonks estava conversando com mais três aurores. E quase na hora de começar Moody e Quim apareceram também.

- Bem vindos de volta à Audiência do dia vinte e sete de dezembro!- disse Dumbledore assim que todos assentaram.- Vamos continuar a audiência, senhores advogados.

Percy se levantou.

- Que entre a minha próxima testemunha. O Sr. Severo Tomas Snape.- disse ele e pela grande porta de madeira entrou Snape com um ar que lembrava o de um morcego.

- Se me permite Percivaldo.- disse Carlinhos se levantando assim que Snape se assentou.- Creio que a narração que Severo Snape iria fazer não seria muito fora do que nós já sabemos.

- Mesmo assim eu insisto que...- começou Percy.

- Eu gostaria de fazer algumas perguntas a ele.- interrompeu Carlinhos.

- Fique a vontade!- disse Percy se assentando impaciente.

- Bom, Sr. Snape!- disse Carlinhos.- Acho que para todos aqui presentes já ficou bastante claro o fato de que Sirius Black é inocente!

Ouve um burburinho, a maioria das pessoas concordavam. Hermione passeou os olhos pela sala. Viu um homem parecido com Goyle que conversava com um outro homem baixinho. Aqueles deveriam ser Nott e Goyle. Eles eram comensais mas não haviam provas contra eles pois nenhum dos dois estivera no Ministério na noite em que Sirius morreu.

- Mas eu estive me perguntando então, desde o depoimento do Sr. Lupin, por que o Sr. disse ao nosso ilustríssimo Ministro da Magia, na noite em que Black fugiu de Hogwarts, que Sirius havia enfeitiçado os garotos e que você os tinha salvo?!

Ouve um novo burburinho. Hermione notou que Snape estava pálido. Dumbledore o fitava e ela viu que Nott e Goyle olhavam vidrados para ele também.

- A Srta. Granger disse que Severo estava desacordado!- interrompeu Percy ficando de pé.

- Eu sei, caro Percivaldo!- disse Carlinhos.- E Lupin também afirmou isso, assim como Harry Potter e Ronald Weasley. Não restam dúvidas, então, de que ele estava desmaiado! Mas então que explicação você me dá para a história que ele inventou, caríssimo Percivaldo?

- Pelo que estive conversando com Snape durante o almoço...- começou Percy ajeitando os óculos de aro de tartaruga.- ele supôs o que havia acontecido!

- ELE SUPÔS?!- perguntou Carlinhos em um tom exageradamente alto de modo que varias pessoas se assustaram.- Pergunto-me se ele realmente supôs isso tudo ou se ele quis se vingar de Sirius!

- Ele não tinha o que vingar!- disse Percy.

- Percebo que os depoimentos ouvidos antes do almoço já foram apagados de sua mente, caro Percivaldo!- disse Carlinhos.- Pois não foram só os três adolescentes que narraram a discussão entre Snape e Lupin na casa dos Gritos. Snape e "os marotos", como disse Lupin, foram "inimigos" durante o período de estudos em Hogwarts e pelo que já ouvi de Harry, Snape parece descontar nele até hoje a raiva que ele sentia de Tiago Potter!

- Potter é apenas um garoto metido, Carlos Weasley!- disse Snape crispando a boca.- Nunca descontei nada em Potter, ele sempre teve o tratamento que mereceu!

- Mas continuo sem entender o porque da história que você contou a Fudge!- disse Carlinhos.- Fiquei pensando comigo mesmo se você realmente deixou de ser um comensal!

Houve um burburinho. Por um instante Hermione achou que Carlinhos iria realmente ferrar Snape.

- Pois parece estranho!- disse Carlinhos.- Há dois anos Bartô Jr. esteve lecionando em Hogwarts, todos aqui devem se lembrar do fato! Enquanto Snape e Fudge alegavam que a história de que Pettigrew estava vivo era falsa, este se juntou ao "seu Lord" e ajudou a resgatar Bartô, e então os dois "seqüestraram" Alastror Moody e Bartô passou um ano letivo inteiro fingindo ser Moody em Hogwarts!

- Desculpe, Carlos, mas esse ponto já é responsabilidade de Alvo Dumbledore!- disse Percy.

- Não creio que seja totalmente!- disse Carlinhos.

Hermione levantou os olhos para Dumbledore e tomou um susto quando encontrou os olhos do homem grudados nela. Será que ele sabia que era ela quem estava ali? Ela olhou para Isabel que fez um sinal indicando o relógio. Hermione tirou um dos frascos e o bebeu.

- Quem nos garante que ele não esteve ajudando Bartô em Hogwart?- indagou Carlinhos.

- Não seja tolo, Weasley!- disse Snape.- Eu mesmo providenciei a Poção da Verdade para usar em Bartô. Ele teria me entregado se eu o tivesse ajudado!

- Eu iria dizer exatamente isso, Severo!- disse Carlinhos sorrindo.- Portanto não posso afirmar de que lado você realmente estar a não ser que você nos diga.

Houve um novo burburinho. Hermione viu que Dumbledore franziu a sobrancelha para Carlinhos como se o mandasse parar.

- Tens algo a declarar, Severo Snape?- perguntou Carlinhos.

- Quando eu acordei na noite em que Sirius Black fugiu, eu vi a todos desacordados eu realmente SUPUS o que teria acontecido. Antes de ser atrevidamente nocauteado pelos três jovens eu não vi sinal algum de Rabicho por ali! E eu vi que haviam cordas amarradas em Black. Imediatamente eu pensei que Remo Lupin havia recuperado a razão e resolvido levar Black ao castelo!

- Hum. Então o você admite que foi um tanto quanto IMPULSIVO?- perguntou Carlinhos levando a mão ao queixo.

- Sim.- disse Snape olhando o chão.

- Terminou?- perguntou Percy olhando impaciente o irmão.

- Sim.- disse Carlinhos pouco antes de se assentar novamente.

- Alguém tem alguma pergunta a fazer ao Sr. Snape?- perguntou Percy e para a surpresa de Hermione Isabel levantou a mão.

- Qual o seu nome, por favor?!- pediu Percy.

Hermione sentiu o coração disparar. Todos da Comissão julgadora estavam olhando naquela direção.

- Isaura Crof!- disse Isabel, sua voz estava diferente e ela tinha um sotaque acentuado.- Sou estudante, venho da Nova Zelândia.- completou.

- Pois diga Srta. Crof.- disse Percy.

- Eu gostaria de perguntar ao Sr. Snape se ele não pretende declarar algo sobre a sua posição diante a Guerra, como um ex-comensal.- disse Isabel.
Hermione viu que Nott e Goyle tinham os olhos pregados nela.

- Creio que este não é o assunto da audiência nem é uma coletiva para jornais estudantis, Srta. Crof.- disse Percy.

- Pode se retirar, Sr. Snape.- disse Amélia Bones.

- Creio que você não tenha mais depoimentos, Percivaldo.- disse Carlinhos.

- Correto, Carlos.- disse Percy dando um sorriso cínico.- Suponho que você também não.

- Enganou-se.- disse Carlinhos sorrindo se levantando.- Recebi um recado e vamos ter ainda a presença de uma pessoa que na verdade tinha sido convidada a fazer parte deste Juri.- disse indicando a arquibancada da comissão.- Mas que não poderia vir por estar viajando. Mas por sorte ele chegou a tempo.


****


- Que bom que você está bem, querido!- disse a Sra. Weasley abraçando Gui no momento em que Snape entrou.

- Como foi, Severo?- perguntou Molly.

- Eu disse a vocês que haveriam comensais lá!- disse Snape ignorando Rony e Harry ali.- É a sua vez Gui.


****


- Peço que entre o meu ilustre irmão.- disse Carlinhos.- Guilhermino Arthur Weasley, bruxo supremo de Gringotes.

A porta se abriu e por ela entrou Gui. Para quem conhecia o rapaz em seu dia a dia ele estava praticamente irreconhecível. Tinha o cabelo preso em um caprichoso rabo de cavalo. As vestes pareciam ter acabado de sair da loja e ele usava uma elegante capa púrpura. Hermione não pode deixar de reparar no distintivo com o brasão de Gringotes.

- Posso saber O QUÊ Gui testemunhou?- perguntou Percy se levantando também. Hermione viu, antes de tomar outro frasco, que Dumbledore sorria e que Tonks tinha um brilho fascinado no olhar.

- Testemunha de que Pedro Pettigrew está realmente vivo.- disse Gui.

- Você o viu?- perguntou Percy parecendo entupido.

- Eu o vi há quinze dias, Percivaldo.- disse Gui.

Houve uma inquietação na masmorra.

- Impossível!- disse um dos aurores um homem muito louro de olhos azuis.- Pelo que sei o Sr. Weasley estava a serviço de Gringotes nas Américas quinze dias atrás.- completou o auror.

- E quem disse que eu o vi aqui, na Inglaterra?- perguntou Gui.- Estive viajando por toda a América, caro Aboutt! Mas a escola na Amazônia era como o meu ponto de parada! E eu estava ali tomando um delicioso suco de uma fruta local certa manhã quando o Guardião da escola me informou que havia visto dois homens suspeitos por ali. E eis quem eu encontro?! Pedro Pettigrew com uma horrenda mão metálica e um jovem chamado Valdemir Goyle.

- E o que aconteceu com eles?- perguntou Percy.

- Fugiram oras!- disse Gui.- Assim que notaram a nossa presença.

Houve outro imenso burburinho. Hermione viu que Gui olhava na direção delas mas nem se preocupou, sua cabeça estava cheia. Como eles deixavam que o pai de um possível comensal ficasse ali como toda aquela tranqüilidade?

- Bom, ilustríssimo Sr. Guilhermino. Creio que se o seu "depoimento" estiver encerrado devemos fechar essas seção para que o conselho se reúna, agora completo com vossa presença, e decida o que será feito do primeiro caso.- disse Percy.

Dumbledore se levantou.

- Se nenhum dos lados tem mais testemunhas ou declaração essa seção está encerrada.- disse ele.

E novamente as portas se abriram e os bruxos começaram a sair.

- E agora?- perguntou Hermione.

- O conselho irá se reunir e em duas horas haverá outra seção para tornarem "pública" a decisão.- disse Isabel.

- Hermione, você ficou louca?- perguntou Carlinhos que vinha subindo as arquibancadas em direção a elas.

- Como sabe que sou eu?- perguntou a garota.

- Dumbledore acabou de me informar.- disse ele.- E você, Isabel, mamãe vai ficar irada. Onde está Gina?

- Com seu pai.- disse Isabel sorrindo.

- Tsc tsc. Andem, irão todos para casa.- disse Carlinhos.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:41

18° Capitulo - Peças que se encaixam

Em meia hora estavam reunidos no átrio. Ao contrário do que as garotas esperavam, Carlinhos não contou nada à Sra. Weasley. E esta parecia extremamente feliz com a volta do filho mais velho. Eram quase cinco da tarde quando eles chegaram na Ordem.

Harry parecia aéreo. Rony logo tentou animá-lo convidando-o para uma partida de xadrez bruxo. Hermione disse que queria ler o profeta diário do dia e seguiu para o escritório da casa. Isabel e Gina foram atrás.

- Mas o que mais aconteceu na audiência?- perguntou Gina.

Isabel então contou sobre o aperto que Snape passou.

- Na reunião que houve antes de vocês chegarem foi combinado que Snape seria intimidado, pois é claro, eles esperavam a presença de comensais, mas acho que passamos um pouco dos limites.- disse ela finalmente.

- Você participa das reuniões?- perguntou Hermione.- Não disseram que você é jovem demais?

- Eu sou um membro da Ordem. Foi por isso que voltei à Europa, ou não teria sequer pensado na possibilidade.- disse Isabel com um pouco de secura.

O assunto imediatamente morreu pois segundos depois a campainha tocou. As garotas desceram. Era Mundungo.

- Vocês já chegaram?- perguntou Isabel ao vê-lo.

- Parece que sim.- respondeu Mundungo rindo.

- Todos?- perguntou Isabel.

- Sim.- disse Mundungo, Hermione não pode deixar de reparar no olhar de censura que a Sra. Weasley lançou a Isabel pela pergunta.

Pouco tempo depois a campainha tocou novamente. Lupin, Tonks, Quim, Moody e Carlinhos estavam de volta. Vinham felizes.

- Ele agora é inocente, mamãe!- disse Carlinhos sorrindo.

Hermione não viu bem o que aconteceu, mas algum tempo depois Harry saiu veloz da cozinha. Ela, como já de costume, foi atrás.

- O que foi, Harry?- perguntou quando eles alcançaram o quarto dos garotos.- Você não ficou feliz com a notícia?

- Pra quê eu iria ficar feliz, Mione?- perguntou Harry se jogando em sua cama com violência. Queria morrer também, quem sabe assim poderia encontrar Sirius e contar a ele que ele não é mais um criminoso.- Ele está morto! De que vai adiantar ele estar inocente ou não?

Hermione não disse nada. Ficou apelas observando Harry, ele tinha uma ponta de razão. Não conseguiu encontrar argumentos. Assentou-se na cama de Rony.

- E aquela garota?!- disse Harry.

- Quem, Isabel?- perguntou Hermione.

- É! Não consigo olhar para ela sem ver Belatriz Lestrange! Como eles puderam trazer a filha de uma assassina para cá?- perguntou Harry.

- Eu também fiquei cismada com ela no começo, mas ela não é má pessoa, Harry!- disse Hermione.

Harry deu ombros.

- Havia comensais lá.- disse Harry.

- Sim, havia! Eu os vi.- disse ela.- E eles permaneceram lá mesmo depois de Gui contar que o filho mais velho de Goyle era um comensal também.

- Como você sabe?- perguntou Harry virando o rosto pra ela.

- Eu entrei lá, depois do almoço. Isabel me ajudou.- disse Hermione.

- Estive pensando, a essas horas Voldemort já sabe que você sobreviveu.- disse Harry parecendo preocupado.

- Provavelmente ele já sabia antes, se Malfoy não contou, provavelmente fui vista em Hogsmead.- disse Hermione.

- Eu tenho tanto medo de que algo de ruim lhe aconteça.- disse Harry levantando e se assentando ao lado dela.

- Não seja tolo, Harry.- disse Hermione.

- Tenho tanto medo de que você morra.- disse Harry.- Você devia ter medo de morrer também, sendo namorada de quem é. Sendo a pessoa que Harry Potter mais ama e admira.

- Eu não temo a morte, Harry.- disse Hermione.

- Sirius também não temia.- disse Harry.- Meu pai não temia, minha mãe, também não.

- E você?- perguntou Hermione.

- Eu não sei.- disse Harry.- Às vezes eu temo, mas não pelo fato de EU estar morrendo, e sim por aquela profecia. Se eu morrer, o mundo nunca mais terá paz.

- Pois então pare de se preocupar com a morte de outras pessoas e se preocupe em manter sua vida!- disse Hermione dando um sorriso materno à Harry. Harry respondeu com discreto sorriso também e em seguida abraçou Hermione. Eles ficaram ali abraçados por um longo tempo. E então Hermione empurrou Harry para que pudesse olha-lo nos olhos.

- Você me promete uma coisa?- perguntou ela.

- O que?- perguntou Harry.

- Se eu morrer, quero dizer, o dia em que eu morrer...- começou ela.- Você não vai deixar que isso atrapalhe a sua vida.

- O que você está querendo dizer?- perguntou Harry.

- Se eu morrer antes de realizarmos todos aqueles nossos planos, reconstrua sua vida.- disse ela.

- Porque está dizendo isso?- perguntou Harry,

- Não sei.- disse Hermione.- Só quero que você prometa.

- Eu prometo.- disse Harry.- Mas você não vai morrer tão cedo! Pessoas como você não podem morrer cedo.

- É!- disse Hermione e inexplicavelmente o rosto de Tonks falando lhe veio à cabeça: "Lílian era uma pessoa fantástica, eu era muito nova quando tive a oportunidade de conhecê-la mas posso lhe garantir que ela era genial! Queria que tivesse uma espécie de lei que proibisse a morte de pessoas tão promissoras quanto ela. É um desperdício matar gente assim." Em seguida o rosto de Tonks se transformou no da Profª. Minerva: "Qualquer um que conhecesse Lílian Potter a confundiria com ela. Do jeito de pensar! De agir!". Hermione sacudiu a cabeça. Você está imaginando coisas. Disse a si mesma.

- O que foi?- perguntou Harry.

- Nada.- respondeu Hermione.

- Sabe, eu tenho medo quando você fica desse jeito.- disse Harry.

- Porque?- perguntou Hermione tentando tirar os comentários sobre Lílian Potter da cabeça.

- Não sei.- disse Harry.- Tenho medo.- e então inesperadamente ele deu um sorriso brejeiro.- Porque não me faz esquecer os meus medos?

- Como?- perguntou Hermione aérea.

- Você é tão inteligente.- disse Harry.- Deveria notar que eu estou lhe pedindo um beijo.

Hermione sorriu. Estava vermelha.

- Ah!- fez ela.- Não seria muito agradável o Rony ou alguém entrar no quarto e nos pegar aos amassos.

- É.- concordou Harry.- Deixe eu pensar.- completou.

Hermione ouviu passos no corredor.

- Última noite das férias no quarto do Bicuço.- disse Harry.

- Ok.- disse Hermione.- Vou descer agora.

O restante das férias de natal seguiu monótonamente. Não foram nada parecidos com o do ano anterior. Mas não se podia comparar muito, pois dessa vez Sirius não estava junto deles. Hermione estava sempre lendo um dos livros que ganhara no natal. Harry não pode deixar de reparar que ela parecia preocupada desde a noite de Audiência. Rony estava animadíssimo com a nova vassoura. E no penúltimo dia das férias ele e Harry deram uma passada na loja dos gêmeos. E então a última noite das férias chegou.

- Já arrumaram todas as coisas?- perguntou a Sra. Weasley durante o jantar.

- Sim.- disse Hermione, sentia-se nervosa desde que acordara naquele mesmo dia.

- Então acho que vocês devem ir pra cama cedo.- disse a Sra. Weasley.

- É.- concordou Rony.- Vamos Harry?

- Vamos.- disse Harry se levantando e lançando um olhar discreto para Hermione. Algum tempo depois ela e Gina subiram também.


Harry abriu com cuidado a porta do quarto que antigamente pertencera à mãe de Sirius. Bicuço estava adormecido a um canto do imenso quarto. Do lado oposto havia uma velha cama de colunas. Harry se assentou nela. Seu coração estava disparado. Cinco minutos depois a porta se abriu e ele viu o vulto da namorada entrar no quarto e caminhar parando diante dele.

Ela vestia seu robe cor de rosa, o mesmo que usara certa vez que os dois se encontraram por acaso no quarto que pertencera a Sirius.

- Lumus!- disse Harry para ver a garota melhor. Ela permanecia imóvel. Os braços estendidos para baixo. Seus cabelos estavam totalmente soltos, o rosto quase ilegível e aqueles olhos castanhos estavam mais penetrantes do que nunca agora.

Os olhos da garota o fitavam. Harry procurou adiantar o encontro dos dois. Já tinha visto, um dia, no fundo daqueles olhos algo maternal, amor. Já tinha visto segurança, ódio, raiva, pena, angustia e um muito pouco de medo. Já tinha visto até certa crueldade que às vezes se misturava com paixão, ou não. Mas nunca tinha visto tudo junto, como via agora. Pareciam duas janelas abertas. Abertas para ele. E havia uma chama lá dentro. Algo que era ao mesmo tempo confortável e frio, e cruel. Algo que era um misto de tudo que se pode sentir de bom e o seu contrário também.

Harry se levantou da cama. Os olhos dos dois agora estavam praticamente na mesma altura. Ele sentiu um frio no baixo ventre como sentira na primeira vez que vira Cho, em um jogo de quadribol no terceiro ano. Só que dessa vez era mais forte. Talvez fosse porque era Hermione e não Cho. Porque Hermione era tudo de bom que Cho podia ser, e tudo o que não podia também. Porque não era outro cara qualquer, era ele. Porque ele a amava. E porque ela era só sua.

Ele deu dois passos em frente. Hermione continuava impassível. Harry tremia um pouco. Sua respiração foi ficando acelerada. Ele não sabia bem o que fazer. Será que ela sabia?

- E então?- disse ele com a voz fraca e sem jeito. Eles ainda se olhavam nos olhos mas no segundo seguinte Hermione puxou Harry pela nuca e os dois se beijaram ardentemente.


****


Gina acordou assustada ao ouvir um barulho de algo que se choca contra a janela. Assentou-se na cama e viu que Hermione não ocupava a dela. Apanhou o relógio de pulso sobre a mesinha de cabeceira. Era quase uma da madrugada. Virou-se para a janela. Uma coruja parda estava parada sobre o peitoral no lado de fora.

Gina se levantou, abriu a janela e recolheu a coruja para dentro do quarto. Trazia um envelope grosso. Gina a apanhou e abriu.


Querida Gina,


Era a letra de Draco.

- Seu louco!- disse Gina baixinho.


Sei que é loucura lhe escrever enquanto estamos fora de Hogwarts. Alguém daqui poderia interceptar a carta, assim como alguém daí, mas o risco vale a pena.

Não tenho feito outra coisa durante essas férias a não ser pensar em você. Faço isso a todo momento. Tenho andado distraído, avoado e é para tentar aliviar isso que estou lhe escrevendo.

Primeiro devo lhe desejar um feliz natal! E o restante que tenho para lhe dizer é simples e sei que você entenderá ao ver o cartão que segue neste envelope.

Mil beijos e abraços

Com carinho,

Do seu Draco


Gina apanhou o cartão que estava dentro do envelope. Era de um pergaminho em tom esverdeado. Ela o abriu havia uma foto de Draco trajando vestes muito elegantes.


Gina,

Esta fotografia é do cara que mais te ama neste mundo. Haja o que houver nunca se esqueça dele.

Beijos.


Gina abraçou a carta e ficou assim por algum tempo até que ao ver a cama de Hermione novamente, vazia, se perguntou onde a amiga estaria a essa hora.


****


Hermione, de pé, ao lado da cama vestiu o robe por cima da camisola amarrotada.

- Acho melhor eu voltar para minha cama.- disse ela.

- Já?- perguntou Harry que ainda estava deitado na velha cama da Sra. Black.

- Temos de acordar cedo amanhã.- disse Hermione.- E não vai ser nada agradável se alguém perceber alguma coisa.

- Você já experimentou tirar um pouco os pés do chão?- perguntou Harry ainda deitado.

- Mais do que experimentei esta noite?- perguntou Hermione sorrindo.

Harry sorriu e se assentou na cama. Vestiu a blusa do pijama e se levantou.

- Boa noite, meu bem.- disse Hermione antes de passar o braço em torno do pescoço do namorado e dar-lhe um demorado beijo.

Harry a observou deixar o quarto, esperou algum tempo e partiu também. Rony continuava adormecido.


****


- Onde você estava?- perguntou Gina quando Hermione entrou no quarto. Ela estava incrivelmente ruborizada.

- Fui ao banheiro.- disse ela.

- Nossa.- disse Gina fingindo estar distraída.- Tem uma hora que eu estou acordada. Você não estava aqui quando eu acordei.

Ela viu Hermione corar ainda mais se é que isso era possível.

Hermione deitou e se cobriu. Contaria para Gina sobre a noite que tivera. Algum dia contaria, mas não agora.

- Acho que devemos dormir.- cortou Hermione.- Boa noite, amiga.- disse antes de se virar.

Gina apagou a luz alguns minutos depois. Hermione ficou ali, quieta. Demorou um bom tempo para adormecer. Amava Harry, ah! Como amava.

E então o dia do retorno chegou, uma Quarta feira com aparência branca, talvez por causa da neve. Os quatro garotos, como no ano anterior, seguiram de Noitebus. Dessa vez, Tonks, Lupin e Isabel os acompanharam. Hermione já estava se acostumando àquelas viagens e não achou nada de estranho até o momento em que eles desceram do Noitebus. Bom, talvez ela não tivesse se sentido incomodada por que tinha a cabeça ainda na noite anterior mas isso não vinha ao caso naquele momento.

- Hermione!- chamou Tonks e quando Hermione se aproximou ela abraçou a garota.- Se quiser ter as respostas que há muito procura esteja na casa dos gritos daqui a dois dias às cinco e meia da tarde. Até a vista!- e dizendo isso ela soltou Hermione e foi se despedir de Gina.

Hermione ficou paralisada por um momento. Mas então começou a arrastar o malão pela estradinha que levava à Hogwarts junto dos outros. Logo Tonks e Isabel sumiram de vista. As palavras de Tonks ecoavam infinitamente nos ouvidos de Hermione. Havia neve em seu cabelo e ela observava as árvores brancas de neve com a sensação de que aquela era a última vez que ela viria aquilo. Aquela estrada.


Os garotos foram dormir cedo naquele dia, cansados por causa da viagem. O salão comunal ainda estava vazio. No dia seguinte as aulas recomeçaram com força total e a Escola estava novamente cheia. Harry encontrou Gina e Hermione já no café. Ele vinha com Rony.

- Pelo que vi Cho recomeçou a chorar.- disse Gina.- Será porque? Acabamos de chegar do natal, deveríamos estar felizes!

- A Cho é louca! Não é possível entendê-la.- disse Rony.

- Ela é garota, e garotas são complicadas assim mesmo.- disse Hermione que estava escondida por trás do profeta diário.- A propósito, Pedro Pettigrew foi morto.

Harry deixou a torrada a caminho da boca cair. Rony engasgou com o suco que bebia.

- Rabicho o que?- perguntou Gina.

- Ele e um tal de Valdemir Goyle foram encontrados mortos naquela cabine que leva ao Ministério. Suspeita-se que eles não foram mortos ali, pois eles já estavam mortos há pelo menos uma semana.- disse Hermione.

Rony fez uma cara de nojo.

- Aqui diz que não se sabe bem a causa da morte, mas que eles tem a certeza de que não foi Magia Negra. E que quando foram revistar os corpos descobriram que ambos tinham a marca negra gravada no braço direito, o que indica que eles eram comensais.- disse Hermione.

- Caraca!- fez Rony. Harry por sua vez estava paralisado, não conseguia emitir som algum. Como assim? Rabicho estava morto?!

- Mas vamos andando.- disse Hermione se levantando enquanto dobrava o jornal.- Temos aula de Transfiguração daqui a pouco.

- Eu tenho Herbologia.- disse Gina se levantando também.- Vejo vocês mais tarde.

Depois que Rony engoliu uma torrada rapidamente os três se dirigiram para a sala de Transfiguração. Só quando eles entraram na sala foi que Harry pode pronunciar alguma coisa.

- Como Rabicho pode ter sido morto? Vocês acham que pode ter sido coisa de gente da Ordem?- perguntou ele enquanto eles se assentavam. Mas antes que pudessem responder a Profª. Minerva entrou na sala. Parecia apressada. Ela já não precisava mais da bengala.

- Bom dia.- disse ela.- Como anunciei antes das férias nós vamos começar a estudar o ramo da transfiguração que para muitos é um dos mais fascinantes! Só existem duas maneiras seguras de você se transfigurar em uma outra pessoa, alguém pode me responder quais são?

O braço de Hermione subiu mais rápido que um foguete.

- Diga Srta. Granger.

As duas formas são através da poção Polissuco ou se a pessoa tiver o Dom da Metamorfose.- disse Hermione.

- Muito bem.- disse Minerva.- Dois pontos para a Grifinória.- Nós vamos começar pelo Dom da Metamorfose. É o que se pode chamar de um Dom raro. Existem atualmente apenas três Bruxas que possuem este Dom que nunca foi muito estudado exatamente pelo fato de ser raro. Uma das poucas certezas que se tem é de que este Dom vem da família Nigellus. O único bruxo do século passado a possuir este Dom foi o Fineus Nigellus, ex. diretor de Hogwarts. Não houve mais casos de pessoas com o Dom por duas, três gerações até que uma de suas tataranetas nasceu com o Dom.

Harry achava saber sobre quem ela estava falando. Mas não tinha certeza.

- Andrômeda Black, que mais tarde se tornou Andrômeda Tonks apresentou os sinais de um bruxo Metamorfo desde os primeiros meses de idade. Alguém sabe alguns desses sinais?

- Saber imitar vozes muito bem e aprender a falar muito antes do normal.- disse Hermione.

- Muito bom.- disse Minerva.- Um bruxo metamorfo começa a falar aos seis meses e é geralmente assim que se identifica o Dom.

Simas levantou a mão.

- Diga Sr. Finnigan.- disse Minerva.

- E quem são as outras duas?- perguntou o garoto louro.

- Uma jovem aurora chamada Ninfadora Tonks, filha de Andrômeda e uma outra garota sobre a qual pouco se sabe chamada Isabel Black.- disse Minerva.- Mas o Dom da metamorfose não consiste em simplesmente conseguir transfigurar o próprio rosto, ou partes dele, em rostos de outras pessoas. Um bruxo metamorfo além de possuir o Dom de imitar a voz ou o som de qualquer outro ser é um Legilimente natural. Ou seja, é capaz de ler a mente de uma pessoa antes mesmo de ter idade para ir para a escola o que pode se transformar em algo extremamente perigoso. Por isso esse tipo de bruxo costuma entrar para escola aos dez anos de idade. Um bruxo metamorfo é também um excelente pseudografico. Mas falemos agora da outra forma de se transfigurar em outra pessoa que é através da poção polissuco...


- Hm. Ok! Acabamos de descobrir que Tonks poderia ler a mente de qualquer um de nós quando quisesse e ainda temos aula dupla de poção a seguir.- disse Rony no caminho para as masmorras.

A aula de Snape foi tão chata quanto se é possível ser. Snape estava mais rápido do que nunca com a matéria e Hermione não pode deixar de reparar que ele estava bem mais pálido e magro do que a última vez em que ela o viu.

Logo eles estavam trabalhando no preparo da poção polissuco que só ficaria pronta dali a um mês. À tarde Rony e Harry seguiram para a aula de Adivinhação enquanto Hermione foi para aula de Runas. Depois eles se encontraram para a aula de feitiços na qual aprenderam feitiço para laçar coisas para longe, no fim eles praticaram com bolas de borracha usando a palavra repellere.


****


- Gina!- Gina se virou, era Draco que estava atrás de uma das estufas. Ele fez sinal para que ela fosse até ali, quando ela se aproximou ele a abraçou.

- Aconteceu alguma coisa?- perguntou Gina. O garoto estava estranho, mais pálido do que nunca e parecia aflito.

- Não!- disse Draco.- Escuta, queria que você se encontrasse comigo amanhã às cinco e meia nesse mesmo lugar!

- Não sei se posso!- disse Gina dando as costas ao garoto e olhando se não vinha vindo ninguém.

- Por favor, Gina. É importante.- disse Draco. Gina ia responder que era melhor não arriscar, mas então sentiu como se algo gelado tivesse batido em suas costas, ela se virou rapidamente.

- Sim, eu virei.- disse ela. Não sabia porque estava dizendo isso, mas era como se ela não pudesse controlar suas vontades.

- Ok, então.- disse Draco, ele estava sério e aparentemente angustiado.- Agora volte para suas aulas e aja normalmente.

Gina obedeceu e saiu marchando em direção ao castelo.


****


- Marquei um treino para amanhã às cinco, Rony.- disse Harry quando se reuniu aos outros no jantar.

- Vocês são animados.- disse Hermione.- treinar neste frio.

- Não posso treinar amanhã.- disse Gina. Hermione olhou para ela. Estava estranha. Sua voz parecia artificial e seus olhos estavam perdidos no nada.

- Você está bem?- perguntou Hermione.

- Sim.- respondeu Gina se levantando.- Estou agindo normalmente, vou ir estudar.

E dizendo isso saiu.

- Aposto que ela irá se encontrar com aquele traste!- disse Rony serrando os punhos.

- Vai ver são os N.O.N.s.- disse Harry.

- Bom, vamos indo também? Acho que temos alguns deveres para fazer.- disse Hermione.


- Vou buscar o livro de adivinhação.- disse Harry.

- Rony.- disse Hermione baixinho assim que Harry saiu.- Eu combinei com todos da AD para irem até o campo de quadribol amanhã às seis e meia.

- Para que?- perguntou Rony.- Harry já disse que não quer voltar com isso.

- Acho que se todos nós insistirmos ele vai topar.- disse Hermione.- Mas não conte nada a ele.

- Você não chamou aquela Marieta ou chamou?- perguntou Rony.

- Não chamei, o Harry está voltando.- disse Hermione.

- Bem, o dever de Adivinhação é sobre premonições.- disse Harry.- "Como prever desastres com simples coincidências do dia- a- dia" é o nome do capítulo.

- O meu dever sobre Runas parece muito mais interessante.- disse Hermione que tinha um pergaminho mais largo do que o normal sob a mesa e uma pena diferente que parecia ter uma ponta de metal.

- O que podemos escrever aqui?- perguntou Rony.

- Que tal: Eu sonhei que estava engasgando com um bacon e amanhã não comerei bacon pois poderei morrer engasgado.- disse Harry.

Rony riu.

- Excelente.- disse Rony.- Ela pediu três exemplos, que tal: Hoje pela manhã eu derrubei a minha miniatura do Vítor Krum do criado e a cabeça dele se partiu, isso quer dizer que ele irá morrer.

- Rony!- fez Hermione que no impulso de se virar para os garotos acabou furando o dedo com a pena. Uma gota de sangue se aventurou para fora e pingou no pergaminho manchando-o.

- Hum. Que tal: Vi uma gota de sangue de Hermione se espalhar pelo pergaminho branco o que quer dizer que o sangue de Hermione será derramado sobre aquela maldita neve que irá atrapalhar nosso treino de amanhã.- disse Rony.

Harry riu.

- Boa, e essa: Marco Evans acabou de deixar cair um porta-retrato com uma fotografia de sua família que se espatifou no chão, logo toda sua família morrerá.- disse Harry.

- Acho que se você disser morrerá tragicamente ficaria melhor.- disse Rony.

- Não sei para quê vocês continuam nesse curso de adivinhação!- disse Hermione enquanto tentava limpar o pedaço do pergaminho tingido de vermelho.

- Pelo menos não precisamos nos concentrar tanto quanto você para fazer o dever.- disse Rony.

Já passavam das onze horas quando os três foram dormir. Hermione não viu Gina e quando passou em seu dormitório a garota já estava adormecida. Ela não tardou a dormir também. Teve um sonho esquisito. Ela via centauros que vinham velozes atirando flechas e ela via uma dessas atingir Hagrid e então via Umbridge que soltava uma gargalhada maldosa. A neve não parava de cair e ela via um gato, Gina vir veloz pelo gramado branco de tanta neve. Hermione viu Malfoy por ali também e então ela colidiu com uma árvore, seu ombro parecia ferido, ela podia sentir o gosto de sangue em sua garganta.

- Hermione?!

Ela abriu os olhos, Lilá e Parvati estavam ao lado de sua cama.

- O que?- perguntou ela se levantando.

- Acho que você teve um pesadelo.- disse Parvati.

- É eu tive!- disse Hermione.- Mas estou bem, não se preocupem.

- Bom, se está mesmo bem, vamos dormir. Ainda não devem ser cinco da manhã.- disse Lilá. Hermione, porém, não conseguiu voltar a dormir. Era estranho mas ela ainda podia sentir aquele gosto horrível em sua garganta.

Resolveu se levantar. Logo estava pronta para o novo dia. Quando saía do dormitório lembrou-se do que Tonks dissera. Alguma coisa dentro de Hermione dizia que ela devia ir, talvez devesse contar a Harry que ela iria à casa dos Gritos, para o caso de qualquer problema.

- Harry!- O garoto abriu os olhos e colocou os óculos. Era Hermione.

- Que horas são?- perguntou ele.

- Pouco menos de cinco horas.- disse ela se assentando à janela do quarto dele. O dia vinha nascendo lentamente. Ela podia ver a imensidão branca lá fora. A chaminé de Hagrid soltava uma fumaça cinza. Hermione o viu abrindo caminho na neve.

- Já de pé?- perguntou Harry se levantando.

- Sim. Não tive uma noite de sono tranqüilo.- disse Hermione. Queria falar com Harry que iria à Casa dos Gritos, mas alguma coisa estava lhe impedindo.
Acabou inventando uma desculpa qualquer e descendo para o café. O dia seguiu quase normal.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:43

19° Capitulo - Quem é vivo sempre aparece

Gina não deu muito as caras naquele dia e eram cinco da tarde quando Hermione assistiu Harry, Rony, Simas e Neville rumarem para o campo de quadribol. Ela esperou algum tempo e depois, ainda com a mochila nas costas rumou para o salgueiro lutador. Com a ajuda de um galho ela imobilizou a árvore e logo estava chegando na casa dos Gritos. A varinha em punho. Ela subiu as escadas e foi até o quarto onde três anos atrás ela, Harry e Rony souberam a verdade sobre Sirius. Deixou a mochila sobre a cama e caminhou até a janela, por uma fresta entre as tábuas podia-se ver uma Hogsmead calma. Ela acabou se distraindo com a visão e quando voltou a si foi o tempo de se virar e apontar a varinha para um rapazola que se aproximava.

- Calma aí!- disse o garoto que não devia ter mais que dezesseis anos.

Hermione prendeu a respiração, quem era ele? Mantinha a varinha apontada para o peito do garoto.

- Nenhum movimento!- disse ela.

- Ok!- respondeu ele.

- Quem é você?- perguntou Hermione.

- Não está me reconhecendo?- perguntou o garoto dando um sorriso. Não! Ela não estava. Nunca tinha visto aquele rapazola em sua vida. Estava certo que ele tinha alguns traços da família Black. Os cabelos muito negros caídos nos olhos, o rosto bonito. Mas será possível que aquele era mais um bastardo?

- Não! Não estou!- disse Hermione apertando a varinha.

- Oras Hermione!- disse ele desviando de repente da varinha.

- EU DISSE PRA FICAR QUIETO!- gritou Hermione que não sabia o que fazer. É, devia ter avisado Harry.

O garoto tirou uma varinha do bolso de traz da calça larga e jogou-a aos pés de Hermione.

- Não quero machucá-la.- disse ele.

- Como sabe o meu nome?- perguntou Hermione.

- E você realmente acha que eu esqueceria o nome da namorada do meu afilhado?- disse o rapazola. Hermione gelou. Não podia acreditar no que estava concluindo. Não, dessa vez estava enganada. Não podia ser.

Ela franziu a sobrancelha, reparou nas roupas largas do garoto.

- Me poupe Hermione!- disse o rapaz se levantando novamente.- Sei que você foi a única que desconfiou que eu estivesse vivo.

Hermione tinha um enorme nó na garganta.

- Isabel está chegando, creio que ela irá lhe explicar tudo!- disse o rapazola.

- Você não pode ser Sirius Black!- disse Hermione com veemência.

- É ele sim, Hermione!- disse uma voz. Hermione se virou. Isabel estava parada à porta.- Sente-se.- disse ela indicando uma poltrona esfarrapada.

Hermione não queria muito, mas acabou se assentando por ali.


****


Draco beijou Gina. A garota correspondeu, estava se sentindo estranha. Era como se não quisesse fazer aquilo e estivesse sendo forçada. A boca de Draco estava diferente, fria e seca.

- Você sequer perguntou como foi o meu natal, Gina!- disse ele assim que se afastou dela.- Você nem quis saber, não é mesmo? Não quis saber das coisas horrendas que aconteceram comigo.

Gina queria falar, justificar, mas não conseguiu.

- Você não sabe o que aconteceu comigo, E POR SUA CULPA!- disse Draco. Ele parecia nervoso.- Veja! Veja você mesma!- ele tirou um braço da jaqueta que vestia e levantou a manga da blusa. E então Gina entendeu porque não conseguia agir como queria. Estava ali, muito nítida uma caveira com uma serpente saindo da boca, era a marca negra.- Agora eu sou um comensal, Gina! E eu não queria! Eu não queria ser um comensal! Eles me obrigaram, e agora se eu não fizer o que eles mandam eu morrerei. Por isso fui obrigado a jogar essa maldita maldição em você!

Gina lutava com todas as suas forças para conseguir mexer a boca e pronunciar alguma palavra, mas isso parecia muito além do seu poder.


****


- Acho melhor você começar a contar, Tio.- disse Isabel.- A poção da juventude acaba em sete minutos.

- Tudo aconteceu mais ou menos como você imaginou, Hermione.- disse Sirius.

- Tudo, o que?- perguntou Hermione que ainda não conseguia acreditar.

- Tonks não foi a única a ler sua mente como você achava.- disse Isabel.

- Do que você está falando?- perguntou Hermione.

- Eu também vasculhei os seus pensamentos, durante a audiência, principalmente. Tonks me deu permissão!- disse Isabel.

- Permissão?- perguntou Hermione indignada.- Eu não sabia de nada! Quer dizer, eu desconfiava! Mas não tinha certeza! E por isso ficava buscando informações!

Ela estava de pé.

- Eu estive triste pela morte de Sirius durante um período, principalmente por Harry ficar do jeito que ficou! Mas então eu acabei desconfiando que talvez Sirius não tivesse morrido. Eu achei que fingir a morte dele tornaria tudo mais fácil para a Ordem. Os aurores iriam parar de se preocupar com Sirius e iriam acabar acreditando que Voldemort voltou, pra começar, mas daí até ter a certeza de que ele estava vivo!- Ela se assentou novamente.- Eu não acredito que você é Sirius, ainda, moleque! Sirius não faria Harry sofrer tanto e atoa!- Mas quando Hermione olhou para o garoto novamente seus olhos se arregalaram. Era algo como quando a pessoa toma a poção polissuco e começa a voltar ao normal. Mas o rosto do garoto não estava mudando totalmente. Era como se a cada três segundos ele envelhecesse um ano. Até que finalmente Hermione pode acreditar no que ela temera ser verdade. Sirius estava vivo!

- Acredita agora sobre quem eu sou?- perguntou ele, sua voz estava grossa.

- Como?- perguntou Hermione.

- Você estava certa sobre o quanto seria útil se eu simplesmente morresse!- disse ele.- Eu estava sendo um inútil para a Ordem, você mesma deve ter ouvido sobre isso. E quando Gui e Tonks apresentaram o plano deles para mim eu não quis aceitar a princípio, só que então Snape chegou contando o que na época eu achei ser um monte de bobagens, era o plano de Voldemort para atrair Harry até o ministério, para o garoto apanhar a profecia. E então nós articulamos tudo para chegar lá na hora exata, salvar a pele de vocês e simular a minha morte na presença de comensais. Gui tinha nos explicado o que exatamente era aquele véu e onde, provavelmente, ele daria se uma pessoa viva o atravessasse.

- Na Amazônia.- disse Isabel.

- E então nós planejamos tudo.- disse Sirius.- Desde o ponto em que eu daria uma trégua para o Monstro correr para minha odiada prima Belatriz e contar o que restara em sua memória, pois nós tínhamos apagado boa parte dela, até a chuva de meteoros que seria a desculpa que levaria membros da Ordem à Amazônia.

- Foram vocês?- perguntou Hermione.

- Sim! Aliás, nós não, foi Dédalo Diggle.- disse Sirius.- Só que não pense que o plano deu totalmente certo! Esperávamos que Harry saísse da câmara levando a profecia a salvo e só então eu atravessaria o véu. E quando estivessem todos a salvo Dumbledore lhe contaria que eu estava morto. Mas havia mais comensais do que esperávamos e eles acabaram atrasando a saída de Harry da câmara e provocando a quebra da profecia. Partimos então para o plano B. Tonks poderia se transformar em qualquer um dos bruxos que estavam ali, e fingir assim ser um comensal que me atacaria me jogando através do véu.

- E foi isso que fizeram?- perguntou Hermione.- Tonks se transformou em Belatriz?

- Não! Belatriz logo viu o que pretendíamos, e apesar dela não ter muita certeza de que eu sobreviveria ou não se atravessasse aquele véu seria, mais lucrativo para Voldemort que eu continuasse vivo e com os aurores no meu encalço.- disse Sirius.- Ela então lançou um feitiço simples em Tonks que fez com que ela torcesse o pé e caísse impedindo-a assim de ficar em pé e simular o duelo comigo. Mas Tonks é uma bruxa magnífica e não deixou que o plano se perdesse. Ela arriscou a própria vida entrando no corpo de Belatriz.

- Tonks possuiu Belatriz?- perguntou Hermione.- Como, como Voldemort possuiu Harry mais tarde?

- Sim.- disse Sirius.

- Mas era preciso uma ligação entre as duas para fazer isso!- disse Hermione.

- Talvez.- disse Sirius.- As duas tem o mesmo sangue, o que é uma grande ligação. E Tonks é uma bruxa metamorfa, Hermione, ela é muito mais poderosa do que você possa imaginar.

Hermione não falou mais nada.

- E então, quando Dumbledore chegou, eu chamei a atenção de todos para nós. Mas por um momento eu quase coloquei tudo a perder. Eu realmente não queria fazer aquilo e por isso eu desviei do feitiço estuporante que Tonks lançou usando o corpo de Belatriz. E então ela lançou um segundo feitiço, o que me atingiu segundos antes de Belatriz conseguir expulsar Tonks soltando um grito que eu ainda pude ouvir antes de atravessar o véu por completo.- continuou Sirius.

O quarto na casa dos gritos mergulhou em profundo silêncio. As coisas agora começavam a se encaixar na cabeça de Hermione como se ela tivesse descoberto uma peça no lugar errado de um quebra cabeça e depois de concertá-la ela encontrasse imensa facilidade em fazer o resto.


****


Gina concentrou todas as forças que possuía e que não possuía. E quando Draco tocou seu rosto ela conseguiu lançar um de suas mãos no pescoço do garoto. Os dois caíram no chão. Gina ainda por cima de Draco apertando sem piedade o seu pescoço e lutando para continuar resistindo à Maldição Imperius que o garoto havia lançado sobre ela no dia anterior.

- Ti- ra es- se fei- ti- ço De mim!- Disse Gina com imensa dificuldade e então ela sentiu sua vista escurecer e caiu para o lado. Quis abrir os olhos e conseguiu. A maldição tinha sido finalizada. Draco encostado na parede da estufa arquejava.

- Como você teve coragem, me diga!?- disse ela sacando a varinha e apontando para ele.

- Me perdoe Gina!- disse ele em tom de choro.- Eu não queria fazer isso, eu realmente não queria, mas foi culpa sua! Foi culpa sua...

- CULPA MINHA?- gritou Gina.

- Sirius Black está vivo, Gina!- disse Draco.- E ele matou dois comensais. O Lorde das Trevas tinha que repor a perda de alguma maneira.

- E então você se ofereceu é?!- perguntou Gina.

- Não! Eu não queria, eu juro!- disse Draco.- Eu sempre fui a favor da purificação da raça, mas eu não queria virar um comensal da morte!


****


- E o que havia atrás do véu?- perguntou Hermione.

- Nada!- disse Sirius.- Uma eterna escuridão e um monte de nada. Era como se eu estivesse flutuando em alta velocidade, quando o efeito estuporante passou eu não me lembrava de muita coisa. E eu viajei na escuridão durante dois meses, acho. Até que meu cérebro voltou a funcionar. E eu lembrei o que eu estava fazendo ali. Eu atravessei céus e terras, Hermione, e então eu vi alguém a quem eu havia desejado rever durante os quinze últimos anos de minha vida.- Hermione viu que os olhos negros de Sirius estavam cheios de lágrimas.- Eu vi Tiago!

- Você estava morto?- perguntou Hermione.- Pois aquele véu é um lugar para os mortos não é?

- Sim, o véu é um lugar para os mortos, como um cemitério, mas ele não tem o poder de matar pessoas vivas, ele apenas conserva a alma de pessoas mortas.- disse Sirius.- Foi um momento mágico! Eu pude abraçar o meu velho e querido amigo Tiago. E então ele apareceu.

- Ele?- perguntou Hermione.

- Régulo.- disse Sirius.- Meu irmão. E ele disse que eu havia sido muito corajoso ao fazer aquilo. E foi ele que me contou sobre como eu iria sair dali. Mas eu não queria ir embora. Não depois de ver Lílian tão bem, tão bela. Eu devo ter permanecido lá por um mês, acho, até que Tiago me disse aquilo que eu temia ouvir.- Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto de Sirius.

- O que ele disse?- perguntou Hermione.

- "Sirius, você não devia estar aqui. Você tem que voltar, meu filho precisa de você, volte para Harry e cuide dela até que o momento de você realmente partir chegue." E então eu voltei. Fiz o caminho de volta. Eu vi as estrelas, as nuvens e o nada e quando a luz alcançou meus olhos novamente eu vi Isabel, eu estava caído no meio da floresta.- disse Sirius.- Isabel imediatamente me levou à Escola, eu estava fraco. Ela escreveu à Dumbledore e disse que eu havia aparecido. Creio que quinze dias depois Gui apareceu por lá acompanhado por Dédalo Diggle, que cuidou de arrumar uma distração para os outros. Quando Tonks chegou lá junto a Mundungo, eles começaram os preparativos para o meu retorno. A melhor idéia foi me fazer alguns anos mais jovem. Em novembro Tonks partiu com Isabel. E perto do Natal nós outros seguimos nosso rumo também.

Eles ouviram um estalido.

- Vou ver o que está acontecendo.- disse Isabel.

- Creio que você queira saber sobre Isabel também.- disse Sirius.

- É!- disse Hermione.

- Minha prima Belatriz achou que seria divertido se aproveitar de Régulo enquanto Rodolfo estava à serviço de Voldemort.- disse Sirius.- Só que a brincadeira acabou lhe enchendo a barriga. Ela logo contou à Régulo que a criança nasceria um mês antes de Rodolfo estar de volta e que se tudo corresse bem ninguém, além de Narcisa e Igor Karkaroff, os comensais que restavam como guarita na mansão, saberiam do ocorrido. Régulo era um idiota, mas sempre sonhara em ter um filho. E então decidiu que fugiria com a filha assim que nascesse. Só que Voldemort retornou antes disso acontecer. Régulo foi inocente a ponto de pedir demissão a ele para cuidar da filha. Voldemort mandou que matassem a criança assim que esta viesse ao mundo, do meu irmão creio que ele próprio cuidou. Narcisa, porém, enrolou ao máximo para dar fim na criança, acho que porque ela própria estava grávida. E ela já tinha seus cinco meses quando foi entregue a mim. Depois disso Igor fugiu. Narcisa sabia que nada de mau lhe aconteceria pois era esposa do Comensal mais poderoso que Voldemort possuía. Eu, porém, não sabia o que fazer com a garota, principalmente depois que ela apresentou os sinais de ser metamorfa. Contei então a Dumbledore. Ele mandou que seu irmão mais jovem fosse para longe com a garota. E depois disso eu nunca mais tive notícias dela ou de Abeforth. Até o natal passado. Minha prima Andrômeda tinha visitado a garota. E foi ela mesma, a Mãe de Tonks, quem nos contou que ela era uma grande bruxa. Mas que não queria voltar, pois odiava a mãe que a abandonara e tudo o mais. Mas Dumbledore sabia que mais cedo ou mais tarde Voldemort descobriria que a garota estava viva. E quando ele teve que fugir do Ministério ele foi visitá-la. Mas ela estava irredutível. Só quando eu apareci por lá foi que ela mudou de idéia.- ele sorriu.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:46

20° Capitulo - Invasão à Hogwarts

- Porque virou, então?- perguntou Gina impaciente.

- Pansy nos viu juntos e contou a meu pai!- disse Draco.- Ele queria me matar, ele sabia que eu não pretendia me tornar um comensal. Ser um comensal não é simplesmente ter sede de matar! Um comensal deve ter obediência incondicional ao Lorde das Trevas. Um comensal da morte não pode temer a morte!- ele parecia ainda mais pálido.- E isso é o que eu mais temo, Gina! Entretanto eu fui obrigado a virar um. E se eu não cumprir com as minhas obrigações eu morrerei!

- Porque lançou a maldição em mim?- perguntou Gina.

- Se eu não o fizesse eles a matariam!- disse Draco.

- Do que você está falando?- perguntou Gina.

- Hogwarts é como uma fortaleza no meio da guerra!- disse Draco.- E eles finalmente encontraram uma forma de destruí-la.

- Do- do que você está falando?- perguntou Gina quase em um grito.

- Dolores é uma comensal também.- disse Draco.- E ela sabia que se conseguissem driblar os centauros seria possível invadir Hogwarts.

- Ela não teria a audácia! Ela quase foi morta por eles uma vez!- disse Gina.

- Audácia é a principal virtude dos Comensais!- disse Draco. Gina viu que ele ria. A velha malícia havia voltado a brilhar em seus olhos.- E se eles não conseguirem, os próprios Centauros farão o serviço.

- Do que você tá falando?- perguntou Gina pela terceira vez.

- Todos nós sabemos que os centauros estão por um triz desde que Dumbledore trouxe um deles para a escola.- disse Draco consultando o relógio.- E se meus cálculos estiverem certos, a essa altura Dolores e minha tia Belatriz já estão na cabana daquele Guardião.

Gina não pensou duas vezes antes de dar as costas para Draco e sair correndo pela neve em direção à cabana de Hagrid. Draco vestiu o casaco novamente e segui atrás dela. Gina parou ofegante na porta da casa de Hagrid e bateu. Ninguém respondeu. Gina bateu de novo. Hagrid abriu. Parecia alterado. Gina entrou veloz com Draco em seu encalço. Então ela ouviu uma risada e viu o rosto de Belatriz Lestrange surgir de uma sombra. Ela estava bem mais bonita do que na vez em que Gina a tinha visto no ministério. Parecia ter engordado um pouco e seus olhos não estavam mais tão fundos, apesar de continuarem com aquele brilho cruel. Era uma mulher realmente bela e Gina imediatamente viu porque Hermione falava tanto que Isabel era idêntica à mãe.

- Vejam quem estão aqui!- disse ela.- Veja Dolores, a noite hoje vai ser boa!

- Gina?- perguntou Hagrid.- O que você faz aqui?

- E vejo porque você gritou tanto que não queria se tornar um de nós, Draquinho!- disse Umbridge.- Você não consegue sequer segurar uma garota burrinha feito essa!


****


- E quando você vai ver o Harry?- perguntou Hermione sorrindo feliz por ver Sirius bem daquele jeito.

- Creio que Dumbledore vai dar um jeito. Eu pensei em atraí-lo até aqui, mas estamos proibidos de levá-lo para fora da escola.

- Ele vai ficar tão feliz!- disse Hermione

Eles ouviram passos e Tonks e Isabel surgiram pela porta do quarto.

- Snape tinha razão!- disse Tonks assim que ela e Isabel se reuniram a Sirius e Hermione.- Umbridge tinha realmente um plano para invadir a escola. E ela não só obteve sucesso como conseguiu despertar a ira dos Centauros. Eles vão invadir a escola.

Hermione sentiu toda a felicidade que estava crescendo em seu peito se esvair mais rápido que um flash.

- E o que vamos fazer?- perguntou ela ficando de pé de repente.

- A princípio vamos entrar na escola pelos fundos.- disse Tonks.- Uns pelo túnel do salgueiro e os outros pelo portão de Hogsmead.

Sirius se levantou e apanhou a varinha do chão.

- Vamos de dois em dois.- disse Tonks.- Eu e Sirius iremos em direção à orla da floresta. Algo me diz que Umbridge vai começar a sua vingança por Rúbeo.

- E nós?- perguntou Isabel.

- Vocês vão na direção das estufas e do campo de Quadribol.- disse Tonks.- Se tudo estiver bem com Hagrid e por aquelas bandas nós soltaremos fogos vermelhos no ar e então vocês deverão correr até o castelo e procurar Minerva, Snape, Lupin ou Dumbledore, o que vocês encontrarem primeiro.

- E se não estiver nada bem?- perguntou Isabel.

- Eu soltarei fagulhas verdes.- disse Tonks.

- E vocês correram para nos dar cobertura.- completou Sirius.

- Não! Isabel nos socorre, Hermione vai chamar ajuda.- disse Tonks.

Hermione concordou com a cabeça, mas sabia, intimamente, que se as fagulhas verdes fosse ao ar ela não deixaria Isabel sozinha.

Minutos depois Isabel e Hermione seguiram correndo pelo túnel que levava ao salgueiro lutador e Sirius e Tonks foram pela estrada.


****


- Vamos começar por qual?- perguntou Umbridge.

- Espere!- disse Belatriz.- Talvez ela saiba onde está meu primo.

- Do que você está falando?- perguntou Gina.

- Vai me dizer que você não sabe que o meu odiado priminho está vivo!?- disse Belatriz. Ela falava como uma louca psicopata.

- Não! Eu não sabia!- disse Gina encarando destemidamente a mulher.

- Crucio!- Gritou Belatriz e Gina sentiu uma dor de uma intensidade que nunca tinha sentido antes. Ela sentiu seu joelhos cederem e baterem violentamente no chão. Mas não iria gritar. Não! E então a dor parou e ela ouviu uma gargalhada de Belatriz. Só então percebeu que Hagrid havia sido estuporado e que a varinha de Umbridge estava apontada para Draco

- E agora?- perguntou Belatriz.- Vai me falar onde ele está?

Gina se apoiou na mesa de Hagrid e com dificuldade se levantou.

- Eu realmente não sei onde Sirius está!- disse Gina arfando. Belatriz ergueu novamente a varinha.- Mas acho que você iria sentir-se satisfeita de saber que sei onde a sua filha está!

Gina observou a expressão de crueldade no rosto de Belatriz se transformar em choque.

- Do que você está falando, sua pirralha?- perguntou ela.

- De Isabel Black! A sua filha!- disse Gina dando um sorriso ao ver a cara de susto da outra.

Belatriz baixou a varinha.

- Fique onde está!- ordenou à Gina. E então ela caminhou até Draco e virou o rosto do garoto violentamente para ela.- Você, Draco! Vai lá para fora.

- Fa- fazer o que?- perguntou Draco.

- Vai matar ou ferir qualquer um que se aproxime desse barraco!- disse Belatriz.

- Porque?- perguntou Draco.

- Sem perguntas! Você deve me obedecer!- disse Belatriz.- Agora!- E então ela caminhou até a porta e abriu. Draco caminhou lentamente por essa. Mas antes que alguém pudesse fazer alguma coisa um gato avermelhado passou pela porta velozmente.

- MALDITA!- gritou Belatriz.

- A PIRRALHA É UMA ANIMAGA!- gritou Umbridge.

Gina se distanciou o máximo que pode. A única coisa que lhe veio à cabeça para fazer foi interromper o treino e chamar Harry.


****


- Gente o que está acontecendo aqui?- perguntou Harry ao ver tantas pessoas no vestiário.

- Estão todos aqui?- perguntou Rony rindo.- Faltam Hermione e Gina.

- O que é isso?- perguntou Harry

Mas ninguém pode responder, pois ouve um estrondo e um gato vermelho entrou pelo basculante do vestiário. Por um momento todos olharam para o gato, mas então este se transformou em Gina que caiu tremendo sob o banco.

- Gina?- Fez Harry.- O que aconteceu?

- Lestrange.- disse Gina ofegando.- Umbridge.

- O que?- perguntou Harry.- Acalme-se, o que aconteceu?

- Comensais invadiram Hogwarts!- disse Gina.- Umbridge, Malfoy e Lestrange estão na cabana de Hagrid.

Houve um imenso burburinho. Harry estava branco feito cera.

- Acalmem-se!- ele ordenou.- Voltem todos para o castelo...

- Não vamos voltar!- disse Neville.

- É!- concordou Simas.- Estivemos esperando ansiosos uma oportunidade para praticarmos tudo aquilo que você nos ensinou!

- Vocês não podem ir!- disse Harry.- Não posso colocar a vida de vocês em risco.

Houve um silêncio inquietante até que Zacarias Smith sacou a varinha.

- Não podemos deixar que acabem com o único lugar seguro nesse mundo em guerra!- disse ele.

- É!- concordou Ana Abboutt sacando sua varinha também.- Se Você- Sabe- quem tomar Hogwarts será o nosso fim!

- O que faremos nós se não concluirmos nossos estudos?- perguntou Justino Finch-Fletchley enquanto tirava a sua varinha também.

- Se Hogwarts for tomada, a Guerra terá terminado.- Disse Ernesto Macmillan tirando sua varinha também.

- E Voldemort terá ganho.- disse Neville sorrindo por conseguir pronunciar o nome e logo as varinhas de Colin e Dennis Creevey também estavam no ar.

- Não posso fazer isso!- disse Harry se assentando ao lado de Gina.

- Nós podemos, Harry!- disse Terêncio Boot juntando sua varinha às outras.

- Não sabemos sequer quantos comensais estão aqui!- argumentou Harry.

- No Ministério foram doze enquanto nós éramos seis e nós saímos vivos.- disse Luna empolgada tirando sua varinha também.

- E agora nós somos quase vinte!- disse Cho tirando sua varinha.

- Gente! Não vou levar esse tanto de pessoas para a morte comigo!- disse Harry

- O que foi?- perguntou Michael Corner sacando sua varinha.- O fato de Sirius Black ter morrido da última vez amoleceu seu coração?

- Não é certo!- disse Harry com o rosto de Sirius em sua cabeça.

- Se não corrermos o risco de morrer agora, defendendo Hogwarts, acabaremos morrendo depois.- disse Parvati séria.

- E eu prefiro morrer lutando.- completou Padma se unindo ao grupo.

- É isso aí!- disse Antônio Goldstein.

Harry olhou à sua volta. Gina, Rony, Lilá e Dino eram os únicos ainda quietos. Então, lentamente Gina juntou sua varinha às outras.

- E vocês?- perguntou ela.

Lilá e Dino sorriram e fizeram o mesmo.

- É cara, creio que somos um exército agora!- disse Rony rodando sua varinha entre os dedos. Harry ia argumentar qualquer coisa, mas então sentiu uma enorme dor na cicatriz. Respirou fundo e se levantou.

- Gina, onde eles estão?- perguntou ele.

- Estavam na cabana de Hagrid, como eu disse. Mas creio que mais deles devem estar para chegar. Eram três.- despejou Gina.

- Certo.- disse Harry enquanto vestia o casaco esquecido sob o banco.- Teremos que cobrir o máximo possível do castelo. E temos também que avisar à ordem. Ana, Cho, Collin e Dênis irão seguir pelo caminho tradicional ao castelo. Quando alcançarem o Saguão de entrada Collin irá à sala da Profª. Minerva e a informará sobre o que está acontecendo. Dênis irá ao Prof. Snape e Cho à Lupin. E você, Ana, deve saber como chegar à Dumbledore, pois é monitora. Vá até ele.

- Certo!- disse a garota loura enquanto Gina tirava um estranho caderno de seu armário no vestiário e escrevia nele.

- Hermione logo saberá o que está acontecendo.- informou ela.

- Ok.- disse Harry.- Bom, Justino, Parvati, Padma e Simas irão ficar de olho nas bandas do lago. Enquanto Dino, Lilá e Michael irão cobrir as estufas!

Harry amarrou os cadarços.

- Zacarias, Antônio, Ernesto e Terêncio serão responsáveis pela saída para Hogsmead.- continuou Harry.- O restante virá comigo. E depois Neville, Luna e Gina seguirão para a orla da floresta enquanto eu e Rony cuidamos da cabana de Hagrid.

- E se precisarmos de ajuda?- perguntou Zacarias.

- Faíscas azuis no ar indicarão que estão em apuros.- disse Harry.

Houve um novo silêncio.

- O que estão esperando?- perguntou Gina que já se recuperara da tremedeira.

- Esperem!- disse Harry.- Se por acaso encontrarem um comensal, não tenham dó em feri-los, pois, tenham certeza, eles não sentirão penas de vocês.

Harry acabou de falar e o vestiário se esvaziou rapidamente.

- Você está bem, Gina?- perguntou Rony ajudando a garota a se levantar.

- Sim!- disse Gina que não pode deixar de sorrir pelo irmão ter dirigido a palavra a ela depois de muitos dias de gelo.- Creio que temos que correr.

- Porque não voar?- perguntou Luna olhando sonhadora as vassouras encostadas na parede.

Eles imediatamente apanharam as vassouras.


****


- Veja!- disse Hermione.- Fagulhas verdes!

Ela e Isabel tinha acabado de sair do túnel e se afastavam do salgueiro. Isabel parou

- Eu sei que você não vai querer ir chamar ajuda...

- Não mesmo.- disse Hermione

- Eu imaginava, mas então vamos correr até lá.- disse Isabel.


****


- Achei que tardaria uma pouco mais a revê-lo. Sirius Black!- disse a voz de Lúcio Malfoy.

- Como diz o ditado, Lúcio, quem é vivo sempre aparece!- disse Sirius sorrindo.

- Pensei que tivesse morrido, sobrinha!- disse um homem e corpulento de olhos parados.- Aonde já se viu, tentar possuir uma bruxa como minha querida esposa!

- Creio que o senhor, Tio Rodolfo se esqueceu...- disse Tonks sorrindo, seus cabelos estavam verdes hoje.- que eu não só sou uma Black, e no entanto tenho tanto poder quanto à sua desprezível esposa, como também que EU tenho o Dom que ela tanto cobiçou de mamãe!

- Vamos parar com essas discussões tolas de família.- disse um terceiro homem. Era Rookwood.

- Grande idéia, Augusto!- disse Rodolfo.

- Sinto lhe dizer, Sirius.- disse Lúcio.- Mas você pode não ter morrido daquela vez, mas morrerá desta.

- Ah é?!- perguntou Sirius.- Acho que não ein?!

- Eu não acharia nada se fosse você!- disse Rookwood rindo.- Temos um a mais que vocês!

- Acho que quem tem um a mais somos nós!- disse Isabel que vinha correndo com Hermione em seu encalço. Isabel não estava em sua forma normal. Tinha os olhos em um tom esverdeado e os cabelos castanhos.

- Duas estudantes da Armada Dumbledore, suponho!- disse Lúcio rindo.- A Sangue Ruim eu conheço, e a outra, quem é?

- Isabel Black!- rosnou Isabel.

Lúcio gargalhou alto.

- Creio que começaremos a purificação da raça hoje! Nos livraremos de uma vez só de uma Sangue Ruim, de duas mestiças e de um traídor do próprio sangue! Creio que o Lord das trevas irá ficar satisfeito.

- Não sabia que tinha uma filha com uma trouxa, Sirius!- disse Rodolfo.

- A garota é minha sobrinha, Rodolfo.- informou Sirius.

- Ah! E este deve ser Rodolfo Lestrange! Meu Padrasto!- disse Isabel enquanto, para a surpresa de Hermione voltava à forma normal. Foi a vez dos membros da Ordem gargalharem.- Creio que a minha odiada mamãe deve estar por perto!- completou Isabel contemplando a cara de susto de Rodolfo e dos outros dois.

- Avada Kedavra!- gritou Rodolfo apontando a varinha para Isabel. Mas nada aconteceu.

- Parece que vocês não leram Hogwarts uma história.- disse Hermione sorrindo.- Então não devem saber que da mesma maneira que não se pode aparatar ou desaparatar nos terrenos da escola não é possível matar alguém com esse feitiço!

- Expeliarmus!- gritou Lúcio apontando a varinha para Sirius mas este foi mais rápido.

- Protego!- Gritou Sirius fazendo com que Lúcio recuasse alguns passos para trás.

Logo Lúcio estava duelando com Sirius e Tonks com Rookwood.

- Vingardium Leviosa!- Gritou Isabel e Rodolfo Lestrange subiu uns quatro metros no ar.- Repellere!

E com o segundo feitiço o homem foi lançado contra uma árvore e caiu desacordado.


****


- Vejam quem eu encontro aqui!- disse Umbridge ao ver os cinco garotos descendo das vassouras.

- Andem! Vocês têm que cobrir os seus postos!- disse Harry e logo Gina, Neville e Luna sumiram de vista.

- Venha me ajudar, Draco!- gritou Umbridge sacando a varinha. Logo Draco apareceu. Estava extremamente pálido, muito mais do que o normal.
Logo havia mais duplas duelando por ali. Rony parecia estar dando enorme trabalho a Umbridge. Enquanto Harry e Draco pareciam equilibrados.

Belatriz permanecia dentro da cabana. Hagrid ainda estava caído no canto. Ela se assentou sobre a mesa. Talvez tivesse ouvido errado, mas a Weasley caçula tinha dito que sua filha estava viva. Aquela que só ela, só ela própria sabia quem era o verdadeiro pai. Ela podia ver Potter e o outro Weasley lá fora. Talvez devesse ir lá e acabar com eles. Seu Lord ficaria satisfeitíssimo! Mas algo, como certa intuição feminina, lhe dizia para permanecer ali. E se a garota viesse? Devia ser uma grande bruxa. Com a mãe que tinha. E com o pai que tinha e não sabia... E Belatriz esperou. Ela poderia ser a mulher mais cruel do mundo, mas era mulher. Era como se o instinto maternal estivesse aflorando de repente. Ela queria ver sua filha e estava disposta a esperar ali o tempo que fosse. Mas as respostas que buscava não tardaram a chegar.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:47

21° Capitulo - Fúria dos Centauros

- Vamos Hermione!- disse Isabel.- Creio que haja mais comensais próximos àquele barracão!

Ela e Hermione correram até a frente da cabana de Hagrid. Elas viram as duplas que duelavam. Hermione lembrou de Hagrid. A noite havia caído com força, agora.

- Vamos, há gente lá dentro!- disse Hermione e puxou Isabel até os fundos.- Alorromora!- disse Hermione e a porta se abriu. Ela viu Hagrid desacordado num canto e então, assentada sobre a mesa, com a varinha calmamente apontada para a porta estava Belatriz Lestrange. Hermione ficou paralisada junto à porta.

- Srta. Granger!- sorriu Belatriz. Hermione então sentiu uma dor no braço onde havia a cicatriz em forma de anel. Belatriz gargalhou.- Como você pode ver, eu não pude deixar que aquele incompetente fizesse o serviço sozinho! E é claro, criei uma ligação entre nós duas.

- Ah! Dá Licença!- disse Isabel empurrando Hermione.- Expelliarmus!

E a varinha de Belatriz voou de sua mão. Isabel empurrou Hermione para dentro e fechou a porta.

Belatriz estava paralisada observando a recém chegada.

- Olá, Mamãe!- disse a garota.

Belatriz ficara ali para esperá-la, mas agora que ela estava parada diante de si, tão nítida e tão parecida com ela própria ela não conseguia acreditar.

- O que?- perguntou Belatriz.- Quem é você? Do que está falando?- completou mesmo já sabendo a resposta.

- Oras bolas!- disse Isabel que mantinha a varinha apontada para Belatriz.- Vai me dizer que você já esqueceu da filha que teve com Régulo Black!

- Não pode ser!- disse Belatriz saltando da mesa e dando uns passos pra trás.

Ela não queria olhar por muito tempo para a garota. Arrependeu-se de ter permanecido ali. A garota estava ali parada diante dela. Como um fantasma que vem atormentar seus sonhos. Diante dela. Em um flash cenas de seu passado começaram a surgir.


Um Sirius Black com apenas quinze anos de idade desceu as escadas arrastando um malão, ela, com seus dezessete anos, recém formada estava parada ali.

- Você tem certeza que vai fazer isso?- perguntou ela.

- Eu não posso aceitar isso, Bela.- disse Sirius.- Você sabe que eu não sou a favor desse tal Voldemort.

- Se você for embora eu vou ter de me casar com outra pessoa.- disse a Belatriz jovem.

- Se você me amasse como diz seguiria o meu exemplo e deixaria esta casa.- disse Sirius.

- Eu realmente lhe amo.- disse ela.- Mas eu não posso deixar esta casa. Não sou uma traidora do próprio sangue como você ou Andrômeda.

- Pois deveria ser.- disse Sirius dando as costas para ela e caminhando em direção à porta.

- Espere!- pediu ela.- Pra onde você vai?

- Pra casa de Tiago.- disse Sirius.

- É triste pensar que talvez eu nunca mais lhe veja.- disse Belatriz.

Sirius deu ombros. Passara a infância em pé de guerra coma prima e aos treze anos descobrira que na realidade a amava. Mas havia algo mais forte do que o amor separando-os. Ele era um cara direito. E ela uma típica mocinha de família nobre. E na guerra que as pessoas diziam se aproximar eles estavam de lados opostos. Ele respirou fundo e abriu a porta. Ouviu um soluço da prima antes de subir na vassoura e levantar vôo. Foi a única vez que a viu chorar.


- Você realmente achava que minha Tia Narcisa iria matar sua sobrinha?- perguntou Isabel dando um sorriso maléfico.

- Narcisa não pode ter feito isso comigo!- disse Belatriz.- Ela não poderia ter desobedecido às ordens do Lorde das Trevas!

Ela ainda via o rosto de Sirius diante de seus olhos. Os olhos vermelhos, como no dia de seu casamento com Rodolfo. Ele estivera lá, como que para selar um fim, mesmo que simbólico.

- O QUE?- gritou Isabel.- Pensei que ao menos você ficaria feliz ao me ver! Mas vejo que você preferia que sua irmã tivesse sido fiel à Voldemort a salvar a vida da SUA PRÓPRIA FILHA!!

- Não ouse pronunciar o nome do Lorde Das Trevas, garota!- disse Belatriz. Hermione, no canto da cabana, tentava acordar Hagrid.

- Voldemort! Voldemort! Voldemort!- disse Isabel.

- Cale a boca garota!- disse Belatriz, ela agora sentia ódio por ver alguém com a sua imagem de dezessete anos.

- Então você acha que pode mandar em mim?- perguntou Isabel.- E você acha que EU, só por ter o prazer de conhecê-la vou esquecer todos os anos em que eu me perguntava porque a minha mãe havia me abandonado?

- Eu estava em Azkaban!- disse Belatriz.- Esse era bem o tipo de coisa que Dumbledore faria. Transformar a minha própria filha em uma arma contra mim! Se soubesse que seria assim eu a teria criado como uma bruxa que honra seu sangue, uma bruxa que deve lealdade ao Lorde das Trevas. Que tal?

- Eu nunca vou dever lealdade à Lorde de porcaria nenhuma!- disse Isabel.- E lhe digo mais: Depois que conheci Tia Andrômeda, e que ela me contou QUEM ERA VOCÊ! Eu dei graças a Deus por ter sido abandonada! Por ter sido criada até os cinco anos por um VELHO CADUCO! E Por ter vivido dos cinco aos dezessete anos com uma família TROUXA!

- Você deve entender!- disse Belatriz.- Você não devia nem ter sete meses quando eu e Rodolfo fomos pegos!

- EU TINHA CINCO MESES QUANDO FUI ENTREGUE A MEU TIO!- disse Isabel.- ELE FOI UMA DAS ÚNICAS PESSOAS QUE FEZ ALGO POR MIM! E SE NÃO FOSSE POR ELE EU NÃO ESTARIA AQUI PARA ME VINGAR DE VOCÊ, MAMÃE!

- Do que está falando garota?- perguntou Belatriz. Mas já era tarde.

- Crucio!- Gritou Isabel e Hermione se virou a tempo de ver Belatriz se contorcendo de dor no chão.


****


- Crianças!- sorriu Dolohov.

- Aquele ali não é o Longbotton?- riu Goyle.

- É! Posso cortar a cabeça dele se acharem divertido.- riu Macnair.

- E essa é a Weasley mais nova!- disse Dolohov examinando Gina.- Tem razão de o jovem Draco ter se "apaixonado" por ela. É uma garota muito "bonitinha"!

- Lembra-me estranhamente Lílian Potter!- disse Macnair tocando o rosto de Gina que recuou. Ele a segurou pelo braço.

- Solte-a!- gritou uma voz grossa. Era Lupin, ele vinha com Cho.

- E você garota, O que está fazendo com o lobisomem?- perguntou Goyle.

- Você jurou lealdade ao Lorde das Trevas, garota!- gritou Dolohov.

Cho estava pálida.

Dolohov ergueu a varinha e Cho foi lançada longe. Em seguida Lupin e Macnair estavam duelando e mais três vultos vinha correndo na direção deles. Não era possível identificá-los pois usavam capuzes. E logo a orla da floresta foi tomada por raios e faíscas. Gina lutava contra Goyle. Neville havia ficado com o vulto encapuzado maior e Luna com um segundo. Dolohov e o terceiro vulto torturavam Cho. Ao se desviar de um jato de luz roxa Gina pode ver um grupo de quatro garotos se aproximando.

-

Estupefaça!- gritou ela em seguida mas Goyle desviou.

- Expeliarmus!- gritou Zacarias Smith que vinha na frente do grupo. Um dos vultos que torturava Cho foi lançado contra uma das árvores e Antônio correu e apanhou sua vassoura.- Ah não!- gritou Zacarias encarando Dolohov que havia se virado para o grupo agora.- Cho vai jogar contra o meu time no próximo Sábado e vocês não vão me tirar a oportunidade de vencê-la!!

Não demorou muito e mais dois vultos surgiram da floresta carregando vassouras nas costas.


****


- Você pre- precisa me ouvir!- gemeu Belatriz.- Vo- você tem que saber a verdade.- completou quando Isabel fez uma pausa. Belatriz estava de joelhos no chão e arquejava com a mão na garganta, era estranho, mas Hermione a achou ainda mais bonita com aquela expressão de dor no rosto.

- Curcio!- gritou novamente Isabel e Belatriz caiu no chão novamente se contorcendo.

- Espere!- disse Hermione segurando o braço de Isabel. O Feitiço parou e Belatriz começou a erguer o rosto.- Ela parece ter algo importante a dizer.

Belatriz tremia convulsivamente. Mas com alguma dificuldade ela conseguiu ficar novamente de joelhos.

- Diga logo!- disse Isabel entredentes.

Belatriz bufava.

- O Lorde das trevas não matou Régulo por ele ser seu pai.- disse ela.- Pois ele não era seu pai!

- Do que você está falando, mulher?- perguntou Isabel.

- Eu seduzi Régulo para que pudesse colocar a culpa nele.- disse Belatriz. Hermione viu que ela sorria. Apesar da expressão de dor ainda havia aquele brilho cruel em seus olhos.- Para livrar a cara de seu verdadeiro pai! Sirius Black é o seu pai.

Hermione que antes tentava acordar Hagrid levou um choque ao ouvir aquilo e se virou novamente.

- Pobre Sirius!- riu Belatriz.- Eu também o seduzi na noite em que os McKinnons foram mortos! Ele teria chegado a tempo se não fosse por mim!

- Você está mentindo!- disse Isabel, havia muito mais ódio em sua voz do que costumava haver.- Crucio!

Belatriz começou a se contorcer com mais força agora e logo ela caiu novamente no chão. A respiração de Isabel estava rápida.

- Vai me matar, filha?- perguntou Belatriz, fingindo voz de medo, quando parou de se contorcer novamente. Hermione viu que havia filetes de sangue escorrendo dos dois lados de seu rosto.

- É o que eu mais quero!- sibilou Isabel.- Crucio!

Hermione não sabia o que fazer. Belatriz Lestrange estava se debatendo quatro metros à sua frente. Achava que se Isabel mantivesse o feitiço por mais algum tempo mataria sua própria mãe. Então Hermione desistiu de acordar Hagrid. Ele parecia estar sob algum feitiço para dormir.

- Chega, Isabel!- disse Hermione abrindo novamente a porta à suas costas.

- EU A ODEIO!- Gritou Isabel fingindo não escutar Hermione.

- Pare, você vai matá-la!- disse Hermione.

- É O QUE EU MAIS QUERO!- gritou Isabel.- O QUE EU MAIS QUERO!- repetiu.

Hermione então puxou Isabel para trás de modo que o feitiço parou.

- Você não pode matar a sua mãe! Por pior pessoa que ela seja, ELA É SUA MÃE!- disse Hermione caminhando até Belatriz. A mulher estava caída, imóvel no chão. Hermione a chutou de modo que ela virou de barriga pra cima, havia sangue na frente de suas vestes.- Vamos, deixe-a aí vamos ver o que está acontecendo lá fora.


****


- Não me mate, Potter! Eu lhe imploro!- pediu Draco caído no chão. Harry havia finalmente tomado sua varinha e a apontava em direção ao peito de Malfoy.- Eu lhe imploro! Por favor!

- Estupefaça!- gritou Harry e Draco parou imóvel no chão.


Há uns cinco metros dali Rony lançou um feitiço em Umbridge que a fez voar longe.

- Seu moleque insolente!- disse a mulher sapa se levantando.- Um dia você ainda vai me pagar por isso.

E, não se sabe de onde, surgiu uma vassoura. Umbridge a montou e sumiu pela floresta proibida. Rony correu até Harry.

- Malfoy é um covarde!- disse Harry.

- Para onde vamos agora?- perguntou Rony.

- Vá para a entrada da floresta e se reuna a Gina e os outros.- disse Harry.- Vi Hermione correndo para a cabana de Hagrid. Vou verificar o que há por lá.

- Ok!- disse Rony enquanto montava sua Nimbus. Harry nem precisou andar muito, quando chegou à porta dos fundos encontrou Hermione e Isabel.

- Vocês estão bem?- perguntou ele.

- Sim!- disse Isabel que ainda respirava rápido.

- Ela quase matou Belatriz Lestrange.- disse Hermione se jogando nos braços de Harry.

- Ela está aí?- perguntou Harry.- E Hagrid?

- Colocaram-no pra dormir.- disse Isabel.

- Foi você, Mione!?- disse Harry.- Que marcou a reunião da AD!?

- Sim.- disse Hermione e deu um sorriso a Harry.

- Dêem um jeito em mamãe!- disse Isabel.- Vou ver como estão Tonks e Sirius.- e dizendo isso saiu correndo. Harry arregalou os olhos.

- Que feitiço lançaram nela?- perguntou ele sério.

- A única pessoa que lançou feitiços lá dentro foi ela própria.- disse Hermione.- Ela quase matou Belatriz, Harry.- repetiu.

- Porque ela disse que iria se reunir a Tonks e Sirius então?- perguntou Harry.

- Porque Sirius está vivo!- disse Hermione.

- Não! Ele não está!- disse Harry.

- Sim! Ele está. Eu estive com ele! Ele me contou o que realmente aconteceu!- disse Hermione dando um enorme sorriso para Harry.- Ele está vivo, e agora livre também!

- Porque ele não me procurou então?- perguntou Harry ainda sério.

- Porque antes que ele pudesse fazer alguma coisa Tonks chegou e contou que os Comensais estavam invadindo a escola! E nós viemos direto para cá!

- Você está falando sério?- perguntou Harry.

- Sim.- disse Hermione.- Falo tão sério como quando digo que te amo.

Harry finalmente sorriu e puxou Hermione. Os dois se encostaram na parede da cabana de Hagrid e se beijaram.


****


Zacarias tropeçou em uma raiz e caiu para trás. Dolohov então se virou para Terêncio Boot e fez uma espécie de X no ar. O garoto caiu no chão.

- Estupefaça!- gritou Rony que vinha correndo mas Dolohov desviou e tirou o capuz.

- Mais um Weasley?- perguntou ele.

Em suas costas Zacarias Smith se levantou e já ia lhe atirar um feitiço quando foi puxado pelo colarinho. Ele se virou e o comensal tirou o Capuz. Era Travers.

- Nunca atinja alguém pelas costas, garoto!- disse ele soltando Zacarias que saiu cambaleando.

- Tudo bem!- disse Zacarias.- Estupefaça!- gritou ele e Travers caiu desacordado no chão.

- Repellere!- gritou Antônio Gonldstein e o seu comensal foi atirado contra uma das árvores.

- Crucio!- gritou Goyle, mas Gina foi mais rápida.

- Protego!- O escudo funcionou mas ela foi obrigada a dar alguns passos para trás na direção da floresta. E então ouviu algo que na opinião dela não deveria estar ali. Era um barulho forte de cascos. Um barulho muito forte de cascos. Ao que parecia Goyle também ouvira, pois quando ela voltou ao duelo ele já estava longe. Carregava Travers.

- HORA DE RECUAR!- gritou Goyle.

Rony que duelava com Dolohov não entendeu a princípio o que estava acontecendo. Só quando Dolohov montou em uma vassoura é que ele entendeu. Estava fugindo. Ele olhou para o lado e viu Lupin com a mesma cara de dúvida.

- Vamos atrás deles!- disse Lupin quando a vassoura de Harry veio voando. Rony montou a sua também assim como Neville e Luna. Gina corria para a sua quando Lupin a impediu.

- Não!- disse ele.- Não sei o que são esses cascos, mas saiam daqui.

- Vamos para o castelo?- perguntou Gina.

- A casa dos Gritos!- disse Rony.- Algo cumprido no nó do salgueiro lutador!

- Isso!- disse Lupin.- Smith, levem Chang e Boot para lá. E fiquem lá vocês também.

- Ok!- disse Gina correndo na direção do salgueiro. O quarteto sumiu de vista voando pela floresta.


****


- O que está acontecendo?- perguntou Isabel a Tonks ao ver Lúcio Malfoy montar em uma vassoura com Rodolfo Lestrange na garupa e os dois saírem velozes.

- O que foi, Rookwood?- perguntou Sirius.- Seus companheiros se acovardaram?

- Adeus, Black!- disse Rookwood enquanto montava em sua vassoura também.

- Eles não deveriam ter fugido!- disse Tonks quando o barulho de cascos chegou a seus ouvidos.

- Eles devem, definitivamente, ter provocado os Centauros antes de chegarem aqui!- disse Sirius.

- Há vários alunos duelando por aí!- informou Isabel.

- Venham, venham!- disse Sirius.

- Harry, Rony e Hermione estão na cabana, próximos à Orla!- disse Isabel.

- Vejam! Há faíscas azuis vindas da estufa, deve haver alunos que não tem nada a ver com isso por lá!- disse Sirius.- E Hermione provavelmente já deve ter escutado os Centauros.

Os três seguiram correndo pela neve.


****


- Finite Incantaten!- disse Belatriz.

- O que aconteceu com você, Tia?- perguntou Draco.

- Se você sobreviver saberá!- disse ela.- Os centauros estão chegando.

Draco se levantou e deixou que Belatriz, que andava com dificuldade, se apoiasse nele mas então Lúcio e Rodolfo desceram da vassoura.

- É a hora da retirada!- disse Lúcio.

- O que aconteceu contigo, meu bem?- perguntou Rodolfo enquanto corria até a esposa.

- Aquela bastarda!- disse Belatriz cujo lábio inferior não parava de sangrar.

- Andem! Vamos.- disse Rookwood pousando também.- Suba aqui Belatriz!

- E eu?- perguntou Draco.

- Você não cumpriu a sua missão, moleque! Fique e lute até o fim.- disse Lúcio severamente.

- Potter levou a minha varinha!- disse Draco.

Lúcio então girou sua varinha e uma espada com esmeraldas incrustadas no cabo apareceu um minuto depois, voando.

- Pratique esgrima!- disse Lúcio e em seguida levantou vôo.

- Nós lhe resgataremos garoto!- disse Rookwood e também levantou vôo.


****


- Parvati, Padma, Simas e Justino estão no lago!- disse Gina assim que Cho e Terêncio foram colocados para dentro do túnel.

- E Lilá, Dino e Michael estão nas estufas!- disse Zacarias. Antônio surgiu para fora do túnel. Seu ombro sangrava por ter sido atingido pelo salgueiro.

- Vão vocês dois ajudá-los, eu ficarei aqui.- disse ele.

- Ok!- disse Zacarias se levantando.

Ele e Gina se afastaram da árvore e o túnel se fechou, mas então eles viram algo que não deveria estar ali. Um verdadeiro exército de Centauros surgia pela Orla. Arcos e Flechas nas mãos.

- Eles não estão invadindo a escola também, ou estão?- perguntou Zacarias e então uma flecha passou zunindo entre os dois.

- Estão!- disse Gina puxando-o na direção contrária.- Vamos achar os outros.

Os dois correram pela neve até o lago. Justino estava caído na neve ainda acordado. Tinha uma perna quebrada.

- Eles foram embora!- disse Padma cujo nariz sangrava.

- Nós sabemos.- disse Zacarias.

- Eles provocaram os Centauros antes de virem para cá!- disse Gina.- Eles estavam chegando à orla quando viemos.

- Atirando flechas!- completou Zacarias.

- Temos que voltar ao castelo antes deles!- disse Parvati que vinha com Simas que segurava em seu ombro.

- O que aconteceu contigo Finnigan?- perguntou Zecarias.

- Uma azaração me deixou cego!- disse o garoto.

- A gente tem que achar os outros!- disse Gina.

- Padma irá levar os dois ao castelo.- disse Parvati sacando sua varinha.- Eu irei com vocês.

- Espera!- disse Padma.- Vocês vão com a gente até a porta, não vai ser legal sermos atacados sendo que só eu estou sã!

- Smith e Parvati vão!- disse Gina.- Tenho que encontrar os garotos.

- Você não pode passar pelos Centauros!- disse Zacarias.

- Posso sim!- disse Gina e depois de se transformar em gato rumou para a cabana de Hagrid.

- Andem! Andem!- disse Zacarias, ainda boquiaberto pelo que acabara de ver, ajudando Justino a ficar de pé.


****


- O que é isso?- perguntou Hermione parando o beijo.

- Isso o que?- perguntou Harry.

- Parece barulho de cascos!- disse Hermione.

- Cascos?- perguntou Harry sacando a varinha novamente.

Houve a seguir um zunido. Eles olharam para cima e viram duas vassouras passando velozes.

Hermione meteu a cara pra dentro da cabana.

- Ela fugiu!- disse ela.

- Mas o que são os cascos?- perguntou Harry que agora podia ouvir também.- Está cada vez mais alto.

- Gina?- perguntou Hermione ao ver um gato vindo veloz. O gato se transformou em uma garota que parecia estar correndo há horas e que tinha um corte acima do olho direito.

- Centauros!- disse ela.- Os comensais os provocaram antes de vir!

- Por isso eles fugiram!- disse Harry.

- Sim! Eles vêm atirando flechas!- disse Gina.

- Entrem! Entrem!- disse Harry e assim que todos entraram na cabana ele fechou a porta e a janela que restava aberta.- Onde estão os outros?

- Lupin, Neville, Rony e Luna montaram as vassouras e foram atrás dos comensais!- disse Gina.

- O que?- perguntou Hermione.- Eles são loucos?!

- Cho e Terêncio estão desacordados! Antônio está com eles no túnel do salgueiro!- continuou Gina.

- E o restante?- perguntou Harry.

- Encontramos o grupo do lago. Simas está cego por uma azaração, Justino quebrou a perna!- despejou Gina.- Zacarias, Parvati e Padma foram levá-los até o castelo e em seguida irão procurar o restante do pessoal nas estufas!

- E onde estão os outros, Hermione?- perguntou Harry

- Outros?- perguntou Gina.

- Eu disse a você, Gina!- disse Hermione sorrindo.- Sirius está vivo!

- Sirius?- perguntou Gina.- Então foi por isso que Belatriz usou a maldição Cruciatus em mim. Ela achou que eu estava mentindo quando disse que não sabia de Sirius, que ele estava morto.

Harry ia perguntar o que eles fariam a partir dali quando uma flecha fez uma das janelas se quebrar com um estrondo. A operação se repetiu até todas as janelas estarem totalmente espatifadas. Harry, Gina e Hermione estavam espremidos a um canto quando o último vidro se partiu. Hagrid gemeu e depois de algum tempo se levantou.

- Onde estão eles?- perguntou.

- Hagrid! Não! Se abaixe!- disse Hermione. Mas já era tarde. Hagrid sacou o guarda chuva cor de rosa de um canto e abriu com violência a porta da frente.

- Eles vão matá-lo!- disse Gina se levantando.

- Espere!- disse Hermione a puxando para trás.

- O QUE PENSAM QUE ESTÃO FAZENDO?- eles ouviram Hagrid gritar. Harry engatinhou até a janela da frente e ficou observando a um canto. Hermione e Gina fizeram o mesmo na outra janela.- PORQUE ESTÃO ATIRANDO? O NOSSO TRATO ERA VOCÊS PERMANESCEREM NA FLORESTA!

- Eles vão matá-lo, Mione.- gemeu Gina.

- Não!- disse Harry sorrindo.- Firenze está vindo!

Gina e Hermione olharam novamente e viram o centauro que vinha veloz pela neve iluminado apenas pela luz que vinha das inúmeras janelas do castelo. Os duzentos e poucos centauros que estavam ali se viraram para Firenze.

- Deixem Rúbeo em paz!- disse Firenze. Enquanto ele ia passando pelos Centauros estes iam abrindo caminho. Até que ele chegou próximo a Hagrid e parou à frente dele.

- Saia da frente deste homem, Firenze!- disse um dos centauros.

- Não! Não vou sair!- disse Firenze.- Vocês não podem matá-lo! Vocês não deviam estar aqui! E a propósito, porque estão aqui?

- Fomos desafiados a invadir a escola, agora saia da frente!- disse o mesmo centauro.

- Se quiserem matá-lo vão ter que matar a mim.- disse Firenze. E então um Centauro que parecia mais jovem ainda do que Firenze veio cavalgando até o onde estava o que parecia ser o chefe. Ele armou o arco.

- Pois então matem esse traidor da própria raça!- urrou e atirou uma flecha que atingiu Firenze em um dos braços.

- Abaixem-se!- disse Harry. Hermione e Gina obedeceram e em seguida o que pareceu uma chuva de flechas foram disparadas contra Hagrid, Firenze e o casebre. Harry, num impulso se levantou, mas Hermione saltou contra ele e os dois caíram no chão.

- PAREM! O QUE ESTÃO FAZENDO?- gritou uma voz masculina. Os três se precipitaram pela janela novamente e Hermione ainda foi atingida por uma flecha no ombro esquerdo antes destas cessarem. Novamente abriu-se um caminho até a porta da cabana de Hagrid. Era Lupin.

- Matem este também!- gritou o Centauro jovem.

- Não!- gritou o chefe.- Ele é um meio humano! Ele é um Lobisomem! Não encostem nele!

- Mas os outros são...

- Os outros são filhotes!- disse o chefe.

Ao ouvir isso Harry, Gina e Hermione saíram para o lado de fora. O ombro de Hermione sangrava.

Harry pode ver Firenze caído no chão, sangrando. Ele arquejava, morreria em minutos e há uns três metros dele estava Hagrid.

- NÃO!- gritou Harry correndo até o corpo do gigante que ainda segurava seu guarda chuva.

- Harry!- sorriu ele que respirava com dificuldade.

- ONDE VOCÊS ESTÃO COM A CABEÇA?- perguntou Lupin. Hermione viu que lágrimas escorriam pelo seu rosto.- Logo vocês, centauros, uma raça que tanto admirei em toda a minha vida, por sua inteligência, por sua mente muito mais evoluída do que a dos homens! Nunca achei que viveria para vê-los matarem alguém. Vocês não mataram apenas Hagrid! Vocês mataram um centauro! Vocês têm noção do que fizeram? Logo vocês, que criticavam os humanos por matarem seus IGUAIS!
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:50

22° Capitulo - Neve Vermelha

- VAMOS EMBORA!- gritou o Centauro chefe. Lupin largou a vassoura no chão e deu mais alguns passos para frente deixando-se cair de joelhos na neve.

- Acabe com você- sabe- Quem, Harry!- sussurrou Hagrid.- E diga a Dumbledore que Growp está do nosso lado agora.

Hermione e Gina se aproximaram também. Rony tinha Neville apoiado nele e em Luna.

- Oh Hagrid!- disse Hermione, lágrimas escorriam por seu rosto, seu ombro sangrava.

- Cuide do Growp, Hermione.- disse ele.- E faça esse moleque feliz.- ele forçou um sorriso mas a dor que parecia sentir fez ele se contorcer em uma careta.- Diga a Olímpia que eu a amo, Remo.- e após dizer isso seu rosto tombou, os olhos arregalados.

Podia-se ouvir o barulho de cascos já distante agora.

- O que aconteceu com Rúbeo Hagrid?- perguntou Zacarias Smith que vinha correndo com Parvati.

- Ele está morto.- disse Gina com a voz fraca.

Lupin se levantou e guardou a varinha. Harry chorava silenciosamente.

- O que faremos agora, professor?- perguntou Parvati.

- Os comensais não vão voltar!- disse ele.- Já estavam a quilômetros daqui quando os alcançamos e eles aparataram assim que puderam.

- Mas e os outros?- perguntou Neville que parecia ter um pé quebrado.

- Você vem comigo!- disse Lupin passando um dos braços de Neville em seu ombro.- Recolham os outros e voltem ao castelo.

- E Hagrid?- perguntou Hermione limpando as lágrimas.
Lupin sacou a varinha, girou-a e uma maca apareceu suspensa no ar.

- Coloquem-no aí.- disse ele.

Harry, Rony, Zacarias, Hermione e Gina fizeram o serviço e eles observaram Lupin e Neville sumirem na escuridão. Recomeçara a nevar.

- O que faremos agora?- perguntou Zacarias.

- Simas e Justino estão bem?- perguntou Gina.

- Sim!- disse Parvati.- A Profª. Sprout apareceu assim que nós entramos no castelo, ela seguiu com os dois.

- Cho, Antônio e Terêncio estão naquele túnel!- disse Zacarias.

- Vamos nos dividir novamente!- disse Harry.- Eu, Gina e Hermione vamos para as estufas procurar os outros. Vocês quatro vão buscar os três.

- Ok!- fez Rony limpando com a manga das vestes meio rasgadas um filete de sangue que lhe escorria pela costeleta.

Harry, Hermione e Gina seguiam calados. Estavam na metade do caminho, onde antes os primeiros comensais apareceram quando Draco surgiu de trás de uma árvore. Ele vinha com uma espada na mão e parecia bem perto de estar "bêbado".

- Verifiquem se ainda há comensais por aqui!- disse Harry.

- Cuidado, Harry!- disse Gina sacando sua varinha.- Ele também é um comensal!

Hermione e Gina entraram entre as árvores que havia ali indo em direção às estufas, Hermione narrava resumidamente a história de Sirius. As varinhas acesas em punho.


- Olá, Potter!- disse Draco.

- Vejo que não tem medo mesmo de morrer!- disse Harry.

- Digamos que se eu não matá-lo eu morrerei!- disse ele erguendo a espada.

- Acha que vai me vencer com isso?- perguntou Harry.

- ISSO é a espada de Salazar Slytherin!- disse Draco. Harry riu mas então Draco golpeou a espada para frente fazendo-o recuar.- Como pode ver o MEU LORDE me mandou armas poderosas, ao contrario do seu!

Harry então se lembrou nitidamente da espada de Gryffindor na parede da sala de Dumbledore.

- Accio espada!- gritou e em poucos segundos a espada surgiu voando no meio da escuridão.- Você quer uma luta de espadas?- completou sorrindo.

- Garanto que você não tem chances de ganhar de um garoto que pratica esgrima desde os sete anos de idade!

E logo os dois começaram uma luta de espadas. Essas por sua vez soltavam faíscas todas as vezes em que se atritavam.


****


- Não há mais ninguém aqui, Gina!- disse Hermione.- Sirius, Isabel e Tonks devem ter levado os que estavam aqui!

- Mas então vamos também, você tem que tratar deste ombro.- disse Gina indicando o ombro de Hermione, o lugar onde a flecha atingira estava meio esverdeado agora.

- Não!- disse Hermione.- Não podemos deixar o Harry sozinho com o Malfoy lá!


****


Harry golpeou com a espada para frente. Draco desviou. Harry viu pelo canto dos olhos o vulto de Hermione chegar, Gina em forma de gato ao lado dela. No segundo de distração Draco se recuperou e voltou pra cima dele. Ele bloqueou o golpe com a própria espada. A espada de Draco raspou a sua e desceu até sua canela abrindo ali, pouco abaixo do joelho, um profundo corte. Harry cambaleou alguns metros para trás. Ele viu Gina já, na forma humana, vir se aproximando por trás de Draco. Harry chegou a cair na neve que foi salpicada pelo sangue que escorria por sua perna. Mas então superando a dor na perna ele se reergueu e lançou a sua espada que voou até Draco o atingindo pouco abaixo das costelas. Draco que girava a espada no ar afrouxou a mão e esta escapuliu cortando o ar da madrugada com um zunido seco.

Harry não conseguia enxergar muito além. Estava muito escuro e nevava. Ele viu Draco cair de joelhos na neve, que agora se manchava rapidamente de vermelho, e depois tombar para trás. Ele ouviu um miado e depois um grito. E então apalpou os bolsos e se levantou. Quando finalmente conseguiu acender a varinha foi que pôde entender o que acontecera. A espada de Draco atingira Hermione do lado esquerdo da cintura, e a espada, mágica como deveria ser, lançara a garota até a árvore mais próxima.

- MIONE!- gritou Harry e o mais rápido que sua perna ferida permitiu ele correu até ela.

- Acalme-se, Mione!- dizia Gina que parecia muito pálida, o cabelo coberto de neve.- Temos que retirar a espada, Harry!

Hermione arfava e gemia de dor.

- Você ficará bem, meu amor!- disse Harry tirando o floco de neve que acabara de cair no rosto de Hermione.

- Ai!- gemeu Hermione.

- Puxe a espada, Harry!- disse Gina.- E eu segurarei Hermione.

Harry tentou, mas a espada havia atravessado a cintura de Hermione e se enterrado no tronco da árvore.

- Não consigo!- disse Harry.- A minha perna!- justificou.

- Tente com mais força.- disse Gina.

Harry então apoiou a perna ferida na árvore e com toda a força que conseguiu encontrar ele puxou a espada. Ele ouviu um imenso grito de dor de Hermione e em seguida caiu pra trás com a espada. Gina não agüentou o peso de Hermione e as duas caíram no chão. Rapidamente a garota ajoelhou-se na neve e esticou Hermione.

- Não vou agüentar, Gina.- gemeu ela.

- Mione!- disse Harry que se arrastara até elas. A única luz que havia ali era a da varinha dele caída em meio à neve.

- Desculpe, Harry!- disse ela.- Desculpe por não poder sobreviver para nos casarmos.

- Shhiii!- fez Harry levantando um pouco o rosto de Hermione para frente.- Você vai ficar bem, levante-se Gina, vamos levar Hermione para a enfermaria.

- Não!- disse Hermione segurando o braço de Gina.- Não vou agüentar.

Harry olhou para Gina desesperado. Ele viu que a garota chorava.

- Eu sinto muito, Gina!- disse ela.- Sinto por tudo! Por ter deixado você se envolver com aquele traste, por não ter conseguido me transformar em uma animaga junto contigo. Me desculpe por tudo o que eu poderia ter feito por você e não fiz!

- Não me peça desculpas, Mione!- disse Gina acariciando o rosto pálido da amiga.- Você foi a melhor amiga que alguém pode um dia conseguir ter! Não se culpe por nada! Se algumas coisas em nossas vidas deram errado era porque tinham que dar!

Hermione tentou sorrir.

- Obrigado, por ter me ensinado a ser como você era. Por ter me mostrado virtudes, por ter me ajudado a descobrir e a usar a inteligência que nem eu sabia que tinha. Obrigado por ter me transformado em quem sou hoje! Sei que se não fosse por sua amizade e por seu apoio eu teria continuado aquela garota fútil que eu era.

- Me dê um abraço, Gina.- disse Hermione. Grossas lágrimas escorriam pelo seu rosto também. Gina obedeceu.- Eu estou com frio.- disse Hermione.- Eu estou morrendo, Harry.- completou se virando para o garoto.

- Você não pode fazer isso, Mione.- disse Harry chorando enquanto tirava o casaco.- Tome, se aqueça.- completou cobrindo Hermione com o casaco.
Eles ouviram um grito de Draco. Gina se arrastou pela neve até a espada cravejada de esmeraldas no cabo.

- Me beije, Harry!- disse Hermione.- Me beije.

Harry obedeceu. Mas aquele não foi o beijo quente como costumava ser. A boca de Hermione estava extremamente fria e havia uma mistura de lágrimas e sangue ali. Enquanto os dois estavam grudados pelos lábios Gina se levantou segurando a espada. Ela a girou no ar. Sentia um enorme vazio por dentro. Sentia frio também. E sua mão chegava a arder com o frio ainda maior que tinha o metal da espada. Ela caminhou alguns metros. O dia começava a dar sinais de que ia nascer, deixando a noite mais clara. Logo viu Draco.

- Gina!- gemeu ele.- Gina! Desculpe, por tudo, Gina!

- Você matou Hermione!- disse Gina enquanto tocava, com a ponta da espada o peito de Draco.

- Eu sei, me desculpe, Gina.- disse Draco.- Eu também vou morrer. E isso dói, Gina! Isso dói! E eu não quero morrer, eu não quero.

- Você não merecia morrer, Draco! Você merecia algo pior!

- Eu sei, eu sinto muito, Gina.- gemeu Draco.- Mas acabe logo com isso. Termine de me matar! Eu lhe amo, Gina! E prefiro morrer por suas mãos a ficar aqui sentindo frio até que minhas forças se esgotem!

- Você não está em condições de fazer reivindicações, Draco!- disse Gina.

- Realize o meu último desejo e acabe logo com isso!- disse Draco.

Gina fechou os olhos e apertou as mãos no punho da espada. Respirou fundo e então num impulso enterrou e tirou a espada do peito de Draco rapidamente. Ele soltou um grito e então Gina jogou a espada longe e se deixou cair ao lado dele.

- Eu lhe amei tanto, Draco!- disse ela.- Tanto...

- Eu também!- disse ele segundos antes de sua boca começar a escorrer sangue.- Se eu estou aqui, morrendo, hoje, é- é por você, Gina! Foi por vo- você que me tornei um....

Mas ele não terminou a frase. Ele nunca terminou a frase. Seus olhos, que no mesmo dia estavam cheios de malícia, agora estavam vidrados em uma expressão medonha de dor. Gina acariciou o rosto gelado do garoto. Em seguida se curvou sobre ele dando-lhe um selinho. Então se levantou e voltou para Hermione. Harry acabara-se de se reerguer.

- Prometa-me Harry.- disse Hermione.- Que não vai deixar isso acabar com você, que vai continuar a sua vida sem mim.

- Não há vida em mim, sem você ao meu lado, Hermione!- disse Harry, as lágrimas desciam livres por seu rosto. Ele sentia uma enorme dor dentro de si que somada à dor na perna se tornava quase insuportável, mas ele não estava ligando para dor alguma agora.

- Eu nunca lhe deixarei totalmente, meu amor.- disse Hermione tomando a mão de Harry.- Eu estarei sempre em seu coração.

Harry sentia a neve cair em seus cabelos.

- Gina, diga ao Rony que agora, mais do que nunca ele deve me esquecer!- disse Hermione segurando uma das mãos ensangüentadas de Gina.- Diga a ele, também, para nunca desistir. Diga que eu confio nele, e que quando essa maldita guerra acabar ele será um grande homem! Um grande Bruxo! E diga a ele para dar apoio ao Harry pois ele vai precisar!

Ela apertou os olhos de dor.

- E peça desculpas a Profª. Minerva por mim, por eu não viver o suficiente para ela me indicar para o cargo de monitora chefe.- continuou Hermione.- E diga ao Vítor para dar apoio aos meus pais! Ah! E conte ao Sirius que Isabel é filha dele!

Ela se virou novamente para Harry.

- Me perdoe por eu ser quem sou, Mione, por eu ter te colocado nessa luta.- disse Harry.

- Você não deve se preocupar em pedir perdão por nada.- disse Hermione com a voz fraca.- Você é perfeito, Harry! Quando eu chegar ao outro lado e encontrar...- ela se curvou para os braços de Harry com dificuldade.- E encontrar seus pais, sua mãe! Eu direi a ela que ela ficaria orgulhosa de você se ainda estivesse aqui. Pois você é o maior bruxo que eu pude um dia imaginar que existiu.

- Eu não vou conseguir viver sem você!- choramingou Harry.

- Vai sim!- disse Hermione.- Você é forte! E as pessoas precisam de você, Harry. Faça que a minha morte tenha valido a pena. Viva! Viva para que as pessoas ainda tenham esperanças. Viva para que Voldemort nunca obtenha uma vitória definitiva! Não deixe que ele mate você, Harry. Não deixe que nada mate você! Pois você é único, você é o único que não pode nunca morrer! Você é o Harry! Você é o meu Harry! Você é Harry Potter e você foi e sempre será o menino que sobreviveu! Ai!

Ela tossiu.

- Está acabando.- disse ela.- Feche meus olhos quando eu me for. E desculpe mais uma vez por eu não ter sobrevivido para fazer nascer o Sirius e a Laura Potter!

- Você não pode ir Mione!- choramingou Harry.- Eu não vou agüentar a dor de perdê-la!

- Você sobreviverá, Harry!- disse Hermione antes de tossir novamente.- Está frio aqui.

Gina fechou os olhos por alguns segundos como se quisesse aliviar uma imensa dor.

- Está escuro também.- disse Hermione fechando os olhos também.- E há pessoas em volta de nós que nos observam sorrindo! Elas não estão com frio!

- Não!- repetia Harry acariciando o rosto de Hermione, esta que agora estava em seus braços sujando suas vestes ainda mais de sangue.- Não!

- Me beije novamente, Harry.- disse ela reabrindo os olhos.- Me beije uma última vez.

Harry obedeceu. Hermione sentiu os lábios quentes dele tocarem os seus novamente. Ela sentia agora aquele mesmo gosto que sentira na garganta ao acordar do sonho na última noite. Em um último flash de vida ela viu o rosto de Tonks dizer: "Queria que tivesse uma espécie de lei que proibisse a morte de pessoas tão promissoras quanto ela. É um desperdício matar gente assim." e então veio o seu próprio rosto dizendo: "Eu não temo a morte, Harry." E ela não temia. Uma das coisas pelas quais ela mais se orgulhava era por compreender a vida. E ela sabia, sabia que todo mundo tinha uma hora para morrer. E a dela era aquela. Era difícil aceitar que ela partiria e deixaria Harry...Gina...Rony para trás. Mas não tinha escolha. Não agora. Mas tivera uma morte digna. Morrera lutando. Lutando por algo que realmente valia a pena lutar. Ela ainda sentia os lábios de Harry nos seus quando sentiu a dor que sentia se esvair de seu corpo levando todo o resto junto.

Harry sentiu Hermione ficar mais pesada. Ele ficou paralisado por um momento e então se afastou e a deitou na neve.

- NÃÃÃÃOOO!!!!- ele gritou no meio de lágrimas.- NÃÃÃOOO!!!

Ele então mirou o rosto petrificado de Hermione. Os olhos castanhos arregalados. A pele muito pálida agora. Os cabelos volumosos cheios de neve. Ele a observou daquele jeito durante um minuto, minuto este que ficou suspenso no ar. Ele nunca imaginou que seria possível sentir mais dor no coração do que quando vira Sirius atravessar o véu, mas era possível. E aquela dor era horrenda! Ela ultrapassava tudo que ele sentia de forte naquele momento. A dor na perna, o frio. Preferiria ter ido no lugar dela. Mas agora era tarde. Era tarde demais. Ela não estava mais entre nós. Ela que foi a melhor aluna de Hogwarts dos últimos anos. Ela a quem ele tanto amava, que o fizera perceber que por mais cruel que fosse a vida, ela valia sempre a pena. Ela, que era única, que era Hermione Granger, e estava agora morta.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:52

23° Capitulo - Fim e começo

Gina se levantou com algum esforço. A neve parara de cair. Ela deu a volta no corpo de Hermione. Harry acabara de fechar seus olhos. Ela estendeu a mão a ele e o ajudou a levantar. A perna dele estava encharcada de sangue. Eles se abraçaram e choraram silenciosamente por um longo tempo, até que se ouviu o som de vozes que se aproximavam correndo pela neve. Harry se deixou cair ao lado de Hermione novamente. Ele tremia não só de frio, mas de dor também. Gina continuou imóvel, assistindo Isabel, Lupin, Sirius, Tonks e Zacarias Smith se aproximarem. Zacarias ficou parado imóvel diante o corpo de Draco, Gina achou que ele nunca vira um morto tão ensangüentado como Draco estava, talvez nunca tivesse visto alguém morto algum antes daquela noite. Isabel foi a primeira a chegar. Ela se jogou de joelhos ao lado do corpo de Hermione e deitou a cabeça no peito da garota.

- Está morta.- disse Isabel com a voz fraca.

Tonks, Sirius e Lupin estavam paralisados diante de Gina.

- Oh Tonks!- disse Gina se atirando nos braços da mulher que tinha um enorme arranhão do lado direito do rosto.

- O Malfoy também!- disse Zacarias ainda de pé defronte ao corpo.

Harry não se manifestou. Não disse nada. Ele continuou calado quando Sirius e Lupin o ajudaram a ficar de pé. E quando Sirius colocou Hermione e Draco sobre macas. E também permaneceu calado por todo o caminho até a enfermaria. E ainda calado quando Tonks o envolveu em um grosso cobertor.

Gina também estava calada. Ainda chorava silenciosamente. Enquanto caminhava pela enfermaria. Estavam quase todos os membros da AD ali, eles ocupavam mais da metade dos leitos. Ela viu Justino com a perna já no lugar dormindo. Simas também devia dormir em seu cortinado já fechado. Padma Patil assentada em seu leito tomava uma xícara de chocolate abraçada à irmã. Neville também estava adormecido do outro lado, ao lado de Cho e de Terêncio cujos cortinados estavam fechados. Mais à frente a Profª. Sprout entregava xícaras de Chocolate para Luna e Dino, este tinha um enorme corte no rosto que parecia já ter sido cuidado. Gina viu Lilá adormecida mais à frente.

- Oh! Gina!- disse Rony abraçando a irmã assim que a viu.- Como estão os outros? Como estão Harry e Hermione?

Gina olhou para o rosto cansado do irmão com pena.

- Hermione está morta, Rony.- disse Lupin que vinha trazendo uma xícara de chocolate para Gina.

- O que?- fez Rony seguindo os dois até o fundo da enfermaria onde ficava a sala de Madame Pronfey. Gina ainda pode ver Ernesto, Antônio e Michael adormecidos em seus leitos.

Gina se deixou cair em um sofá que havia ali e tomou seu chocolate quando Tonks entrou na saleta. Lupin permanecia calado. Os olhos vidrados em qualquer ponto.

- A culpa foi minha, Tonks.- disse ele.- Eu deixei os garotos para trás!

- Você não sabia que o Malfoy estaria ali, Remo.- disse Tonks- Você não teve culpa de nada.

Lupin tampou o rosto com as mãos. Provavelmente chorava.

- Gina.- disse Tonks. Gina ergueu o rosto pra ela.- Você se importaria em me contar como tudo aconteceu? Acho que devo passar os fatos a Dumbledore.

- Ok.- fez Gina e depois de tomar mais um gole do chocolate começou a contar.- Nós encontramos o Draco enquanto estávamos indo para as estufas. O Harry falou para seguirmos em frente, o Draco estava com uma espada e sem varinha. Quando chegamos às estufas não havia mais ninguém lá!

- Eu, Sirius e Isabel os trouxemos para cá.- disse Tonks.- A Srta. Brown foi estuporada violentamente. Corner desmaiou após ser torturado por algum comensal. O único que ainda estava acordado era o Thomas. Mas continue.

- Eu sugeri que viéssemos direto para cá, Hermione fora atingida, antes, por uma flecha dos centauros no ombro, mas ela não quis deixar Harry para trás. Quando voltamos ao lugar onde havíamos deixado Harry e Draco os dois lutavam com espadas. Então Draco atingiu Harry na perna e eu fui me aproximando para estuporar Draco pelas costas antes que um dos dois morresse naquela luta. Mas...- a voz de Gina embargou e seus olhos se encheram novamente de lágrimas.- Mas quando eu estava quase lá Harry atingiu Draco e este lançou a espada no ar, a espada provavelmente atingiria a mim, mas não sei como, Hermione previu que isso aconteceria e saltou na minha frente me empurrando para o lado. A espada ao alcançar Hermione a jogou até a árvore mais próxima.

Escutava-se soluços de Lupin.

- Eu... Eu iria traze-la para cá. Quer dizer, eu era a única que tinha condições de fazer isso! Harry mal conseguia andar. Nós dois a tiramos da árvore. Mas ela não deixou que eu a trouxesse. Ela disse que não agüentaria, pois estava morrendo.- Gina agora chorava livremente.

- Flechas de centauros são letais, ela morreria de uma forma ou de outra.- murmurou Tonks pensativa.

- Draco ainda gemia no lugar onde caíra. E então, quando eu vi que Hermione não se salvaria eu apanhei a espada e a enterrei no peito de Draco.

- Oh! Gina!- fez Rony que também chorava e abraçou novamente a irmã.


****


Dumbledore caminhou lentamente pelo gramado que agora estava coberto de neve. Ele observou a mancha vermelha no lugar onde antes estivera o seu fiel Guardião. Ele se virou e encarou Minerva. Seus olhos azuis estavam cheios de lágrimas.

- É o fim, cara Minerva!- disse ele, havia imensa tristeza em sua voz.- Vamos mandar todos para casa, Hogwarts não é mais o lugar seguro de antes.

- Você não pode fazer isso, Alvo!- disse Minerva, havia desespero em sua voz.

- Um professor e dois alunos em uma só noite.- disse ele, as lágrimas agora escorriam pelo seu rosto se perdendo em sua barba prateada.- Posso sim! A minha decisão está tomada!

- Quem foram os alunos, Alvo?- perguntou Minerva que há menos de duas horas havia sido tirada da cama por Collin.

- Draco Malfoy e Hermione Granger.- disse Dumbledore que agora caminhava na direção das estufas. Logo ele alcançou mais duas manchas de Sangue na neve. Minerva, que havia ficado para trás por causa do choque da notícia acabara de alcançá-lo.

- Você não está falando sério!- disse ela.- Como?

- As velhas espadas de Salazar e Godric fizeram um enorme estrago, Minerva.- disse Dumbledore.- Há dezenove alunos sobreviventes na enfermaria. Além de alguns dos membros da Ordem que estavam por perto quando descobriram o ataque.

Ele se virou para a professora. Ela também chorava agora.

- Não há mais nada que possamos fazer, Minerva.- disse ele.


****


Sirius atravessou a porta da enfermaria. Em um dos primeiros leitos ele viu Harry, assentado embrulhado em um cobertor, os olhos perdidos no nada. Ele foi caminhando lentamente entre os leitos. Sentia-se oco por dentro. Aquele fora o seu retorno. Mas ele achava que estar de volta, de rever Harry não valia a morte de Hermione e de Hagrid. Se pudesse teria morrido pelos dois. E então, no fundo da enfermaria apareceu Isabel que correu até ele e o abraçou. Logo Lupin apareceu na porta da saleta e os dois se abraçaram também, provavelmente não se viam desde que Sirius atravessara o véu.

- Todos os que estão bem já tomaram chocolate?- perguntou Madame Pronfey.- Então vamos! Vamos, talvez um banho faça bem a vocês.- disse olhando para Gina e Rony.

- Onde está o corpo dela?- perguntou Rony a Tonks assim que se levantou.

- Creio que Dumbledore já tenha cuidado dele.- disse Tonks.

- E onde ele está?- perguntou Rony.

Tonks consultou um relógio de pulso.

- A essa hora deve estar no salão principal avisando aos alunos que todos irão para casa à tarde.- disse Tonks.

Rony engoliu em seco, mas não disse nada. Foi saindo lentamente da enfermaria. Logo Gina fez o mesmo. Quando desceu para tentar comer alguma coisa encontrou o Sr. e a Sra. Granger no salão comunal, conversando a um canto com McGonagall. Bichento circulava por ali e parecia desorientado. Já deviam ser quase dez da manhã, pois o salão principal estava quase vazio. Ela viu Rony assentado, solitário, na mesa da Grifinória. Assentou-se ao lado dele. Algum tempo depois Zacarias Smith apareceu por ali e se juntou a eles.

- Vamos todos para casa.- disse ele.

- Eu sei.- disse Rony.- Nunca vamos chegar a nos formar. Vamos todos morrer... Como Hermione.

- Não diga isso, Rony!- disse Gina.

- Não posso voltar para casa!- disse Zacarias.- Papai não vai me aceitar!

- Porque?- perguntou Gina.

- Ele me odeia!- disse Zacarias.

- E sua mãe?- perguntou Rony.

- Ela foi morta na primeira Guerra. Eu devia ter pouco mais de três meses.- disse Zacarias.- Vocês vão pra casa?

- Não.- disse Gina.- Nossa casa não é segura.

- Porque nunca falou que era uma animaga, Gina?- perguntou Rony.

- Eu tinha medo de você querer contar a mamãe.- disse Gina.

- Tolice sua!- disse Rony.

- Não foi não.- retrucou Gina.- Você iria me ameaçar como fez quando descobriu sobre eu e o Draco.

- Como está o Potter?- interrompeu Zacarias.

- Não sei.- disse Rony.

- Ele deve estar se sentindo péssimo.- disse Zacarias.

- Ao menos ele descobriu que o Sirius não morreu.- disse Rony.

Mal ele dissera isso quando a porta do salão principal se abriu novamente. Dumbledore entrou por ela, seguido de Lupin, Tonks, Sirius, Isabel, Moody e Quim.

- Este é Zacarias Smith, Alastor.- disse Dumbledore. O garoto ergueu o a cabeça assustado ao ouvir seu nome.

- Você é filho de Josep Smith?- perguntou Moody sério como Gina ou Rony não se lembravam de tê-lo visto antes.

- Sim.- disse Zacarias.- Porque?

- E você já arrumou as coisas para ir embora?- perguntou Moody.

- Na verdade não, é que eu ainda não tive tempo.- disse o Zacarias se levantando.- Mas sinceramente, eu não queria voltar para casa.

- Você não irá voltar para casa.- disse Moody.- Você virá conosco.

- Como assim?- perguntou Rony se levantando também.

- A guerra começou mais violenta do que esperávamos, Rony.- disse Quim.- E estamos anexando à Ordem todos aqueles jovens que tem a capacidade de lutar ao nosso lado.

- Isso quer dizer que nós finalmente seremos membros da Ordem?- perguntou Gina.

- Sim.- disse Dumbledore.

- O que é a Ordem?- perguntou Zacarias sem entender.

- Sirius e Tonks explicarão tudo o que vocês terão de fazer.- disse Dumbledore.

- Professor Dumbledore!- chamou Gina quando o homem se virou para sair.

- Sim.- disse Dumbledore calmamente enquanto se virava para a garota, parecia cansado.

- Quando faremos o enterro de Hermione?- perguntou ela.

Dumbledore deu um longo suspiro.

- Isso os pais dela decidirão.- disse Dumbledore e antes que Gina pudesse dizer mais alguma coisa ele saiu seguido pelo restante dos bruxos deixando apenas Tonks e Sirius para trás.

- Soube que você deu trabalho a Dolohov e Travers, garoto.- disse Sirius.

Gina notou que sua voz soava triste e forçada.

- Você é Sirius Black?- perguntou Zacarias.

- Em carne e osso.- disse Sirius.

- Não importa o que ele fez ou não agora, Sirius.- interrompeu Tonks.- Sentem-se.

- Pode me dizer o que é a Ordem?- perguntou Zecarias.

- É resumidamente uma sociedade secreta que luta contra Voldemort e o seu exército.- disse Sirius em voz baixa.

- Mas porque vocês mudaram de idéia sobre a idade ideal para se tornar um membro da ordem?- perguntou Rony.

- Porque nós tivemos uma pequena demonstração do que se tornaram os jovens que Harry andou treinando durante o ano passado!- disse Tonks.

- É!- disse Sirius parecendo orgulhoso.- Harry fez um excelente trabalho.

- Mas vocês vão recrutar todos os membros da AD?- perguntou Rony parecendo levemente abismado.

- Não!- disse Tonks.- Selecionamos sete a princípio.

- Esses sete seguirão para a minha casa esta tarde.- disse Sirius.

- Mas nós sequer chegaremos a nos formar!- disse Gina.

- Mas receberão treinamento!- disse Sirius.

- Menores de idade não podem realizar feitiços!- disse Gina

- Na Guerra tudo é permitido, Gina.- disse Sirius

- E quem são esses sete?- perguntou Rony.

- Vocês três, Harry, Longbotton, a Srta. Lovegood e Dino Thomas.- disse Tonks.

- E os outros?- perguntou Gina.

- Não sabemos ainda.- disse Sirius.

- Não podemos deixá-los simplesmente voltar para casa!- disse Gina.- Garanto que os comensais sabem exatamente quem são eles agora, e que vão querer matá-los por terem ajudado a retardar a invasão à Hogwarts!

- Nós sabemos disso!- disse Tonks.- Mas não há o que fazer com esse bando de estudantes a princípio.

- A princípio?- perguntou Gina.- E vocês vão esperar que mais deles morram, como Hermione, para tomar alguma providência?

- Acalme-se Gina.- disse Tonks.- Haverá uma reunião da Ordem para decidir sobre isso. E por enquanto vocês devem simplesmente arrumar as coisas de vocês.

- Posso ir?- perguntou Zacarias que parecia bem contente agora.

- Sim.- disse Sirius.- E lembre-se de manter sigilo.

- Tonks.- disse Gina quando essa já ia se levantar.

- Sim?- disse Tonks que parecia cansada.

- O que eu devo fazer com as coisas de Mione?- perguntou.

- Creio que os pais dela irão levá-las embora.- disse Tonks.

Logo Rony e Gina voltaram para a torre para arrumar as suas coisas. Isso não foi uma tarefa fácil. A cada objeto que Gina apanhava para colocar no malão ela se lembrava de algum momento que vivera em Hogwarts. E logo a tristeza pela morte da melhor amiga foi somada com a tristeza da despedida de Hogwarts. Devia ser quase quatro horas da tarde quando ela terminou. Madame Pronfey tinha mandado que ela descansasse um pouco, mas ela não tinha paciência para dormir. Ao se lembrar da enfermeira decidiu ir à enfermaria ver como estavam os outros. Mas quando estava descendo as escadas uma voz a chamou. Era a Sra. Granger. O dormitório do 6º ano já estava vazio exceto pelas coisas de Hermione.

- Sra. Granger, eu sinto muito!- disse Gina.

- Eu sei, querida, eu sei.- disse a Sra. Granger cujos olhos estavam extremamente inchados. Gina caminhou até a cama de Hermione e achou por lá o relógio que Luna dera para Harry. Gina não pode conter uma lágrima ao ver o ponteiro de Hermione, solitário parado em um local cujas runas diziam: Morte.

- Nós estivemos pensando sobre o que vamos fazer com as coisas que eram dela.- disse a Sra. Granger.- E decidimos que vamos manter o quarto dela a princípio.

- É!- concordou Gina.

- E nós queríamos saber se você poderia talvez ficar com o gato.- disse a Sra. Granger.- Nunca gostamos de animais. E fique com esse objeto estranho também.

- Eu cuidarei de Bichento.- disse Gina se levantando.- Sabe, Sra. Granger, eu gostaria de lhe dizer que eu realmente sinto muito pelo que aconteceu à Mione e que se pudesse tivesse havido tempo eu teria entrado na frente daquela espada e morrido por ela.

- Eu entendo, querida.- disse a Sra. Granger e abraçou Gina.

- Gina!- chamou a voz de Ann.

- Com licença.- pediu Gina e saiu do dormitório.

- Eu queria me despedir de você.- disse a japonezinha. Gina a abraçou.

- E o que você vai fazer da vida?- perguntou Gina.

- Papai me escreveu assim que recebeu a coruja avisando sobre o nosso retorno, ele disse que vamos voltar à Ásia.- disse Ann.

- Espero que lá esteja melhor do que aqui.- disse Gina.

- É!- disse Ann.- Bom, Adeus!- disse ela antes de descer as escadas. Gina viu que muitos alunos estavam fazendo isso também. O Trem partiria às cinco.
Gina desceu também. Mas seguiu para a enfermaria.

- Como está se sentindo?- perguntou Madame Pronfey assim que a viu.

- Eu estou na medida do possível.- disse Gina.- Como estão os outros?

- A Srta. Chang e o Sr. Simas foram levados ainda cedo para St. Mungus.- disse a Enfermeira.- Os outros estão bem, os irmãos Crevey e alguns outros já devem estar voltando para casa.

- E a perna de Harry?- perguntou Gina.

- Foi apenas um corte, ele já até acordou.- disse a enfermeira.- Pode vê-lo se quiser.

- Ok!- disse Gina. Ela caminhou lentamente até o leito onde sabia que estava Harry. A cortina no lado direito estava aberta e Harry estava assentado em sua cama. A perna enfaixada. Ainda tinha aquele olhar perdido. Ele soltou um suspiro quando Gina atravessou o seu campo de visão e se assentou ao lado da cama.

- Então não foi um sonho, Gina.- disse ele. Sua voz estava fraca e arrastada.

- Infelizmente não.- disse Gina.

- Ela se foi mesmo?- perguntou Harry no mesmo tom de voz.

- Os pais dela estão aí.- disse Gina.

- Eu prometi ao Sr. Granger que não a deixaria morrer.- disse Harry.- Naquela vez em que ele queria levá-la daqui.

- Você não pôde fazer nada.- disse Gina.

- Porque eu sou assim?- perguntou Harry.- Porque sou Harry Potter? Porque tive que sobreviver para sofrer por tantas mortes, tantas perdas? Desde pequeno sofri a morte de meus pais. Depois a de Sirius. E agora ela! Porque eu não podia ser um garoto normal?

- Era por você ser especial que ela gostava tanto de você. Era por essa sua nobreza. Por sua enorme capacidade de se meter em situações perigosas e salvar a vida das pessoas.- disse Gina.- Se você fosse só mais um garoto normal ela não o amaria tanto, pode ter certeza, Hermione gostava de desafios, e estar ao seu lado é um desafio!

- Boa parte de mim morreu com ela.- disse Harry.

- Há sempre vida após a morte, Harry.- disse Gina.

- Desde que acordei eu não paro de pensar em me entregar a Voldemort.- disse Harry.

- Nunca!- disse Gina.

- Assim eu poderia vê-la novamente.- disse Harry.

- Ela não espera te ver tão cedo!- disse Gina.- Você deve realizar os últimos desejos dela. Você deve viver para fazer a morte dela ter valido a pena!

- São quase cinco e meia.- disse Madame Pronfey que vinha com duas muletas nas mãos.- Dumbledore pediu que vocês fossem à sala dele nesse horário.

Harry fechou os olhos e soltou outro suspiro.

- Você consegue ficar de pé?- perguntou a enfermeira.

- Sim.- respondeu Harry tomando as muletas.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:53

24° Capitulo - Luto de Harry

Harry e Gina seguiram pelos corredores desertos até a sala do diretor. Quando finalmente alcançaram o topo da escada em espiral e entraram na sala viram Rony sentado a um canto. Ele parecia muito cansado e também tinha os olhos inchados. Dumbledore estava atrás de sua mesa. Gina ajudou Harry a se assentar e então tomou uma terceira cadeira.

- O que você irá dizer dessa vez?- perguntou Harry.

- Você ainda não sabe, Harry.- disse Dumbledore calmamente.

- Que Hermione se foi? Que Hagrid se foi? E que pelo o que eu entendi todos vocês me enganaram, pois Sirius estava vivo?- perguntou Harry impaciente.

- Hogwarts será fechada.- disse Rony em uma medonha voz fúnebre.- Quase todos já se foram.

- O que?- perguntou Harry.

- Foi isso mesmo o que o seu amigo disse.- disse Dumbledore.- Você e o seu grupo de estudos de DCAT foram bárbaros, conseguiram impedir que a invasão tomasse proporções maiores, mas o esforço de vocês foi quase que em vão.

- Eu...- disse Harry se equilibrando em pé em uma perna só.- Eu não vou voltar para a casa dos Dursley!- disse ele.- Não vou não!

- Os Dursley não existem mais.- disse Dumbledore.

Harry simplesmente caiu assentado na cadeira com um baque surdo.

- Eles o que?- perguntou Harry.

- Mortos!- disse Dumbledore.- Na noite passada. Ao que tudo indica Voldemort cuidou deles pessoalmente enquanto seus homens faziam algum estrago na escola. Parece que a sua tia ainda tentou defender a família, mas ela não tinha nem chance contra o Tom. Assistiu seu primo Duda ser torturado, até a morte, depois o marido ficar inconsciente e então foi morta com uma Maldição da Morte.

- Mas como?- perguntou Harry sentindo-se ainda pior, odiava os Dursley, mas não podia deixar de sentir a morte deles.- Porque?

- Lembra-se quando lhe contei sobre a proteção de sua mãe?- perguntou Dumbledore.

- Sim.- disse Harry baixando a cabeça.- Enquanto eu pudesse chamar a casa dos meus tios de meu lar eu estaria protegido pelo sangue de minha mãe.

- Mas ainda existem Evans!- disse Gina.- Hermione me contou sobre um garoto o nome dele é...

- Marco Evans.- disse Dumbledore.- O pai dele era primo de Lílian Potter. A família dele foi morta também.

Harry baixou a cabeça. Estava perdido, sabia que estava. Não tinha mais a tal proteção de sua mãe. Não tinha mais casa. Não tinha mais Hogwarts. Não tinha mais o apoio de Hermione. O que seria dele?

- Eles não podem ter provocado tanto estrago em uma só noite!- disse Rony levantando o tom de voz.- Eles não podem!

- Isso é a Guerra, Rony.- disse Dumbledore.- Há alguns meses nós os surpreendemos. Eles atraíram vocês até o ministério e se o plano deles tivesse dado certo teriam sido todos mortos. Mas nós tínhamos um espião! E nós estávamos preparados para surpreendê-los, e foi o que fizemos. Nós frustramos a tentativa de roubar a profecia e de matar Harry. Nós mandamos vários deles para Azkaban e...

- Não adiantou nada! Todos fugiram!- disse Rony.

- Sim, Rony. Todos fugiram. Mas o pequeno tempo que passaram lá retardou parte de seus planos.- disse Dumbledore.- E nós fizemos ainda mais. Conseguimos inocentar Sirius, o que de uma forma ou de outra acabou adiantando o começo da caçada aos comensais.

- Mas Sirius morreu!- disse Harry ainda cabisbaixo.

- Oras Harry!- disse Dumbledore.- Você ainda não se deu conta de que o seu padrinho está ao seu lado novamente?

- Não!- disse Harry.- Foi tudo uma ilusão! A morte de Mione também foi uma ilusão! Isso é um sonho! Um pesadelo! Desses que parecem reais e que depois você acorda ensopado de suor. Logo eu vou acordar!

- Não! Não foi.- disse Dumbledore. Gina viu que seus olhos estavam cheios de pena.

- Eu sei que não! Mas eu estava febril quando Tonks e Lupin chegaram. Sirius não estava lá! Foi impressão minha! Ele tem me perseguido desde que Hermione se foi!- disse Harry. Seus olhos estavam arregalados e desfocados.- É uma ilusão! Eu estou ficando louco, Dumbledore! Louco!- ele cobriu o rosto com as mãos e balançou a cabeça de um lado para o outro.- Eu matei uma pessoa! Eu matei! Foi por isso que Hermione se foi! Foi um castigo. Pois eu matei Draco Malfoy.

- Você não o matou!- disse Gina.

- Matei sim, Gina!- disse Harry erguendo o rosto para ela.- Eu enterrei aquela espada...- disse apontando para a espada de Godrico Grifindor já de volta na parede.-... Nele!

- Você não o matou!- insistiu Gina.

- Não?- perguntou Harry, ele parecia ter aprendido a arregalar os olhos como Luna.- Então quem foi?

- Eu o matei, Harry!- disse Gina.- E não me arrependo disso!- completou.- Ele ainda estava muito vivo enquanto Hermione dava os seus últimos suspiros. Eu apanhei a outra espada na neve e terminei o serviço.

- O assunto não é esse!- disse Rony que parecia ser o menos alterado dos três.- O assunto é: O que será de nós daqui pra frente!? Tonks e Sirius disseram que seremos membros da ordem.

- Vocês já são.- disse Dumbledore.

- E o que acontecerá?- perguntou Rony.

- Primeiro vocês descansarão.- disse Dumbledore.- Principalmente você, Harry.

Harry tinha a cabeça novamente baixa.

- Depois vocês receberão algumas aulas, principalmente de Defesa Contra as Artes das Trevas.- disse ele.- E depois começarão a participar das atividades da Ordem.

- E quando, mais ou menos, será isso?- perguntou Rony que parecia um pouco reanimado.

- Em dois meses talvez.- disse Dumbledore.- Mas o primeiro passo para estarem prontos será esquecer as mortes desta noite.

Harry se levantou violentamente derrubando a cadeira, teve que se apoiar na mesa de Dumbledore para não cair.

- Você não entende?- perguntou ele.- Eu não vou superar nada! Eu não quero superar nada! Você acha que foi só mais uma pobre pessoa a morrer? Não foi não! Porque, para começar não foi só uma pessoa que morreu! Hermione morreu! A minha namorada, a pessoa que eu mais amava nesse mundo morreu!

- Acalme-se, Harry.- disse Dumbledore.

- E se você não se abala pela morte dela, pois deveria, garanto que ela seria uma ótima cabeça pensando nessa porcaria de Ordem, abale-se então pela morte de Hagrid!- Harry chegava a cuspir enquanto falava. Estava extremamente vermelho e furioso.- Rúbeo Hagrid morreu! Será que você não percebe? Aquele Centauro, Firenze, ele morreu! Você não consegue perceber a gravidade das coisas?- ele despejava as palavras como se o mundo estivesse preste a acabar caso ele não dissesse tudo rapidamente. Dumbledore tinha os braços cruzados e o observava com a mesma cara calma de sempre. A porta do escritório se abriu, mas Harry nem notou.- Não! Você só pensa nessa guerra! Guerra pra cá! Guerra pra lá! Você diz que se importa comigo, que sempre se importou, mas eu não acredito nisso!- Harry agora quase encostava o indicador no nariz cumprido de Dumbledore enquanto despejava toda a sua fúria.- Você FINGE que se importa comigo enquanto na realidade você só consegue pensar nessa guerra! Você está doente, Dumbledore! Você está tão doente que não consegue sequer lembrar das vidas que se perdem por sua ânsia de vitórias! Todos dizem que você é um grande bruxo, mas na realidade você não passa de um velho caduco fissurado em "ganhar a guerra contra o mau!" Eu não percebia antes, mas agora vejo nitidamente que o profeta diário e todos aqueles jornais que nos difamavam tinham razão sobre você!

- CALE-SE HARRY!- gritou uma voz em suas costas.

- Deixe o garoto, Sirius.- disse Dumbledore com se Harry fosse um garotinho de cinco anos de idade que brincava de jogar coisas frágeis e valiosas escada a baixo simplesmente por que era divertido vê-las se espatifar...- ele acabou de sofrer grandes perdas, precisa culpar alguém.

Dumbledore olhou Harry, ainda de pé, por cima dos óculos de meia lua e sorriu.

- Às vezes ele até tenha um pouco de razão.- completou ainda sorrindo.

- Nada justifica ele insulta-lo, Dumbledore.- disse Sirius. Rony e Gina olhavam para ele meio boquiabertos. Harry continuava paralisado sem se virar.

- Não se preocupe, Sirius.- disse Dumbledore se levantando mantendo o sorriso.- Ele fez acusações até piores na noite em que você se foi. Mas como você "já voltou" acho que vou deixá-los a sós, Rony, Gina, vamos descer e comer alguma coisa.

Harry continuou imóvel. Sua respiração estava acelerada e ele podia sentir o coração disparado. Se estivesse em um dia normal teria corrido até Sirius e o abraçado. Mas seu cérebro não estava trabalhando no ritmo normal.

Ele ouviu os passos pesados de Sirius atravessarem o escritório. Mantinha a cabeça baixa novamente. A perna doía. Ele fechou os olhos tentando retomar o controle de seu cérebro. Ainda tinha os olhos fechados quando Sirius levantou a cadeira e forçou Harry a se sentar. Quando abriu os olhos ele viu o padrinho assentado no lugar onde antes estivera Dumbledore.

Ele ainda usava as roupas surradas de sempre. Os cabelos muito negros lhe caíam sobre os olhos. O rosto ainda mantinha aquele mesmo traçado bonito apesar da barba a fazer. Parecia estar cansado, mas seus olhos negros cintilavam incrivelmente enquanto examinavam Harry minuciosamente. Harry, não sabia porque, evitava o olhar do padrinho.

- Engraçado.- Disse Sirius finalmente enquanto consultava o relógio.- Há exatamente 24 horas eu estive com Hermione na casa dos Gritos e ela me disse entusiasmada que você ficaria feliz ao me ver, mas parece que ela estava enganada.

- Sim! Ela estava enganada!- disse Harry erguendo os olhos que ainda se mantinham arregalados com aquele brilho alucinado.- Eu não consigo me sentir feliz após descobrir que fui enganado!

- Engraçado.- disse Sirius de novo.- Até nesse tipo de coisa você se parece com seu pai.

- Aposto que ele também não se sentiria contente ao descobrir que foi enganado!- disse Harry dando um sorriso sarcástico.

- Não!- disse Sirius.- Ele provavelmente já teria me dado um abraço se estivesse em seu lugar. È que ele agiu de forma semelhante quando seus avós morreram.

- Pouco me interessa a história de quando meus avós morreram!- disse Harry.- E eu não me pareço com meu pai! Eu não quero me parecer com meu pai. ALIÁS, EU NÃO QUERIA SER FILHO DO MEU PAI!

- Não diga tolices, Harry.- disse Sirius.

- EU NÃO ESTOU DIZENDO TOLICES!- gritou Harry se levantando.

- Então acalme-se.- disse Sirius.

Harry se assentou novamente e então sorriu.

- Vamos fazer um jogo de perguntas.- disse ele.- Vamos ver se você continua a ter inteligência depois de ter feito um tour por aquele véu ou se ele afetou os seus neurônios.

Sirius soltou um suspiro.

- Diga-me porque meus pais morreram.- disse Harry.

- Por que infelizmente a hora de algumas pessoas morrerem chega antes do que esperávamos.- disse Sirius sério.

- Resposta errada!- disse Harry.- A resposta certa é: Porque eles eram pais de um fulano chamado Harry Potter que por causa de uma maldita profecia estava destinado desde antes de nascer a se tornar o grande rival de Lorde Voldemort! Próxima pergunta: Porque Cedrico Digory morreu? Não! Não responda! Sei que não tem capacidade de acertar! Cedrico Digory morreu por estar ao lado de Harry Potter na hora errada. Pergunta três: Porque Rúbeo Hagrid, Hermione Granger, Draco Malfoy e o centauro Firenze morreram? Pois estavam tentando defender Hogwarts. E porque Hogwarts foi invadida? Pois nela Harry Potter estaria seguro. E porque os Dursley e os Evans foram assassinados? Pois eram as únicas pessoas que restavam da família de Harry Potter!

Ele finalmente olhou Sirius nos olhos. Mas estava tão fora de si que nem se preocupou com a tentativa do padrinho em dizer alguma coisa.

- Vamos concluir então, qual é a conseqüência de se aventurar ao lado de Harry Potter? Morrer! Morrer e morrer!- continuou Harry.- Porque uma guerra começou? Por que Harry Potter está vivo. E o que podemos fazer para esta guerra terminar? Matar Harry Potter! Morra Harry Potter!

- Você está doente, Harry.- disse Sirius sério.- Está fora de si.

- Não, não estou!- disse Harry.- Eu nunca estive tão lúcido em toda a minha vida!

- E será que o Sr. razão poderia me dizer o que vai fazer daqui pra frente?- perguntou Sirius.

- Estive pensando seriamente em tentar suicídio!- disse Harry enquanto apanhava uma pena de metal que estava sobre a mesa de Dumbledore - parecida com a que Hermione se cortara fazendo um dever há menos de três dias atrás - e tentava cortar os pulsos com ela.

Sirius deu a volta na mesa e tomou a pena da mão de Harry.

- Pois já que você não quer conversar sobre o que vai REALMENTE fazer de sua vida, eu, como RESPONSÁVEL por você decido que você deve ir para o seu ex-dormitório, juntar as suas coisas para voltar para aquela que agora é a SUA casa.- disse Sirius sério. Harry não se moveu.- O que foi? Não vai me obedecer?

- Acho que você se esqueceu que eu estou com um pequeno corte na perna que deve ser cuidado.- disse Harry em tom baixo, mas tão cheio de ódio quanto antes.

- Os bruxos que habitam a minha casa tem capacidade para cuidar desse corte.- disse Sirius.- Agora vá! Ande!

Harry respirou fundo e depois apanhou as muletas e saiu lentamente da sala. Chegava a tremer de ódio.

O castelo estava completamente deserto. Quando atravessou o buraco do retrato viu os malões de Rony e Gina no meio do salão. Ele ignorou a figura de Gina assentada próximo à lareira e subiu as escadas. Algum tempo depois Sirius entrou pelo buraco.

- E então?- perguntou Gina.

- Ele está mal.- disse Sirius tristemente.- Você sabe o que os pais de Hermione decidiram sobre o velório e as coisas dela?

- Dumbledore nos disse que os corpos foram enviados a St. Mungus.- disse Gina.- Serão liberados em dois dias. O enterro será no cemitério de Hogsmead a pedido de Minerva. Na Terça feira.

Ouviu-se um estrondo vindo de um dos dormitórios. Sirius e Gina subiram correndo. Harry havia atirado as coisas pelo quarto, derramado os ingredientes de poções, amassado o caldeirão, rasgado boa parte de suas roupas, os livros espalhados pelo chão e ele estava deitado no mesmo de barriga para cima arfando com os olhos arregalados vidrados no teto.

- Harry!- disse Gina.- O que você fez?

Harry não respondeu. Sirius o ergueu e o fez deitar na velha cama de colunas. Algum tempo depois ele adormeceu. Quando acordou na manhã seguinte ele se assustou ao ver que estava em seu quarto na casa de Sirius. Rony se encontrava assentado em sua cama. Os olhos perdidos no nada.

- Ah! Você acordou.- disse ele tristemente.

- Preferiria ter morrido durante o sono.- retrucou Harry.- Desde quando estamos aqui?

- Faz quatro horas que chegamos.- disse Rony.- São onze horas da manhã de Segunda feira se você quer saber.

- E onde está todo mundo?- perguntou Harry.

- Tonks e Gui foram com Gina até o ministério registrá-la como animaga.- disse Rony.- Luna está com mamãe na cozinha e Neville ainda está apagado no quarto que foi montado para ele, Zacarias Smith e Dino Thomas, que são os novos integrantes da ordem junto conosco.

Harry deu ombros.

- Mamãe ficará feliz ao saber que você acordou.- Rony falava com extrema melancolia.

- Vou dormir novamente.- disse Harry se virando na cama. Mas não dormiu. Apenas fechou os olhos e se perdeu no escuro. Ele ouviu pessoas entrarem e saírem do quarto. Sentiu a Sra. Weasley acariciar seus cabelos achando que ele dormia. Ouviu também quando Gina chegou contando que todos haviam deixado Hogwarts definitivamente. Que Simas sairia do hospital em uma semana e que Cho estava muito mal, que corria perigo de morte. Mas ele não se importou com nada. Talvez precisasse comer alguma coisa, sua barriga roncava loucamente, mas não queria. Ele só tornou a abrir os olhos na manhã seguinte quando ouviu a Sra. Weasley acordar Rony para o enterro de Hermione. Ele ouviu Rony se trocar e sair. Algum tempo depois a porta tornou a se abrir, alguém entrou e se assentou na cama de Rony.

- O enterro de sua namorada é hoje.- Era Isabel.

Harry fingiu que dormia.

- Eu sei que você está acordado.- disse ela.- E se quer saber a minha opinião...

- Eu não quero opinião de ninguém!- disse Harry secamente.

- Se quer saber a minha opinião...- continuou Isabel ignorando-o.- Acho que deveria ir ao enterro para se despedir de Hermione.

Harry deu ombros.

- Estou esperando você em quinze minutos na lareira da sala de estar.- disse Isabel antes de sair do quarto.


****


- Não acham que deveríamos acordar o Harry?- perguntou Gina.

- Ele não está dormindo.- disse Sirius com impaciência.

- Isso passará, Sirius.- disse Tonks.- É normal que ele fique assim, era a namorada dele.

- Eu sei.- disse Sirius.- Eu também passei alguns dias fingindo de morto quando...quando os pais dele morreram, só que foi diferente, pois eu já estava em Azkaban. E então um dia eu acordei e resolvi que deveria me desgastar com outra coisa a partir daí. Eu tinha de me vingar. Tinha que acabar com Rabicho. E depois de quinze anos consegui.

- Foi você quem matou rabicho?- perguntou Gina.

- Digamos que eu provoquei o "acidente"!- disse Sirius com uma sombra de triunfo no olhar.- Não precisei sujar as minhas mãos.

- Você não devia falar esse tipo de coisa pras crianças.- disse a Sra. Weasley que acabara de servir mais suco de abóbora para Luna.

- Andem logo.- disse Fred que acabara de aparatar na cozinha.- Jorge seguiu na frente com Isabel. Não gostei nada disso, admito. Mas pelo menos aquele mala do Zacarias Smith foi com eles.

- Ok!- disse a Sra. Weasley.- Vamos andando. Fred tem razão, já estamos quase atrasados.

- E como nós vamos, mamãe?- perguntou Rony.

- Flu.


Harry desencostou da porta da cozinha e seguiu até a sala de estar onde encontrou Isabel.

- Zacarias e Jorge foram à frente.- disse Isabel.- Ande logo.- completou preparando a lareira.

Harry obedeceu e em segundos estava na lareira do três Vassouras. Ele saiu da loja e logo viu Lupin e McGonagall passando penosamente. Seguiu-os. O cemitério era um cemitério como outro qualquer. Nessa época do ano estava coberto de neve. Logo na entrada havia uma espécie de sala para funerais. Ele entrou. Havia ali dois caixões. Um de um tamanho normal e o outro demasiadamente grande. Já havia algumas pessoas ali. Entre elas os pais de Hermione e Olímpia. Harry tentou abaixar os cabelos rebeldes, mas logo entrou no salão em passos penosos. Parou defronte ao caixão de Hagrid. Ouviu Isabel chegar com os dois garotos em seguida. O gigante continuava com a mesma cara de sempre só que agora parecia extremamente pálido e tinha alguns buracos arroxeados em seu rosto onde antes estavam as flechas dos centauros. Harry não quis olhar por muito tempo. Continuou a sua caminhada até o outro caixão. Sabia que não queria ver aquilo. Mas era como se precisasse. No fundo ele precisava. Ele fechou os olhos quando notou que estava perto de mais e respirou fundo. Quando o abriu novamente ele a viu. Não estava mais suja de sangue, mas estava igualmente pálida a Hagrid. Harry tomou sua mão. Estava pesada e gelada. Ele a beijou. E então sacou a varinha.

- Orchideous!- disse e uma flor vermelha apareceu na ponta da varinha.

Ele a apanhou, guardou a varinha e encaixou a flor na mão de Hermione e a colocou novamente no lugar. E então ele ficou ali parado. Olhando para ela. Seu rosto estava calmo. Se não fosse pela palidez exagerada ele talvez diria que ela só estava dormindo. Ele ouvia o som das pessoas chegando. Algumas se aproximavam do caixão, mas ele sequer levantava os olhos para vê-las. Deve ter ficado ali por mais de duas horas. Os pensamentos vazios. Ele só tinha uma coisa em mente. Sabia que essa era última vez que ele a veria. Queria guardar os mínimos detalhes de seu rosto na memória. O salão já parecia cheio quando ele sentiu uma mão tocar seu ombro. Ele se virou. Era o Sr. Granger.

- Eu queria lhe devolver isso.- disse ele tirando uma caixinha do bolso do terno preto.

Harry pegou a caixinha. Sabia exatamente o que era aquilo. Limitou-se a guardar a caixinha no bolso das vestes.

- Eu...Eu sinto muito, Sr. Granger.- disse ele.- Por não ter conseguido cumprir o que lhe prometi.

- Eu provavelmente ficaria chateado contigo, Harry.- disse o Sr. Granger.- Mas Hermione o amava muito, e ela não gostaria que eu colocasse esse peso em suas costas.

- Eu também a amava, Sr. Granger. E ainda amo.- disse Harry antes do Sr. Granger se afastar.

Ele voltou a observar Hermione. Quinze minutos mais tarde ele seguia à frente do cortejo carregando o caixão já fechado de Hermione junto com o Sr. Granger, Gina e a Profª. McGonagall. Moody, Olímpia, Dumbledore e Lupin carregaram o de Hagrid.

-...Hermione Granger não foi só uma das melhores alunas que Hogwarts já teve. Ela era também um exemplo de pessoa. Uma digna Grifinoriana. Por sua nobreza e coragem.- Dizia a Profª. Minerva.- Sei que quando essa segunda guerra findar ela será lembrada como uma espécie de mártir, mesmo não tendo vivido para ver o fim. Que ela descanse em paz.

E logo tudo foi coberto por terra e flores. E logo as flores foram cobertas por neve. E todos começaram a partir. Mas ele permaneceu ali. Queria estar lá com ela. Queria muito. Mas logo a Sra. Granger o acolheu nos braços e o levou para longe daquela fria neve que voltara a cair. E ainda restava muita gente no salão. Muitos dos membros da ordem. O Sr. Lovegood, Vó Meg, professores de Hogwarts. Alguns alunos grifinorianos e até de outras casas também. Mas depois de algum tempo o salão começou a se esvaziar. Harry estava jogado em uma cadeira a um canto quando seu campo de visão foi tampado por alguém grande. Ele ergueu os olhos e viu o rosto carrancudo de Vítor Krum.

- Eu sentir muíto, Potter.- disse ele.

Harry se levantou.

- Eu esperar que focês ser feliz. Mas isso não acontecer.- disse ele antes de abraçar Harry de um modo que quase lhe partiram as costelas.- Espero que focê ficar bem e não deixar isso acabar com focê.

- Obrigado, Vítor.- disse Harry.

Ele se sentia novamente cansado. E conduzido pela Sra. Weasley ele voltou à ordem, onde se trancou no quarto novamente e se enterrou por completo em melancolia.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:54

25° Capitulo - Insânia e Razão

Harry passou a semana seguinte trancado em seu quarto. Na Terça feira seguinte ao enterro ele foi encontrado por Lupin na dispensa.

- O que está procurando Harry?- perguntou ele para o garoto que estava agachado mexendo em alguma coisa, ainda de pijama.

Harry ignorou-o.

- Quer comer algo?- perguntou Lupin.

Harry então se ergueu apontando uma faca para o pescoço de Lupin, que assustado recuou alguns passos.

- Fique onde está!- disse Harry com os olhos arregalados.- Seu Comensal imundo!

- Harry!- disse Lupin recuando mais alguns passos.- Não sou um comensal. Sou Remo Lupin, seu professor...Seu amigo!

- Cala a boca comensal!- disse Harry apertando a faca.

- Sou seu amigo.- disse Lupin.- Agora me dê isso.

Naquele momento Sirius surgiu pela porta da cozinha.

- O que está acontecendo aqui?- perguntou ele ao ver a cena.

- Cala a boca se não eu mato o comensal!- disse Harry arregalando os olhos ainda mais para Sirius, estava sem os óculos.

Sirius respirou fundo pensando no que fazer e então viu um frasco de veneno contra fadas mordentes na mão de Harry.

- O que você pensa que vai fazer com esse veneno?- perguntou Sirius dando alguns passos para frente.

- Não se mecha! Já disse que mato o comensal!- disse Harry.

- Então me diga o que ia fazer com isso!- disse Sirius.

- Vou tomar.- disse Harry.

- Você enlouqueceu?!- perguntou Sirius indo dar mais um passo, mas Harry chegou a faca mais perto do pescoço de Lupin e ele desistiu.

- Eu vou matar o comensal!- informou.

- Harry!- disse Sirius.- Ele não é um comensal! Ele é Remo Lupin!

- Ele é um comensal!- insistiu Harry.

- Ok! Então se ele é um comensal que eu sou?- perguntou Sirius.

- Você é o fantasma do meu padrinho.- disse Harry.

- Ok! E você confia em mim?- perguntou Sirius tentando manter a calma.

- Confio no meu padrinho, não no fantasma dele!- disse Harry.

Naquele momento a Sra. Weasley entrou na cozinha.

- Harry?!- disse ela levando as mãos à boca.- O que você está fazendo?

- Então! Eu sou o seu padrinho!- disse Sirius ignorando a recém chegada.- Você confia em mim?

- Não!- disse Harry.- Você é o fantasma dele. Eu confiava nele, mas não confio em você!

- Então vamos brincar de faz de conta!- disse Sirius.- Você finge que confia em mim. Você gosta de brincar?

- Sim.- disse Harry dando um sorriso demente.

- Então agora que eu sou o seu padrinho, você confia em mim?- perguntou Sirius.

- Sim!- disse Harry.

- Então, agora, me dê a faca!- disse Sirius.

- Não!- disse Harry voltando a olhar para Lupin.- Ele é um comensal e eu vou matá-lo.

- Não pare a brincadeira, Harry.- disse Sirius.- Vamos fingir que ele não é um comensal e então você vai me entregar a faca, certo?

- Certo.- disse Harry quando Dino e Rony entraram na cozinha ficando paralisados à porta.

- Então me dê a faca!- disse Sirius estendendo a mão sem ousar dar um passo em frente.

Harry olhou para Lupin. Não estava pensando direito. Estavam chamando-o de Harry, mas aquele era seu nome? Ele viu o comensal, que estava vermelho. Devia fingir que aquele não era um comensal e entregar a faca para o fantasma de seu padrinho. E ele o fez.

Lupin caminhou até a Sra. Weasley e ficou ali parado olhando Harry com os olhos cheios de pena.

- Pronto.- disse Sirius.- Agora sente-se aqui!

Harry caminhou até o lugar que ele indicara e assentou-se ainda segurando o frasco de veneno.

- Agora me entregue o veneno.- disse Sirius sentando-se defronte a ele.

- Não!- disse Harry "abraçando" o frasco.- Vou tomá-lo.

- Porque você vai tomá-lo?- perguntou Sirius.- Você quer morrer?

- Sim!- disse Harry.

- Porque você quer morrer?- perguntou Sirius como se conversasse com uma criança de cinco anos.

Harry tornou a arregalar os olhos verdes para Sirius como um louco. Porque ele queria morrer? E então ele se lembrou. Lembrou de tudo. Sobre quem era e sobre toda a sua vida. Ele baixou o rosto.

- Você tentar se matar não vai trazê-la de volta.- disse Sirius ao ver que o momento de loucura de Harry estava passando.

E então Harry notou algo de errado. Sirius estava ali diante dele. Então ele se lembrou de todo o ódio que sentia do mundo e se levantou em um impulso.

- Ela morrer trouxe você de volta!- cuspiu ele. Seus olhos arregalados deram lugar a olhos cheios de ódio.

- Não! Não trouxe!- disse Sirius.- Me dê o vidro Harry.

- Eu não vou dar!- disse ele saltando o banco e correndo até a porta.

- Harry...- fez Sirius e então Harry atirou o vidro contra Sirius de modo que o atingiu na testa abrindo um corte ali. Em seguida ele voltou correndo para o seu quarto e se jogou na cama chorando. Acabou adormecendo.


****


- Harry?!- chamou a voz de Gina. Harry levantou os olhos para a porta. A garota entrou e se assentou na cama de Rony.

Harry baixou os olhos novamente para a sopa e mexeu-a com a colher por algum tempo.

- Tenho uma notícia pra você.- Disse Gina.

- Se for notícia ruim dá meia volta.- respondeu Harry secamente.

- Na verdade ela não é boa, mas acho que você deveria saber.- disse Gina.

- Não quero saber de nada!- disse Harry arregalando os olhos.

- Aonde você pensa que vai chegar desse jeito?- perguntou Gina.

Harry deu ombros.

- Já vai fazer um mês e meio que você está trancado nesse quarto!- disse Gina.

- Aqui eu tenho tudo que preciso.- disse Harry.- Uma cama, algumas roupas, meus óculos, um banheiro e alguém que sempre me trás algo de comer.

- Algo de comer que você mal toca, como essa sopa!- disse Gina.- Aonde pensa que vai chegar assim?

- Se essa vida me ajudar a morrer mais rápido eu ficarei satisfeito.- disse Harry.

- Cho morreu.- disse Gina.

- O que?- perguntou Harry entornando a sopa nas cobertas.

- Cho morreu. Ela foi torturada até ficar inconsciente durante a invasão, eu assisti tudo, Dolohov quase a matou, e sabe porque?- perguntou Gina.

- Porque ela era alguém próximo de mim?- arriscou Harry.

- Ela havia se tornado uma comensal junto com Draco.- disse Gina.- Mas se arrependeu e lutou do nosso lado.

- Você está fazendo hora com a minha cara.- disse Harry se lembrando de seu encontro com Cho em Hogsmead certa vez, o que lhe fez lembrar de Hermione.

- Por que eu faria isso?- perguntou Gina.

- Porque todos fazem isso comigo!- disse ele.

- Snape disse que ela passou a Voldemort a lista de todos os membros da AD.- disse Gina.

- Não duvido nada que o próprio Snape tenha feito isso.- disse Harry.

- Umbridge também sabia quem eram.- disse Gina.

- Quem se importa?- perguntou Harry.

- Eu me importo!- disse Gina.- Aquela lista, Harry, se tornou uma espécie de lista negra.

- Você está tentando me convencer de que é melhor eu morrer de uma vez, pois estou prejudicando a vida das pessoas?- perguntou Harry.

- Eu estou tentando te convencer de que não importa se você queira ou não que as pessoas continuem do seu lado. Elas vão continuar mesmo se você não quiser.- disse Gina.- E que se você realmente quer "salvar" a vida delas deve reagir e tomar uma atitude logo.

- E o que você quer que eu faça?- perguntou Harry.

- Que levante dessa cama e volte à vida!- disse Gina.

- Isso não vai salvar a vida das pessoas.- disse Harry.

- Eu e Rony temos um plano. É ousado, mas é um plano.- disse Gina.

- E qual é o plano?- perguntou Harry.

- Só vou lhe contar se você reagir.- disse Gina.

- Eu não consigo reagir, Gina!- disse Harry.- Será que você não entende? Não era simplesmente uma amiga que se foi, era a minha namorada!

- Era a minha melhor amiga!- disse Gina.- Era como uma irmã pra mim para ser sincera. E não é porque ela se foi que eu vou ficar me afogando em mágoas, Harry!

Harry deu ombros.

- Quer saber...- disse Gina se levantando.- Não vou mais me preocupar contigo! Se você quiser ficar aí nessa cama até morrer que fique! Eu não estou mais nem aí. E tem mais: vou dizer ao Rony pra se jogar em uma cama e ignorar que o mundo continua girando também. O nosso plano nunca vai dar certo. Tchau!

E dizendo isso ela saiu do quarto batendo a porta ao passar. Harry ficou parado durante algum tempo, depois se levantou a fim de trocar as cobertas que agora estavam cheias de sopa. Um mês e meio, pensou. Já deviam estar quase no fim de fevereiro e ele ali. Sentia que estava preso àquela cama e não tinha vontade de lutar contra essa prisão. Mas algo lhe dizia que era preciso reagir. Que era preciso recomeçar. Algo vindo do fundo de seu coração, mas ele sentia que não era capaz de fazer algo sem Hermione ao seu lado. Então o rosto de Hermione lhe surgiu na memória. "Eu nunca lhe deixarei totalmente, meu amor. Eu estarei sempre em seu coração."


****


- E então Gina?- perguntou Sirius.

Gina se assentou defronte ao homem e baixou a cabeça.

- Porque ele é tão egoísta?!- perguntou ela.- Porque é tão cabeça dura também?!

- Ele ainda não se conformou, Gina.- disse Isabel que estava assentada ao lado de Sirius.

- Porque não fala com ele, Sirius?- perguntou Rony.- Ele ainda não acredita plenamente que você voltou.

- Ele sabe que voltei.- disse Sirius.- Só não quer acreditar. Tanto ele sabe que me atacou aquela vez quando me reconheceu.

Gina concordou observando a pequena cicatriz que já quase sumira da testa de Sirius.

- O Harry pode estar ficando louco?- Perguntou Rony.

- Ele está tendo algumas alucinações apenas.- disse Remo.- Isso vai passar. Um dia, vai passar.

- Mas...- fez Rony. Ia falar sobre algo que evolvia a profecia, mas não sabia se podia falar sobre isso ali, talvez nem todos soubessem.

- Pode falar, Rony.- disse Isabel fitando-o.

- E se ele surtar novamente e ninguém estiver perto?- perguntou Rony.- Eu quero dizer, naquele dia ele ia tomar um veneno, se ele morresse, a guerra estaria terminada?

- Espera aí.- disse Gina.- Então aquela profecia dizia algo relacionado com a morte de Harry e o fim da guerra?

- Sim.- disse Rony.- Para a Guerra acabar, Harry ou Voldemort, um dos dois terá que morrer.

- Mas então...- fez Gina pensativa.- A gente teria de fazer uma emboscada.- completou no momento em que Snape entrou na cozinha.

- Severo?- perguntou Lupin.- O que faz aqui?

- Onde?- perguntou Snape que parecia transtornado.- Onde está Dumbledore? Onde?

- Ele não está aqui, mas...- fez Lupin observando Snape dos pés à cabeça.- Me acompanhe Severo.

Os dois deixaram a cozinha.

- Não temos mais um espião confiável para nos auxiliar em uma emboscada.- disse Isabel.

- Nunca tivemos.- completou Sirius.

- Desculpe descordar contigo, tio.- disse Isabel.- Mas até certo ponto Snape nos foi muito útil.

Ao ouvir a palavra tio, Gina olhou para Isabel. Essa fitava Sirius. E então um flash do último momento de vida de Hermione lhe veio à cabeça. "Ah! E diga a Sirius que Isabel é filha dele!" Essa fora a única parte dos últimos pedidos da amiga que Gina não cumprira. Não sabia porque, mas sentia que não devia contar. Pelo que sabia Belatriz Lestrange revelara tal coisa para Hermione e Isabel depois de ser torturada na cabana de Hagrid. Porque, então, Isabel não contara a Sirius?

- Até certo ponto, Isabel.- disse Sirius e Gina piscou voltando a si.- E ele nunca foi totalmente seguro, voltou para Voldemort oferecendo-se como espião. E desde que se recusou a trair Dumbledore ajudando na invasão à escola ele ganhou a indisposição de Voldemort.

- Então não temos mais um espião?- perguntou Rony.- Estamos às cegas?

-Praticamente.- disse Sirius.

- Eu me ofereci para tomar o lugar de algum comensal...

- Seria loucura!- interrompeu Sirius.- Sua prima já pensou nisso antes de você aparecer. Nunca daria certo. Voldemort é um excelente legilimente.

- Nem se Isabel tomasse o lugar de sua mãe?- arriscou Gina ainda pensando sobre o fato de Sirius ser o pai da garota.

Houve um silêncio.

- Sabe...- disse Gina.- Quando recapturamos a invasão vocês nos disseram que Tonks tinha jogado a isca para Mione ir à casa dos Gritos e que lá ela se reuniu a vocês dois e a própria Tonks e então se dividiram e foram para Hogwarts ao saberem da invasão, certo?

Sirius fez que sim com a cabeça.

- Isabel e Mione desarmaram Rodolfo Lestrange e foram na direção da cabana de Hagrid, onde encontraram Belatriz Lestrange.- continuou Gina.- O que, exatamente aconteceu lá dentro?

Houve um novo silêncio. Gina viu Sirius fitar Isabel como se esperasse uma resposta dela.

- Eu também gostaria de saber sobre isso.- disse Rony.

- Se não quiser não diga.- disse Gina.- Mas eu estive pensando sobre isso. Lestrange e Umbridge estavam cumprindo um plano, e quando eu apareci atrapalhando-o elas iriam se livrar de mim antes de prosseguir, mas então eu falei sobre você e ao ver sua mãe em estado de choque eu aproveitei para fugir. E ela provavelmente sabia que vocês iriam até lá, pois ela esperou vocês!

- Eu discuti com minha mãe.- disse Isabel olhando para baixo.- E a torturei, mas Hermione não deixou que eu a matasse, e então nós deixamos a cabana, e foi só.

Gina viu que Sirius ainda fitava Isabel.

- Com licença.- disse Isabel se levantando e saindo da cozinha.

- Gina, você sabe de alguma coisa que nós não sabemos?- perguntou Rony fitando a irmã.

- Não!- mentiu Gina.

- Mas qual era o plano de vocês?- perguntou Sirius olhando-os.

- Usar sua sobrinha.- disse Gina.

- Mas não como espiã.- disse Rony.

- Estivemos pensando...- disse Gina.- Sobre os grandes bruxos de lá, e os de cá. Existem pouquíssimas mulheres do lado de lá. Narcisa Malfoy, Belatriz Lestrange e Umbridge. E Creio eu que Belatriz seja uma das mulheres mais próximas a Voldemort.

Sirius escutava atentamente apesar de seus olhos estarem levemente desfocados.

- Achamos isso pois ela foi vista por Mundungo fazem quinze dias, e se não fosse alguém importante teria sido morta ao descobrirem sobre Isabel.- disse Rony.

- Temos que eliminá-la, Sirius.- disse Gina.

- E em que isso ajudaria?- perguntou o homem.

- Abriríamos um buraco no flanco deles!- disse Rony.

- Vocês tem razão sobre Belatriz ser uma grande bruxa e todo o mais, mas não creio que seja um grande progresso matá-la!- disse Sirius.- Logo surgiria um substituto.- e então ele se levantou.- Vou ver o que está acontecendo com Remo e Severo.- completou antes de sair.

- Ele gosta dela.- disse Gina pensativa.

- Que?- fez Rony.

- Nada!- disse Gina.- Vou ler um pouco.

A garota seguiu até seu quarto deixando seu irmão na cozinha. A cama que antes pertencera a Hermione atualmente era ocupada por Luna, que naquele dia tinha ido visitar seu pai.

Gina assentou-se em sua cama. Sentia-se profundamente cansada. Vinha se sentido assim desde a morte da melhor amiga. Ganhara olheiras quase permanentes em baixo dos olhos castanhos.

Ela abriu a gaveta do criado à procura de um livro para se distrair um pouco, mas acabou encontrando outra coisa ali. Era o cartão de natal com a foto de Draco que recebera do mesmo. Ela ficou observando-o sorridente na foto por algum tempo.

Ela ainda sentia um enorme vazio por dentro ao pensar em Draco. Queria esquecê-lo, mas aquele mesmo rosto sorridente ainda habitava seus sonhos.

Em todas as noites, sem exceção, desde a noite em que Draco e Hermione morreram, ela sonhara com ele. Algumas vezes eram sonhos bons em que ela se via ao lado dele feliz em um lugar florido. Mas na maioria das vezes eram sonhos ruins, onde ela se via matando Draco e no meio de sangue e dor vinha o rosto de Lúcio Malfoy dizendo que se vingaria dela. E então ela acordava no meio da madrugada suada e assustada sentindo ainda o frio da espada de Slyherin em suas mãos. Frio este quase igual ao da lágrima solitária que escorria pelo seu rosto agora.

Ela atirou o cartão de volta dentro da gaveta, foi até o banheiro e lavou seu rosto. Tinha de fazer alguma coisa. Durante as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas eles estavam aprendendo que o principal objetivo não era matar comensais, e sim prendê-los, mas ela sabia que prendê-los não adiantaria. Certa vez ela contestara isso.

- Mas, professor Lupin.- dissera ela durante uma das aulas na sala de estar.- Do que adiantaria prendê-los? Não temos mais Azkaban ou dementadores, eles provavelmente iriam fugir novamente.

Ela assistiu Lupin pensar por um momento até responder.

- Os Comensais não merecem que sujemos nossas mãos com eles.


Ela tinha um plano já se formando em sua cabeça. Sabia que Luna, Zacarias e seus três irmãos (Rony, Fred e Jorge) topariam e achava que Isabel também aceitaria participar. Mas faltava alguém. Faltava Harry.


****


Harry ouviu alguém abrir a porta. Pelo som dos passos pesados era alguém mais velho. Mas ele não se virou para ver quem era.

O recém chegado puxou a cadeira da escrivaninha e se assentou. Harry escutou-o pigarrear. Nem se mexeu. Passaram-se cerca de dez minutos.

- Eu queria conversar com você, Harry.

Era Sirius.

Harry o ignorou. Fingiu que dormia.

- Não finja que dorme.- disse Sirius.- Não adianta.

Harry permaneceu quieto.

- Eu já estou me cansando de esperar você reagir.

Harry se assentou na cama e se virou. O padrinho estava assentado na cadeira da escrivaninha diante a porta como se quisesse impedir que alguém a abrisse. Harry não o via desde o dia em que lhe atirara um vidro na cabeça. A cicatriz do machucado já estava quase sumindo. E ele parecia mais belo do que nunca. Trajava vestes negras de aparência imponente, e não as velhas e surradas de sempre, e ele tinha a barba extremamente bem feita agora.

- Eu também cansei de esperar você.- disse Harry secamente procurando não olhar o homem nos olhos.

- Sobretudo eu voltei.- disse Sirius.

- Voltou muito tarde!- disse Harry.- Voltou trazendo coisas ruins!

- Porque não para de tentar me culpar por coisas que eu não fiz?- perguntou Sirius.- Não vê que eu já perdi tempo demais da minha vida pagando por coisas assim?!

- Antes você nunca tivesse fugido de Azkaban!- disse Harry.- Nunca tivesse aparecido na minha vida!

- Não foi isso que você disse no meu julgamento.- disse Sirius.- Dumbledore me disse que você emocionou a todos.

- Nada disso me importa agora.- disse Harry.

- Eu me importo com você.- disse Sirius.

- Porque não vai se preocupar com Isabel então, e me deixa em paz?- perguntou Harry.

- Porque Isabel é apenas a minha sobrinha.- disse Sirius.- E você não! Você é o filho do meu melhor amigo. E como ele se foi, deixando você para trás, eu me sinto no direito de dizer que você é meu filho também.

- Meu pai não ficaria feliz por enganarem o filho dele do modo que me enganaram!- disse Harry.

- Eu não vim aqui discutir esse assunto com você, Harry!- disse Sirius.

- Veio fazer o que então?- perguntou Harry.- Quer que eu atire outra coisa em você?

- Eu vim lhe contar sobre algo do meu passado.- disse Sirius.- Algo que quase todos desconhecem.

- Não quero ouvir.- disse Harry.

- Nunca se perguntou porque eu nunca me casei?- perguntou Sirius.

Harry ia repetir que não queria ouvir mas parou. Já tinha se perguntado algumas vezes sobre aquilo. Seu padrinho fora e ainda era um dos homens mais belos que existiam por aí. Era difícil de acreditar que alguém assim pudesse ficar sozinho.

- Muitas pessoas me perguntaram isso durante a minha vida.- disse Sirius.- E ainda perguntam. Mas só existiram quatro pessoas que souberam do motivo além de mim.- Seu pai, Remo, minha prima Andrômeda e é claro, a grande causadora disso, minha prima Belatriz.

Harry não sabia onde a história iria chegar, mas permaneceu calado.

- Eu e Belatriz nunca demos certo, Harry.- disse Sirius.- Desde pequenos vivíamos brigando, mas quando alguém disse que Amor e Ódio andam juntos, esse alguém não estava errado.

Harry se lembrou então de certa vez em que Dumbledore dissera que havia, ou houvera, muito mais entre Sirius e Belatriz do que muitos imaginavam.

"Quando eu tinha meus treze anos eu descobri que apesar de todo o ódio que sentíamos um pelo outro eu a amava e por incrível que pareça esse sentimento era recíproco. E então nós dois vivemos um romance que durou até o início do verão, após o fim de meu quinto ano."

Sirius olhou para Harry.

- Talvez você não queira mesmo escutar a minha história.- disse Sirius.

Um lado de Harry queria dizer que não, queria continuar a desprezar Sirius. Mas havia um outro lado, um lado que estivera vazio quando Sirius atravessou o véu, que fora preenchido por Hermione e que agora estava novamente vazio.

- Prossiga.- disse Harry.

- Belatriz havia se formado naquele ano.- disse Sirius.- E se não fosse por uma diferença crucial entre nós dois, poderíamos ter nos casado dois anos depois e estarmos juntos até hoje. Há muito tempo eu já vivia em pé de guerra com a minha família, e depois que Andrômeda fora deserdada por se casar com Ted Tonks ela me incentivou a abandonar o meu lar. E eu o fiz. No início eu tinha a ilusão de que Belatriz seria capaz de sair de casa e vir comigo, mas então eu descobri que ela havia a muito tomado uma trilha sem volta, a trilha que leva às trevas, ao mal.

Harry não pode deixar de se lembrar de Gina e Draco. A história era bem parecida.

- Um ano depois ela se casou com Rodolfo Lestrange.- continuou Sirius.- Nas férias de páscoa. Ainda me lembro como se fosse ontem. Eu tinha dezesseis anos. Seu pai me acompanhou até o lugar onde foi a cerimônia e nos dias que se seguiram eu me tranquei no quarto como você tem feito.

- Não é nada parecido.- disse Harry quando percebeu aonde Sirius queria chegar.- Você renunciou a ela. Eu não renunciei a Hermione, ela foi arrancada de mim.

- Ao menos você não a viu casar com outro.- disse Sirius.- E nem teve que um dia encontrar uma filha dela com o seu irmão mais novo.

Talvez Sirius tivesse razão, pensou Harry. Talvez ele estivesse julgando a perda de Hermione mais grave do que na realidade era. Não que não fosse grave, mas é que talvez ele não precisasse parar a sua vida por causa daquilo.

- Eu tenho estado com o coração na mão por vê-lo deprimido como está.- disse Sirius.- Não que eu ache que você tenha que esquecer Hermione, se abrir para outras garotas, mas é que você deveria continuar a sua vida.

- Porque você não conheceu outras mulheres, então?- perguntou Harry.

- Um dia você vai entender que a gente só ama verdadeiramente uma mulher durante a nossa vida.- disse Sirius.- E no meu caso, por essa mulher ser a mulher errada, eu fui condenado a viver só.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:55

26° Capitulo - O Plano

A conversa que Sirius tivera com Harry surgiu algum efeito. Harry começou a comer. E depois de uma semana já era visto fora do quarto. Ele não assistiu às aulas de DCAT que foram dadas ao grupo dos jovens que habitavam a casa, mas Lupin praticou algumas coisas com ele durante a primeira quinzena de Março.

A propósito, Harry perdoou Sirius.

- Gui tem trabalhado feito um doido.- disse Rony.- Os trouxas têm notado algumas coisas estranhas acontecendo. Como aquela chuva de meteoritos que Dédalo Diggle provocou há algum tempo. E Gui tem ralado para arrumar desculpas para outras coisas também, como o desaparecimento de trouxas.

- Tirando isso continuamos na mesma.- disse Zacarias.- Já acabamos as aulas de DCAT faz quinze dias e até hoje não nos deixaram praticar.

- Desde que Snape começou a pirar a ordem tem estado às cegas.- disse Isabel.

- Gina tinha me dito que você e ela tinham um plano.- disse Harry olhando para Rony.

- Não era bem um plano, era uma idéia.- disse Rony.

- E qual era?- perguntou Harry.

Ele viu Rony olhar para Zacarias.

- A gente tinha uma idéia, que para ser realizada, teria que primeiramente contar com a participação de Isabel.- disse Zacarias.

- E qual seria a idéia?- perguntou a própria.

- Lembra quando Gina falou sobre uma emboscada para Voldemort?- perguntou Rony.

- Sim.- disse Isabel.

- Não daria certo com Voldemort por não termos um espião.- disse Rony.- Mas pode dar certo com Belatriz Lestrange.

Isabel pensou por um momento.

- Continuamos sem ter um espião.- disse ela meio impaciente.

- Mas o plano não gira em torno de uma emboscada com a ajuda de um espião.- disse Rony.

- Usaremos você para atrair Belatriz.- disse Zacarias.- E então damos um sumiço nela e você toma seu lugar e atrai comensais até este lugar, com sorte venceremos boa parte destes comensais e então...

- Com os comensais derrubados, atraímos Você-Sabe-Quem e então entra você, Harry!- disse Rony.

- Parece um bom início para um plano...- disse Isabel.

- Mas existem pequenas falhas!- completou Luna.

- A Gina nos disse isso.- disse Zacarias.- Disse que devemos pensar em como Harry matará Você- Sabe- Quem. E em como vamos atraí-lo até lá, pois se ele souber que seus homens foram derrubados provavelmente não vai se arriscar.

- É.- disse Harry pensativo.- É um bom plano, mas temos que reorganizá-lo.

- Vamos nos reunir às três da tarde aqui na cozinha.- disse Isabel.

- Mas se nos pegarem planejando alguma coisa provavelmente vão nos cortar.- disse Zacarias.

- Eu, Fred e Jorge estaremos responsáveis pela casa nesse horário.- disse Isabel.- Foi combinado isso faz uma semana.

- Vou avisar Gina.- disse Luna.

E assim eles fizeram. Dino chegou para o almoço e logo foi informado sobre a reunião. Ao meio dia e meio a Sra. Weasley serviu o almoço. Sirius e Lupin almoçaram rapidamente e saíram com a Sra. Weasley em missão secreta. Algum tempo depois Fred e Jorge chegaram da loja e almoçaram também. E finalmente Mundungo deixou a casa. Às três em ponto eles se assentaram em torno da mesa da cozinha. Gina foi a última a chegar, trazia uma pilha de pergaminhos, tinteiros e penas que ela distribuiu entre todos, parecia animada. Harry se sentia aquecido com o clima de idéias e expectativas no ar.

- Por onde vamos começar?- perguntou Fred.

- O plano começa em Belatriz Lestrange.- disse Gina.- Temos que pensar em algo para atraí-la a algum lugar que ainda não sabemos também onde é.

Todos pensaram por um minuto. Gina escrevia.

- Eu sei o que vamos fazer!- disse Neville de repente e todos olharam pra ele com cara de quem não esperava boa coisa.

- Se Snape não é mais um espião, pois os comensais descobriram que ele estava traindo-os, ele não é mais um espião para lado algum!- disse Neville.- E provavelmente Você- Sabe- quem quer se vingar dele...

- Os comensais estão caçando Snape!- disse Isabel.- Disso eu tenho certeza.

- Então vamos atrair Belatriz usando Snape!- disse Neville.

Todos cochicharam entre si. Era uma idéia considerável. Neville sorriu satisfeito.

- Mas e se der errado e não for Belatriz quem aparecer?- perguntou Zacarias.

- É.- concordou Rony, Harry percebeu que ele e Zacarias estavam se dando super bem.- É um risco a se correr.

- Tenho uma idéia!- disse Isabel.- Quando estive frente a frente com minha mãe em Hogwarts ela disse que se soubesse que eu estava viva teria me criado leal a Voldemort.

- Entendi!- disse Jorge.- Então você marca um encontro com ela e diz que mudou de idéia!

- Isso mesmo.- disse Isabel sorrindo para ele que parecia prestes a babar, ele e Fred ladeavam a garota e ambos vinham cortejando-a já há algum tempo.

- Você diz que decidiu ficar ao lado dela pois brigou com seu pai.- disse Gina.

Isabel olhou para ela com os olhos levemente arregalados, todos olharam igualmente assustados, exceto Harry.

- Hermione me contou ates de morrer.- disse Gina olhando para baixo.

Todos olharam de uma para a outra, abismados, até que Isabel retornou ao plano.

- Pode ser.- disse ela séria.- E então eu dou a idéia de me tornar uma espécie de espiã, pois é preciso cozinhar o galo por algum tempo.

- É mesmo.- disse Harry.- E então você propõe a ela ajudá-la a ganhar pontos com Voldemort. E sugere ajudá-la a entregar Snape a ele para isso.- completou satisfeito por estar tendo idéias novamente.

- E você marca um encontro só que quando ela chegar você estará pronta para capturá-la.- disse Gina sorrindo.- E então você tomará o lugar dela provisoriamente e atrairá alguns comensais até você, e nós o capturaremos também.

- Até aí tudo bem.- disse Harry.- Mas como vamos atrair Voldemort até lá?

- Temos que descobrir como usar a marca negra tatuada!- disse Rony.- Creio que ela talvez seja um meio de comunicação entre os comensais como em casos de urgência.

- Para quê?- perguntou Isabel.

- Através dela você, fingindo ser sua mãe informará a Voldemort pegou Snape.- disse Rony

- E se Voldemort não quiser fazer o serviço e ordenar que ela própria faça?- perguntou Isabel fitando Rony com um estranho brilho no olhar.

- Você diz que descobriu com Snape o que dizia a profecia.- disse Rony.- Se preciso diga a ele que Harry só pode morrer pelas mãos dele e que você já cuidou inclusive de atrair o garoto até você.

- É arriscado.- disse Gina.

- Só que quando Voldemort chegar, Harry estará pronto para matá-lo.- disse Rony sorrindo.- E se não for arriscado não terá graça.

- É!- concordou Gina sorrindo enquanto escrevia novamente.

E então, ouviu-se o som de aplausos. Todos se viraram e viram Dumbledore postado diante a porta trajando vestes de viagem. Ele sorria.

- Nem eu poderia articular um plano tão interessante.- disse ele.- Mas nem pensem em tentar isso sozinhos.

Todos estavam boquiabertos, esperavam serem surpreendidos por alguém, mas nunca por Alvo Dumbledore em pessoa.

- Mas gostaria de lhe perguntar uma coisa, Sr. Weasley.- disse ele para Rony.- Em que lugar aconteceria tudo isso? Pois é preciso um lugar que Tom não conheça tão bem como nós, ou talvez como a Sirius, Remo, Fred e Jorge.

- Hogwarts!- sibilou Rony.

- Podemos usar a sala precisa!- disse Gina.- Usá-la como uma sala de onde não se possa fugir!

- Uma boa idéia, Srta. Weasley.- disse Dumbledore.- Mas vocês pensaram em que arma Harry vai usar contra Voldemort.

- Um Avada Kedavra?- arriscou Zacarias.

- Pensem em algo certeiro, Sr. Smith. Algo de que não se é capaz de desviar.- disse Dumbledore caminhando até a cabeceira da mesa e se assentando ali.- Algo letal.

- Se Harry praticar...- Começou Gina.

- Flechas de Centauros!- disse Luna sonhadora.

- Mas ele pode errar a mira.- disse Zacarias.

- A Flecha de Centauro é algo letal!- disse Gina.- Tonks me disse isso uma vez em que estava chorando por Hermione. Disse que se Hermione não tivesse morrido pela espada de Draco, não tardaria a morrer pela flecha que a atingira no ombro.

- Só os centauros conhecem a cura para suas armas.- completou Isabel sorrindo.

- E Harry nem precisa usar o arco.- disse Luna.- Basta abrir um corte em Voldemort!

- Mas onde vamos conseguir essas tais flechas?- perguntou Rony.

- Vocês não se perguntaram aonde foram Molly, Remo e Sirius?- Perguntou Dumbledore.- Ninguém tocou na cabana de Hagrid desde que ele nos deixou, exceto eu mesmo.

Harry olhou para Dumbledore e entendeu que ele, como sempre, havia previsto a idéia que eles teriam, talvez ele próprio já havia tido a idéia, mas resolvera deixar para que eles a revelassem. Esse era bem o tipo de coisa que ele costumava fazer.

- Guardei cerca de vinte flechas em um malão do qual foi retirado o corpo de um certo elfo fazem três meses. E este malão está bem guardado em minha sala, em Hogwarts.- disse ele.

Todos pareciam entusiasmados. E quando noite caiu, os membros da ordem, convocados por Dumbledore, foram chegando na casa dos Black. Logo os garotos repassaram todo o plano para os adultos. E eles começaram a minuciosa articulação dos detalhes do plano. Eram quatro da madrugada quando alguns deixaram a ordem e os outros foram para suas camas.

Na manhã seguinte Harry voltou a fazer aulas de oclumência. Era testado por Tonks e Isabel. E então, quinze depois, quando Harry conseguiu pela primeira vez fechar a sua mente para a tentativa de ambas as mulheres de penetrá-la foi convocada uma nova reunião. Começava ali, naquela tarde de quinta-feira, trinta e um de março, a operação Adeus Tom, como chamara divertidamente Dumbledore.


****


Belatriz Lestrange abriu os olhos em sobressalto ao ouvir um barulho na janela. O dia primeiro de Abril acabara de nascer. Ela, que dormia com a cabeça sobre o peito nu do marido levantou-se lentamente da cama, para não acordá-lo, e abriu a janela para que a coruja madrugadora entrasse. Ela apanhou o pergaminho que esta trazia e o abriu.


Mamãe,

Desde aquele nosso encontro em Hogwarts não tenho pensado em outra coisa a não ser em você. Principalmente depois que eu e Sirius começamos a nos desentender. Estive pensando sobre o que você disse, que se soubesse que eu estava viva teria me criado como uma fiel seguidora do seu Lorde. Creio que estou pronta para aprender o ofício de idolatrá-lo como você.

Vou entender se você não quiser que eu me junte a você, mas peço encarecidamente, que como minha mãe, você me acolha.

Creio ainda que devo fazer tudo com cuidado, caso você me aceite. Dumbledore tem estado de olho em mim. Responda esta carta e eu pensarei em um lugar seguro para nos encontrarmos.

Com carinho,

Isabel


Belatriz terminou de ler a carta em estado de choque. Tinha pensado muito em sua filha nos últimos tempos, principalmente no tempo em que passou de cama se recuperando do ataque da menina. Era uma bruxa com futuro promissor.

Então pensou se aquilo não era um golpe. Mas o lado maternal falou mais alto. Qualquer outra pessoa poderia enganá-la mas não a sua filha. Encontraria-se com a garota.

Talvez, se acompanhasse o calendário trouxa teria percebido que o dia primeiro de abril é o dia da mentira. Mas para ela, o dia primeiro de abril foi o dia em que a cobra engoliu a si próprio pelo rabo acreditando ser um inimigo.


****


As pessoas da Ordem mal acreditaram quando, na hora do almoço, Isabel surgiu na cozinha trazendo a resposta de sua mãe. Tinha vindo mais rápido do que se esperava.

- Vou procurar Dumbledore.- disse Lupin.- E saber se já podemos partir para o próximo passo.

O clima era um misto de festejo e expectativa. Harry se sentia feliz por não ter mais tempo durante o dia para lamentar por Hermione. Sempre lembrava dela antes de dormir, mas era só.


- Respondi que acreditava que tinha de ser algo bem debaixo do nariz dele: Hogwarts!- disse Isabel.- Amanhã ao meio dia.- completou.

- Eu pensava que ela era mais esperta.- disse Neville.- É difícil de acreditar que ela esteja acreditando nessa história furada.

- Mas está, Neville, ela está!- disse Rony sorrindo para Isabel.

Desde o dia em que se reuniram para planejar Harry vinha notando a troca de olhares e sorrisos entre Rony e Isabel. Sabia que eles ainda não tinham tido nada, ou Rony teria lhe contado, mas algo lhe dizia que um dia teriam.


Eram meio dia do dia dois de abril. Ninguém na casa se importou com a vontade de almoçar. Sirius, Harry, Gina, Rony, Neville, Luna, Mundungo e a Sra. Weasley mantinham as cabeças juntas em volta do mapa do maroto observando os minúsculos pontos se locomovendo.

Lupin não deixara Sirius ir, mas ele se mantinha pronto para viajar pela lareira até Hogwarts se algo saísse do planejado. Moody, Tonks, Quim, Lupin, Dédalo, Estúrgio, Minerva e o próprio Dumbledore mantinham-se em pontos estratégicos para a operação. Isabel estava assentada em uma cadeira da sala de aula combinada.

Era meio dia e quinze quando Belatriz apareceu no mapa. Foi Rony quem viu.

- Vejam!- disse ele apontando para um ponto próximo à floresta proibida.- Ela veio voando!


****


- Isabel?!- chamou a voz sobressaltada de Belatriz Lestrange.

Isabel ergueu o rosto e viu parada ali a pessoa que ela mais odiava no mundo. Mas todos havima confiado nela. Ela não podia vacilar, não podia!

- Mamãe?!- perguntou ela fingindo-se emocionada. Belatriz tinha a varinha em mão como se temesse uma emboscada.- Eu não armei nada. Tome.- completou Isabel entregando sua própria varinha à mulher. Foi mais para não correr o risco de se descontrolar do que para ganhar a confiança da outra.

Belatriz apanhou a varinha e guardou-a no bolso das vestes negras.


****


- Vamos lá.- disse Rony fitando os dois pontinhos intitulados Belatriz Lestrange e Isabel Black.- Já foram quinze minutos.

- Acalme-se Rony.- disse Gina.- Até parece que tem uma bomba relógio lá.

- Gina! Belatriz Lestrange é uma comensal!- disse Rony

- Calem-se vocês dois.- disse a Sra. Weasley.


****


- Quando tudo estiver pronto eu lhe escreverei.- disse Isabel.

- Certo.- disse Belatriz.

- Mas creio que devo ir.- disse Isabel.- Ou alguém pode sentir a minha falta.

Ela apanhou sua varinha de volta e já ia alcançar a porta quando a voz de sua mãe soou fria como normalmente era.

- E Harry Potter?- perguntou ela.

Isabel se virou.

- O que tem ele?- perguntou.

- Você pode traze-lo até mim?- perguntou Belatriz.

- Façamos uma coisa de cada vez, mamãe.- disse Isabel forçando um sorriso cruel.- Primeiro Snape, como uma entrada, e depois Harry Potter como prato principal e quem sabe até Dumbledore como sobremesa.


****


- Ela está indo embora!- disse Sirius respirando aliviado.

Harry prendeu a respiração e assistiu o pontinho de Belatriz deixar Hogwarts. E então os pontinhos de Tonks, Lupin, Quim e Moody se reunirem ao de Isabel e se dirigirem para a sala da Profª. McGonagall e então, algum tempo depois Lupin surgiu pela lareira.

- Vamos! Vamos todos!- disse a Sra. Weasley se levantando.- Almoço!

O almoço foi quase que festivo. Harry não achava que aquilo era motivo para comemorar, então comeu e subiu para seu quarto.

Ele queria que Hermione estivesse ali naquele momento para abraçá-lo e dizer o que viria a seguir. Mas mesmo se ela ali estivesse não seria preciso dizer nada, pois ele mesmo tinha a resposta: A batalha final se aproximava.

Ele sabia que mais cedo ou mais tarde ela chegaria desde o momento em que ele soubera sobre a profecia. E talvez esperasse estar preparado. Mas por um descuido do destino ele não estava. Talvez ele só tivesse que dar um golpe, um único golpe, mas era o fato de pensar que seria o golpe fatal que o incomodava.

Ele nunca matara ninguém. E nas duas vezes em que desejara faze-lo fracassara. Da primeira vez, não conseguira criar coragem para matar Sirius; e da Segunda, Voldemort apareceu antes que ele pudesse alcançar o seu objetivo de matar Belatriz. Ainda tinha a morte de Draco, mas fora Gina quem o matara, como ela própria dissera.

Ele sentiu um vento lamber seus cabelos. Mas sabia que a janela estava fechada. E então ele viu Hermione surgir do nada e vir andando até ele. Trajava um vestido rodado branco. Estava bela como sempre.

- Mione?!- disse Harry sem acreditar no que estava vendo.

Ela sorriu.

Harry se levantou e andou alguns passos até ela.

- É...é mesmo você?- perguntou ele. Ela concordou com a cabeça.- Co...Como?

- Tenha coragem, Harry.- disse a voz dela num novo sopro de vento vindo não se sabe de onde.- Vá até o fim, não vacile, não desista. Você será recompensado no final, pode ter certeza!

Harry ficou paralisado. Estava vidrado no rosto agora mais bonito do que nunca da namorada. E então...

- Harry?!- chamou Rony ao entrar no quarto e encontrar o amigo que parecia estar sonhando acordado.

- An? O que?- fez Harry piscando e se assustando ao ver que estava assentado em sua cama.

- Você está bem?- perguntou Rony.

- Sim.- disse Harry.

- Tem certeza?- perguntou Rony.

- Sim.- disse Harry.- O que poderia estar acontecendo comigo?

- Sei lá!- disse Rony.- Voldemort poderia estar te possuindo, por exemplo.

- Não seja bobo, Rony.- disse Harry.- Ele não pode mais fazer isso desde que eu consegui fechar totalmente a minha mente.

- Você e a Gina estão vidrados assim desde que o pessoal chegou.- disse Rony.- Nem parece que tudo está dando certo!

- Estou preocupado, é só isso.- disse Harry.

- Vai dar tudo certo, cara!- disse Rony.

- Você diz isso porque não vai ter que matar alguém!- disse Harry.

- Sabe.- disse Rony pensativo.- Quando eu me casar e...E tiver alguns filhos, eu vou dizer a eles que quando era jovem tive a sorte de ser amigo de um cara chamado Harry Potter. Um cara como poucos, que, sobretudo era nobre a ponto de hesitar em derrotar o maior bruxo das trevas de todos os tempos pois não queria viver sabendo que matou alguém.

- Até dois meses atrás eu pensava que contaria para os meus filhos alguma história assim.- disse Harry.- Mas hoje eu sei que não terei mais filhos.

Silêncio.

- Pode tudo dar errado.- disse Rony.- Tomara que não, mas na hora "h" pode ser que o feitiço vire contra o feiticeiro e que quem morra seja você.

Rony encarava Harry com uma seriedade que Harry nunca tinha visto no amigo antes.

- Mas se isso acontecer, cara, se a profecia for cumprida de modo que o mal vença, eu também renunciarei a essa vida com família e filhos, renunciarei, pois mesmo que não valha mais a pena lutar, eu lutarei nem que seja para honrar, não um alguém, e sim honrar a lembrança de toda a amizade que um dia existiu entre eu....Você....E a Mione!

- Antes de morrer a Mione disse que você seria um grande bruxo.- disse Harry.- E ela tinha razão, você será, eu sei que será!

Os dois trocaram sorrisos.

- Mas agora temos que relaxar e nos preparar para a hora final!- disse Rony indo na direção do banheiro.

- É.- concordou Harry.- A sorte foi lançada. A hora de colocar as cartas sobre a mesa está chegando.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:56

27° Capitulo - Preparo

Os dias que se seguiram foram tensos, lentos e silenciosos. Harry viu várias vezes a Sra. Weasley abafando algum soluço num canto qualquer da casa. Talvez eles tivesse esperado menos se os comensais não tivessem decidido seqüestrar o ministro da magia.

Mas então, na tarde de Sábado, nove de abril, Isabel despachou uma carta para sua mãe.


****


Gina estava deitada em sua cama. Não conseguia dormir. Provavelmente seria na manhã seguinte o grande momento. Demorou algum tempo para dormir e quando o fez teve um sonho muito estranho.

Diante dos seus olhos se passava uma cena grotesca de uma enorme mesa de xadrez bruxo. De um lado estava Lord Voldemort comandando seus pequenos comensais, espécies de bispos no xadrez normal, totalmente trajados de preto e encapuzados. Do outro lado estava Alvo Dumbledore, em sua calma costumeira, comandando suas peças. E no meio delas Gina via várias pessoas conhecidas. Ela via os membros da Ordem mais atrás, Sirius, Seu pai, seus dois irmãos mais velhos, Tonks...E mais à frente, onde deveriam estar os piões estavam lado a lado: ela própria, Harry, Rony, os gêmeos, Isabel, Luna, Dino, Neville e Zacarias.

- E então, Tom?- perguntou o Dumbledore do sonho.

- O que é isso?- perguntou Voldemort.

Gina então olhou novamente para a mesa de xadrez. Havia uma única peça distinta dos comensais que agora, em sua maioria, estavam caídos pelo chão, do lado de Voldemort. Era uma miniatura dele próprio, representava um rei. Gina observou a posição das peças de Dumbledore.

- Cheque mate!- disse Dumbledore.- Parece que você caiu na minha emboscada.

E então Gina acordou, já era dia.


****


Enquanto Gina tinha seu sonho grotesco, no quarto no andar de baixo Harry acabara de acordar assustado. Sentia frio. Ele se assentou na cama e novamente sentiu aquele vento vindo do nada. Levantou-se e foi até a jarra de água sobre a escrivaninha. Tomou um copo e quando se virou viu algo que o fez deixar o copo cair.

Assentada sobre a sua cama estava Hermione com as mesmas roupas claras. Ela chorava.

Harry olhou para Rony. Ele nem se mexera com o estrondo do copo se partindo. Hermione continuava ali. Ele caminhou até ela e se ajoelhou no chão para que os rostos ficassem na mesma altura então a garota o abraçou.

Harry não podia acreditar naquilo. Era ela, ele tinha certeza, apesar do corpo gelado o perfume dos cabelos ainda era o mesmo. Então Harry a soltou e se afastou. Os olhos dos dois se encontraram e ele olhou no fundo dos olhos castanhos da garota e aproximou o rosto para beijá-la. Quando os lábios se tocaram Harry a sentiu evaporar-se.

Assustado ele olhou à volta. Parara de ventar. O copo estava novamente inteiro sobre a escrivaninha e Rony ainda dormia. Ele sacudiu a cabeça e sem entender o que acontecera, se deitou novamente e adormeceu.


****


Tonks, Harry, Rony, Luna, Neville, Dino e Zacarias estavam assentados diante a mesa. Todos pareciam ter dormido pouco. A Sra. Weasley servia torradas para todos no momento em que Isabel entrou correndo na cozinha.

- Bom dia pessoal.- disse ela.- A carta! A carta chegou!

Todos, inclusive a Sra. Weasley se viraram para ela.

- Ás três da manhã na mesma sala.- informou Isabel.

- Já avisou a alguém?- perguntou Tonks se levantando.

- Não.- disse Isabel enquanto se assentava.

- O que está esperando?- perguntou Tonks apanhando uma torrada e indo em direção à porta da cozinha.- Ande! Quero todos da ordem aqui na cozinha em uma hora!

Todos se levantaram ao mesmo tempo provocando barulho.

- Luna e Dino buscam no escritório todas as anotações para repassarmos o plano.- disse Tonks.- Rony busca o mapa do maroto no quarto de vocês, Zacarias e Neville vêm comigo, vou despachar vocês para buscar os outros e Harry vá chamar a Gina, ela está no quarto dela.

- Ok.- fez Harry

Ele subiu as escadas até onde ficava o quarto de Gina ainda ouvindo a movimentação lá em baixo. Bateu na porta, ela não respondeu. Harry então abriu a porta. Gina estava assentada sobre a cama que antes fora ocupada por Hermione, olhava o que parecia ser uma fotografia, chorava.

- Gina?!- disse Harry se aproximando dela.- Porque está chorando?

- Porque as pessoas que amamos tem de ir, Harry?- perguntou Gina. Harry viu que a fotografia que Gina segurava era de Draco.

- Oh! Gina!- disse ele se agachando diante dela e a abraçando.- Eu sei como se sente. Não chore por aquele traste.

- Você não sabe como eu me sinto.- disse Gina envolta no abraço.- Você perdeu Hermione, ela era sua amiga, sua namorada tudo bem. Eu perdi a amiga que ela era também. Mas além dela eu perdi o Draco. E eu o amava, Harry, e mesmo assim eu o matei.

- Você não o matou.- disse Harry ainda abraçando-a.- Você apenas vingou a morte de Mione! Foi isso.

E então os dois se largaram do abraço e se afastaram. Harry olhou no fundo dos olhos castanhos de Gina e por um momento achou já ter visto aquela cena antes. Mas então, num momento de ilusão seguinte ele viu no lugar de Gina, Hermione e ela, no lugar de Harry, Draco e os dois se beijaram ardentemente durante algum tempo até que eles ouviram passos na escada e Gina empurrou Harry. Ela estava vermelha e Harry sentia-se imensamente sem graça.

- Isso não deveria ter acontecido!- disse ela se levantando e em seguida bateu a porta do banheiro na cara de Harry que não sabia o que fazer. Acabou saindo do quarto.

- Onde está Gina?- perguntou Luna no corredor.

- Já vem.- disse Harry.

E realmente Gina foi. Cerca de dez minutos depois ela apareceu na cozinha onde ele havia se assentado para esperar.

Ele procurou obsessivamente evitar o olhar da garota, sentia-se péssimo pelo que acabara de acontecer. Ele não soube, mas aquela ânsia em evitar Gina foi o que afastou o nervosismo que ele deveria sentir naquele momento.

Às Sete da noite partiu o primeiro grupo para Hogwarts, aparataram em Hogsmead: A Profª. Minerva, Moody, Carlinhos e o Prof. Flitwick. Ainda em casa, Rony e Zacarias acompanhavam tudo, atentamente, pelo mapa.

Às dez da noite Tonks entrou na cozinha seguida por Tobias Bones.

- O ministério está sendo atacado.- informou Tonks.

- Então a emboscada falhou?- perguntou Gina que parecia nervosa.

- Lógico que não!- disse Tonks e um sorriso se abriu em seu rosto.- Os Comensais provavelmente vão se concentrar lá, e então, quando Isabel informar a Voldemort que está com Harry, ele achará que Dumbledore está concentrando tudo no Ministério e irá como um cachorrinho.

- Que horas parte o segundo grupo?- perguntou Rony examinando o mapa.

- Em meia hora.- disse Tonks consultando um relógio de pulso.

- Preciso ir ao banheiro.- disse Zacarias que parecia ansioso.

Harry sabia que o próximo grupo incluía Rony e quando Tonks disse que os esperava na sala de estar ele correu até o amigo e o abraçou.

- Boa sorte a todos nós.- disse Rony.

- Não vai se despedir de nós, Isabel?- perguntou Fred enquanto vestia a capa de viagem.

- Essa pode ser a última vez que você nos verá.- disse Jorge.

- Como vocês são pessimistas!- disse ela sorrindo.- Venham aqui e me dêem um abraço.

Os dois garotos obedeceram e então pararam, lado a lado, defronte a ela.

- Sabe, talvez a gente merecesse saber a sua escolha antes de caminhar para a morte.- disse Fred.

- Vocês ainda não esqueceram isso?- perguntou ela enquanto Gina estava grudada no pescoço de Rony.

- Vamos fechar os nossos olhos e você beijará aquele que for o escolhido.- disse Jorge.

A Sra. Weasley, encostada na porta, riu. Harry e Gina se viraram para assistir à cena enquanto Rony caminhou para próximo dos irmãos para esperar que aquela despedida terminasse.

Isabel passou por Jorge, deu-lhe um beijo na bochecha, o garoto abriu os olhos desapontado. Ela então se dirigiu para Fred, mas também lhe beijou na bochecha. Fred abriu os olhos e estes acompanharam Isabel até onde Rony estava e então os dois se beijaram.

Harry viu as caras atônitas dos dois e o sorriso maternal da Sra. Weasley, Luna parecia não ter nem notado os dois e Neville cochilava debruçado sobre a mesa, olhou também a cara de surpresa de Gina, e então olhou para o casal e notou que Isabel tinha exatamente a mesma altura que Rony. Ele sorriu.

Quando o beijo parou Rony parecia abobado.

- Acho que você tem que ir agora.- disse Isabel.

Rony, ainda meio lerdo, seguiu Fred e Jorge até a porta onde foram quase esmagados pelo abraço da Sra. Weasley. Provavelmente Dino e Zacarias já os esperavam na sala de Estar. Além dos cinco, seguiu com eles Tobias, Gui deveria ir também, mas fora para o Ministério.

- Os próximos somos nós.- disse Isabel se assentando na mesa.

- Que clima de enterro!- disse Luna que parecia a mais relaxada do grupo.- Parece que iremos todos para um matadouro.

- Tem um ditado que diz que a melhor maneira de vencer uma guerra é não começá-la.- disse Neville erguendo a cabeça.- Eu estive pensando sobre isso: No ministério nós vencemos. Em Hogwarts o saldo foi negativo para ambos os lados, só que nas duas vezes não fomos nós quem criamos a situação, e dessa vez foi.

- Não é pra tanto, Neville.- censurou Gina.

- Eu estive pensando.- disse Harry.- E se eu não tiver coragem de fazer o que tem que ser feito e amarelar na hora "h"?

- Parem de pensar negativo!- reclamou Gina que parecia mal-humorada.

- O que vamos fazer se não isso então?- perguntou Isabel.

Luna se levantou.

- Vamos jogar xadrez.- disse ela e se retirou da cozinha. A Sra. Weasley não estava mais na porta.

Luna voltou algum tempo depois trazendo um tabuleiro.

- Quem joga?- perguntou ela sorrindo empolgada. A princípio não houve resposta, e então Neville se voluntariou.

Passou-se pouco mais de uma hora quando Tonks ressurgiu na cozinha.

- Todos vocês estão prontos?- perguntou ela.

- Acho que sim.- disse Isabel sacando a varinha e colocando-a sobre a mesa.

- Estamos apenas esperando Remo chegar.- informou Tonks.

- Sirius não vai?- perguntou Harry.

- Ele foi para o ministério.- disse Tonks.

Harry então sentiu um frio na barriga. Esperava que Sirius fosse com ele. Sentia-se desprotegido agora.

- Tenho que buscar uma coisa.- disse Gina se levantando.

Tonks se assentou. Batucava com os dedos longos na mesa.

- O mapa está com você?- perguntou ela para Harry.

Ele estava, mas Harry então sentiu uma estranha vontade de estar a sós com Gina.

- Não.- disse ele.- Vou buscá-lo.

Ele subiu as escadas correndo e entrou em seu quarto. Acabara de se lembra de mais uma coisa. Ele abriu o malão que ainda permanecia por ali e revirou as coisas dentro dele até que achou uma caixa. Abriu-a e tirou de lá a capa que ganhara de Hermione no natal.

"Como você está prestes a se tornar maior de idade, quero que você ande sempre elegante quando se mudar de vez do mundo dos trouxas."

A voz de Hermione ainda soava em seus ouvidos quando ele jogou a capa verde esmeralda sobre os ombros. Em seguida revirou o malão mais uma vez até achar no bolso de uma calça a caixinha com o anel de Hermione. Não cabia no dedo do garoto e então ele o guardou no bolso interno das vestes. Por último apanhou a capa da invisibilidade e a prendeu junto à capa verde esmeralda de modo que ninguém notasse a sua presença ali.


****


Gina observou a porta do quarto se abrir e por ela entrar Harry. Ela sorriu.

- Achei que se subisse você viria atrás.- disse a garota.

- Aproveite para pegar algumas coisas que me darão sorte.- disse ele ainda parado ao lado da porta.

Silêncio.

- Aquilo não vai acontecer de novo.- disse Gina dando um sorriso tímido. Harry não pode deixar de reparar que as orelhas dela ficaram vermelhas.

- É.- disse Harry antes de correr até ela e abraçá-la.- Não vai, minha amiga!

E então Gina viu que Harry chorava.

- Porque está chorando?- perguntou Gina.

Harry se deixou sentar ao lado dela.

- Eu tenho medo, Gina.- disse ele.- Se... Se Hermione estivesse aqui ela provavelmente diria coisas reconfortantes, mas ela não está.

- Eu também estou sentindo falta dela mais do que nunca agora, principalmente por sua sabedoria.- disse Gina.

Harry enxugou as lágrimas.

- Acho que deveríamos descer.- disse ele.

- Espere.- disse Gina. Ela se levantou e foi até o criado ao lado de sua cama. Abriu a gaveta, não pode deixar de se sentir incomodada ao ver a fotografia de Draco ali. Apanhou um relógio e o entregou a Harry.

- O relógio que Luna me deu no meu aniversário!- disse Harry observando o objeto. Os ponteiros com o rosto dele próprio, de Gina e de Luna estava parado em uma casa escrita em runas.

- Quer dizer casa.- disse Gina apontando para a casa dos três ponteiros.- Esta outra quer dizer Ministério.- disse mostrando a casa onde estava o ponteiro de Sirius.- Esta escola.- disse mostrando o de Rony.- E esta outra Morte.- completou indicando a casa onde estava o ponteiro de Hermione.

- E as outras?- perguntou Harry se referindo as outras casas que sobravam sem ponteiros.

- Elas não importam.- disse Gina.- Agora, escute, você será o portador do mapa, então se você ver um dos ponteiros caminhando para a morte você deve localizá-lo no mapa e informar a sua escolta.

- Ok.- fez Harry.

- Agora guarde-o.- completou Gina. O relógio estava sobre a palma aberta da mão de Harry, Gina a fechou e o garoto guardou o relógio junto da aliança de Hermione.- Vamos descer.

Os dois desceram calados e se assentaram em lados opostos da mesa. Faltava meia hora para uma da manhã, hora máxima em que partiriam. Tonks ainda tamborilava monotonamente a mesa. A Sra. Weasley, que havia voltado para a cozinha, fitava tristonha o nada. Neville e Luna ainda jogavam xadrez, Luna parecia estar em vantagem. Isabel girava a varinha entre os dedos olhando o relógio na parede.

- Não podemos ir mais cedo?- perguntou Isabel.- Talvez eu me sinta mais calma se esperar lá.

- Não.- foi o que Tonks se limitou a dizer.

Harry tirou o velho pergaminho do bolso e fez o mapa se revelar. Isabel deu a volta na mesa para observá-lo também.

- O que está acontecendo?- perguntou Tonks consultando o relógio.

- Minerva está na sala dela.- informou Isabel.- Flitwick anda de um lado para o outro no corredor do feitiço. Moody caminha pelo primeiro andar.

- Snape já está lá?- perguntou Tonks.

Isabel e Harry procuraram algum pontinho com o nome de Snape.

- No sétimo andar, com Carlinhos.- disse Isabel.

- Eles já estão na sala precisa.- informou Harry.- Tobias está próximo à entrada para a Corvinal, Zacarias perto das cozinhas e Rony no andar da entrada para a Grifinória.

- Dino está na torre mais alta.- completou Isabel.

- Certo.- disse Tonks.- Todos posicionados, falta apenas alguém que cubra as masmorras, Sirius faria isso, mas está no Ministério.- Ela olhou novamente no relógio.- Dez minutos.

Gina por sua vez olhava vidrada Neville e Luna, acabara de se lembrar do sonho que tivera.

- Cheque mate!- disse Luna.- Você está emboscado!

Gina piscou e se virou para Tonks.

- Eu fico nas masmorras.- disse ela.

- Certo.- disse Tonks se levantando.

A campainha tocou.

- Deve ser Remo.- disse a Sra. Weasley se levantando.

- Vamos repassar as coisas.- disse Tonks.- Luna...

- Quinto andar.- disse a garota.

- Neville...

- Corredor da biblioteca.- disse Neville.

- Isabel...

- Sala de aula no quinto andar, depois seguirei com minha mãe até o sétimo andar onde Snape estará.- disse Isabel como se estivesse rezando uma missa.

- Gina...

- Estarei na sala precisa para capturar Belatriz e então seguirei para as masmorras.- disse a garota.

- Harry...- disse Tonks finalmente.

- Estarei na sala precisa, encoberto pela capa da invisibilidade até que chegue a hora de agir.- disse Harry no momento em que Lupin e o Sr. Weasley entraram na cozinha trazendo o malão de Moddy.

- Arthur...?- indagou Tonks.

Harry viu um corte no rosto do pai de Rony.

- Vim no lugar de Gui.- informou ele enquanto tirava um molho de chaves do bolso e abria uma das partes do malão revelando assim as flechas dos centauros cuidadosamente colocadas ali.

- Dumbledore pediu para lhe dizer que você deve ser certeiro.- disse Lupin para Harry.

- Acerte-o no peito, garoto.- disse o Sr. Weasley.

- Certo.- fez Harry engolindo em seco.

- Vamos então.- disse Tonks.

- Adeus mamãe.- disse Gina abraçando a mãe.

- Todos os meus filhos...- dizia a Sra. Weasley.- Todos. E até você Arthur!- completou quando abraçou o marido. Harry foi o último a se despedir dela.

- Adeus Sra. Weasley.- disse o garoto.

- Confiamos em você, Harry!- disse ela.

O grupo seguiu calado para a sala de estar. Tonks preparou a lareira. Primeiro foi Lupin, seguido por Isabel, Luna, o Sr. Weasley, Neville, Gina.

- Assim que eu sumir venha você.- disse Tonks.- E não erre.

Harry a viu desaparecer e então entrou na lareira.

- Hogwarts!- gritou e ele sentiu-se viajando, fechou os olhos e quando os abriu viu a sala da Profª. Minerva.

- Estão atrasados!- disse a professora.

O Sr. Weasley abria novamente o malão.

- Entrem aqui!- disse ele para Harry, Gina e Isabel. Os três obedeceram.

Harry se viu em uma espécie de poço ou sala subterrânea que ele já conhecia. Observou a tampa do malão ser fechada e Isabel acender a varinha e se assentar no chão de pedra. Cerca de quinze minutos depois a tampa do malão se abriu novamente e eles se viram em uma espécie de câmara escura. Havia apenas uma fonte de luz que ficava exatamente no meio da mesma por cima de uma mesa empoeirada. O Sr. Weasley e Lupin não estavam mais ali, no lugar deles estavam Carlinhos e um Snape que parecia muito doente e magro.

- Você já sabe onde fica a sala, Isabel.- Tonks limitou-se a dizer. Isabel saiu do poço.- Vocês dois sabem o que tem de fazer, não temos tempo.- em seguida ela fechou o malão.

Harry e Gina permaneceram calados. Nem um nem outro enxergava um palmo sequer diante do nariz.

- Lumus!- Disse Gina finalmente.

Harry desamarrou a capa e tirou a capa da invisibilidade de debaixo dela.

- Posso pegá-la?- perguntou Gina.

Harry fez que sim com a cabeça enquanto revestia a capa verde esmeralda.

- Sempre quis conhecê-la.- Disse Gina alisado a capa que fez sumir a sua mão.- A famosa capa da invisibilidade!

- Tonks disse para usá-la até que Belatriz esteja devidamente segura aqui.- disse Harry.

- Estive pensando sobre o que vou fazer quando isso tudo finalmente acabar.- disse Gina.

- Eu nunca pensei sobre isso, quero dizer, desde que Hermione se foi entende.- disse Harry.

- Entendo.- disse Gina.- Acho que vou entrar para o ministério.- completou ela.- Antes vou voltar para a escola, prestar os N.O.N.s. e os N.I.E.N.s., mas depois não tenho muita certeza de nada.- ela respirou fundo.- Talvez eu entre para a escola de aurores.

Harry considerou a última frase. Até pouquíssimo ele pretendia fazer isso também. Mas sentia-se cansado agora.

- Não consigo imaginar o meu amanhã.- admitiu Harry depois de um tempo.- Talvez tudo dê errado, e nós seremos condenados a viver lutando nessa guerra pro resto de nossas vidas.

- Mas talvez tudo dê certo.- disse Gina dando um sorriso tímido.

Harry concordou com a cabeça. Gina olhou o relógio.

- É melhor sair de debaixo da entrada.- disse Gina. Ela e Harry então seguiram até a parede mais afastada do poço e se assentaram ali. Harry deixou a capa preparada, quando a mala se abrisse ele cobriria a Gina e a si mesmo com a capa.

- Juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom.- disse Harry e ele observou o mapa novamente se revelar.

- Isabel já está em seu lugar.- disse Gina indicando o pontinho com o nome da garota.

- Faltam meia hora ainda.- disse Harry olhando seu próprio relógio de pulso.

- Mas Belatriz está adiantada.- disse Gina indicando outro ponto do mapa próximo a floresta.

- Luna ainda não está em seu lugar.- disse Harry indicando o pontinho da garota.

- Mas no lugar em que Dino está provavelmente ele já viu que ela chegou.- disse Gina.

- É.- concordou Harry.


****


- Mamãe?- perguntou Isabel erguendo o rosto e a varinha ao ouvir ruídos no corredor.- Está adiantada.- completou ao ver Belatriz entrar na sala, a varinha em punho.

- Achei que você chegaria mais cedo.- disse Belatriz.- Onde está ele? Onde está o traidor?

- Espere.- disse Isabel.- Eu o tranquei em uma outra sala, no sétimo andar.

- Me leve até lá.- disse Belatriz.

- Espera, mamãe.- disse Isabel.

- Não vim aqui para enrolações, quero ver Severo.- disse Belatriz.

- A pressa é inimiga da perfeição.- disse Isabel sorrindo e sentindo-se satisfeita ao perceber que sua mãe parecia estar afobada.

- Eu deveria estar no ministério.- disse Belatriz.- Tenho que voltar para lá antes que um dos lados vença.

- Então vamos até o sétimo andar.- disse Isabel finalmente.


****


Harry observou os pontinhos de Isabel e de Belatriz deixarem a sala no quinto andar. Passarem pela porta da sala de aula onde estava Luna, pelo visto não notaram a presença da garota. Subirem as escadas até o terceiro andar, e as escadas até o sétimo e rumarem para a entrada da sala precisa.

Harry dobrou o mapa e guardou-o no bolso, em seguida puxou a capa da invisibilidade cobrindo a si mesmo e a Gina.

- Nox!- disse Gina.

A única coisa que se escutava agora era a respiração dos dois.

- Boa sorte a nós todos.- disse Gina.


****


Isabel sentia-se levemente nervosa quando abriu a porta da sala precisa para Belatriz. Não conseguia acreditar que a bruxa tinha caído naquela história até ali, e não acreditou quando ela entrou na sala sombria se desconfiar de nada.

A luz sobre a mesa no centro tremia. Havia agora uma cadeira ali, na qual estava assentado um homem de cabelos negros e sebosos que parecia cochilar debruçado sobre a mesa.

- Severo!- sibilou Belatriz sorrindo. A velha crueldade estampada em seu rosto, olhos e voz.

Snape ergueu o rosto mas não disse nada.

- Porque não informa ao seu Lorde que capturou Snape, mamãe?- perguntou Isabel.

- Cale-se garota!- disse Belatriz caminhando até Snape.

- Mas...

- Eu disse pra ficar calada.- disse Belatriz que olhava Snape como uma onça olha para sua presa.- Ou quer que eu me livre de você primeiro?

- Mas mamãe...- fez Isabel. Aquela reação de Belatriz ao ver Snape não estava em seus planos.


****


- O que está acontecendo?- perguntou Gina.- Porque estão demorando tanto?

- Não sei.- disse Harry acendendo a varinha e tirando o mapa do bolso.- Elas já estão na sala. Logo deverão descer aqui.- completou antes de guardar tudo novamente.

Passaram-se alguns minutos.

- Estou ficando preocupada.- disse Gina.

- Vamos apenas esperar.- disse Harry.


****


Belatriz deu as costas para Snape e agarrou Isabel pelo colarinho de modo que a varinha da garota caiu.

- Não se perguntou porque eu caí tão bem no seu planinho?- perguntou Belatriz.

- Não tem plano algum.- disse Isabel tentando parecer calma. Na verdade sentia vontade de socar a cara de Belatriz.

- Será muito lucrativo para mim!- disse Belatriz rindo.- Me livrarei de Severo, ganhando assim, pontos e pontos com Mi Lorde. E me livrarei de você! Sua fedelha bastarda!

Onde estariam Carlinhos e Tonks? Eles estavam demorando. E porque Snape continuava ali parado?

- Porque não começa por mim, então, Bela?- perguntou Snape finalmente se levantando.

Belatriz em sinal de desprezo soltou Isabel que se esparramou no chão. Em seguida chutou a varinha da menina para longe e apontou a sua para Snape. Isabel tateava à procura de sua varinha quando Carlinhos surgiu das sombras e encostou a ponta de sua varinha na nuca de Belatriz.

- Nem um movimento.- disse ele.

Então Tonks também apareceu e arrancou a varinha da mão de Belatriz.


****


Ouviu-se um claque e em seguida a luz fraca da sala acima deles invadiu o poço.

Carlinhos e Snape desceram carregando uma Belatriz desacordada. Harry e Gina tiraram a capa.

- O que aconteceu com ela?- perguntou Gina olhando o corpo estendido da mulher.

- Achou que poderia tomar a varinha de Carlinhos.- disse Tonks.

- Eu a estuporei.- disse Isabel que acabara de descer ao poço.

- Qual é o próximo passo agora?- perguntou Gina.

- Pode ir, Severo.- disse Carlinhos.- E cuidado!- completou.

O grupo observou Snape sair do poço e em seguida ouviu-se a batida da porta.

Tonks caminhou até Belatriz e rasgou um pedaço da manga direita da veste dela deixando aparecer tatuada ali, a marca negra.

- Deve-se tocar nela com a varinha e dizer Morsmordre.- disse Tonks.

- Você está pronta?- perguntou Carlinhos.

Isabel fechou os olhos se concentrando e no momento seguinte falou com a voz de Belatriz.

- Sim.- disse Isabel encostando a varinha na marca no braço de sua mãe.

- Você tem certeza que não é possível notar a presença de outras pessoas com isso?- perguntou Carlinhos.

- Tenho.- disse Tonks.

Isabel respirou fundo.

- Morsmordre!- disse ela, a princípio nada aconteceu, mas então a boca da caveira se mexeu emitindo um ruído parecido com o chocalho de uma cascavel.

- Mi Lorde?- chamou Isabel com a voz de Belatriz Lestrange.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:58

28° Capitulo - Suicídio

- Mi Lorde?!- repetiu Isabel e então a caveira falou.

- Onde você está, Bela?- perguntou uma voz fria e grave. Harry sentiu o frio percorrer sua espinha e uma dor aguda alfinetar a sua cicatriz. Era Voldemort.

- Não vai acreditar quando eu disser que peguei o traidor, Mi Lorde!- disse Isabel.

- Ele está no Ministério? Lutando ao lado de Dumbledore? É isso? Ou você deixou o seu posto, Bela?!- disse a caveira.

- Perdão Mi Lorde!- disse Isabel.- Eu o peguei em Hogwarts, Mi Lorde! Achei que talvez o Mestre quisesse vingar-se dele pessoalmente...

- Enganou-se Bela.- disse a voz de Voldemort. Harry sentia calafrios. Gina olhava atenta para tudo.- Agora, depois que cuidar de Severo volte para o seu posto no ministério, mais tarde nós conversaremos sobre a sua desobediência.

- Snape revelou o que dizia a profecia, Mi Lorde.- disse Isabel rapidamente.

- Mesmo?- perguntou a voz de Voldemort que parecia interessado.

- O moleque, Potter, ele tem que morrer!- disse Isabel com a voz nervosa apesar de seu rosto aparentar calma.- Você, ou ele Mi Lorde!- disse ela.

- O que quer dizer, Bela?- perguntou Voldemort.

- Que o mestre só pode morrer pelas mãos do garoto, e visse e versa!- disse Isabel.

- Interessante.- disse Voldemort.- Admito que já desconfiava. Mas como eu ordenei há pouco, cuide de Snape e volte para o Ministério, receberá créditos pela informação, Bela. Mais alguma coisa?

- Sim!- disse Isabel de pressa.- Sim! Eu tenho o garoto, Mi Lorde!

- Você?!- perguntou Voldemort que parecia surpreso.

- Sim!- disse Isabel.- Ele veio atrás de Snape, bancar o herói, Mi Lorde. Garoto tolo!

- Tem certeza de que isto não é uma emboscada, Bela?- perguntou a caveira no braço de Belatriz.- Deve-se lembrar do que aconteceu naquela vez no ministério que pensamos estar sendo mais espertos do que eles e acabamos descobrindo que era o contrário.

- Dumbledore está no ministério, Mi Lorde.- disse Isabel.- Meu odiado primo está lá também. E creio que a maioria dos integrantes da plebe defensora dos sangues ruins esteja lá também.

- E os outros garotos? Os guarda-costas de Harry?- perguntou a voz de Voldemort que parecia avaliando a situação.

- A Sangue ruim morreu.- disse Isabel.- E se os outros aparecerem, matamos eles também!

- Tem certeza de que tem o garoto seguro?- perguntou Voldemort.- Lembre-se que ele é imprevisível, Bela.

- Tenho certeza de que ele não escapará, Mi Lorde.- disse Isabel.

- E pode me dizer o que lhe dá essa certeza?- perguntou Voldemort.

- Lembro-me ainda do meu tempo de Hogwarts, Mi Lord.- disse Isabel.- Havia uma sala no sétimo andar, conhecida como sala Precisa. Ela sempre está ali, quando você procura algo com urgência.

- Lembro-me desta sala.- disse Voldemort.- Usei-a algumas vezes... tsc, tsc...Há muito tempo! Mas como sugere que eu chegue até aí, Bela?

- O Mestre pode aparatar em Hogsmead e entrar pela estrada que liga a escola ao povoado, ou pode vir voando.- disse Isabel.

- Hm.- fez Voldemort.

- Cuidarei de Snape e lhe esperarei no saguão de entrada, Mi Lorde.- disse Isabel.

- Pois bem, Bela, eu irei.- disse Voldemort.- Não costumo desviar os meus planos, mas este atalho parece-me tentador.

- Você não se arrependerá, Mi Lorde.- disse Isabel, Harry viu que ela sorria com certa crueldade de modo que se parecia mais do que era possível com sua mãe.

- Até a vista, Bela.- disse Voldemort e segundos depois a caveira se imobilizou novamente.

Seguiu-se algum tempo de silêncio. Ouvia-se apenas a respiração dos presentes.

- Até aqui deu tudo certo.- disse Isabel que parecia ter a boca seca, sua voz voltara ao normal.

- Não temos certeza de que ele virá.- disse Gina que parecia muito pálida.- Ele não parecia muito convencido.

- Snape disse acreditar que ele cairia.- disse Carlinhos.- Mas disse que se viesse traria uma escolta.

- Bom, vamos ao que interessa então.- disse Tonks.- Harry, nos empreste o mapa.

Harry entregou o mapa a ela, que acompanhada de Carlinhos deixaram o poço.

- Acho que eu devo ir cobrir as masmorras.- disse Gina.

Isabel caminhou até ela e a abraçou.

- Escuta.- disse ela.- Vigilância constante. E por favor, não se deixe impressionar com coisas que pode encontrar por lá.

Gina ia perguntar que tipo de coisas mas achou que não era conveniente. Caminhou até Harry.

- Boa sorte.- disse ele.

- Pra você também.- disse Gina.- E... Por favor, não amarele.

- Eu tentarei.- disse Harry.

Gina deu-lhe as costas e caminhou em direção à abertura do malão.

- Gina!- chamou Harry. A garota se virou e ele correu até ela e a abraçou.- Não deixa nada acontecer com você! Por favor.

- Não se preocupe Harry. E não amarele!- repetiu ela e depois de dar um sorriso tímido a ele ela deixou o poço.

Ouviu-se a voz de Tonks dizer qualquer coisa e um adeus dado por Carlinhos, em seguida ouviu-se a porta se fechar.

- Ela acha que eu sou um covarde que pode amarelar a qualquer momento?- perguntou Harry para Isabel.- Covarde era aquele namorado dela!

- Ela não acha que você é um covarde.- disse Isabel.- Só acha que você é nobre demais para matar alguém.

- Todos pensam assim, é?- perguntou Harry que se sentia tenso.- Porque entraram nesse plano se sequer tem certeza de que eu irei ter coragem suficiente para matá-lo, então?

- Você vai conseguir.- Afirmou Isabel.

- Isabel!- chamou Tonks.

A garota e Harry deixaram o poço. Carlinhos fechou o malão e o abriu na parte das flechas, apanhou uma e entregou a Harry.

- Você não pode se dar ao luxo de errar, Harry.- disse.

Harry sentiu o peso da flecha, parecia ser feita de madeira ou qualquer outro material rústico, mas era pesada como metal.

- Eu e Tonks estaremos aqui, você já conhece o plano.- disse Carlinhos no momento em que a porta da sala se abriu com violência. Tonks e Carlinhos se viraram para ela com as varinhas erguidas.

- Sou eu.- disse a voz de Sirius.

- Tio?- perguntou Isabel.- O que está fazendo aqui?

Sirius caminhou para dentro da sala e fechou a porta. Harry viu que ele tinha um corte na perna pois mancava.

- Dumbledore deixou que eu viesse.- disse ele.- Não podia deixar Harry só numa hora dessas.

Ele foi até Harry e bagunçou o cabelo do garoto num gesto de carinho. Harry sentiu metade da tensão que sentia ir embora. Sentia-se bem mais seguro com Sirius ali.

- Em que parte do plano já estamos?- perguntou ele.

- Voldemort disse que virá.- disse Carlinhos.- Mandou que Belatriz matasse Snape e cuidasse de manter Harry aqui até a sua chegada.

- Tem uma coisa falha no plano.- disse Harry de repente de modo que ele próprio se assustou por dizer isso.

- O que?- perguntou Carlinhos olhando para ele.

- Dizem que eu e ele nos parecemos, não é mesmo?- perguntou Harry.- Pois se eu estivesse no lugar dele conferiria o corpo de Snape antes de mais nada.

- Pra que?- perguntou Isabel.- Com a proposta de matar você ele não vai nem se lembrar de Snape.

- Não tenho nem dezessete anos ainda, mas já tive provas suficientes de que nem tudo que se julga morto está morto.- disse Harry olhando para Sirius.

- Teremos que contar um pouco com a sorte.- disse Tonks.- Isabel, acho que você deveria assumir o seu posto.

- Ok.- fez Isabel fechando os olhos e se concentrando, alguns segundos depois ela havia assumido a forma de Belatriz.

Harry observava a expressão confusa no rosto de Sirius quando a garota deixou a sala.

- Quem está cobrindo meu antigo posto?- perguntou ele algum tempo depois.

- Gina.- disse Carlinhos.

- Vá para lá, Carlinhos.- pediu Sirius.

- Tenho que cuidar de interrogar Belatriz Lestrange.- disse ele.

- Eu faço isso.- disse Sirius.

Carlinhos concordou com a cabeça e apanhou a varinha sobre a mesa.


****


Assim que Gina deixou a sala ela assumiu sua forma animaga e rumou veloz para as masmorras, estava quase lá quando viu alguém que não devia estar ali.

- Rony?!- disse Gina voltando a sua forma normal.

- Gina!- disse ele que parecia assustado.- Snape está na sala dele. Venha... Venha ver.

Gina acompanhou o irmão até a velha sala de aula de Snape.

- Eu disse pra você sair daqui, garoto!- disse ele entre dentes. Gina, que a pouco o havia visto aparentemente lúcido quase não o reconheceu. Seus cabelos estavam desgrenhados, os olhos arregalados. Haviam ingredientes e frascos espatifados por todos os cantos.

- Professor Snape...- disse Gina.- O que está acontecendo com o senhor?

- Vocês são muito jovens para entender...Seus...Fedelhos!- disse Snape tateando a bancada, por trás da qual ele estava, à procura de alguma coisa.

- Acho que é melhor o senhor sair daqui e ir para um lugar seguro, professor.- disse Gina.

- Ele disse que ia se matar.- sussurrou Rony.

- Se eles não me pegarem hoje...E me matarem...- disse Snape fora de si.- Eles me pegarão depois!

- Eles não poderão lhe pegar depois, professor.- disse Gina tentando manter a calma.- Pois Voldemort cairá hoje! Definitivamente!

- Ele cairá, Weasley, mas os seus seguidores não!- disse Snape erguendo um punhal de prata reluzente.

- Mas eles não vão achá-lo, professor.- disse Gina.- O senhor tem que largar esse punhal agora e fugir para um lugar seguro.

Rony tinha a boca seca. Odiava Snape, mas não a ponto de querer vê-lo suicidar-se.

- Eu não sou nenhum criminoso para passar o resto da minha vida fugindo!- sibilou Snape enquanto desabotoava as vestes do colarinho até o umbigo deixando aparecer seu peito pálido.

- Não faça isso, professor.- disse Gina.

- Não passarei a vergonha de morrer pelas mãos de bruxos das trevas.- disse Snape.- Como um traidor. Pois eu não sou um traidor!

Rony quis perguntar o que ele era então, mas achou que não seria adequado para o momento. Gina deu um passo em frente.

- Não se aproxime!- disse Snape apontando o punhal para ela.- Lembrem-se: Eu não sou um traidor! Sou apenas um soldado neutro! Adeus...Fedelhos!- disse ele antes de cravar o punhal no próprio peito. Gina fechou os olhos para não ver o que viria a seguir. Rony se virou com o mesmo objetivo.

- Você não teve nojo de me ver morrer, Gina.- disse uma voz arrastada.

Gina congelou. Não podia ser quem ela pensava que era. Rony abriu os olhos antes dela e viu de onde via a voz.

- Malfoy!- disse ele observando o fantasma do garoto pairando um metro acima do chão.

Gina respirou fundo e se virou.

- Você mereceu morrer, Draco.- disse ela tentando não entrar em pânico ou chorar por ver aquela imagem deprimente do garoto que ela mais amava ali, pálido e irreal.

- Só não esperava que fosse pelas mãos da minha amada.- disse ele sorrindo galantemente.- Mas paremos de falar da minha morte, minha querida.

- Espera aí.- disse Rony de repente.- Hermione também virou um fantasma?

- Não.- disse Draco calmamente.

- Porque só você virou um?- perguntou Rony.- Ela seria bem mais bem vinda do que você!

- Só viram fantasmas as pessoas que temem a morte, Rony.- disse Gina.

- Então ao virar fantasma o Malfoy assinou o atestado de covardia dele?- perguntou Rony dando um sorriso cruel.

- Cala a boca ou eu desisto de ajudar vocês!- disse o Draco fantasma.

- Você ia nos ajudar?- perguntou Rony.

- Sim.- disse Draco.- Ajudar a Gina, na verdade...

- E como?- perguntou Gina.

- Você- Sabe-quem virá.- disse ele.- Eu o vi voando veloz por sobre a floresta.

- E daí?- perguntou Rony.

- Ele só cairá no plano de vocês se ver o corpo de Snape.- disse Draco.

- A gente deve levar o corpo de Snape até Voldemort?- perguntou Rony.

- Pirraça disse que se eu arrumasse algo realmente divertido a se fazer no castelo, nesses tempos de melancolia, nós seríamos uma dupla.- disse Draco sorrindo sonhador.

- Não estou entendendo aonde quer chegar.- disse Rony.

- Carreguem o corpo até o saguão de entrada.- disse Draco.- E deixe que nós cuidaremos do restante.

Em seguida ele sumiu pela parede da masmorra.

- Ele tem razão.- disse Rony.

- Se formos até o saguão de entrada corremos o risco de sermos pegos por comensais quando chegarem.- disse Gina.

- Eu disse que ele tem razão sobre Voldemort cair como um patinho após ver o corpo.- disse Rony.

- Realmente.- disse Gina.

- Mas como você disse, é arriscado.- completou Rony observando pelo canto do olho o corpo de Snape.

- Mas eu tenho uma idéia.- disse Gina.- Você volta para o seu posto e eu sigo com Snape, qualquer coisa eu serei apenas uma gata perdida.


****


- Não tranquem o malão.- disse Sirius já dentro do poço segurando o frasco da poção da verdade entregue por Tonks.

- Ok.- disse Tonks lá de cima.

- E... Harry, boa sorte!- completou.

- Obrigado.- disse Harry momentos antes.

Harry observou a tampa do malão se fechar. O mapa do maroto estava sobre a mesa. Ele se assentou na cadeira.

- Sabe o que tem que fazer, Harry.- disse Tonks.- Quando ele surgir no mapa vista a capa, apanhe a flecha e se prepare.

- Espero que corra tudo bem.- disse Harry.


****


Belatriz abriu os olhos e ao ver Sirius assentado em uma cadeira recém conjurada ali ela recuou contra a parede, ainda esparramada no chão.

- Sirius?- perguntou ela que parecia não se lembrar de como chegara ali.

- Olá, Bela.- disse Sirius sério.- Pensou que estava sendo esperta, não?

- Desgraçados.- Sibilou ela.- Minha própria filha...

- Não fale de Isabel!- disse Sirius.- Ela não deve nada a você...Aliás, tive pena dela quando você disse que a mataria também.

- Pois eu o faria com prazer.- disse Belatriz cruelmente.- Desde que ela reapareceu só tem me dado problemas.

- Tenho tanto nojo de você.- disse Sirius fazendo cara de nojo.

- Nojo ou ódio por eu ter conseguido construir uma vida sem você?- perguntou Belatriz.

- Nojo por você ser tão repugnante. Tão insensível!- disse Sirius.

- Não é pra falar que tem nojo de mim que você está aqui.- disse Belatriz friamente.

- Queria me despedir de você.- disse Sirius.

- Despedir?- perguntou Belatriz.

- Voldemort cairá definitivamente, Bela.- disse Sirius.- E eu sinceramente não sei o que será de você.

- Você realmente acredita que conseguirão derrubá-lo, Sirius?- perguntou Belatriz como se aquilo fosse uma piada.

- Sim.- disse Sirius calmamente.

- Ele nunca cairá totalmente, amado primo.- disse Belatriz.- Alguns dos seus seguidores, como eu, serão leais a ele até no inferno!

- Só que no seu caso, você só poderá fazer alguma coisa por ele no inferno mesmo.- disse Sirius.

- Você irá me matar, Sirius?- perguntou Belatriz.- Ou vai ser a sua filhinha? Pois da última vez ela quase me matou, se não fosse aquela sangue ruim...

- Ela salvou a sua vida, não deveria chamá-la de Sangue ruim.- disse Sirius.

- Aquela fedelha, sangue ruim, é isso mesmo que ela é!- disse Belatriz.- Demorou até demais para morrer...E o seu outro agregado, o Harry, tem sofrido muito pela namorada?- ela gargalhou.

Sirius se levantou da cadeira. Belatriz continuava agachada encostada na parede do poço. Sirius foi até ela e segurando-a pelo pescoço a ergueu.

- O que eu te fiz?- perguntou ele.- Porque faz isso comigo?

- Talvez seja pelo simples fato de você ser bonzinho demais.- disse Belatriz sorrindo.

- Me perguntou porque foi logo você. Poderia ter sido Andrômeda, ou até Narcisa com toda a sua antipatia, mesmo assim, qualquer outra seria melhor do que você!- disse Sirius.- Mas foi logo você e esse seu coração de pedra!

- Narcisa também tem o coração de pedra.- disse Belatriz já sem sorrir.

- Mas ela ganhou um pouco de minha admiração quando trouxa a sua filha até mim.- disse Sirius.- Porque, Bela, porque logo o Régulo, meu irmão! Porque não aquele almofadinha do seu marido ou qualquer outro?

Sirius ainda segurava Belatriz pelo pescoço, talvez estivesse apertando um pouco demais, mas ele nem se importou.

- Repetirei a pergunta.- disse Belatriz calmamente como se nada de anormal estivesse acontecendo.- Vai me matar?

- Será que você nunca deu a mínima para tudo o que existiu entre a gente?- continuou Sirius.

- Existem coisas mais importantes do que um romance, Sirius.- disse Belatriz.- O meu ideal, por exemplo...

Sirius soltou o pescoço da prima e recuou dois passos.

- Você é tão sentimental...- disse Belatriz em voz de falsete.- Dá até medo de acabar contaminada...

Sirius permaneceu calado. Pensando.


****


- Eles chegaram.- disse Tonks de repente.

- Quantos?- perguntou Harry.

- Seis.- disse Tonks.- Voldemort, Malfoy, os dois Lestrange, Rookwood e Dolohov.

- Se vierem todos até a sala o plano falhará.- disse Harry.

- Gina está no saguão de entrada.- disse Tonks.

- Ela é louca?- perguntou Harry tirando o relógio do bolso. Estavam todos em escola, exceto Hermione.

- Vá para seu lugar.- disse Tonks entregando-lhe o mapa.

Harry apanhou a capa e foi para o seu canto, ficando invisível em seguida. Ele viu Tonks se assentar onde antes ele estiver e assumir a sua forma. Era estranho olhar para a figura dele próprio e saber que aquilo era ele. Ela transfigurou as roupas e fez surgir os mesmos óculos redondos que Harry usava.

- Me avise quando eles estiverem chegando.- disse ela com a voz de Harry.


****


Gina chegou ao alto da escada do saguão principal e viu Isabel como Belatriz lá em baixo. Não tardou muito e a porta se arreganhou e por ela entraram seis homens. Gina sentiu um arrepio e se escondeu atrás de uma armadura.

- E então, Bela.- disse uma voz fria. Era a mesma voz que saíra da tatuagem de Belatriz Lestrange fazia já algum tempo. E então Gina o viu, pela primeira e última vez na vida, era um homem alto e magro, os olhos vermelhos. Era Lord Voldemort.

- Quer que eu o leve até o moleque, Mi Lorde?- perguntou a Isabel-Belatriz.

Onde estaria Draco? Gina resolveu assumir a forma animaga e assim que o fez ela viu que Voldemort examinava Isabel de cima a baixo.

- Quero ver Severo, primeiro, Bela.- sibilou ele parecendo desconfiado.

- Não acha que estou lhe enganando, Mi Lord, ou acha?- perguntou Isabel.

- Você já me enganou uma vez, Bela, sobre a bastarda...O que lhe impediria de me enganar novamente?- perguntou Voldemort.

- Não foi culpa minha, Mi Lorde, minha irmã, Narcisa....

- Não fale de minha mulher.- disse a voz do homem à direita de Voldemort.

Com um segundo arrepio Gina percebeu que era. Era Lúcio Malfoy.

- Gina...- murmurou uma voz. Gina olhou para o lado, Pirraça e Draco estavam um pouco acima de sua cabeça.- Dê o fora daqui, ande!- completou o fantasma de Draco enquanto Pirraça erguia o Snape morto pelos cabelos no ar.

- Onde está Snape?- perguntou novamente Voldemort.

- Já cuidei dele, Mi Lorde.- disse Isabel.

- Quero ver o corpo, Bela!- disse Voldemort.

- Si...Sim senhor, Mestre.- disse Isabel.- Venha comigo. Deixei o corpo em uma sala.

Isabel alcançou o pé da escada quando se ouviu um zunido de algo pesado cortando o ar. E então, com um baque, o corpo de Snape colidiu com o chão.

- Não será preciso... Mi Lordezinho...- gargalhou Pirraça antes dele e de Draco mergulharem diante dos visitantes e sumirem de vista.

- Aquele era os eu filho, Lúcio.- caçoou Voldemort observando Lúcio cruelmente pelo canto dos olhos.

- Já disse que não tenho filho, filho meu não é covarde a ponto de virar fantasma, Mi Lorde.

Um dos outros quatro homens, além de Lúcio se precipitou até o corpo de Snape e o virou de barriga pra cima.

- Nossa meu amor, achei que o mataria com um simples feitiço.- disse ele. Era Rodolfo Lestrange.

- Va...Vamos ao que interessa.- disse Isabel começando a subir as escadas.

Gina prendeu a respiração quando eles alcançaram o alto da escada.

- Espere, Bela.- disse Voldemort, Gina gelou, eles estavam bem diante dela.- Não quero que nada me atrapalhe nessa grande noite.

- Nada vai atrapalha-lo, Mi Lorde!- disse Isabel.

- Lúcio e você virão comigo.- disse Voldemort.- Os outros vasculhem esse castelo. Não creio que Dumbledore seja tolo a ponto de deixá-lo desguarnecido.

- Sim senhor, mestre.- disse Rodolfo Lestrange.- Vamos.- completou antes de sair com mais três comensais.

- Por aqui.- disse Isabel.

Não era seguro, mas Gina resolveu seguí-los.


****


- Gina ficou louca.- disse Harry aflito.- Ela os está seguindo.

- Quantos estão vindo para cá?- perguntou Tonks.

- Isabel, Lúcio Malfoy e Voldemort.- disse Harry.

- Comece a se preparar, Harry.- disse Tonks.


****


O trio, seguido de perto por Gina, rumou silencioso até o sétimo andar. Isabel parou à porta e encostou a varinha na maçaneta.

- Alohomora!!- disse ela.- Ele está aí dentro, mestre.

- Vá primeiro, Lúcio.- disse Voldemort ainda receoso.

Isabel abriu a porta, Lúcio Malfoy entrou lentamente na sala com a varinha em punho e então viu Tonks, fingindo ser Harry, erguer o rosto para ele.

- Sr. Mafloy.- disse Tonks fingindo estar assustada.

- Pode vir, Mi Lorde.- disse Lúcio.- Parece que dessa vez nossa querida Bela acertou. O moleque está mesmo aqui!

Mal sabia ele que o verdadeiro Harry estava há sete metros dele, assentado no chão, observando tudo com a respiração presa e o coração disparado, encoberto pela capa da invisibilidade.

Voldemort deu alguns passos até a entrada da porta e sorriu maliciosamente.

- Harry Potter!- disse ele.- Nunca imaginei que um dia chegaria a vê-lo dessa forma...Desprotegido!

Tonks não respondeu. Harry sentia a cicatriz doer.

- Melhor entrarmos, Mi Lorde.- disse Isabel.

- Lúcio!- chamou Voldemort.- Poste-se do lado de fora dessa porta e mate qualquer criatura que tentar se aproximar.

- Sim senhor, Mi Lorde.- disse Lúcio antes de sair. Isabel entrou na sala e puxou a porta.

Lúcio parou defronte a porta, do lado de fora e ficou ali, de braços cruzados e então viu algo que lhe chamou a atenção. Um gato alaranjado estava por ali.

- Se não é a minha norinha assassina!- sibilou ele sorrindo.

Dentro da sala Harry viu pelo mapa o encontro do lado de fora. Cuidando para não fazer barulho ele tirou o relógio do bolso das vestes e viu o que temia ver. O ponteiro com o rosto de Gina havia se soltado da casa Hogwarts e se dirigia lentamente para morte. Teve que se segurar para não largar tudo e correr até lá. Ele guardou o relógio e tateou à procura de alguma coisa. Quando encontrou a antiga moeda usada nos encontros da AD Harry a acionou. Mas no momento seguinte a voz de Voldemort soou novamente fazendo com que sua cicatriz fisgasse de dor.

- Seu tempo acabou, garoto.- disse ele.


****


- Realmente fazia parte dos meus planos me casar contigo.- Dizia Belatriz ainda encostada na parede do poço, Sirius assentado novamente na cadeira.- Você era meu primo. Era puro sangue. E muito poderoso.

- Era só isso que lhe interessava em mim?- perguntou Sirius.

- Como marido, e para um bom casamento, sim!- disse Belatriz.

- Achava que um dia você tinha me amado.- disse Sirius.

- Mas eu o fiz.- disse a mulher.

- Se o tivesse feito teria renunciada a muitas coisas por mim.- disse Sirius.

- Eu lhe dei uma grande prova do meu amor, certa vez.- disse Belatriz.- Mas você não soube enxergá-la.

- Não me lembro de prova alguma.- disse Sirius.- O que foi? Me seduzir, para atrasar a minha chegada na casa dos McKinnons e colocar a minha lealdade à Ordem em prova?

- Eu lhe dei uma filha, Sirius.- disse Belatriz séria.

- Deu-me uma filha que na verdade era filha do meu irmão, não é mesmo?- perguntou Sirius.

- Nunca parou para fazer as contas?- perguntou Belatriz.- Isabel nasceu exatamente nove meses depois da morte dos McKinnons.

Sirius não respondeu. Calculava mentalmente os fatos.

- Mas então eu achei que o matariam se descobrissem que era você o pai.- continuou Belatriz.- E eu seduzi Régulo para poder culpá-lo. Mas da mesma maneira eles descobriram toda a verdade. E eu achei que o meu plano tinha falhado, e que tinham matado a garota.

Sirius ainda calado não conseguia acreditar no que acabara de ouvir.

- Eu contei à garota sobre isso.- disse Belatriz.- Pensei que ela tivesse corrido até você para lhe contar.

- Ela não disse nada.- disse Sirius sério. Se esclarecia agora, em sua cabeça, o porque de Isabel não querer falar sobre o seu encontro com a mãe em Hogwarts, durante a invasão.

- E você sabe muito bem que isso é uma grande prova, seja do que for.- disse Belatriz.- Sabe que eu nunca quis ter filhos. Que odeio crianças.


****


A manhã já vinha nascendo quando Lúcio ergueu a varinha.

- Crucio!- disse ele e o gato laranja começou a se revirar miando alto.

Gina sentiu pela segunda vez na vida a dor estrema que era estar sobre a maldição Cruciatus. Não conseguia controlar seus poderes, acabou voltando à sua forma normal.

- Pensou que o meu dia nunca chegaria, garota?- disse Lúcio.- Você matou o meu único filho e agora terá que pagar por isso.

Gina não sabia o que fazer, talvez devesse sair correndo, mas se o fizesse Lúcio descobriria a emboscada e ao invés de persegui-la avisaria a Voldemort. Tinha que manter um diálogo.

- Eu no seu lugar teria vergonha de ter um filho covarde como aquele.- disse ela sorrindo enquanto se levantava.

- Crucio!!- gritou Lúcio novamente, mas dessa vez Gina foi mais rápida.

- Protego!- gritou ela que ainda sentiu como se tivesse levado um soco na barriga, mas a barreira funcionara.

- Pensa que pode resistir a mim?- perguntou Lúcio.- Esperei meses por poder me vingar de você. Não vou desistir enquanto não ver o seu sangue derramado.

- Resisti à Maldição Imperius de Draco, porque não resistira a você?- perguntou Gina.- Seu verme!

- Expeliarmus!- disse Lúcio, Gina desviou.

- Isso é o melhor que pode fazer?- perguntou a garota sorrindo, queria realmente irritá-lo.


****


Rony sentiu alguma coisa ficar quente em seu bolso, e então tirou de lá a velha moeda da AD. Gina o havia avisado que moeda quente era sinal de que ele deveria rumar para a sala Precisa, mas naquele momento ele havia escutado passos.

Ele se espremeu por trás de uma armadura e então viu Rodolfo Lestrange passar penosamente pelo corredor com a varinha em punho. Ele chegou, pensou Rony. Talvez algo tenha dado errado. Era melhor ele ir rápido para o sétimo andar. Ele se preparou para sair mas então esbarrou na armadura provocando um ruído alto. Rodolfo que já estava mais adiante se virou em alerta.

- Uediuósi!- murmurou Rony apontando para armadura que havia adiante, atrás de Rodolfo, que olhava atencioso a todos os cantos.

Com um ruído estridente a viseira da armadura se abriu e de lá saiu uma aranha peluda que voou até a nuca de Rodolfo que se virou assustado.

Rony, depois de controlar um pequeno arrepio ao ver a aranha, disparou veloz pelo corredor. Rodolfo provavelmente o viu, mas estava ocupado em se livrar da aranha. O garoto então subiu três lances de escadas mas quando foi virar uma esquina correndo colidiu violentamente com Zacarias. Os dois caíram no chão.

- Aonde ia com essa pressa?- perguntou Rony esfregando o ombro onde batera de frente com Zacarias.

- A moeda ficou quente.- disse o garoto louro.

- Eu vi.- disse Rony.- Tem um comensal no terceiro andar.

- E outro perto da cozinha.- disse Zacarias.- Mas ele não me viu.

- Pois o do terceiro andar me viu.- disse Rony.- Escuta, eles não podem, de forma alguma avisar a Voldemort o que está acontecendo.

- E se eles usarem a tal tatuagem?- perguntou Zacarias enquanto se levantava.

- Vamos para a sala Precisa.- disse Rony.- Ninguém sai e ninguém entra de lá!


****


- Como são curiosos os fatos.- disse Voldemort. Tonks permanecia assentada.- Quando cheguei à casa de seus pais já há quase dezesseis anos encontrei seu pai assentado na mesa da sala, parecido com você, agora.

Harry no seu canto sentia a dor da cicatriz aumentar.

- E então ele se levantou e mandou que sua mãe fugisse...- dizia Voldemort

Harry ouvia os gritos.

- Fuja, Lílian! Pegue o Harry e fuja.- era a voz de seu pai.- Eu vou atrasá-lo.

- E acreditou que poderia me impedir de cumprir os meus objetivos...- continuou Voldemort. Isabel permanecia imóvel logo atrás de Voldemort.

- Mas não conseguiu, não foi?- disse a voz de Tonks, Harry sabia que ela não o estava imitando tão bem. Se fosse realmente ele estaria cuidando irritar Voldemort, logo este notaria que havia algo de errado.- Pois eles morreram, mas eu sobrevivi!

- Do que lhe adiantou sobreviver por dezesseis anos, Harry?- perguntou Voldemort gargalhando.- Você iria morrer de uma forma ou de outra...


****


Neville saiu da biblioteca deserta, havia sentido a moeda quente, então viu um vulto se aproximando. Voltou pra dentro da sala. O vulto, de um homem magro de aparência nervosa, vinha se aproximando lentamente. Neville prendeu a respiração e o viu passar direto pela porta da biblioteca. Mas então ele o reconheceu. Era Rabastan Lestrange. Um dos comensais que torturaram seus pais até a insanidade. Sua avó havia lhe mostrado, em meio às foto dos fugitivos de Azkaban no Profeta Diário, os três Lestranges certa vez.

O garoto se esgueirou de volta para o corredor e ergueu a varinha. Mas podia estar enganado, hesitou por um momento. O homem continuava seu trajeto sem notá-lo.

- Ei!- disse Neville. O homem parou e lentamente se virou.- Você é Rabastan Lestrange?

- Sim!- disse o homem espremendo os olhos tentando se lembrar que era o garoto.- Porque?

- Atoa.- disse Neville e então ele ergueu a varinha rapidamente.- Rictusempra!- completou e o comensal caiu no chão com as pernas se mexendo loucamente. Talvez Neville devesse tê-lo estuporado, mas o fato é que ele se limitou a chutar a varinha do homem longe e sair correndo em direção ao sétimo andar.

Mal soube ele que Rabastan Lestrange, com dificuldade, se arrastou até a sua varinha e se livrou do feitiço tocando a tatuagem com a varinha em seguida.

- Mi Lorde! Mi Lorde!- gaguejou ele.


****


- Para não dizerem que fui cruel vou lhe dar um minuto para fazer seus últimos pedidos.- disse Voldemort.

- "Mi lorde! Mi Lorde!"- disse uma voz.

- Harry gelou! Aquela voz não era de ninguém ali presente.

- Cale-se Belatriz.- sibilou Voldemort.

- Mi Lorde! Ouça-me. Isso é uma emboscada!- disse a mesma voz.

Voldemort pareceu paralisado por um segundo. E não só ele, como todos na sala. Mas no segundo seguinte, quando ele se virou violentamente para Isabel segurando-a pelo pescoço, Harry sentiu a dor na cicatriz mais forte do que nunca e teve que se segurar para não gritar.

- Como ousou?!- sibilou Voldemort. Harry viu o rosto de Isabel, ainda como Belatriz, ir ficando vermelho como se ela estivesse sentindo falta de ar, obviamente Voldemort estava apertando o seu pescoço.

Tonks se levantou, mas Voldemort, ainda segurando Isabel pelo pescoço usou um feitiço convocatório e apanhou a varinha dela. E então quando ele se virou novamente para Isabel esta havia voltado à forma normal. Ele a soltou e a garota caiu arfando no chão.

- Que plano fútil o de vocês!- riu ele virando-se novamente para Tonks.- Mas vamos logo acabar com isso. Avada Kedrava!- completou.

Nada aconteceu.

- É lógico!- sibilou Tonks sorrindo. Harry viu Tonks olhar em sua direção pelo canto dos olhos, sabia que era a hora de agir, mas sentia-se preso ao chão.- O que Sr. não leu Hogwarts uma história, então não deve saber que não é possível realizar este feitiço aqui dentro.- Completou ela em um tom que lembrava Hermione.

- Que seja da forma mais dolorosa então.- disse Voldemor sorrindo.- Crucio!!

Mexa-se Harry! Mexa-se! Você tem que agir agora! Dizia uma voz no interior da cabeça do garoto. Mas o único movimento que pode fazer fez o relógio cair no chão com um claque.

Voldemort se virou com a varinha em punho. Só então Harry percebeu que Tonks havia voltado pela metade ao normal, depois de cair desacordada no chão. O homem foi caminhando na direção de Harry. O garoto por sua vez lançou um olhar rápido ao relógio no chão. Agora não só o ponteiro de Gina estava caminhando para a morte, mas o de Rony também.


****


- Curcio!- gritou Lúcio Malfoy e Gina começou a se contorcer. Não ia gritar, mas aquela dor era intensa. Sabia que não resistiria por muito tempo. Seus joelhos não demoraram muito a ceder novamente.

Lúcio gargalhava, mas Gina já não escutava apenas a sua risada. Ouvia um grito no fundo de sua mente. Ela sabia de quem era aquele grito. Era de Hermione, o mesmo grito que ela soltara ao ser atingida pela espada.

Já devia estar quase inconsciente quando o feitiço parou. Mas ela sequer tinha forças para abrir os olhos e ver o que acontecera.


****


Zacarias parou de repente em sua corrida. Rony teve que segurar para não colidir violentamente com ele.

- Veja.- sussurrou.- É Lúcio Malfoy, ele está torturando alguém.

Rony espremeu os olhos e tentou ver a dupla no fim do corredor. Quem seria a outra pessoa?

- Vamos chegar por trás e desarmá-lo.- disse Zacarias.

- Ok!- fez Rony.

Os dois então foram seguindo pé ante pé, se aproximando da dupla. As varinhas em punho. Até que finalmente Rony reconheceu a outra pessoa. Era Gina. Ele parou. E então viu Neville vir correndo pelo outro lado do corredor.

- Estupefaça!- gritou o garoto e então Rony viu Lúcio Malfoy desmontar no chão. Mas nem parou para ver o homem por muito tempo. Correu até Gina, Neville já a havia alcançado e tentava acordá-la.

- Ela desmaiou, Rony.- disse ele.

- Não! Não pode ser.- disse Rony.- Gina, acorda!- completou dando tapinhas no rosto da garota.

- Temos que levá-la daqui, logo aparecerão outros comensais.- disse Zacarias.

Mal Zacarias terminara a frase e Luna surgiu andando apressada pelo corredor.

- A moeda.- disse ela.- O que aconteceu com a Gina?

- Lúcio Malfoy a torturou até ficar assim.- disse Neville aflito.

- Vamos levá-la para a sala da Profª. Minerva!- disse Luna.

- A sala só fica no primeiro andar?!- disse Rony.

- Mas de lá ela pode seguir para casa.- disse Luna colocando a varinha atrás da orelha e se agachando para ajudar Neville a levantar Gina.- vocês dois fiquem aqui.- completou para Rony e Zacarias.

- Eu daria tudo para saber o que está acontecendo aí dentro.- disse Zacarias quando os outros três sumiram de vista.

- Eu também.- disse Rony.


****


Harry apertou a flecha na mão. Era hora de agir, ele sabia. Mas então ouviu-se um ruído e Voldemort se virou. E então Harry conteve todo o impulso que já tinha tomado. Não matava ninguém pelas costas!

- Não há Harry nenhum aqui!- era Isabel, estava novamente de pé.- Então enfrente a mim!

- Droga!- sussurrou Harry.

Voldemort gargalhou.

- Crucio!- gritou ele.

- Protego!- gritou Isabel.- Vamos brincar usando as mesmas armas então!- completou a garota. Quando estava duelando lembrava ainda mais a mãe.-Crucio!

Voldemort desviou, mas não havia só a parede atrás dele. Havia Harry.

- Ai!- disse o garoto que não estava preparado para aquilo.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 19:59

29° Capitulo - O Fim

Harry começou a se contorcer.

A princípio Isabel não entendeu o que acontecera. Mas então ela ouviu a respiração afobada de Harry e parou o feitiço. O garoto, por sua vez, quase cego com a dor na cicatriz, ainda maior agora, misturada com a dor do feitiço viu Voldemort olhar rapidamente para trás em alerta.

- Estupefaça!- Ele se limitou a dizer.

Enquanto recuperava o fôlego Harry viu Isabel colidir contra a outra parede, Voldemort se virar e ir caminhando na direção dele. A varinha em punho em uma das mãos e a outra esticada para frente como se procurasse algo no escuro.

Levante-se e enterre a flecha no peito dele, Harry, é só isso o que tem que fazer. Dizia a voz no fundo da cabeça do garoto. Ele então se agachou, pronto para se erguer. A flecha preparada, e quando Voldemort estava há meio metro dele, ele o fez. Ficou de pé num segundo, e no seguinte ele golpeou a flecha contra o peito de Voldemort e a deixou ali. E então ele tirou a capa da invisibilidade e sacou a varinha.

Voldemort estava paralisado. Harry sorriu.

- Acabou para você, Voldemort!- disse ele.

Mas então Voldemort arrancou a flecha do peito - a ponta da flecha se partira, ele arrancou só o cabo- e depois de olha-la virou-se para Harry.

- Grande plano o de vocês!- disse ele. Sua veste negra se enchia de sangue agora.- Flecha de centauro! Mas não ache que vou deixá-lo para trás.

- Se realmente acha isso creio que queira duelar comigo, um duelo de homem contra homem.- disse Harry, não sabia como mas estava novamente cheio de coragem e bravura.- Duele até a morte, Voldemort. Até a sua morte!


****


- Droga!- disse Neville.- O comensal que eu tinha desarmado se recuperou e vem logo à frente.

- Por aqui!- disse Luna indicando a porta do banheiro feminino no segundo andar.

- Não vou entrar num banheiro de garotas!- disse Neville. Ele e Luna tinham passado os braços de Gina em volta de seus pescoços.

- Cala a boca e entra logo!- disse Luna irritada chutando a porta.

Ela e Neville, carregando Gina, se espremeram para dentro do banheiro. Luna deu outro chute na porta, para fechá-la, ao passar.

- Vamos colocá-la aqui.- disse Luna seguindo na direção oposta às cabines com vasos sanitários do banheiro.- O que ele fez com ela?

- Acho que foi uma maldição Cruciatus.- disse Neville.

- Quem está aí?- perguntou uma voz chorosa.

- Droga!- disse Neville.- Luna, nós estamos no banheiro da Murta- Que- Geme!- completou segundos antes do fantasma da menina tristonha surgir por entre as cabines.

- Olá, Murta!- disse Luna com a voz sonhadora.

- Di Lua!- sorriu Murta.- Pensei que nunca mais a veria desde que a escola foi fechada.- ela fechou a cara novamente.- Pelo menos ninguém mais vem aqui atirar coisas em mim!

- Pelo menos isso, Murta!- disse Luna sorrindo.- Mas escute, eu tenho um problema agora.- completou indicando Gina.

- O que aconteceu com ela?- perguntou Murta.- Não quero essa garota dividindo o banheiro comigo!

- Ela não vai dividir o banheiro com você!- disse Luna.- Mas para isso você vai nos ajudar.

- Ajudar...?- fez Neville sem entender aonde aquela conversa de velhas amigas que não se vêem há muito tempo iria chegar.

- Vá até a sala da Profª. McGonagall e a avise que Gina Weasley está inconsciente no seu banheiro, junto comigo.- disse Luna.- E Diga também que há comensais espalhados pelo castelo.

- Se eu fizer isso promete vir me visitar mais vezes?- perguntou Murta considerando o pedido da outra.

- Prometo Murta.- disse Luna.- E o meu amigo também, agora vá!

- Eu não vou vir visitar uma fantasma maluca num banheiro feminino!- disse Neville assim que Murta sumiu pela parede.

- Se isso for o suficiente para a Gina sobreviver...- disse Luna com veemência.- Vai sim!


****


Rony e Zacarias ouviram passos. Surgiam comensais em ambos os lados do corredor.

- Eu fico com a direita e você com a esquerda.- disse Rony rapidamente.

- Ok!- Fez Zacarias enquanto saltava por cima do corpo estendido de Lúcio Malfoy, indo se postar no meio do corredor. Rony fez o mesmo e viu os dois Lestrange vindo sorrindo na direção dele. Do outro lado vinham Rookwood e Dolohov. Não sabia bem o que viria a seguir. Estavam perdidos.

Mas então, quando os seis ergueram as varinhas, ouviu-se um estrondo e um jato de luz prateada tomou o lugar. O chão tremeu violentamente. Rony escorregou e se apoiou na parede mais próxima. Ouvia Zacarias, às suas costas, tossir por causa da poeira.

Ouviu-se o som de alguém caindo no chão. E então a voz de Rodolfo Lestrange soou no meio dos ruídos de destruição.

- Dumbledore!

Em seguida houve um segundo jato de luz prata. E um terceiro. E então Rony sentiu o chão parar de tremer e um vulto se aproximar dele e o levantar.

- Você está bem?- Era Carlinhos.

A poeira ia baixando lentamente. Zacarias ainda tossia. Carlinhos o levantou também.

- O que aconteceu?- perguntou Zacarias.

- Não deixe ninguém entrar nesta sala, Gui.- disse a voz de Dumbledore.

Então Rony finalmente viu o seu vulto ficar nítido em meio a tanta poeira. Ele estava com a mesma aparência imponente de sempre.

- Sim senhor.- Disse uma terceira voz.

Rony sentia-se confuso. Observou Dumbledore saltar o corpo de Lúcio e abrir a porta da sala fechando-a com um baque surdo em seguida.


****


- Eu não direi nada de importante a essa tal de Ordem.- disse Belatriz.- Pode me matar se quiser.

- Não vou sujar as minhas mãos depois de ter lutado quinze anos para provar que era inocente de outro crime!- disse Sirius.

- Estamos em guerra, Sirius.- disse Belatriz.

- A Guerra termina hoje.- disse Sirius.

- Então deixe que eu mesma cuide disso.- disse Belatriz.- Não quero voltar para Azkaban.- completou.

Sirius sorriu.

- Eu sabia que você provavelmente tomaria esta decisão.- disse ele tirando um frasco do bolso das vestes.

- É que não seria nada legal, para mim, reencontrar comensais em Azkaban sendo que eu fui a culpada pelo fim.- disse Belatriz secamente.

Sirius se levantou da cadeira e depois de dar alguns passos em frente ele esticou o frasco com um conteúdo roxo dentro.

- O mesmo que tentou usar contra Hermione.- disse Sirius.

- Despeça-se de mim, primo.- disse Belatriz. Ela estava bem mais calma do que antes agora. Mas ainda havia deboche e crueldade em sua voz. Ela sabia muito bem que sua imagem, sobretudo naquele momento, perseguiria Sirius para o resto da vida dele.- Me beije.

Ele obedeceu, e os dois se beijaram, ali, encostados na parede do poço, como nos velhos tempos, durante alguns minutos. Até que Belatriz empurrou Sirius, tomou o veneno e caminhou na direção da cadeira.

- Adeus.- disse ela antes de se contorcer e desmontar, morta, na cadeira.

Sirius caminhou até ela e fechou seus olhos.

- Adeus prima.- disse ele antes de dar um murro na tampa do malão para abri-la.


****


- Crucio!- gritou Voldemort. Harry desviou.

- Estupefaça!- Gritou Harry.

- Protego!- respondeu Voldemort.- Crucio!

- Estupefaça!- Repetiu Harry. O feitiço dos dois se encontrou na metade do caminho provocando a explosão da mesa no centro da sala.

- Crucio!- gritou Voldemort. Harry desviou.

- É o melhor que pode fazer?- perguntou o garoto.

- Crucio!- repetiu Voldemort e este feitiço o atingiu em cheio. Harry sentiu uma dor subir através de sua barriga e caiu no chão.- Eu lhe disse, Harry!- dizia Voldemort.- Estou destinado a morrer agora, mas você irá junto!

- Não vou não.- disse Harry se levantando quando o efeito da maldição parou.

- Crucio!- gritou Voldemort novamente fazendo com que os esforços de Harry se levantar fossem em vão. Ele caiu novamente no chão, ao lado do relógio. O ponteiro de Rony estava seguro agora. O de Gina também. Mas o seu caminhava lentamente para a morte. Ele se via chegando próximo à Hermione. Ele iria revê-la.

Voldemort gargalhava.

- Nunca quis ir rever seus pais, Harry?- perguntou ele.- Sua namoradinha?!

Harry arfava observando a mancha de sangue cada vez maior no peito de Voldemort.

- Crucio!

E a dor recomeçou. Os óculos de Harry escorregaram por seu nariz e caíram. Ele já não enxergava mais. Via apenas escuridão. Mas ouvia vozes.

"Corra! Eu o atraso!"

E a voz de seu pai se transformou na de Hermione.

"Não deixe que nada mate você!"

Harry ouviu um latido de cão.

Eu não vou morrer. Pensou. Não agora. E então ele abriu os olhos e de repente a dor parou. Ele caiu no chão. Ergueu o rosto o máximo que pode e viu. Viu Dumbledore.

- Acabou Tom!- disse o homem.

- Dumbledore!- sibilou Voldemort depois de uma careta, parecia que a ferida em seu peito começara a doer.

- Parece que você caiu na minha emboscada.- sorriu Dumbledore calmamente.

- E parece que arrastei o garoto para a morte comigo.- disse Voldemort sorrindo ao olhar para Sirius que acabara de virar Harry desacordado de barriga para cima.

- Ele sobreviverá.- disse Dumbledore.- Agora, eu ficaria fascinado se você aproveitasse o seu restante de vida para me narrar sua fascinante saga.

Voldemort ergue a varinha.

- Você não tem chances, Tom.- disse Dumbledore.- Tenho alguns dos meus melhores homens lá fora.

Voldemort pensou por um momento e então largou a varinha no chão. Ele sabia que ia morrer no momento em que arrancara a flecha de seu peito. E já que morreria, que contasse todos os seus feitos ao mundo antes. E que ficasse conhecido pela eternidade como o maior Bruxo das Trevas de Todos os Tempos.

- Chame Gui, Carlinhos e Moody.- disse Dumbledore sorrindo e se virando para Sirius.- E acorde Tonks.- ele reabriu a tampa do malão que levava ao poço.- Vamos descer, Tom.

Voldemort obedeceu.

- O que aconteceu com Bela?- perguntou o homem ao ver o corpo da comensal.

- Preferiu matar-se ao ver o fim.- disse Dumbledore.


****


- Harry!- chamou uma voz. Harry via uma luz. Será que estava morto?- Harry!- alguém bateu em seu rosto. Ele abriu os olhos lentamente. Era Rony. Ele se assentou. Ainda estava na sala precisa.

- O que aconteceu?- perguntou ele enquanto recolocava os óculos.

- Você conseguiu, Harry!- disse Rony abraçando-o.- Ele está lá em baixo. Se rendeu.

- Voldemort?- perguntou Harry.

- Sim!- disse Rony soltando-o.

Harry olhou à sua volta. A porta estava aberta deixando a luz do meio da manhã entrar. Zacarias analisava uma varinha. Isabel estava assentada mais à frente, em uma cadeira.

- Quando errei o feitiço achei que estava tudo perdido.- disse ela sorrindo para Harry.- Porque não agiu quando eu o atrai para mim?

- Não ataco ninguém pelas costas.- disse Harry.- Foi sorte ele se voltar pra mim ou eu teria amarelado.

- Eu só gostaria de saber quem matou Snape.- disse Isabel.

- Ele suicidou-se.- disse Rony.- Na minha frente.- completou fazendo cara de nojo.- E então o fantasma do Malfoy apareceu e se propôs a dar um fim no corpo.

- Ele e o tal de Pirraça jogaram o corpo do alto do saguão de entrada. Ele se esborrachou no chão.- disse Isabel.- Onde está Gina?

- Não sei bem.- disse Rony.- Ela encontrou Lúcio Malfoy e quando Neville o estuporou ela estava desacordada. Mas quando Moody chegou ele disse que ela já estava bem.

- Quando vamos embora?- perguntou Harry. Sua cicatriz ainda latejava e ele sentia uma costela quebrada.

- Assim que terminarem o interrogatório de Voldemort.- informou Isabel.- Não é certo ainda.


****


- Por onde querem que eu comece?- perguntou Voldemort sorrindo maliciosamente após tomar a poção da Verdade.

- Por onde você considerar ser o começo, Tom.- disse Dumbledore.

Haviam sido conjuradas cadeiras ali. Carlinhos, Gui, Sirius, Tonks, Minerva, Moody, Quim e Lupin assentados em volta de Voldemort que aparentava estar levemente pirado.

- Pela morte dos Riddle!- sugeriu Minerva.

- Pois bem.- disse Voldemort.- Eu tinha saído de Hogwarts fazia quinze dias. Já tinha todo o meu plano de ascensão armado. Vingaria minha mãe e depois passaria algum período estudando. E eu o fiz. Aparatei em Little Hangleton pela manhã e espionei a casa e a rotina dos empregado, e então, quando a noite caiu, eu invadi a casa e matei a todos.- ele sorriu.- A polícia Trouxa tentou culpar o jardineiro. Trouxas tolos!

- Continue, Tom.- disse Dumbledore.

- Depois do episódio eu viajei o mundo estudando magia negra. E quando voltei, comecei a recrutar jovens para formar o meu exército.- continuou Voldemort.- Conhecia o velho Malfoy, ele tinha sido meu amigo em Hogwarts. E ele me disse que o filho dele tinha um grupo de magia negra na escola. Lúcio foi o primeiro dos ainda vivos a se tornar um comensal. Foi ele quem me sugeriu marcar a todos...


****


- É por aqui, Tia.- disse uma voz que os garotos conheciam e no momento seguinte Tobias surgiu pela porta.- Ah! Olá. Não sabia que ainda estavam aqui.

Logo atrás deles vinha Amélia Bones.

- Eles estão no malão, Sra. Bones.- informou Isabel ao reconhecer a mulher.

- Porque vocês ainda estão aqui?- perguntou ela.- Ainda há muitos comensais à solta. Levem-nos para a casa de Sirius Black, Tobby.- completou ela antes de descer para o poço.

- Vamos! O que estão esperando?- perguntou Tobias.- Vamos todos para a Sala de Minerva.

- O que faço com isso?- perguntou Zacarias Smith mostrando a varinha esquecida ali.

- O que é isso?- perguntou Tobias.

- A varinha de Você- Sabe- Quem.- disse o garoto.

- Deixe isso aí!- disse Tobias.- Vamos! Andem.

O grupo seguiu calado pelo castelo até a sala da Profª. Minerva. Harry sentia a cabeça doer. E ficou satisfeito quando finalmente chegou à cozinha da casa dos Black e foi logo acolhido pela Sra. Weasley.

- E então, garotos?- perguntou Mundungo que estava por ali.- Contem-me tudo.

- Você saberá de tudo depois, Mundungo.- disse a Sra. Weasley.- Agora quero que todos tomem seus chocolates.

- Sra. Weasley.- disse Harry.- Acho que talvez eu precise de um médico. Minhas costelas parecem fora do lugar.

- Oh! Harry querido!- disse a Sra. Weasley.- Nem lhe perguntei se estava se sentindo bem.

- Mamãe, e a Gina, onde ela está?- perguntou Rony se lembrando da irmã.

- Ficou lá, oras!- disse a Sra. Weasley.

- Er...- fez Rony.- Não, ela não ficou.

Harry imediatamente tateou o bolso a procura do relógio. O ponteiro de Gina estava em uma outra casa que ele não sabia o que significava.

- Talvez tenham levado-a para St. Mungus.- sugeriu Isabel.- Quando Sirius me acordou disse qualquer coisa sobre isso.

- Papai deve tê-la levado.- disse Rony.- Pois ele não desceu para o poço.

- O que aconteceu com a Gina?- perguntou a Sra. Weasley aflita.

- Só vamos saber se formos até o St. Mungus.- disse Isabel.- E creio que seja bom que todos nós façamos uma consulta.- completou.

Harry concordou com a cabeça, e ainda com a costela doendo, se levantou e vestiu novamente a capa.

Foram de Flu. Desde que Voldemort aparecera em público, no início do verão anterior, a lareira de Sirius não estava mais sendo tão vigiada. Talvez, fosse, na realidade, porque Umbridge não estava mais no ministério.

O St. Mungus estava no movimento de sempre. Os bruxos e bruxas na recepção falavam alto. Harry seguia ao lado de Rony e não pode deixar de perceber que algumas pessoas apontavam para ele. A Sra. Weasley ordenou que esperassem assentados em algumas cadeiras e seguiu até a fila para a escrivaninha de requerimentos. Dez minutos depois ela voltou acompanhado por um MediBruxo.

- Então estes são os nossos heróis?!- disse ele.- Já há quatro amigos de vocês em uma enfermaria reservada logo que o dia nasceu por Alvo Dumbledore. Venham comigo.

Harry, Rony, Isabel, Zacarias e a Sra. Weasley seguiram o MediBruxo por corredores ladeados por fotografias de bruxos importantes até o quarto andar, na ala de Danos Por Magia.

- É aqui.- disse o MediBruxo e então Harry pode ler seu nome no crachá: Augustus Pye - Medi Bruxo. Harry se lembrava do bruxo, na época em que o Sr. Weasley esteve por ali ele era estagiário.

Harry tirou os olhos do crachá e entrou a enfermaria. Luna, Dino e Neville estavam por ali. A avó de Neville também, e obrigava os três a comerem o que parecia ser biscoitinhos de chocolate.

- Andem! Vocês tiveram um período de provações!- dizia ela.- Precisam se alimentar.

Mas então Harry percorreu os vários leitos vazios da enfermaria e no último deles estava Gina.

- Gina!- disse a Sra. Weasley aflita correndo até lá. A garota parecia adormecida.

- Acalme-se senhora.- disse o MediBruxo.- Ela ficará bem, já foi medicada.

- O que aconteceu com a minha Gina que vocês não quiseram me dizer?- perguntou ela se virando para os garotos.

- Ela foi torturada por uma maldição Cruciatus.- disse o MediBruxo.- Mas ficará bem, não se preocupe. Seu marido chegou faz duas horas trazendo ela e aquele outro garoto inconscientes.- completou indicando Dino.

- Encontrei Rookwood quando descia para o sétimo andar depois de sentir a moeda quente.- explicou Dino.

- Mas agora vamos cuidar de vocês.- disse o MediBruxo.- Já tomaram chocolate?

- Sim.- respondeu Zacarias.

- O que é isto no seu pescoço?- perguntou o MediBruxo para Isabel. Harry olhou para ela, as marcas dos dedos de Voldemort estavam ali, como queimaduras.

- Tentaram me enforcar.- informou ela calmamente.

Enquanto o MediBruxo a atendia Harry se juntou a Neville, Luna e Dino. Preferia ser o último.

- E então?- perguntou Neville.- Tudo finalmente acabou?

- É...- disse Harry.

- Mas ainda é perigoso. Meus pais...Sabe, aconteceu aquilo com eles depois que Voldemort caiu.- disse Neville depois de olhar por cima do ombro, sua avó conversava com a Sra. Weasley.

- É, eu sei.- disse Harry. Até a pouco ele estava se sentindo realizado. Mas agora, sentia-se mal. Apesar da euforia por Voldemort finalmente ter caído - talvez já estivesse morto a essa hora.- ele sentia que faltava alguma coisa. Havia um enorme vazio dentro de seu peito. Faltava Hermione.

- O Senhor Weasley nos contou que os comensais que estavam no castelo iam acabar com Rony e Zacarias mas então Dumbledore chegou e em um feitiço só derrubou todos eles.

- É!- disse Harry sem emoção.- Acho que foi isso.

Logo Harry foi atendido. Em um minuto estava com a costela quebrada no lugar. O MediBruxo disse que eles deveriam dormir. Todos, protestando, deitaram em seus leitos. Logo Neville roncava. A princípio Harry não dormiu. Ficou escutando o movimento no hospital. A Sra. Weasley e a Sra. Longbotton ainda conversavam em tom baixo na enfermaria quando o Sr. Weasley entrou.

- Arthur!- disse a Sra. Weasley ao vê-lo.- que bom que você está bem!

Harry viu por uma greta em seu cortinado o rosto do Sr. Weasley. Parecia triste, cansado e preocupado.

- Pediram que eu mesmo contasse a você, Molly.- disse o Sr. Weasley.

A primeira coisa que Harry pensou foi que Voldemort havia escapado da morte mas então ele ouviu a verdadeira notícia.

- Percy foi morto durante a invasão ao ministério.- disse o Sr. Weasley.

De onde estava Harry não podia ver a Sra. Weasley. Mas viu o Sr. Weasley segurá-la, ao que parecia havia desmaiado.

Quantos mais mortos haveria? Sabia que direta ou indiretamente aquilo tudo era por culpa dele, as mortes desde que Voldemort voltara. Cedrico, Hermione, Hagrid, até mesmo Draco, Cho, Snape e agora também Percy.

Sentia-se cansado. A Cicatriz ainda doía um pouco. Talvez fosse melhor dormir. E enquanto ele lutava para realizar tal feito, em Hogwarts, no poço do malão de Moody o interrogatório chegava a um fim.

- Então o senhor admite aqui, perante todos esses bruxos que formam a atual Ordem da Fênix que matou e enganou todas aquelas pessoas?- perguntou Amélia Bones que desde que chegara assumira o papel de interrogadora. Tobias vinha anotando tudo desde que voltara da casa de Sirius.

- Sim.- disse Voldemort em seu tom de voz frio, e agora cansado, a frente das vestes tão sujas de sangue que parecia não haver mais do mesmo em seu corpo.- E faria tudo novamente se me fosse possível.

- Então acho que já podemos deixar esse homem morrer em paz.- disse Amélia Bones.

- Morrer em paz?- perguntou Moody que parecia indignado com a calma com que o interrogatório vinha seguindo.- Pensem no tanto de vidas que esse maldito homem tirou e desgraçou!- disse ele.

- Tem mais uma coisa que eu gostaria de saber.- disse Tonks.

- Diga Ninfadora.- disse Amélia.

- Porque você se rendeu, agora, já no final de tudo?- perguntou ela para Voldemort.

Ele se virou para ela. Os olhos brilhando com a mesma malícia e crueldade de sempre.

- Um grande bruxo conhece os seus limites, jovem mestiça de sangue ruim!- disse ele. Sirius murmurou qualquer coisa sobre insultar Tonks.- Até mesmo um grande bruxo das trevas, como eu.- completou sorrindo.- Se eu reagisse...- continuou.- Se tentasse lutar contra Alvo Dumbledore...Isso tudo só mancharia a minha reputação, a minha morte, mancharia tudo com vergonha!

Dumbledore sorriu.

- Como já disse aqui, perante todos vocês, Alvo Dumbledore foi o único bruxo que eu temi durante toda a minha vida, e eu sei que fui um louco por desafiá-lo nessa guerra. Eu era como um aprendiz lutando contra o mestre dos mestres em Magia!- continuou ele. Estava sério.- Se eu reagisse e não morresse pelas mãos de Dumbledore, os bruxos dele que estavam do lado de fora desta sala, aí em cima, cairiam sobre mim, e sei que eles não teriam piedade em me matar...Como eu nunca tive piedade em matar ninguém!

Todos estavam em silêncio.

- Seria muito desgostoso para mim, morrer ali, naquela hora, pelo acaso!- continuou ele.- E, se mesmo assim eu passasse por todos aqueles bruxos ali presentes e conseguisse voltar à casa de Lúcio, nada me faria sobreviver por muito mais tempo.- Ele suspirou.- Conheço o poder letal das armas dos centauros. E por mais que criaturas como os Dementadores e os Gigantes estivessem do meu lado, os centauros não estavam. Eles não são seres da guerra. Por isso não costumam se envolver nela.

- Vejo que você, Tom, apesar de tudo, é um grande bruxo com palavras.- disse Dumbledore sorrindo.

- Apesar de tudo eu tenho honra, Dumbledore.- disse Voldemort.- E um bruxo de honra sabe admitir quando perdeu. Como você fez, após o meu estrago na escola, admito que achei ter ganhado a guerra depois que você fechou a escola.

- Mas o mundo dá voltas, Tom.- disse Dumbledore.

- Sim, ele dá!- disse o outro.- Agora creio que já chegam de perguntas. Odeio me sentir como uma atração de zoológico, todas essas pessoas me olhando.- completou fazendo cara de desgosto.

- Tens razão.- disse Dumbledore se erguendo.- Acho que podemos partir para os comensais agora. Deixem-no morrer em paz, e Amélia, prepare o tribunal dez.

- E depois de julgados, o que faremos com os comensais, Dumbledore.- Perguntou Quim.

- Vamos para Azkaban assim que este homem der seus últimos suspiros.- disse Dumbledore.- Aquela prisão ficará mais segura do que esta escola.


****


Enquanto dormia Harry tinha sonhos confusos. Via pessoas mortas. Snape, ainda com o punhal no peito; Cho se contorcendo de dor, Hagrid com flechas fincadas por todo o corpo; Cedrico com os olhos parados; Draco com a espada na barriga; e até Percy, com um X no peito e o mesmo olhar parado de Cedrico; Belatriz com as veias extremamente roxas; e então por último viu Hermione, do mesmo jeito que a vira após morrer. Porém estava de pé, e andava como um espectro, ainda com a flecha no ombro e a espada na cintura. Só então foi que Harry viu que todos marchavam na direção dele. Ele quis gritar, mas sua voz não saiu. A Cicatriz doía. E então num último momento do pesadelo ele viu Voldemort com a flecha cravada no peito rindo dele. Então o último arrancou a flecha do próprio peito e também começou a marchar na direção de Harry.

- NÃO!!!!- gritou ele.- VOLDEMORT NÃO!!!!!!

E então tudo sumiu e ficou escuro. Harry abriu os olhos e se assentou na cama. Estava ensopado de suor. Não estava mais a enfermaria. Estava, agora, em algum lugar onde era tudo claro, desde o chão até a madeira da cama e a roupa do garoto. A cicatriz não doía mais.

- Alguém aí?- chamou ele observando o lugar. Não havia parede nem teto ou céu, apenas uma imensidão branca.

E então Hermione apareceu do nada. Harry se assustou ao vê-la. Não estava mais como no pesadelo que acabara de ter. Parecia feliz e estava muito bela. Também trajava vestes brancas.

- Olá Harry!- disse ela sorrindo.

- Hermione?!- perguntou o garoto sem crer no que estava acontecendo.- É você?

- Sim.- disse ela com a voz doce.

- Onde eu estou?- perguntou.

A garota indicou o lado esquerdo do peito de Harry.

- Eu morri?- perguntou Harry.

- Ainda não chegou a sua hora, Harry.- disse ela.

- Mas...- fez o garoto, por um momento feliz ele acreditou que tinha morrido durante o sonho na enfermaria de St. Mungus e que agora estava reencontrando a namorada.- Eu já fiz tudo o que você pediu. Já consegui destruir Voldemort, não foi?

- Sim.- disse Hermione.- Ele já se foi, depois de horas de depoimentos.- ela sorriu novamente.- Mas a sua tarefa ainda não terminou. Você tem de voltar.

- Eu não quero, Mione!- disse Harry tentando tocá-la. Ela recuou.

- Volte agora, Harry.- disse Hermione.

- Não!- repetiu Harry.

- Você não tem escolha.- disse Hermione calmamente.- Deite-se e feche os olhos.

Harry pensou por um momento. Deveria estar sonhando. Acabou obedecendo e quando reabriu os olhos estava de volta em St. Mungus. Já era noite. Ele se assentou na cama. As costelas não doíam mais. A dor na cicatriz também cessara.

- Ah! Você acordou!- disse Neville.

Harry então ouviu um som de vozes misturadas tão alto quanto na recepção do hospital.

- O que está acontecendo?- Perguntou Harry indicando a porta fechada.

- A revista do pai de Luna publicou a notícia sobre o fim de Voldemort.- disse Neville.- O próprio Dumbledore escreveu a matéria. Todos querem nos ver. Principalmente a você.

Harry olhou para o leito ao lado do seu.

- Onde está Rony?- perguntou Harry.

- Está em um outro quarto junto com a Sra. Weasley.- disse Neville.- Percy Weasley foi morto no ministério.

- E os adultos?- perguntou.

- Alguns passaram por aqui, mas já se foram. Muitos nem apareceram.- disse Neville.- Parece que está acontecendo o interrogatório dos cinco comensais que foram capturados em Hogwarts.

- Gina não acordou?- perguntou Harry olhando a garota.

- Não.- respondeu Neville.

Ouviu-se a porta se abrir. Remo estava parado defronte dela impedindo as pessoas espremidas ali tentando entrar. E então Sirius se espremeu ao lado de Remo e escapuliu pra dentro.

- Como vai o nosso herói?- perguntou ele.

- Estou melhor agora.- disse Harry.- Foi você, não foi?- perguntou lembrando-se do latido que ouvira antes de desmaiar.

- O que?- perguntou Sirius sorrindo paternalmente para o garoto. Parecia feliz.

- Que apareceu antes deu desmaiar.- disse Harry.

- Ah! Foi sim!- disse Sirius.

- Eu achei que talvez pudesse ter ouvido um latido irreal.- disse Harry.- Mas então era você.

- É!- fez Sirius. Neville conversava com Dino que havia entrado logo após Sirius.- Também quero lhe fazer uma pergunta.

- Diga.- disse Harry.

- Na realidade são duas.- informou Sirius.- Agora que tudo isso acabou, quero dizer, a guerra e a perseguição a vocês, queria saber se quer vir morar comigo.

Se aquela pergunta fosse feita alguns meses antes Harry toparia na hora. Mas aquela casa era muito mais do que simplesmente a casa de Sirius. Era um lugar cheio de lembranças. Principalmente de Hermione.

- Não sei.- disse Harry e sentiu-se ainda mais vazio ao ver a cara decepcionada do padrinho.- Sabe, não sei se quero viver em um lugar em que a todo o momento eu vá me lembrar de Hermione.

- Eu entendo.- disse Sirius.- Talvez possamos nos mudar.- completou.- Mas creio que queira voltar para Hogwarts e terminar os estudos antes.

- É!- concordou Harry.- E a outra pergunta?

- Queria saber porque você nunca me contou sobre Isabel?- perguntou Sirius.

- Sobre Isabel?- perguntou Harry sem entender.

- É.- disse Sirius levemente tristonho.- Você deve se lembrar da conversa que tivemos antes de você sair do luto. Sobre o meu amor do passado. Pois então, eu estive conversando com Belatriz, antes dela tomar o veneno para se matar, conversando sobre o nosso passado mal resolvido...

- Ela te contou sobre Isabel ser sua filha?- perguntou Harry, Sirius fez que sim com a cabeça.- Achei que ela era quem devia lhe contar.- completou.

- Entendo.- disse Sirius.

- Até quando vou ter que ficar aqui?- perguntou Harry.

- Creio que até esse pessoal desistir de vê-los.- disse Sirius.

E foi assim. Duas horas mais tarde Rony voltou para a enfermaria. Disse que a Sra. Weasley estava inconsolável e que até seu pai se entristecera. Pouco tempo depois os dois foram dormir. Harry teve um sonho mais tranqüilo dessa vez. Acordou muito cedo no dia seguinte. A porta estava aberta e já sem a multidão de gente se espremendo para tentar entrar. Rony ainda dormia assim como os restantes, exceto Neville que entrou afobado, meia hora depois, já vestido normalmente.

- Harry!- disse ele sorrindo de orelha a orelha.- Meu pai! Ele falou!

- Sério?- disse Harry.- Que bom!

- É!- disse Neville.- Fui visitá-los logo que acordei. Contei sobre os últimos acontecimentos. Contei que Voldemort caíra e que eu havia salvado a vida de Gina Weasley estuporando Lúcio Malfoy e então ele disse: Estou orgulhoso de você!

Harry sorriu para o garoto. Nunca vira Neville tão feliz.

- Harry, você poderia vir ver meu pai?- perguntou Neville.- Acho que ele ficaria feliz em vê-lo.

- Posso sim.- disse o garoto forçando um sorriso simpático. Na verdade não estava muito com vontade, mas não queria desapontar Neville.- Espere só até eu me trocar.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   Qui Abr 15 2010, 20:00

30° Capitulo - Caminho solitário

Harry seguiu com Neville até a Ala para casos de dano permanente. A mãe do garoto, Alice Longbottom, dormia em seu leito. Frank Longbottom estava assentado em sua cama segurando um jornal, mas estava bem claro que ele não estava lendo-o pois seus olhos fitavam o nada em outra direção.

- Papai.- chamou Neville. Demorou um pouco mas o homem se virou e fitou Neville sem mudar a expressão vazia no rosto.- Tem uma pessoa que eu gostaria que o senhor conhecesse.

Frank olhou para Harry mas pareceu que ele nem estava ali.

- Este é o meu amigo, papai, que eu lhe falei há pouco.- disse Neville.- Foi ele quem me ensinou tudo aquilo que eu tenho conseguido fazer.

Frank sequer piscou.

- O nome dele é Harry Potter.- disse Neville.

Frank continuou imóvel por algum tempo e então abriu o jornal e apontou para um foto, era uma foto de Harry, em seguida ele apontou para o próprio Harry.

- Sim!- disse Neville sorrindo.- É ele mesmo, papai. Harry Potter. Não sabia que o senhor andava vendo jornais.

Harry não pode deixar de sorrir. Sabia que aquelas atitudes que pareciam ser estúpidas eram um enorme progresso na recuperação dos pais de Neville. E então Frank apontou para uma Segunda foto no jornal. Era de Neville. E apontou para o próprio em seguida. Mas mal ele terminou isso e Harry gelou. A avó de Neville vinha marchando na direção deles.

- Venha ver vovó!- chamou Neville.- Papai me reconheceu no jornal! E reconheceu Harry também!

Frank repetiu o processo. Apontando para a foto de Neville no jornal e então para Neville. A Sra. Longbottom sorriu emocionada e chamou a MediBruxa. Harry aproveitou para voltar a seu quarto.

- Ah! Aí está você!- disse Rony que estava parado à porta quando Harry chegou.- Gina acordou.

Harry entrou na enfermaria e viu Gina assentada na cama ao fundo. Ele se aproximou.

- Você conseguiu!- disse ela sorrindo.

- Nós conseguimos!- completou Harry sorrindo também.

Silêncio.

- Harry!- chamou uma voz vinda da porta antes que Harry ou Gina dissesse mais alguma coisa. Era Sirius.- Tem alguém que quer falar com você.

- Deixe eu ir lá. Volto depois.- disse ele para Gina antes de ir até Sirius.- Onde?- perguntou ele ao padrinho.

- No salão de chá.- disse Sirius.- Vou com você.- completou.

Os dois então seguiram pelo corredor e apanharam o elevador até o salão de chá. Era um salão amplo e claro cheio de mesinhas redondas e ao fundo um balcão.

Harry viu Dumbledore assentado em uma das mesinhas.

- Ah! Olá Harry!- disse ele se levantando quando Harry e Sirius se aproximaram.- Sentem-se.

Harry não entendeu. Se era Dumbledore quem queria falar com ele porque não tinha ido na enfermaria então? Só cinco minutos mais tarde foi que ele entendeu, realmente, o que estava acontecendo.

- Ah! Aí está ele.- disse Dumbledore se levantando. Sirius também se levantou. Harry se virou na cadeira e viu surpreso, o Tio Válter vir acompanhado por uma MediBruxa.

- Bom, Harry, voltamos já.- disse Sirius antes de sair com Dumbledore.

- Qualquer problema é só me chamar garoto.- disse a MediBruxa depois de assentar o Tio Válter - que trajava um camisolão - defronte a Harry.

- Tio?- perguntou Harry sem entender.- O que o senhor está fazendo aqui? Pensei que tivesse morrido!

- Quase, Harry, quase.- disse o Tio Válter, sua voz soava fraca e cansada. No bigodão, antes preto, agora apareciam fios brancos.- Eles não me mataram, Harry, como pode ver. Alguns bruxos que dizem ser seus amigos chegaram algum tempo depois e me trouxeram para cá.

- O senhor foi o único a sobreviver?- perguntou Harry. Ele odiara o tio com todas as suas forças durante os últimos dezesseis anos, mas agora, vendo-o daquele jeito sentia pena.

- Sim!- disse ele.- Como me arrependo, Harry, por ter reprimido você por ser o que era. Por ter reprimido Petúnia pelo passado dela e da família.

- Eu sinto muito por tudo, tio.- disse Harry meio sem jeito.

- Talvez, se eu estivesse acolhido você direito, se tivesse lhe tratado direito por todos esses anos e se tivesse levado a sério esse tal de Voldemort, Petúnia e Duda estariam bem agora.- disse o Tio Válter.

- Não se culpe, tio.- disse Harry.- Muitas outras pessoas morreram. Mas agora está tudo bem novamente, tudo acabou.

- Eu vi inúmeras fotografias suas naquele jornal de vocês.- disse Tio Válter.- Não sabia que você era tão famoso.

Harry se ajeitou novamente na cadeira.

- E não sabia que tinha uma namorada, também.- disse Tio Válter.

- Ela morreu.- disse Harry tristonho.- No mesmo dia que Voldemort invadiu a casa de vocês. E no mesmo dia morreu também Rúbeo Hagrid.

- Aquele gigante?- perguntou Tio Válter. Harry fez que sim com a cabeça.- Mas agora tudo acabou, não é mesmo? Já poderei voltar para casa e tentar continuar minha vida?

- Quase.- disse Harry.- Voldemort caiu, mas os homens dele ainda estão por aí.- era estranho falar sobre a guerra com o tio Válter.- Talvez demore uns...Dois meses até tudo começar a voltar ao normal.

- E o que você irá fazer daqui para frente?- perguntou o Tio Válter.- Quero dizer, a sua escola fechou, não foi?

- Provavelmente ela voltará a funcionar e no ano que vem eu me formarei.- disse Harry.- Depois não sei o que farei.

- Ah!- fez o tio Válter.

- Tio.- fez Harry se lembrando de uma coisa.- E aquele garoto, Marco Evans...?

- Aquele velho barbudo que estava com você a pouco disse que ele está seguro.- disse Tio Válter.- Acho que vou levá-lo para morar comigo quando estiver melhor.

A MediBruxa estava de volta.

- Acho que é melhor o senhor ir descansar, Senhor Dursley.- disse ela.

- Até a vista, Harry.- disse o Tio Válter antes de se levantar e seguir mancando com a bruxa.

Harry ficou olhando o nada pensando por algum tempo. Até que alguém tampou sua visão. Dumbledore estava de volta, já sem Sirius.

- Porque não me contou que ele estava vivo?- foi o que Harry disse.

- Ele acordou fazem apenas quinze dias.- disse Dumbledore calmamente.- Já estávamos no meio da operação para derrubar Voldemort.

- Eu queria perguntar...- começou Harry.

- Voldemort foi interrogado até começar realmente a morrer.- disse Dumbledore como se lesse os pensamentos de Harry.- Ele pediu de volta a velha espada de Slytherin que estava comigo desde a invasão à Hogwarts, e terminou o serviço que você começou.

- E os outros comensais?- perguntou Harry.

- O maior erro de Fudge foi ter recusado o mais brilhante conselho que eu lhe ofereci no começo de seu mandato.- disse Dumbledore.- Disse-lhe para montar um grupo de segurança para Azkaban. Grandes feiticeiros que lançassem tantos feitiços sobre a prisão que ela ficaria igualmente, ou até mais protegida que Hogwarts.- ele sorriu.- Talvez esse foi o erro principal de Fudge em toda a sua vida.

- Se ele tivesse aceitado seu conselho Sirius não teria fugido e nos contado a verdade.- disse Harry. Sua cabeça funcionava tão rápido desde a conversa com o tio Válter, processando os últimos acontecimentos, que ele sequer tinha tempo de se sentir triste ou vazio.

- Você está certo.- disse Dumbledore.- Mas acontece que logo após a morte de Fudge, lá mesmo no ministério, enquanto vocês faziam um excelente trabalho em Hogwarts, eu fui nomeado Ministro da Magia Substituto.- Ele sorriu.- E a primeira providencia que eu tomei foi a reforma de Azkaban. Eu mesmo cuidei de alguns feitiços. E sobre os comensais, Malfoy, os dois Lestrange, Rookwood e Dolohov já foram julgados e mandados para lá.

- E os outros?- perguntou Harry.

- Começou a caçada, Harry.- disse Dumbledore.- Como da última vez. Membros da Ordem dia e noite na pista dos outros comensais. E pode ter certeza de que dessa vez nenhum deles se livrará de Azkaban.

- Mas não pegaram mais ninguém ainda?- perguntou Harry.

- Alguns bruxos do lado deles. Mas nenhuma peça principal.- disse Dumbledore.

- Como ficarão meus estudos?

- Da mesma forma de antes!- disse Dumbledore.- Terminará o seu sexto ano até o fim do verão e em setembro virá o sétimo.

- Ah!- Fez Harry.- E quando poderemos voltar para Hogwarts?

- Breve.- disse Dumbledore.- Agora me dê licença, Harry.

- Ok.- fez Harry observando Dumbledore se retirar do salão de Chá.

Ficou pensando por um momento. Fazendo uma espécie de saldo. Perdera muito mais que ganhara com tudo aquilo. Não corria tanto perigo agora, mas será que estar em paz valia a morte de Hermione? Não. Preferia estar no inferno ao lado dela a estar no paraíso, só.


****


Harry parou à porta da enfermaria. Gina dormia. Além da garota estava ali apenas Rony e Isabel.

- Mas e sobre aquilo?- perguntou Rony que estava assentado em seu leito, Isabel no de Harry. Harry viu que Rony estava vermelho.

- Aquilo?- perguntou Isabel.

- Antes de eu partir para Hogwarts.- disse Rony.

- Ah!- fez Isabel sorrindo.- Eu lhe beijei não foi? Quando os gêmeos exigiram que eu fizesse a minha escolha.

- Foi só pra se livrar deles ou...

- Não. Não foi só pra me livrar deles.- disse Isabel.- Já faz um tempo. Fred e Jorge estavam sempre me cortejando, mas eu não queria nada com eles. Eu queria você.

Rony ficou mais vermelho, se é que era possível, passou a mão pelo cabelo arrepiando-o.

- Eu também já estava interessado em você fazia algum tempo.- disse ele sem jeito.

Harry viu Isabel se levantar e se assentar ao lado de Rony.


- È.- concordou Harry infeliz, Hermione agora estava assentada ao seu lado.

Os dois ficaram calados. Uma enorme vontade de beija-la novamente começou a crescer. Ele foi aproximando seu rosto do dela, mas quando estava quase lá ela desviou e se levantou.

- Harry!- disse ela enquanto se assentava novamente em sua cama.

- Eu não entendo porque Hermione?!- disse Harry observando a amiga, nunca a havia achado tão bonita quanto agora.

- Já disse, é o Rony.- disse Hermione.


Harry sacudiu a cabeça tentando afastar as lembranças e olhou novamente a tempo de ver Rony e Isabel se beijando.


Harry não quis dar entrevista aos jornais. No dia seguinte foram ao enterro de Percy. Na verdade não foi bem um enterro, pois o caixão foi lançado através do véu no departamento de Mistérios. Dois dias depois eles voltaram para a casa de Sirius. Houve uma festa para recebê-los. Uma semana depois do retorno, Umbridge foi capturada entregando assim onde estavam mais cinco comensais.

Houve vários julgamentos sempre depois de demorados interrogatórios. No meio de Maio Hogwarts reabriu. Todos os garotos voltaram para lá. Os testes foram realizados no fim de Junho e depois de um mês de férias apenas os garotos começaram o seu sétimo ano, a escola agora era dirigida pela Profª. Minerva. Dumbledore, fazia um mês, havia sido eleito por bruxos de toda a Grã-Bretanha o novo Ministro da Magia.


- Nem foi tão difícil.- dizia Rony. Ele e Harry estavam assentados na mesa da Grifinória.- Acho que foi porque desta vez eu não estava nervoso.

- É! Acho que passei de primeira por ter mantido a calma.- disse Harry sério. Era começo de Setembro. Ele a pouco tinha passado no exame de aparatação e Rony também.

- Já viram os novos horários?- perguntou Neville que acabara de se reunir a eles.

- Não.- disse Harry.

- Poções dupla e Transfiguração pela manhã.- informou o garoto.- Pela tarde temos Feitiços duplo e à noite Astronomia.

- Quem é o novo professor de Poções?- perguntou Rony ajeitando o distintivo de monitor chefe.

- Abeforth Dumbledore.- disse Neville.

- Aí vem a Gina.- informou Rony. Harry se virou e acompanhou a garota com os olhos. Estava pálida.

- É muito estranho andar por este lugar depois de tudo o que aconteceu.- disse ela enquanto começava a se servir de suco de abóbora.

- Mas já faz tanto tempo.- disse Neville.

- É porque você não vive atravessando o seu ex-namorado por aí.- disse Gina aflita. Neville concordou e riu. Mas foi só ele. Harry e Gina se entreolharam e ele sentiu um estranho frio na barriga. Aquele não foi o primeiro olhar assim que os dois trocaram. Eles passaram aquele ano letivo todo dessa maneira.

- Mas, Harry, quando recomeçará o quadribol?- perguntou Neville.

- Pergunte ao Rony.- disse Harry.

- Porque a mim?- perguntou Harry.

- Renunciei à minha posição no time.- disse Harry.

- Como assim?- perguntou Gina.

- Não tenho mais ânimo para jogar.- disse Harry.- Minerva pediu que eu indicasse alguém para o cargo, então, e eu indiquei você, Rony.

- Mas Harry, não podemos perder o melhor apanhador que a casa já teve!- disse Rony.

- Estive conversando com Marco Evans, acho que ele leva jeito pra minha vaga.- disse Harry.

- Mas...- fez Gina.

- Não vou mudar de idéia.- interrompeu Harry.

E esta não foi a única renúncia que Harry fez. Ele renunciou a tantas coisas...Até por fim renunciar à felicidade.


Harry caminhou pelo gramado coberto de neve até próximo a cabana de Hagrid que agora estava em ruínas. Ouviu o ruído fofo dos passos de Rony atrás dele.

Ele deu a volta até a orla da floresta. Ainda podia ver a si próprio e a Hermione se beijando encostados na parede dos fundos da cabana do guarda caças.

- Vamos voltar, Harry.- disse Rony ajeitando o distintivo.- Está muito frio e temos uma aula de Feitiços importante para o N.I.E.N.s. daqui a pouco.

- Foi aqui!- disse Harry quando alcançou a árvore a caminho das estufas. A marca da espada ainda era facilmente identificada no tronco da árvore.- Foi aqui, Rony. E foi logo ali que ela deu seus últimos suspiros.

Rony ficou calado. Desde que eles voltaram para Hogwarts Harry se recusava a sair do castelo, exceto para as aulas lá fora, deixara até mesmo de jogar quadribol. Durante as férias de Natal ele insistira com Sirius que Harry precisava se tratar. O amigo estava pirando.

- Esse comportamento é normal para alguém que passou por todas aquelas provações, Rony.- dissera Sirius ainda na mesa da ceia de natal.- Logo passará. Não se preocupe.

Mas alguma coisa em Rony dizia que não passaria, pois o problema de Harry não era só a tristeza e a monotonia. Harry vinha tendo sonhos desde que deixaram St. Mungus fazia alguns meses. Quando não eram sonhos que o faziam acordar assustado e gritando eram sonhos em que ele, Rony, e os demais garotos do dormitório encontravam Harry perambulando por aí, adormecido, e tinha que levá-lo de volta para a cama.

Muitas vezes ao ser interpelado pelo comportamento estranho, Harry respondera sonhador que Hermione viera visitá-lo e que logo o buscaria definitivamente.

Harry caminhou alguns metros para longe da árvore e se deitou em meio à neve.

- Hoje faz um ano.- disse ele.

- Eu sei.- disse Rony.- Mas creio que devemos voltar para o castelo.

- Não sei pra que vou assistir aulas e realizar os N.I.E.N.s.- disse Harry.- Minha vida nunca terá sentido depois que a Mione se foi.

- Hermione ficaria muito satisfeita se nós dois recebêssemos excelentes N.I.E.N.s., Harry.- disse Rony.

- Eu sei.- disse Harry.

- Então vamos fazer isto por ela.- disse Rony.- Vamos voltar para o castelo e nos matarmos de estudar.

- É.- concordou Harry. Rony estendeu-lhe a mão e o ajudou a levantar. Os dois voltaram em silêncio para o castelo.

O inverno passou trazendo a primavera. E então esta se foi trazendo o verão e os exames do fim de ano. Mas nada disso levou consigo as lembranças que ainda atormentava Harry.

Já passava das nove da noite daquele Domingo antes dos testes.

- Vamos subir também?- perguntou Rony por trás de suas anotações de história da magia.

- Se quiser pode ir.- disse Harry submerso nas suas próprias anotações.- Daqui a pouco eu vou também.

- Boa noite então.- disse Rony guardando suas coisas. Harry continuou ali por um momento até que Neville apareceu.

- O que está estudando, Harry?- perguntou ele se assentando onde antes estivera Rony.

- História da Magia.- disse Harry.- Você tem algum problema? Parece pálido.

- Eu estava visitando a Murta que Geme junto com a Luna, temos feito visitas semanais por causa de uma promessa mas...Na verdade eu estou com medo desses testes.- disse Neville.- Quero dizer, se eu obtiver bons N.I.E.N.s. poderei fazer a entrevista para o treinamento em St. Mungus. Mas eu tenho medo de não me dar bem.

- É lógico que vai dar, Neville.- disse Harry.- Vi você estudando o tempo todo durante esse ano.

- É. Acho que eu consegui finalmente aprender alguma coisa. Feitiços e DCAT aprendi com você.- Neville sorriu para Harry.- Herbologia sempre dominei e Transfigurações ainda vai, e até Poções, com as aulas extras do professor Abeforth eu consegui pegar o jeito. Mas estou com medo de dar um branco.

- Vai dar tudo certo.- disse Harry.- Quando estiver fazendo as provas lembre-se de seus pais, tenho certeza de que isso será uma boa motivação.

- É.- concordou Neville. Harry voltou a estudar. Neville ficou calado e algum tempo depois desejou boa noite a Harry e subiu. Logo a sala comunal estava vazia exceto por Harry.

- Psiu!

Harry olhou à sua volta. Não havia ninguém ali.

- Psiu!

Olhou então para a lareira, talvez pudesse ser Sirius como nos velhos tempos, mas havia apenas as últimas brasas restantes.

- Psiu! Aqui.

Harry olhou para as poltronas na direção de onde vinha a voz mas não havia ninguém.

- Sou eu, Harry.- disse a mesma voz, agora doce.

- Hermione?- perguntou Harry mas não houve mais respostas.- Hermione? É você?- perguntou novamente se levantando e dando uma volta no salão comunal.

Harry chamou mais algumas vezes pelo nome de Hermione mas não houve respostas até que Gina apareceu no alto da escada.

- O que está acontecendo?- perguntou ela.

- Era Hermione, Gina.- disse Harry com um sorriso demente no rosto.- Ela estava me chamando, mas não consegui encontrá-la então ela se foi.

- Acho que você está cansado, Harry.- disse Gina. Havia pena em seus olhos.- Estudou demais. Vá dormir.

- Mas ela estava aqui.- insistiu Harry.

- Não, ela não estava.- disse Gina descendo as escadas.- Não há ninguém aqui, foi só uma ilusão sua.

Harry baixou os olhos, apanhou suas coisas e subiu para seu dormitório. Gina se deixou cair em uma das poltronas. Não era a primeira vez que via Harry procurando por Hermione como se ela estivesse por ali brincando de esconde-esconde com ele. Talvez Rony tivesse um pouco de razão ao achar que Harry estava louco.

- Era verdade.- disse uma voz fria. Gina se virou assustada. O fantasma de Draco pairava sobre ela.

- O que?- perguntou Gina.

- Sua amiga Sangue Ruim tem perseguido Potter desde que ela se foi.- disse Draco.

- Mas você disse que ela não virou um fantasma, não é mesmo?- perguntou Gina sem entender como Hermione poderia estar perseguindo Harry.

- Sim.- disse Draco.- Ela é apenas uma pobre alma que não consegue ficar em paz por ter deixado uma grande parte de si para trás.

- Então... Hermione só parará de perseguí-lo quando ele morrer também?- perguntou Gina.

- Sim.- disse Draco.- E ele ficará muito contente quando isso finalmente acontecer.

- Mas então...- disse Gina.

- No seu caso não adiantaria nada você morrer.- interrompeu Draco tristemente.- Nosso amor não era tão puro quanto o deles...E eu preferi ficar aqui a conhecer o outro lado.

- Não pretendo me matar por você agora, mas um dia nós nos reencontraremos, não é mesmo?- perguntou Gina.

- Infelizmente não.- disse Draco.- Estamos e sempre estaremos em dimensões diferentes, Gina.

- Mas se eu virasse um fantasma...- disse Gina.

- Você não teme e nunca temerá a morte a ponto de virar um fantasma ao morrer, Gina.- disse Draco.- Mas deixe-me ir. Não vai ser legal se descobrirem que eu andei por aqui.

Gina observou tristemente Draco sumir pela parede. Em seguida subiu para seu quarto e adormeceu. Sonhou com um reencontro entre ela e Draco. No sonho, após sua morte, Draco se tornara alguém realmente bondoso e nobre.

E na semana que se seguiu vieram os exames. E então veio o baile de formatura que contou com um animadíssimo show das Esquisitonas.

Rony e Isabel dançavam animadamente. Sirius e Tonks logo se juntaram a eles e no fim até o Sr. e Sra. Weasley arriscaram alguns passos.

- E então, Harry, já pensou no que fará daqui pra frente?- perguntou Gina. Os dois estavam assentados na mesa que Sirius - Família de Harry - dividia com os Weasley. Harry observava tristemente todos se divertindo. Gina antes estivera dançando com Neville mas há pouco havia se juntado a Harry.

- Não.- disse o garoto.

- Não vai fazer o teste para a escola de aurores?- perguntou Gina.

- Acho que não.- disse Harry.- Não sei se ainda tenho forças para viver atrás de bruxos das trevas.- completou.

- Vai para a casa de Sirius então?- perguntou Gina.

- Você sabe tanto quanto eu que o romance entre eu e Hermione não começou em Hogwarts.- disse Harry.- Não sei se agüentaria viver no lugar em que o nosso amor se firmou.

- Você está se referindo à noite antes do retorno para Hogwarts após as férias de natal?- perguntou Gina.

- Não só a isso...- disse Harry e então de repente parou. Gina sabia?- Como você sabe disso? Mione lhe contou?

- Não foi preciso, Harry.- disse Gina.- O tom vermelho no rosto dela ao entrar no quarto no meio da madrugada me disse tudo.

Harry ruborizou de leve.

- Em pensar que hoje poderíamos estar, eu e ela, no meio desse pessoal, nos divertindo.- disse ele depois de algum tempo.

- Não fique se remoendo em meio a lembranças do passado, Harry.- disse Gina.- Pois o que passou, passou. E ainda não temos o poder de mudar isso. Não fique pensando só no que se foi...

- Quer que eu pense em que então?- perguntou Harry.

- Preocupe-se com o seu futuro!- disse Gina.

- Que futuro, Gina?- perguntou Harry.

- Oras Harry!- disse Gina com impaciência.- Você é um grande bruxo, você venceu Voldemort! Você tem todas as portas abertas ao seu dispor!

- Olhe para mim, Gina!- disse Harry.- Veja no que me transformei! Um grande garoto prestes a fazer dezoito anos, que vive de tristeza e monotonia!

- Não vou ficar discutindo com você!- disse Gina se levantando.

- Te faz bem!- retrucou Harry ao vê-la se distanciar.


- Os N.I.E.N.s. saem amanhã.- disse Rony enquanto ele e Harry subiam as escadas para o dormitório. Os malões já estavam prontos para a partida no dia seguinte.- O que vai fazer depois disso?

- Nada.- disse Harry.- E você?

Rony soltou um suspiro antes de responder.

- Estive pensando em entrar para Gringotes, como Gui.- disse Rony enquanto começava vestir o pijama.- Li no profeta diário que eles estarão entrevistando bruxos até o começo de setembro. Acho que vou tentar.

- Legal.- disse Harry, algo lhe dizia que pelo simples fato de Rony ser irmão de Gui lhe garantiria uma vaga. Gui além do cargo de Bruxo Supremo em Gringotes tinha um altíssimo cargo dentro do ministério também. Era chefe do departamento de Relações Internacionais.

- Porque não tenta entrar para a escola de Aurores?- perguntou Rony.- Os testes devem começar na Segunda quinzena de julho.

- Não sei.- disse Harry.

- Dizem que é difícil, mas tenho certeza que você conseguirá.- disse Rony.- Só pelo fato de ser Harry Potter acho que você já está lá dentro.

- É.- concordou Harry se assentando na cama.- Mas a única coisa de que preciso agora é uma boa noite de sono.

- Boa noite.- disse Rony.

E logo a manhã seguinte nasceu.

- É estranho olhar pra isso tudo e pensar que talvez eu nunca mais volte aqui.- disse Simas enquanto descia com seu malão.

- Todos os momentos felizes da minha vida estão ligados nisso daqui. Cada sorriso entranhado nessas paredes de pedra!- disse Harry tristemente.- Eu só fui feliz a partir do momento em que entrei para Hogwarts, e deixei de ser feliz quase no fim. Nunca vou esquecer deste lugar! E das pessoas que eu deixei para trás, aqui.

Simas observou a figura triste que era Harry. Queria dizer alguma coisa, mas acabou ficando calado.

Harry seguiu sozinho no trem. Rony e Gina cumpriam seus deveres de monitores. Quando desembarcou na plataforma 9 e ½ viu Sirius, Isabel e a Sra. Weasley já os esperando. Ele esperou Rony e quando este desceu do trem os dois se abraçaram.

- Até a vista, cara!- disse Rony.- E dê um jeito na sua vida!

- Eu vou tentar.- disse Harry antes de seguir com Sirius.

Sirius parecia imensamente feliz com a chegada do afilhado de volta em casa.

- Preparei uma surpresa pra você!- disse ele assim que eles aparataram.- Vamos até lá em cima.

Harry seguiu Sirius até a porta do antigo quarto da Sra. Black. Sirius arreganhou a porta.

- Seu novo quarto!- disse Sirius sorrindo.

Harry entrou no quarto atrás do padrinho e tentou sorrir. Sirius havia dado uma reforma geral no quarto. Trocado o papel de parede. E o transformado no quarto dos sonhos de qualquer garoto. Mas havia ali a coisa que mais angustiava Harry naquele momento. A lembrança de Hermione.

- Bom! Fique a vontade no seu novo lar.- disse Sirius.- E não demore a descer para o jantar.- depois de dizer isso ele saiu do quarto fechando a porta.

A cama de Harry ficava na mesma parede em que a antiga cama de colunas que havia ali. Na parede oposta havia um suporte com a Firebolt do garoto.

Harry caminhou até a cama e se deixou cair ali. Em um súbito flash ele viu Hermione entrando pela porta do quarto, trajando seu robe cor de rosa e trazendo aquele penetrante olhar que ela trouxera naquele inesquecível noite.

Era estranho pensar nisso, mas Hermione parecia já saber de seu destino. Aquela noite, a noite mais especial da vida de Harry, fora como uma espécie de despedida.

Harry ficou se lembrando da noite que passara com a garota ali durante algum tempo, mas depois ele se trocou e desceu para o jantar. Isabel não estava. Tinha ido jantar na casa de Rony. Harry comeu calado enquanto ouvia Sirius falando que ele deveria tentar entrar para a escola de aurores. Harry acabou prometendo que iria ao ministério resolver isso no dia seguinte.

Acontece que no dia seguinte, ao invés de ir para o ministério Harry rumou para Hogsmead. Havia visto no profeta diário daquela manhã o anúncio de alguém que vendia uma casa. Harry deu uma olhada na casa e naquele mesmo dia fechou o negócio. E nas semanas que se seguiram, ele saía de casa dizendo que ia para o ministério participar da maratona de testes, mas ao invés disso ele continuava montando a casa. Até o dia em que ele se atrasou na hora de ir embora.

- O Harry não voltou do ministério com você?- perguntou Sirius a Isabel.

- Não.- disse Isabel sem se preocupar.- Eu perguntei a Zacarias Smith, que também está fazendo os testes, se ele tinha visto o Harry e ele disse que o Harry não apareceu lá dia nenhum.

Sirius ficou encabulado. Será que Harry estaria mentindo para ele? E porque ele estava fazendo aquilo, se dissesse que realmente não queria se tornar um auror ele, Sirius, entenderia. Mas porque, era só o que o preocupava, porque ele estava mentindo?

Harry chegou em casa e foi direto para a cozinha comer alguma coisa. Sirius sequer o cumprimentou quando ele entrou. E continuou calado quando Harry serviu-se da sopa que o padrinho preparara.

- Aconteceu alguma coisa?- perguntou Harry enquanto comia.

- Na verdade sim.- disse Sirius se assentando do outro lado da mesa, defronte a Harry.

- E o que foi?- perguntou Harry.

- É que hoje eu acabei descobrindo que...- ele olhou para Harry que o encarava sem medo.- Que você está mentindo para mim dizendo que está fazendo os testes.

Silêncio.

- Na realidade eu menti.- disse Harry baixando os olhos. Era melhor falar tudo agora. Mais cedo ou mais tarde ele teria que faze-lo mesmo.

- E eu posso saber o que você está arrumando esse tempo todo, então?- perguntou Sirius.

- Estava em Hogmsead, montando a minha nova casa.- disse Harry.- Eu não posso mais ficar aqui.

Houve um novo e prolongado silêncio. Harry sabia que Sirius ainda tentava absorver aquelas palavras.

- Eu sabia que você não tinha gostado do quarto, e eu até entendi o porquê depois que Gina me explicou...

- Gina te explicou o porque?- perguntou Harry ruborizando.

- Sim!- disse Sirius.- Ela e Rony vieram te visitar um dia desses, mas você não estava. E então eu disse a Gina que você não parecia feliz por estar morando comigo e ela me explicou quais eram os seus motivos. Mas eu propus a você, no dia em que te propus vir morar comigo, que se você quisesse, nós nos mudaríamos daqui. E se quiser ainda podemos mudar.

- Sirius...- disse Harry olhando o padrinho que parecia levemente desesperado.- Você sabe que é um pai pra mim, não sabe?

- Sim, mas porque então...

- Os filhos um dia deixam os pais.- disse Harry.- É uma das coisas normais da vida.

Sirius permaneceu em silêncio. Tinha a cabeça baixa.

- Uma vez você me disse que a gente só ama verdadeiramente uma pessoa na vida.- disse Harry.- E que quando essa pessoa é a pessoa errada somos condenados a viver só.

- Não é viver só no sentido de se isolar do mundo.- disse Sirius.- E se fosse, pense, Harry, somos dois solitários então, e o melhor que podemos fazer é ficar juntos e um ajudar ao outro a preencher o vazio que cada um carrega dentro de si!

- A minha decisão está tomada Sirius.- disse Harry.- Eu sinto muito.

- Se tem que me deixar como um filho deixa os pais esqueça o lado paterno então e fique ao meu lado como amigo!- pediu Sirius erguendo o rosto. Seus olhos estavam úmidos.

Harry não disse nada. Seu coração estava cortado por ver o desespero de Sirius.

- Isabel logo vai me deixar, ela e o Rony não tardarão a se casar. E você não pode fazer isso comigo, Harry.- recomeçou Sirius ficando de pé.- Não depois de tudo que eu passei para ter você aqui, debaixo do meu teto, para fazer o papel de pai que Tiago não pôde fazer!

Harry segurava para não chorar também.

- Você não pode fazer isso comigo!- repetiu Sirius se assentando novamente.- Não depois de eu ter movido céus e terras para poder cuidar de você!

- Você poderá continuar cuidando de mim, Sirius.- disse Harry.- Mas eu preciso sair daqui. Eu preciso passar mais tempo sozinho.

Pausa.

- Tente entender que o fato de eu estar deixando a sua casa...

- Essa é a sua casa também!- disse Sirius.

-...O fato de eu estar deixando essa casa não vai mudar em nada o que eu sinto em relação a você e....

- Foi por eu ter escondido a você o plano do véu, não foi?- perguntou Sirius.

- Não, não foi!- disse Harry.

- Só pode ter sido!- disse Sirius.- Você ainda não me perdoa por eu ter escondido de você que estava vivo. Por ter feito você sofrer e...

- NÃO FOI!- gritou Harry se levantando.

Sirius, assustado, ergueu o rosto para Harry.

- Não tente se culpar.- disse o garoto.- A minha decisão não tem nada a ver com você. Sim, eu sinto muito por ter que deixá-lo. Eu preferiria que não tivesse que ser assim, mas essa solidão que eu encontrarei morando sozinho é algo de que eu realmente preciso nesse momento, Sirius.- ele respirou fundo.- Agora eu acho melhor eu ir.

Sirius debruçou-se sobre a mesa e escondeu o rosto entre os braços. Lágrimas lavavam seu belo rosto livremente agora. O rosto de Belatriz lhe surgiu diante os olhos.

"Você é tão sentimental...dá até medo de acabar contaminada..."

Algum tempo depois Isabel apareceu na cozinha.

- Pai?- perguntou ela. Sirius ergueu os olhos vermelhos para ela.- O que aconteceu? Eu vi o Harry saindo com o malão, vocês...

- Ele me deixou, Isabel.- choramingou Sirius.

A garota se assentou ao lado do homem e o abraçou.

- Mas porque ele fez isso?- perguntou ela.- Vocês brigaram?

- Não...

- Porque então?


*****


Harry enxugou as últimas lágrimas assim que saiu da lareira de sua nova casa. Era uma casa muito grande para alguém que moraria sozinho. Tinha quatro quartos e uma gigantesca sala. Harry montou seu próprio quarto, um escritório e num terceiro quarto, mais tarde, ele remontou o quarto que Hermione um dia possuíra na casa de seus pais.

Havia uma cadeira de balanço na sala. Harry, cansado, se assentou ali e acabou adormecendo. Foi acordado no dia seguinte por Gina.

- Como você chegou até aqui?- perguntou o garoto ao vê-la.

- Sirius chegou lá em casa no meio da madrugada.- disse Gina.- Disse que você havia se mudado para Hogsmead. Ele está desabalado, Harry.

- Você sabe que eu não podia ficar lá, Gina.- disse Harry.

- Você queira ou não, as lembranças de Mione o perseguirão aonde você for.- disse Gina.

- Mas lá era pior...- disse Harry.

- Ele me pediu que o convencesse de voltar.- disse Gina.

- Você sabe que eu não vou mudar de idéia, Gina.- disse Harry.

- E o que quer que eu diga a ele?- perguntou Gina.

- Depois que você contou a ele sobre o quarto da mãe dele...Diga o que quiser.- disse Harry.

Gina deu um suspiro e foi embora. Não era nem meio dia quando Rony também apareceu por ali.

- Cara, não acredito que você está fazendo isso!- disse ele se assentando no sofá defronte à cadeira de balanço onde Harry permanecia.

- Os meus planos eram procurá-lo hoje para lhe convidar para ser padrinho do meu casamento. Mas...

- Nada que você disser mudará a minha opinião, Rony.- disse Harry calmamente.

Silêncio.

- Eu fico pensando.- disse Rony.- Você e a Gina deveriam tentar ficar juntos...

- Nada que você disser mudará a minha opinião em sentido nenhum, Rony.- disse Harry.

- Um motivo...

- Você ama essa garota, Rony? Você ama Isabel?- perguntou Harry. Rony fez que sim com a cabeça.- Você dizia gostar da Mione.

- Era uma paixão adolescente, cara.- disse Rony e então ele sorriu.- Mas com a Isabel eu descobri o que é realmente amar.

- Se um dia...- começou Harry.- Eu realmente espero que isso nunca aconteça, mas se um dia você vier a perder a Isabel, mas não quando vocês estiverem velhinhos e sim quando estiverem no meio dos planos de vida de vocês...Se você a perder...Aí sim você entenderá as minhas razões...E as da Gina!

- Já vi que você está mesmo decidido.- disse Rony.

- Sim.- confirmou Harry.

- Acho que devo ir embora então.- disse Rony se levantando.

- Quando será o casamento?- perguntou Harry.

- Ainda não marcamos uma data.- disse Rony.- Mas provavelmente será só no ano que vem.

- Me avise a data certa quando souber.- disse Harry.

Rony deixou a casa de Harry e voltou para a casa de Sirius onde encontrou o homem ainda desconsolado. Harry não recebeu visitas nos dias que se seguiram, exceto pelo moleque do Três Vassouras que vinha lhe trazer a comida todos os dias.
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MensagemAssunto: Re: Harry Potter eo Perfeito e Proibido   

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Harry Potter eo Perfeito e Proibido
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